domingo, 27 de julho de 2008

Moda fashion

Mesmo sendo um dedicado leitor de revistas femininas e apreciador inverterado desse público-alvo, o tio Xavier não consegue entender algumas coisas, particularmente no mundo da moda feminina.

Alguém consegue me explicar que merda são esses cintos de elástico que a mulherada está usando na altura do estômago? É uma técnica de redução estomacal? Ou é para segurar os peitos?


Criss Angel: o mágico das... câmeras

Veja essa sensacional mágica do Criss Angel, auto-intitulado o mágico das ruas.



Parece bacana não é? Todos sabemos que é truque, embora o tio sempre diga a respeito do mágico que ele tem parte com o Cão das Trevas. Os que possuem TV de rico já devem ter enjoado de ver o Criss Angel desde há uns quatro ou cinco anos. Mas o tio que só teve acesso a ele na Record recentemente.

Quando eu já estava recuperando minha remota infantilidade com as mágicas dele, tive a infeliz idéia de pesquisar o cara na internet. Não foi preciso muito. Umas pausas aqui, um texto ali e o sombrio mágico se transformou no mais barato e grosseiro atorzinho de quinta. O suposto mágico das ruas é na verdade um mágico das câmeras, que usa as mais fubangas e tôscas técnicas de pós-produção e edição de vídeo. Sua predileção pelas apresentações ao ar livre não se fazem senão cercadas de figurantes chinfrins, abordagens ensaiadas, locais cercados e filmagens cuidadosas.

Vejam o truque das mesas na praça pública revelado pelo tio em poucos takes:

CENA 1: Depois da cena toda de abordar a "desconhecidos",
juntar mesas ao acaso e pegar emprestada uma toalha branca,
agora a cena é captada de um ângulo muito peculiar.


CENA 2: A escolha do ângulo da cena é exatamente
para facilitar a ocultação do recurso do truque.
Mas veja as notas do tio sobre a questão das sombras.


CENA 3: Parece mesmo haver algo de errado com as sombras
.


CENA 4: A explicação está na parte mais chulé do truque.
Embaixo das mesas está posicionado um espelho, velho
ajudante dos mágicos. Isso só foi possível com os cortes de edição.

Se você observar no vão entre as mesas, verá que há uma sombra de árvore.
Não por acaso, muito parecida com a sombra que está na frente das mesas.


Analisei outros truques ao ar livre e verifiquei deslizes imperdoáveis na edição, que vão desde mudança na posição de objetos e pessoas até problemas com sombras. Ele devia pelo menos contratar um continuísta bom.

Diferente dos ilusionistas cheios de equipamentos interessantes como o Mr. M e talentosos como o Issao Imamura - este sim faz bons shows presenciais -, se o tal Criss Angel se metesse a fazer apresentações improvisadas nas ruas como apregoa, não subsistiria por um só dia. No máximo estaria se apresentando em buffets infantis. E ainda sob o risco de a molecada pentelha detonar com ele.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Prêmio Nobel de Arquitetura

Eu vivo explicando para um amigo virtual que a profissão dele está com os dias contados. Graças ao conhecimento acumulado da humanidade e aos modernos recursos computacionais hoje em dia qualquer um consegue executar uma obra com maestria, sem auxílio de arquitetos e engenheiros. O resultado? Às vezes sai um pouco a desejar, mas isso é um mero detalhe. Como nessa foto que um amigo me mandou por e-mail.

Nada que alguns ajustes não resolvam.

sábado, 19 de julho de 2008

Dercy is dead

Segundo uma fonte celestial segura, quando a véia despertou diante do portal celeste para aquela burocracia toda que já se sabe, viu São Pedro com um livro enorme aberto:

- Dercy, esse é o livro da vida... e aqui consta tudo o que você fez, blá blá blá blá...

- Ah, enfia esse livro no cu e vá pra puta que o pariu!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

As correntes do bem

O plural está correto. Não estou me referindo ao filme "A corrente do bem" primeiro porque nunca assisti, não sei do que se trata e não tenho a menor vontade de saber. O que me motiva a escrever neste momento, além de um parceiro estar atrasado para me acompanhar a um cliente, é o fato de um contato meu, muito bem-quisto, ter me mandado um e-mail.

