segunda-feira, 5 de junho de 2006

Um dia de fúria

Era 1998, ano de Copa do mundo. Eu trabalhava na Av. Paulista e morava no alto da zona norte. E tinha um Gol com pneus 195 sem direção hidráulica. O trajeto da Paulista até minha casa demorava até uma hora ou mais no horário de pico. Mas naquela noite estava mais horrível ainda, pois demorei duas horas até chegar em meu bairro. Imagine os pneus 195, a direção mecânica, o trânsito e a fadiga para você entender este post.

Minha casa ficava em uma pequena rua, em formato de "U", que começava e terminava na mesma secundária. Naquela noite saí da avenida principal, entrei nessa secundária e, mal trafeguei dez metros, dei de cara com cavaletes ripas improvisando uma barricada. Um moleque vem à minha janela:

- Tio, não dá pra entrá aqui não. A gente tamo pintano a rua.
- Ah é? E não podia ser durante o dia, já que vocês não trabalham?
- Não dá tio. O cara que traz as tinta chegô tarde.
- Hum...

Minha darling, contemporizadora que é, me sugeriu contornar pelo outro lado. Dei meia-volta, antes que meu saco já na lua me fizesse xingar o pobre garoto. Afinal estava só se divertindo, embalado pelo ufanismo babaca da Copa. Para quem não conhece, os quarteirões no bairro do Mandaqui são disformes, colossais e a região é quase toda morro. Uma voltinha no quarteirão pode demorar cinco minutos de carro. Mas fui. Eis que chego à outra extremidade da tal secundária e me deparo com o quê? Tente adivinhar. Acertou, se pensou em outra barricada! Lá se ia a última possibilidade de um pobre, pacato e cansado trabalhador chegar em sua casa. Dois outros moleques vieram falar com o tio e começaram a explicar tecnicamente questões sobre tinta fresca e tempo de secagem. Foi quando minha involuntária mediunidade - que me isenta de responsabilidade pelo que seguiu - me fez incorporar o "caboclo Carlos Ray Norris Jr.", também conhecido como Chuck Norris.

Norris desceu do carro e com a inconfundível botinada norriana colocou um dos cavaletes em órbita. Começaram os protestos. Os moleques da outra barricada bem que tentaram correr para conter o ímpeto destrutivo mas já era tarde. Com faróis altos, buzinando intermitente e com minha darling apavorada ao lado dele, Chuck Norris já tinha avançado com o meu carro sobre o que sobrou do bloqueio e deixado as trilhas dos Firestone 195 sobre as pinturas da bandeira brasileira, da bola, da taça, do Ronaldinho fenômeno e das putas-que-pariram aqueles moleques de merda. Imagino que a turba juvenil tenha proferido alguns adjetivos indecorosos, mas isso não vem ao caso. Em estado mediúnico, eu não ouvi nada mesmo. Foi Chuck quem ouviu e obviamente estava de bom humor. Caso contrário ele teria engrenado a marcha à ré e grudado a todos no asfalto formando uma bela decoração de torcida em alto relevo.

Por favor, evitem bloquear ruas nos meus trajetos durante a Copa. Tentarei colaborar publicando os trajetos neste blog com a antecedência que for possível. Não me levem a mal. Eu sou uma boa pessoa, mas sou médium. E Chuck Norris é muito bravo.

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Pena de amputação

"E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena." (Mt 5, 30) Por alguma razão esses versos ecoaram em minha mente hoje. Embora eu reconheça que o Estado seja absolutamente incompetente, indigno e parcial demais para aplicação de penas criminais, penso que a pena de amputação possa vir a ser algo interessante.

Contudo o mito do "Estado de Direito" ignora que os direitos e deveres são estabelecidos por grupos específicos e/ou são influenciados pelos tais. Basta dizer que quem faz as leis por aqui são os nobres senhores deputados (federais e estaduais), o nobres senhores senadores e os nobres senhores vereadores (alguém já viu como os hipócritas tratam-se pelo adjetivo nobre quando estão se pronunciando nas tribunas?). Pelo andar da carruagem, é pornográfico imaginar o que esses senhores mandatários fazem nos bastidores e nas tribunas das respectivas casas legislativas. "Eu acho que as leis são como as salsichas. É melhor não ver como são feitas" teria dito Otto von Bismarck. Por isso - e só por isso - é que eu jamais aceitaria as penas irreparáveis, como a amputação e a morte, como plausíveis nas condenações criminais ministradas pelo Estado.

Mas agora vou ao ponto: Se eu pegar o desgraçado que roubou o som do meu carro, aplicarei a pena de amputação ou inutilização parcial eu mesmo. Entendo perfeitamente que a coluna da porta de um carro popular e um CD player, ambos com mais de cinco anos não valham uma vida, ainda que seja a de um lixo-humano viciado em pedra, que logo morrerá mesmo. Mas estou certo de que um tiro no cotovelo ou na rótula será suficiente para minimizar a probabilidade de novas ações do meliante enquanto o crack não o mandar para o limbo. Rastro do desinfeliz eu já tenho. Tá avisado.

terça-feira, 30 de maio de 2006

Patriota até que posso ser... tonto não

Cena 1: Oito e pouco da manhã. Vejo um repórter na TV Record emocionadíssimo mostrando o estádio onde ocorreria o amistoso de um timeco de merda da Suíça contra a selecinha. Detalhes arquitetônicos, preço dos ingressos, características da cidade, etc.. O ânimo do reporter sugeria uma grandiosa partida, digna de final de campeonato contra um adversário praticamente imbatível. Como conhecimento não ocupa espaço - ao menos é como penso - decidi-me a assistir à reportagem até o fim.

Cena 2: Fim da tarde. Estou voltando de um importantíssimo evento que periga me render um maço de reais. No carro estão Robbins* e Schlebts*. Ambos profissionais de Informática que também tinham ido participar do mesmo evento. O motorista seguia pela marginal Tietê enquanto tagarelávamos sobre o evento e os possíveis resultados. Eis que Robbins resolve tocar no temido assunto: Fifa World Cup®. Dizia estar pronto para - nas palavras dele - "o embate com as seleções inimigas". Tinha tinha comprado dezenas de pacotes de pipoca para microondas, outras dezenas de caixas de latinhas de cerveja, uma dúzia e meia de pets de Coca-Cola de 3 litros, camisetas oficiais para toda a família, bandeira para colocar na janela de casa, corneta pra tocar na hora do gol e oito caixas de rojões de doze tiros. Ah! E também estava colecionando todos os álbuns de figurinhas a respeito.

A Schlebts mostrou-se igualmente a la torcida canarinho. Entre outras coisas gabava-se de ter acordado todas as madrugadas para assistir aos jogos quando a copa fora no Japão (foi no Japão mesmo? agora estou em dúvida). Eis que, percebendo meu silêncio de quem seguia alheio ao tema, resolveram me abordar, para saber qual seria minha contribuição ao patriotismo futebolístico:

- E aí tio, como você vai agitar a Copa lá no seu pedaço?
- Eu?
- Sim, claro! Você! E aí?
- Ah... tá... a Copa...
- Então?
- Então o que?
- Porra, você vai assistir os jogos onde, com quem, agitou uma galera, tem telão na sua empresa?
- Ah.. sinceramente?
- ...
- Periga eu não assistir a bosta nenhuma.

CORO:
- Coooooomo assiiiiiiiim? O que você está querendo dizer? Por que não assistiria?

Desisti de disfarçar:

- Ah, foda-se a Copa, a seleção, o técnico e a taça! Eu não tenho o menor saco pra futebol. Muito menos pra essa merda de Copa que não me acrescenta nada, não me rende dinheiro e nem consegue me entreter. Quero mesmo que caia uma tempestade de granizo a cada jogo. Pronto, falei!
- Não pode ser! Você não é patriota. Aliás nem deve ser brasileiro.
- Brasileiro eu sou com muito gosto. Patriota quando é preciso. Mas reservo-me o direito de não ser bobo-alegre-verde-amarelo. Posso até defender a Petrobrás, se preciso. Mas jamais um bando de jogadores frescos que ganham em um mês o que os trouxas dos torcedores não ganham durante a vida toda.

A discussão acalorada dava mostras de que se seguiria por mais tantos quilômetros quanto trafegássemos. Depois seguiu-se um silêncio sepulcral. Tive a nítida impressão de que no silêncio ambos preparavam uma estratégia para me defenestrar do veículo em movimento. Mas a Providência Divina, grandiosa que é, fez com que chegássemos à frente ao meu escritório. O motorista, percebendo a situação patética, engrossou a voz para avisar que já tinha chegado na minha parada. Meus dois colegas torcedores fanáticos seguiriam adiante para os respectivos destinos. Despedi-me educadamente, mas me pareceu que eu tinha passado a ser persona non grata a partir daquela discussão. Ele me deu a mão com aquela pegada que chamo de amanteigada. Traduzindo, é aquela não aperta a mão da outra pessoa, como se estivesse com nojo. Ela embora tenha pego na minha mão, me fez pensar que poderia ao menos olhar no meu rosto ao dizer tchau. Ou pode ser que eu esteja sendo muito exigente.

Se alguém, assim por um acaso, pretender alugar um bom DVD durante os jogos e quiser companhia para assistir junto, deixe um recado. Obrigado.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Retrato de uma esotérica

Eram 18h30 da noite de hoje. Trânsito insuportável, pra variar. Eis que resolvo sintonizar em uma rádio esotérica, porque não agüentava mais as repetições das rádios musicais. Estava começando o programa da madame Schlebts. A dita lê cartas, receita banhos de ervas, recomenda "se apegar" a determinados anjos e ensina o que chama de "rituais" que implicam quase sempre em acender velas de cor, cada uma para um determinado tipo de problema. O programa abre para os ouvintes ligarem e se consultarem no tarô, que ela diz estar lendo durante a consulta por telefone.

