quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Desculpem, mas isto precisa ser publicado.

Agressão de Israel ao Líbano
Ajuda solicitada: Que espécie de armas causa estes danos?
por Hanady

. As fotos abaixo são horrendas e pavorosas, mas é preciso olhá-las. Ajude-me a descobrir que espécie de armas provoca esta espécie de desmembramento e mutação.

Que espécie de armas provoca esta espécie de dano? Vocês sabe? Pode descobrir?

Nada disto está confirmado, ou poderia estar aqui e agora. Contudo, há suspeitas crescentes de que Israel possa estar a utilizar armas proibidas internacionalmente na sua presente agressão contra o Líbano. As notícias do "Southern Medical Center", um hospital em Saida (no sul do Líbano) não são boas. O Dr. Bahir Sham, membro da "Associação Francesa de Cirurgiões Cardiovasculares", explica que o modo como os corpos aparecem quando chegam ao hospital, especialmente aqueles dos ataques aéreos em Doueir e Rmayleih, é muito anormal. Alguém poderia pensar que foram queimados, mas sua cor é escura, estão inchados, e têm um cheiro terrível". Além disso, os cabelos não estão queimados e nem os corpos sangram.

Oito das vítimas de um ataque aéreo à ponte Rmayleih, perto de Saida, em 15 de Julho, foram transferidas para o hospital de Sham.

O Dr. Sham afirma que só substâncias químicas venenosas "conduzem à morte instantânea sem sangramento".

E o que indica o poder destas substâncias é o alto e inabitual número de vítimas mortais, em comparação com o número de ferimentos.

O Dr. Sham pensa que seja o que for a substância "anormal" que provoca estas características pode penetrar através da pele. Outra explicação seria que os mísseis continham gás tóxico que impediu o funcionamento adequado do sistema nervoso, e conduziu à coagulação do sangue.

Estes materiais tóxicos provocam morte imediata, dentro de dois a trinta minutos, segundo Sham, o qual admite que este dúvidas não possam ser provadas, nem mesmo através de autópsia.

O director do mesmo centro médico, Ali Mansour, afirma que devido ao forte cheiro dos cadáveres não pôde respirar bem durante pelo menos 12 horas depois de os corpos serem manuseados.

Ele explicou que o centro recebeu oito corpos de Rmeileh segunda-feira passada, e nenhum deles sangrava.

Mansour contou-nos que o hospital escreveu tanto ao comissário da União Europeia para Assuntos Estrangeiros, Javier Solana, como ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Anan. Ele disse que o Dr. Sham comunicará suas dúvidas à Ordem dos Médicos no Líbano.

Ajude-nos, por favor.

Hanady



Beirute

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Um corpo, morto por um objecto candente, num subúrbio de Beirute. Reuters, 17 de Julho

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Bombeiro libanês extingue o corpo calcinado de um condutor de camião morto quando aviões israelenses atacaram o porto de Beirute. AP, 17 de Julho

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Membro da Cruz Vermelha Libanesa a passar junto a um corpo queimado no porto de Beirute, o qual fora alvejado por caças israelenses. Reuters, 17 de Julho.

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Membro da Cruz Vermelha Libanesa a passar junto a um corpo queimado no porto de Beirute, o qual fora alvejado por caças israelenses. Reuters, 17 de Julho.

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Bombeiros libaneses tentam extinguir o incêndio enquanto os cadáveres desmembrados e queimados de dois civis libaneses mortos num ataque aéreo israelense jazem no chão.

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Libaneses removem o corpo de um homem recuperado da parte de trás de um veículo em Beirute. Reuters, 17 de Julho.

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Membros da Cruz Vermelha Libanesa removem os cadáveres desmembrados e queimados de dois civis mortos num ataque aéreo ao porto de Beirute. 17 de Julho.

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Membros da Cruz Vermelha Libanesa removem os cadáveres desmembrados e queimados de dois civis mortos num ataque aéreo ao porto de Beirute. 17 de Julho.

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Olhe para o seu olho direito. Cidadãos libaneses em torno de um homem que foi morto por estilhaços (shrapnel) de uma explosão em Kfarshima, perto de Beirute. AP, 17 de Julho

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Olhe para os seus pés. Beirute. Reuters, 17 de Julho

Sidon

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Médico libanês carrega o corpo de uma jovem, num camião refrigerado utilizado como morgue temporária, na cidade portuária de Sidon, Líbano. AP, 17 de Julho.

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Um médico inspecciona corpos de civis libaneses que foram atacados quando tentavam passar por uma ponte que foi alvejada no norte de Saida, sul do Líbano. Reuters, 17 de Julho.

Tyr

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Um civil libanês muito ferido é atendido no hospital a seguir aos ataques aéreos israelenses a uma casa na cidade sulista de Tyre. AFP, 17 de Julho

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Trabalhador de resgate libanês reúne os restos de uma mulher do entulho de edifícios residenciais atingidos pelo bombardeamento israelense na cidade de Tyre, sul do Líbano. AFP, 18 de Julho

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Criança libanesa com 18 meses morta a 17 de Julho numa cama de um hospital em Saida, oito horas depois de ferida num ataque aéreo israelense a Tyre. AFP

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Libaneses feridos e queimados por ataques israelenses a Tyre, num hospital no sul do Líbano. Reuters, 15 de Julho.

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O cadáver de um morte em meio ao entulho provocado pelo ataque aéreo israelense a Tyre, no sul do Líbano. AFP, 16 de Julho

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O cadáver de um morte em meio ao entulho provocado pelo ataque aéreo israelense a Tyre, no sul do Líbano. AFP, 16 de Julho

Rmayleh

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Membro da defesa civil transporta o cadáver de um civil libanês morto num ataque aéreo israelense que alvejou a ponte Rmeyleh, perto de Saida. AFP, 17 de Julho

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Médico libanês carrega o corpo de uma jovem, num camião refrigerado utilizado como morgue improvisada. Outro corpo jaz no chão, coberto. Porto de Sidon. 17 de Julho.

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Membros da defesa civil transportam o corpo de uma mulher para longe do automóvel civil que foi fulminado por míssil de um caça israelense. AP, 17 de Julho.

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Condutores transportam o libanês Ali Wahid depois de ter sido seriamente feriado no seu carro, quando estava a guiar sobre um ponte que foi atingida por um míssil de um caça israelense. AP, 17 de Julho

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Membros da Cruz Vermelha Libanesa cobrem o cadáver de um civil morto num ataque aéreo que alvejou a ponte Rmeyleh, em Saida. AFP, 17 de Julho

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Olhe para a sua face. Rapaz libanês de 7 anos luta pela vida numa cama de hospital em Saida depois de ter sido ferido num ataque aéreo israelense. AFP, 17 de Julho.

Marwahin

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Um corpo queimado e mutilado no chão depois de um míssil israelense ter atingido um furgão que transportava passageiros numa estrada no sul do Líbano. Reuters, 15 de Julho.

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Corpo de um homem da aldeia sulista de Marwahin, morto juntamente com 17 outros próximo à aldeia de Shamaa.

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Médico das Nações Unidas segura um corpo queimado e destruído depois de um míssil israelense atingir um furgão que transportava passageiros numa estrada no sul do Líbano. Reuters, 15 de Julho.

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Mortos na mesma estrada no sul. Reuters, 15 de Julho

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Membros da defesa civil libanesa transportam o cadáver de uma jovem da cidade sulista de Marwahin

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Marwa Abdallah, que sobreviveu ao ataque de sábado ao furgão em Tyre, em que foram mortas 20 pessoas, no hospital. Reuters, 16 de Julho


MARWAHIN (Sul ) AFP, 15 de Julho

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MARWAHIN (Sul ) REUTERS, 15 de Julho

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Zebdine

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Membro da Cruz Vermelha Libanesa colecciona restos humanos a seguir a um ataque aéreo israelense à aldeia de Zebdine (sul). AFP, 16 de Julho

Teir Harfa

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TEIR HAFRA 1 (Sul) JULY 15 - AP

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TEIR HAFRA 2 (Sul) JULY 15 - AP

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TEIR HAFRA 3(Sul) JULY 15 - AP

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TEIR HAFRA 4 (Sul) JULY 15 - AP

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TEIR HAFRA 5 (Sul ) JULY 15 - AP

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TEIR HAFRA 6 (Sul ) JULY 15 AP

Bekaa

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Olhe para o olho. Issam Mostafa, de 3 anos de idade, num hospital em Shtora, no vale Bekaa. AFP, 17 de Julho


21/Julho/2006


O original encontra-se em www.assafir.com/iso/israeli-aggression/ , cópia em http://www.uruknet.info/?p=m24885&hd=0&size=1&l=e

Este documento encontra-se em http://resistir.info/ .
22/Jul/06

domingo, 30 de julho de 2006

Strogonoff de frango au Xavier™

Se algum amigo dos velhos tempos ler este post, relaxe. Os anos de chumbo não estão de volta. De fato, o tio era criança na época da ditadura e cantou "As praias do Brasil ensolaradas, la la la la..." da forma mais ingênua e pueril imaginável. O tio lia jornais mas não entendia nada do porquê de as receitas culinárias saírem no meio das páginas. Muito menos sacava de diagramação e paginação para perceber isso. Se você não entendeu, vai estudar História do Brasil, seu burro!

Hoje o tio Xavier™ vai lançar mão de seus conhecimentos culinários e partilhar com os leitores uma receitinha de baixo custo e de dar água na boca: Strogonoff de frango au Xavier™.

Ingredientes:

1 Kg de filé de frango, sem pele, sem osso, cortado em cubos pequenos
1 Caixinha (200g) de creme de leite
1 Caixinha (520g) de polpa de tomate
200g de champignon miúdo. Se for graúdo, fatie seu preguiçoso!
1 cubo de caldo de galinha (ou sachê, se for em pó)
10 ml de conhaque (mais abaixo eu explico)
1 pitada de sal
1 pitada de pimenta-do-reino (preferencialmente a branca)
3 dentes de alho descascados
2 colheres de sopa de óleo de soja

Observações sobre os ingredientes:

Filé de frango: Frango de frigorífico é tudo igual. A diferença é que alguns não vem lá com a toillete muito bem feita, mas você arremata na pia com uma boa lavada e uma faca. Tire aquela membrana fininha que fica depois que extrai a pele, porque é nojenta. O tio Xavier faz esse prato às quartas-feiras no jantar porque o açougue mais próximo faz promoção a R$3,99 o Kg. Não sei se o carregamento é roubado, mas eles emitem cupom fiscal, então dane-se.

Creme de leite: Se você for metido a exigente e pegar a latinha da Nestlé ou da Parmalat que são caras pra cacete, azar seu. A caixinha de 200g da Vigor raramente custa mais de R$1,40. Já cheguei a achar por R$0,99, da marca Italac e era muito bom. Latas (350g) vem com mais de 100ml de soro e são pura enganação pois o soro não se usa. Vai na minha e fique com a caixinha.

