domingo, 25 de outubro de 2009

Peruadas, galinhadas & other things

Foto: Fabiano Cerchiari/UOL

Dia 16 passado, ao final da tarde, fui buscar minha cara companheira no trabalho para irmos para casa. Mal desci a rua Vergueiro - centro da capital paulista - e enfrentei um congestionamento digno horário de rush de véspera de feriado. No meio do trânsito eu soube que era uma manifestação de estudantes. Suspirei consolado. Afinal participei de tantas na minha remota juventude estudantil e os compreendia. Tratei apenas de achar caminhos alternativos. Só mais tarde tomei conhecimento de que tratava-se de uma tal "peruada" organizada por estudantes de Direito da USP do largo São Francisco.

No dia seguinte vi diversas fotos nos jornais online e um desânimo me abateu. Nada de faixas com palavras de ordem nem camisetas com slogans contra o governantes, reclames contra escassez de universidades públicas, reivindicações sociais, nada disso. Como pano de fundo - mais pretexto do que qualquer coisa - havia sim o que chamavam de "caráter político e humorístico do evento" sendo que o anti-homenageado, a princípio, era Sarney pelo seu nepotismo. Mas as imagens falam mais que palavras. Essas mostraram um trio elétrico com ninguém menos que a "cantora" Gretchen e uma banda comandando uma verdadeira festa para os dois milheiros de jovens que os seguiam. Muitos dos presentes estavam fantasiados de tudo o que se pode imaginar, dançando, empunhando latas de cerveja e, afinal de contas, curtindo mesmo uma animada micareta. Me custa acreditar que ao menos uma ínfima parte dos garotos ali tivesse intuitos politizados ou estivesse a fazer lá algo mais do que dançar, paquerar e beber ao som da "cantora" do hit Freak le boom boom.

Uma lembrança saudosa dos protestos da década de 80 que culminaram na campanha pelas eleições diretas e, pouco depois, nas Campanhas pela Constituinte, me acometeu. Foi no início de 1987 - logo após a posse dos parlamentares que escreveriam a nova Carta Magna do país - que voltamos às ruas para coletar milhões de assinaturas em toneladas de papel encaminhadas para Brasília, a fim de que na Nova Constituição fossem incluídas emendas populares por direitos civis e conseguíssemos garantir reivindicações trabalhistas, educacionais e mesmo as liberdades sociais pouco antes suprimidas. Foi um trabalho árduo, de sol a sol, que deixou nossas peles bronzeadas de tanto andar pelas ruas, montar banquinhas nas calçadas e abordar transeuntes para discutir a importância do que acontecia naquele momento. Mas valeu à pena, considerando alguns dos avanços que a Constituição Federal incorporou.

Nós os estudantes, ao lado do movimento sindical e alguns partidos de esquerda, naquele momento éramos a voz da consciência política para as massas. Precisávamos desalienar a população que ficara vinte e tantos anos à margem do processo político, intimidada e acuada pelos militares da linha-dura e seus lacaios. Éramos jovens que dividiam o tempo entre trabalho, estudo, diversão e militância, nem sempre nessa ordem. Curtíamos Legião Urbana, Cazuza e Titãs. Namorávamos, bebíamos, estudávamos, mas sobretudo sonhávamos com um país melhor e, suando nossas camisetas com slogans politizados, tentávamos por todos os meios realizar ações que tornassem o Brasil um lugar justo e equânime.

Talvez eu esteja me tornando apenas um tiozão desolado. Mas é triste ver que os estudantes secundaristas e universitários de hoje demonstram-se alienados de tudo o que acontece e sem nenhuma vontade de fazer algo que não seja "empurrar com a barriga" os seus cursos para tão somente para conseguir um trabalho bem assalariado. Quando não, cabulam aula para ir ao bar ou acompanhar algumas das baladas e micaretas propagandeadas na porta da universidade. Sei bem do que falo, pois na porta de onde estudo nunca vi uma panfletagem, que não fosse apenas sobre entretenimento.

Uma pena. Enquanto Gretchen "canta" no trio elétrico e mostra seus glúteos recauchutados para a turba estudantil de nossos dias, Renato Russo deve estar dando cambalhotas no túmulo. Terão meus herois morrido de overdose? Porque os meus inimigos, até onde sei, continuam lá onde sempre estiveram.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Notícias populares

Era um domingão à tarde. Eu havia abandonado as coisas que estavam por fazer e resolvi tirar uma soneca após o almoço. A invejável siesta, praticada religiosamente em alguns países como México, Espanha e Grécia. Povos sábios, eu diria.

A darling saíra pra ver a mãe levando a cria. Uma bênção. Deitei na minha deliciosa queen-size e coloquei o tapa-olhos, a fim de não ver os fios de claridade que entravam pela veneziana. Os carneirinhos começaram a saltar: um... dois... trêzzzz... Zzzz... O quarto ovino vinha na raia de atletismo em slow-motion ao som de Chariots of fire. Mas o telefone interrompe com aquele pipipipipi irritante. Tocou uma, duas, três... Não tive remédio senão levantar e atender com voz de poucos amigos:

- Alô.

- Oi meu filho - era a avó Xavier - você tá escutando os helicópteros?

- Hum, até estou. Mas tinha conseguido dormir apesar deles. Parecem longe.

- Mas já sabe o que é, né? - a voz da velha tinha um tom de que eu tinha que saber - por isso eu to ligando.

- Não, não sei.

A mulher assume um tom dramático de Datena e dá o fato:

- Roubaram um carro em um bairro próximo. Os ladrões fugiram e a polícia veio atrás. Então entraram em uma travessa do lado da universidade. Mas bateram no muro de uma casa e o carro pifou. Aí pularam o portão de uma casa e tomaram a família como reféns. A polícia está cercando o local. Um pandemônio! Liga na Record.

- Ahn, tá. Vou ver - minha pobre intenção era desligar o telefone e voltar a dormir -.

Mas a velha insiste:

- Ligou? Tá vendo?

- Não mãe, não liguei. Daqui a pouco eu ligo.

- Daqui a pouco coisa nenhuma. Liga agora! O repórter Schlebts tá fazendo a cobertura. Um horror. Ai meu Deus, olha isso!


- Entendi. Bom, eu vou ver lá então. Mas primeiro vou tirar minha soneca.

A dona esbraveja:

- COMO ASSIM??? VOCÊ NÃO QUER VER AGORA? VOCÊ NÃO FICA PREOCUPADO?

- Eu devia ficar?

- Mas você não tem medo?

- Medo do quê, mãe? Minha casa tá trancada. Se pularem o muro eu garanto que porta adentro eles não chegam. Não vivos, pois tenho meus meios pra isso.

- Não acredito que você não queira ver na TV. É aqui perto. Você não quer saber o que está acontecendo?

- Sinceramente? Não.

- Nossa, viu? Eu ligo aí pra dar a notícia e você nem se interessa. Olha, nunca mais te ligo pra dar notícas. Eu aqui preocupada e você nem se incomoda.

- Olha mãe, se for esse tipo de notícia, não precisa.

- Tá bom - o tom agora era de vitimização - nunca mais informo você. Puta merda, viu?

- Tá bom, mãe. Obrigado. Mas prometa.

- Tchau - se despede abrupta -.

Até o momento desta publicação ela realmente cumpriu o prometido. Doravante poderei tirar os meus cochilos dominicais pós-almoço. Sem notícia ruim. Ufa!

sábado, 10 de outubro de 2009

Não acredito. Mas que existe, existe.

Tem coisas nas quais eu não acredito nem a pau. Meu agnosticismo não permite.




E com a palavra final...

Pronto, está dito. E não se fala mais nisso.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Personal Mobility Device

Que obras na Marginal Tietê, que nada. Nada de investir bilhões em vias férreas e transporte de massa. Já que a linha do Capitalismo vai sempre focar o individual, o jeito é substituírem todos os veículos por esse genial dispositivo que está sendo gestado pela Honda: o U3-X, o mais novo e revolucionário dispositivo pessoal para transporte.

Os donos dos estacionamentos já estão se preparando para mudar de ramo.



O único problema ainda não resolvido pelo fabricante é com relação aos dias chuvosos. Aí danou-se.

domingo, 27 de setembro de 2009

Kingston®: o pendrive lavável (2)

Se você ainda não leu a experiência científica anterior, passe AQUI antes de ler este post. O pendrive utilizado foi o mesmo exemplar dos testes anteriores.

Desta vez o experimento foi diferente, para uma análise de espectro mais amplo. O sabão aplicado foi da marca Brilhante. Como aquela máquina BS-Continental pediu aposentadoria a de agora é uma Bosch®. O meio de suporte utilizado para o objeto dentro da máquina foi o bolso de uma camisa. Nesta versão a água da máquina foi mantida fria.

