Na noite passada aproveitei que cheguei em casa mais cedo e fui me deitar idem. Não só por cansaço acumulado, mas ocorre que estava sendo televisionada uma partida futebolística muito comentada e eu até que comecei a assistir. Mas as cenas me indicavam algo que eu já esperava. Dos times finalistas, o que estava com vantagem da bela vitória na partida anterior entrou em campo sem nenhum empenho, no melhor estilo "já ganhamos mesmo".
Nada mais traidor e enganador do que cantar a vitória por antecipação. O resto, bem... creio que todos já saibam. Pois este escrevedor, que ainda tem uma estima incurável pelo time paulista finalista, se recusa a assistir a qualquer coisa cujo protagonista apresente má vontade. Seja um show musical, seja uma palestra, missa, aula ou uma partida esportiva. É muito simples: se não está a fim de fazer algo não saia de casa, penso eu. Desse modo, finda primeira e já desonrosa etapa da peleja, desliguei a TV e recolhi-me aos aposentos.
Só que algo me surpreendeu e penso que seja uma estatística de migração nunca antes verificada. É que na capital paulista, ao menos na Zona Leste, a esmagadora maioria da população talvez seja de migrantes especificamente pernambucanos (e ingratos por sinal). Isso explicaria o porquê do foguetório digno de reveillon. Cheguei a cogitar que estivéssemos sendo invadidos pelas FARC. Eliminada a cogitação, voltei à primeira hipótese e desenvolvi uma segunda: podia também ser gentalha, cujos times não apareceram nem no rodapé da classificação. Confirmado isto, eles estariam, digamos assim, ejaculando com os pênises de seus amigos pernambucanos. Duas hipóteses para o estranho foguetório.
Se esta última se confirmar já posso imaginar a cena: na casa de cada pernambucano estariam reunidos torcedores de times não-finalistas. Eles estariam se revezando a massagear os órgãos sexuais dos seus anfitriões. Após o clímax orgásmico destes, os visitantes talvez fizessem outra coisa que não descreverei aqui e saltitariam para o quintal a soltar rojões. Isso, obviamente, enquanto suas esposas terminavam o serviço de agradar aos amigos anfitriões. Tem lógica.
Enfim são hipóteses e, como tais, podem plausivelmente transitar da especulação migratória massiva até versar sobre as preferências sexuais dos soltadores dos rojões. Ou tudo isso junto. Quem há de saber?
SARCASMO, OPINIÃO E TALVEZ ALGUM HUMOR *** AVISO: Se você ler esse blog e for conhecido do Tio Xavier™, poderá se identificar com algum personagem das situações narradas. Esta não é uma obra de ficção. Portanto não terá sido mera coincidência. Tio Xavier™ está pouco se lixando para o que você vai achar. ***
quinta-feira, 12 de junho de 2008
domingo, 8 de junho de 2008
O cãozinho dos teclados
sábado, 7 de junho de 2008
High tech, high score
Prova de História. Ou "Bases Históricas e Filosóficas da Educação" como estabeleceram no currículo. Tio Xavier, que está numa correria lascada no trabalho, não tinha estudado nada. Os textos mofavam na pasta surrada e o livro comprado continuava novinho em folha. Conhecimentos próximos de zero.
Quinta-feira, chego à facu quase na hora da prova. Nem aquela releitura de última hora rolou. Olho em volta e vejo as coleguinhas se matando com papeizinhos, fotocópias reduzidas e coisas assim, vulgarmente conhecidos como "cola". Algo que abomino.
Sem querer entrar no ritmo dos mini-lembretes, o tio pensa, repensa e lembra! Os textos da matéria estavam na conta do GMail. Será que não dava pra acessar as mensagens com o celular - mais exatamente essa maravilha - baixar os textos e deixar no jeito para consultas furtivas na hora das questões? Claro que sim. Apenas um dos textos me faltou e caíram duas perguntas do capítulo. Mas no restante, beleza.
Agora acabo de receber a nota por e-mail. Considerando que eu não sabia a diferença entre Michel de Montaigne e as fábulas de La Fontaine, mais o texto faltante, tirar 8 foi de ótimo tamanho. Ainda mais se me garantiu fechar a média por antecipação.
A tecnologia não é maravilhosa?
Quinta-feira, chego à facu quase na hora da prova. Nem aquela releitura de última hora rolou. Olho em volta e vejo as coleguinhas se matando com papeizinhos, fotocópias reduzidas e coisas assim, vulgarmente conhecidos como "cola". Algo que abomino.
Sem querer entrar no ritmo dos mini-lembretes, o tio pensa, repensa e lembra! Os textos da matéria estavam na conta do GMail. Será que não dava pra acessar as mensagens com o celular - mais exatamente essa maravilha - baixar os textos e deixar no jeito para consultas furtivas na hora das questões? Claro que sim. Apenas um dos textos me faltou e caíram duas perguntas do capítulo. Mas no restante, beleza.
Agora acabo de receber a nota por e-mail. Considerando que eu não sabia a diferença entre Michel de Montaigne e as fábulas de La Fontaine, mais o texto faltante, tirar 8 foi de ótimo tamanho. Ainda mais se me garantiu fechar a média por antecipação.
A tecnologia não é maravilhosa?
quarta-feira, 28 de maio de 2008
À espera de um milagre
Sabe essas coisas que você faz sem saber o porquê? Então, eu continuo acessando a conta bancária todas as manhãs. Não há nenhum crédito previsto para cair nela, mas eu acesso e vejo lá o saldo. Enquanto isso:- O ponteiro do combustível do meu carro está próximo de uma marca vermelha assinalada com "R".
- O meu Bilhete Único da SPTrans está com menos de dez reais.
- Na minha carteira não há sequer uma nota velha de um real.
- Apenas um pequeno baú de enfeite na minha mesa parece ter umas moedinhas. Não devem passar de três reais e pouco.
Vou me sucidar e já volto.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Abaixo da linha da pobreza
Quando você ler estatísticas do IBGE e da ONU dizendo que X% da população brasileira encontram-se abaixo das condições mínimas de sobrevivência, considere incluído o Tio Xavier.
Dúvidas? Veja meu extrato bancário de hoje (e dos próximos 20 dias).
Dúvidas? Veja meu extrato bancário de hoje (e dos próximos 20 dias).
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Os donos da verdade
A Justiça da Bahia determinou o recolhimento, em Salvador, de todos os exemplares de um livro escrito pelo padre Jonas Abib, fundador da comunidade católica Canção Nova, ligada à Renovação Carismática. A acusação é de “ofensa contra as formas de espiritismo”. Não me cabe comentar sobre os aspectos da lei 7716 de 1989, posto não ser eu sequer um reles rábula. Mas cabe-me sim, como pensador, ir um pouco mais no cerne.O imperativo ético deveria ser a base do pensamento dos homens auto-proclamados religiosos, que vivem a pregar - e vivem de pregar - as palavras dos seus deuses e santos. Palavras essas que não cansam de afirmar serem de amor, de fraternidade e uma extensa lista de virtudes. Se fossem praticadas minimamente em nosso mundo, não teríamos um décimo das barbáries que vemos por aí.
Ocorre que ao invés das belas virtudes acima, a pregação proselitista é recheada de preconceito e soberba. O septuagenário Pe. Jonas, a quem tive oportunidade de conhecer na década de 80, é uma pessoa visivelmente carismática no que tange a comunicação interpessoal. Pena que não se possa dizer o mesmo de sua reflexão pseudo-teológica. Com seu sorriso fácil e belas palavras engatilhadas, há coisa de três décadas Jonas Abib capitaneou a origem do que seria um dos mais fervorosos movimentos contemporâneos dentro do Catolicismo: a Renovação Carismática Católica.
Inspirada no neo-pentecostalismo protestante estadunidense da década de 60, a RCC enxertou no seio do catolicismo ritos e práticas até então estranhos aos católicos, tais como transes espirituais, oração em línguas estranhas, curas por imposição da mãos e outras coisas baseadas na epístola de Paulo aos fiéis de Corinto, quando o apóstolo explanou sobre os dons espirituais concedidos pelo deus dele. Como tempero, a RCC incentivou a leitura da bíblia cristã, dentro de uma perspectiva muito particular de interpretação self-made, tão assistemática quanto intimista.
Se a RCC teve algum mérito em si, terá sido o de possibilitar que os leigos desenvolvessem um sentimento de acesso ao divino de forma mais democrática e menos mediada. Nas noções pregadas por eles, os fiéis têm acesso a diferentes manifestações divinas, sem a mediação da hierarquia clerical. Embora pareça uma grande ruptura de paradigma, essa democratização teve seu lado estratégico, pois deu sustentabilidade e credibilidade ao movimento entre os leigos. Vale dizer que a RCC foi muito rejeitada e perseguida pela imensa maioria dos clérigos, sobretudo pelos bispos, resultando até em casos de apostasia e constituição de seitas por parte dos mais exacerbados. Mas gradualmente, através de uma estratégia de médio prazo, muitos dos jovenzinhos aderentes à RCC foram sendo ordenados padres e então com esses neo-padres, o movimento passou a contar com apoio clerical significativo. Destaque-se o padre-dançarino e ator Marcelo Rossi. O pioneiro Pe. Abib já não estava mais só.
Nos dias de hoje a RCC conseguiu firmar-se como um pequeno império à parte da hierarquia católica. Com ou sem permissão episcopal, a entidade passou a ser holding de algumas dezenas de empresas rentáveis que incluem editoras, gravadoras, estações de rádio e até uma emissora de TV, cuja sede situa-se na cidade de Cachoeira Paulista. É impressionante o adesismo massivo de fiéis, inclusive de classes média e alta. Sabe-se que muitos deles entregam o controle dos seus negócios para procuradores da entidade, engrossando os canais de receita financeira do movimento. Uma visita a uma espécie de "vila-comunidade" que a RCC mantém em Cachoeira, pode revelar coisas intrigantes como o fato de profissionais liberais, industriais e comerciantes abandonarem tudo (nas mãos de procuradores da RCC, claro) em troca de viverem na tal comunidade, andando de chinelos de dedo (nada contra estes) e esboçando um ar entorpecido de felicidade pela atitude escolhida. É tentador traçar um paralelo com o concorrente Edir Macedo, nas suas "correntes dos empresários", pois as práticas de despojo e expropriação voluntária são muito semelhantes.
Seria muito ingênuo ignorar que por trás dos umbrais de fé da RCC há uma elite controladora, intelectualmente dotada e bem articulada, como por exemplo o administrador, marqueteiro, compositor e cantor Antônio Kater, autor de análises teo-mercadológicas como: "Jesus pegou o mesmo produto (...) e reposicionou o mercado". Nenhum movimento nasce, cresce e enriquece devido ao reconhecimento divino, como podem alardear seus mentores. A gênese e dinâmica das instituições já foi dissecada por Berger em "A Construção Social da Realidade". Qualquer concessão ao discurso divinista configura-se em uma falácia de premissas e ocultação dos mecanismos materiais da expansão da RCC. Tire-se da RCC os seus mentores, seus escritórios, suas contas bancárias e seus negócios e ver-se-á que o espírito divino não lhes será suficiente para manter o que fora construído.
Contudo estamos no mundo dos negócios. Sem questionarmos as premissas do capital, não há como analisarmos os empreendimentos religiosos. Como quaisquer outras aziendas, os negócios da fé vendem produtos e serviços. Compra quem quer. Apenas que para as coisas do âmbito sobrenatural não há nada que possa ser reclamado com base no Código de Defesa do Consumidor. Se os legisladores se despissem da hipocrisia que permeia a elaboração de algumas leis, os negócios religiosos poderiam ser melhor regulamentados, em vez de correrem soltos e sem tributação, como praticamente ocorre.
A parte mais descarada desses movimentos religiosos quando se institucionalizam é a forma com que vão abandonando o caráter virtuoso e caridoso pregado originalmente, para assumir sua posição sobre a fé alheia: a intolerância. É nesse veio que o livro do senhor Abib cava seu quinhão ao afirmar coisa como: "O demônio (...) hoje se esconde nos rituais e nas práticas do espiritismo, da umbanda, do candomblé". Nada no campo da literatura religiosa pode ser mais podre e preconceituoso do que afirmar coisas desse gênero.