Polpa de tomate: As receitas "oficiais" falam de catchup. Mas eu odeio catchup. Usando a polpa, apenas cuidado com a marca. Algumas são mera água suja de vermelho. Se puder comprar uma Parmalat ou Cica (R$2,00), beleza. Se for um duro como eu pode comprar Beira Alta ou Olé que não são tão ruins (R$1,50). Evite as marcas Putzgrila, Tinganei e Only Water.

Champignons: Essas porcarias são compradas de terceiros e apenas envasadas pelas indústrias. Então a regra é simples: se estiverem clarinhos e viçosos são bons. Se estiverem escurecidos e enrugados caia fora. E são caros, viu? Um potinho com 100g (drenado) não sai menos de R$4,00. Um granelzinho no mercado de repente rola (R$2,50/100g), embora eu seja cismado com esses granéis.

Caldo de galinha: Desde a derrubada do muro de Berlim e do oligopólio Maggi-Knorr, muita coisa mudou. Surgiram os caldos em pó como o Sazon e uma série de outros. Não há regra e é quase tudo igual. Só fuja das marcas estranhas, como: Quizumba, Cafofo, Jequié, Timbalada e coisas assim. O resto serve. Sachés em pó são mais práticos do que os cubos.

Conhaque: Se não tiver um Foundador, vai um Domecq mesmo. Mas pelo amor de Deus, nada de Dreher, Palhinha ou Presidente, que deixam o quarteirão inteiro fedendo a alcatrão. Eca! Melhor ficar sem.

Com os demais ingredientes use apenas o bom senso.

Modo de preparo:

Amasse os dentes de alho e passe pelos pedaços de frango. Espalhe o sal, a pimenta do reino (e o caldo de galinha em pó, caso tenha escolhido este). Reserve. Coloque uma panela pra esquentar e despeje o óleo nela (dentro ok?). Se optou pelo caldo de galinha em cubo, bem feito! Fique mexendo pra dissolvê-lo. Em seguida coloque o frango e mexa com uma colher de pau até que o óleo e o caldo de galinha estejam bem espalhados no frango e este esteja aquecido.

Adicione a polpa de tomate, os champignons, misture bem, tampe e abaixe o fogo. Quando levantar fervura, destampe, jogue o conhaque e tampe novamente, deixando cozinhar por uns 20 minutos no máximo ainda em fogo brando.

Desligue o fogo, destampe e despeje o creme de leite, mexendo rapidamente em um só sentido. É importante não ficar mexendo muito e muito menos fazer essa mistura com o fogo aceso se não quiser estragar o creme de leite. Não faça perguntas idiotas e faça como eu mandei, porque sei o que estou dizendo! O Cheff aqui sou eu.

Está pronto! Sirva com arroz branco e batata palha. Se puder, um vinho branco seco cai bem.
O arroz, se você não souber preparar, leia a embalagem que não vou ensinar isso aqui. A batata palha você compra no supermercado ou na venda da esquina. Porra, se vira um pouco!

Rendimento: depende da fome da macacada. Não sendo pedreiros que acabaram de encher uma laje, dá para 6 pessoas civilizadas e sobra um pouquinho pra lamber a panela.

Custo do prato: no máximo, no máximo uns R$20 incluindo o arroz, a batata palha e um vinho de pobre. Se gastar mais que isso é superfaturamento.

Se você não conseguir preparar esse prato fique longe da cozinha ou enterre-se vivo.

Se quiser algo mais barato vai naqueles restaurantes "Bom Prato" do Governo do Estado. Mas tem fila pra cacete, só funciona na hora do almoço e não servem strogonoff.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Downgrade

O Tio Xavier estava com um aparelho celular há uns dois anos e meio ou mais. Era um Mortorola C350. Não seria nada demais se essas merdas não fossem projetadas dentro da cultura da descartabilidade. O meu até que foi um bravo. Comprado com uma porcaria de bônus - míseros R$300 - oferecido pela operadora, o dito não tinha lá nenhuma sofisticação. Já estava remontado com a segunda carcaça - que também já estava toda arranhada - e havia convivido com três diferentes fones de ouvido externos, tudo obviamente comprado no camelô. Mas com ele, além de ter feito milhares de chamadas eu ainda conectava meu notebook à internet pelo serviços GPRS, quando viajava à trabalho. Chegou a cair em uma enxurrada e saiu incólume, sem receber nenhum cuidado especial. E, em se tratando de um Mortorola, foi uma grande coisa ele não ter explodido no meu bolso. Não sabia? Leia isto.

Contudo os seus dias estavam no fim. O microfone embutido pifou e não era possível mais usá-lo sem o externo, a bateria não durava mais que um dia e ele dava "boot" do nada, espontaneamente. Usei-o com o fone externo por um tempo ainda. Mas nos últimos dias ele deu ainda de rediscar para o último número chamado e derrubar as ligações sem nenhum motivo aparente. It´s over. Em um raro momento de raiva pelo mau funcionamento e após protagonizar cenas dignas de Pulp Fiction com o celular esta tarde, olhei para as suas partes espalhadas pelo chão e percebi que não tinha mais volta. Precisava de vez providenciar outro. Do que sobrou, eu pus o chip no bolso (como eu amo essa tecnologia de chip!). Ao sair do escritório, no final do expediente, segui instintivamente para as Casas Pernambucanas do bairro, onde costumo ver plaquinhas com ofertas irrecusáveis. Lá chegando, encosto no balcão e disparo a pergunta pro vendedor:
- Amigão, qual é o telefone de chip mais barato?
- Olha, esse aqui tem câmera fotográfica que... - interrompo - .
- Ok, mas qual é o mais barato de todos?
- Esse aqui toca mp3... - corto o cara de novo - .
- Tá, mas não é o mais barato, certo?
- Mas é muito bom esse, viu? E já vem com um chip de pré-pago.
- Eu já tenho chip pós-pago, mano. Me diz só qual é o mais barato e eu compro.
- Tem esse aqui - e mostra um que não tinha cara de barato - .
- Quanto?
- Quatrocentos e cinqüenta. Mas faz em dez de cinqüenta e cinco, viu?
- Amigo, é a última vez que vou perguntar: Veja se você entende. Qual é o mais barato? Aliás, pela cara, me fala o preço desse aqui do meio.
- Oitenta e cinco. Mas faz em dez vezes de...
- Chega! Separa esse aí e pronto!
- Em dez de nove e noventa?
- Deus me livre!
- Então é à vista?
- Óbvio, né?

Esse gênio das vendas tem título de eleitor também, viu?

Agora, por último alguém me explique: Pra que diabos alguém pode querer câmera, navegador internet, GPS, mp3, tv, freezer, sofá-cama, cd player e o escambau embutidos em um celular?

O achado

Eram 10h15m do dia de hoje. Lá estava o tio Xavier em um cliente, junto com a analista de sistemas dele, aguardando uma reles entrega de etiquetas adesivas, feitas sob encomenda. Sabendo que o projeto tinha urgência, o tio orientou o pessoal da fábrica para que mandasse por SEDEX 10. O serviço dos Correios garante que a encomenda é entregue até as 10h do dia seguinte à postagem . Obviamente é um bocado mais caro. Mas no caso em questão, necessário. Só que as horas se passaram e nada das ditas etiquetas. Lá estava eu, fingindo não perceber que até a faxineira do cliente me lançava olhares de reprovação.

Às doze badaladas da catedral, o tio Xavier, sem nada poder fazer, vai embora. Havia outros afazeres e eu não podia morar lá no cliente pro resto da vida. Sob olhares enfurecidos - só que absolutamente corteses - a saída à francesa me pareceu mais recomendável. Esperar infinitamente é uma arte que não faz parte de minhas aptidões. Mal entrei no carro e desandei a telefonar para o celular da dona da fábrica, da secretária dela, do operador da máquina e da pqp, reclamando a ausência do material. Pelo tom de voz de todos e confiança que tenho nos meus parceiros, tive certeza absoluta de que a tralha havia sido mesmo postada nos conformes. Então, que diabos teria acontecido com a empresa de logística mais efeciente do Brasil? Os Correios não são de dar mancada.

Após um almoço mal-engolido, decido rever minha pauta de tarefas e pendengas. Leio e respondo os e-mails (apagando as 1749 mensagens idiotas de "Feliz dia do Amigo"), ligo o msn, o Skype e começo a dar uns telefonemas. Na verdade, eu tentava também espairecer, um pouco antes de me estressar de novo com o problema das malditas etiquetas desaparecidas. Somente por volta das 15h00m resolvo consultar no site dos Correios o possível rastro da encomenda pelo número que o pessoal da fábrica havia me passado. Eis que lá constava: "Saída às 7:40 do local XXX ; Entregue às 8:00". Cazzo, em toda a minha existência eu não tive um único motivo para duvidar do trabalho dos Correios. A empresa merecia o meu voto de confiança.

Ligo para a analista de sistemas do cliente. No celular dela, por questões de discrição.
- Oi fulana, aqui é o tio... Meu, no site dos Correios consta que a merda da encomenda foi entregue às 8h00m. Será que não está aí não?
- Não pode ser.
- Putz, faz esse favor pro tio. Dá um giro aí na empresa e verifica se não tá por aí. Não custa.
- Tá bom.

Dez ou quinze eternos minutos se passam. A duração do tempo é questão de percepção dele. Para quem espera é sempre uma eternidade. Toca meu celular:
- Tio?
- Ô minha filha! Diz aí pelo amor de Deus.
- Você não vai acreditar.
- Eu acredito até em duente, se essa porra apareceu.
- Pois é. Acredita que tava com o cara do recebimento desde as 8 da manhã?
- Cacete! Quem é esse energúmeno?
- O Zé.
- E o que ele alegou para não ter encaminhado o material para o local de sempre?
- Ele falou que não achava que era urgente.
- Ah, ele achava?
- ...
- PQP... Obrigado, amiga!
- De nada, tio. Relaxa um pouco. Tchau!

A fiel exposição dos fatos acima dispensa análise. Só que a minha preocupação não é com a cagada do Zé em si. É que depois que li este post, da minha amiga Red, comecei a atentar para um aspecto: o Zé vota. Ele tem título de eleitor!

Que Deus nos proteja.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Postulado de Fernando Vanucci

O besteirol desfiado pelos comentaristas esportivos oscila entre o insano e o alcoolizado. Saca essa de hoje:

"O Brasil tem plenas condições de sediar a copa de 2014. Mas tem que mudar tudo". (Vanucci, no jornal da Rede TV).

Corolário nº51: "É hora de mudar... (hic!)... ou mudar tudo". (Brilhante conclusão, no famigerado programa que ele apresentou bêbado)

Pergunta que não quer calar: Se tem condições pra que mudar? Se precisa mudar, onde estão as condições?