O pendrive saiu da máquina encharcado e pingando. Como era um dia ensolarado, não utilizamos a secadora. Assim, o equipamento foi pendurado no varal, com o conector virado para baixo, sob sol escaldante para fins de secagem ao natural.

RESULTADO: após algumas horas pendurado junto com as roupas, o pen-drive Kingston® de 512MB foi conectado a uma porta usb de um notebook Acer ligado. Demorou cerca de trinta segundos e o micro chegou a exibir a tela de "instalação de dispositivo". Mas depois do processo, os arquivos anteriores estavam intactos, novas gravações foram feitas nele e o dito está mais alvo, com cheiro de amaciante, em ótimas condições de uso.

Assim, declaro que o pendrive Kingston® de 512MB faz jus ao selo do Xavier Institute of Quality Assurance™ e terá seu certificado revalidado por mais cinco anos.

Ps.: Essa experiência foi executada por profissionais treinados. Não tente fazer isso na sua casa. O pendrive utilizado no experimento foi o de 512KB, a máquina de lavar é Bosch®. O sabão em pó Brilhante® é fabricado Unilever. Não temos registro de resultados com dispositivos de outras capacidades. Nenhum dos mãos-de-vaca, fabricantes das marcas acima, topou pagar algo por este testemunho e não se responsabilizam por tentativas similares.

Agradeço a Santo Expedito (2)

Ainda não ganhei um centavo com isto. Mas acabei de ver no contador, lá no rodapé, que as pageviews desta pocilga ultrapassaram a marca de 20.000. Foram mais de vinte mil cliques desde quando instalei essa porcaria de numerador.

Grande merda, não é mesmo? Meu corsinha velho ultrapassou 200.000Km e o que ganhei foram mais despesas com manutenção. Agora aqui nem manutenção tenho dado.

Agradeço a todos os SEIS leitores. Sim, são seis. Convenci um professor meu a olhar de vez em quando. Para garantir, toda segunda-feira eu pergunto a ele "e aí, teacherzão que achou do meu último post?". Eu o enquadro para ter certeza de que pelo menos ele abriu e leu o título.

Agradeço também à darling, por ter colocado o Sem Sentido como página inicial dela no micro da firma. Agradeço também à minha mãe que outro dia ficou pressionando [F5] o dia todo, embora não tenha entendido o porquê de eu pedir isso.

Um abração a todos e boa semana.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Curso rápido de plágio

Algumas pessoas têm muita dificuldade em ler e compreender um texto, o que os especialistas denominam como "analfabetismo funcional". Outras têm distúrbios de aprendizagem, o que as impossibilita de relacionar fonemas com grafemas e significantes com significados, como é o caso dos disléxicos.

Seja qual for o seu caso, ou simples inaptidão para usar os neurônios esquerdo e direito, síndrome conhecida como "preguiça mental", segue abaixo um curso expresso de plágio. Você não precisa nem saber ler, tampouco escrever. Basta usar os comandos CTRL+C / CTRL+V, em determinados trechos de um bom texto de modo aleatório. Não é necessário prática tampouco habilidade, pois também são pré-requisitos difíceis para determinadas pessoas.

Você mesmo pode fazer no seu computador. Se não souber ligar o PC peça para alguém fazer isso por você. Veja o resultado abaixo, extraído da plataforma de EAD de uma universidade situada em São Paulo:


Esta primeira fez recortes simples mas mutiladores, comprometendo trechos e destituindo algumas frases do sentido original:


Note que esta segunda tem dificuldades com numerais também, pois confundiu o título do assunto:


Daqui a alguns meses é muito provável que ambas estejam diplomadas. E assim caminha a inducassão.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Vá em paz Gunther

Os desígnios divinos são mesmo imperscrutáveis. Quem saberá o que se passa na cabeça dos deuses, sejam eles politeístas ou monoteístas? Já li - não lembro em qual romance - que "Deus, o Destino e o Kaiser são a mesma pessoa" (acho que foi em um Machado de Assis).

Mas quero manifestar meus pêsames pelo falecimento de Gunther Link. Alguém de quem pouco sabemos, mas que sem dúvida foi um homem sincero na sua devoção. Católico fervoroso com 45 anos Gunther havia ficado preso em um elevador pouco antes. Podemos supor que a maioria dos leitores daqui já tenham ficado presos em elevadores. Pelo menos eu fiquei algumas vezes, já que nem todos são mantidos com as preventivas recomendadas. Felizmente nenhum despencou do cabo de aço, razão pela qual encontro-me aqui escrevendo para deleite dos 5 leitores. Mas voltemos ao assunto.

É a fé que permite ao homem enxergar os acontecimentos com outros olhos. No aparentemente corriqueiro, o homem de fé consegue enxergar a ação divina. Do alto da sua fé, Gunther interpretou seu resgate como um milagre divino, tal como um Lázaro a sair do sepulcro. Logo Gunther não teve a menor dúvida em dirigir-se a um templo católico para agradecer, com um ato de reverência, gratidão e adoração. Porém o destino lhe reservava mais uma surpresa. Pior ou melhor, ninguém senão ele agora poderá saber.

Ocorreu que ao abraçar uma pilastra do altar - provavelmente emocionado e orando aos prantos - o Sr. Link foi abatido pela gigantesca pedra da mesa de culto que caiu sobre ele. Seu corpo padeceu ali mesmo, naquele que seria seu derradeiro ato de fé na vida carnal. Ao morrer na casa do seu senhor, Gunther talvez estivesse sinalizando simbolicamente o destino de sua alma.

Não sei como são as igrejas na Áustria, se há zelador, se trancam as portas ou se são ao menos vigiadas. Mas essa em específico parece que não. Gunther foi encontrado por fieis somente no dia seguinte, por ocasião dos preparativos para a missa. Qual não terá sido o choque das pessoas que, adentrando ao templo, encontraram aquele homem simples e piedoso prensado sob o altar sagrado de oferenda e celebração? Pois assim estava o próprio corpo de Gunther como um auto-sacrifício para a incompreensão de muitos. Descrente e materialista, agora a polícia de Viena está investigando o ininvestigável. Pobres homens esses que tentam compreender o que não é compreendido pelo intelecto, mas tão e somente pela alma daquele que crê.

Vai ter azar assim no inferno, hein Gunther! Ou sorte no paraíso. Quem há de saber?

A propósito, a notícia foi obtida AQUI.

domingo, 30 de agosto de 2009

Da série: placas interessantes

Essa placa espetacular encontra-se na entrada para a balsa Guarujá-Santos.

Só fiquei pensando se não dava para os caras serem mais objetivos.


Depois não querem que a gente fale

Olhe você mesmo a cena de amor apaixonado. Não quero ser o acusador de nada, mas a foto não deixa dúvidas quanto às preferências sexuais dos sãopaulinos. É isso.

sábado, 15 de agosto de 2009

Vendendo o peixe

Sinto uma compulsão absurda por escrever. Sei que escrevo mais bobagem do que coisa útil e por isso há alguns anos eu criei o Sem Sentido.

Só que entre outras coisas sou também um irresponsável profissional de vendas há mais de vinte anos. Acho que a meia-dúzia de acertos e as milhares de erros que já cometi na profissão (o que explica minha pobreza de marré-de-si) podem ser documentados de forma a servir ao menos aos iniciantes na profissão como guia sobre o que não fazer.

Goste ou não, está lançado a partir deste momento o Vendendo o peixe, meu mais novo blog. É destinado aos vendedores e demais interessados no assunto. Em breve estará nas piores livrarias e palestras mais chinfrins de autoajuda (auto-ajuda não tem mais hífen; é isso né?).

ACESSE AQUI E INAUGURE UMA NOVA ETAPA NA SUA VIDA!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Baixo calão no Senado

Noooofa gente! Estou estupefato. A troca de ofensas entre o Tasso e o Canalh(ops) Calheiros foi um horror. Até onde consegui assistir na web, um chamou o outro de dedo-sujo, coronel cangaceiro (e de terceira categoria!) e mais ainda: minoria com complexo de maioria. Esta última expressão chula eu nem sei o que quer dizer. Meu léxico de palavrões é limitado aos tradicionais e mais antigos.

Mas agora vem o pior. Eu não vi, mas quem viu disse que é verdade. Um teria mandado o outro a... como é que vou escrever? Estou constrangido. Bem, lá vai: à M-E-R-D-A. Que coisa horrorosa mandar o outro àquele lugar (merda é um lugar?) que é sinônimo de excremento intestinal. Realmente a nossa política está pela hora da morte. Basta lembrarmos que todos nós, este que escreve e os cinco leitores (sim, descobri mais um), jamais seríamos capazes de proferir em sã consciência coisas tão vilipendiosas e ofensivas.