Como trata-se de uma pessoa muito estimada pelo tio eu resolvi abrir e ler, embora tenha visto no cabeçalho que tinha sido repassado (o inconfundível "Enc:") para quatro mil oitocentos e trinta e dois contatos. E o preâmbulo iniciava com o também inconfundível "não custa ajudar". Eu devia ter deletado a partir daí, mas sempre me recai um sentimento de culpa se eu não tiver certeza de que não é mais uma corrente inútil. Justificado para comigo mesmo e começando a ler o texto percebo que é uma daquelas histórias enoooooooooooormes de narrativa de doença rara. Foi o suficiente para eu dar um scroll-down e ir direto ao final. Lá estavam os nomes do suposto casal de pais da criança doente, sem sobrenome é claro, o da suposta médica e do também suposto endereço do apartamento do casal.

Fiquei um pouco puto com o meu caro remetente, mas no melhor da correção fraterna resolvi pesquisar as informações na internet, incluindo o endereço para fundamentar minha admoestação. Para minha não-surpresa:

1) O telefone mencionado não existe

2) O endereço não é de um prédio residencial

3) O nome da "renomada doutora" aparecia centenas de vezes na internet mas...

... em cópias do mesmo maldito texto, incluindo uma versão em espanhol. Blogs e mais blogs, como o meu caro ente se prontificaram a publicar o texto, já que "não custa ajudar". Porra, será tão difícil para essas pessoas antes de repassarem lixo eletrônico, correntes do cacete e boatos internéticos, ao menos verificarem o mínimo e assim evitarem entupir as caixas postais alheias com merda?

Dentre as porcarias que me repassam, eu deleto 99,2% só pelo cabeçalho. Os 0,8% restantes eu até tento verificar para não ficar com a consciência pesada, como comentei. Só que até hoje ZERO dos conteúdos tinha fundamento. Ou seja, quando alguém precisa de fato de ajuda ou informação sobre doenças raras, remédios idem e síndromes estranhas, procura os hospitais, os médicos, as entidades científicas, as universidades ou os órgãos governamentais para se socorrer. Jamais mandam e-mails de apelo na web. De fato não faz sentido. Talvez por isso mesmo estou comentando isso neste blog. Nossa, até pra trocadilho hoje estou ruim.

Senhores remetentes, introduzam as teclas "enter" nos vossos respectivos orifícios excrementadores quando pensarem em me encaminhar algo do gênero. Grato desde já.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Otros cullones

Essa sensacional imagem é de dois idiotas e desprovidos de funções cerebrais e de qualquer tipo de respeito tomando o devido troco. É que em um certo país europeu dito desenvolvido, onde se praticam touradas e outras aberrações com animais, determinada farra de rua terminou mal.

Infelizmente foi só para esses dois trouxas. Nem li o resto da notícia, pois é quase certo que os pobres animais tenham sido brutalmente assassinados ao final da bestial "festa". Espero que os fanfarrões ao chão tenham tido seus culhões pisoteados e inutilizados pelos bovinos antes de serem socorrido, pois assim não se reproduzirão.

Créditos da foto: Rafa Rivas/AFP

sábado, 12 de julho de 2008

Pode ser a hora

Estava lendo umas reportagens sobre o Barack Obama e lembrei que o Morgan Freeman já foi presidente americano. Como o governador de Nova Iorque agora é um negro e o Obama tá bem nas pesquisas, quem sabe aqueles texanos da KKK não tenham que engolir um black na presidência? Tomara.

Drops DVD: O todo-poderoso 2

Evan Almighty (título original do filme) é um bom divertimento. Não fosse pelo Morgan Freeman no papel divino, quem assistiu ao anterior com Jim Carrey poderia esquecer que era pra ser uma continuidade daquele. O Morgan-deus desta vez vem ao encontro de Steve Carell, o hilário ator que protagonizou Agente 86. Repórter e recém-eleito senador americano é intimado pelo deus-negrão a construir uma arca por conta de uma presepada que rola no finalzinho.

Inverossímil, com o pezão atolado no politicamente-correto, afogando-se no pieguismo ianque é O todo-poderoso 2. O ator faz o filme valer à pena.

O crítico de cinema de botequim Tio Xavier embora não goste do Jim Carrey achou melhor o primeiro. Mas pode assistir a este último que não morre. E pode dar boas risadas.

O maravilhoso mundo da privatização

Quem mora em SP lembra-se de quando éramos "reféns" da operadora de telefonia estatal. A TELESP era a única empresa a dispôr de linhas telefônicas particulares e orelhões. Até que sábios políticos trouxeram um novo mundo para os usuários. Foi quando os espanhóis da Telefonica aqui aportaram. Eles podiam ter tido concessão para criar NOVOS serviços telefônicos e novas redes idem. Mas herdaram o legado da estatal e o que fizeram?