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Sua privada entupiu? Foi o PCC!

Agora você já sabe:

Se sua privada entupir, é uma ação do PCC para minar o sistema de saneamento do estado.
Se cair um disjuntor de sua caixa de luz, comece a rezar: é o PCC preparando um ataque à sua casa.
Se sua ligação de celular emudecer, certamente o PCC interceptou sua linha para ações criminosas.
Se o seu carro não abrir com o controle remoto, você já era. Um membro do PCC está em cima do poste mais próximo, pronto a saltar sobre você.
Se um pássaro cagar na sua cabeça foi o PCC que fez uma marca com bosta transponder e está a seguí-lo por satélite.
A sua TV está nesse momento trabalhando no modo inverso: transmitindo imagens da sua casa para uma central de monitoramento do PCC.
O rádio do seu carro capta cada som que você emite e suas conversas são transcritas por taquígrafos do PCC.
Se o seu Windows™ ficar lento ou travar, não tenha dúvida: o PCC está escravizando sua máquina para processar crimes online, usando seu IP.
A propósito, a similaridade entre as siglas "PC" e "PCC" deixam claro que a IBM e a Microsoft são empresas de fachada da organização criminosa.
O Orkut é uma invenção do intelecto-marginal Marcola, para se tornar o novo "Grande Irmão" profetizado por Orwell.
Se aparecer uma tarifa estranha no seu extrato bancário é mais uma ação do PCC arrecadando grana para o crime organizado.
Aliás, para quem não sabe, a derrota da selecinha brazuca na copa tem uma causa que ninguém ousou revelar. Tio Xavier conta em primeira mão: antes da partida contra a França, o técnico Videira recebeu um SMS no celular, exigindo que perdessem. O PCC manipulou cada jogo da copa rumo à vitória italiana. Ou alguém tem dúvida de que "Marcola" seja um codinome italiano, hein?

Tenho culpa eu? Parte II

Hoje vivemos tempos tragicômicos. Em ritmo de trabalho de formiguinha, a bandidagem arregimentou e construiu militantes dentro de praticamente todas as instituições estatais. Mais focalizadamente dentro do aparelho repressor - polícias e forças armadas - que já não conseguem mais exercer a função repressiva, por manterem parte do quadros profissionais sob contaminação simbiótica com o crime. Alguns deles já são os próprios criminosos, só que resguardados por carteirinhas funcionais, estabilidade e pelo Artigo 331 do Código Penal que criminaliza o desacato.

Nos dias de hoje, como nada fora feito, não se podia esperar nada diferente do que estamos vendo. Como o Estado Burguês não pode culpar a si próprio pela mazela social, então precisa urgente de um culpado para os incêndios em ônibus, ataques a equipamentos públicos e assassinatos de funcionários da Segurança. Eis que surge a salvação: o PCC. A bola da vez! Os secretários estaduais correlatos à SSP, incluindo a Administração Carcerária, mais parecem baratas tontas nos seus desconexos discursos. Um cidadão - cujo nome não mencionarei - chegou na TV a co-responsabilizar o Orkut pela onda de violência. Algo semelhante a culpar a faca pela facada.

Obviamente o tal do PCC deve ser de fato um grupo criminoso significativo e ter os seus tentáculos. Mas minha experiência dá-me conta de o quanto é difícil articular movimentos sincronizados, como os de vandalismo e violência que acontecem no momento. Está mais que claro que a maior parte do que ocorre é originada de criminalidade e vandalismo expontâneos, que aproveitam a paralisia e o pânico para se sobressaírem eu seus feudos locais. E, mais uma vez, me vem à lembrança as acusações levianas e irresponsáveis, feitas nas duas décadas anteriores. Os acusadores são os mesmos. O comodismo, a incompetência e a mentira deslavada também. É PCC, agora é sua vez.

Tenho culpa eu? Parte I

Sabia-se há décadas que o voraz empobrecimento das massas trabalhadoras, a favelização, a ausência do Estado nas periferias e a inoperância dos serviços públicos - particularmente Educação - empurrava a sociedade para a violência. Desde os governantes militares e seus lacaios civis até um simples trabalhador esclarecido, sabiam que nas décadas de 60 e 70 a ditadura enfiava o país em dívidas monstruosas, produzindo o artificial "milagre econômico". Os mais altos extratos sociais sabiam que, após a festa, vinha uma ressaca civil na década de 80, trazendo desemprego, sucateamento dos serviços sociais e uma inflação jamais vista. E mais: todos esses sabiam que a tolerância com as drogas ilícitas, nas festas da society, construía impérios paralelos no submundo do narcotráfico, dirigidos por neomagnatas, à margem da sociedade oficial. Todos sabiam. Mas o juiz, o deputado, o senador, o empresário e não sei mais quem fingiam não perceber que os narizes e veias vorazes de seus filhinhos e filhinhas queridos - senão os deles mesmos - enriqueciam a bandidagem, cada vez que levavam sua cota de distribuição de renda aos pés do morros, na mão dos aviõezinhos.

Nas décadas de 80 e 90 a burguesia precisava de culpados pela balbúrdia inflacionária, para o desemprego e para a putrefação social. E os incriminados foram exatamente aqueles que se opunham à putrefação: militantes políticos de oposição, sindicalistas, agentes de pastoral e líderes de movimentos populares. Nos editoriais, manchetes de jornal e capas de revista, o que mais se via era: "Foi o PT", "Foi a CUT", "Foi MST", "Foi a CPT". Como a imprensa de um modo geral, a classe média sua consumidora e mesmo grandes representantes das elites nunca foram grandes usuários das suas massas encefálicas, os bordões viraram mantras.

Aos meus míseros dezesseis ou dezessete anos eu já fui culpado pela inflação de 80% ao mês, pelo sumiço da carne nos açougues, pela demissão de milhares de operários e até pelo seqüestro do Abílio Diniz. Eu, o Lula e milhares de militantes, com a diferença que eu continuo resignado a suar pelo sustento da família, pois nunca tive vocação para me aparelhar na política. Bem feito prá mim! Mas durmo em paz e atendo a qualquer um que me telefonar, sem temor nem ressalva. O tio Xavier é um trouxa feliz.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Roteiro gastronômico do submundo

Revistas com roteiros gastronômicos caros há existem aos montes. É possível até afanar alguma no saguão de aeroporto, na recepção do hotel ou em uma agência de viagem. Mas carecem de novidades. Qualquer um sabe que o Fasano é ótimo, que a Vento Haragano é uma puta churascaria, que o Charlô Bistrô é o cara e por aí vai. Só que são lugares inacessíveis para mortais com renda inferior a três salários mínimos como eu. Até os manobristas dessas casas se recusariam a estacionar meu Corsa 1000. Então eu aproveitarei-me da graça de pertencer à classe social E, para prestar preciosas dicas gastronômicas dos lugares mais pobres e periféricos do Capitalismo. Mas ao alcance do bolso de todos.

Começo falando de uma do bairro de Vila Maria: a Lanchonete Dunga´s. Já foi muito tradicional, mas os donos de hoje devem ser os quadragésimos. A iguaria provada no caso foi um leve e saudável cheese-bacon-egg-salada, recomendado para pessoas em regime.

O lanche: já foi melhor. A tentativa de manter um hambúrguer sendo feito lá mesmo, em lugar dos industrializados, até que é boa. Mas o atual não tem gosto nem de sal, nem cheiro de nada. O pão de hambúrguer é desses marca Chimbica™ Breads, vendido em atacadistas por R$0,07 cada. Seco, sem gosto e quebradiço.

O atendimento: diga você mesmo. O garçom demorou cinco minutos para perceber que eu estava sentado à mesa. Porque, em pleno meio-dia, é improvável alguém sentar-se em uma lanchonete. Quem sabe seja uma superstição de prosperidade, ignorar o primeiro cliente do dia, no caso eu. Pedi meu lanche, com a única observação de que o bacon fosse bem tostado. Só que vi claramente o infeliz chegar ao balcão e pedir simplesmente um "x-tal para a mesa 22", cagando e andando para o detalhe. O chapeiro já pareceu mais ligeiro, pois em menos de cinco minutos meu olfato indicou que meu lanche prontinho havia sido colocado no balcão. Mas esperei infinitos dois minutos, torcendo para que o garçom parasse de limpar os cardápios e lembrasse de sua função primordial. Inúteis foram, tanto a minha espera quanto o garçom. Total aproximado de espera = 12 minutos.

Já irritado, levantei-me falando ao chapeiro em decibéis de vendedor de pamonha, que eu iria pegar o lanche para que não esfriasse. À tentativa tardia do garçom de se aproximar, fiz um gesto de que não precisava mais. O bacon encruado eu retirei e abandonei no prato. O restante comi tudo, tal fome que me abatia. Para não ter que esperar a boa vontade do limpador de cardápios, fui direto ao caixa pedir e pagar minha conta. Esse problema crônico com garçons, na verdade, faz parte de um carma que carrego de vidas passadas. Parece que fui garçom na França em 1850 e passava cuspe nos pratos dos clientes e coçava o saco antes de pegar nos copos deles. Anseio pelo advento do robô-garçom, que mande os serviçais de má vontade pra fila do Centro de Solidariedade ao Trabalhador.

Registre-se: Dunga´s Hamburger. Praça Santo Eduardo, bairro de Vila Maria, em Sampa. Já teve seus tempos de glória mas vem decaindo vertiginosamente. Já não vale à pena.

sábado, 1 de julho de 2006

Até que algo os separe

A profusão de separações conjugais no meu círculo de amigos tem me intrigado. Estou falando de cerca de quinze casais, ou pouco mais, dos quais uns dez se separaram recentemente. Não me importo de graça com isso, pois é compreensível que dois seres não tenham que coabitar pela eternidade, em meio à intolerância e ao desamor. A nossa existência é muito breve e urge vivermos de maneira a evoluírmos em todos os aspectos. Então, o senhor padre que me desculpe, mas passa da hora de ele mudar o livrinho de ritos e substituir o "... até que a morte os separe" por algo menos sentencial como "... até que o desamor, a ausência de respeito e o fim da cumplicidade os separem". Sorry man, mas a indissolubilidade do matrimônio já foi algo bom, caso o senhor padre não saiba. Era uma forma de proteção à mulher. Dos tempos bíblicos até muito recentemente, a mulher pobre descasada foi vítima do desamparo e da miséria social irreversíveis. A pobre, viu? Porque a rica, sempre continuou a ser cobiçada e, não raro, a desposar um novo príncipe. Nas cortes européias e, mesmo nas suas crias tupiniquins, isso foi fato e perdura até hoje. Mas quem quereria uma mulher rejeitada, com uma penca de filhos e duranga? Hã? Hã? O cavalheiro aí atrás, com a mão levantada? Ah... quer ir ao banheiro? Segunda porta à direita.