Agora se alguém aí não cair no conto da hipocrisia e não estiver almejando entrar para a Liga das Senhoras Católicas ou para os Vicentinos, saberá que mandar à merda - se bem que eu ainda não tenho provas desse xingo - não será a pior das excrementações que os nobres parlamentares cometem com o meu, com o seu, com o nosso suado dinheirinho. O critério de decoro parlamentar deles é um bocado distinto dos conceitos da média da população, para quem mandar o colega de trabalho à merda ou quem sabe à puta que o pariu seja até saudável de vez em quando, podendo inclusive evitar AVC's e males cardíacos. Por mim eles que se mandem à merda, às putas que os pariram ou quiçá tomarem nos respectivos orifícios anais, também conhecidos como cus. Pouco importa, uma vez que eles fazem exatamente isso com o dinheiro dos pesados impostos recolhidos da população. Pelo menos de vez em quando eles devolvem a grana sob a forma de espetáculo circense. Circenses sem panis. Essas sim são as ofensas de fato.

Peço desculpas a todas as prostitutas que tomarem conhecimento destes apontamentos. Entendo perfeitamente que elas trabalham honestamente, alugam o que é delas e ganham o pão cotidiano às próprias custas. Com suor dos seus corpos são obrigadas a tolerar clientes dos mais grotescos, muitos com vocação para senadores esbravejantes.

A todas as putas venho manifestar meu desagravo e respeito. Faço questão de reiterar que nenhuma de vocês é mãe daqueles caras do Congresso e do Senado. Tomara.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O poder de cura do riso

Patch Adams já está entre nós. Muito interessante a reportagem e os esclarecimentos dos profissionais entrevistados. Destaque para a psicóloga Andréia Christina de quem eu tenho a honra de ser amigo.

domingo, 26 de julho de 2009

Envelhecer com dignidade

A questão da velhice sempre me intrigou. Me lembro de quando criança pegar nas mãos de uma tia-bisavó e ficar brincando com a sua pele flácida. Não achava beleza nem feiúra. Era apenas uma mistura de carinho e brincadeira de criança. Ao mesmo tempo, seus cabelos branquinhos e presos em coque me transmitiam uma imagem de grandiosidade que eu não sabia explicar. Hoje entendo mais racionalmente como sinais externos da experiência histórica de décadas vividas, a prenunciar a escassez do tempo restante.

Semana passada eu estava com a família em um balneário tirando uns dias de férias. No local, considerável parcela dos hóspedes eram pessoas acima dos sessenta anos, algumas das quais organizadas em excursões. O convívio inevitável nas áreas comuns - como no restaurante - permitiam-me observar trejeitos e comportamentos de vários deles, como em uma pesquisa de campo descompromissada. Os perfis eram dos mais variados e cada um denotava nas entrelinhas as diferentes concepções de vida.

Um dos casais parecia em plena lua de mel. O zelo e o trato mútuos levantavam-me a suspeita de que poderia não ser um casamento de bodas de ouro, mas sim um namoro recente. A história verossímil que construí mentalmente para eles dava conta de que ambos haviam enviuvado há alguns anos e tinham se conhecido em um baile. Com efeito eles dançavam com desenvoltura invejável durante os bailes noturnos no balneário. Tinham simplicidade no vestir, mas de modo esmerado, transmitindo a imagem de pessoas de poucas posses, porém caprichosas consigo. Os cabelos rareando e os rostos marcados pelo tempo nem pareciam ser das mesmas pessoas, que demonstravam gana por tirar o melhor proveito do cotidiano. Acima de tudo um bonito par de namoradinhos, isso eram mesmo.

Já outro casal destacava-se pelo contraste de aparências. Ela, curiosamente andava de bobes na cabeça durante parte do dia, sempre vestida de modo exagerado para o local. Era como se a qualquer momento fosse participar de um evento diplomático ou receber um célebre. O seu companheiro parecia mais velho. Era despojado, mas não menos distinto. Andava sempre bem arrumado e com boas costuras, mesmo que trajado de modo informal. A dona tinha características visíveis de quem passou por cirurgia plástica. Se sua face emprestava-lhe uma década a menos à primeira olhada - o que explicava a aparência de mais jovem que o marido - não resistia à segunda fitada, pois ostentava aqueles olhos repuxados pelo esticamento da pele. Chegava mesmo a ser estranha pelas vestes e aparência um bocado artificializadas. Sua postura era altiva e um tanto pedante, enquanto a de seu marido insinuava a vassalagem de quem ficava com parte bem menor das posses sociais e materiais.

No local haviam outros tantos. Uns solitários, de olhar perdido, e outros que mesmo sem par misturavam-se aos dançantes fazendo a própria festa. Vi também turmas de senhoras desacompanhadas, que ficavam em rodinhas tagarelando, cada qual encenando a seu modo o teatro concreto da velhice. No que será que pensavam quando estavam em silêncio? Fofocando com minha querida reparávamos em um e outro, aqui e acolá, enquanto aproveitávamos para elucubrar sobre como deveríamos viver a nossa terceira idade. De consenso até o momento só temos que o zelo com a aparência não resolve as questões da alma e que envelhecer com saúde, autonomia, dignidade e alegria possa ser o suficiente, apesar de ser um desafio grandioso por si só.

Acabamos elegendo como modelo a simplicidade do primeiro casal - os supostos viúvos - que acima de tudo faziam notar um equilíbrio carinhoso e sadio na relação amorosa. Não vejo com bons olhos o esforço desmedido em cirurgias e tratamentos estéticos, pois mais desfiguram do que configuram. Tentar resgatar forçosamente com bisturis e enxertos, o viço de décadas que já passaram, sempre me soou um pouco doentio.

Generalizando um pouco, minha percepção é que as pessoas que mais se sacrificam e gastam dinheiro pela aparência física curiosamente são as que menos zelam pela espiritualidade. Por espiritualidade, entenda aqui a busca de saberes mais profundos, de transcendência, de completude, de autoconhecimento e de um modo de viver presente e reflexivo. Para mim é como se a ganância cega pelo visual buscasse compensação pela esqualidez e fugacidade da alma desnutrida. Hoje em dia essa busca já não é exclusiva dos mais velhos. Podemos encontrar moças de vinte anos ou até menos entregando-se às clínicas de cirurgia estética, como quem rasteja diante dos ditames comerciais da beleza física a qualquer preço. O desespero pela aparência pode ser apenas uma válvula de escape, paradoxalmente por causa de um vazio interior. Em um mundo marcado pelo consumo não é de se estranhar que a embalagem ganhe mais atenção do que o produto. Mas são escolhas. Cada pessoa faz as suas.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Justa causa

Antes de você praquejar contra mim porque esta espelunca não é atualizada, explico: eu estaaaava gozando férias (infelizmente no pretérito).

Segundo, caso queira ler os melhores microposts do momento, aviso que estou tuitando:


Sem mais para o momento.

Tio Xavier

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Tunak

No clima criativo de modinha indiana que a novela da Globo está suscitando, a Som Livre bem que podia ressuscitar o Tunak. Afinal de contas, ninguém mais sensacional, indiano e dançante do que ele. Acrescente-se "Bizarro".

domingo, 12 de julho de 2009

Festival do quê???

Pamplona, Espanha. Festival de São Firmino. Lá foi o povo lançar mão do seu sadismo e manifestar seu desprezo pelos animais na realização de mais uma competição absurda. Competição é modo de dizer, porque na verdade trata-se de um massacre onde os vencedores são sempre os mesmos: uma multidão covarde de seres humanos. O perdedor - ou melhor dizendo, a vítima fatal - é um pobre animal, que não pediu para participar e sequer entende o que está acontecendo. Aliás nem eu entendo. Gostaria de saber se esse tal Firmino que batiza a festa era também sádico e maltratava animais. Não pesquisei sua vida, mas duvido um bocado. Os homens santos de verdade são marcados principalmente pelo respeito à vida e pela compaixão.

Desesperado com a turba ensandecida o touro tenta apenas fugir e se defender como possível. Talvez instintivamente ele perceba que seus minutos estão contados. Como resultado, na última "festa" desta semana o valente bovino conseguiu o que na minha avaliação foi uma façanha. Ao defender-se bravamente da multidão logrou êxito ao atacar um dos endemoninhados que se divertia com os maus-tratos. Matou o idiota a chifradas perfurando seu pulmão e o pescoço. Querem saber minha opinião? Bem feito! Parabéns para o touro! Pena que o pobre animal, atacado por centenas de dementes não tenha dado conta de mais uma dúzia deles. Claro que depois dessa palhaçada o animal é abatido, sempre da forma mais cruel possível.