- Alô, madame Schlebts, quem fala?
- Aqui é a Fulana.
- Ah... linda!!! (seguem risadas forçadas em estilo bruxístico). De onde você está falando?
- De Osasco.
- Ah... linda. Que bom! E o que você quer saber?
- Sobre meu casamento.
- Mas o quê sobre o casamento? Você já é casada?
- Sim.
- Há quanto tempo?
- Treze anos.
- Ah... linda. Faz tempo né? Olha, eu tô tirando uma carta aqui que diz que você está muito preocupada com seu casamento, hein?
- É mesmo madame.
- E o que te preocupa no casamento? To vendo aqui em outra carta que você não está se sentido bem com seu marido. O que acontece?
- Ah, madame Schlebts... Sei lá, to sentindo assim uma certa distância da parte dele.
- Ah... linda. Tô vendo aqui em outra carta que você está desconfiada, hein? Até que você está desconfiando de uma pessoa próxima dele. Tem alguém assim, próxima dele que está despertando desconfiança sua? Há quanto tempo você tá casada mesmo?
- Treze anos. Mas olha, madame...
- Ah... linda. Mas sempre tem uma desconfiança né? Você desconfia de alguém?
- Não, assim que eu me lembre assim, ninguém.
- Ah, linda... mas aqui nas cartas diz que não tem ninguém mesmo, viu? Desencana com isso. Eu to vendo aqui em outra carta que o seu relacionamento está muito parado, morno! Tá faltando alguma coisa entre vocês dois, hein? (seguem as risadas bruxísticas)
- Ah, isso tá mesmo viu, madame Schlebts.
- Então, tá vendo? Tá tudo aqui nas cartas. Olha, linda eu vou te dizer uma coisa: você é um pouco cobradora não é mesmo?
- Até que não, madame. Eu fico mais na minha. Mas tô preocupada.
- Ah... linda. Mas essa sua vozinha doce não me engana viu? (risadas bruxísticas) Você tem um jeitinho daquelas mansinhas que 'fica' em cima cobrando... (mais risadas bruxísticas)
- ...
- Olha linda, tô vendo aqui no tarô que se você não 'fazê' nada, linda, o seu casamento pode ir pra uma separação ainda este ano! Faz o seguinte: acende uma vela vermelha e pede pro anjo Samuel (???) colocar paixão no seu casamento, acende uma vela rosa também e leia o salmo 1 e o salmo 23. E olha linda: vai no domingo no 'Espaço Schzneeptz' que fica na rua tal número tal, pertinho da estação Tatuapé. Vai ter um ritual lindo de magia pra todas as pessoas tirarem essas coisas ruins da frente, viu linda? Eu mesma vou estar lá orientando vocês. Só precisa de uma pequena contribuição de X reais pra ajudar a manter o espaço lá, viu linda? Olha, e liga pro meu telefone 555-5555, fala com minha secretária e marca uma consulta comigo, viu linda? Ela te explica o valor, horário e tudo, viu linda? Eu vou ficar uma hora com você pra gente tirar mais cartas, rezar juntas e eu vou te ensinar um ritual infalível.
- Tá, muito obrigada madame Schlebts! Ai que bom, viu?
- Mas vai mesmo, viu linda?
- Tá. Obrigada.
(risadas bruxísticas...desliga o telefone)
- É gente, viu? Essas coisas são fogo. Ah, produção, tem mais ouvinte na linha? Pode pôr. Alô, quem fala?

Nesse momento, por razões compreensíveis, eu coloquei um CD do Zeca Baleiro.

Sem comentários e sem perguntas, por favor.

terça-feira, 16 de maio de 2006

Balanço da tragédia anunciada

Os principais colégios de São Paulo não foram atacados por bombas de nêutrons.

Os túneis Maria Maluf, Rebouças, Ayrton Senna e Tribunal de Justiça não foram interditados por piquetes do PCC.

O viaduto Aricanduva não foi implodido no horário de rush.

O reservatório Cantareira não foi envenenado com duzentas toneladas de Mercúrio.

O Palácio dos Bandeirantes não foi tomado (que pena).

A Assembléia Legislativa não foi bombardeada por helicópteros do PCC (incompetentes esses bandidos).

A Catedral da Sé não foi incendiada.

Os quinze shoppings da capital não foram explodidos simultaneamente. Aliás, nem uma biribinha foi deflagrada.

O metrô Corinthians-Itaquera não passou de madrugada a se chamar PCC-Itaquera.

As rebeliões nos presídios não resultaram na "maior debandada da História".

E a lenda do "toque de recolher" foi na verdade uma boa desculpa para quem pôde chegar mais cedo em casa e jantar com a família, como eu.

A propósito: George Bush mandou avisar que não pretendia de forma alguma enviar tropas de mariners para salvar São Paulo, ok?

Obrigado a todos os amigos e amigas que se preocuparam, cuidadosa e meticulosamente, em enviar dúzias de e-mails, dezenas de mensagens instantâneas, SMS´s e mesmo telefonar-me para prenunciar as tragédias acima.

Graças a todo esse carinho e atenção não consegui telefonar para meus clientes para garantir o pão de cada dia. Tragédia será se eu não conseguir repor essas horas e reais perdidos.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

As arapucas dos classificados de emprego

Caros amigos desempregados. Nestes tempos de desemprego social crônico, multiplicam-se as arapucas disfarçadas de emprego. Vasculhando os classificados eu constatei o óbvio ululante: há mais roubadas do que oportunidades. Mas a dica está sempre nas entrelinhas. A seguir algumas expressões encontradas e o que elas significam na verdade, para lhes servir de manual preventivo.

“NÃO EXIGIMOS PRÁTICA”
Quer dizer: os donos da empresa são aventureiros e não conhecem o negócio. Por isso, não conseguirão avaliar seus conhecimentos, o que explica a baixa exigência.

“EMPRESA EM EXPANSÃO ADMITE”
“Em expansão” é como o dono acha que a empresa está... Mesmo cheia de protestos, impostos atrasados e uma fila de cobradores à sua porta.

“POSSIBILIDADE DE GANHOS ATÉ R$ _______,00”
A cifra sempre é o que você ganharia se vendesse sozinho toda a produção anual da empresa por 10 anos consecutivos. Se quiser tentar, depois não venha dizer que o tio Xavier não avisou.

“TRABALHE EM CASA”
Traduzindo: os caras não vão te registrar, não te pagarão Vale-Transporte, nem Vale-Refeição, nem FGTS, nem INSS. Para não se complicarem com o Sindicato nem com o MT, querem que você dê duro bem longe da sede da empresa. Mas os resultado$ eles vão querer.

“VENDA PRODUTO INÉDITO”
Pergunte-se: Por que o produto é inédito? É porque jamais alguém conseguiu vender uma só peça. Algo como lâmpadas pretas, parafusos sem rosca ou bolas de futebol cúbicas. Não se iluda: você também não conseguirá vender uma só unidade. O produto continuará inédito. E o anúncio estará lá na próxima edição.

“ADMITIMOS VENDEDORES: PRODUTO DE GRANDE ACEITAÇÃO”
Se é de grande aceitação, por que eles precisam de alguém para ir atrás dos clientes?

“TENHA SEU PRÓPRIO NEGÓCIO”
Ou seja, eles vão te encher a mala de quinquilharias para vender, te pegar um cheque-pré como garantia e pronto: você é dono do seu próprio mico (ops! desculpe) negócio. Prepare-se para rebolar para cobrir o cheque daqui 30 dias.

“EMPRESA MULTINACIONAL RECÉM-INSTALADA NO BRASIL ADMITE”
Pode ter certeza: os golpistas são imigrantes clandestinos e estão sendo processados em dezenas de outros países. Chegou a vez de dar chapéu nos brazucas.

“ADMITIMOS PARA VÁRIOS CARGOS”
Essa é fácil: os caras demitiram 95% do quadro. Agora precisam reestruturar a empresa, pagando 1/10 do que os antigos empregados ganhavam.

“NÃO SE EXIGE ESCOLARIDADE”
O trabalho deve ser prá lá de duro. Provavelmente uma carvoaria. E mais: como os donos são analfabetos, não vão admitir ninguém que leia e escreva.

“MOÇAS DE BOA-APARÊNCIA”
Safardanas. Se é para trabalhar, o que tem a ver a aparência, hein? Pode crer: os donos da empresa são dados a um assediozinho básico e, digamos, são um pouco exigentes...

“INDÚSTRIA ADMITE ‘MEIO-OFICIAL"
Entenda fácil: o empregado trabalhará por inteiro, em jornada integral, executará 100% da produção para o cargo. Mas ganhará metade do menor salário da empresa e ainda será subordinado ao faxineiro. Translating: meio-oficial = meia-boca. Melhor ficar em casa.

Benesses do mundo virtual

Esta manhã senti o frio que pedia para eu me manter sob os edredons. Mas, este pobre Sísifo tinha mesmo que levantar para novamente rolar a enorme pedra morro acima. Entre o banho e a xícara de café quente, meus dois neurônios se interligaram e começaram a produzir uma fantástica estratégia para este dia. Abri minha agenda e confirmei que eu não receberia nenhum pentelho no meu escritório, tampouco tinha agendado visita a cliente. Todas as pendências eram internas.

Liguei o computador do meu quarto, conectei remotamente o servidor do meu escritório e fi-lo discar uma combinação cabalística de algarismos, asteriscos e jogos-da-velha. Shazam! As chamadas para o escritório seriam devidamente encaminhadas para minha casa. Ainda pergunta porque adoro a tecnologia?

Cá estou agora tocando meus afazeres, agendando compromissos e respondendo orçamentos. Coisas que posso perfeitamente fazer no conforto quentinho do meu quarto. A Santa Ifigênia também pode me esperar até segunda-feira.

Se alguém for passar aqui nas imediações, favor trazer pãozinho quente e mortadela que eu providencio um cafezinho. Obrigado.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

O Leviatã dos bytes

Minha tara por quinquilharias informáticas tem muito a ver com o entretenimento que me propiciam. São fotos, músicas e vídeos que fazem o meu lazer doméstico (a propósito, agradeço ao camarada Vincent pelos .vcd e .avi que propiciam a mim e à minha darling bons momentos). Já no trabalho a tara é a mesma, só que se deve à utilidade na transferência de dados, envio eletrônico de documentos, compartilhamento de informações, desenvolvimento de programas, comunicação online e offline e um caminhão de outras coisas sem as quais eu não conseguiria fazer tanta coisa sozinho. Não consigo me imaginar sem elas. Basta eu ficar sem internet por algumas horas, que minha mente se fecha e não consigo coordenar as mesmas tarefas do cotidiano. Tecnodependência aguda. E o pior: não quero ser curado.

Vou contar uma breve passagem de minha miserável vida, que quase justifica o meu apreço pela posse de computadores, já que sou feliz proprietário de cinco e usuário de quatro deles, mais duas impressoras e um scanner.