O mais intrigante é que grande parte da literatura proselitista gasta páginas e laudas não para enaltecer as virtudes da própria religião ou seita, senão para acusar, incriminar e satanizar a alheia. É como se tivessem chegado ao limiar da capacidade de cooptação dos não-religiosos e o seu crescimento dependesse tão somente da destruição das manifestações concorrentes. Nesse estágio, parte-se fácil para o tudo ou nada valendo o tudo, incluindo a demonização do outro. Lembra aqueles torneios ilegais de luta, nos quais a única norma é submeter o adversário até o abate.
Tão medíocre quanto vergonhoso é lançar mão de expedientes desrespeitosos, quando o objeto imediato é o ataque à religião alheia, mediando interesses inconfessáveis de grupos particulares. Se eu fosse kardecista, umbandista ou candomblecista iria sim às vias judiciais contra o arremedo de livro do padre.
No mais, sou solidário a todos que se sentiram ofendidos com as prevaricações da pretensa obra teológica. O direito de um termina nas fronteiras do respeito ao direito alheio, que inclui manifestação filosófica, cultural e credo. Tudo o mais é arrogância e prepotência, indignas do que se poderia entender como fé sincera. A intolerância é hipócrita por si só.
Outra injustiça
Dessa vez foi com um ex-BBB. O nome do sujeito eu não lembro, mas sei que o pobre rapaz foi parar na delegacia, por conta de uma confusão com um travesti. Agora atenção para as versões:
Segundo o ex-quase célebre BBB, o travesti teria furtado as chaves do carro dele em uma topada na calçada, no estilo trombadinha. Então ele correu atrás do gatuno de salto alto e o agrediu para reaver suas chaves. Um típico caso de punguismo. Mais tarde na delegacia foi constatado que o travesti havia estado dentro do carro por um bom tempo com o suposta vítima, quiçá praticando atos lascivos. A história do roubo foi considerada mal contada e o BBB (Bichona Beijadora de Boneca) explicou que não sabia se tratar de um travesti, pensando ser uma linda mulher. No caso o BBB protagonizaria o Richard Gere da boca do lixo.
O travequinho de dezessete anos foi mais suscinto: disse que o ex-BBB teria usufruído dos serviços íntimos dele dentro do carro e se recusava a remunerar os cinqüenta reais como contraprestação. O travequinho teria sacado a chave do contato e saído correndo desesperado em busca de ajuda extra-judicial para a cobrança. Foi quando o caloteiro o alcançou e agrediu.
Temos todos os motivos do mundo para acreditar no pobre rapaz do reality show. Basta desconsiderar:
a) As falsas acusações do traveco que dizia conhecer até peculiaridades estéticas e anatômicas do BBB com riqueza de detalhes.
b) Que o BBB era freqüentador da região da rua Rego Freitas e esta é uma área de trottoir de travestis. Isso não tem nada a ver com a questão.
c) Que o travequinho mirim é feio de dar dó e, na remota hipótese de ser confundido com uma moça de família perdida na cidade, seria no máximo uma baranga daquelas bem ruins.
A verdade é que o BBB ao errar o caminho de casa ficou rodando em círculos pela região. E durante esse tempo achou que aquelas criaturas lindas e exuberantes de minissaia nas calçadas eram mulheres, jamais homens grotescamente fantasiados.
Em tempo: Advogados do craque Ronaldo "Felômeno" acabaram de afirmar à imprensa que vão processar o BBB por violação de direitos autorais.
Segundo o ex-quase célebre BBB, o travesti teria furtado as chaves do carro dele em uma topada na calçada, no estilo trombadinha. Então ele correu atrás do gatuno de salto alto e o agrediu para reaver suas chaves. Um típico caso de punguismo. Mais tarde na delegacia foi constatado que o travesti havia estado dentro do carro por um bom tempo com o suposta vítima, quiçá praticando atos lascivos. A história do roubo foi considerada mal contada e o BBB (Bichona Beijadora de Boneca) explicou que não sabia se tratar de um travesti, pensando ser uma linda mulher. No caso o BBB protagonizaria o Richard Gere da boca do lixo.
O travequinho de dezessete anos foi mais suscinto: disse que o ex-BBB teria usufruído dos serviços íntimos dele dentro do carro e se recusava a remunerar os cinqüenta reais como contraprestação. O travequinho teria sacado a chave do contato e saído correndo desesperado em busca de ajuda extra-judicial para a cobrança. Foi quando o caloteiro o alcançou e agrediu.
Temos todos os motivos do mundo para acreditar no pobre rapaz do reality show. Basta desconsiderar:
a) As falsas acusações do traveco que dizia conhecer até peculiaridades estéticas e anatômicas do BBB com riqueza de detalhes.
b) Que o BBB era freqüentador da região da rua Rego Freitas e esta é uma área de trottoir de travestis. Isso não tem nada a ver com a questão.
c) Que o travequinho mirim é feio de dar dó e, na remota hipótese de ser confundido com uma moça de família perdida na cidade, seria no máximo uma baranga daquelas bem ruins.
A verdade é que o BBB ao errar o caminho de casa ficou rodando em círculos pela região. E durante esse tempo achou que aquelas criaturas lindas e exuberantes de minissaia nas calçadas eram mulheres, jamais homens grotescamente fantasiados.
Em tempo: Advogados do craque Ronaldo "Felômeno" acabaram de afirmar à imprensa que vão processar o BBB por violação de direitos autorais.
domingo, 18 de maio de 2008
Cada um no seu quadrado
Antes de mais nada, note a complexidade fonética, gramatical e geométrica do refrão:
Quando imagina-se que a cultura tenha chegado ao fundo do poço, com os pais achando lindo suas crianças fazendo as cinco velocidades do créu, desponta no cenário uma nova modinha: ninguém menos do que a fenomenal e poética compositora Sharon Acyoli Arcoverde, direto de Porto Seguro, com a sua "Dança do Quadrado".
Depois disso alguns ainda têm a coragem de amaldiçoar o reitor Antônio Dantas pelas constat... (ops!) - digo - opiniões pessoais que divulgou na imprensa. Na dúvida da polêmica, veja você mesmo.
"A-ado, a-ado, cada um no seu quadrado.
A-ado, a-ado, cada um no seu quadrado."
Depois disso alguns ainda têm a coragem de amaldiçoar o reitor Antônio Dantas pelas constat... (ops!) - digo - opiniões pessoais que divulgou na imprensa. Na dúvida da polêmica, veja você mesmo.
sábado, 17 de maio de 2008
Nunca antes na história deste país
Jamais, em tempo algum, um governo teve uma idéia tão inédita, tão criativa e tão inusitada para alavancar os serviços de saúde pública.
Saibam todos que o nosso chefe de Estado-Maior está avaliando a possibilidade de criar um imposto que incidirá sobre todas as movimentações financeiras, cuja arrecadação resolverá de uma vez por todas os problemas do SUS.
Cada vez que um correntista tirar dinheiro de uma conta bancária, o Banco Central aplicará um fator percentual, taxando a movimentação e recolhendo como "contribuição". Assim, quem movimenta mais contribui mais. Quem movimenta menos contribui menos. E todos se beneficiam.
Não é impressionante?
Saibam todos que o nosso chefe de Estado-Maior está avaliando a possibilidade de criar um imposto que incidirá sobre todas as movimentações financeiras, cuja arrecadação resolverá de uma vez por todas os problemas do SUS.
Cada vez que um correntista tirar dinheiro de uma conta bancária, o Banco Central aplicará um fator percentual, taxando a movimentação e recolhendo como "contribuição". Assim, quem movimenta mais contribui mais. Quem movimenta menos contribui menos. E todos se beneficiam.
Não é impressionante?
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Uma escritora promissora
A cria, com sete anos incompletos, estava lendo um livro com uma estória sobre uns animais e uma festa. Reclamou-me que a estória não estava legal, que podia ser diferente, etc.. Eu disse que então, se ela quisesse, poderia escrever a própria estória dela. Minutos depois veio com o resultado. A tradução segue logo após.
Festa na Floresta:
Um dia na floresta, o macaco, o tucano, a tartaruga, o veado, a onça pintada, a pantera e os pássaros foram visitar a tataravó e voltaram perdidos.
E voltaram para a casa do tataravô*. (*A autora explicou que eles mudaram a rota na volta)
Estava escurecendo e não tinha nada pra comer. De dia encontrariam a sua casa.
Agora acabou a estória. Agora fim.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Os assassinos
Eu me prometo todos os dias que não postarei sobre o óbvio, no caso o assassinato da Isabella. Mas eu me rendo. Assista a entrevista abaixo e tente entender o porquê de o infanticida ter prestado SETE VEZES o exame da OAB sem conseguir passar. O Rafinha explica.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Novos Nikes
Depois do episódio lamentável do seu garoto-propaganda com travestis, os marketeiros da Nike resolveram capitalizar em cima. Vão fazer dos limões, limonadas. Nada de lamúrias, agora tudo é alegria.
Esse é o novo modelito já pensado para as passeatas GLS:
terça-feira, 29 de abril de 2008
Maldosos
As pessoas simplesmente não entendem. Basta olhar para os traços delgados e femininos desse ser para compreender que o Ronaldo foi ludibriado. Ele pensou se tratar de uma tremenda morena gostosa.Vocês leitores não têm idéia das maldades tive que ouvir hoje pelas ruas. Houve até quem dissesse que o fenômeno teria se interessado em novas experiências sexuais mas se assustara ao verificar as proporções avantajadas do... Olha gente, nem tenho coragem de repetir o que ouvi. Achei quase uma blasfêmia.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Çauven ha inducassaõ
Já expliquei anteriormente do que se tratam essas telas.
Atenção para mais essa pérola:
Atenção para mais essa pérola:
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Da série: O especialista
Episódio de hoje: The Assets Manager
Segundo lendas indígenas essa história foi publicada em um site sobre finanças e investimentos. Como não estou com tempo pra pesquisar, resolvi publicá-lo assim mesmo, pois se não é verdade está bem contado.
Diz a lenda que uma mulher escreveu para um site financeiro pedindo dicas sobre como arrumar marido rico. Só isso já é insólito, mas o melhor da história é que um cara, possivelmente um economista ou investidor, deu a ela uma resposta bem fundamentada no fórum.
Mensagem dela :
"Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste site? Ou esposas de gente que ganhe isso? Vocês poderiam me mandar algumas dicas?
Namorei um homem de negócios que ganha por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso e 250 mil não vão me fazer morar em Central Park West.
Conheço uma mulher da minha aula de ioga que casou-se com um banqueiro e vive em Tribeca, e ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que ela fez de certo que eu não fiz? Como eu chego ao nível dela?
Grata,
Fulana de Tal."
Resposta do sujeito que postou:
"Li seu anúncio com grande interesse, pensei cuidadosamente sobre seu dilema e fiz uma análise da situação. Primeiramente, não estou gastando seu tempo, pois me qualifico como um homem que atende seu orçamento; ou seja, eu ganho mais de 500 mil por ano.
Isto posto, considero os fatos da seguinte forma: sua oferta, quando vista da perspectiva de um homem como eu, é simplesmente um péssimo negócio. Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples. Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro. Ótimo, fácil.
Mas tem um problema. Sua aparência vai se acabar e meu dinheiro vai continuar existindo, perpetuamente. De fato, é bem possível que meus rendimentos aumentem, mas é certeza absoluta o fato que você não vai ficar nem um pouco mais bonita!
Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos. Você não somente sofre depreciação como esta depreciação é progressiva, sempre aumenta! Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar gostosa pelos próximos 5/10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. O fim de sua aparência começa cedo e em alguns anos você já estará acabada!
Então, usando o linguajar de Wall Street, nós a chamaríamos de 'trading position' (posição para comercializar), e não de 'buy and hold' (compre e retenha), que é o que você deseja... daí o problema casamento. Não faz sentido, do ponto de vista de negócios, 'comprar' você (que é o que você quer), portanto prefiro alugá-la.
