sábado, 9 de agosto de 2008

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O monte

Quinze horas de sol quente - semana passada - e eu ligo para a casa de um cliente. A casa mesmo, pois ele está constituindo uma nova empresa e o galpão vazio ainda não virou nada. Atende uma senhora que supus ser a mãe dele:

- Alô?

- Boa tarde, aqui é o tio Xavier da Information Inc*. O Lourival* está?

- Ahn, não tá não filho.

- A senhora sabe se ele está no salão da empresa nova?

- Tá não.

- E na empresa do pai dele em Guarulhos?

- Tá lá não.

- Ele demora?

- Acho que não.

- Ele foi em algum lugar longe?

- Num monte.

- Então ele demora.

- Demora não filho. Quando é assim ele volta rápido.

- Mas se ele foi num monte de lugar, como é que vai fazer tudo rápido?

- Não filho... ele foi só num monte.

- Não entendi nada, senhora.

- É filho: ele foi no monte orar. Ele sempre vai orar com o pessoal da comunidade.

Eu mereço. O cara me pede um projeto urgente, eu retorno pra ele pra tirar uma dúvida importante e o cara tá orando no monte. Às três da tarde.

Mudando de assunto: perguntas

Não tava óbvio desde o primeiro capítulo que a mulher do Ciro Gomes era a assassina? Ou será que consegui concatenar a perspicácia Sherlockiana com a Psicanálise?

Além da Glória Menezes e da darling alguém mais acreditava naquela voz chorosa se fazendo de boazinha?

Os dimenó

De novo a polêmica politiqueira de reduzir a maioridade penal. Não vou entrar nos meandros jurídicos porque não tenho a menor qualificação para isso. Mas parece que a matéria carece de fundamento, pois até a Constituição teria que ser mudada. Enfim é um papo que não dá em nada. Porém... ah, porém...

1) Estamos falando de um país com abismos entre a opulência e a miséria, lado a lado.

2) Onde educação é artigo de luxo e a oferecida pelo Estado é um lixo.

3) É PROIBIDO empregar um menor de dezesseis anos.

4) Nas periferias, o Estado é deficiente ao quadrado e os criminosos o substituem a seu modo.

5) E, por fim, o suposto sistema de recuperação de menores não oferece nada capaz de tal.

Agora o outro lado da moeda:

O que se entende por maioridade, com base apenas na faixa etária é uma balela. Usa-se conceitos de juízo que remetem à Idade Média. Ou alguém acha que um menino de quatorze ou quinze anos hoje é uma pobre criatura ingênua e desprovida de informação?

O tio começou a trabalhar no mercado formal aos treze anos mal-feitos, depois de muito custo para convencer o avô Xavier a assinar uma maldita autorização no juizado de menores. Acho que foi meu primeiro trabalho de venda fazê-lo entender que eu queria trabalhar e ganhar meu dinheiro. O trabalho era duro em uma loja de materiais elétricos. Eu tinha que caminhar quilômetros todos os dias debaixo de sol e de chuva entregando faturas. A caminhada lotava de bolhas os meus pés, que eu escondia dos meus pais para eles não inventarem de me tirar do trabalho. Terminadas as faturas, o tio tinha que se revezar entre o balcão da empoeirada loja, carregar peças pesadas e fazer à pé algumas entregas de materiais não tão confortáveis como rolos de fios e cabos, caixas de isolantes de porcelana e ferragens elétricas. Aos sábados vinha o pior: após abrir as portas de ferro, varrer a loja e atender no balcão o tio tinha que lavar o banheiro, que o gerente japonês pinguço emporcalhava a semana toda.

Não quero louros nem medalhas, mas só dizer uma coisa: EU NÃO MORRI POR TRABALHAR. Nem ao menos fui mal na escola, já então no período noturno. À noite na escola estadual a faixa etária dos alunos era bem maior que a minha. Tinha maconheiros, punguistas, vagabundos profissionais e até alguns alunos bons. O tio preferiu ficar no time destes últimos e não despencou para o mundo do crime. Namorei, beijei e curti minha puberdade como qualquer garoto normal, escondendo revistinhas de sacanagem e folheando-as com uma só mão, dada a outra estar ocupada. Conseguia fazer tudo isso trabalhando.

Então, senhores panacas, hipócritas, aproveitadores e demagogos que apregoam essa merda de que os dimenó não podem trabalhar, VÃO À MERDA. O mesmo eu digo aos que alegam que esses dimenó não têm senso formado para serem culpabilizados pelos seus atos. Ainda mais hoje com a quantidade de informações disponíveis.