Eram idos de 1994. Eu estava de volta à Sampa City após separar-me e estava duro como peroba. E com outra característica da madeira - minha cara-de pau - pus-me a procurar trabalho e reconstruir minha vidinha, que não era tarefa simples. Tendo ficado por três anos meio distante de teclados e monitores, mesmo após ter possuído um PC/XT, programado em Cobol e operado vários micros, deparei-me com um mundo informático bem diferente. E percebi nas agências de emprego, que os candidatos portavam currículos feitos em computador. Para não passar por obsoleto, fui à caça de um possuidor de micro e impressora. Cheguei até a enfrentar decepções com alguns conhecidos informatizados, que eu achei que se disporiam a me ajudar. Até que fui procurar acolhida no sindicato de minha categoria: o Sindpd. Lá fui prontamente atendido pelo Antônio Neto, que muito depois fui saber que era o presidente. Com a boa estrutura que tinham e gentileza idem, pude usar um computador com MsWord/DOS e ainda imprimir duas dezenas do meu currículo, de sorte que logo arranjei trabalho na área. E este é o ponto: prometi a mim que nunca mais me permitiria faltar um computador, para eu conseguir ganhar a vida no mundo informático, e não mais passar humilhações ao pedir ajuda.

Depois de mais tempo do que eu pretendia, me encorajei e comprei um PC na hoje "falecida" Byte On. Diga-se de passagem que o dito 233/MMX ainda funciona bem na casa de minha irmã com seus infinitos 4,1GB de HD e 32MB de memória, inclusive rodando banda larga. Depois comprei um notebook Compaq de 600MHz/HD10GB/200MB que paguei em suadas 15 prestações. Uma outra vez comprei um P-IV/1,6GHz/HD40/256MB de uma amiga que precisava de grana. Depois comprei outro de 1,8GHz/HD40/1GB pra alugar como servidor remoto em uma empreitada com um cliente. E em outra ocasião me dei de presente no dia dos pais um de 1,8GB/HD40/500MB (atualmente com 2 HDs somando 120GB). Então passei a colecionar .mp3, .avi, .vcd uma infinidade de arquivos de entretenimento. Ainda armazeno nele o backup do meu trabalho que eu copio e transporto do escritório para casa semanalmente.

Com o tempo, todas as máquinas foram turbinadas com acessórios vitais como DVD, gravador de CD, placa de som e outras quinquilharias, cuja falta praticamente impossibilita a vida humana. Essa megabytica posse, aliada à concentração de meu entretenimento musical e visual no computador me trouxe-me outro tipo de preocupação: e se eu perder meus dados? Todo o árduo trabalho de digitalização de LP´s, fitas K7 e de CD´s originais que eu tenho, filmes e afins podem ir para a cucuia, se eu não me precaver com um método de cópias de segurança bem bolado. Me flagrei comprando mentalmente um novo HD de alta capacidade e um case USB para torná-lo móvel e não me ver no inferno frustrante da perda de dados qualquer dia desses. Afinal há uma concreta possibilidade de ¹/999.999 de que todos meus HD´s pifem simultaneamente e, desse modo, eu poderei evitar o suicídio.

Acho mesmo que estou doente. O Leviatã dos bytes se tornou maior, dominou minha mente e eu e já não consigo resistir aos seus apelos para alimentá-lo. Preciso comprar mais coisas para ele. A propósito, amanhã vou na R. Santa Ifigênia. Alguém quer alguma coisa?

sábado, 6 de maio de 2006

Notícia para quem precisa de notícia

Intrigante como a imprensa e a mídia em geral têm poder de fazer pessoas, de todas as classes sociais e níveis de escolaridade, repetirem bordões pelas ruas. Da repetição contante esses mesmos incautos passam a assumir o conteúdo dos bordões como sendo seus. Tornam-se mantras vibrando mentalmente após a repetição.

Para citar um caso corrente, falemos do "sapo barbudo". Antes de tudo, me exclua dos apologistas-zumbis do governo dele. Continuo achando o governo dele uma porcaria. Lamento ver muitos de meus ex-colegas de militância política apresentarem qualquer governante correligionário, como sendo o supra-sumo da governância, pois os exemplos ruins se superam a cada eleição. Só que as minhas críticas ao governo atual são por razões diametralmente opostas às da imprensa burguesa. São motivadas pelo não-cumprimento do ideário original, do fantástico movimento que culminou na eleição do atual presidente. Tenho orgulho de ter militado e construído a História durante as duas décadas passadas. Mas tivesse o programa original do movimento sendo seguido, mesmo que timidamente, aí sim veríamos verdadeiros torpedos nucleares anti-governo na mídia. Quem tá na chuva é pra se molhar. Mas voltando aos pobres diabos repetidores ele sequer sabem no quê e por que estão maldizendo o presidente. Apenas repetem. E à primeira pergunta sobre suas motivações mais profundas, costumam responder coisas como "Ahn... hum... sei lá, viu?". São os mesmos que reclamavam que as vendas estavam ruins porque o dólar estava alto e agora reclamam que as vendas estão baixas porque o dólar está muito baixo. Falta de conhecimento e preguiça mental, se não matam, aleijam o cérebro.

Os indicadores econômicos e sociais atuais são sem sombra de dúvida melhores do dos das últimas duas décadas. Em um país onde infelizmente se permite depender de know-how estrangeiro para tecnologia em geral - de eletroeletrônicos à telecomunicações - ter um dólar em uma banda razoável (2 x 1) permite à inúmeras empresas e lares o acesso à informática, telefonia, entretenimento doméstico e outros, sem os quais não é possível imaginar vida no mundo moderno. Minha modesta planilha de vendas indica hoje que até lojinhas de calçados possuem dispositivos que há cinco anos eram privilégios de grandes empresas multinacionais. Não são estatísticas, são fatos. O nosso paupérrimo crescimento da produção - que já está a esbarrar nos limites do parque energético - é absolutamente positivo, se comparado ao decréscimo que sofremos entre os anos 80 e 90. Os números da ocupação escolar idem. Estamos recuperando o contingente escolar nos níveis básico e médio e aumentaram as vagas de ensino superior. Nossa frota automobilística de passeio rejuvenesceu. A diversidade de marcas de produtos de consumo nas prateleiras traduz um silencioso movimento talibã de pequenas marcas, rumo ao glamour das venda em massa.

Mas os incautos preferem assistir à TV e resumir sua leitura de jornais às manchetes e capas de revista com foto-montagens e ilustrações que mais parecem cartoons de mau gosto. Tudo para não ter o doloroso trabalho do raciocínio crítico. E continuarão repetindo também que "política é assim mesmo" e que os únicos torcedores vândalos são os corinthianos. É mais cômodo.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Carta aberta aos amigos spammers e hoaxers

A você que me ligou perguntando se o Orkut vai ser pago, por gentileza deposite a sua mensalidade na minha conta. Não sabia que me cadastrei como representante do Orkut?

A propósito, o Orkut 2.007 não será enviado por e-mail. Eu sugiro não clicar naquele link contendo um arquivo .exe, nem encaminhar quinhentas mensagens para todos da sua lista. Você não conseguirá nada além de encher o saco de todos. Comigo você conseguiu.

Nenhuma criança internada com doença rara está conectada a um notebook, nem vai ganhar 10 centavos a cada mensagem encaminhada. Tente a tecla [del].

Minha CPU não vai explodir, nem vou ficar impotente, nem minha mãe vai morrer seca se eu não encaminhar essa sua mensagem originada em 1.830 ao norte da França, para revelar as palavras da mãe de Jesus.

Aquele e-mail de recadastramento da sua conta bancária não foi o banco quem mandou. Mas se você quiser preencher os dados do formulário, vai fundo. Boa sorte.

Nenhuma Boysband, Grupo de Pagode, Axé, Funk e afins vai ser extinto a cada cinco mil mensagens encaminhadas. Não seria má idéia, mas infelizmente não é fato.

Eu não vou achar lindo se um coqueiro colorido aparecer ao lado de cada um dos meus contatos, nem se cada um deles ficar com uma cor diferente.

Odeio clicar em peixinhos. Eu tenho vontade de dar um tiro no meu aquário, cada vez que você me manda isso.

Nada, repito: ABSOLUTAMENTE NADA, aparecerá no na tela do seu computador se vc apertar F5, F8, ou todas as 105 teclas simultaneamente, depois de encaminhar alguma de suas mensagens bestas.

Chega de pensar em ganhar dinheiro fácil e vá trabalhar! Essa história de ganhar grana a cada tantas mensagens enviadas, só acontece nas mentes fantasiosas de debilóides vagabundos como você.

O megasuperpowerhiper vírus do ursinho, temido pela McAffe, pela Norton, pela Microsoft e pelo Pentágono não é um vírus, tá? É apenas um arquivo do próprio windows. Como você (talvez, quem sabe) venha a desconfiar, uma vez apagado ele prejudicará algumas funcionalidades do sistema.

E, pela última vez, não repasse nem mesmo este texto para seus quinhentos contatos. Eles têm mais o que fazer do que ler seus e-mails idiotas.

terça-feira, 2 de maio de 2006

Meus colegas de trabalho

É manhã e estou em minha mesa localizando meus afazeres e determinando as prioridades. Leio os e-mails, reporto os spams e imprimo o extrato bancário. Mais um dia que começa na minha rotina profissional.

A Renilde*, assessora de imprensa, me cumprimenta de forma empolgada. Deve ter saído com o namorado na véspera. Karl*, diretor de criação, nem tanto. Parece um pouco abatido. Flanders*, engenheira química, comenta algo sobre o noticiário do dia anterior. Digo a ela que não assisti e nem estava sabendo do tal atentado. Jorge me avisa que um determinado pagamento não foi feito, mas será feito impreterivelmente naquele dia. Luchesi*, o advogado, está um pouco nervoso com uma audiência que terá à tarde. Teresa me pergunta se tenho algum orçamento para passar para ela. Durante todo o dia esses e outros colegas me abordam, entre um trabalho e outro, para comentar um fato, tirar uma dúvida ou perguntar sobre alguém ausente. Um pouco mais tarde, o diretor de arte talvez com pouco trabalho e já com o humor melhor, parece estar com a caixa de piadas renovada. Ao contrário, o advogado está preocupado e mal responde minhas perguntas.

Isso tudo representaria um ambiente absolutamente normal em qualquer empresa. Exceto pelo fato de que Karl e Teresa estão em diferentes cidades de MG, Flanders no RJ, Jorge é meu cliente e está no interior de SP, Luchesi no RS e Renilde - a mais próxima - está em Sampa como eu, mas a 14Km de meu escritório. Estou fisicamente sozinho em minha sala. Todo o pessoal que me cumprimentou, contou piadas, mágoas, me ajudou com orçamentos e enfim me fizeram companhia está próximo de mim virtualmente mediante um comunicador instantâneo na internet. Sinal dos tempos. Antes da internet isso seria impensável. A mesma internet que me permite despachar instantaneamente trabalho para empresas parceiras, trocar orçamentos, fechar negócios rapidamente e redespachar o pedido para representadas, que me permite fazer tantas coisas sozinho, acaba sendo em parte culpada por eu trabalhar praticamente sozinho.