Se você estiver pensando que estou sendo cruel, eu tenho a dizer o seguinte: se meu dinheiro vai se acabar, você também vai. Então, quando sua beleza se esvair eu tenho que ter uma opção de saída. É simples assim. Um negócio razoável, portanto, é um namoro, e não casamento.
Paralelamente a isso, bem no início da minha carreira me ensinaram sobre mercados eficientes. Assim, eu me pergunto como uma garota 'articulada, com classe e maravilhosamente linda' como você se diz, ainda não achou seu tio Sukita. Acho difícil acreditar que você é tão bonita quanto diz e os 500 mil dólares ainda não te encontraram, nem que fosse pra um 'test drive'.
Por sinal, sempre há um jeito de você descobrir como ganhar dinheiro por conta própria, para que não precisemos ter essas conversas difíceis.
Com tudo isso dito, devo dizer que você está tentando da maneira certa. É a clássica 'capitalização via golpe do baú'. Espero que tenha sido útil e, se quiser negociar um contrato de aluguel, fale comigo.
Atenciosamente,
Beltrano.
Mais direto, impossível. Clap your hands, everybody.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Padre sobe aos céus
"O religioso queria voar durante 20 horas, mas o mau tempo levou-o em direção ao mar de Santa Catarina. As buscas aéreas e marítimas concentram-se a cerca de 30 quilómetros da costa, na aérea onde o padre terá feito o último contato..." conforme O Globo."Um vôo de balão que serviria para chamar a atenção para a causa dos caminhoneiros e para bater um recorde, acabou em desespero. O padre Adelir Antônio de Carli, membro da Pastoral Rodoviária, levantava vôo com um balão formado por 1 mil balões de gás hélio, quando o vento surpreendeu e levou o sacerdote para o caminho oposto ao desejado..." de acordo com o JB Online.
Um cara desses merece o prêmio Darwin Awards, por contribuir para a seleção da espécie. Ao menos depois dele talvez surjam padres mais providos intelectualmente. Oito anos de faculdade (Teologia e Filosofia) para isso. Nem precisa pegar a caixa-preta dos balões pra analisar a defecada. Ocorre que ele era da Pastoral Rodoviária. Logo, não entendia nada de Pastoral Aérea. Saiu das suas atribuições pastorais.
Caso a Guarda Costeira ou os Bombeiros não o achem, podemos transformá-lo no primeiro padre assunto aos céus com balões. Sabe-se que o profeta Elias foi em uma carruagem de fogo. A mãe de Jesus, segundo a tradição católica, foi levada por anjos. Mas o padreco Adelir... De qualquer modo ele entrará para a História como sendo o único padre que foi para o céu. Ao menos enquanto durou o gás.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Drops DVD: Diários de Motocicleta
Depois de um século, aluguei "Diários". Já sabia que veria um Ernesto "Che" Güevara pré-Baía dos porcos. Um jovem nada tão politizado que vai apenas para uma aventura que muitos de nós fantasia e fica só nesta. A odisséia dos malucos consegue misturar o mítico com o lúdico, embora trate-se de uma viagem real.O filme é essencialmente fotográfico. Mostra lindas paisagens da América do Sul e segue o roteiro de viagem de Ernesto e seu amigo Alberto Granado. Só por isso vale à pena. Filme de Walter Salles (de Central do Brasil e Abril Despedaçado) se não surpreende pelo enredo, posto não ser dele exatamente, faz a diferença por fugir um pouco do Che mitológico. Muito embora pareça justificá-lo, na medida em que enfatiza as experiências do jovem Ernesto com uma América de contrastes sociais mostrando Ernesto indignado com o que vê.
Diários de Motocicleta na minha abalizada opinião de crítico não merecia esse nome. Não faz sentido porque a tal motocicleta teve falência múltipla dos órgãos durante o primeiro terço da viagem. Devia se chamar "Diários a Pé". Mas justifica a locação. Bacana. Bom entretenimento.
O dia da marmota
Sabe aqueles dias em que você sabe que tem uma porrada de coisas chatas pra fazer em casa, como pequenos consertos, fixação de prateleiras, levar arquivo morto da empresa pro sótão de casa, instalar suporte de televisor na parede e coisas suuuuuuperlegais assim?
Pois é. Não tente fazer isso em sua casa. As pessoas que o fazem são profissionais treinados, supervisionados pelo Corpo de Bombeiros e assistidos por paramédicos de plantão com helicóptero da propaganda do plano de saúde. Se você ignorar este aviso e tentar, a estante será alta demais para a altura disponível no sótão, os furos que você fará para fixar o suporte de televisor ficarão fora de posição e no fim você só terá dado mau-jeito nas costas e sujado a casa inteira com 300Kg de pó do sótão. Paradoxalmente tudo para nada. O resultado será zero. Ou negativo.
Daí você passará o resto do dia de bode. Sua mulher ficará de cara feia reclamando da sujeira. Óbvio que ela não se lembrará que foi ELA quem lhe encheu a paciência para você tirar as merdas de caixas de arquivo-morto do corredor. Se ainda assim você em vez de ir dormir tentar assar uma picanha no forno ela ficará dura como um músculo, mesmo sendo maturada e embalada à vácuo; cozinhará arroz e ficará sem gosto. Sua filha ficará torrando pra você levá-la pra andar de bicicleta e começará a chover.
Por isso mande esta mensagem para o máximo de pessoas possível com o título "ALERTA URGENTE: DIA DE BODE". Não quebre esta corrente.
Pois é. Não tente fazer isso em sua casa. As pessoas que o fazem são profissionais treinados, supervisionados pelo Corpo de Bombeiros e assistidos por paramédicos de plantão com helicóptero da propaganda do plano de saúde. Se você ignorar este aviso e tentar, a estante será alta demais para a altura disponível no sótão, os furos que você fará para fixar o suporte de televisor ficarão fora de posição e no fim você só terá dado mau-jeito nas costas e sujado a casa inteira com 300Kg de pó do sótão. Paradoxalmente tudo para nada. O resultado será zero. Ou negativo.
Daí você passará o resto do dia de bode. Sua mulher ficará de cara feia reclamando da sujeira. Óbvio que ela não se lembrará que foi ELA quem lhe encheu a paciência para você tirar as merdas de caixas de arquivo-morto do corredor. Se ainda assim você em vez de ir dormir tentar assar uma picanha no forno ela ficará dura como um músculo, mesmo sendo maturada e embalada à vácuo; cozinhará arroz e ficará sem gosto. Sua filha ficará torrando pra você levá-la pra andar de bicicleta e começará a chover.
Por isso mande esta mensagem para o máximo de pessoas possível com o título "ALERTA URGENTE: DIA DE BODE". Não quebre esta corrente.
"Nada está tão ruim que não possa ser piorado um pouco." (Cel. Murphy)
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Sem discução
domingo, 13 de abril de 2008
Uma no cravo, outra no casco
Nunca antes na história deste país um presidente conseguiu a façanha de superar a máxima "uma no cravo, outra na ferradura". A expressão, até onde eu soube, aludia a ferreiros com habilidades limitadas para ferrar um cavalo. Em vez de dar as marteladas todas nos cravos de fixação, erravam e acertavam na ferradura, prejudicando inclusive a estabilidade dos cravos já inseridos.
A analogia da ferradura agora aplica-se com perfeição ao senhor Luís Inácio. Ele aprovou semana passada, em uma só canetada, a manutenção do hediondo imposto sindical obrigatório e a desobrigação de as entidades sindicais prestarem contas aos tribunais públicos. No mês de março um dia cheinho continuará a ser arrancado de seu bolso à força e irá direto para o bolso dos sindicalistas. E estes poderão continuar gastando como bem entenderem, inclusive para promover prejuízos aos que eles supostamente representam. O chefe da nação teria ainda dito que a fiscalização dos sindicatos cabia aos trabalhadores. Concordo em parte. Mas, no quadro atual, tente você ir a uma assembléia do seu sindicato e pedir balancetes ou comprovantes de gasto.
A contradição do ato não tem precedentes. O Estado encarrega-se do serviço sujo de usurpar o dinheiro, mas tira o seu da reta ao desonerar-se da fiscalização. Dessa forma ex-sindicalista Lula matou dois coelhos com uma só cajadada na cabeça do trabalhador: manteve o atrelamento dos sindicatos com o Governo, processo desencadeado na primeira fase do governo de Vargas, e traiu uma das principais bandeiras dos trabalhadores na década de 80 que era o fim do imposto sindical obrigatório.
Para quem não sabe, os sindicatos até meados da década de 80 ou eram dirigidos por interventores nomeados pelo Governo ou tutelados por dinastias legitimadas por processos eleitorais chulos e podres. Embora, segundo Lênin, toda eleição seja fraudulenta, o feito dos operários do ABC paulista ao constituírem a CUT foi pomposo e importante: retomou os processos eleitorais interrompidos pela ditadura e varreu os interventores. Representou a possibilidade de ruptura com o aparelhamento governamental dos sindicatos de até então. Faltava extinguir o imposto sindical.
Berger em "A construção social da realidade" sabiamente dissecou a dinâmica das instituições. Segundo ele, elas nascem a partir de propósitos humanos fundamentais, depois se institucionalizam e em dado momento tomam assumida postura de dirigir a maior parte dos seus esforços para a sua perpetuação, como resultante do seu processo de burocratização. Com a CUT não havia de ser diferente. O que foi no passado um legítimo canal de expressão dos operários, ao longo do tempo foi se especializando e aperfeiçoando na criação de castas de burocratas profissionais que se fossilizaram nas suas estruturas. Ainda mais hoje, com o representante que melhor expressa os anseios de 1.980 ocupando o maior posto executivo do país. Seria de se estranhar que a CUT continuasse a dar vazão às necessidades mais legítimas do operariado. Naturalmente ela foi sendo ocupada por contra-revolucionários e conciliadores das piores espécies.
Se no passado, o PT e a CUT foram os braços político e sindical do movimento popular, hoje já não passam de meros tentáculos do estado burguês. Ou alguém acredita que Lula ocuparia o posto que ocupa, sem ser por consenso entre as elites coronelistas, os representantes do imperialismo e burguesia urbana acovardada? Óbvio que não. O status-quo se alimenta do refreamento dos movimentos sociais acabrestados por dirigentes canalhas. A esses dirigentes o prêmio pelos bons serviços prestados "à nação": muita grana confiscada do trabalhador e nenhuma conta para prestar.
Pra eles, melhor que isso só os dois disso. Lula concedeu-lhes ambos. Às nossas custas.
A analogia da ferradura agora aplica-se com perfeição ao senhor Luís Inácio. Ele aprovou semana passada, em uma só canetada, a manutenção do hediondo imposto sindical obrigatório e a desobrigação de as entidades sindicais prestarem contas aos tribunais públicos. No mês de março um dia cheinho continuará a ser arrancado de seu bolso à força e irá direto para o bolso dos sindicalistas. E estes poderão continuar gastando como bem entenderem, inclusive para promover prejuízos aos que eles supostamente representam. O chefe da nação teria ainda dito que a fiscalização dos sindicatos cabia aos trabalhadores. Concordo em parte. Mas, no quadro atual, tente você ir a uma assembléia do seu sindicato e pedir balancetes ou comprovantes de gasto.
A contradição do ato não tem precedentes. O Estado encarrega-se do serviço sujo de usurpar o dinheiro, mas tira o seu da reta ao desonerar-se da fiscalização. Dessa forma ex-sindicalista Lula matou dois coelhos com uma só cajadada na cabeça do trabalhador: manteve o atrelamento dos sindicatos com o Governo, processo desencadeado na primeira fase do governo de Vargas, e traiu uma das principais bandeiras dos trabalhadores na década de 80 que era o fim do imposto sindical obrigatório.
Para quem não sabe, os sindicatos até meados da década de 80 ou eram dirigidos por interventores nomeados pelo Governo ou tutelados por dinastias legitimadas por processos eleitorais chulos e podres. Embora, segundo Lênin, toda eleição seja fraudulenta, o feito dos operários do ABC paulista ao constituírem a CUT foi pomposo e importante: retomou os processos eleitorais interrompidos pela ditadura e varreu os interventores. Representou a possibilidade de ruptura com o aparelhamento governamental dos sindicatos de até então. Faltava extinguir o imposto sindical.