Mas nem tudo está perdido. Enquanto o massacre era praticado, um enorme grupo de manifestantes vindos de vários países protestava contra essa aberração. Muitos aproveitaram o verão europeu e desfilaram nus o que, segundo organizadores, era para chamar a atenção. Espero que tenham conseguido o objetivo. Embora esses peladões sejam um tanto bizarros e andar com genitálias expostas não seja a única maneira eficaz de protesto, ao menos estão expondo a si mesmos, ao contrário dos sádicos e cruéis que se divertem expondo ao sofrimento animais inocentes.

Que existam seres humanos idiotas e maus o suficiente para realizar festivais como o de São Firmino, vaquejadas, touradas, rodeios e similares isso já não me espanta, embora eu continue indignado. O que ainda me preocupa mais é que governantes sejam igualmente covardes e sádicos a ponto de continuar a permitir esse tipo de coisa, tendo como pretexto promover o turismo e seja lá o que mais for.

Enquanto nada é feito, continuarei a torcer pelos touros e vibrar quando algum desses pobres bichos conseguir dar o troco devido. Espero também que o idiota que morreu a chifradas acorde em outro mundo, correndo desesperado e nu no meio de uma porção de touros enlouquecidos, em algo como um "festival de São Bovinus". Tomara mesmo.

Foto: Reuters

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Bingo versus o abandono de animais

Anos antes de eu me mudar do bairro de Vila Romana, uma colega de sala - a Marta - avisou na escola que sua cachorrinha sem raça definida havia parido meia-dúzia de filhotes e os doaria assim que desmamassem. Demorou alguns dias para eu convencer meus pais a me deixarem ficar com um. Mas com minha persistência acabaram cedendo. Claro que com aquela lista de condições que se referiam ao zêlo com o animal, incluindo a higiene dele e limpeza da sujeira. Tudo seria a meu cargo, mas eu prometeria qualquer coisa naquela hora, ainda que todos soubéssemos que nem sempre cumpriria.

Como fui o último a confirmar, tive que me resignar com o último deles que era o mais feinho de todos. Era cinzento, de pelagem bagunçada e seu porte indicava que nunca teria uma estatura vistosa. Bingo foi o nome que escolhi.

Os meses foram passando e tal e qual na fábula do pato, o cãozinho feio foi se configurando no mais bonito de toda a ninhada. Como rezava um boato, o suposto pai era um cocker-espanhol que morava na vizinhança. Se for verdade, Bingo herdou suas mais bonitas características que incluiam um farto pêlo dourado, sedoso e esvoaçante. Sua estatura ficou média e a postura garbosa. Como eu nunca fora muito de brincar na rua, Bingo era na prática o meu melhor amigo. Chorava comigo quando eu levava chineladas da minha mãe, fazia papel de monstro nas brincadeiras com meus soldadinhos e miniaturas e me acompanhava em passeios, ocasiões em que me protegia sempre que uma turminha de moleques folgados vinha me importunar.

Depois de quatro anos na Vila Romana, o meu amigo canino chegou a morar conosco em mais duas efêmeras residências no bairro de Vila Maria. Mas eis que chega em casa uma carta muito implorada aos anjos e santos pela minha mãe. A Cohab - Cia Habitacional de São Paulo - ofereceu à minha família um apartamento na Cohab-II, um conjunto imenso no fundão do final, da então última beirada da Zona Leste de São Paulo. O sonho da casa própria iria se concretizar. Mas havia um pequeno problema: em um minúsculo apartamento de dois dormitórios, os cães, além de não terem lugar adequado, eram expressamente proibidos pela arrendatária. Em suma, eu teria que me despedir do meu amigo Bingo, com quem eu convivera em significativa parte das infâncias de ambos.

Por semanas procuramos entre a vasta parentela quem tivesse uma casa com espaço e se dispusesse a adotar um cachorro com seis anos. Bingo era inofensivo, mas a maior das pessoas hesita em arcar com um cão adulto. De conversa em conversa meu pai conseguiu que uma prima, que morava no diametralmente oposto bairro do Jaraguá, ficasse com Bingo. Já o conheciam e aceitaram na família. Avesso às minhas preces para o tempo parar, o destino chegou e trouxe consigo o dia de o levarmos. Um tio que tinha carro nos transportou até a casa da prima. Fomos eu e meu pai, levando Bingo e seus pertences. Eu estava no banco de trás e fiz o trajeto todo abraçado a ele, ensopando-o com o sofrido choro da separação. Não era um cão. Era antes parte de minha vivência, da qual eu me despedia naquele momento. Depois de ambientado na casa da prima, almoçamos e chegou a hora de partirmos. Dói lembrar essa cena e não sei por mais quantos dias ou semanas eu chorei escondido pela saudade do cãozinho a quem eu tinha dado leite, comida, carinho e amizade. Do Bingo eu tinha recebido fidelidade, afeto e companhia infalíveis. Por causa da distância, agravada pela falta de um automóvel e pela condução precária, revi meu amigo por mais poucas vezes depois disso. Até que anos mais tarde soube que ele morrera.

Hoje recordando-me do meu amigo Bingo não me conformo que a Prefeitura de São Paulo tenha que fazer uma campanha de conscientização para que não se abandone animais. Que raio de animal é o bicho-homem para ser capaz de expulsar do convívio familiar um animal domesticado e abandoná-lo indefeso em beiras de estrada, bairros desconhecidos e terrenos baldios? A racionalidade atribuída como exclusiva do homem, antes de ser sua melhor qualidade, talvez seja seu pior defeito. A razão, nesse caso, talvez seja o atributo que permite a um humano contabilizar egoisticamente o que julga oportuno para si, ignorando, entre outras coisas o olhar terno e fiel de um animal de estimação.

Me preocupa conviver com uma comunidade humana tão consumista e pragmática a ponto de um animalzinho de convívio não lhe despertar amor de verdade, com zelo e responsabilidade. Mas esses são os tais humanos e quanto mais os conheço mais me decepciono com eles. Sempre suspeitei que um ser humano que não sinta compaixão por um animal seja igualmente incapaz de senti-la pelo seu semelhante.

Fica aqui meu recado: não abandone nunca seu animal de estimação. Ao menos consiga outro lar para ele. Faça isso por você mesmo. Caso seja incapaz de compreender, lamento muito por você.

Cartaz da campanha contra o abandono de animais.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Depois da santa do vidro...

No RS uma família encontrou o que acha ser o rosto do Michael Jackson na gordura de uma carne assada (foto).

Emílio Rotta/Ag. Free Lancer /Futura Press/Site Terra

Essa imagem, no meu ver, revela ao menos dez coisas:

1) Eles lavam os utensílios de maneira duvidosa. Tem crostas que estão lá desde quando Michael começou a carreira.

2) Essa família não é longeva. Devem morrer de infarte ou AVC em pouco tempo.

3) Pelo mesmo motivo, os manequins da família são todos acima de 46, incluindo a filha de 6 anos.

4) O Gugu no próximo domingo fará uma extensa cobertura do assunto, já que a santa do vidro foi esquecida.

5) Em breve legiões de fãs piedosos farão romaria ao RS para ver o rosto gordurento na fôrma.

6) O milagre só durará o inverno. Na primavera essa nojeira derreterá.

7) Há gente desocupada na família. Quem é que fica olhando gordura em assadeira à caça de imagens?

8) Esse fotógrafo (devidamente creditado) tem um futuro brilhante. Cobertura de assadeira com gordura é sem dúvida um furo de reportagem.

9) Lajeado-RS é um mercado potencial para venda de papel-alumínio. Ninguém por lá sabe forrar uma assadeira.

10) E, por fim, a família em questão tem um baita mau-gosto para decoração: a cortina de bambuzinho, a geladeira bege e o gabinete cor de mogno são lamentáveis. Extreme Makeover neles!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ben

Era 1974. O tio estava no primeiro ano do primário. Magrelo, espevitado e comunicativo, ainda que precocemente, eu estava apaixonado pela Magali. Era uma loirinha de bonitos olhos vivazes, um tanto mais alta que o tio e que aos tenros oito anos, seu corpinho já dava pequenos sinais de seus os hormônios reproduziam-se em velocidade maior do que a média das meninas. Do amor anotado em bilhetes ela tinha prometido um beijo - na boca, claro - o que representava uma transgressão e tanto para a idade e ainda mais para a época.