Bom ou mau? Não sei. Mas é a realidade dos tempos modernos. Colegas de trabalho virtuais. Feliz é o Sívio Santos que está sempre perto das colegas de trabalho.

* Os nomes assinalados são pseudônimos a pedidos. Parece que os patrões deles não sabem que ficam papeando no msn o dia todo.

O petróleo é nosso e o gás é deles

Tudo bem. Você não tem dinheiro nem tecnologia para explorar determinado recurso energético. Aí eu vou na sua casa, faço um acordo de cooperação e co-fornecimento e entro com a caríssima tralha toda. E tudo vai bem.

Então você acorda uma manhã e - acostumado com a visão da tralha funcionando - deixa-se por um momento devanear e acha que a tralha é sua, já que está no seu quintal. E sobe com seus cabos eleitorais na minha tralha pra fazer bravata, dizendo que a festa acabou.

Sei que diplomacia internacional não se resolve assim. Mas haveria uma possibilidade de que eu fosse até minha tralha, retirasse meus amigos e pusesse fogo naquela merda (até parece que custou déirreal). Queria ver quanto tempo você agüentaria. Será que eu estou louco ou tem gente mais sem noção do que eu nesse mundo? Que raio de titica há na cabeça de um sujeito que preside um país do tamanho de nossa Minas Gerais, enclaveado pelo Chile e por um pedaço do Perú ficando sem acesso ao Pacífico, para achar de uma hora para outra que o acordo dantes não vale mais?

Posso estar total e obtusamente errado. Mas lembre: é minha grana e sua grana que estão lá. E, para quem não sabe, o fornecimento de gás de um número considerável de empresas brasileiras está comprometido. Os ramais do tal gasoduto são extensos e complexos aqui no Brasil. Tem empresas envolvidas, gente trabalhando na manutenção, outros abrindo novos ramais e por aí vai.

Sei não, mas acho que umas boas porradas nesse bravateiro não seriam de todo mal. Me dá um caça F-alguma-coisa, que eu convenço ele rapidinho na segunda manobra. Ah, com o piloto por favor, porque não sei nem onde liga.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Redecoração de pobre

Todos sabem que pobre não redecora nada. Até porque na verdade ele nunca decorou, então não teria como fazê-lo novamente. Continuando o post ante-anterior (existe isso?), eu resolvi que meu escritório precisava de uma mudança radical. Como eu sabia que não havia mais que cem reais disponíveis na conta do banco, parti para a tradicional redecoração de pobre. Pé-rapado, melhor dizendo. Porque atualmente pobre vai às lojas do Sr. Samuel redecorar em 31646540 prestações de déirreal. Como não há equivalente das Casas Bahia em móveis para escritório, decidi remanejar o que já existia.

A primeira questão que a empreitada me apresentou foi: puta que pariu!!! Por que com tanta tecnologia ainda existe tanto fio e cabo entre computadores e periféricos? Pra não desencorajar o negócio é ir puxando os conectores na louca mesmo, porque se ficar analisando muito ou querer identificar as tralhas, desiste da ginástica antes do alongamento. E foi desse jeito que fiz. Foi um tal de teclado e mouse caindo no chão, devido à minha exímia organização para esses feitos. Mas nenhum dano. Depois, arrastar uma estante de chapa fina com 1.560Kg de livros não me pareceu uma boa idéia. Inclusive pelo fato de eu ameaçar e ela ter ficado parecendo uma letra H em fonte itálico assim que tentei puxá-la. Tive mesmo que esvaziá-la. E tocar a colocar os livros em cima de qualquer outra coisa próxima.

O maior problema da mudança de pobre é exatamente esse tira-põe-tira-repõe. Se eu fosse rico, chamava meu amigo Bizarro para arquitetar o ambiente de meu trabalho como um todo. Mas enquanto isso não ocorre... sabe que o layout ficou até legal? Pelo menos mais funcional e, segundo as regras do feng-shui, me parece que está mais coerente. Não fico de costas para a porta, tenho uma vista perspectiva da sala. Só minha mini-tv-rádio ficou meio longe e, como não tem controle remoto operá-la me exigirá braços elásticos. Depois dou um jeito nisso.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Ai, ai meu Deus! O que foi que aconteceu?

Prezado leitor (se é que há algum além de mim):

Ou virei um velho chato mesmo, ou sou exigente demais, ou a música popular brasileira está na pindaíba. Antes de mais nada, faço questão de ressaltar: a Ana Carolina é uma das cantoras da atualidade que mais gosto. Não só gosto como ensino minha filha mais nova a gostar. A ponto de ela, com quatro anos mal feitos, cantar "Encostar na tua" inteirinha e me pedir para tocar o cd diariamente no trajeto de volta pra casa.

Mas raios! Será que esse pote de açúcar derretido, repetitivo e meloso aí abaixo pode-se chamar de boa música?

"Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar"

segunda-feira, 24 de abril de 2006

A vida precisa de mudanças

Um dia desses, sintonizado em uma rádio FM esotérica daqui de Sampa (na verdade de Jundiaí, mas com transmissor ilegalmente instalado na Paulista), ouvi de um dos mestres esotéricos uma mensagem significativa: "Nossa vida precisa de mudanças constantes para mantermos o quociente criativo em atividade" - dizia ele. Eu sabia que isso haveria de provocar uma reviravolta na minha vida, cedo ou tarde. Afinal, os palestristas de auto-ajuda nunca se enganam. Sobretudo se for um esotérico, místico e sobrenatural.

Eis que hoje eu cheguei ao meu velho escritório. Uma bagunça como sempre. Minha darling estava junto. Tinha vindo para me dar uma ajudinha nos afazeres administrativos. Olhou pela enésima vez para a enorme sala de 2,5m x 2,7m e reclamou agaaain - como diria Forrest Gump - que nunca gostou do layout do meu escritório. Não direi que a frase caiu como uma bomba sobre mim, porque seria exagero. Primeiro pela recorrência. Segundo porque meu escritório foi montado totalmente de improviso, na época em que saí do estado de home-office há alguns anos, em prol de uma sala comercial. E como todo bom improviso, ficou assim mesmo.

O que "fez a diferença" (olha outro chavão da auto-ajuda) foi a lembrança da frase do mestre-esotérico, no instante em que a darling reclamou. Foi uma conjunção de sinais, que convergiu para a minha percepção da real necessidade de mudanças (eita, to ouvindo demais a Mundial). Eu precisava mudar o jeito do meu escritório. Isso era fato.

To be continued... Coming soon...

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Abaixo as segundas-feiras

Puxa, será que existe coisa mais ruim do que
acordar para trabalhar na segunda-feira?
E depois de feriado então? E com o tempinho nublado?

terça-feira, 11 de abril de 2006

domingo, 9 de abril de 2006

Bandas de Formatura (Baile de formatura II - O retorno)

Um chegado muito querido me alfinetou quando eu postei anteriormente sobre baile de formatura. Dizia ele: "Não há ser humano que encare um baile de formatura depois dos trinta anos..." e completou com outra hilária frase, das típicas dele. De fato eu concordei. Inclusive com o comentário subjacente. Mas sou um ser sociável. Eu jamais declinaria do convite pessoal da Deza - uma formandinha do ensino médio de dezessete aninhos - muito querida de minha família. Então fomos. Eu e a minha darling. Foi ontem à noite.

O comentário de hoje é sobre bandas de formatura. Como tenho quase quarenta anos curti dezenas de formaturas na década de 80. Foi uma época de explosão de bandas de formatura, que se celebrizavam no meio dos freqüentadores. Aqui em Sampa City eram bem conhecidas bandas como "Edinho Show & Santa Cruz", "Santa Maria", "Super Som T.A." (esta era das mais célebres e de cachê mais alto), "Pirâmide", "Champagne", "Dimensão 5" e tantas outras. Alguns traços em comum ligavam essas bandas. O principal deles era a altíssima qualidade vocal e instrumental. Mas entre os outros tantos, quero reivindicar aqui um como que perdido no tempo: a finalidade da banda.

As bandas tinham como objetivo principal animar os bailes para as pessoas dançarem. Simples, não? Mas com o tempo, não sei se foi a concorrência, a megalomania, o estrelismo ou todos estes juntos que fizeram com que as bandas de formatura tomassem a si próprias como finalidade. Se tornaram "bandas-show" e incluíram em suas apresentações novos elementos como malabarismos, danças, coreografias, figurinos, acrobacias, pirotecnia e, mais recentemente, a multimídia. Pouco a pouco um estrelismo de fato foi tomando conta dos artistas, em detrimento daquela simples e agradável finalidade inicial. As pessoas que iam às formaturas foram se metamorfoseando de dançarinos a espectadores. A obtenção de uma mesa em lugar privilegiado para o show substituiu o simples ato de ir para chacoalhar o esqueleto e extravasar ao som dos variados ritmos de rock´n roll, dance music e mesmo canções para dançar coladinho "cheek-to-cheek", que por sinal nem são mais executadas. Isso para não entrar (de novo) no mérito do mau-gosto musical, sincronizado ao das rádios FM e das gravadoras, que vendem lixo aos baldes, como axé, funk-de-morro e outras escrotices pseudo-musicais sem sentido.

Sinal dos tempos ou não, essa mudança contribui para que os bailes de formatura percam mais um bocado do seu glamour e magia. Aquele momento de "tirar a menina bonita para dançar" foi ocupado pelo pula-pula-sai-do-chão-bota-as-mãozinhas-pra-cima. As deliciosas rodadas de Gren Miller e Ray Conniff foram descartadas em prol de pagodinhos e forró "universitário" (se é que precisa de curso superior para tocar aquilo). Uma pena.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Leis sobre sexo ao redor do mundo

Verdades ou mentiras eu recebi isto pelo e-mail hoje.

* No Líbano, os homens podem legalmente ter relações sexuais com animais, mas têm que ser fêmeas. Relações sexuais com machos são puníveis com a morte. (Sem comentários)

* No Bahrain, um médico pode legalmente examinar a genitália feminina, mas ele é proibido de olhar diretamente para ela durante o exame. Ele pode apenas olhar através de um espelho. (A mão pode, olhar não!)