Tente achar um orelhão. De preferência um que funcione. Disseminaram os telefones privados por todos os lares. Claro que isso é bom. Mas a TELESP já estava devolvendo as ações dos usuários que investiram até dois mil dólares por uma mísera linha telefônica de plano de expansão. Tornar o telefone um mero serviço era questão de tempo.

A qualidade de atendimento. Isso sim. Nos bairros havia agências da TELESP onde podíamos encostar no balcão e falar com seres humanos capacitados. No limite podia-se ir na Rua Sete de Abril onde era a central. Os poucos problemas que tive foram resolvidos lá. Agora somos obrigados a ligar para o maldito 103-15 ouvirmos propaganda da própria Telefonica por cinqüenta minutos e sermos atendidos por bestas humanas robotizadas, isso se conseguirmos uma após repetirmos cem vezes o nosso número de telefone e o problema.

Os técnicos: antes eram da própria operadora. Funcionários na maioria concursados e com formação técnica da empresa. Hoje sou atendido por "manos" que andam como doidos com aqueles carros com escadas em cima. São sub-contratados por prestadoras terceirizadas. Sujeitos que sempre têm um modemzinho, um aparelho ou outra quinquilharia na manga, obtida sabe-se lá como, pra nos oferecer mediante um "por fora".

Agora o mais sinistro de tudo é que a promessa da privatização foi que "a mão invisível do mercado" propalada por Adam Smith trataria de despencar as tarifas porque inúmeros competidores entrariam nos mercados. Ao menos no de telecomunicação, tudo como dantes no país de Abrantes. Tirando um misto de celular-fixo da Embratel, não tenho outra empresa de quem contratar uma linha telefônica fixa. Internet? Opa... alguém aí avisou que em 90% das ruas APENAS UM SERVIÇO de internet vigora? Não parece estranho? Não sei porque a palavra "truste" não me sai da mente.

Tio Xavier está postando de sua residência após dez dias sem internet e para isso ainda teve que amargar horas ao telefone até que mandamos cancelar todos os serviços. Só então resolveram mandar um sujeito aqui para constatar o que eu falava há dias para os desinfelizes do 103-15. Que a merda do serviço Speedy em minha casa não conectava por problemas lá na central DELES. No meu barraco somos em dois profissionais de informática suficientes para distingüir problemas nos nossos equipamentos dos deles. Mas tente explicar isso pra eles.

Privatização = concorrência... Ahãm... Tá.

terça-feira, 8 de julho de 2008

O verdadeiro culpado

A Ciência. Essa grande redentora do planeta. Nunca antes na história da humanidade (como diria o nosso presidente) foi tão simples para os cientistas - sacerdotes daquela - descobrir de quem é a culpa pelo aquecimento global. Esqueçam as opiniões tendenciosas e politizadas que insistem em atribuir ao Bush e à indústria petrolífera. Não dêem bola aos que xingam a China que em nome do crescimento econômico põe a perder nossa preciosa atmosfera. Nem eu e nem aquele seu vizinho que vai até a padaria de carro, embora moremos a dois quarteirões dela. Acharam o culpado pelo aquecimento global, o derretimento das calotas polares e, por conseqüência a elevação dos níveis oceânicos.

Renomados institutos internacionais decretaram o culpado. O condenado se chama Dentroctonus ponderosae, popularmente conhecido como besouro-do-pinheiro e ainda predomina nas florestas canadenses mas está prestes a dominar o mundo. Ele deposita seus ovos nas cascas dos pinheiros provocando o apodrecimento da árvore, o que libera gás carbônico. Já adaptado às temperaturas altas o assustador inseto prolifera-se tornando a mais poderosa e devastadora praga, muito pior do que a nuvem de gafanhotos que Javé mandou ao faraó. O ciclo vicioso se forma, pois o próprio besouro devastando a floresta retroalimenta o aquecimento. Dessa forma ele tende a dominar o planeta, não resta a menor dúvida A hegemonia do homo-sapiens-sapiens está por um fio.

Não sei por que lembrei-me dos idos de 1970 quando a saúva foi eleita pelo governo militar como a responsável pelas mazelas da então arcaica e falida agricultura brasileira. Não era o latifúndio e os sistemas de produção suméricos, mas sim a saúva que com seu alto poder destruidor elevava os preços dos alimentos e fomentava a invasão das indústrias de pesticidas químicos. "Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil" rezava o slogan da época.