Sábado à noite, comemoração do aniversário da Magali e óbvio que o menino miúdo de olhos azuis estava lá apaixonado. Festinha na casa da família Império na Vila Romana, bairro simpático e tradicional de Sampa. Na vitrola Philips, o alto-falante situado na tampa vermelha destilava sucessos da época com Elton John, The Chi-Lites e Stevie Wonder entre outros, a maioria concatenados no LP trilha da novela global Uma Rosa Com Amor. Mas na hora das músicas lentas, ocasião em que nos bons tempos se dançava abraçado e com o rosto coladinho, Magali e eu não pensávamos em outra coisa que não fosse dançarmos grudados. A paixãozinha precoce tinha um misto de ingênuo e descoberta. E começa a tal música lenta...
"Ben, the two of us need look no more
We both found what we were looking for
With a friend to call my own
I'll never be alone
And you, my friend will see
You've got a friend in me
(You've got a friend in me)"
A voz que cantava era a de uma criança, ao som de um violão de aço e uma bateria suave, com cadência quase melancólica. Todos sabíamos tratar-se de Michael Jackson. Na época já seria um rapazote, mas os sucessos musicais costumavam durar anos. Ben, na vozinha pueril de Michael, não era uma exceção. Teria durado um bom tempo no topo das paradas de sucesso, de modo que lá estava embalando nosso romance.

A simplicidade dava o tom das coisas nos primórdios dos anos 70. Em um bailinho promovido com uma simples vitrola, sem luzes especiais nem mixers, podia-se esperar que o operador trocasse o disco ou que uma mesma música fosse tocada diversas vezes, repetida ou alternadamente. O grande sucesso daquela noite foi Ben, cuja repetição hoje em dia seria estranha à maioria das pessoas. Após cada uma das execuções de Ben, eu e Magali saíamos sorrateiros e ligeiros para algum lugar escuso aos portões da casa para ensaiar o beijo.

Os corações pequeninos batiam a 150bpm. Os olhinhos brilhavam no escuro. Cada par de mãozinhas se amparava nas do outro suando em bicas. Mas a coragem para inclinar a cabeça não vinha. Acho que a Magali estava mais resolvida com aquilo do que eu. Mas jamais uma dama tomaria a iniciativa. Ela esperava quase cobrando pela aproximação dos meus lábios para o sonhado beijo. E à cada ensaio frustrado, sempre que Michael Jackson voltava a cantar nós corríamos de volta à garagem coberta para dançar e flutuar novamente. Nunca esqueci aquela pele macia nem os longos cabelos dourados no meu rosto me fazendo sonhar. Sonhava que eu já era "grande" e que podíamos sair de mãos dadas, ir ao cinema, ir à lanchonete juntos. Era tudo o que um casalzinho de oito anos conseguia devanear, no auge de um amor puro e ingênuo.

O beijo nunca aconteceu. De ensaio em ensaio, lembro somente da penumbra e da voz fina da Magali dizendo que estava esperando, em meio a um sorriso lindo. A coragem me faltou, mas não a emoção do momento único. A pulsação frenética, o calor das mãos se tocando e os corpinhos magricelos dançando, isso tudo eu nunca esqueci. Assim como se eternizaram nos meus ouvidos os versos na voz de Michael Jackson, que eu nem sabia o que diziam, mas que os bons artistas fazem sentir de forma tão universal que sua poesia e voz atravessam continentes e culturas para tocar os corações apaixonados. Daquele aniversário ficou a doce lembrança da Magali, de quem anos mais tarde eu me despediria ao mudar de bairro para sempre. Mas também e igualmente ficou a delicada voz e o violão de Ben.

Essa é uma das tantas histórias que Michael Jackson nunca soube. Certamente eu e milhões de outras pessoas vivenciamos romances, aventuras e mais tarde noites de glamour dançante ao som estrondoso das discotecas e sob luzes estroboscópicas estonteantes. Por mais três décadas a evolução musical de Michael Jackson, que separou-se e juntou-se com os irmãos algumas vezes, embalaram a vida de tantos jovens sonhadores.

Michael Jackson não nos conheceu, mas certamente sabia de tudo isso. E ontem ao partir depois de uma vida atribulada, às vezes doentia - características quase inerentes à carreira escolhida - o astro pop deixou órfãos duas ou três gerações de fãs. Mas como toda boa obra se eterniza, sua influência musical e coreografias perdurarão por muitos e muitos anos nos mais diversificados artistas.

Vai em paz, Michael. Sua missão terminou e no que diz respeito ao seu trabalho foi pra lá de caprichada. Desculpa pela inevitável fuga de lágrimas e muito obrigado pela presença.

E você, que leu isto até aqui, ligue o som, feche os olhos e apenas ouça.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Looping para não ser atendido

1) Abra uma conta no banco abaixo.

2) Tente falar com o banco pela Superlinha (4004-xxxx). Após propagandas você ouvirá uma gravação dizendo que o serviço está temporariamente indisponível. Nunca informam por quanto tempo. Na verdade o serviço está disponível, mas como a fila de espera excederá o tempo exigido por lei, eles batem a porta na sua cara. Desse modo não são penalizados por demora. Ou seja: demora é infração, mas indisponibilidade não é. Captou? Não? Esquece e vá já para o passo 3.

3) Entre no site do banco. Após fazer o login da sua conta, clique no link de um suposto chat, na plataforma web de sua conta-corrente. Você verá essa linda imagem:


4) Agora você pode teclar sua mensagem pois supostamente há um especialista online pronto para ajudá-lo, afinal está escrito na tela, certo? ERRADO. Ao tentar "enviar" a mensagem você receberá esse alerta:


5) Resignado você dá "OK" e pressiona o botão "SAIR", pois é o único que funcionará. Aí o site lhe dará essa outra singela e polida mensagem:


6) Você então decide ligar na Ouvidoria do banco. No site deles tem um telefone 0800 (oba, grátis!). Uma vez que conseguir ser atendido, o ouvidor lhe solicitará o número de protocolo da reclamação. Assim que você informar que não possui, o ouvidor - que agora se tornará falador - dirá que você tem que ligar na Superlinha para reclamar e obter o número de protocolo.

7) Volte ao passo 2.

A quem serve a ignorância

"A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho". (Lei de Diretrizes e Bases, Artigo 2º)

Educação pública sempre dispensou adjetivos. Não se dizia “educação pública de qualidade” nos anos 60, quando qualidade, antes de predicado, era imperiosa obrigação. Quem precisava de adjetivação era a escola particular, onde estudar custava caro, muito caro. Em alguns casos decorrência da excelência do ensino. Em muitos outros causa direta da salvação que se oferecia aos ineptos da escola pública.


Hoje a escola se transformou num instrumento de apartheid social. Nas últimas décadas do século passado o direito à educação e à saúde ficou diretamente proporcional à renda das famílias, num período em que a carga tributária no país só fez aumentar. Enquanto pagávamos, a cada ano, mais e mais impostos, recebíamos de volta cada vez menos e menos direitos, bens e serviços...


O que incomoda, ao lado da derrocada da educação no país, é o discurso falacioso de políticos e gestores públicos. Quer sejam prefeitos ou governadores, todos falam em melhora acentuada dos índices educacionais quando se trata de avaliar suas próprias gestões. Festejar números e estatísticas, para políticos em geral, é o mesmo que comemorar o resgate da excelência do ensino público.


Não há meias palavras nesse universo. O único indicador cabível para medir a qualidade do ensino está em garantir que a escola pública funcione como espaço democrático de conhecimento e de socialização. Escola verdadeiramente pública é aquela que é freqüentada por todos - filhos de autoridades e de empresários, de deputados e profissionais liberais, de cantores e intelectuais -, e não somente por pobres e remediados. A escola que separa crianças pelo critério da renda jamais funcionará como local de expansão do conhecimento e de disseminação da esperança.


Enquanto não conseguirmos diferenciar educação de mercadoria, a escola pública será sempre ruim. Afinal, esta é a maneira mais eficiente de tornar a educação uma mercadoria supervalorizada... Essa lógica perversa interessa à maioria dos políticos, que se perpetuam graças à ignorância da maioria.


(Texto de Alexandre Pelegi, publicado nesta data em www.primeiroprograma.com.br)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

No submarines

Alguns banheiros são verdadeiras galerias de arte. Aparentemente para coibir a permanência de algumas obras, a direção de uma empresa que é cliente do tio afixou esse sublime e carinhoso aviso, conforme foto abaixo.

Singeleza é tudo.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O Mago

Elogiar biografias do Fernando Morais pode ser um tremendo pleonasmo, pois suas obras já são um elogio por si só. Mas nada como ler algo sobre Paulo Coelho escrito com a pena de um jornalista tão brilhante. Já tive oportunidade de ler Corações Sujos e Chatô, entre outras obras do Morais. Por isso admito que só topei ler a vida do Paulo Coelho por conta da autoria. O Mago, publicado pela Editora Planeta do Brasil, é de uma fluidez textual capaz de fazer qualquer preguiçoso devorar as suas 632 páginas em pouquíssimos dias. Fica por aqui o registro dispensável de parabéns ao autor e à obra.