Berger em "A construção social da realidade" sabiamente dissecou a dinâmica das instituições. Segundo ele, elas nascem a partir de propósitos humanos fundamentais, depois se institucionalizam e em dado momento tomam assumida postura de dirigir a maior parte dos seus esforços para a sua perpetuação, como resultante do seu processo de burocratização. Com a CUT não havia de ser diferente. O que foi no passado um legítimo canal de expressão dos operários, ao longo do tempo foi se especializando e aperfeiçoando na criação de castas de burocratas profissionais que se fossilizaram nas suas estruturas. Ainda mais hoje, com o representante que melhor expressa os anseios de 1.980 ocupando o maior posto executivo do país. Seria de se estranhar que a CUT continuasse a dar vazão às necessidades mais legítimas do operariado. Naturalmente ela foi sendo ocupada por contra-revolucionários e conciliadores das piores espécies.
Se no passado, o PT e a CUT foram os braços político e sindical do movimento popular, hoje já não passam de meros tentáculos do estado burguês. Ou alguém acredita que Lula ocuparia o posto que ocupa, sem ser por consenso entre as elites coronelistas, os representantes do imperialismo e burguesia urbana acovardada? Óbvio que não. O status-quo se alimenta do refreamento dos movimentos sociais acabrestados por dirigentes canalhas. A esses dirigentes o prêmio pelos bons serviços prestados "à nação": muita grana confiscada do trabalhador e nenhuma conta para prestar.
Pra eles, melhor que isso só os dois disso. Lula concedeu-lhes ambos. Às nossas custas.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
segunda-feira, 31 de março de 2008
Her, her comes

Essa jóia imaginária da indústria automobilística, jamais antes construída é nada menos do que o lendário Match-5 em tamanho real. Concebido no Japão durante a década de 60 para o desenho animado Speed Racer, o M-5 é capaz de peripécias que fariam Henry Ford se sentir um babaca com seu tôsco Ford-T. Neste fim de semana o M-5 estava em exposição em no Shopping SPMarket em Sampa. Que viu, viu. Porque a estas horas já foi embora.
A réplica, para um especialista como o tio que decorou até as falas dos episódios, poderia ser bem melhor. A começar pela ausência dos botões alfabéticos no volante. No desenho eles fazem toda a diferença, já que acionam as traquitanas mecânicas e eletrônicas mais fantásticas. Porém, para quem passou a infância sonhando em possuir o M-5 e ser o próprio Speed Racer, poder ver de perto e fotografar seu sonho é perto de impagável. Foi por isso que atravessei a cidade (cerca de 150Km ida e volta) só para tirar fotos.
Se você tem menos de vinte e cinco anos ou mais de quarenta e cinco, por razões diferentes talvez não conheceu Speed Racer e seu fabuloso Match-5. Veja o vídeo abaixo, da abertura da série original. Uma viagem. Espero que o filme, que chegará à nossas telonas daqui dois meses, não peque por excesso de computação gráfica. O desenho, nem tão animado assim, com um visual tosco encantou toda uma geração de garotos. Como o tio há algumas décadas.
A réplica, para um especialista como o tio que decorou até as falas dos episódios, poderia ser bem melhor. A começar pela ausência dos botões alfabéticos no volante. No desenho eles fazem toda a diferença, já que acionam as traquitanas mecânicas e eletrônicas mais fantásticas. Porém, para quem passou a infância sonhando em possuir o M-5 e ser o próprio Speed Racer, poder ver de perto e fotografar seu sonho é perto de impagável. Foi por isso que atravessei a cidade (cerca de 150Km ida e volta) só para tirar fotos.
Se você tem menos de vinte e cinco anos ou mais de quarenta e cinco, por razões diferentes talvez não conheceu Speed Racer e seu fabuloso Match-5. Veja o vídeo abaixo, da abertura da série original. Uma viagem. Espero que o filme, que chegará à nossas telonas daqui dois meses, não peque por excesso de computação gráfica. O desenho, nem tão animado assim, com um visual tosco encantou toda uma geração de garotos. Como o tio há algumas décadas.
domingo, 30 de março de 2008
Moção de repúdio: Livros no lixo em Sampa
Venho por meio desta manifestar a ojeriza com que li a notícia do JT de 1º/02/08, republicada na revista Nova Escola de março. Já faz umas boas semanas, mas acreditam que seja possível a direção de uma escola pública jogar no lixo dezenas de livros em bom estado? Isso é muito sério! Como não gosto de palavras ao vento, seguem os dados do estabelecimento:
Resumindo, a escola ensacou e depositou em uma calçada nas proximidades algo como QUATROCENTOS LIVROS diversos, incluindo obras literárias clássicas e autores de renome. Moradores encontraram o descarte cultural, recolheram e denunciaram o fato. Parabéns para todos os vizinhos.
A desculpa dada pela vice-diretora-bucha-de-canhão (o diretor ou diretora na ocasião tomou Doril) foi que os livros e o armário respectivo tinham sido atacados por insetos da espécie wababeelooba-wabenboon. No iluminado pensamento educacional dos (ir)responsáveis, os livros não tinham mais utilidade. Contudo, os moradores que recolheram os sacos comprovaram a mentira. Quase tudo estava em bom estado. O material foi reconduzido à SME e diz uma lenda que foi aberta uma sindicância para apurar os fatos. Só mais um detalhe: ao contrário os livros, o armário onde estiveram não foi descartado nem estava infectado. Talvez serviria para guardar pertences pessoais, acessórios de sex-shop, vídeos pornôs e sabe-se lá mais o quê.
Reflitamos: que merda de coordenadores educacionais em sã consciência jogam fora livros? Talvez preguiçosos da mais irrelevante qualidade. Desses que fajutam os planos educacionais da escola com firulas e parágrafos prolixos, mantém os pais o mais longe possível da escola e simulam ensinar. Quem sabe profissionais sem Ética e de Moral deficiente, incapazes de incentivar a leitura aos alunos. Desses que fingem ser educadores, quando vivem nas tetas do Estado, amparados pelo concurso público. Seres aproveitadores dos mecanismos de aprovação automática que - imaginam eles - os desoneram da responsabilidade da repetência escolar. Gente que pouco se importa se uma criança ingressa na escola, paga com os suados impostos dos cidadãos, e dela sai após o fim do Ensino Fundamental sem sequer saber escrever uma frase sucinta ou compreender um conto dos Irmãos Grimm (que também estavam no lixo).
Gentalha desse tipo merece, no máximo, engrossar as fileiras dos programas bolsa-miséria, almoçar no Bom Prato e pedir bilhete de desempregado nas filas da SPTrans, pra não dizer outras coisas.
Eu sentiria vergonha de olhar para um aluno por muito menos que isso. A propósito, alguém saberá dizer se os crápulas foram punidos? Agradeço informações.
Escola Municipal Professora Ruth Lopes de Andrade
Rua Jundiapeba, 177 - Vila Zelina - São Paulo - SP
Fone (11) 2341-3992
Vice-diretora: Laíde da Costa Ribeiro Sales (palmas pra ela!)
Diretor(a): Não consegui descobrir (deve estar escondida debaixo da mesa)
Resumindo, a escola ensacou e depositou em uma calçada nas proximidades algo como QUATROCENTOS LIVROS diversos, incluindo obras literárias clássicas e autores de renome. Moradores encontraram o descarte cultural, recolheram e denunciaram o fato. Parabéns para todos os vizinhos.
A desculpa dada pela vice-diretora-bucha-de-canhão (o diretor ou diretora na ocasião tomou Doril) foi que os livros e o armário respectivo tinham sido atacados por insetos da espécie wababeelooba-wabenboon. No iluminado pensamento educacional dos (ir)responsáveis, os livros não tinham mais utilidade. Contudo, os moradores que recolheram os sacos comprovaram a mentira. Quase tudo estava em bom estado. O material foi reconduzido à SME e diz uma lenda que foi aberta uma sindicância para apurar os fatos. Só mais um detalhe: ao contrário os livros, o armário onde estiveram não foi descartado nem estava infectado. Talvez serviria para guardar pertences pessoais, acessórios de sex-shop, vídeos pornôs e sabe-se lá mais o quê.
Reflitamos: que merda de coordenadores educacionais em sã consciência jogam fora livros? Talvez preguiçosos da mais irrelevante qualidade. Desses que fajutam os planos educacionais da escola com firulas e parágrafos prolixos, mantém os pais o mais longe possível da escola e simulam ensinar. Quem sabe profissionais sem Ética e de Moral deficiente, incapazes de incentivar a leitura aos alunos. Desses que fingem ser educadores, quando vivem nas tetas do Estado, amparados pelo concurso público. Seres aproveitadores dos mecanismos de aprovação automática que - imaginam eles - os desoneram da responsabilidade da repetência escolar. Gente que pouco se importa se uma criança ingressa na escola, paga com os suados impostos dos cidadãos, e dela sai após o fim do Ensino Fundamental sem sequer saber escrever uma frase sucinta ou compreender um conto dos Irmãos Grimm (que também estavam no lixo).
Gentalha desse tipo merece, no máximo, engrossar as fileiras dos programas bolsa-miséria, almoçar no Bom Prato e pedir bilhete de desempregado nas filas da SPTrans, pra não dizer outras coisas.
Eu sentiria vergonha de olhar para um aluno por muito menos que isso. A propósito, alguém saberá dizer se os crápulas foram punidos? Agradeço informações.
sábado, 29 de março de 2008
Coisas que só acontecem com os outros
Acabo de tomar conhecimento de um fato muito triste. Recebi um telefonema me dando conta de que o presidente da Associação dos Familiares das Vítimas da TAM é um ex-colega de trabalho meu. Eu ando totalmente alheio de noticiários, sobretudo quando se trata de notícias funestas, mas o informante que também trabalhou conosco sabia bem de quem se tratava.
Dario Scott é um daqueles seres sensatos, ponderados e equilibrados. Não me lembro jamais de tê-lo visto alterado, ao menos durante nosso convívio profissional. Às vezes triste, às vezes preocupado com as dificuldades, como qualquer pensante. Mas nunca a ponto de perder as estribeiras. Pesquisei notícias na web e soube o pior: a vítima do vôo fora Thaís, filha única do casal. Me veio à mente a máxima nua e crua de que a vida é volátil e estamos aqui de passagem. Ora mais longa, ora breve.
Conheci Thaís por volta de 2000 quando tinha apenas nove anos. Não teria nenhum motivo para canonizar a quem quer que fosse, mas a lembrança que me vem à mente é de uma menina meiga, exemplarmente educada e alegre. Em uma das ocasiões em que almocei na casa do casal Dario e Ana Volpi - esta última neta do pintor Alfredo Volpi -, Thaís me recepcionou como se eu fosse o embaixador britânico. Na mesa da refeição, minuciosamente arrumada por ela, haviam papéis grafados com letra de criança indicando os lugares. Gentilezas que duraram todo o tempo que passei lá. Ao final daquele almoço me senti de fato como alguém importante. E fui. O pai e a mãe notadamente também ensinaram à Thaís o bom trato com o semelhante.
Após nos desligarmos da empresinha onde trabalhamos no ABC paulista, suponho que Dario deva ter viajado para vários cantos dando suporte intelectual e tecnológico para os trabalhos acadêmicos da esposa. Assim o fizera na década de 90 na Europa. Por essas e outras, perdemos o contato. Há poucos meses passei a cinqüenta metros da casa onde moraram. Cheguei a pensar em bater mas, certo de que não os encontraria, desisti.
De alguma forma foi até bom. Eu não saberia conter meu desconcerto caso encontrasse algum parente morando lá e soubesse da absurda tragédia que abateu a família Scott. Thaís, então com dezesseis anos, vinha do RS junto com uma amiga para visitar a saudosa avó. Mas infelizmente estavam no fatídico vôo.
Meus sentimentos ao Dario e à Ana. Que Thaís descanse em paz. Sua lembrança será para mim a da menina bonita, amorosa, vivaz e educada que nunca esquecerei.