Voltando ao nosso vilão contemporâneo, saibam todos os que lêem este post (cerca de quatro ou cinco desocupados) que o minúsculo e devastador ser é responsável sozinho pela emissão de CO2 em quantidade equivalente ao Brasil, cerca de 270 milhões de toneladas/ano.

Pau no besouro. Mas mirem bem porque essa verdadeira máquina de destruição tem cinco milímetros de comprimento. Algo equivalente a um grão de arroz.

Agora tá fácil salvar o mundo. Suspendam aquelas enfadonhas e onerosas reuniões dos países líderes, cancelem os protestos do Bono Vox. O negócio é tacar inseticida nos pinheiros. De preferência com dispersores motorizados à querosene e veículos à diesel.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Drops DVD: Agente 86

Se você assistiu à antiga série de TV do Mel Brooks vá ao cinema ver o remake. Se você não assistiu, não tem problema, pois o filme é auto-explicativo embora algumas referências possam fazer falta.

Eu ainda fico com a velha série, mas a versão cinematográfica é boa. O tio recomenda.


Ps¹.: O cara telefonando no sapato é do seriado.
Ps².: Deus do céu! A agente 99 do cinema é pra casar!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A Coca-Cola de ouro do Habib´s

Incrível. Enquanto o mundo se desespera com o preço do barril de petróleo, o Habib´s se esbalda com o novo ouro-negro. Tente ler o terceiro item desse cupom abaixo.

Conseguiu? Só pra confirmar: a descrição é 2 COCA ZERO LATA e o precinho... OITO REAIS E OITENTA CENTAVOS. Uma mísera latinha de 350ml de Coca Zero vendida por R$4,40. Praticamente o preço que se pagaria em uma boa balada. Só que com iluminação fluorescente, garçons péssimos e sem DJ. Quase igual. Logo abaixo está a Coca normal. Beeeeeem mais em conta: R$3,30.

Da próxima vez JURO que vou sacanear. Levarei uma latinha de refrigerante de casa pra tomar lá e pedirei só as esfihas. Se o gerente fizer a menor menção de falar algo eu dou um jornal de supermercado pra ele.

Em tempo: "Habib" em árabe quer dizer "Amigo". Ainda bem. Se fosse inimigo então...

Traga a pessoa amada em 7 dias

"O seu amor te deixou? Você não está mais sendo correspondida(o)? Ele(a) não quer saber de casamento e está te enrolando? Brigas, intrigas, separações, traições entraram em sua vida sentimental? As invejas das pessoas tem atrapalhado e amarrado sua vida amorosa? A pessoa que você deseja não quer mais ver a sua cara e os outros dizem que este relacionamento não tem mais futuro?"
Seus problemas se acabaram! Acabo de encontrar um site que vende um sensacional KIT DE AJUDA SENTIMENTAL que contém TÉCNICAS INFALÍVEIS PARA A VIDA SENTIMENTAL e a DEFINITIVA RESTITUIÇÃO AMOROSA.

Quando eu penso que já conheço todo tipo de picaretagem a humanidade ainda consegue me surpreender. Pela foto que decora a página principal, quando esse casal restituiu sua vida amorosa, os Beatles estavam lançando Sargent Pepper´s e eles dançaram ao som de Lucy in the sky with diamonds.

Quer mais? O site promete TÉCNICAS QUE FARÁ (sic) O SEU AMOR VOLTAR RAPIDINHO. Espero que as técnicas não sejam como a concordância verbal do autor.

Pra você que está lendo com cara de cético, o tio mata a cobra e mostra a cobra morta: ENTRE AQUI.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Premio Nobel da abordagem comercial

Vagão do trem. Um cenário já bem familiar pra mim há alguns meses. Proibidos dentro dos trens os vendedores ambulantes agora andam disfarçados. Entram como qualquer outro passageiro, geralmente com uma mochila ou bolsa de nylon e, mal o trem parte, desandam a vender todo tipo de quinquilharia: canetas, isqueiros, doces e outras coisas. Sempre de baixo valor agregado, talvez porque as apreensões sejam freqüentes.