Aos que assinam autorização para seus filhos guiarem carros aos dezesseis anos, aos que deixam seus filhos tirarem título de eleitor, embora seja facultativo nessa idade, aos que têm grana e correm tirar seis filhinhos infratores das frias e ainda dizem aos quatro ventos que os pobrezinhos são dimenó e logo inocentes eu digo: VÃO À MERDA! Tomara que seus delinqüentinhos arrumem namorados e namoradas como os irmãos Cravinhos e a Richtoffen, se é que me entendem...

Redução da maioridade penal, sim. Já passou da hora. Com trabalho e educação para todos.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Pregando a fraternidade

TIO: amiga, vc é boa em Matemática básica?

Amiga: yes, uncle

TIO: certo.. vamos à questão:
1) Tenho R$4.355 em contas a pagar.
2) Porém o saldo da multinacional acusa apenas R$2.400

Amiga: hum hum

TIO: como resolver a questão? (vc disse que é boa em Matemática)

Amiga: o resultado é elevar a soma dos dois catetos pela raiz quadrada de 34534543583409582405943, pegar o número de telefone da sua gerente de banco...

TIO: ahn.. certo...

Amiga: onde vc poderá solicitar...

TIO: and...?

Amiga: a) cheque especial

TIO: NÃÃÃÃÃÃÃÃÃO

Amiga: b) empréstimo bancário

TIO: NÃÃÃÃÃÃÃÃÃO

Amiga: oooooooooooou

TIO: estou pensando em uma saída religiosa

Amiga: deixando a matemática de lado, vc pode usar seus belos olhinhos azuis

TIO: and...?

Amiga: E oferecer seu corpinho por uns trocos

TIO: certo... putz, uma situação difícil. Pensei em uma saída mais religiosa, amiga.

Amiga: montar uma igreja?

TIO: nem tanto...acompanhe meu raciocínio: veja bem...

Amiga: vejo

TIO: titio reúne os credores em um local e hora determinados

Amiga: hum hum

TIO: então.. credores reunidos

Amiga: sim

TIO: Aí seleciono um capítulo do Evangelho e faço uma palestra sobre a caridade cristã, a fraternidade, a compreensão para com o semelhante, e exorto-os a não se degladiarem

Amiga: huuuuuuuuuuuuuuuuuuuuumn

TIO: nem a maltratar àqueles que estão em dificuldades, like me. Então depois de tudo isso exponho a equação matemática que não está fechando. E tenho certeza de que imbuídos do espírito cristão eles arranjarão um jeito. Que acha?

Amiga: certo, porque Djízãs tocará o coração deles, encherá de luz e eles entenderão

TIO: esse é o esquema

Amiga: praticarão a fraternidade

TIO: opa! para comigo, inclusive

Amiga: claro

TIO: que neste momento sou justamente o "irmão necessitado"

Amiga: e é preciso praticá-la com os irmãos

TIO: isso, isso, vc pegou a coisa. acho que eles tb sacarão logo... vou selecionar o texto mais adequado e começar a convidar para a reunião.

Amiga: vai em frente

TIO: já fui... bjs...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

50 anos da bossa-nova

A bossa-nova está completando meio século. Nem parece. Quem não conhece os acordes melodiosos e dissonantes, as vozes em tom falsete e a cadência suave, que de longe lembra um samba-canção bem lento? Quem nunca ouviu os versos "Olha, que coisa mais linda, mais cheia de graça..." que praticamente viraram cartão-musical do Brasil? Todos conhecem. Inclusive amigos vituais que conheço pelo mundo afora, quando troco músicas pelos P2P da vida, todos lá fora conhecem "The Girl of Ipanema", como me disse recentemente um chegado lá de New Orleans. Impressionante, não?

Mais incrível do que isso é como tanta gente pode gostar de uma coisa tão chata, tão pegajosa, tão falsetosa, tão pedante, tão sem-graça como essa bossa-nova. Caraca, não é possível. Tudo bem que tecnicamente falando é bem melhor do que as merdas de créu do cão que existem hoje. Mas vamos lá, minha gente... No meio desse auê todo, festivais e especiais com esses chatonildos, cuja expressão máxima está em João Gilberto, será possível que ninguém tem coragem de dizer simplemente que a bossa-nova é um pé-no-saco?