Dario Scott é um daqueles seres sensatos, ponderados e equilibrados. Não me lembro jamais de tê-lo visto alterado, ao menos durante nosso convívio profissional. Às vezes triste, às vezes preocupado com as dificuldades, como qualquer pensante. Mas nunca a ponto de perder as estribeiras. Pesquisei notícias na web e soube o pior: a vítima do vôo fora Thaís, filha única do casal. Me veio à mente a máxima nua e crua de que a vida é volátil e estamos aqui de passagem. Ora mais longa, ora breve.
Conheci Thaís por volta de 2000 quando tinha apenas nove anos. Não teria nenhum motivo para canonizar a quem quer que fosse, mas a lembrança que me vem à mente é de uma menina meiga, exemplarmente educada e alegre. Em uma das ocasiões em que almocei na casa do casal Dario e Ana Volpi - esta última neta do pintor Alfredo Volpi -, Thaís me recepcionou como se eu fosse o embaixador britânico. Na mesa da refeição, minuciosamente arrumada por ela, haviam papéis grafados com letra de criança indicando os lugares. Gentilezas que duraram todo o tempo que passei lá. Ao final daquele almoço me senti de fato como alguém importante. E fui. O pai e a mãe notadamente também ensinaram à Thaís o bom trato com o semelhante.
Após nos desligarmos da empresinha onde trabalhamos no ABC paulista, suponho que Dario deva ter viajado para vários cantos dando suporte intelectual e tecnológico para os trabalhos acadêmicos da esposa. Assim o fizera na década de 90 na Europa. Por essas e outras, perdemos o contato. Há poucos meses passei a cinqüenta metros da casa onde moraram. Cheguei a pensar em bater mas, certo de que não os encontraria, desisti.
De alguma forma foi até bom. Eu não saberia conter meu desconcerto caso encontrasse algum parente morando lá e soubesse da absurda tragédia que abateu a família Scott. Thaís, então com dezesseis anos, vinha do RS junto com uma amiga para visitar a saudosa avó. Mas infelizmente estavam no fatídico vôo.
Meus sentimentos ao Dario e à Ana. Que Thaís descanse em paz. Sua lembrança será para mim a da menina bonita, amorosa, vivaz e educada que nunca esquecerei.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Roteiro gastronômico do submundo 2008-2
Subtítulo: AO DIABO COM OS NABOS
Há algumas semanas eu e os meus "chefes" iniciamos uma odisséia jamais antes tentada pelo homem: encontrar um bom lugar para almoçar com comida boa, preço honesto e um mínimo de decência no atendimento. Note que não mencionei questões sanitárias. Não é que sejam presumidas nem que estejam implícitas. É que abandonamos esse quesito por pura preservação da espécie. Almoçar nas ruas de uma metrópole não é tarefa simples, ainda mais se você começa com muita frescura. Já visitamos dezenas de milhares de botequins e ainda não encontramos a Shangri-lá do comercial com bife e ovo frito.
Como já era a centésima-quadragésima primeira tentativa, ao passarmos pela Rua Domingos Rodrigues 423 apenas entramos. Nossos olhos esbugalhados e olheiras denunciavam a voracidade do apetite. Sem questionamento pegamos nossos pratos e fomos nos servir. Era apenas mais um do inédito sistema self-service (ou "serve-serve" como pronunciam alguns serviçais menos letrados).
Para alguém como eu que desde cedo hoje estava com gana por ver um boi no rolete, a visão do buffet não foi das melhores. As coisas me pareceram meio estranhas, mas já era tarde demais. Entre tantas coisas havia uma massa esverdeada sob um pingo de molho que me sugeriu ser uma panqueca recheada de carne. Abracei. Mas ao comer notei que o queijo branco dentro não se parecia em nada com coxão-mole moído. Ricota. Depois peguei algo que lembrava um hambúrguer. Não era muito bom, mas não consegui definir do que era feito. Agora estou lendo o folheto que apanhei na saída, no qual se lê: "hambúrguer de PVT". Não vou pesquisar o têrmo na internet porque se eu vomitar terei que sair para comer um cheese-salada-bacon imediatamente.
Bem que eu achei cultureba demais a decoração do lugar. Era cheio de livros em estantes, revistas, objetos decorativos e fotos da natureza. Mas ingenuamente não percebi o óbvio. Após comermos (mal) e saírmos de lá, senti um alívo quando avistei uma feira-livre com uma barraca de pastel onde devorei um sem cerimônia. De carne, obviamente. Nada como gordura saturada, carne e massa cheia de carboidrato para saciar um primata selvagem.
Se você se interessou pelo estabelecimento comentado, beleza. Nada contra. Clique AQUI e aprecie. Já eu não vejo a hora de chegar o almoço de amanhã pra eu descontar. De preferência em uma churrascaria.
Há algumas semanas eu e os meus "chefes" iniciamos uma odisséia jamais antes tentada pelo homem: encontrar um bom lugar para almoçar com comida boa, preço honesto e um mínimo de decência no atendimento. Note que não mencionei questões sanitárias. Não é que sejam presumidas nem que estejam implícitas. É que abandonamos esse quesito por pura preservação da espécie. Almoçar nas ruas de uma metrópole não é tarefa simples, ainda mais se você começa com muita frescura. Já visitamos dezenas de milhares de botequins e ainda não encontramos a Shangri-lá do comercial com bife e ovo frito.
Como já era a centésima-quadragésima primeira tentativa, ao passarmos pela Rua Domingos Rodrigues 423 apenas entramos. Nossos olhos esbugalhados e olheiras denunciavam a voracidade do apetite. Sem questionamento pegamos nossos pratos e fomos nos servir. Era apenas mais um do inédito sistema self-service (ou "serve-serve" como pronunciam alguns serviçais menos letrados).
Para alguém como eu que desde cedo hoje estava com gana por ver um boi no rolete, a visão do buffet não foi das melhores. As coisas me pareceram meio estranhas, mas já era tarde demais. Entre tantas coisas havia uma massa esverdeada sob um pingo de molho que me sugeriu ser uma panqueca recheada de carne. Abracei. Mas ao comer notei que o queijo branco dentro não se parecia em nada com coxão-mole moído. Ricota. Depois peguei algo que lembrava um hambúrguer. Não era muito bom, mas não consegui definir do que era feito. Agora estou lendo o folheto que apanhei na saída, no qual se lê: "hambúrguer de PVT". Não vou pesquisar o têrmo na internet porque se eu vomitar terei que sair para comer um cheese-salada-bacon imediatamente.
Bem que eu achei cultureba demais a decoração do lugar. Era cheio de livros em estantes, revistas, objetos decorativos e fotos da natureza. Mas ingenuamente não percebi o óbvio. Após comermos (mal) e saírmos de lá, senti um alívo quando avistei uma feira-livre com uma barraca de pastel onde devorei um sem cerimônia. De carne, obviamente. Nada como gordura saturada, carne e massa cheia de carboidrato para saciar um primata selvagem.
Se você se interessou pelo estabelecimento comentado, beleza. Nada contra. Clique AQUI e aprecie. Já eu não vejo a hora de chegar o almoço de amanhã pra eu descontar. De preferência em uma churrascaria.
sábado, 22 de março de 2008
Audio-vingança
Você tem vizinhos chatos? Que tal enlouquecê-los de vez? O tio Xavier oferece a você que quer fazer seu vizinho se mudar e vender o apartamento a preço de banana a solução infalível.
É muito simples: basta plugar a saída de áudio do PC no aparelho de som, botar o volume no último e apertar o play. Quando a reclamação bater à sua porta disfarce e siga as instruções para cada caso.
Festa aqui? Desculpe, mas você me acordou.
Eu também ouvi portas batendo, mas achei que eram do seu apartamento.
Faxina aqui? Nem aspirador eu tenho. Você tem bebido?
Quando a polícia bater à porta, desligue as luzes e atenda com cara de sono:
Eu também detesto violino. Se você descobrir quem é me avise.
Pois não, dona síndica. Bebê aqui no meu apartamento? Esse vizinho está delirando (ele usa drogas, viu?)
Desculpe, mas eu nem tenho ferramentas elétricas. Deve ser o apartamento do lado.
É que nós somos sexualmente insaciáveis. Nossa, vocês não fazem sexo aí?
Basquete? Claro, bem vindo à sede do Chicago Bulls. O Michael Jordan está distribuindo autógrafos.
Gritos? Eu também ouvi e pensei que vinham do seu apartamento. Estou com muito medo. Será uma alma penada?
Deve ser esse pessoal de cima. Que saco né?
Nossa, quem terá um telefone desses ainda?
É muito simples: basta plugar a saída de áudio do PC no aparelho de som, botar o volume no último e apertar o play. Quando a reclamação bater à sua porta disfarce e siga as instruções para cada caso.
Festa aqui? Desculpe, mas você me acordou.
Eu também ouvi portas batendo, mas achei que eram do seu apartamento.
Faxina aqui? Nem aspirador eu tenho. Você tem bebido?
Quando a polícia bater à porta, desligue as luzes e atenda com cara de sono:
Eu também detesto violino. Se você descobrir quem é me avise.
Pois não, dona síndica. Bebê aqui no meu apartamento? Esse vizinho está delirando (ele usa drogas, viu?)
Desculpe, mas eu nem tenho ferramentas elétricas. Deve ser o apartamento do lado.
É que nós somos sexualmente insaciáveis. Nossa, vocês não fazem sexo aí?
Basquete? Claro, bem vindo à sede do Chicago Bulls. O Michael Jordan está distribuindo autógrafos.
Gritos? Eu também ouvi e pensei que vinham do seu apartamento. Estou com muito medo. Será uma alma penada?
Deve ser esse pessoal de cima. Que saco né?
Nossa, quem terá um telefone desses ainda?
quinta-feira, 20 de março de 2008
Nota fúnebre
Faleceu por volta das onze horas desta manhã, o senhor Avô Xavier, após uma parada cardio-respiratória. Com sessenta e nove anos incompletos, o aposentado vinha em desabalada diminuição da saúde. Ao que tudo indica fora auto-vitimado por seus cinqüentenários vícios tabagista e alcoólico, acrescidos do desapreço pela vida.
Pai de um casal de filhos e avô de cinco netos, deixa viúva dona Avó Xavier, de sessenta anos.
Pai de um casal de filhos e avô de cinco netos, deixa viúva dona Avó Xavier, de sessenta anos.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Prova de Direito Penal Internacional
"O Senado do Chile aprovou nesta terça-feira (11) uma minuta de acordo para a extradição do chileno Mauricio Hernández Norambuena, condenado a 30 anos de prisão no Brasil pelo seqüestro do publicitário Washington Olivetto.
Segundo fontes parlamentares, o texto, aprovado pela maioria do Senado, pede que a presidente Michelle Bachelet interceda para que Hernández termine de cumprir sua pena no Chile."
(Fonte: Folha/Uol)
Vamos às questões. Respondam à caneta no papel timbrado e coloquem seus números de matrícula bem visíveis. Cada questão vale dois pontos e meio:
Vamos às questões. Respondam à caneta no papel timbrado e coloquem seus números de matrícula bem visíveis. Cada questão vale dois pontos e meio:
- Esse lixo estava no Brasil todo esse tempo?
- Quanto de despesa ele já nos gerou?
- A conta da estadia vai ficar por issso mesmo?
- Esses caras do Chile não podiam tê-lo pedido para pagar pena em seu país de origem há mais tempo?
domingo, 16 de março de 2008
Drops anti-DVD: Eu sou a lenda
Vão à merda. O Will Smith era mais legal em "Um maluco no pedaço". Que filme mais bobo esse "Eu sou a lenda". O povo americano deve ser muito paspalho se por acaso gostou disso. Se bem que um povo que vive mitificando e construindo heróis... deixa pra lá.Não me pergunte como chegou às minhas mãos, nem alugue quando chegar à locadora perto da sua casa. Perdi uma hora e meia da minha vida. Se quiser algo do gênero, prefira o bom e velho Resident Evil, que é muito mais legal e mais original.
Drops DVD: Efeito Borboleta
Tente conceber o samba-do-crioulo-doido que podia dar se Einsten e Freud parassem para beber em uma cervejaria e enchessem o latão:- Booooorra Vróidx... vozê é beu abigu... Zabe que uzuniverzu baralelo (hic!) zaum uba bozibilidadix gongreta.Horas e canecas depois os caras resolvem escrever um enredo cinematográfico juntos. Só que quando se reencontram para escrever o enredo estão sóbrios. O resultado seria algo como Efeito Borboleta.