* Os muçulmanos não podem olhar os genitais de um cadáver. Isto também se aplica aos funcionários das funerárias. Os órgãos sexuais do defunto devem estar sempre cobertos por um tijolo ou por um pedaço de madeira. (Putz, um tijolo?)

*A penalidade para a masturbação na Indonésia é a decapitação. (Qual cabeça?)

* Há homens em Guam cujo emprego em tempo integral é viajar pelo país e deflorar virgens, que os pagam pelo privilégio de ter sexo pela primeira vez. Razão: Pelas leis locais, é proibido virgens se casarem. (Poderá existir emprego melhor?)

* Em Hong Kong, uma mulher traída pode legalmente matar seu marido adúltero, mas deve fazê-lo apenas com suas mãos. Em contrapartida, a mulher adúltera pode ser morta de qualquer outra maneira pelo marido. (Talvez com chifradas... Não consegui esquecer de Guam...)

* A lei em Liverpool autoriza vendedoras a ficarem de topless, mas somente em lojas de peixes tropicais. (Será que o exame admissional é o teste do lápis? E em Guam, qual será o exame de seleção?)

* Em Cali, na Colômbia, uma mulher só pode ter relações com seu marido, quando na primeira vez que isso ocorrer sua mãe estiver no quarto para testemunhar o ato. (Haverá coisa mais broxante? Como faço para mandar currículo para Guam?)

* Em Santa Cruz, na Bolívia, é ilegal um homem ter relações com uma mulher e a filha dela ao mesmo tempo. (Revezando pode? O emprego em Guam ainda é remunerado!)

* Em Maryland preservativos podem ser vendidos em máquinas de auto-serviço somente em lugares onde são vendidas bebidas alcoólicas para consumo no local. (O preservativo também tem que usar no balcão?)

Em tempo: ACHO QUE DESCOBRI ONDE FICA O GUAM! OLHE AS FOTOS! To indo para a agência de turismo agora.

domingo, 2 de abril de 2006

Bem que podia ser mentira de 1º de abril

Sexta-feira como nunca, os paulistas e paulistanos se depararam com nefastas lembranças em cores tão vivas. Na prefeitura da capital e no governo estadual assume simultaneamente o mofado PFL. Olha que nunca elegemos nenhum executivo dessa legenda. Mas as alianças porcas e renúncias com fins eleitoreiros reservam surpresas, não tão surpreendentes quanto desagradáveis.

No estado, com a saída presidencialista do Alckmin, o governador passa a ser o vice Cláudio Lembo. Lembo foi secretário de governador "biônico", em gestões dos anos de chumbo. Para quem estudou História não é preciso dizer nada. Na prefeitura paulistana sai o Serra pra se candidatar a governador e fica o malufista de carteirinha Gilberto Kassab. Este coleciona histórico de cargos como o de secretário de finanças de Celso Pitta, famoso pelas denúncias na emissão de precatórios e pelo caso "frangogate". No caso deste basta ter alguns jornais velhos em casa para saber do que se trata.

Enfim o remake de um filme... mas deveras reprisado. Há de ser criada uma lei que obrigue cumprimento de mandato.

Nota zero pro shopping Aricanduva

Dias atrás eu elogiava o Sesc Santana pela brilhante preocupação com pais e mães singles acompanhados de filhos pequenos do sexo oposto.

Pois bem, sexta-feira passada fui ao Aricanduva pagar umas continhas e tomar um lanche com minha filhota. Eu nunca havia ido lá com a pequena sem minha esposa. Eis que a menina me pede o tradicional "xixi, pai". Fui obviamente ao fraldário, onde também obviamente haveria um banheiro infantil, certo? Errado, apesar de óbvio! A funcionária do fraldário bem que tentou me explicar que não havia o sanitário infantil, mas o descaso não tem explicação.

No dito shopping que não é pequeno e passou por uma colossal expansão há uns dois anos NINGUÉM PENSOU EM SANITÁRIO INFANTIL? Ainda bem que em Sampa há outra dezena de shoppings. Algum deles deve ter esse "luxo" disponível. Algum há de ter.

terça-feira, 28 de março de 2006

segunda-feira, 27 de março de 2006

Sobra mês ou falta grana?

A última semana do mês me exige decisões salomônicas. São cortes em despesas de todo tipo e ordem. O pior é que nunca resolvem e há despesas "incortáveis". Ainda bem que aboli alguns remendos esdrúxulos como cartão de crédito e cheque especial que só empurram o problema adiante com taxas pornográficas. Se não tenho grana, não compro.

Mas eu tenho a solução: Vou propor um projeto de lei que reduzirá os meses em uma semana. São Gregório não previu que a verba de sobrevivência - independente de chamar salário, pró-labore, aposentadoria, ou seja o que for - nunca seria suficiente para cumprir o mês. Minha solução é totalmente viável. E não precisará aumentar os salários. Pense nisso!

quinta-feira, 23 de março de 2006

Técnicos e técnico

Poucos dias após o episódio do ténico de alarmes, tive a felicidade de receber um telefonema. Era o bom e velho Dimas, com o preço do conserto do meu CD player. Dimas é da velha guarda da Eletrônica. Do tempo em que comprávamos e sabíamos interpretar diagramas esquemáticos. Na rua Santa Ifigênia - espécie de padroeira paulistana da eletrônica - havia uma loja especializada em diagramas. Nós, os técnicos dessa geração, testávamos minuciosamente os resistores, capacitores, transistores e diodos, antes de decidirmos pela dessoldagem e troca de um desses componentes em placas de circuito onde havia dezenas ou até centenas deles.

Hoje, os ténicos trocadores de módulos são pródigos na condenação de todo um subconjunto. É comum ouvirmos dos ténicos frases como "A práca (sic) do áudio tá ruim viu, dotô? Tem que trocar a praquinha toda". E lá se vai uma boa leva de reais com a injusta condenação de um conjunto enorme, às vezes por causa de um mísero diodo, que custa menos de um real na "Santa". Os ténicos de hoje não sabem sequer testar um componente, ou dizer quantos μF (microfarath) possui um determinado capacitor nem quantos Ω (Ohms) tem um resistor. Códigos de cores? Aqueles risquinhos que têm nos resistores? Os ténicos trocadores de pracas sequer sabem que aquilo é um código. Pensam ser uma decoração coloridinha. Pobres ténicos que só trocam praquinhas e pobres de seus clientes.

Dimas me avisou que trocou um transistor que estava "bichado". Um desses componentes minúsculos vendidos por um real ou menos. Pela ressurreição do meu CD player, que sequer ligava, Dimas me cobrará "exorbitantes" trinta reais. É dessa forma que ele sustenta dignamente sua família há quarenta anos, mantendo uma portinha aberta para sua oficina a oitocentos metros de sua casa. O mundo será mais feliz enquanto existirem técnicos como Dimas.

terça-feira, 21 de março de 2006

Expectativas distintas

Conversa que presenciei esses dias. Meu amigo entra em uma loja de instalação onde estava escrito bem grande "Especializada em Alarmes".

Amigo: Bom dia! O meu carro chegou a zerar a bateria e me parece que desprogramou o alarme. Não funciona mais. Vocês reativam?
Ténico: Que marca é?
Amigo: Schlebtstron®.
Ténico: Você tem o manual dele?
Amigo: Não.
Ténico: Então, você precisa conseguir um manual pra nóis (sic) e traz impresso pra gente ver.
Amigo: Ahn...
Ténico: Você sabe onde está escondido o botão reset?
Amigo: Também não. Existe um?
Ténico: Sempre tem. Descobre onde fica e anota prá gente.
Amigo: Ahn, tá.
Ténico: Acha o manual na internet e imprime. Aí podemos fazer o serviço.
Amigo: Legal. Obrigado.

Fomos embora. Meu amigo não tinha percebido o ridículo da situação. Aparentava já estar navegando mentalmente na internet à cata do tal manual. Foi então que eu o questionei:
- Meu, o cara quer que VOCÊ obtenha o manual de COMO fazer, leve para ele impresso e indique o local exato do tal botão reset, para que ele cutuque com a chave de fenda e lhe cobre o serviço?
- É mesmo. Será que devo procurar outra oficina?

Meu amigo ainda está aprendendo a usar o cérebro, com minha ajuda. Pena que o cérebro não tenha manual disponível nem na internet. Eu até imprimiria um para ele.

Em tempo: "Ténico" é um cara que seria Técnico... se não lhe faltasse o "c" de competência.

domingo, 19 de março de 2006

DJ sofre

Sábado retrasado eu protagonizei de DJ em uma festinha fechada, no salão da casa de minha irmã. Apenas para famílias de amigos, com seus respectivos filhos, crianças, aborrecentes ou jovens. Era sobretudo um baile de flashback dançante, considerando a média de idade do meu círculo de amizades, que é acima de 35 anos. Não escrevi isto antes por falta de razões. Depois, por conta de uns ocorridos bestas nos dias que sucederam, achei que o Sem Sentido seria um bom lugar para o recado.

Tecnófilo e preguiçoso de plantão, rolei o baile usando meu PC. Conectei-o a um mixer e este a dois amplificadores. É bem mais prático montar playlists com antecedência, deixar as mixagens pré-programadas e ficar monitorando, do que espalhar dezenas de vinis como já fiz no passado. Agora são intervenções mínimas, só mesmo quando percebo que ninguém vai agüentar a versão de doze minutos de You make me feel com Silvester ou quando percebo que alguma música não está sendo suficiente para chacoalhar os esqueletos quarentões. E tome MP3! Tecnologia é para isso, ainda que esta opinião provoque náuseas em algum ortodoxo da seita dos Vinilistas do 7º Dia.

Quando sou chamado para fazer algo, assumo a empreitada e não aprecio co-pilotos e palpiteiros. Penso que discotecagem - ou emepetrêsagem no caso presente - seja uma espécie de trabalho artístico e não possa ficar à mercê de pitacos pentelhos. Deve ser por isso que nos bailes e danceterias o DJ costuma ficar em um aquário, inacessível aos freqüentadores. Como minha modesta estrutura ficava acessível aos mortais, tive que aturar candidatos a produtor musical de todas as idades. Coisa mais chata é passar horas antes montando a programação e depois ficar ouvindo: "toca isto, toca aquilo". Nessas horas, aproveito-me dos decibéis do som para simular surdez.