"O barquinho vai... a tardinha cai..." não pode haver coisa mais mala. O que me espanta é a aparente unanimidade de intelectualóides, jornalistas, atores e personalidades em geral falando em entrevistas que "a bossa nova foi um marco na música brasileira, blá, blá, blá, caiscaiscais". Foi sim: um marco da chatice. Das letras meladas, bregas e cansativas, do ritmo sonífero e mamulengo, do embuste do falsete de cantores que não tinham timbres, nada se aproveita minha gente.

Vamos admitir e quebrar o silêncio. Vamos dizer que não agüentamos mais isso e que a bossa-nova podia estar circunscrita aos museus e as rodinhas de chatos com violões serem permitidas somente a portas fechadas. Chega disso no rádio. Não queremos remakes, regravações, songbooks nem a vocalista do Pato Fu imitando a Nara Leão. Se a original já era chata, a cover então pelamordedeus. Pior ainda é o pessoal da Trama fazendo bossinha-nova. Mas isso é assunto pra outro post. Vão ser chatos assim lá no inferno. Pronto, falei.

domingo, 3 de agosto de 2008

Moda fashion - II, o retorno

* Este artigo foi escrito para as mulheres. Se você é homem e macho, não perca tempo com isto.

Queriiiiiida! Os desfiles de moda não perdem sua infinita na capacidade de surpreender. Nunca, meu amor. Quando se pensa que tudo o que seria possível já foi inventado, os estilistas trazem novas tendências, texturas, cortes, comprimentos e recentemente o que mais tem me assustado: AS ESTAMPAS. E a modinha do momento agora está na redescobera dos tecidos que, depois de estampados, mais parecem um manuscrito hieroglífico. Ficam bem para vasos caros, mas jamais para indumentária.

Vamos às dicas de moda feminina do Tio Xavier:

a) Usar estampa é algo que requer um cuidado absoluto, mas que possui regras simples e de bom-senso. Se usar uma peça com estampa ou listra, pelo amor de qualquer coisa, cacete: não misture com outra peça estampada. A não ser que você faça parte de uma trupe de frevo em Pernambuco. Ou então seja a própria boneca de Olinda.

b) Se você tem um tipo físico digamos assim ''mais avantajado" talvez seja melhor nunca usar listras ou estampas. Mas se forem as primeiras que sejam verticais e largas. Se forem as segundas, que não sejam em grande número e sejam motivos grandes. Mas o resumo para as balof... (ops) cheinhas é EVITE ESTAMPAS SEMPRE QUE PUDER e preze mais as peças escuras e sóbrias que propiciam a ilusão ótica de que você não é tão baranga assim.

c) A não ser que você tenha a compleição física da atriz Carrie-Anne Moss - a deliciosa Trinity de Matrix - e vá andar de moto 1.500Cc ou protagonizar a versão 4 do filme nunca use toda a roupa grudada. Um detalhe para as moçoilas com genética de hipopótamo é usar uma peça um pouco mais justa na parte menos volumosa do corpo e uma mais folgada na parte mais ampla. Continuo na minha firme cruzada contra estampas para manequins XGGG³ mas se for algo distinto, use a estampa na parte de menor diâmetro. Se além de gorda você for burra segue a tradução:
  1. Você tem os quadris da mulher-melancia? Porra, bota uma calça ou saia escura e tente que ela seja não-grudada. Nesse caso apele para a blusa decotada e mais justa, desviando a atenção para os seios.

  2. Você ao invés de soutien precisa usar um par de calotas ônibus, mas por um acaso tem menos quadril? Então coloque uma blusa mais fechada, mais curta, menos grudada e, talvez, tente um jeans mais justo embaixo, desviando a atenção do desavisado para as coxas e a bunda. Uma batinha pode te salvar, amoreco.

  3. Em ambos os casos, lembre-se: roupas mais escuras e SEM ESTAMPAS, por favor.
Prometo que um dia, quando eu não tiver mais nada pra fazer, continuarei essa série de artigos para vestimenta feminina. Afinal de contas ninguém melhor do que um apreciador das fêmeas para fazê-lo. Ou você prefere as dicas daquelas bichas frustradas que no fundo sentem noooooojo de vocês? Prefere acreditar que o único manequim adequado é um monte de osso empilhado verticalmente? Se prefere a eles, leia as revistas de moda. Eu particularmente dispenso a sensação de me deitar sobre um estrado de cama, se é que você me entende.