- Olha Aiztem... vozê é beu aaaa (hic!) bigu. Baiz ajo... ajo... olha... brezta atenzaum... que dudu num baza de um vai-i-i-i-i (hic!) e veeeem di lembranza da benti hubãna.
- Vróidx, ibagina zi um gara... (hic!) budesse bergulhar nos lasp... lasbz... lábzus de tembo da bebória e bejer nu pazadu?
Se você gosta de enigmas sobre o funcionamento da mente humana e teorias sobre universos paralelos, Efeito Borboleta é o seu filme. Bom mesmo. O melhor é o filme chegar no final e você ficar repensando se sacou corretamente ou se tudo não terá passado de ilusão. A interpretação dependerá também de suas inclinações: se você lê mais Freud ou Stephen Hawking.
Eu não conhecia o ator principal, nem a atriz coadjuvante e também não olhei na caixa quem é o diretor, a produtora, nada. Pela capa tem tudo para ser um "filme B". Mas o filme é bom e ponto. Também não gastarei meu teclado para colar a ficha técnica aqui. Desta vez, procure você mesmo pela internet. Quer saber? Assista ao filme. Você não se arrependerá.
quinta-feira, 13 de março de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
Da série: "O poço das antas"
Na boa, amigo:Primeiro estude bem o infinitivo dos verbos com eles. No mínimo fará bem para você.
Depois não deixe eles escolharem nada, seja lá o que signifique escolhar.
Procure sempre usar teclados que tenham ponto de interrogação, para suas perguntas parecerem perguntas.
E, finalmente, peça para a Coordenadoria Pedagógica escolher outro docente para a essa turma.
Urgente.
Us govenos não ce emporta com a eduação
Acho que já expliquei isso aqui mas a graduação que estou cursando inclui, além das tantas matérias presenciais, mais uma aplicada pela internet, como Ensino à Distância (EAD). Nos disseram que é uma exigência do MEC e tal, o que não fiz questão de checar. Acho que os adultos têm que ser maduros o suficiente para fazer ao menos parte do seu aprendizado na base do "se vira nos trinta". O EAD é um sinal dos tempos modernos e não tem mais volta.
Semana passada o docente aplicou uma questão para ser respondida no fórum da matéria. A pergunta feita pelo professor era um tanto subjetiva. Provavelmente objetivava perfilar os alunos para situar o professor e era a seguinte: "EM SUA VISÃO, QUAIS OS PRINCIPAIS PROBLEMAS DA ATUAL EDUCAÇÃO BRASILEIRA?"
A resposta mais sensacional foi essa: (clique para ampliar)
Semana passada o docente aplicou uma questão para ser respondida no fórum da matéria. A pergunta feita pelo professor era um tanto subjetiva. Provavelmente objetivava perfilar os alunos para situar o professor e era a seguinte: "EM SUA VISÃO, QUAIS OS PRINCIPAIS PROBLEMAS DA ATUAL EDUCAÇÃO BRASILEIRA?"
A resposta mais sensacional foi essa: (clique para ampliar)
terça-feira, 11 de março de 2008
Às traças
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Railway Life - Parte IV: The Singer
Ninguém merece. Quando eu penso que escapei dos crentes, depois de um dia de trabalho sou obrigado a ouvir isso: (ligue o som)
Eu postei o som porque é impossível de narrar e ninguém acreditaria.
Eu postei o som porque é impossível de narrar e ninguém acreditaria.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Railway life - Parte-III: Cajú e Castanha
Em outro dos dias eu tinha uma reunião em um cliente antigo, sito no município de Santo André. Como ele praticamente divide muro com a estação ferroviária e Santo André é um adorável município no qual basta você pensar em ir para receber uma multa em casa, optei novamente pelo transporte suburbano. Tudo bem e em paz na ida, uma vez que a reunião era no final da manhã e fiquei livre da turba proletária amassada.
Mas na volta, uma hora da tarde, embarquei no trem e sentado vejo dois nordestinos de um metro e meio de altura anunciarem-se na ponta do vagão. Claro que meu assento tinha que ser a dois metros das figuras, por razões cármicas. Ambos abrem sacolinhas tiram pandeirinhos de plástico adquiríveis na 25th Street em Sampa por um real e começam o discurso alternando-se em forma de jogral.
[Som de pandeiro em ritmo de repente]
Como é proibido tocar som, vender coisas, esmolar e perturbar os passageiros, o que inclui os pé-no-saco dos pregadores evangélicos, os repentistas evaporaram com suas doações e pandeiros, tão logo o trem chegou à estação. Certamente para disfarçar e mudar de vagão ou então esperar outro trem. Se não tivesse quem achasse graça naquilo e ninguém lhes desse dinheiro eles já tinham mudado de "profissão". Fazer o quê? Não tenho culpa de ter os ouvidos apurados.
Mas na volta, uma hora da tarde, embarquei no trem e sentado vejo dois nordestinos de um metro e meio de altura anunciarem-se na ponta do vagão. Claro que meu assento tinha que ser a dois metros das figuras, por razões cármicas. Ambos abrem sacolinhas tiram pandeirinhos de plástico adquiríveis na 25th Street em Sampa por um real e começam o discurso alternando-se em forma de jogral.
[Som de pandeiro em ritmo de repente]
- Nóis pudia tá róbanu.Eu fui mais rápido. Quando vi os pandeirinhos saírem das sacolas, troquei rapidamente os óculos pelos escuros. Fiz uma expressão steviewonderiana olhando pro infinito e evitei que eles me fizessem a (des)gentileza de compor algum verso em minha frente esperando um trocado. Eu até pagaria algo, se mediante o pagamento eles concordassem em saltar do trem em movimento e nunca mais encher o saco de ninguém.
- Pudia mais num tamu.
- Cum esse tamanho todo
- De menos de metro e meio
- O tiozinho que tá ali
- Istorava nóis co'arreio
- E essa moça bunita
- Parece com a globeleza
- Vai dá uma ajuda pra nóis?
- Vai dá sim tenho certeza
- Nesse trem só tem gente bunita
- Acho que demo sorte
- Cum a ajuda de todos vocêis
- E os trocado que nos dão
- Sustentamu os fio no Norte
Como é proibido tocar som, vender coisas, esmolar e perturbar os passageiros, o que inclui os pé-no-saco dos pregadores evangélicos, os repentistas evaporaram com suas doações e pandeiros, tão logo o trem chegou à estação. Certamente para disfarçar e mudar de vagão ou então esperar outro trem. Se não tivesse quem achasse graça naquilo e ninguém lhes desse dinheiro eles já tinham mudado de "profissão". Fazer o quê? Não tenho culpa de ter os ouvidos apurados.
Railway life - Parte-II
Grotesco é apelido. Além do suplício de Prometeu a que o passageiro ferroviário é submetido, uma horda de seres estranhos faz questão de completar o quadro.
Semana passada, em um dos dias a darling fez questão de levar a cria comigo para a escola e assim me acompanhou no trem, cada um rumo ao seu trampo. Dado o cenário impossível, deixamos passar duas composições enquanto analisávamos uma estratégia que nos garantisse o embarque. Percebemos que o primeiro vagão era menos abarrotado. Com um certo esforço físico era possível empurrar os cumpanhêro da crasse operária e ficarmos entre o contingente e a porta. E assim o fizemos. Fomos coladinhos um no outro e por mais que isso possa sugerir algum erotismo, lamento desapontar o leitor. Numa hora dessas é mais capaz que pensemos em jogar o outro pra fora por sobrevivência, do que tiremos proveito do grude.
Fechada a porta e pensei que estava delirando. Mas começo a ouvir vozes em côro:
Talvez os desinfelizes sintam algum alívio no meio daquele sufoco, louvando e suplicando ao deus deles. Uma espécie de narcótico espiritual de efeito analgésico. Enfrentar a dureza da vida com a cara e a coragem não é para qualquer um. Escorar-se em deuses e entidades espirituais propicia alívio aos ingênuos e piedosos. Como quis dizer o velho Marx, quando afirmou que a religião era o ópio do povo. Para quem não sabe o ópio, droga extraída da papoula, na época de Marx não era uma droga nos moldes do narcotráfico de hoje. Era um anestésico de uso clínico-hospitalar. Como tal, aliviava as dores dos doentes. Sábio Marx. Pobre povo rezando no trenzão em busca dos seus salários de fome.
Só que vão cantar os seus hinos no inferno, no céu ou na PQP como preferirem. Cambada de chatos.
Semana passada, em um dos dias a darling fez questão de levar a cria comigo para a escola e assim me acompanhou no trem, cada um rumo ao seu trampo. Dado o cenário impossível, deixamos passar duas composições enquanto analisávamos uma estratégia que nos garantisse o embarque. Percebemos que o primeiro vagão era menos abarrotado. Com um certo esforço físico era possível empurrar os cumpanhêro da crasse operária e ficarmos entre o contingente e a porta. E assim o fizemos. Fomos coladinhos um no outro e por mais que isso possa sugerir algum erotismo, lamento desapontar o leitor. Numa hora dessas é mais capaz que pensemos em jogar o outro pra fora por sobrevivência, do que tiremos proveito do grude.
Fechada a porta e pensei que estava delirando. Mas começo a ouvir vozes em côro:
"O Senhor é meu Pastor e nada, nada me faltaráEu devo merecer. Não me bastava o calvário do transporte e ainda tinha que ouvir hinário evangélico. Atente que não tenho nada em absoluto contra a fé alheia. Desde que seja praticada em ambiente fechado entre seus adeptos. No mais vão todos à merda. Ninguém pediu para ouvir aquilo nem muito menos a pregação que algum deles fazia nos intervalos entre um cântico e outro. Juro. Além da musicaiada chata, piegas e carola que os pentelhos obrigavam-me a ouvir, um mala-sem-alça ainda intercalava exortações e citações bíblicas. Muito mal referenciadas e mal interpretadas, cabe-me dizer. Como é patente dos evangélicos chatos, as palavras eram proferidas aos brados retumbantes.
O Senhor é meu Pastor e nada, nada me faltará
Já me deu o suficiente nesta vida, não peço mais
Já me deu o suficiente, já me deu o suficiente
Já me deu amor e paz"
Talvez os desinfelizes sintam algum alívio no meio daquele sufoco, louvando e suplicando ao deus deles. Uma espécie de narcótico espiritual de efeito analgésico. Enfrentar a dureza da vida com a cara e a coragem não é para qualquer um. Escorar-se em deuses e entidades espirituais propicia alívio aos ingênuos e piedosos. Como quis dizer o velho Marx, quando afirmou que a religião era o ópio do povo. Para quem não sabe o ópio, droga extraída da papoula, na época de Marx não era uma droga nos moldes do narcotráfico de hoje. Era um anestésico de uso clínico-hospitalar. Como tal, aliviava as dores dos doentes. Sábio Marx. Pobre povo rezando no trenzão em busca dos seus salários de fome.
Só que vão cantar os seus hinos no inferno, no céu ou na PQP como preferirem. Cambada de chatos.
Eu "muito bem" vindo de trem de algum lugar
Diferente da terra dos nossos irmãos estadunidenses, aqui em Pindorama morar no subúrbio é sinônimo de má qualidade de vida. Se os subúrbios de lá, ao menos os dos filmes, são povoados com casas paradisíacas sem cercas e com jardins mimosos, morar na periferia aqui requer grades grossas, correntes, cadeados enormes e - por que não? - um bom três-oitão fácil de recorrer. Terras de Marlboro, com leis próprias, as periferias brasileiras não são o melhor lugar para se viver. Aliás, viver já é grande coisa. Sobreviver, melhor dizendo.
É nesse contexto que tenho provado de parte das dificuldades do proletariado, já que na periferia moro há muitos anos. Embora me encontre em uma escala intermediária, abaixo dos possuidores mas pouco acima dos despossuídos, posso fazer uma série de escolhas no meu cotidiano. Posso escolher entre andar de carro (quitado e abastecido à vista), escolher onde a cria estudará, dentro de um leque limitado, e não dependo de postos de trabalho anunciados em classificados, pois sei criar os meus.