Como amante da Discoteca e da clássica Black Music dos anos 80, o que mais me surpreende hoje é a falta de senso crítico com a podridão musical que a mídia vende atualmente. Ouvir pedidos para tocar lixos de baile funk de morro me provoca diarréia. Grande parte das pessoas repetem estupidamente os cacófatos de baixo nível. Tem um que usa uma marca de fogão e sugere que fornecer a saída do reto é extremamente benéfico. Tudo indica que mundo está no fim. O próximo som a tocar será a sexta trombeta, prenunciando a ceifa da terça parte dos homens (Ap 9, 13-15).

O pior é ver as pessoas fornecerem essas pérolas musicais de baixíssimo calão aos filhos e netos da mais tenra idade. O que terá acontecido? Será que as trilhas sonoras do Castelo-Rá-Tim-Bum e do Sítio do Picapau Amarelo perderam o encanto? Essas novas religiões musicais desprovidas de arranjo instrumental, de poesia e de melodia, provocam uma tal distorção cerebral, que ao verem seus pedidos rejeitados ou ouvirem meus sarcasmos a respeito, seus adeptos se transformam em potenciais membros da Al Qaeda. No semblante deles é visível que só não mandam a mesa de som e o salão pelos ares por falta de cintos-bomba. Há que ser feito um estudo sério se os tais "batidões" não seriam mecanismos de abertura e bloqueio de portais mentais, para neutralizar a inteligência e o senso-crítico dos ouvintes. Muito embora na década de 80 não era assim com Afrika Bambataa & The Soul Sonic Force, um tremendo batidão.

Por favor: se você é daqueles que ficam pentelhando o DJ ou a banda ao vivo com seus pedidos, faça um esforço autocrítico antes de dirigir-se aos mesmos. Salvo se os protagonistas do vexame sonoro pocotista forem os próprios DJs ou a banda. Nesses casos, pedir para mudar o repertório passará a ser dever cívico, pela campanha de Despocotização do Brasil. A propósito desta, clique aqui. Fui.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Coisas boas em uma sexta-feira

1) Minha darling passou por aqui antes de ir para o trabalho e trouxe meu carrinho popular. Não encontrarei a véia.
2) O Schlebts Bank devolveu os débitos indevidos (só quero ver a CPMF no extrato de segunda).
3) Vou fechar o barraco aqui e nadar um pouco.
4) Depois buscarei minha darling no trampo.

A véia e o bilhete único

Não sou o que chamam de buon vivant porque me falta grana. Mas gosto de ir para o trabalho confortavelmente em meu carrinho popular, porém com ar-condicionado e som de boa qualidade, que são coisas básicas. Pois hoje decidi-me por um desafio olímpico: deixei o carro em casa e vim para o escritório de metrô e ônibus. É tão rápido quanto o carro para mim, ainda mais sendo sexta-feira, dia em que todos os nós-cegos tiram das garagens suas jabiracas caindo aos pedaços e entopem as vias com fumaça e sucatas em pane. Eles deixam Sampa City insuportável, digna de Michael Douglas em "Um dia de fúria". Só não rola a mosquinha na nuca porque fico com os vidros fechados e o geladinho ligado.

No metrô encontrei uma vizinha, de modo que fizemos o rápido trajeto de vinte minutos papagueando. E sempre tem uma ou outra senhorita de agradar os olhos nas proximidades. Por essas, a viagem não tem nada de torturante.

A comédia ficou para depois, no mini-ônibus - sucessor da antiga lotação - que resolveu pifar a cinco pontos de onde eu desceria. Impaciente de primeira, fui o pioneiro a liderar o movimento de desembarque, seguido dos vinte passageiros. Logo atrás veio outro da linha e parou para o embarque dos náufragos. Todos já estávamos com o "bilhete único" em mãos. Para quem não é de Sampa, bilhete único é um cartão inteligente, que nos permite tomar até quatro ônibus no intervalo de duas horas, pagando somente a primeira passagem deixando as outras três "de grátis".

Mas tinha que ter uma senhora de idade avançada e desprovida de atributos intelectuais básicos, ou seja: uma velha burra. Ao embarcar no veículo que nos resgatou, ela resolveu arranjar confusão com o motorista:
- Eu não vou pagar de novo!
- Não vai pagar senhora. É só passar o cartão, que já está integrado.
- Não vem não. Meu cartão eu não passo. Passa o seu!
- Não posso senhora. Se eu passar o meu, aí eu pago. O da senhora não vai debitar porque já foi passado no outro carro.
- O outro carro quebrou por culpa de vocês. Eu não tenho nada com isso.
- Mas... -
Não me contive e, aproveitando o anonimato no carro cheio, mandei uma palavra-de-ordem:
- Deixa essa véia fora e vamo embora!

O motorista, sem saber como resolver o imbróglio, condicionou que ela viajaria no carro se fosse sentada no motor, sem passar a catraca. E não é que ela topou de bate-pronto? Lá foi ela com a bunda no motor, pedante e satisfeita, como quem conquistasse uma primeira classe na American Airlines. Ela perceberia o ridículo, se não lhe faltassem conexões neurais.

Ê povinho bunda! Isto é Sampa. Adoro este lugar!

quarta-feira, 15 de março de 2006

Vestiário da família: O mundo está ficando melhor

Mais uma vez volto ao Sem Sentido para elogiar um dos melhores serviços populares de lazer que conheço: o Sesc (se não for O melhor). Particularmente porque o Sesc Santana possui "vestiário familiar". Isso dispensa os pais e mães circunstancialmente sozinhos de terem que trocar os pequenos em vestiários do sexo oposto. Meus pobremas se acabaram-se!

Como nem tudo no mundo são flores, no Sesc Santana o recinto é minúsculo e impossibilita a permanência simultânea de mais de um adulto e seu filho(a). Talvez a idéia seja essa. Os armários são proporcionais, sugerindo que seja bom usar dois. Já me deparei com o familiar sendo usado por uma jovem senhora com seu rebento e tive que aguardá-los terminar, antes de adentrar com minha cria. Isso parece sugerir a sua futura subdivisão em "Familiar Paterno" e "Familiar Materno". Voltando ao tamanho, mesmo que não se tenha que disputá-lo no mesmo instante com outro pai ou mãe, o cubículo é cruelzinho. Penso que não tenha mais de um metro de largura. Mas a cortesia e atendimento exímio dos funcionários quase compensam o problema dimensional. Quase. Meio metrinho mais largo já ajudava.

Felizmente os conceitos de "familiar" e "infantil" está chegando aos banheiros de shoppings e hipermercados aqui em Sampa City. Há pouco mais de dez anos, quando eu saía sozinho com a filha mais velha, tinha que contar unicamente com a solicitude de senhoras e senhoritas para levá-la ao banheiro. Isso me rendeu alguns bons contatos, eu reconheço. Mas quase sempre era constrangedor.

Registro aqui meus parabéns pela preocupação do Sesc. Politicamente corretíssima.

terça-feira, 14 de março de 2006

Supermercado IV: A conspiração

- Alô, é do banco Schlebts?
- Sim, pois não senhor?
- É o seguinte: no domingo ao final da tarde eu tentei fazer o pagamento de uma pequena compra, em um supermercado. Fizeram três tentativas de passar meu cartão, que resultaram na mensagem: Sem comunicação e desisti da compra. Porém constatei no meu extrato que o débito foi efetuado sim e três vezes no mesmo valor da compra da qual desisti.
- Péra (sic) que talvez o senhor tenha que "estar contatando" o estabelecimento.

Nesse momento o bocal do telefone da atendente é mal tampado e ouço ao fundo:
- Fulana! Tem outro cara (sic) aqui falando que tentou fazer um débito no domingo... e blá, blá, blá. - No modo offline, virei simplesmente um "cara". Isso porque tenho conta nessa mesma agência há alguns anos. Não consegui ouvir o que a outra pessoa respondeu, mas eis que o bocal é destampado:
- Senhor - não era mais "cara" - Ocorreram vários outros casos iguais ao do senhor no domingo. O que a gente "tá orientando" é para aguardar três ou quatro dias que os valores vão "estar sendo" estornados - eta gerundês mardito - .
- Não é melhor que eu mande uma carta para o banco?
- Não precisa. Mas é bom o senhor "estar acompanhando" os lançamentos no extrato.

No creo en la teoría de la conspiración. Más que hay, hay.

domingo, 12 de março de 2006

Supermercado III: O império contra-ataca

Por razões que não vem ao caso, ao fim da tarde eu estava nas proximidades da Praça Panamericana. Encorajei-me novamente para comprar os víveres essenciais, a fim de que minha família não morresse de inanição nos próximos cinco dias. Dirigi-me a um supermercado localizado na dita praça. Apanhei o que precisava e passei as mercadorias no caixa.

A operadora deste era ligeira e sua simpatia limitava-se ao trivial. Merecia o quadrinho de "Destaque do Mês" em comparação com a tiazinha do mercado anterior. Eis que entrego meu cartão de débito e, no momento devido, digito minha senha. Então a saga recomeçou:

- Senhor, não processou, por favor digite a senha novamente? - diz a moça do caixa, que atendo prontamente, pois finalmente eu ia conseguir fazer minhas minúsculas compras. Mas ela alerta de novo:

- Olha senhor, não está conectando ao banco, se importa de tentarmos no balcão central? - claro que eu não me importava, desde que saísse dali com minhas compras em no máximo sessenta segundos. Detalhe técnico raro: eu tinha em saldo na conta cerca de trinta vezes o valor da ridícula compra.

À nova tentativa sem sucesso, a "chefe" do balcão central perguntou qual era o banco em questão e informou que durante o dia todo, justamente o dito, estava sem comunicação. Só se for com aquele mercado porque cinqüenta minutos antes, eu havia pago um restaurante com o mesmo cartão. Então me perguntaram se eu não tinha outra forma de pagamento. Respondi que sim, desde que fosse cheque. Tive a impressão de desapontamento delas e, antes de mais delongas, perguntei com meu sorriso irônico nº16-B:

- Vocês não esperam que eu atravesse a Panamericana e vá ao caixa eletrônico retirar o dinheiro né?

- Senhor, seria a única maneira no momento. É que desde hoje cedo, a comunicação com o seu banco...

Virei as costas e fui embora sem nada dizer. Não era um bom dia para fazer minhas compras, se é que há algum.