Eu estava sentado no degrau ao fundo do trem, naquelas portas que ligam um vagão ao outro mas ficam travadas já faz tempo. O trem começou a andar e um vendedor sacou de uma pilha de "chocolates" (entre aspas mesmo) e ligou a matraca:

- Olha aí gente, chocolate da melhor qualidade. Quem assistiu o Domingo Legal viu a propaganda. No Extra tão vendendo por quatro réau, no Carrefour tá três e oitenta e eu tô vendendo por apenas três reais. Mas peraí... Xi gente! - O sujeito faz que está olhando para um ponto infinito na plataforma, vários passageiros tentam ver também - o segurança me viu. Agora ele vai avisar pra próxima estação. Vou perder tudo pro rapa. Mas a vida de ambulante é assim mesmo.

O malandrão olha pra cara dos passageiros consternados. Alguns deviam estar pensando: "coitado, trabalhando; não tá roubando". Foi quando o vendedor de "chocolates" resolveu fazer uma liquidação:

- Aí gente, sujô mesmo. Vou acabar com tudo. Prefiro perder pra vocês do quê pra eles. É um real só. Um real cada, pra acabar com tudo. Podem ficar com todos. Eu me viro depois com esses trocados e começo minha vida de novo.

Senti vontade de rir, mas parei ao perceber um rebuliço total entre os passageiros. Procuravam trocados nas bolsas pra aproveitar a promoção bota-fora do mascate. Foi um arraso. O cara vendeu uns trinta "chocolates" em alguns segundos. De duas moças que estavam do meu lado, ouvi uma dizendo pra amiga que ia pegar logo dois, porque essas coisas não acontecem duas vezes. Inacreditável.

Terminada a venda-relâmpago o cidadão desceu normalmente na próxima estação. Acho até que esqueceu que estava fugindo. A pinta era mais de quem tinha cumprido a missão.

Agora vamos ao produto: a moçoila do meu lado quando eu desci já estava comendo um. Pude perceber na parte mordida que o mais próximo de chocolate era uma fina cobertura marrom-escura, sabe-se lá do quê. Dentro predominava uma gororoba abiscoitada e esfarelenta. A sujeita nem percebeu, tal voracidade com que comia. Ou nunca comeu um chocolate de verdade.

Esse povo todo tem título de eleitor, viu?

domingo, 22 de junho de 2008

El matador

Sábado frio + festa junina de escola infantil. Combinação tolerável pra quem curte quentão, vinho quente e iguarias à base de milho como no caso do tio.

Estava eu a conversar com uma bonita mãezinha de aluna, quando a própria cria chega perto da gente:

- Tio, o senhor é bom de pontaria?

- Apenas o melhor. Por quê?

- Então toma esse ticket. Acerta a boca do palhaço e ganha uma bola pra mim, tio? Por favor.

Depois da minha bravata, sob olhar da mulherada, só me restou ir lá encarar o tal palhaço. Lá descobri que eu tinha que acertar três de quatro bolas fornecidas. Gelei, pois até os bravos do oeste suam frio numa hora dessas. Peguei a primeira, me concentrei, fixei o olhar na caçapa do horroroso palhaço e arremessei: tuf! Bem no centro da boca, sem tocar nas bordas. Lá vai a segunda: tuf! Idem. E a terceira: tuf! No fundo da goela. Dispensada a quarta chance, olhei para as funcionárias da barraca boquiabertas e decretei, quase nada arrogante:

- Dá a bola pra menina.

Saí com o peito estufado e voltei à jovem senhora com quem eu proseava. Dela recebi esfuziantes agradecimentos pelo feito heróico.

Domingão

Frio pra caramba, geladeira e armário vazios. Nothing to cook. Vontade de fazer rango então... putz.

Neste momento ocorreu-me uma idéia luminosa. Em homenagem ao centenário da imigração japonesa, sugeri à darling irmos ao Aquário Itaquera cumprimentar a comunidade nipo-brasileira da zona leste paulistana. Claro que a propósito de almoçar yakissoba quentinho. Lá é um misto de loja de aquarismo e pesca, parque de diversões e tem um mini-shopping com alguns pequenos restaurantes de famílias japas, em estilo fast-food. Bem melhor do que ir pro fogão.

Por míseros vinte reais nos entupiremos do delicioso e fumegante macarrão nissim com legumes, verduras, frango, carne e camarão.

Melhor e mais oportuno impossível.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Isso sim é telemarketing

Nada de pentelhos ligando pra sua casa para lhe oferecer quinquilharias. O telemarketing agora é diferente. Basta você usar um orelhão pra encontrar desde folhetos Herbalife até esses singelos adesivos colados por moçoilas que fornecem momentos de prazer mediante remuneração.