Por ora, fiquem com uma foto que roubei da colunda de moda da UOL. É de um desfile de algum desses estilistas que surtam de manhã e decidem o que você deve vestir. Analise bem a foto que expressa bem o que NUNCA VESTIR, POR FAVOR. A moça me pediu para não mostrar o rosto dela por vergonha de ter aceitado esse trampo.

Marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Artigos vitais para o ser humano

Recentemente, vadiando pela internet - coisa que quase não faço -, descobri uma loja de artigos de primeiríssima necessidade. Coisas que eu nem sabia que existiam, mas que só agora percebo que são essenciais para a vida.

Agora estou questionando como é que estou vivendo sem esses simpáticos gadgets. Suspeito que eu esteja vivenciando uma imagem turva e limitada que não é a vida de fato, como Platão explicou no mito da caverna.

São coisas vitais como esses fantásticos óculos-câmera - ou será câmera-óculos? - de 1.3Mpixels.

Se eu fosse postar todas as fotos de coisas bacanas de lá eu nunca mais blogaria outro assunto. Chega de comentários. Visite o site da loja AQUI.

Ps.: Ainda vou me credenciar como representante comercial desses caras.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Drops DVD: Amigo oculto

Não tem nada a ver com aquelas brincadeiras falsas e de fim-de-ano nas firmas. O tio tem alguns critérios desapaixonados e científicos para fazer crítica de um filme. Um deles é: o protagonista é o Robert de Niro? Então nem pestaneje e pegue para assistir.

Com base nesse critério, isento e abalizado, titio Xavier pegou emprestado de uma amiga e concentrou-se para assistir. O filme é de 2005 e entretenimento de alta qualidade. De Niro é psicólogo e pai de uma menina de nove anos, tendo ele enviuvado pelo suicídio da esposa. O resto da trama é bem legal. Se eu comentar qualquer coisa corro o risco de estragar-lhes a satisfação e a diversão.

Se quiser ver a ficha técnica clique AQUI e para a sinopse, clique AQUI. Estou com preguiça de reproduzir as informações e já tem sites bons que fazem isso. Mas se não assistiu ainda, pegue na locadora imediatamente ou apanhe emprestado de alguém.

domingo, 27 de julho de 2008

Moda fashion

Mesmo sendo um dedicado leitor de revistas femininas e apreciador inverterado desse público-alvo, o tio Xavier não consegue entender algumas coisas, particularmente no mundo da moda feminina.

Alguém consegue me explicar que merda são esses cintos de elástico que a mulherada está usando na altura do estômago? É uma técnica de redução estomacal? Ou é para segurar os peitos?


Criss Angel: o mágico das... câmeras

Veja essa sensacional mágica do Criss Angel, auto-intitulado o mágico das ruas.



Parece bacana não é? Todos sabemos que é truque, embora o tio sempre diga a respeito do mágico que ele tem parte com o Cão das Trevas. Os que possuem TV de rico já devem ter enjoado de ver o Criss Angel desde há uns quatro ou cinco anos. Mas o tio que só teve acesso a ele na Record recentemente.

Quando eu já estava recuperando minha remota infantilidade com as mágicas dele, tive a infeliz idéia de pesquisar o cara na internet. Não foi preciso muito. Umas pausas aqui, um texto ali e o sombrio mágico se transformou no mais barato e grosseiro atorzinho de quinta. O suposto mágico das ruas é na verdade um mágico das câmeras, que usa as mais fubangas e tôscas técnicas de pós-produção e edição de vídeo. Sua predileção pelas apresentações ao ar livre não se fazem senão cercadas de figurantes chinfrins, abordagens ensaiadas, locais cercados e filmagens cuidadosas.

Vejam o truque das mesas na praça pública revelado pelo tio em poucos takes:

CENA 1: Depois da cena toda de abordar a "desconhecidos",
juntar mesas ao acaso e pegar emprestada uma toalha branca,
agora a cena é captada de um ângulo muito peculiar.


CENA 2: A escolha do ângulo da cena é exatamente
para facilitar a ocultação do recurso do truque.
Mas veja as notas do tio sobre a questão das sombras.


CENA 3: Parece mesmo haver algo de errado com as sombras
.


CENA 4: A explicação está na parte mais chulé do truque.
Embaixo das mesas está posicionado um espelho, velho
ajudante dos mágicos. Isso só foi possível com os cortes de edição.

Se você observar no vão entre as mesas, verá que há uma sombra de árvore.
Não por acaso, muito parecida com a sombra que está na frente das mesas.