Como o meu novo posto de trabalho fica no lado oposto da minha casa muitas vezes, quando não tenho que visitar clientes, opto por cruzar a cidade de trem. Trenzão de subúrbio mesmo. O antigo Fepasão que agora faz parte da Cia do Metropolitano de São Paulo. Deixo a cria na escola, boto o carro em um estacionamento ao lado de uma estação e embarco para uma sucessão de baldeações, mas que me possibilitam cruzar a cidade em cinqüenta minutos ao invés de duas horas e meia, como seria de carro. E de quebra é melhor para ir à faculdade à noite, pois a instituição fica ao lado de um terminal multimodal.
Confesso que não sei o que é pior: se é cruzar a cidade em duas horas e meia com cãibra de tanto embrear e engrenar o carro ou embarcar no trem às sete da madrugada - é madrugada sim - sendo compactado pela porta automática forçada pelos seguranças da estação. Acredite em mim que é impossível mover os braços depois de ver-se prensado na massa humana dentro do vagão. Ao entrar na lata de sardinhas gigantesca é preciso escolher previamente a posição dos pés e braços, porque nenhum movimento é possível durante o trajeto. No máximo se negociar com um dos prensados fronteiriços. Do lado em que embarco, o consolo é que a porta só se abre praticamente na estação final de modo que não entram mais pessoas. E também o trem é uma espécie de expresso, pois só pára a cada uns cinco quilômetros. O suplício dura menos.
Tente imaginar o cenário: não estou falando que o trem está cheio e não tem lugar pra sentar. Isso já é fato, inclusive porque o número de assentos vem se reduzindo a cada reforma. Afinal de contas, gado não precisa de assento. Estou falando que há vezes em que para se respirar é preciso revezar. O vizinho do corpo-a-corpo respira e você inspira. Sempre de forma alternada porque, se todos inspirarem ao mesmo tempo, as portas explodem para fora, por causa do aumento de volume dos corpos. Os trens em si até são bons. Têm vidros fumê, ar-condicionado funcionando e assentos acolchoados. Só que são em número insuficiente para a demanda. Mesmo somando a linha de metrô com as duas linhas de trem para a zona leste de Sampa, não dá nem pro começo durante o horário de pico. Por outro lado, vai saber se a infraestrutura de segurança, sinalização e comunicação comporta um aumento de tráfego. Suspeito que não.
Nesta semana um colega do trabalho, meio-parceiro meio-chefe me contou ter lido que o governo paulista receberá noventa e nove trens da Espanha, se não me engano. De segunda mão, claro, mas comparados às sucatas que ainda servem algumas linhas, equivalerão a transporte VIP. Achei até interessante o número. Por que não cem? Alguma coisa cabalística, deve ser. A merda é que não há políticas sérias para transporte público. Nenhuma instância de governo demonstra ter projetos concretos e factíveis para transportar a pobraiada em larga escala. No máximo obras viárias desconexas e assíncronas (malhas, viadutos, túneis) mas que privilegiam sempre o transporte individual, o carro que polui desproporcionalmente e entope as vias em prol do indivíduo. Enquanto isso a grande massa proletária pedestre passa sufoco no precário transporte público.
E ainda dizem que o brasileiro é vagabundo. Óbvio que depois de enfrentar um transporte desse naipe o peão chega na fábrica moído e indisposto. Cego é quem não quer ver.
É nesse contexto que tenho provado de parte das dificuldades do proletariado, já que na periferia moro há muitos anos. Embora me encontre em uma escala intermediária, abaixo dos possuidores mas pouco acima dos despossuídos, posso fazer uma série de escolhas no meu cotidiano. Posso escolher entre andar de carro (quitado e abastecido à vista), escolher onde a cria estudará, dentro de um leque limitado, e não dependo de postos de trabalho anunciados em classificados, pois sei criar os meus.
Como o meu novo posto de trabalho fica no lado oposto da minha casa muitas vezes, quando não tenho que visitar clientes, opto por cruzar a cidade de trem. Trenzão de subúrbio mesmo. O antigo Fepasão que agora faz parte da Cia do Metropolitano de São Paulo. Deixo a cria na escola, boto o carro em um estacionamento ao lado de uma estação e embarco para uma sucessão de baldeações, mas que me possibilitam cruzar a cidade em cinqüenta minutos ao invés de duas horas e meia, como seria de carro. E de quebra é melhor para ir à faculdade à noite, pois a instituição fica ao lado de um terminal multimodal.
Confesso que não sei o que é pior: se é cruzar a cidade em duas horas e meia com cãibra de tanto embrear e engrenar o carro ou embarcar no trem às sete da madrugada - é madrugada sim - sendo compactado pela porta automática forçada pelos seguranças da estação. Acredite em mim que é impossível mover os braços depois de ver-se prensado na massa humana dentro do vagão. Ao entrar na lata de sardinhas gigantesca é preciso escolher previamente a posição dos pés e braços, porque nenhum movimento é possível durante o trajeto. No máximo se negociar com um dos prensados fronteiriços. Do lado em que embarco, o consolo é que a porta só se abre praticamente na estação final de modo que não entram mais pessoas. E também o trem é uma espécie de expresso, pois só pára a cada uns cinco quilômetros. O suplício dura menos.
Tente imaginar o cenário: não estou falando que o trem está cheio e não tem lugar pra sentar. Isso já é fato, inclusive porque o número de assentos vem se reduzindo a cada reforma. Afinal de contas, gado não precisa de assento. Estou falando que há vezes em que para se respirar é preciso revezar. O vizinho do corpo-a-corpo respira e você inspira. Sempre de forma alternada porque, se todos inspirarem ao mesmo tempo, as portas explodem para fora, por causa do aumento de volume dos corpos. Os trens em si até são bons. Têm vidros fumê, ar-condicionado funcionando e assentos acolchoados. Só que são em número insuficiente para a demanda. Mesmo somando a linha de metrô com as duas linhas de trem para a zona leste de Sampa, não dá nem pro começo durante o horário de pico. Por outro lado, vai saber se a infraestrutura de segurança, sinalização e comunicação comporta um aumento de tráfego. Suspeito que não.
Nesta semana um colega do trabalho, meio-parceiro meio-chefe me contou ter lido que o governo paulista receberá noventa e nove trens da Espanha, se não me engano. De segunda mão, claro, mas comparados às sucatas que ainda servem algumas linhas, equivalerão a transporte VIP. Achei até interessante o número. Por que não cem? Alguma coisa cabalística, deve ser. A merda é que não há políticas sérias para transporte público. Nenhuma instância de governo demonstra ter projetos concretos e factíveis para transportar a pobraiada em larga escala. No máximo obras viárias desconexas e assíncronas (malhas, viadutos, túneis) mas que privilegiam sempre o transporte individual, o carro que polui desproporcionalmente e entope as vias em prol do indivíduo. Enquanto isso a grande massa proletária pedestre passa sufoco no precário transporte público.
E ainda dizem que o brasileiro é vagabundo. Óbvio que depois de enfrentar um transporte desse naipe o peão chega na fábrica moído e indisposto. Cego é quem não quer ver.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Mea culpa
Peço aos 3 ou 4 leitores disto aqui, envergonhadas desculpas. Não é que me falte assunto para escrever nem que eu tenha perdido a destreza no teclar. Mas o leitor não sabe a quantas anda a vida do tio. Trampo novo, as aulas recomeçaram e, ao que tudo me faz crer, os professores estão a fim de formar PhDs Harvardianos, pela volúpia com que despejam seus programas do semestre, suas bibliografias e suas promessas de que a moleza acabou.
Acontece que depois de uns anos, durante os quais uma complexa tabela de cálculos e arredondamentos para cima conseguia fazer um vegetante ser diplomado, a reitoria da instituição resolveu voltar aos bons tempos. Acabaram-se os generosos arredondamentos automáticos "do sistema", as provas de peso diferenciado, as substitutivas para os faltosos e - pasmem - o exame. Este último era a tábua de salvação de uma turba de ancéfalos(as), que insistiam em constar na lista de chamada.
Ou seja: a casa dos vagabundos caiu. E a do tio, se eu quiser continuar sendo "o the best", vai exigir que eu rale um tantão mais do que o habitual. Já estou programando meu evento "back to the old books store". Preciso comprar uma meia-dúzia de livros de referência e espero encontrá-los desolados e abandonados nas banquinhas de cinco reais dos sebões do centro velho de Sampa. Tomara.
E no trampo novo as coisas prosperam. Somados o adiantamento do maldito Carnaval deste ano com a exímia competência comercial do tio e um upgrade nas oportunidades, tudo indica que estou rumando para meu primeiro milhão de dólares a passos largos.
Explicado o acima e considerando que já são trinta minutos de um novo dia, preciso dormir. Amanhã tenho clientes para visitar nos dois períodos. E quem dorme na mesa de negociação costuma levar a pior. Ou melhor dizendo, não levar nada.
Fui.
Acontece que depois de uns anos, durante os quais uma complexa tabela de cálculos e arredondamentos para cima conseguia fazer um vegetante ser diplomado, a reitoria da instituição resolveu voltar aos bons tempos. Acabaram-se os generosos arredondamentos automáticos "do sistema", as provas de peso diferenciado, as substitutivas para os faltosos e - pasmem - o exame. Este último era a tábua de salvação de uma turba de ancéfalos(as), que insistiam em constar na lista de chamada.
Ou seja: a casa dos vagabundos caiu. E a do tio, se eu quiser continuar sendo "o the best", vai exigir que eu rale um tantão mais do que o habitual. Já estou programando meu evento "back to the old books store". Preciso comprar uma meia-dúzia de livros de referência e espero encontrá-los desolados e abandonados nas banquinhas de cinco reais dos sebões do centro velho de Sampa. Tomara.
E no trampo novo as coisas prosperam. Somados o adiantamento do maldito Carnaval deste ano com a exímia competência comercial do tio e um upgrade nas oportunidades, tudo indica que estou rumando para meu primeiro milhão de dólares a passos largos.
Explicado o acima e considerando que já são trinta minutos de um novo dia, preciso dormir. Amanhã tenho clientes para visitar nos dois períodos. E quem dorme na mesa de negociação costuma levar a pior. Ou melhor dizendo, não levar nada.
Fui.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Sebastião Rodrigues Maia

- Mais som, mais grave, mais agudo, mais tudo.
Tim Maia é tão interessante que não achei um título decente para este post. Já devo estar no quarto ou quinto e talvez se você pressionar [F5] o título já tenha mudado. Acabo de ler a obra litero-jornalística de Nelson Motta. Vale tudo é um livro direto em linguagem objetiva, bem escrito e apaixonante. Não pela obra em si, mas pelo objeto da narrativa.
Tim Maia é, por si só, a figuraça mais balançante e mais pitoresca da MPB. Sempre gostei do Tim, principalmente por causa do gênero, dadas as "minhas raízes afro". Vivi e dancei toda a década de 80, que foi o apogeu da carreira musical do Tim com hits que explodiam as caixas nas pistas das casas. Esmerilhávamos o chão com nossos sapatos (minha geração procurava se vestir bem e usava sapatos para ir aos bailes) fazendo passos sincronizados em grupo, ao som de Sossego e Do Leme ao Pontal.
Nas palavras do próprio autor ninguém, nem cheirando tudo o que o Tim cheirou, bebendo tudo o que ele bebeu e fumando tudo o que ele fumou, jamais conseguirá se aproximar do perfil do músico mais doido, mais intempestivo e mais swingado que o Brasil já viu.
Compreender melhor as fases da vida e da obra timaiana me animou a dar um retoque na minha coleção de mp3 do gordo. Até então resumia-se à ripada de umas coletâneas que possuo, mais a digitalização de uma fita K7 e um LP. Como estou sem o menor saco de caçar agulha do toca-discos pra digitalizar os outros LPs e sem grana pra comprar mais CDs, o jeito foi apelar para São Download. E olha que tem coisa do Tim na rede. Do it and enjoy it.