Com o advento da invasão da mulher no mercado de trabalho, a dependência financeira passou a ser mais solidária e equilibrada. Com os ganhos assalariados médios em queda, o trabalho profissional da mulher tornou-se até uma necessidade para a manutenção do núcleo familiar. Aí reside o respiro aliviado das descasadas e viúvas que trabalham fora. Boa parte do contingente masculino passou a necessitar da coabitação feminina, inclusive por razões econômicas. Então good news, meus queridos noivos! Como todos já perceberam (menos o padre), não há mais motivos para esperar a morte os separar. Até porque é uma espera muito funesta, sinistra e de mau gosto. É bem possível que esse contexto sócio-econômico esteja sendo o apoio principal das inúmeras separações que tenho contabilizado em meu círculo de amigos. Alguns psicólogos e psicanalistas já falam em monogamias temporárias, como sendo o ato de ter sucessivos relacionamentos monogâmicos e estáveis ao longo da vida.

Mas há outra característica que percebi no meu círculo: Praticamente de todos os casais separados ao menos um dos cônjuges era "de primeira viagem". Traduzindo: não tinha nenhuma experiência anterior de moradia a dois e, conseqüentemente, "da dor e a delícia de ser o que é" um casal. Inegável fato é que o convívio em nossa primeira experiência de núcleo familiar - a casa de nossos pais - raramente nos prepara positivamente para o que advém do ato de acordar e dormir com outra pessoa diariamente. Essa situação abrange o compartilhamento de papéis (não gosto da palavra divisão) que a coabitação traz consigo. E afeta todos os aspectos imagináveis da vida doméstica, incluindo: finanças, decisões sobre prole, compartilhamento e conservação do habitat, cultivo de amizades comuns e individuais, vida social, lazer e troca de experiências profissionais, dentre outros.

É quase certo que, em cada um dos casais supra referidos, ao menos um dos cônjuges teve suas expectativas frustradas com relação ao outro ou com as conseqüências da união. Pensando nessa linha e analisando meu suscinto círculo de amigos, posso concluir que as separações de primeira viagem estão por cessar, se é que não terminaram. Mas por falta de protagonistas. Temo que eu e a darling estejamos momentaneamente imersos em uma rede de amigos new-singles. Mas que bom que nenhum deles foi separado pela morte. Né seu padre?

Poesia não se comenta, se degusta

Amor, meu grande amor, não chegue na hora marcada
Assim como as canções, como as paixões e as palavras
Me veja nos seus olhos, na minha cara lavada
Me venha sem saber se sou fogo ou se sou água
Amor, meu grande amor, me chegue assim bem de repente
Sem nome ou sobrenome, sem sentir o que não sente

Pois tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço
A vida do teu filho desde o fim até o começo

Amor, meu grande amor, só dure o tempo que mereça
E quando me quiser, que seja de qualquer maneira
Enquanto me tiver que eu seja a última e a primeira
E quando eu te encontrar,
meu grande amor, por favor, me reconheça

Pois tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço
A vida do teu filho desde o fim até o começo

© Ângela Ro Ro e Ana Terra, 1979

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Singelo, como a vida tem que ser

A peça acima é de um calendário intitulado Happy Down. Me chegou
às mãos (meio atrasado) através de uma amiga muito querida,
cujo filho também possui síndrome de down.
Essas crianças fofas do mês de junho são Isabella e Caio.
Prometo colocar as imagens dos meses seguintes no ar, nos dias 1º.
Se eu esquecer, me lembre.

What´s your name?

Sempre me intrigo ao imaginar quais coisas passam nas cabeças de pais e mães, na hora de escolher nomes para os rebentos. Vejam abaixo:

- Jennifer Lopez*
- Steven Spielberg*
- Nicolas Cage*
- Kevin Costner*

Nada a se estranhar, a não ser que os quatro são irmãos, filhos do vigia noturno da minha rua. Não me perguntem nada, pois nada mais sei a respeito.

(*) Estou partindo do pressuposto de que a grafia seja exatamente a original, já que o progenitor faz bico em uma locadora de vídeo. Não me atreverei jamais a olhar a certidão de nascimento de nenhum deles. A quinta filha - Marjorie Princesa - não foi mencionada neste post, pois o nome carece de referências no showbiz.

sexta-feira, 23 de junho de 2006

Classisex

Estou a folhear um jornal fantástico como informativo de massas e formador de opinião: o Metrô News. Para quem não sabe, o MN é um tablóide distribuído nas estações de metrô de Sampa. A proporção de conteúdo me parece ser 85% de publicidade e o restante de matérias, boa parte extraída de outros veículos. Ironia à parte, ressalto que o dito tem tiragem de 120.000 exemplares, o que está longe de desprezível. Nos classificados há uma seção chamada "Relax" que na edição de ontem registrava cerca de 50 anúncios. É muito engraçado ler os apelos das profissionais e elucubrar um pouco. Senão, veja só esses extratos (reais):

"ACÁSSIA - Faço c/ você o q sua mulher ñ faz..."
(Como assim? A patroa contou algo pra ela?)

"AMANDA LOIRA compl. do começo ao fim, iniciante..."
(Essa tal, aparece há cinco anos com o mesmo nome e telefone. Deve iniciar todos os dias)

"ANA PAULA 18A gauchinha... tudo por $20 dou caixinha de brinde..."
(Juro que fiquei curioso. O que haverá na caixinha? Vou ligar pra perguntar)

"AS PRINCESAS - A partir de $10..."
(Princesas por "déirreal"? Devem estar em estado de rã ou são clones de ogra da Fiona)

"CAMILA GOSTOSA - Bjo na boca..."
(Nooossa! Tudo o que um cara sexualmente necessitado quer é isso)

"CARLA E CAROL $20 + 3 amigas..."
(Explique melhor: pelos $20, estão inclusas as cinco?)

"DEISE DOMINA adoro escravos..."
(Lamento Deise, a abolição foi escrita há mais de cem anos)

"KATARINA MULATA 1h/$20 ad.beijar louca p/sacanagem..."
(Ela deve ler revista de sacanagem enqüanto o cliente copula)

"MÃE E FILHA $20..."
(O mundo está definitivamente perdido ou sou eu um velho careta?)

"MEL + 5 amigas convidam! Queremos fazer tudinho com você..."
(Tudinho... Pela quantidade de amigas, querem rapar sua carteira)

"MESTIÇA LEGÍTIMA..."
(O que é mestiça legítima? E ilegítima? De qual etnia?)

"TRAVESTI SABRINA... 23X9"
(Hã? I don´t speak Portuguese, sorry)

"VIVI LOIRA... at. apto luxo, Anhangabaú..."
(Apto de luxo no Anhangabaú? Esse anúncio é de 1.940 né?)

quinta-feira, 22 de junho de 2006

O quarto anjo

Cavaleiros com cavalos de aço barulhentos, desfilavam arrogantemente com estandartes e bandeiras. Pais ignoravam filhos. Uma senhora idosa que aparentemente tinha escorregado era praticamente esfacelada, pisoteada pelas pessoas que corriam sem sequer olhar o chão. Uma criança chorava a perda da mãe; pobrezinha devia ter uns três anos. Uma chuva de metal colorido e brilhante caía sobre as pessoas. O som das trombetas era ensurdecedor e estrondosas explosões enchiam de fumaça o ar que as pessoas tentavam respirar. O barulho e o pânico estava estampado no rosto das pessoas.

Esta não é nem uma passagem do Apocalipse de João, nem de Nostradamus. É o retrato do bairro onde trabalho, pouco mais de uma hora atrás. E eu, que me atrevi a dar uma voltinha pra fazer a digestão, mal pude acreditar no que via.

Não sei o que era pior de tudo o que vi: se o sujeito com a camiseta imitando a da seleção, mas escrito "MARCELO" no lugar do nome do jogador e "D-2" no lugar do número, se eram os caras de peruca verde e amarela tocando corneta na porta da casa de fogos ou se eram as criaturas femininas horrorosas, que se atreveram a usar camiseta amarela amarradinha na frente, exibindo suas generosas panças e os respectivos poços. Isso mesmo: poços! Porque umbigo para mim sempre foi outra coisa mais sutil. Nos enormes sulcos à mostra, por entre as estrias, daria pra esconder o mensalão todinho, daquele deputado da cueca. Ridículas!

No boteco a cinqüenta metros daqui um amigo meu já estava rodeado com setenta outros bêbados, se acotovelando nos 3,5m² de área do estabelecimento. Tudo para conseguir uma posição privilegiada na enorme TV de 21", estrategicamente equilibrada em cima de duas mesinhas de bar empilhadas. Obviamente ligada na Globo e com o volume estridente e som distorcido. Nesse exato local, qualquer criatura que aparentar - note que não é requisito sê-lo de fato - um ser do sexo feminino receberá rasgados e impublicáveis elogios. Inclusive o trio de domésticas exibicionistas de poços, que comentei acima. Se você é mulher ou travesti e estiver com problemas de auto-estima, é só passar por lá.

Penso que agora o melhor seja eu ir buscar minha filha na escola infantil. Isso porque o tom do bilhete que veio dentro da agenda escolar dela, deixa claro que a diretoria defenestrará impiedosamente as crianças não-resgatadas pelos familiares até as 15h.

Não tenho escolha. Fui.

terça-feira, 20 de junho de 2006

O "impreiteiro" (ou pare de reclamar)

Sabe aquele amigo seu que reclama do país e que as vendas vão mal? Aquele mesmo, que diz que não está vendendo porque o patrão dele não divulga o produto? Ou aquele outro, que diz que os clientes não telefonam, porque a empresa não faz um folheto promocional legal, não participa de feiras e não faz outdoors? Ou aquele outro, que está desempregado há dez anos a afirma que é porque o dólar agora está baixo demais (antes era porque estava alto), a taxa Selic continua alta e sempre os outros são culpados pela situação dele? Pois é. Indique este post a eles.

Tempos atrás achei essa singela peça de marketing direto dentro da caixa de correspondência, no portão de minha casa. O Sr. Pedro Santana provavelmente não se conformou com a situação e munido de poderosas ferramentas de divulgação - uma caneta esferográfica e um bloquinho espiralado de papel - pôs-se a escrever a mensagem acima e a colocar pessoalmente, em cada uma das caixas de correspondência do meu bairro.

Não sei o resultado, mas aos conhecidos que me pediam dica de um "impreiteiro" na época, eu mesmo cansei de indicar o fone º e o c lu do Sr. Santana, como ele mesmo escreveu, na simplicidade de quem mal fora alfabetizado. Prometo checar se os números de contato ainda lhe pertencem. E torço para que todos os brasileiros com boa vontade, como o Sr. Pedro Santana, continuem a conseguir honestamente o justo sustento para si e para as suas famílias.