Supermercado II: O retorno

Eu ainda insisto em não resignar-me à mercearia da esquina. E olhe bem que ela pratica quase os mesmos preços do supermercado e tem tudo o que preciso para que minha família não morra de fome. Jamais conseguirei consumir os 16.000 itens do supermercado. Normalmente preciso semanalmente de dez ou quinze víveres. Mas sou teimoso e sem memória, porque esta manhã fui com minha esposa e a filha caçula no Carrefour Pêssego. Eu não me lembrava porque fazia tanto tempo que não íamos lá. Costumo dar refresh na memória e esquecer coisas ruins. No caso da loja em questão é o serviço como um todo que é uma merda. Sempre foi, desde a inauguração. Lembrei tardiamente.

Depois de apanhar a dúzia e meia de coisas absolutamente necessárias mais duas ou três bobagens, vi o de sempre: apenas um terço dos caixas em operação e filas absurdas. Decido por uma que me pareceu com menos carrinhos e menos diversidade dentro destes. Logo, andaria mais rápido, certo? Errado! A tiazinha que operava o caixa parecia um cruzamento de comadre tagarela com lesma. Passava vagarosamente cada produto no leitor e olhava o preço no monitor, fazendo algum comentário desnecessário. Não bastando, ainda colocava gentilmente o item dentro da sacola plástica. Saco, se o supermercado quisesse prestar este serviço não contrataria um empacotador? Mas não ficou só nisso: após passar a compra, a cliente que devia estar muitíssimo preocupada com a fila e com o almoço do dia - era uma hora da tarde - resolveu perguntar para a comadre operadora sobre uma merda de promoção de sorteio. Eu também nada sei sobre isso e quero que se danem todas as empresas participantes. Só que a solícita tia do caixa desandou a explicar e exemplificar didaticamente mostrando o cartaz de divulgação. Céus, existe um raio de um posto de troca dentro do estabelecimento exatamente para isso. Mas eu mereço!

Após a minuciosa explicação de quinze minutos surgiu algum problema que demandava o patinador. Patinadores são alieníginas assistidos pelos programas de proteção da MIB e são colocados em supermercados para resolver qualquer problema: desde cartão que não lê até estorno de mercadorias, unha encravada e trazer a pessoa amada de volta. O E.T. pegou o cupom fiscal, mais alguma coisa da mão da tia do caixa e desapareceu em segundos, para nunca mais aparecer durante os eternos cinco minutos que agüentei ver a cena insólita. Tempo suficiente para eu decidir abandonar aquela merda de carrinho de compras e ir embora. Afinal me disponho a pagar em dinheiro por tudo o que compro, mas não com a eternidade do tempo de minha vida.

Vão todos para o inferno: o Carrefour, a tia do caixa, a cliente que ajuda na enrolação e a promoção da bola vermelha.

Em tempo: A foto do link, sequer é da loja em referência. Até para atualizar sites os caras do Carrefour são navalhas.

sexta-feira, 10 de março de 2006

Sampa é uma cidade única

Búfalos caminham calmamente de madrugada, na altura do nº 6500 da Estrada do M´Boi Mirim, periferia sul de Sampa. Só aqui mesmo. Preciso urgente achar um vereador para apresentar um projeto de renomeação para: Estrada do M´Búfalo Mirim.

Afinal de contas os vereadores não fazem lá muito mais do que gastarem nosso dinheiro na renomeação de logradouros públicos, sempre que alguém morre. Isso porque felizmente há uma lei que proíbe atribuir nomes de pessoas vivas. Senão...

Olha que belezinha de churrasco que eles dão.

segunda-feira, 6 de março de 2006

Enfermeiras

Neste domingo trabalhei em um troço que jamais imaginei. Ministrei prova de um concurso público. Obviamente, me fazer sair do conforto do lar em pleno domingo antes de o sol aparecer, foi unicamente motivado pelo ganho de um dinheirinho extra. Mas é muito legal fazer coisas diferentes na vida. Essa maratona de ontem foi cansativa mas divertida. E rendeu um trocado a mais para mim e para minha querida.

O concurso era para Enfermagem. Logo na recepção dos candidatos notei o óbvio: a maioria esmagadora de mulheres para o cargo. A ponto de não justificar gramaticalmente a predominância do gênero masculino nos adjetivos. Então, deste ponto em diante, burlarei a Gramática e me referirei Às candidatAs no feminino mesmo. Afinal de contas, em uma sala com total de sessenta, apenas três eram nascidos do sexo masculino.

Agora, com todo devido respeito à profissão, me espanta o IMED (índice de mulheres esteticamente desfavorecidas) nessa categoria. Não entendo. Será a beleza um quesito desclassificatório nos cursos de Enfermagem? Será possível que, durante os trotes no início do curso, as bonitas sejam pressionadas a trancar matrícula pelas veteranas feias? Lembrei-me imediatamente do baile de formatura que narrei uns posts atrás. Onde estarão as causas dessa concentração tão desagradável aos olhos?

Para você ter uma idéia, pense primeiro que não sou jamais um sujeito impiedoso com a estética feminina. Muito pelo contrário. Eu diria até que minha "faixa de tolerância" é generosa e que tenho olhos para belezas e charmes femininos, imperceptíveis aos desatentos. Mesmo assim, minha avaliação no quesito beleza - que não contava no concurso - foi que caso eu venha encontrar essas candidatas futuramente empregadas em um hospital, das sessenta:
Apenas UMA, eu farei absoluta questão que me atenda se eu encontrá-la em um hospital. Um desbunde! Sabe essas que todo homem fantasia que não esteja usando nada por baixo do jaleco e se atire em cima dele, bem na sala de atendimento? Pois é. Essa. Esperarei na fila com hemorragia, para ser atendido por ela.
Outras DUAS me farão muito agrado, se eu vier a ser cuidado por uma delas futuramente. Bonitas, de mãos delicadas e charmosas.
Mas CINQÜENTA E CINCO me farão correr para o hospital mais próximo mesmo com fratura exposta e rompimento do menisco. Horrorosas! O que é isso, gente?
Os três caras, espero que nem passem no concurso, pois não me parece boa a imagem de um macho engessando minha perna ou me aplicando injeção.

Ainda vou descobrir o que acontece com a população desse curso, quanto aos atributos estéticos. Mulherada feia!

Ratos - II: O terror

Tive a infeliz oportunidade de conversar com um amigo ligado ao setor de zoonozes de uma das subprefeituras de Sampa. Ele riu da minha estatítistica. Disse que se falava em 4 a 5 ratos por habitante há 20 anos. Os números da zoonozes hoje apontam para 8 a 9 ratos por habitante paulistano. Isso quer dizer que, tirando o que matei no sábado, há algo entre 31 a 35 companheiros dele sondando minha casa. Fico imaginando minha casa afundar na imensidão de galerias subterrâneas que eles devem estar cavando neste exato momento.

Existem lança-chamas à venda? Vou dar uma olhada no Mercado Livre...

O qui enporta é u rezutadu

sábado, 4 de março de 2006

Ele mora ao seu lado

Estima-se que a população de roedores de pequeno porte - sim, os RATOS - chegue a cinco para cada habitante humano, aqui em Sampa City. Isso mesmo! Se você mora em uma casa com cônjuge e dois filhos, sua família tem direito inalienável a vinte unidades dessas criaturas.

Isso me remete aos primórdios da vida profissional de Walt Disney. Munido de calhamaços de desenhos em papel, o jovem Disney era recebido com desprezo e ironia pelos editores. Uma das frases mais marcantes do frustrado início de carreira foi: "De onde você tirou a idéia de que alguém comprará uma história de um rato nojento?" O jovem artista não se deixou abater, como o império Disney atesta.

Preciso fazer uma confissão pública: fui eu quem proferiu essa frase! Foi em uma encarnação anterior. Trago duas coisas dessa passagem: a pobreza da família, por não ter comprado aquelas merdas de quadrinhos dele, e a ojeriza que tenho dessas criaturas, tenham o nome que tiverem: Mickey, Jerry, Fievel, Ligeirinho, sejam eles ramsters ou camundongos. São todos escrotos, nojentos, empesteados, atrevidos, ladrões, invasores, feios, bobos e cabeças-de-melão. Odeio-os a tal ponto de estender meu ódio aos coelhos, capivaras, esquilos e a qualquer outro animal classificável como roedor. Vão roer às putas que os pariram!

Todo esse ódio não é falta de meditação nem incompreensão com os desígnios da Mãe Natureza. É o ódio prático de quem acaba de lutar até a morte contra um desses invasores, dentro dos domínios do próprio lar. Foi esta manhã. Minha querida mulher voltou ao quarto com olhos arregalados, voz trêmula e praticamente sem circulação sangüínea. Disse ter encontrado vestígios de um deles em nossa cozinha. E olha que ela permanece fechada quase 23h30min por dia. Mas sabe-se que esses hediondos seres não precisam mais do que uma fração de segundo, para passarem por baixo de nossas pernas sem serem notados.

Após decidir que nesta casa não há lugar para convívio entre nós e ele, despachei minha mulher para o trabalho e meu enteado a paradeiro ignorado. Fechei a porta entre a cozinha e a sala. Comecei o desmonte meticuloso e investigativo de um Holmes. Após quase esvaziar o pequeno buffet que acumula funções de suporte de aquário e despensa, começo a avistar algo com aparência de cauda. Fecho a porta de acesso ao quintal. O armagedon seria entre ele e eu, sem testemunhas. Cogitei pegar meu revólver para a batalha final, mas não o fiz temendo desperdiçar quinze reais de munição e deixar minha cozinha com aspecto de um camembert, atraindo mais ratos. Pratiquei minha vocação percussionista até que ele resolveu sair do móvel. Tardiamente ele descobriu que além de levar jeito para o Timbalada eu tenho tino de samurai. Com uma vassoura sou capaz de abater um paquiderme com um único golpe no meio dos olhos. Quanto mais a um mísero roedor.

Agora ele é apenas um corpo desfalecido com o destino a meu cargo. Penso em pendurá-lo pelo rabo no muro do quintal, para servir de exemplo aos outros dezenove que imagino circundarem minha casa. Boa idéia! É isso mesmo que vou fazer. Com licença, que vou pegar minha caixa de ferramentas...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Olha a escola de samba aí, geeeente!

Muito que bem. Estamos em pleno Carnaval. Na rua onde trabalho o furdunço de caminhões da Prefeitura montando palco, iluminação, som e da CET invertendo mãos de ruas, tudo já está a todo vapor. Só faltam mesmo os integrantes da escola de samba do bairro - a grande estrela do desfile local - com seu enredo. Na verdade nem sei o tema do enredo dela. Sinceramente mesmo não sei o tema do enredo de nenhuma outra. Mas arrisco: será cheio de "eô-eô" e "laiá-laiá", com paradinhas da bateria e será repetido 5.783 vezes até que o trajeto se cumpra. Mas o povo gosta. Em prol da minha filhotinha caçula que está a conhecer o mundo é possível que eu dê uma passada aqui no bairro amanhã para ver. Desfiles com alegorias são bonitos.