Já sobre a obra do escritor de maior vendagem mundial de todos os tempos, resta admitir que é um fenômeno de marketing literário "jamais visto na história" para parafrasear o nosso iletrado presidente. Li apenas três das primeiras obras de sucesso de Paulo Coelho, a saber: O Diário de Um Mago, O Alquimista e Brida no início da década de 90, quando o escritor tornava-se um best-seller brasileiro. A proposta dos livros - claramente situados no universo da auto-ajuda - é de uma espiritualidade profunda como um pires. Talvez eu tenha sido exigente demais por conhecer coisas interessantes sobre diversas manifestações religiosas e filosóficas. Mas o "conteúdo" dos três livros na época não me serviu muito mais do que como gancho para impressionar moçoilas desavisadas e arrastá-las para intimidades, no que fui razoavelmente eficaz. No aspecto espiritual-religioso os livros "coelhais" são emaranhados de mitos, práticas religiosas e fraseado recortado de diversas tradições aqui e acolá. Portanto, eu não gastaria meu escasso tempo de hoje em dia para ler algo dele.

Mas por trás da obra está um homem e uma história. Ao passar pela narração de O Mago, o leitor entrará em contato com um personagem concreto, bem contextualizado e bem demarcado. Paulo Coelho não fora nenhum mendigo, proletário ou andarilho, que passou a vender sonhos e se notabilizou do zero social à notoriedade mundial, a ponto de ser convidado de honra de pessoas como a rainha da Inglaterra. As origens de Paulo Coelho remetem primeiro a ascendências nobres, que ele viria a descobrir mais tarde. Mas também especificamente a uma classe média-alta em ascensão na capital fluminense da década de 60. Esse lastro familiar, com casa bem situada, pai com profissão notória, passagens por colégios renomados (embora com desempenho questionável) permitiu que o escritor concedesse a si vários luxos como "vadiar" pelo mundo artístico teatral por anos seguidos, enfiar o nariz e as veias no alucinante mundo das drogas, surtasse em suas crises existenciais quebrando todos os pertences da casa paterna, fosse internado em clínica psiquiátrica a título bem oneroso, espairecesse nos EUA e na Inglaterra (sempre salvaguardado por ajuda financeira dos pais) e em suma contasse com o que Bourdieu chama de "capital social". Dessa maneira, seus surtos e desbundes foram progressivamente resultando em mais aquisições sociais até situá-lo de forma quase irreversível no seguro círculo dos possuidores. Tragam à luz novamente o escritor em uma residência proletária e seus intentos literários não resistirão sequer até a sua adolescência.

O mérito do escritor de maior sucesso mundial, está fragmentado em uma conjunção de fatores favoráveis dos quais o maior sustentáculo está na mediocridade filosófica dos leitores. Só pra citar um exemplo: se alguém leu os quatro volumes de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, saberá que apenas estes tomos valem pelos os não-sei-quantos opúsculos de Paulo Coelho. Mas a tiragem de Bradley e a quantidade de idiomas traduzidos não chega às botas do nosso mago brazuca. E, quem sabe, a gana dela por ser a maior escritora do mundo de todos os tempos não exista, ora bolas. Porque segundo Morais, Paulo Coelho já na mais tenra idade manifestava em seus diários pueris o desejo de ser um grande escritor. Sua persistência de décadas na participação de concursos literários demonstra que a construção do escritor de maior renome mundial não nasceu de um insight no balcão de um bar, do dia para a noite. O homem queria por que queria estar onde está. Hoje, o feito e a suas posições (social e mercadológica) homologam por si o que ele quiser escrever. Posso elucubrar que se de repente ele resolvesse negar a existência do deus que ele prega, mais da metade do mundo, independente da religião de origem se tornaria atéia. E se depois tornasse a pregar a crença, reverteria o quadro tão logo seus escritos chegassem às bancas.

Outro dia eu me arrisquei ao apedrejamento ao comentar sobre o escritor com uma colega da faculdade. Após tatear o assunto com cuidado soube que ela tem grande admiração pela "simplicidade" de Paulo Coelho, que vive de uma maneira muito despojada e blá, blá, blá... Assim como Morais eu entendo que para um multimilionário - por seu mérito e custas - ele e a sua esposa vivem até que de maneira bastante espartana. Mas isso é bem fácil quando se tem escolhas. Eu também viveria de modo bem simples, se tivesse acesso a um casarão-castelinho em uma cidade pacata ao sul da França, obviamente para não ser importunado (por ora meu insignificante ser tem que se contentar em pagar as prestações da CEF do meu - mais modesto ainda - sobradinho a leste de Sampa). A opinião da minha colega foi só uma mostra do poder de persuasão do personagem criado pelo escritor-mago, que mistura catecismo católico com a suposta pertença a ordens religiosas secretas, peregrinações por caminhos considerados místicos e um caldeirão de peanuts espirituais para pessoas crédulas dos mais diversificados matizes. Embora o que ele faça com a invejável e merecida grana que possui não seja da conta de ninguém, cabe-me ressaltar que Paulo Coelho mantém uma porção de obras sociais próprias e contribui com inúmeros institutos, coisa que nem todo milionário faz. Sem falar em sua incansável militância ao, por exemplo, ter sido um importante porta-voz político pela extinção dos manicômios e suas terapias tão agressivas quanto ineficazes, como o eletrochoque. Nada como ter sentido na pele durante suas três internações para compreender, não é mesmo?

Enfim Paulo funde em um só personagem um controverso mago e o coelho que sai da própria cartola para os aplausos do mercado editorial mundial. Concluo este post com duas sugestões: 1) Leia O Mago (aliás leia qualquer outro livro do Fernando Morais); e 2) Se você gosta do Paulo Coelho e das suas prosopopéias espiritualistas, continue comprando e lendo. Afinal de contas gera empregos e, tirando o fato de ser simplório e raso, se lhe faz bem que mal tem?

sábado, 30 de maio de 2009

Essa Susan já deu no saco

Modinhas, ô trem que enche o saco. No caso da caloura Susan Boyle a máxima de Nelson Rodrigues "toda unanimidade é burra" aplica-se com louvor. Canso de repetir em círculos virtuais e presenciais que reconheço que a mulher canta bem. Não há como negar. Mas daí a considera-la fenômeno jamais visto na história da humanidade, convenhamos: menos, né?

Os neo-discípulos da seita susanboyleana justificam suas bocas abertas recorrendo ao fato de ela ter sido tratada com desdém pelos jurados, tapando a boca deles após começar a cantar. Está aí outra coisa piegas que só. Via de regra os aventureiros que se embrenham no show business pela porta dos fundos dos concursos e programas de calouros, aguentam sacanagem de todo tipo e escracho dos apresentadores, diante de milhões de telespectadores. Aqui no Brasil, quem viveu para assistir à Buzina do Chacrinha sabe do que estou falando. A você mais jovenzinho, recomendo procurar pelo Velho Guerreiro no Youtube garantindo previamente que é impagável. E dentre esses calouros, alguns dos quais bem-sucedidos, estão famosos de hoje em dia. Gente que suportou de pé a avacalhação do Chacrinha, do Sílvio Santos, do Faustão (em Perdidos na Noite), do Barros de Alencar e do Bolinha, só pra citar alguns.

No Orkut entrei só de sacanagem na mais populosa das dezenas de comunidades dedicadas a tiazona gorducha. Mal entrei e já mandei um tópico homônimo deste post. Vá lá e confira a enxurrada de pedradas que a molecadinha mandou. Ninguém me entendeu. Também, em um país minado pelo analfabetismo funcional e pelo "complexo de vira-latas" (diagnosticado também pelo sábio Nelson), não haveria de ser diferente.

O que eu reivindico apenas é o reconhecimento de que em nosso bom e velho país há gente tão talentosa quanto - senão mais que - essa gringaiada do Britain´s Got Talent. Inclusive em programas populachentos como os calouros do Raul Gil. Aí abaixo está o Rinaldo que não me deixa mentir. Calouro por calouro, fico com os nossos.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Gente que faz: Gildo, o eletricista

Como meus conhecidos já sabem eu sempre prestigio os trabalhadores esforçados deste Brasil varonil.

Desta vez foi o companheiro Gildo, o eletricista. Ele não ficou em casa se lamentando por causa da marolinha do Lula, nem da queda das bolsas americanas, nem pela baixa do dólar. Gildo muniu-se de um bloquinho verde, uma caneta esferográfica e na porta de cada residência escreveu esses folders simples e objetivos, dizendo a que veio.