Este país só não decolou ainda por falta de governo. Povo ele até tem.

* EM TEMPO: Testei os telefones e ambos não mais pertencem ao Sr. Santana. Uma pena! Senão eu o chamaria para pôr piso na minha garagem...

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Falta de qualificação profissional assola também aos ladrões.

O carro acima foi parado por policiais rodoviários,
tendo sido roubado em S.Bernardo do Campo.
Os policiais perceberam graças ao singelo erro ortográfico
que constava, inclusive, nos documentos também falsificados.
O PCC precisa investir mais em ensino fundamental.

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Super Nanny, por favor nos ajude!

O ingênuo e cômico apelo faz parte de uma recente atração do SBT, de formato comprado e licenciado de uma emissora estrangeira. Ingênuo porque é proferido por casais jovens, na maioria de idade inferior a quarenta anos. Cômico porque retrata uma situação cada vez mais comum entre famílias, sobre as quais seria razoável imaginar terem um mínimo de preparo para criar filhos. Mas eis que a cultura outsourcing, depois de minar o ambiente empresarial, já invade os lares na educação de adoráveis crias, transformadas em pequenos gremlins¹ pela incapacidade educacional dos pais e mães contemporâneos.

Para solicitar a participação no reality-show é simples: depois de jogar a toalha e assumir que estão reféns e dominados pelos pequenos, o casal se inscreve no programa, entregando os pormenores do difícil relacionamento com a prole e aguarda o seletivo contato da produção. Provavelmente por questões de marketing e público-alvo, as famílias eleitas até o momento são de classe média e possuem um nível de conforto razoável. Por trás disso podem estar alguns pensamentos como o de que "casa de pobre só atrai audiência em quadros vida-desgraçada no Gugú", ou mesmo de que "filho de pobre é largado e não merece psicóloga". No fundo é porque a classe média é potencial e voraz consumidora para os anunciantes durante o horário do programa, regra esta que rege quase todas as escolhas dos diretores de programação. Seja qual for a lógica, fato é que as casas apresentadas possuem ao menos dois quartos, DVD, TV de porte, automóvel recente na garagem, y otras cositas más, que possam propiciar à Super Nanny - encarnada pela educadora argentina Cris Poli - um ambiente com estrutura adequada à prática dos ensinamentos skinnerianos² da heroína.

A audiência do programa é inegável. Ao menos foi o que apurou o IXVA (Instituto Xavier de Verificação de Audiência), já que dez entre dez famílias de amigos que possuo já me comentaram ter assistido a alguns episódios da série. A pergunta que não quer calar é: que raios estará acontecendo nas famílias para que esse assunto interesse tanto? Minha humilde resposta é o apelo do próprio programa: os casais atuais são prisioneiros em suas próprias casas, tomadas de assalto pelos monstrinhos que eles próprios criam. Não me leve a mal pelo têrmo, você que não me conhece. O tio Xavier adora crianças a ponto de nunca ter deixado morrer aquela que vive em seu espírito. Crianças são os "bichinhos" mais adoráveis e abençoados que há sobre a terra e são a única esperança de que esta merda onde vivemos é capaz de virar algo habitável um dia. Mas há que se considerar algumas características de nossos tempos...

Uma que o contato do pai e da mãe com os filhos têm sido marcado pela superficialidade, escassez de tempo e - por conseqüência indevida - um sentimento de culpa por parte das mães. Daí é simples entender porque elas não conseguem impor o mesmo nível de respeito de há duas ou três década atrás, quando nossas mães passavam o dia todo conosco. Sim, porque os pais em geral são e sempre foram seres anos-luz distantes da rotina dos filhos. É comum serem alçados ao nível de STF³ quando a mãe já não consegue mais coordenar as rotinas profissional, doméstica e materna. Então o pai vira objeto da expressão: "... você vai se ver com seu pai!". Abaixo, esses pais se dividem em duas categorias: os laisse-fair (que mal-traduzo do francês como: "foda-se, não é comigo") e os executores penais. Os primeiros já estão explicados pela minha torpe tradução. A segunda classe compreende os aplicadores de cintos, chinelos e amplas mãos capazes de abranger com uma só palmada as pequenas nádegas, parte do dorso e a traseira das coxas dos pequenos. Não sou pedagogo - ainda -, nem psicólogo e nem santo para poder apontar o dedo no nariz de ninguém. Mas qualquer ser pensante em estado de tranqüilidade há de convir que o espancamento, antes de ser solução, é reflexo da perda de razão e das dimensões da real autoridade por parte dos pais e das mães.

Mas a solução dada por Nanny é invariável. É o que chamo cientificamente de "paradoxo da obviedade do behaviourismo nannysta": LIMITES e ROTINA. Duas palavrinhas que bem praticadas com afeto e amor são capazes de formar seres sociáveis e responsáveis da melhor qualidade. O que seria de nós se nossos pais e a nossa escola de outrora não nos tivessem dado limites? O que é a vida em sociedade senão uma sucessão de rituais, rotinas e disciplinas, que nos propiciam um mínimo de conviviabilidade social? Desse modo em todos os episódios, a heroína tasca plaquinhas ilustradas, contendo regras de o que se deve e o que não se deve fazer, destinadas aos pequenos. Para os adultos, cartolinas com o óbvio ululante: cronogramas de condução da casa adaptados ao escasso tempo do casal, confimando o absurdo despreparo deste para a vida em família.

Parabéns para os idealizadores originais do programa e meu "sinto muito" para os casais tão despreparados. Sugiro às instituições religiosas e aos educadores de ensinos médio e superior que incluam em seus currículos o que deveria ser natural no aprendizado familiar: como conduzir serenamente uma casa e educar filhos. Garanto que a médio prazo a humanidade estará livre até mesmo de Christianes Richtoffens e as Secretarias de Segurança Pública diminuirão consideravelmente os seus gastos com carceragem.

¹ Se você também não assistiu, não gaste seu tempo com isso. Clique AQUI para saber o que é.
² Para mais detalhes e informações sobre Skinner há um bom trabalho AQUI.
³ Supremo Tribunal Federal. Mais informações em http://www.stf.gov.br.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Dispensa comentários

"Tudo que move é sagrado
e remove as montanhas
com todo o cuidado, meu amor.
Enquanto a chama arder
todo dia te ver passar
tudo viver a teu lado
com arco da promessa
do azul pintado, pra durar.
Abelha fazendo o mel
vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
de sentir seu calor e ser todo
Todo dia é de viver
para ser o que for e ser tudo
Sim, todo amor é sagrado
e o fruto do trabalho
é mais que sagrado, meu amor.
A massa que faz o pão
vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
e alimenta de horizontes
o tempo acordado, de viver.
No inverno te proteger
no verão sair pra pescar

no outono te conhecer
primavera poder gostar

no estio me derreter
pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu..."

(Amor de índio, 1978 ©Beto Guedes e Ronaldo Bastos)

sábado, 10 de junho de 2006

Rumo ao hexa, Brasil!

Da janela do meu quarto e estarrecido vejo hoje a invejável disposição do povo da minha rua. Meus vizinhos mergulharam de corpo e alma no clima festivo da tal da Copa do Mundo. Homens e mulheres de todas as idades, neste exato momento estão sendo auxiliados por crianças e aborrecentes, na tarefa de pintar a rua com os símbolos cabalísticos e esotéricos da Copa. Até o emblema da CBF entrou no esquema. Pelo que pude perceber será bem na porta da minha casa. Um dos sujeitos, claramente mais apto ao desenho, contorna com giz branco e precisão geométrica os detalhes do distintivo da tal confederação. No tempo comum, é provável que ele seja um dos tantos a praquejar contra os dirigentes da entidade. Mas agora lá estão, ele e a mulher com os moleques, a especificar detalhadamente a correspondência de partes e cores, para que a logomarca da CBF saia perfeita. Vai entender esse povo.

O meu espanto maior não é pelo empenho desportivo-vassalo do pessoal. É pelo absoluto contraste com a vida cotidiana. Os pais e mães conseguem contagiar suas crias a ponto de pô-los a trabalhar na tarefa da pintura, com sorrisos de orelha a orelha. Será que esses mesmos pirralhos recolhem seus brinquedos em casa ou ao menos colocam as próprias roupas sujas no cesto com o mesmo sorriso? Quanto aos pais e mães propriamente ditos, juro que gostaria de vê-los em multirão a pintar alguma das escolas públicas do nosso bairro que - diga-se de passagem - estão com aparência péssima. Mas no caso destas, obviamente alguns deles dirão que isso é obrigação do Governo. Sempre dele. Não digo o contrário, mas há situações em que a mobilização e cooperação é a única forma de melhorar algo. Por que será que não acham que decorar as ruas para a Copa seja uma obrigação da CBF então? O que vejo agora é um absurdo em incoerência e desperdício de energia.

Não sei em quais dias, mas sei que logo logo todos os empreiteiros decorativos da minha rua estarão reunidos em volta de aparelhos de TV gritando, aplaudindo, sofrendo e sorrindo por algo que jamais será capaz de melhorar um milímetro de nossas medíocres vidas. Nos dias de vitória do timeco amarelo rirão gratuitamente como hienas pelas ruas do bairro. E nos dias de derrota culparão o juiz, a FIFA, a CBF, o técnico (juro que sequer lembro quem é), um dos Ronaldinhos ou mesmo a pqp pela derrota. Chorarão lamentando a "irrecuperável perda" que suas vidas sofrerão pelo gol tomado ou perdido.

Mas todos, terminado o estado de dopagem, terão que voltar à realidade e trabalhar para o Leviatã do Capital para sustentar o sistema. E alimentarão a cada um seus componentes: as redes bancárias, a estrutura voraz do Estado, a Imprensa, as religiões e partidos. Só que neste momento eles sequer se dão conta disso, entorpecidos que estão pelo cheiro das tintas e pela propaganda ufanista. O que terão ganho com a dedicação deles? Responda você mesmo.

Ps.: Se você é meu vizinho e está lendo isto, peço a gentileza de fazer pouco barulho durante os tais jogos da selecinha. Provavelmente estarei dormindo, ok?

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Festa junina? Claro que sim!

Não sou um brasilianista militante nem um bastião da defesa das tradições brasileiras tão ardoroso. Mas, sobretudo, amo do país onde vivo e as tradições que fazem nossa identidade. Eis que estamos em tempos de festas juninas. Os festejos de Santo Antônio, São Pedro e São João são marcados por divertidas brincadeiras nos arraiais, com direito à fogueira, comidinhas bem típicas - muitas à base de milho - música sanfonada, dança de quadrilha, quentão, vinho quente e trajes típicos. Adoro festa junina.