A única coisa que me irrita é a tosca mentalidade do populacho - e nestes incluo alguns dirigentes de empresa - que reza que "o ano só começa depois do Carnaval". São inúmeras as bobagens que ouço no decorrer de meu trabalho. Desculpas para postergar e procrastinar brotam como tiririca após a chuva. Mas como dependo de vendas e por conseguinte de disposição dos clientes para realizar projetos, com freqüência eu tenho vontade de injetar cálcio nas veias de alguns. Uma ocasião liguei para uma cliente que já manifestara-se interessada em uma determinada tecnologia que represento. Era início de um novembro. O diálogo assim foi:

- Olá Drª Schlebts, pensei em ir aí amanhã iniciar os testes de homologação dos equipamentos.
- Ahn... eu acho que vou dar andamento nesse projeto só depois do Carnaval.
- Mas esse projeto é importante para sua empresa?
- Sim, claro que é.
- Drª Schlebts, você acha mesmo que terá ganhos quando o projeto for implementado?
- Claro que sim! Precisamos muito disso. A desorganização aqui está nos matando.
- Hum... Sua empresa tem algum trabalho, produto ou atividade, ligados ao Carnaval?
- Não.
- Então qual a razão exata desse adiamento para "depois do Carnaval"?
- Ahn... É... Ah... (seguem-se intermináveis cinqüenta segundos de silêncio)
(desliguei o telefone)

Outro caso semelhante aconteceu antes das eleições de 2002. Era julho e a sucessão presidencial estava tomando feições. Ligo para o cliente:

- Então, caro Bzqficz gostaria de agendar as apresentações para seus usuários avaliarem meu produto.
- Não sei não, rapaz... Acho que nós vamos dar uma parada com esse projeto por ora.
- Por que? Aconteceu algo?
- Não exatamente. São essas eleições. Nós decidimos ver como vão ficar, antes de darmos andamento nesse projeto. Está tudo muito incerto.
- Entendo. Aproveitando que vocês andaram discutindo o assunto a sério, me diz uma coisa: o que vocês farão se o barbudo se eleger?
- Ainda não sabemos.
- Certo... E se o careca ganhar, qual será a estratégia da sua empresa?
- Não pensamos ainda.
- Vocês estão investindo dinheiro em algum dos candidatos?
- Não.
- Então tá. Quando devo telefonar-lhe novamente?
- Depois das eleições.
- ?
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Nota: Ambos os clientes não fizeram absolutamente nada de concreto a respeito até agora, de acordo com informações fidedignas que possuo. Procrastinação é uma espécie de religião levada muito a sério.
****

U2 Vs.2.1: O retorno de Bonuvóques® - Director´s Cut

Reclamaram muito dos óculos do post anterior. Recebi alguns xingos no Orkut também. Disseram que bandidos roubaram do túmulo da Aracy de Almeida e eu os comprei na feira do rolo por deixxxx pauxxxx. Por isso providenciei outros, azuis como os usados no show e menores.

sábado, 18 de fevereiro de 2006

Supermercado

Dentre as provações periódicas inerentes ao casamento, ir ao supermercado é a maior. O homem que resiste na manutenção do casamento, não obstante a essa obrigação, é um herói de verdade. Acabo de chegar do meu calvário. E tento entender algumas coisas desse maravilhoso universo supermercadista.

Ainda no estacionamento, notei um hit parade nos carrinhos indo embora. Havia um desinfeliz com centenas de garrafas pets de um mesmo refrigerante, indicando ser a grande oferta do dia. Só não imagino o que esse sujeito fará com o estoque adquirido, suficiente para quinze anos de consumo na família dele.

Nos caixas, alguns estão descarregando o carrinho de forma propositadamente lerda. É para que outra pessoa da família tenha tempo de continuar a trazer os itens faltantes. Ora, se não terminaram as compras e vão demorar mais do que o normal para passá-las, que vantagem levam em já terem ido para o caixa?

Nos vãos das gôndolas lá estão potinhos de iogurte, embalagens de chocolate e saquinhos de salgadinhos. Todos vazios e consumidos. Os mentecaptos que comem e abandonam as embalagens, pensam que quem está pagando pelo produto? Não percebem que essas perdas são adicionadas no custeio dos outros produtos, inclusive os que ele está comprando?

Em frente do açougue há uma fila de quarenta e seis pessoas. Cada um dos clientes se demora diante do açougueiro, analisando a mercadoria com o detalhismo de um legista. Pede para o açougueiro trazer trinta e sete pedaços diferentes, até decidir qual será o almoço de amanhã. No fim, manda pesar um quilinho e meio de um determinado pedaço. Para que isso, se nas gôndolas refrigeradas há abundantes bandejas de carne, já cortadas, pesadas, embaladas e precificadas? Será que o boi do açougue é diferente do boi da gôndola?

Observo um carrinho cheio, estacionado em algum lugar do mercado, esperando o(a) dono(a) voltar. Dentro abundam chocolates, salgadinhos, doces, refrigerantes, cervejas e salsichas. Imagino que o peso da pessoa é cerca de 150Kg. Lá vem ela. Errei! Pesa quase 200. E bem que podia ter vestido outra coisa, que não aquela calça de malha agarrada e camiseta curta. Não tinha o tradicional "capô de fusca". Era capô de Scania. E carregava dezoito estepes na cintura.

Na seção de música lá estava aquela gaiola enorme recheada de cd´s, ostentando uma placa que dizia R$4,99. Tento adivinhar o conteúdo: O melhor de Cauby Peixoto... Músicas clássicas de todos os tempos e O melhor da Jovem Guarda. Vou ser adivinho assim lá na pqp! Na próxima semana tentarei adivinhar as dezenas da Mega .

Passo no meio de um corredor e dou de cara com uma enorme pilha de um produto, fora de contexto e de marca desconhecida. Na placa está escrito Aproveite! Apenas R$ xxxx. Passo direto e vou à seção do produto. Lá encontro uma marca renomada com preço 30% inferior. Então a placa "Aproveite" era para o dono do supermercado aproveitar. Aproveitar-se dos trouxas.

Supermercados. Bah!®

Nem eu

Duzentos reais para se espremer na multidão? Ficar acampado na calçada? Depois que inventaram a TV de tela plana, o DVD e o Surround 5.1? Definitivamente não.

Sorry, people! Hoje tem Phill Colins na minha sala.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Nossos covers de mendigo

Início das aulas nas faculdades e universidades. Passo de carro pelas ruas próximas às instituições e revejo a manjada cena: estudantes de felizes que estão, por ingressarem no ensino superior, esmolando entre os carros. É o trote. O dinheiro da féria, quase que invariavelmente vai para financiar a cerveja dos "veteranos". No ano seguinte o "bixo" deste ano já será veterano. Então reproduzirá a brincadeira idiota com os novatos, com o mesmo afinco.

Mais do que a brincadeira, resolvo observar a reação dos motoristas. Obviamente há os que recebem os estudantes com cara de mau humor, que é o meu caso, pois detesto essas palhaçadas. Mas há uma parcela grande, se é que não posso dizer a maioria, que procura por moedas no cinzeiro e dá uma singela ajuda para a bebedeira, que é descaradamente anunciada no pedido de esmola. Esse é o ponto-chave que tento refletir. Por que os motoristas são tão receptivos com esses covers de mendigo, enquanto fecham o vidro na cara dos mendigos verdadeiros?

É simples: identidade. Os covers são cheirosinhos, as meninas são gostosinhas, têm ares de mulher desabrochando, bochechas rosadas e cabelos sedosos. Os rapazes exibem dentes bonitos e feições alegres. Ambos se vestem com roupas e tênis bonitos. Então, eles se parecem com nossos filhos, nossos irmãos... se parecem conosco! Os mendigos reais não. Eles fedem, são maltrapilhos, feios, piolhentos, pulguentos e mijados. Para a menina que bateu na janela do carro ao meu lado, o motorista prontamente abriu o vidro e cedeu umas moedas, roçando a mão na mão dela, de forma pausada e safada, enquanto pareceu pronunciar um gracejo. Para os mendigos fedidos, quando eventualmente damos algum trocado é porque não tivemos tempo hábil de fechar o vidro e precisamos nos livrar deles rápido. Ao dar a esmola a estes, fazemos o dinheiro "pingar" nas mãos deles, para que não haja nenhum contágio, principalmente com sua miséria. Não estou defendendo o ato de dar esmola ou não, para quem quer que seja. Isso é pessoal, tanto no que se refere aos covers de mendigo, quanto aos seus originais.

Mas é fato que a solidariedade é seletiva. O nojo e a repulsa também.

Em tempo: Na falta de outra, a foto postada é de um "trote solidário". Consta no jornal que os alunos dessa coletaram dinheiro e doaram à famílias carentes. Somente nesse dia. Nos demais as famílias continuaram carentes e os estudantes foram para o bar.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

A explicação da imagem

Para quem não reconheceu a imagem do post anterior, trata-se do Capitão América, em fase decadente. A customização da imagem foi feita pelo meu caro amigo Carlos Romero, às pressas e a meu pedido. Explico.

Estava eu um dia desses a caminhar após o almoço, nas proximidades do meu escritório. Em uma das travessas, havia meia-dúzia de moleques brincando de alguma coisa que envolvia raios, disparos e golpes de espada. No arsenal distribuído entre eles pude ver uma pistola espacial, uma espada de plástico e uma tampa plástica grande, que devia ser de um tambor para lixo. O garoto que usava a tampa como escudo a certa altura lançou a tampa girando em direção a um dos "inimigos". Fiquei admirado e não me contive:
- Legal, garoto! Você é o Capitão América?
- Capitão o quê, tio?
- América... aquele do escudo...

Diante do olhar de interrogação do menino que ao invés de um "tiozinho" parecia ver um E.T., saí da cena sem nada mais dizer.

Meus heróis da infância estão esclerosados em um asilo custeado pelo FPELJ - Fundo de Pensão da Extinta Liga da Justiça.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Ausência

Para os milhares fãs deste blog (conheço apenas duas pessoas que o lêem além de mim) peço desculpas pela ausência prolongada. Um pouco é falta de assunto. Outro tanto é porque no único dia em que fui postar, durante a semana passada, meu servidor achou por bem reiniciar sem me avisar. Ele é temperamental.

Depois eu explico a imagem acima.