Por fim recomendo a todos que leiam o livro. "Vale Tudo" valeu os cinqüenta merréis pagos. Lamento apenas pelo final, que não me furtarei de contar aqui: o Tim morre. A propósito em março fará dez anos. O Brasil ficou sem síndico.
Tim Maia é, por si só, a figuraça mais balançante e mais pitoresca da MPB. Sempre gostei do Tim, principalmente por causa do gênero, dadas as "minhas raízes afro". Vivi e dancei toda a década de 80, que foi o apogeu da carreira musical do Tim com hits que explodiam as caixas nas pistas das casas. Esmerilhávamos o chão com nossos sapatos (minha geração procurava se vestir bem e usava sapatos para ir aos bailes) fazendo passos sincronizados em grupo, ao som de Sossego e Do Leme ao Pontal.
Nas palavras do próprio autor ninguém, nem cheirando tudo o que o Tim cheirou, bebendo tudo o que ele bebeu e fumando tudo o que ele fumou, jamais conseguirá se aproximar do perfil do músico mais doido, mais intempestivo e mais swingado que o Brasil já viu.
Compreender melhor as fases da vida e da obra timaiana me animou a dar um retoque na minha coleção de mp3 do gordo. Até então resumia-se à ripada de umas coletâneas que possuo, mais a digitalização de uma fita K7 e um LP. Como estou sem o menor saco de caçar agulha do toca-discos pra digitalizar os outros LPs e sem grana pra comprar mais CDs, o jeito foi apelar para São Download. E olha que tem coisa do Tim na rede. Do it and enjoy it.
Por fim recomendo a todos que leiam o livro. "Vale Tudo" valeu os cinqüenta merréis pagos. Lamento apenas pelo final, que não me furtarei de contar aqui: o Tim morre. A propósito em março fará dez anos. O Brasil ficou sem síndico.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Roteiro gastronômico do submundo 2008-01
Subtítulo: NÃO VENDA O QUE NÃO TEM
A pior coisa que pode ocorrer a um cliente é sofrer a tentativa de ser enganado pelo fornecedor. É o mesmo que chamá-lo de trouxa na cara. Tenho uma regra de ouro, de minha autoria, que serve para qualquer ramo de atividade:
"Quando não tiver a lebre que o cliente pediu não empurre o gato.
No máximo tente convencê-lo das vantagens do gato."
Infelizmente em um tempo em que a incompetência crassa, a malandragem cresce e a filhadaputice abunda, essa regrinha tão simples é desconhecida.
Não somos obrigados a ter sempre o que o cliente pede. Mas não é porque o cliente pediu algo que ele quer esse algo. Geralmente ele quer resolver alguma questão e cabe ao vendedor captá-la. Pode ser fome, pode ser uma solução técnica, pode ser um meio de transporte, sensação de segurança, etc.. Em resumo, quando o cliente pede especificamente por alguma coisa, em noventa e nove porcento das vezes essa coisa é passível de substituição. Mas tem que ser feita de forma honesta, transparente e competente.
Eu mesmo me vejo obrigado a reespecificar os pedidos de meus clientes todos os dias. E graças à minha competência, consigo apontar valor para o que tenho a oferecer, em relação ao que o cliente havia pedido. Para isso, depois de entendida a necessidade real, eu só trato de posicionar os holofotes em cima das melhores características do que eu possuo para vender. O freqüente resultado é que consigo vender, deixo o cliente satisfeito e ele torna a me ligar para comprar novamente. Fatos sim, mentiras jamais.
Mas os proto-profissionais que atenderam a mim e à tia darling na Panificadora Marengo (vide ficha técnica no rodapé) jamais ouviram falar de tudo isso. Aliás, estabelecimento alimentício lotado quase sempre é sinônimo de mau atendimento. Não deveria. Se a demanda é maior do que a capacidade, parabéns para o empreendedor. Esse é o sonho dourado de todos. Só que daí para satisfazer bem aos que conseguiram adentrar ao recinto é bem outra coisa. Veja se não estou sendo severo demais.
Depois de amargar uns trinta minutos na fila com a darling e eu faminto, conseguimos uma mesa. Logo notei que o in da noite era o rodízio de pizzas. A fisionomia de estresse da funcionária de cabelos mesclados de cor-de-rosa e dos demais empregados não era lá muito animadora. Mas eu não tinha ido lá para admirar as funcionárias e tampouco os seus pares masculinos. Sentamo-nos. Os pratos já estavam postos e, em poucos segundos, uma funcionária aporta em nossa mesa com uma fumegante pizza:
- Brócolis com muzzarela?
- Não. Por favor, pede para alguém... - mal tive tempo e a dita saiu-se voando a servir outra mesa - .
Chega outro servente:
- Atum com cebola ou atum com catupiry, senhor?
- Nenhuma. Eu quero o cardápio.
De novo, esse se manda, nada de cardápio e encosta um terceiro de mãos vazias:
- O que vão beber?
- Eu quero o cardápio primeiro.
- Não tem bebida no cardápio.
- Você pode trazer o cardápio?
- Mas não tem bebida no cardápio.
Eu sei que podia ter dado um berro e um murro na mesa para me fazer entender. Mas sou um ser com alma nobre e apenas estou estagiando na plebe enquanto meus milhões não me chegam. Tento explicar, como cabe a um futuro pedagogo:
- Você já me disse e eu ouvi. Mas eu quero escolher lanche. Posso?
- Não vão comer pizza?
- ...
Com uma delicadeza paquidermiana a baianinha inculta e mal-remunerada puxa os pratos da mesa, sem ao menos pedir licença. Ainda que mal, tive tempo de dizer que queríamos dois refrigerantes pretos com gelo e limão. O simpático casal da mesa ao lado riu da cena insólita. Comentei com eles e a darling que quebrar rotinas robotizadas dava nisso. O povinho que trabalhava lá estava em modo piloto automático, carregado com o software "rodízio.exe". Ser do contra seria meu desafio. Mais ou menos como os Luditas faziam nas fábricas durante a revolução industrial. Pane certa. Mas eu sou brasileiro e não desisto nunca.
Alguns ajustes no modus operandi dos robozinhos e o cardápio chega em nossa mesa. Procuro escolher rápido meu lanche. Na verdade eu já sabia de antemão o tipo de coisa que queria e só usei o cardápio para escolher a versão. A darling gostou da sugestão e clonou. Melhor mesmo, porque em um ambiente lotado como aquele pedir variações seria suicídio. Dois cheese-picanhas. Segundo a descrição do cardápio algo simples como: picanha frita em tiras, com queijo derretido e salada, no meio de um pão de hambúrguer. Eu já havia comido isso lá mesmo, um ano antes. E achei que seria satisfação garantida. Ao menos foi o que pensei.
Minutos depois chegam os enormes e vaporosos lanches no prato com talheres. A servente de madeixas rosadas despenca-os rapidamente na mesa junto com um catchup. Tomo fôlego para pedir a mostarda mas ela já estava a um quilômetro. Tudo bem, esperaria outro atendente passar. Corto o primeiro pedaço, degusto e puto da vida decreto para a darling:
- Isso aqui só é picanha se for na casa da senhora mãe deles.
O casal vizinho só observa, tranqüilos que estavam com o serviço-padrão de pizzas randômicas.
- Não é? - pergunta minha companheira - .
- Nem a pau. Desde quando picanha tem nervinhos? E a aparência dessa gordura? Isto é contra-filé.
Tiro um pedaço com o garfo, destrincho no prato e mostro para a amada ironizando:
- Eu adoro pedir algo e me darem outro sem maiores explicações.
Acontece que, quando essas coisas são feitas nos estabelecimentos, os funcionários - ao menos os nascidos de profissionais do sexo - já sabem bem o que estão fazendo. A técnica é a famosa SPP: Se passar, passou. E para isso, após arremessar a entrega na mesa do cliente eles tratam de se mandar. Se possível encerram o expediente ou voltam somente quando o cliente pedir a conta. Antes de mais nada, peço para uma garçonete chamar a senhorita pink-hair. Ela chega à mesa atabalhoada com aquela cara de "fala logo que tô ocupada" e ouve a queixa do pobre freguês:
- Isto aqui não é picanha em lugar nenhum do mundo. É contra-filé.
Ela persiste e comete o pênalti. Acha de argumentar, sugerindo que me falte sanidade mental ou conhecimento:
- Impossível, porque hoje nós nem temos contra-filé.
- Querida - puxo o pedaço de carne com o garfo e mosto a ela destrinchando com os dedos - isto aqui não tem textura de picanha, não tem gosto de picanha, nem cheiro de picanha e nem gordura de picanha. Na melhor das hipóteses seria contra-filé. Mas se você diz que não têm contra-filé, aí me preocupa. Que diabo será?
Visivelmente emburrada a esguia mulher pega o meu lanche e coloca na janela do chapeiro. Conversam de forma que eu não escute, mas a darling ainda consegue ouvir. O senhor chapeiro queria reafirmar o milagre da transubstanciação bovina dizendo que não tinham contra-filé. Vão às putasqueospariram com essa insistência. Se se tratasse de pessoas leigas eu juro que perdoava. Mas esses merdas trabalham com isso o dia todo. Sabem o que receberam do fornecedor, o que cortaram e o que fritaram, mas insistem em chamar o cliente de idiota. Mais destestável impossível. A moça volta à mesa com mesmo o prato, na vã tentativa de me convencer dos poderes sobrenaturais do estabelecimento.
- Isto é picanha. Se o senhor pedir outro lanche vai vir igual. Porque não temos contra-filé. Impossível.
Que dane-se a modéstia, mas tenho um paladar de gourmê francês, olfato de cão e conheço alimentos um bocado. Mas raciocinei de forma pragmática. Eram nove e meia da noite, tínhamos ficado na fila por trinta minutos, eu não tinha almoçado e tudo nos arredores tinha filas nas portas. Então condicionei, inegociável:
- Olha jovem, não sou inimigo de contra-filé. Mas eu pago pelo gato, não pela lebre. Continem enganando aos que não conhecem carne. Vou ficar com o lanche mas jamais vou pagar isto como cheese-picanha. Tudo bem? Se vire com a especificação da conta e obrigado. Se estamos conversados, com licença que vou comer.
Não sei se resignada, aliviada, ou sei lá o quê, a ditinha ainda avisou que na hora de saírmos era para chamá-la. Entendi que era para fazer a correção da comanda. A darling, por sacanagem ou por estar com menos fome que eu, fez questão de rejeitar alguns dos pequenos pedaços que achou duros, abandonando-os mordidos no prato auxiliar. Chamei a atendente que digitou algo no micro-terminal, levantamo-nos e ao passar pelos chapeiros lancei um olhar fulminante ao time de pilantras. Estivesse eu com adereços e trajes apropriados de vodu, eles sairiam de lá direto pra se benzer. Ao pagar a conta atentei ao que era processado e vi que a magrela tinha bilhetado os lanches como "churrasco com queijo". Aqui em Sampa o têrmo define um sanduíche simplório de carne picada. Menos da metade do preço da iguaria que eu pedira e queria. Mas fome aplacada e instatisfeito com o atendimento, me mandei para casa com a querida.
Atenção senhores da Marengo: não façam mais isso. É muito feio, desonesto, ofensivo e canalha. Não tem, não tem. Um cliente satisfeito recomenda a mais dez. Um insatisfeito alerta a cem. Ou bloga, que é bem mais eficiente.
FICHA TÉCNICA:
Dia: 08/02/2008.
Hora: 21h00.
Local: bairro do Tatuapé, em Sampa.
Estabelecimento: Panificadora Marengo
Conceito: Sacanagem não se perdoa. Não merece bis.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Momento merchan
É com grata satisfação que veiculo gratuitamente neste blog, sem qualquer solicitação ou autorização dos proprietários, a seguinte empresa:
Ps.: O tio Xavier, até onde se sabe, não tem nenhum vínculo societário ou consangüíneo com os acionistas da empresa em questão. Senhores seqüestradores não percam vosso tempo.
Ps.: O tio Xavier, até onde se sabe, não tem nenhum vínculo societário ou consangüíneo com os acionistas da empresa em questão. Senhores seqüestradores não percam vosso tempo.
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