Lamento muito a distorção que tem feito com que os personagens originais - o caipira, a caipirinha, o noivo, a noiva, o padre e a polícia - venham a dar lugar, para versões tupiniquins e macaqueadas dos farmers e cowboys americanos. É muito triste ver um povo perdendo a identidade e substituir a música de quadrilha por baladinhas country, o chapéu de palha por refinados chapéus de cowboy, a calça jeca e remendada por grifes sofisticadas de jeans, a gravata estampada e desmedida por ponteiras de colarinho brilhantes e a botina surrada por elegantes e lustrosas botinas com esporas cromadas. Não se parecem conosco. Antes sim, com uma fotografia tosca e invejosa de nossos irmãos ricos do continente norte. O brasileiro tem vergonha de ser brasileiro, a não ser no futebol.

No que depende de mim, nossa boa velha festa junina particular já está armada. É composta por famílias de amigos que, ano a ano, se empenham mais em trajar-se à carater, esmeram-se em dançar quadrilhas com seus pares - sem ensaio prévio - e em comparecer à festa trazendo solidariamente as bebidas e iguarias adequadas. Tudo bem que o som da quadrilha desta vez será executado em .mp3, já que não temos narrador nem sanfoneiro. Mas quem se importa, se a essência se mantém?

Me alegra manter minha filha mais nova freqüentando uma escola infantil que mantém o calendário das festas juninas. Porque, tempos atrás, um colega meu foi protagonista de uma briga homérica, em uma escola particular de São Caetano do Sul. No mês de junho de um determinado ano, a coordenação da escola avisou que não realizaria festa junina, porque avaliava que "a concorrência de eventos similares nas proximidades poderia esvaziar a festa". De fato eu não sabia que uma confraternização escolar junina tinha que estar conceitualmente tão inserida no mercado de consumo e da concorrência. Agora, veja o que se seguiu: segundo meu amigo, em outubro, a escola mandou para os pais uma cartinha para participarem de...? Não adivinhou ainda? Acertou quem disse haloween! Meu amigo - olha que viajado e que trabalhou até cansar na Europa - contou-me que rasgou o verbo. Lembrou do W.O. junino e esbravejou furioso com a direção sobre o tal haloween. Não sei no que deu a história, mas esse cara é dos meus!

Abaixo "a galera de cowboy" e o haloween!

Viva a festa junina!

Simbora cumpadi!

Óia o túnio aí genti...

terça-feira, 6 de junho de 2006

Trajetos. Evitem pintar ruas nas seguintes regiões.

Terça-feira (06/06): Osasco, nas proximidades da Rod.Anhangüera (à tarde).

Quarta-feira (07/06): Centro de S.Paulo, proximidades da Sé (de manhã) e Guarulhos, região de Cumbica (à tarde).

MENSAGEM DO ESPÍRITO DE Carlos Ray Norris Jr. PSICOGRAFADA PELO MÉDIUM TIO XAVIER®

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Um dia de fúria

Era 1998, ano de Copa do mundo. Eu trabalhava na Av. Paulista e morava no alto da zona norte. E tinha um Gol com pneus 195 sem direção hidráulica. O trajeto da Paulista até minha casa demorava até uma hora ou mais no horário de pico. Mas naquela noite estava mais horrível ainda, pois demorei duas horas até chegar em meu bairro. Imagine os pneus 195, a direção mecânica, o trânsito e a fadiga para você entender este post.

Minha casa ficava em uma pequena rua, em formato de "U", que começava e terminava na mesma secundária. Naquela noite saí da avenida principal, entrei nessa secundária e, mal trafeguei dez metros, dei de cara com cavaletes ripas improvisando uma barricada. Um moleque vem à minha janela:

- Tio, não dá pra entrá aqui não. A gente tamo pintano a rua.
- Ah é? E não podia ser durante o dia, já que vocês não trabalham?
- Não dá tio. O cara que traz as tinta chegô tarde.
- Hum...

Minha darling, contemporizadora que é, me sugeriu contornar pelo outro lado. Dei meia-volta, antes que meu saco já na lua me fizesse xingar o pobre garoto. Afinal estava só se divertindo, embalado pelo ufanismo babaca da Copa. Para quem não conhece, os quarteirões no bairro do Mandaqui são disformes, colossais e a região é quase toda morro. Uma voltinha no quarteirão pode demorar cinco minutos de carro. Mas fui. Eis que chego à outra extremidade da tal secundária e me deparo com o quê? Tente adivinhar. Acertou, se pensou em outra barricada! Lá se ia a última possibilidade de um pobre, pacato e cansado trabalhador chegar em sua casa. Dois outros moleques vieram falar com o tio e começaram a explicar tecnicamente questões sobre tinta fresca e tempo de secagem. Foi quando minha involuntária mediunidade - que me isenta de responsabilidade pelo que seguiu - me fez incorporar o "caboclo Carlos Ray Norris Jr.", também conhecido como Chuck Norris.

Norris desceu do carro e com a inconfundível botinada norriana colocou um dos cavaletes em órbita. Começaram os protestos. Os moleques da outra barricada bem que tentaram correr para conter o ímpeto destrutivo mas já era tarde. Com faróis altos, buzinando intermitente e com minha darling apavorada ao lado dele, Chuck Norris já tinha avançado com o meu carro sobre o que sobrou do bloqueio e deixado as trilhas dos Firestone 195 sobre as pinturas da bandeira brasileira, da bola, da taça, do Ronaldinho fenômeno e das putas-que-pariram aqueles moleques de merda. Imagino que a turba juvenil tenha proferido alguns adjetivos indecorosos, mas isso não vem ao caso. Em estado mediúnico, eu não ouvi nada mesmo. Foi Chuck quem ouviu e obviamente estava de bom humor. Caso contrário ele teria engrenado a marcha à ré e grudado a todos no asfalto formando uma bela decoração de torcida em alto relevo.

Por favor, evitem bloquear ruas nos meus trajetos durante a Copa. Tentarei colaborar publicando os trajetos neste blog com a antecedência que for possível. Não me levem a mal. Eu sou uma boa pessoa, mas sou médium. E Chuck Norris é muito bravo.

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Pena de amputação

"E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena." (Mt 5, 30) Por alguma razão esses versos ecoaram em minha mente hoje. Embora eu reconheça que o Estado seja absolutamente incompetente, indigno e parcial demais para aplicação de penas criminais, penso que a pena de amputação possa vir a ser algo interessante.

Contudo o mito do "Estado de Direito" ignora que os direitos e deveres são estabelecidos por grupos específicos e/ou são influenciados pelos tais. Basta dizer que quem faz as leis por aqui são os nobres senhores deputados (federais e estaduais), o nobres senhores senadores e os nobres senhores vereadores (alguém já viu como os hipócritas tratam-se pelo adjetivo nobre quando estão se pronunciando nas tribunas?). Pelo andar da carruagem, é pornográfico imaginar o que esses senhores mandatários fazem nos bastidores e nas tribunas das respectivas casas legislativas. "Eu acho que as leis são como as salsichas. É melhor não ver como são feitas" teria dito Otto von Bismarck. Por isso - e só por isso - é que eu jamais aceitaria as penas irreparáveis, como a amputação e a morte, como plausíveis nas condenações criminais ministradas pelo Estado.

Mas agora vou ao ponto: Se eu pegar o desgraçado que roubou o som do meu carro, aplicarei a pena de amputação ou inutilização parcial eu mesmo. Entendo perfeitamente que a coluna da porta de um carro popular e um CD player, ambos com mais de cinco anos não valham uma vida, ainda que seja a de um lixo-humano viciado em pedra, que logo morrerá mesmo. Mas estou certo de que um tiro no cotovelo ou na rótula será suficiente para minimizar a probabilidade de novas ações do meliante enquanto o crack não o mandar para o limbo. Rastro do desinfeliz eu já tenho. Tá avisado.

terça-feira, 30 de maio de 2006

Patriota até que posso ser... tonto não

Cena 1: Oito e pouco da manhã. Vejo um repórter na TV Record emocionadíssimo mostrando o estádio onde ocorreria o amistoso de um timeco de merda da Suíça contra a selecinha. Detalhes arquitetônicos, preço dos ingressos, características da cidade, etc.. O ânimo do reporter sugeria uma grandiosa partida, digna de final de campeonato contra um adversário praticamente imbatível. Como conhecimento não ocupa espaço - ao menos é como penso - decidi-me a assistir à reportagem até o fim.

Cena 2: Fim da tarde. Estou voltando de um importantíssimo evento que periga me render um maço de reais. No carro estão Robbins* e Schlebts*. Ambos profissionais de Informática que também tinham ido participar do mesmo evento. O motorista seguia pela marginal Tietê enquanto tagarelávamos sobre o evento e os possíveis resultados. Eis que Robbins resolve tocar no temido assunto: Fifa World Cup®. Dizia estar pronto para - nas palavras dele - "o embate com as seleções inimigas". Tinha tinha comprado dezenas de pacotes de pipoca para microondas, outras dezenas de caixas de latinhas de cerveja, uma dúzia e meia de pets de Coca-Cola de 3 litros, camisetas oficiais para toda a família, bandeira para colocar na janela de casa, corneta pra tocar na hora do gol e oito caixas de rojões de doze tiros. Ah! E também estava colecionando todos os álbuns de figurinhas a respeito.

A Schlebts mostrou-se igualmente a la torcida canarinho. Entre outras coisas gabava-se de ter acordado todas as madrugadas para assistir aos jogos quando a copa fora no Japão (foi no Japão mesmo? agora estou em dúvida). Eis que, percebendo meu silêncio de quem seguia alheio ao tema, resolveram me abordar, para saber qual seria minha contribuição ao patriotismo futebolístico:

- E aí tio, como você vai agitar a Copa lá no seu pedaço?
- Eu?
- Sim, claro! Você! E aí?
- Ah... tá... a Copa...
- Então?
- Então o que?
- Porra, você vai assistir os jogos onde, com quem, agitou uma galera, tem telão na sua empresa?
- Ah.. sinceramente?
- ...
- Periga eu não assistir a bosta nenhuma.

CORO:
- Coooooomo assiiiiiiiim? O que você está querendo dizer? Por que não assistiria?

Desisti de disfarçar:

- Ah, foda-se a Copa, a seleção, o técnico e a taça! Eu não tenho o menor saco pra futebol. Muito menos pra essa merda de Copa que não me acrescenta nada, não me rende dinheiro e nem consegue me entreter. Quero mesmo que caia uma tempestade de granizo a cada jogo. Pronto, falei!
- Não pode ser! Você não é patriota. Aliás nem deve ser brasileiro.
- Brasileiro eu sou com muito gosto. Patriota quando é preciso. Mas reservo-me o direito de não ser bobo-alegre-verde-amarelo. Posso até defender a Petrobrás, se preciso. Mas jamais um bando de jogadores frescos que ganham em um mês o que os trouxas dos torcedores não ganham durante a vida toda.