Nunca antes na história deste país
elas divulgaram tão bem os serviços.


quinta-feira, 12 de junho de 2008

Orgasmo com o genital alheio

Na noite passada aproveitei que cheguei em casa mais cedo e fui me deitar idem. Não só por cansaço acumulado, mas ocorre que estava sendo televisionada uma partida futebolística muito comentada e eu até que comecei a assistir. Mas as cenas me indicavam algo que eu já esperava. Dos times finalistas, o que estava com vantagem da bela vitória na partida anterior entrou em campo sem nenhum empenho, no melhor estilo "já ganhamos mesmo".

Nada mais traidor e enganador do que cantar a vitória por antecipação. O resto, bem... creio que todos já saibam. Pois este escrevedor, que ainda tem uma estima incurável pelo time paulista finalista, se recusa a assistir a qualquer coisa cujo protagonista apresente má vontade. Seja um show musical, seja uma palestra, missa, aula ou uma partida esportiva. É muito simples: se não está a fim de fazer algo não saia de casa, penso eu. Desse modo, finda primeira e já desonrosa etapa da peleja, desliguei a TV e recolhi-me aos aposentos.

Só que algo me surpreendeu e penso que seja uma estatística de migração nunca antes verificada. É que na capital paulista, ao menos na Zona Leste, a esmagadora maioria da população talvez seja de migrantes especificamente pernambucanos (e ingratos por sinal). Isso explicaria o porquê do foguetório digno de reveillon. Cheguei a cogitar que estivéssemos sendo invadidos pelas FARC. Eliminada a cogitação, voltei à primeira hipótese e desenvolvi uma segunda: podia também ser gentalha, cujos times não apareceram nem no rodapé da classificação. Confirmado isto, eles estariam, digamos assim, ejaculando com os pênises de seus amigos pernambucanos. Duas hipóteses para o estranho foguetório.

Se esta última se confirmar já posso imaginar a cena: na casa de cada pernambucano estariam reunidos torcedores de times não-finalistas. Eles estariam se revezando a massagear os órgãos sexuais dos seus anfitriões. Após o clímax orgásmico destes, os visitantes talvez fizessem outra coisa que não descreverei aqui e saltitariam para o quintal a soltar rojões. Isso, obviamente, enquanto suas esposas terminavam o serviço de agradar aos amigos anfitriões. Tem lógica.

Enfim são hipóteses e, como tais, podem plausivelmente transitar da especulação migratória massiva até versar sobre as preferências sexuais dos soltadores dos rojões. Ou tudo isso junto. Quem há de saber?

domingo, 8 de junho de 2008

O cãozinho dos teclados

Um brilhante deputado e sensacional cantor neste momento está na TV Record apresentando mais um hit que promete. Sinta a poesia:
Casado também namora,
casado também namora.
Casado é namorador,
longe da sua senhora.
Eu gostaria de acrescentar algo, mas a canção supera tudo. Viva a TV aberta.

sábado, 7 de junho de 2008

High tech, high score

Prova de História. Ou "Bases Históricas e Filosóficas da Educação" como estabeleceram no currículo. Tio Xavier, que está numa correria lascada no trabalho, não tinha estudado nada. Os textos mofavam na pasta surrada e o livro comprado continuava novinho em folha. Conhecimentos próximos de zero.

Quinta-feira, chego à facu quase na hora da prova. Nem aquela releitura de última hora rolou. Olho em volta e vejo as coleguinhas se matando com papeizinhos, fotocópias reduzidas e coisas assim, vulgarmente conhecidos como "cola". Algo que abomino.

Sem querer entrar no ritmo dos mini-lembretes, o tio pensa, repensa e lembra! Os textos da matéria estavam na conta do GMail. Será que não dava pra acessar as mensagens com o celular - mais exatamente essa maravilha - baixar os textos e deixar no jeito para consultas furtivas na hora das questões? Claro que sim. Apenas um dos textos me faltou e caíram duas perguntas do capítulo. Mas no restante, beleza.

Agora acabo de receber a nota por e-mail. Considerando que eu não sabia a diferença entre Michel de Montaigne e as fábulas de La Fontaine, mais o texto faltante, tirar 8 foi de ótimo tamanho. Ainda mais se me garantiu fechar a média por antecipação.

A tecnologia não é maravilhosa?