Se você mora na Zona Leste de Sampa e precisa de serviços congêneres não tenha dúvida: chame o Gildo. Fone (11) 7481-9778.

domingo, 24 de maio de 2009

É assim que se faz?

Uma cliente reclama a você sobre os seus serviços, seu atendimento e sobre erros de procedimento em uma negociação. Depois de tratar mal a cliente você ainda o processa por calúnia, injúria ou difamação? Tenho certeza que se na empresa onde você trabalha - seja sua ou não - houver pessoas de senso mediano, dessas que possuem desconfiômetro ao menos, isso não ocorrerá. Mas é o que ocorre com certas empresas.

Acabo de saber da saga que se arrasta entre uma blogueira da melhor qualidade - a Srta. Red - e uma empresinha de mudanças. Até onde soube o nome da azienda é Anita, Annyta, Annita ou algo assim. Se for quem eu penso era uma que mantinha (ou mantém) um caminhão velho de dar dó estacionado em frente ao antigo Bingo Imperatriz, servindo de outdoor, de modo a ser visto pelos passantes na Av. 23 de maio. Um caminhão bem velho mesmo que ostentava o telefone pintado no baú. De longe parece esses mercedões 11xx da década de 70 ou 80. Aliás, NESSE SITE AQUI parece que os moradores e usuários da rua não gostam muito do caminhão estacionado.

Conheço a blogueira em questão e digo que tanto ela quanto o pai têm capital moral como poucos (vale dizer que este assessora autoridades governamentais de primeiro escalão). Logo eu assinaria de olhos fechados a reclamação dela. Aliás, nem é só dela. Um dos lugares cibernéticos onde encontra-se reclamações bem similares a respeito do empreendimento é AQUI. Tem outro AQUI. A propósito, no site das reclamações consta "Annita" ou "DS", caso seja a mesma empresa.

O presidente de uma renomada entidade patronal de transporte confidenciou-me que "a mudança é o pescoço do transporte". Não concordo nem discordo, mas o cara tem credencial para dizer isso, já que é um empresário com frota superior a duzentos veículos e presta serviços de alto valor agregado para multinacionais. Quem sou eu para contestar? Mas tenho certeza de que há boas empresas - e rentáveis - no ramo de mudanças. Eu mesmo já visitei algumas a trabalho e me surpreendi com o profissionalismo e qualidade.

Agora dita amiga disse que foi processada pela empresa autointitulada "multinacional" - através de justiça gratuita(?) - e que no processo pede-se uma indenização de trinta mil reais. Nada mal, caso a empresa esteja em dificuldades financeiras e se a ação for julgada procedente, hipótese da qual duvido, pois qualquer magistrado tem acesso à internet e isso basta. Presumo que a indenização poderia substituir por um tempinho a receita da empresa. Mas vai lá saber se essa "multinacional" resistiria a uma fiscalização fazendária, trabalhista, do Detran ou mesmo de processos de outros clientes descontes? Quem é que sabe? Trinta paus salvariam a lavoura?

Só sei de uma coisa: ainda que eu não pretenda mudar de casa tão cedo, pelos fatos ocorridos me parece boa idéia ignorar a existência dessa dita empresa, caso venha precisar de serviços congêneres. É só uma intuição...

domingo, 17 de maio de 2009

Onde é que está a graça?

Um casal de classe média alta emprega uma doméstica com comprometimento auditivo profundo, próximo de surdez. Os ignorantes não sabem nada sobre comunicação com surdos e, por isso, a empregada não entende o que os patrões falam. Estes vivem um drama entre manter a empregada surda e demiti-la ficando sem empregada, o que para essa classe é sinônimo de morte. A moça surda é ridicularizada e os trejeitos da personagem sugerem desde incapacidade até algum tipo de déficit cognitivo (que nada tem a ver com surdez).

Na lamentável imagem acima o patrão tenta pedir que ela prepare frango.

Eu não sou surdo e não tenho nenhum parente ou pessoa do convívio com graus de deficiência auditiva comprometedora. Mas como educador fico imaginando como é que os pais, mães ou o próprio deficiente auditivo se sentem vendo isso na emissora de maior audiência do país, dado o quadro insinuar que o D.A. seja incapaz, ineficiente e até profissionalmente descartável.

Pelo amor do que vocês acreditarem, mandem e-mails cartas e telegramas para tirarem esse quadro do ar e exigir desculpas em público da emissora. Se tiverem dúvida do absurdo do conteúdo, assistam a essa porcaria abaixo.



NOTA ZERO PARA O VERDADEIRO INCAPAZ QUE CRIOU ISSO.
NOTA -10 PARA OS PRODUTORES DESSA VERGONHA OFENSIVA.
NOTA -100 PARA A EMISSORA QUE POSSIBILITA ISSO.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

domingo, 10 de maio de 2009

Ratos em Brasília

Durante reportagem do Fantástico no Ministério da Saúde neste domingo alguns ratos passeavam tranquilamente atrás da repórter Deliz Ortiz. ”Eu não imaginei que ratos passaram atrás de mim. Acho que se eu tivesse noção do que estava acontecendo atrás, eu não sei”, disse a repórter.

Rodrigo Rodrigues, da Vigilância Ambiental do DF citando o ocorrido afirmou que há inúmeras tocas de ratos atrás dos holofotes do Ministério da Saúde. Ocorre que as pessoas trabalham na Esplanada dos Ministérios e passam por ela. Sem muitas opções de onde comer, acabam comprando frutas, doces e queijo nas barraquinhas de rua dos arredores. O resultado é que há sempre um banquete para os ratos, com as sobras e o que cai no chão.

O cientista e veterinário Ângelo Boggio, que combate roedores há 50 anos, diz que uma fêmea pode ter 32 filhotes por ano. Segundo ele: “a população de roedores é maior do que a população humana. Quanto maior, não se sabe. Qualquer número que por acaso eu venha lhe dar seria chute”, aponta.

De qualquer modo é certo que diversas espécies de ratos proliferam em Brasília e não é só na Esplanada. A infestação inclui o Senado, o Congresso e mesmo o Palácio da Alvorada. Entre as espécies há os ratos eleitos, os ratos nomeados, os ratos concursados e até ratos togados. Disfarçados no meio de funcionários honestos eles se reproduzem em grandes quantidades. Diferente da ratazana citada pelo Dr. Ângelo, os ratos de terno e gravata podem reproduzir-se, apadrinhar e abrigar quantidades muito maiores de novos ratos todos os anos.

Um problema que dificilmente os veterinários conseguirão debelar. Quem sabe se com empenho dos eleitores, movimentos sociais e organizações autônomas essa peste não possa ser minimizada ou até extinta?

Cada um no seu quadrado

As estratégias de diversificação no comércio nem sempre dão em boa coisa. As grandes redes dos atuais hipermercados são um bom exemplo. Do bom e velho local para comprar comida e produtos de limpeza, os supermercados foram crescendo de modo voraz, em tamanho e em diversificação de itens, de tal modo que hoje em dia é possível comprar roupas, eletroeletrônicos, brinquedos, pneus e acessórios, utilidades domésticas, papelaria, computadores... Ah! E até alimentos e produtos de limpeza! Que coisa...

A ânsia pela monopolização do cliente faz com que alguns estrategistas de marketing entupam as gôndolas com tantas categorias de produtos a ponto de esquecerem o básico do comércio, que o seu Manoel da padaria sabe tão bem: atendimento. O conceito de auto-serviço, levado ao extremo, corrói o que seria de se esperar que é um ser humano prestativo para atender nos casos necessários. Lembre você mesmo: quantas vezes foi à seção de eletrodomésticos ou eletroeletrônicos, procurou um funcionário e não encontrou nenhum? Ou então, quando o encontrou, deparou-se com um jovem mal preparado, oriundo de alguma empresa terceirizada, que não sabia absolutamente nada sobre o que estava sendo vendido no setor? É lamentável.

Ontem tive um excelente exemplo, pela infelicidade do mesmo. Saindo rapidamente da faculdade ao meio-dia e tendo que ir a uma cidade do interior, notei que o ponteiro do combustível pedia um pitstop rápido. Na Marginal Tietê, à altura da Ponte do Limão há um Carrefour que entrou no ramo de combustível não faz muito tempo. Como a marca do produto é renomada - embora estrangeira (Shell) - o preço é competitivo e o serviço é drive-thru entrei, na vã expectativa de encontrar um similar de box de F1, onde me abasteceriam rapidinho e de onde eu me mandaria em três ou quatro minutos, certo? Errado.