A discussão acalorada dava mostras de que se seguiria por mais tantos quilômetros quanto trafegássemos. Depois seguiu-se um silêncio sepulcral. Tive a nítida impressão de que no silêncio ambos preparavam uma estratégia para me defenestrar do veículo em movimento. Mas a Providência Divina, grandiosa que é, fez com que chegássemos à frente ao meu escritório. O motorista, percebendo a situação patética, engrossou a voz para avisar que já tinha chegado na minha parada. Meus dois colegas torcedores fanáticos seguiriam adiante para os respectivos destinos. Despedi-me educadamente, mas me pareceu que eu tinha passado a ser persona non grata a partir daquela discussão. Ele me deu a mão com aquela pegada que chamo de amanteigada. Traduzindo, é aquela não aperta a mão da outra pessoa, como se estivesse com nojo. Ela embora tenha pego na minha mão, me fez pensar que poderia ao menos olhar no meu rosto ao dizer tchau. Ou pode ser que eu esteja sendo muito exigente.

Se alguém, assim por um acaso, pretender alugar um bom DVD durante os jogos e quiser companhia para assistir junto, deixe um recado. Obrigado.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Retrato de uma esotérica

Eram 18h30 da noite de hoje. Trânsito insuportável, pra variar. Eis que resolvo sintonizar em uma rádio esotérica, porque não agüentava mais as repetições das rádios musicais. Estava começando o programa da madame Schlebts. A dita lê cartas, receita banhos de ervas, recomenda "se apegar" a determinados anjos e ensina o que chama de "rituais" que implicam quase sempre em acender velas de cor, cada uma para um determinado tipo de problema. O programa abre para os ouvintes ligarem e se consultarem no tarô, que ela diz estar lendo durante a consulta por telefone.

- Alô, madame Schlebts, quem fala?
- Aqui é a Fulana.
- Ah... linda!!! (seguem risadas forçadas em estilo bruxístico). De onde você está falando?
- De Osasco.
- Ah... linda. Que bom! E o que você quer saber?
- Sobre meu casamento.
- Mas o quê sobre o casamento? Você já é casada?
- Sim.
- Há quanto tempo?
- Treze anos.
- Ah... linda. Faz tempo né? Olha, eu tô tirando uma carta aqui que diz que você está muito preocupada com seu casamento, hein?
- É mesmo madame.
- E o que te preocupa no casamento? To vendo aqui em outra carta que você não está se sentido bem com seu marido. O que acontece?
- Ah, madame Schlebts... Sei lá, to sentindo assim uma certa distância da parte dele.
- Ah... linda. Tô vendo aqui em outra carta que você está desconfiada, hein? Até que você está desconfiando de uma pessoa próxima dele. Tem alguém assim, próxima dele que está despertando desconfiança sua? Há quanto tempo você tá casada mesmo?
- Treze anos. Mas olha, madame...
- Ah... linda. Mas sempre tem uma desconfiança né? Você desconfia de alguém?
- Não, assim que eu me lembre assim, ninguém.
- Ah, linda... mas aqui nas cartas diz que não tem ninguém mesmo, viu? Desencana com isso. Eu to vendo aqui em outra carta que o seu relacionamento está muito parado, morno! Tá faltando alguma coisa entre vocês dois, hein? (seguem as risadas bruxísticas)
- Ah, isso tá mesmo viu, madame Schlebts.
- Então, tá vendo? Tá tudo aqui nas cartas. Olha, linda eu vou te dizer uma coisa: você é um pouco cobradora não é mesmo?
- Até que não, madame. Eu fico mais na minha. Mas tô preocupada.
- Ah... linda. Mas essa sua vozinha doce não me engana viu? (risadas bruxísticas) Você tem um jeitinho daquelas mansinhas que 'fica' em cima cobrando... (mais risadas bruxísticas)
- ...
- Olha linda, tô vendo aqui no tarô que se você não 'fazê' nada, linda, o seu casamento pode ir pra uma separação ainda este ano! Faz o seguinte: acende uma vela vermelha e pede pro anjo Samuel (???) colocar paixão no seu casamento, acende uma vela rosa também e leia o salmo 1 e o salmo 23. E olha linda: vai no domingo no 'Espaço Schzneeptz' que fica na rua tal número tal, pertinho da estação Tatuapé. Vai ter um ritual lindo de magia pra todas as pessoas tirarem essas coisas ruins da frente, viu linda? Eu mesma vou estar lá orientando vocês. Só precisa de uma pequena contribuição de X reais pra ajudar a manter o espaço lá, viu linda? Olha, e liga pro meu telefone 555-5555, fala com minha secretária e marca uma consulta comigo, viu linda? Ela te explica o valor, horário e tudo, viu linda? Eu vou ficar uma hora com você pra gente tirar mais cartas, rezar juntas e eu vou te ensinar um ritual infalível.
- Tá, muito obrigada madame Schlebts! Ai que bom, viu?
- Mas vai mesmo, viu linda?
- Tá. Obrigada.
(risadas bruxísticas...desliga o telefone)
- É gente, viu? Essas coisas são fogo. Ah, produção, tem mais ouvinte na linha? Pode pôr. Alô, quem fala?

Nesse momento, por razões compreensíveis, eu coloquei um CD do Zeca Baleiro.

Sem comentários e sem perguntas, por favor.

terça-feira, 16 de maio de 2006

Balanço da tragédia anunciada

Os principais colégios de São Paulo não foram atacados por bombas de nêutrons.

Os túneis Maria Maluf, Rebouças, Ayrton Senna e Tribunal de Justiça não foram interditados por piquetes do PCC.

O viaduto Aricanduva não foi implodido no horário de rush.

O reservatório Cantareira não foi envenenado com duzentas toneladas de Mercúrio.

O Palácio dos Bandeirantes não foi tomado (que pena).

A Assembléia Legislativa não foi bombardeada por helicópteros do PCC (incompetentes esses bandidos).

A Catedral da Sé não foi incendiada.

Os quinze shoppings da capital não foram explodidos simultaneamente. Aliás, nem uma biribinha foi deflagrada.

O metrô Corinthians-Itaquera não passou de madrugada a se chamar PCC-Itaquera.

As rebeliões nos presídios não resultaram na "maior debandada da História".

E a lenda do "toque de recolher" foi na verdade uma boa desculpa para quem pôde chegar mais cedo em casa e jantar com a família, como eu.

A propósito: George Bush mandou avisar que não pretendia de forma alguma enviar tropas de mariners para salvar São Paulo, ok?

Obrigado a todos os amigos e amigas que se preocuparam, cuidadosa e meticulosamente, em enviar dúzias de e-mails, dezenas de mensagens instantâneas, SMS´s e mesmo telefonar-me para prenunciar as tragédias acima.

Graças a todo esse carinho e atenção não consegui telefonar para meus clientes para garantir o pão de cada dia. Tragédia será se eu não conseguir repor essas horas e reais perdidos.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

As arapucas dos classificados de emprego

Caros amigos desempregados. Nestes tempos de desemprego social crônico, multiplicam-se as arapucas disfarçadas de emprego. Vasculhando os classificados eu constatei o óbvio ululante: há mais roubadas do que oportunidades. Mas a dica está sempre nas entrelinhas. A seguir algumas expressões encontradas e o que elas significam na verdade, para lhes servir de manual preventivo.

“NÃO EXIGIMOS PRÁTICA”
Quer dizer: os donos da empresa são aventureiros e não conhecem o negócio. Por isso, não conseguirão avaliar seus conhecimentos, o que explica a baixa exigência.

“EMPRESA EM EXPANSÃO ADMITE”
“Em expansão” é como o dono acha que a empresa está... Mesmo cheia de protestos, impostos atrasados e uma fila de cobradores à sua porta.

“POSSIBILIDADE DE GANHOS ATÉ R$ _______,00”
A cifra sempre é o que você ganharia se vendesse sozinho toda a produção anual da empresa por 10 anos consecutivos. Se quiser tentar, depois não venha dizer que o tio Xavier não avisou.

“TRABALHE EM CASA”
Traduzindo: os caras não vão te registrar, não te pagarão Vale-Transporte, nem Vale-Refeição, nem FGTS, nem INSS. Para não se complicarem com o Sindicato nem com o MT, querem que você dê duro bem longe da sede da empresa. Mas os resultado$ eles vão querer.

“VENDA PRODUTO INÉDITO”
Pergunte-se: Por que o produto é inédito? É porque jamais alguém conseguiu vender uma só peça. Algo como lâmpadas pretas, parafusos sem rosca ou bolas de futebol cúbicas. Não se iluda: você também não conseguirá vender uma só unidade. O produto continuará inédito. E o anúncio estará lá na próxima edição.

“ADMITIMOS VENDEDORES: PRODUTO DE GRANDE ACEITAÇÃO”
Se é de grande aceitação, por que eles precisam de alguém para ir atrás dos clientes?

“TENHA SEU PRÓPRIO NEGÓCIO”
Ou seja, eles vão te encher a mala de quinquilharias para vender, te pegar um cheque-pré como garantia e pronto: você é dono do seu próprio mico (ops! desculpe) negócio. Prepare-se para rebolar para cobrir o cheque daqui 30 dias.

“EMPRESA MULTINACIONAL RECÉM-INSTALADA NO BRASIL ADMITE”
Pode ter certeza: os golpistas são imigrantes clandestinos e estão sendo processados em dezenas de outros países. Chegou a vez de dar chapéu nos brazucas.

“ADMITIMOS PARA VÁRIOS CARGOS”
Essa é fácil: os caras demitiram 95% do quadro. Agora precisam reestruturar a empresa, pagando 1/10 do que os antigos empregados ganhavam.

“NÃO SE EXIGE ESCOLARIDADE”
O trabalho deve ser prá lá de duro. Provavelmente uma carvoaria. E mais: como os donos são analfabetos, não vão admitir ninguém que leia e escreva.

“MOÇAS DE BOA-APARÊNCIA”
Safardanas. Se é para trabalhar, o que tem a ver a aparência, hein? Pode crer: os donos da empresa são dados a um assediozinho básico e, digamos, são um pouco exigentes...

“INDÚSTRIA ADMITE ‘MEIO-OFICIAL"
Entenda fácil: o empregado trabalhará por inteiro, em jornada integral, executará 100% da produção para o cargo. Mas ganhará metade do menor salário da empresa e ainda será subordinado ao faxineiro. Translating: meio-oficial = meia-boca. Melhor ficar em casa.

Benesses do mundo virtual

Esta manhã senti o frio que pedia para eu me manter sob os edredons. Mas, este pobre Sísifo tinha mesmo que levantar para novamente rolar a enorme pedra morro acima. Entre o banho e a xícara de café quente, meus dois neurônios se interligaram e começaram a produzir uma fantástica estratégia para este dia. Abri minha agenda e confirmei que eu não receberia nenhum pentelho no meu escritório, tampouco tinha agendado visita a cliente. Todas as pendências eram internas.

Liguei o computador do meu quarto, conectei remotamente o servidor do meu escritório e fi-lo discar uma combinação cabalística de algarismos, asteriscos e jogos-da-velha. Shazam! As chamadas para o escritório seriam devidamente encaminhadas para minha casa. Ainda pergunta porque adoro a tecnologia?

Cá estou agora tocando meus afazeres, agendando compromissos e respondendo orçamentos. Coisas que posso perfeitamente fazer no conforto quentinho do meu quarto. A Santa Ifigênia também pode me esperar até segunda-feira.

Se alguém for passar aqui nas imediações, favor trazer pãozinho quente e mortadela que eu providencio um cafezinho. Obrigado.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

O Leviatã dos bytes

Minha tara por quinquilharias informáticas tem muito a ver com o entretenimento que me propiciam. São fotos, músicas e vídeos que fazem o meu lazer doméstico (a propósito, agradeço ao camarada Vincent pelos .vcd e .avi que propiciam a mim e à minha darling bons momentos). Já no trabalho a tara é a mesma, só que se deve à utilidade na transferência de dados, envio eletrônico de documentos, compartilhamento de informações, desenvolvimento de programas, comunicação online e offline e um caminhão de outras coisas sem as quais eu não conseguiria fazer tanta coisa sozinho. Não consigo me imaginar sem elas. Basta eu ficar sem internet por algumas horas, que minha mente se fecha e não consigo coordenar as mesmas tarefas do cotidiano. Tecnodependência aguda. E o pior: não quero ser curado.

Vou contar uma breve passagem de minha miserável vida, que quase justifica o meu apreço pela posse de computadores, já que sou feliz proprietário de cinco e usuário de quatro deles, mais duas impressoras e um scanner.

Eram idos de 1994. Eu estava de volta à Sampa City após separar-me e estava duro como peroba. E com outra característica da madeira - minha cara-de pau - pus-me a procurar trabalho e reconstruir minha vidinha, que não era tarefa simples. Tendo ficado por três anos meio distante de teclados e monitores, mesmo após ter possuído um PC/XT, programado em Cobol e operado vários micros, deparei-me com um mundo informático bem diferente. E percebi nas agências de emprego, que os candidatos portavam currículos feitos em computador. Para não passar por obsoleto, fui à caça de um possuidor de micro e impressora. Cheguei até a enfrentar decepções com alguns conhecidos informatizados, que eu achei que se disporiam a me ajudar. Até que fui procurar acolhida no sindicato de minha categoria: o Sindpd. Lá fui prontamente atendido pelo Antônio Neto, que muito depois fui saber que era o presidente. Com a boa estrutura que tinham e gentileza idem, pude usar um computador com MsWord/DOS e ainda imprimir duas dezenas do meu currículo, de sorte que logo arranjei trabalho na área. E este é o ponto: prometi a mim que nunca mais me permitiria faltar um computador, para eu conseguir ganhar a vida no mundo informático, e não mais passar humilhações ao pedir ajuda.

Depois de mais tempo do que eu pretendia, me encorajei e comprei um PC na hoje "falecida" Byte On. Diga-se de passagem que o dito 233/MMX ainda funciona bem na casa de minha irmã com seus infinitos 4,1GB de HD e 32MB de memória, inclusive rodando banda larga. Depois comprei um notebook Compaq de 600MHz/HD10GB/200MB que paguei em suadas 15 prestações. Uma outra vez comprei um P-IV/1,6GHz/HD40/256MB de uma amiga que precisava de grana. Depois comprei outro de 1,8GHz/HD40/1GB pra alugar como servidor remoto em uma empreitada com um cliente. E em outra ocasião me dei de presente no dia dos pais um de 1,8GB/HD40/500MB (atualmente com 2 HDs somando 120GB). Então passei a colecionar .mp3, .avi, .vcd uma infinidade de arquivos de entretenimento. Ainda armazeno nele o backup do meu trabalho que eu copio e transporto do escritório para casa semanalmente.

Com o tempo, todas as máquinas foram turbinadas com acessórios vitais como DVD, gravador de CD, placa de som e outras quinquilharias, cuja falta praticamente impossibilita a vida humana. Essa megabytica posse, aliada à concentração de meu entretenimento musical e visual no computador me trouxe-me outro tipo de preocupação: e se eu perder meus dados? Todo o árduo trabalho de digitalização de LP´s, fitas K7 e de CD´s originais que eu tenho, filmes e afins podem ir para a cucuia, se eu não me precaver com um método de cópias de segurança bem bolado. Me flagrei comprando mentalmente um novo HD de alta capacidade e um case USB para torná-lo móvel e não me ver no inferno frustrante da perda de dados qualquer dia desses. Afinal há uma concreta possibilidade de ¹/999.999 de que todos meus HD´s pifem simultaneamente e, desse modo, eu poderei evitar o suicídio.

Acho mesmo que estou doente. O Leviatã dos bytes se tornou maior, dominou minha mente e eu e já não consigo resistir aos seus apelos para alimentá-lo. Preciso comprar mais coisas para ele. A propósito, amanhã vou na R. Santa Ifigênia. Alguém quer alguma coisa?

sábado, 6 de maio de 2006

Notícia para quem precisa de notícia

Intrigante como a imprensa e a mídia em geral têm poder de fazer pessoas, de todas as classes sociais e níveis de escolaridade, repetirem bordões pelas ruas. Da repetição contante esses mesmos incautos passam a assumir o conteúdo dos bordões como sendo seus. Tornam-se mantras vibrando mentalmente após a repetição.

Para citar um caso corrente, falemos do "sapo barbudo". Antes de tudo, me exclua dos apologistas-zumbis do governo dele. Continuo achando o governo dele uma porcaria. Lamento ver muitos de meus ex-colegas de militância política apresentarem qualquer governante correligionário, como sendo o supra-sumo da governância, pois os exemplos ruins se superam a cada eleição. Só que as minhas críticas ao governo atual são por razões diametralmente opostas às da imprensa burguesa. São motivadas pelo não-cumprimento do ideário original, do fantástico movimento que culminou na eleição do atual presidente. Tenho orgulho de ter militado e construído a História durante as duas décadas passadas. Mas tivesse o programa original do movimento sendo seguido, mesmo que timidamente, aí sim veríamos verdadeiros torpedos nucleares anti-governo na mídia. Quem tá na chuva é pra se molhar. Mas voltando aos pobres diabos repetidores ele sequer sabem no quê e por que estão maldizendo o presidente. Apenas repetem. E à primeira pergunta sobre suas motivações mais profundas, costumam responder coisas como "Ahn... hum... sei lá, viu?". São os mesmos que reclamavam que as vendas estavam ruins porque o dólar estava alto e agora reclamam que as vendas estão baixas porque o dólar está muito baixo. Falta de conhecimento e preguiça mental, se não matam, aleijam o cérebro.

Os indicadores econômicos e sociais atuais são sem sombra de dúvida melhores do dos das últimas duas décadas. Em um país onde infelizmente se permite depender de know-how estrangeiro para tecnologia em geral - de eletroeletrônicos à telecomunicações - ter um dólar em uma banda razoável (2 x 1) permite à inúmeras empresas e lares o acesso à informática, telefonia, entretenimento doméstico e outros, sem os quais não é possível imaginar vida no mundo moderno. Minha modesta planilha de vendas indica hoje que até lojinhas de calçados possuem dispositivos que há cinco anos eram privilégios de grandes empresas multinacionais. Não são estatísticas, são fatos. O nosso paupérrimo crescimento da produção - que já está a esbarrar nos limites do parque energético - é absolutamente positivo, se comparado ao decréscimo que sofremos entre os anos 80 e 90. Os números da ocupação escolar idem. Estamos recuperando o contingente escolar nos níveis básico e médio e aumentaram as vagas de ensino superior. Nossa frota automobilística de passeio rejuvenesceu. A diversidade de marcas de produtos de consumo nas prateleiras traduz um silencioso movimento talibã de pequenas marcas, rumo ao glamour das venda em massa.

Mas os incautos preferem assistir à TV e resumir sua leitura de jornais às manchetes e capas de revista com foto-montagens e ilustrações que mais parecem cartoons de mau gosto. Tudo para não ter o doloroso trabalho do raciocínio crítico. E continuarão repetindo também que "política é assim mesmo" e que os únicos torcedores vândalos são os corinthianos. É mais cômodo.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Carta aberta aos amigos spammers e hoaxers

A você que me ligou perguntando se o Orkut vai ser pago, por gentileza deposite a sua mensalidade na minha conta. Não sabia que me cadastrei como representante do Orkut?

A propósito, o Orkut 2.007 não será enviado por e-mail. Eu sugiro não clicar naquele link contendo um arquivo .exe, nem encaminhar quinhentas mensagens para todos da sua lista. Você não conseguirá nada além de encher o saco de todos. Comigo você conseguiu.

Nenhuma criança internada com doença rara está conectada a um notebook, nem vai ganhar 10 centavos a cada mensagem encaminhada. Tente a tecla [del].

Minha CPU não vai explodir, nem vou ficar impotente, nem minha mãe vai morrer seca se eu não encaminhar essa sua mensagem originada em 1.830 ao norte da França, para revelar as palavras da mãe de Jesus.

Aquele e-mail de recadastramento da sua conta bancária não foi o banco quem mandou. Mas se você quiser preencher os dados do formulário, vai fundo. Boa sorte.

Nenhuma Boysband, Grupo de Pagode, Axé, Funk e afins vai ser extinto a cada cinco mil mensagens encaminhadas. Não seria má idéia, mas infelizmente não é fato.

Eu não vou achar lindo se um coqueiro colorido aparecer ao lado de cada um dos meus contatos, nem se cada um deles ficar com uma cor diferente.

Odeio clicar em peixinhos. Eu tenho vontade de dar um tiro no meu aquário, cada vez que você me manda isso.

Nada, repito: ABSOLUTAMENTE NADA, aparecerá no na tela do seu computador se vc apertar F5, F8, ou todas as 105 teclas simultaneamente, depois de encaminhar alguma de suas mensagens bestas.

Chega de pensar em ganhar dinheiro fácil e vá trabalhar! Essa história de ganhar grana a cada tantas mensagens enviadas, só acontece nas mentes fantasiosas de debilóides vagabundos como você.

O megasuperpowerhiper vírus do ursinho, temido pela McAffe, pela Norton, pela Microsoft e pelo Pentágono não é um vírus, tá? É apenas um arquivo do próprio windows. Como você (talvez, quem sabe) venha a desconfiar, uma vez apagado ele prejudicará algumas funcionalidades do sistema.

E, pela última vez, não repasse nem mesmo este texto para seus quinhentos contatos. Eles têm mais o que fazer do que ler seus e-mails idiotas.