Na bomba que escolhi havia quatro carros, um já abastecendo. Tive a sensação de demora e comecei a checar o que havia. Foram mais de cinco minutos entre o primeiro da fila abastecer e passar no guichê de pagamento logo à frente. Idem com o segundo. Eu teria zarpado, mas o local não fornece rota de escape e a fila atrás de mim já se aglomerava. Pude ouvir um frentista repetir a outro "o sistema dos cartão caiu de novo". Separei o dinheiro do meu abastecimento pensando em me adiantar, mas foi em vão. Ninguém apareceu para propor uma rota alternativa pra quem não ia pagar com cartão. Engessadinhos que só.

Os atendentes engomados do posto do Carrefour Limão em nada se assemelham aos bons e velhos frentistas de macacão dos postos de rua. Lentos, atrapalhados e querendo transmitir aquela simpatia artificial de balconista do McDonalds os frentistas-cover eram verdadeiros estranhos no ninho. A empreitada foi um fiasco e só atrasou minha viagem. No fim da palhaçada demorei quase meia hora para resolver minha simples necessidade de encher o tanque e me mandar.

Fica aqui o conselho de marketing do tio: se você é supermercadista, não tente ser posto de combustível e vice-versa. Espero que a Petrobras não resolva vender mantimentos também. Ado a-ado; cada um no seu quadrado.

Momento apaixonado

A balzaquinha ucraniana Milica Nataša Jovović, mais conhecida como Milla Jovovich é uma das poucas mulheres sobre a face da Terra, cuja beleza há de resistir a um acordar despenteada e sem reforçadores de beleza. Seus atributos mostram com clareza que ela dispensa qualquer camuflador de imperfeições estéticas, popularmente conhecidos como "reboque". Essa é a opinião oficial do renomado TXBI - Tio Xavier Beauty Institute -.

As mulheres russas em geral têm algo de especial que só a má distribuição geográfica de beleza explica. Engraçado que, mesmo em se tratando de terras supostamente atéias, os deuses de todos os credos nunca deixam de depositar suas bênçãos estéticas sobre a mulherada de lá. Fala sério...

Não importa se ela esteja como a adolescente Lily em Expresso para Kathmandu ou a ninfeta também Lilli em De volta à lagoa azul, a deliciosinha Leeloo de O quinto elemento (vide foto) ou a Alice não do País das Maravilhas, mas da inóspita Raccoon City de Resident Evil. A mulher é um desbunde e consegue ficar sensual até com barrigão de grávida, proeza de poucas como a Catherine Zeta-Jones (se duvida, assista à Traffic).

Neste domingo, dia das mães, fica registrada aqui a minha homenagem a todas as mães zelosas e dedicadas, claro que em especial à darling e à avó Xavier (e o medo né?). Mas dou destaque para Milla Jovovich, essa deusa ucraniana. De propósito pus uma foto bem despojada já que ela basta por si. Ai lóviu Milla [suspiro].

terça-feira, 5 de maio de 2009

Não vem mais?

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, cancelou nesta segunda-feira (4) a viagem que faria ao Brasil nesta quarta-feira (6), segundo o Itamaraty. Esta seria a primeira vez que ele visitaria o Brasil. Sabe-se lá a razão, sua assessoria ligou para os capatazes do Lula e pediram que aguardemos um novo agendamento.

Puxa vida, que chato! Um cara tão simpático, tão democrático, tão acolhedor. Agora esse monte de bichas, judeus, evangélicos e chatos de toda ordem se unem e ficam protestando contra a vinda do pobre homem. Acabaram desanimando a comitiva dele. Assim não dá. No dia seguinte esses mesmos grupelhos de chatos voltam a brigar entre si: os evangélicos falando que as bibas vão para o inferno, os judeus falando que Jesus não era o cara. Eita gentalha!

Melhor assim. Dá mais tempo pro Lula tentar treinar a pronúncia do sobrenome dele.

Desculpa seu Mahmoud. Depois o senhor vem.

Brasil emprestará sonda para turcos

A Petrobras anunciou hoje que assinou na Turquia um acordo pelo qual irá emprestar uma sonda de perfuração de poços para a estatal Turkish Petroleum Corporation (TPAO). Eu disse EMPRESTAR. Que acordo mais mané esse da Petrobras, hein? Digrátis...

Esses turcos são mãos-de-vaca mesmo. Nem pra pagar um aluguelzinho pelo equipamento. Depois não querem que a gente fale.

domingo, 3 de maio de 2009

Roteiro gastronômico do submundo 2009-1

Morar na periferia da metrópole e ficar com preguiça de ir pro fogão é um dilema. Como não sou afeito à tradição "fila-bóia-na-mãe" do proletariado, quando tento me dispensar de cozinhar no domingo - já que a darling cuida de outros afazeres - a tortura começa. As opções são duas básicas: rodar no mínimo quinze quilômetros até um lugar civilizado ou encarar arremedos de botequim que se auto-intitulam restaurantes.

Só que outro dia voltando da casa de uma amiga passei pela Av. São Miguel e avistei uma fachada grande ostentando o nome Chico Restaurante. Arisco com os estabelecimentos destas bandas eu apenas parei para observar. Sem referências ou indicações de clientes - essenciais nesse ramo - limitei-me a reparar que os carros estacionados à porta era beeeeem melhores que o meu corsinha velho. Toyotas, Hyundais e até um Chrysler bem novinho reluziam na rampa espaçosa. Considerei a possibilidade de que seja bom e esteja fora do mercado de "prato feito a cinco reais".

Fomos hoje. Acordamos ao meio-dia e decretei que sairíamos logo pra almoçar. Caso fizéssemos o breakfast encararíamos lugares lotados e retornaríamos atrasados para assistir à final do paulistão (Timão... Eô). Votos vencidos, a darling e o enteado embarcaram no meu possante e fomos encarar o Chico. Sem trocadilhos, por favor.

À porta haviam outros dos vistosos carros que custam mais do que o meu barraco. O gentil funcionário ao olhar meu humilde transporte sugeriu que eu parasse no estacionamento deles ao lado. Eu faria o mesmo se fosse o dono, afinal marketing é fundamental. Mas ao entrar já foi estranho não ser recepcionado por ninguém. Fomos andando devagar, tentando localizar uma mesa e só depois de acomodados é que apareceu uma moça trazendo cardápios. Sem maitre, sem recepcionista, tsc...

Trouxeram o que chamaram de couvert: três mini-pães franceses, um potinho com vinagrete e três manteigas em miniatura. Pobrezinho é apelido. Já o cardápio era satisfatório na variedade e economicamente acessível. Pedimos um filé à parmegiana. Só que acredite ou não o dito não acompanha fritas. Tive que pedi-las à parte. Embora o bife tenha me parecido de bom mignon, o molho estava ácido com gosto de enlatado. O arroz era quebradiço e as fritas bem que podiam ser daquelas de pacote congelado. Ao menos seriam seletas e uniformes. A aparência das que vieram era bem feia.

O que é digno de nota sobre muitos lugares que servem parmegiana é que os donos parecem não desconfiar de onde poderia vir o nome da iguaria. Dessa forma no Chico eu também tive que pedir pelo queijo parmesão. Vamos ver se os donos de restaurantes matam a charada: Parma... Parmesão... Parmegiana. Sacaram? Não, né? Não tem importância. Fora as mancadas acima, sobretudo o molho que merecia mais capricho, a bóia era comível.

Aleluia! Lá no Chico não havia guardanapos de papel. Somente grandes guardanapos brancos de pano para colocar no colo e fazer a limpeza trivial. Mas o garçom me trouxe um copo com um OGNI (objeto grudado não identificado). Reclamei educadamente e me trouxeram outro: MOLHADO. Complicado esse serviço de copa. Na parede do salão havia a hedionda televisão de cem polegadas. Porca miséria, o que há com donos de restaurantes que não conseguem manter o ambiente apenas com uma música suave? Ao menos essa não estava com o volume no último, mas televisão em restaurante devia dar de dois a cinco anos de reclusão.

Por fim pedi a conta e trouxeram-me a de outra mesa. Daria quase no mesmo, financeiramente falando. Mas não era a minha e um pouco de atenção pouparia o retrabalho. Junto com a troca pedi a máquina portátil de débito eletrônico da rede X. O garçom sem cerimônia disse pra eu pagar no caixa porque o aparelho estava recarregando a bateria. Podia ao menos ter pedido desculpas.

CONCLUSÃO: Preço acessível não justifica os deleixos que relatei acima. Um pouco mais de zelo não eleva custos. Mas no Chico dá para três adultos almoçarem modestamente por menos de oitenta reais ao todo. Pra não ir pro fogão no domingo, talvez eu retorne. Claro até eu achar um concorrente demonstre ser mais zeloso. Cotação no Guia Xavier: 6,5 pontos.

O Chico Restaurante fica na Av. São Miguel, 4779 - Ponte Rasa - Sampa.