Analisei outros truques ao ar livre e verifiquei deslizes imperdoáveis na edição, que vão desde mudança na posição de objetos e pessoas até problemas com sombras. Ele devia pelo menos contratar um continuísta bom.

Diferente dos ilusionistas cheios de equipamentos interessantes como o Mr. M e talentosos como o Issao Imamura - este sim faz bons shows presenciais -, se o tal Criss Angel se metesse a fazer apresentações improvisadas nas ruas como apregoa, não subsistiria por um só dia. No máximo estaria se apresentando em buffets infantis. E ainda sob o risco de a molecada pentelha detonar com ele.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Prêmio Nobel de Arquitetura

Eu vivo explicando para um amigo virtual que a profissão dele está com os dias contados. Graças ao conhecimento acumulado da humanidade e aos modernos recursos computacionais hoje em dia qualquer um consegue executar uma obra com maestria, sem auxílio de arquitetos e engenheiros. O resultado? Às vezes sai um pouco a desejar, mas isso é um mero detalhe. Como nessa foto que um amigo me mandou por e-mail.

Nada que alguns ajustes não resolvam.

sábado, 19 de julho de 2008

Dercy is dead

Segundo uma fonte celestial segura, quando a véia despertou diante do portal celeste para aquela burocracia toda que já se sabe, viu São Pedro com um livro enorme aberto:

- Dercy, esse é o livro da vida... e aqui consta tudo o que você fez, blá blá blá blá...

- Ah, enfia esse livro no cu e vá pra puta que o pariu!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

As correntes do bem

O plural está correto. Não estou me referindo ao filme "A corrente do bem" primeiro porque nunca assisti, não sei do que se trata e não tenho a menor vontade de saber. O que me motiva a escrever neste momento, além de um parceiro estar atrasado para me acompanhar a um cliente, é o fato de um contato meu, muito bem-quisto, ter me mandado um e-mail.

Como trata-se de uma pessoa muito estimada pelo tio eu resolvi abrir e ler, embora tenha visto no cabeçalho que tinha sido repassado (o inconfundível "Enc:") para quatro mil oitocentos e trinta e dois contatos. E o preâmbulo iniciava com o também inconfundível "não custa ajudar". Eu devia ter deletado a partir daí, mas sempre me recai um sentimento de culpa se eu não tiver certeza de que não é mais uma corrente inútil. Justificado para comigo mesmo e começando a ler o texto percebo que é uma daquelas histórias enoooooooooooormes de narrativa de doença rara. Foi o suficiente para eu dar um scroll-down e ir direto ao final. Lá estavam os nomes do suposto casal de pais da criança doente, sem sobrenome é claro, o da suposta médica e do também suposto endereço do apartamento do casal.

Fiquei um pouco puto com o meu caro remetente, mas no melhor da correção fraterna resolvi pesquisar as informações na internet, incluindo o endereço para fundamentar minha admoestação. Para minha não-surpresa:

1) O telefone mencionado não existe

2) O endereço não é de um prédio residencial

3) O nome da "renomada doutora" aparecia centenas de vezes na internet mas...

... em cópias do mesmo maldito texto, incluindo uma versão em espanhol. Blogs e mais blogs, como o meu caro ente se prontificaram a publicar o texto, já que "não custa ajudar". Porra, será tão difícil para essas pessoas antes de repassarem lixo eletrônico, correntes do cacete e boatos internéticos, ao menos verificarem o mínimo e assim evitarem entupir as caixas postais alheias com merda?

Dentre as porcarias que me repassam, eu deleto 99,2% só pelo cabeçalho. Os 0,8% restantes eu até tento verificar para não ficar com a consciência pesada, como comentei. Só que até hoje ZERO dos conteúdos tinha fundamento. Ou seja, quando alguém precisa de fato de ajuda ou informação sobre doenças raras, remédios idem e síndromes estranhas, procura os hospitais, os médicos, as entidades científicas, as universidades ou os órgãos governamentais para se socorrer. Jamais mandam e-mails de apelo na web. De fato não faz sentido. Talvez por isso mesmo estou comentando isso neste blog. Nossa, até pra trocadilho hoje estou ruim.

Senhores remetentes, introduzam as teclas "enter" nos vossos respectivos orifícios excrementadores quando pensarem em me encaminhar algo do gênero. Grato desde já.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Otros cullones

Essa sensacional imagem é de dois idiotas e desprovidos de funções cerebrais e de qualquer tipo de respeito tomando o devido troco. É que em um certo país europeu dito desenvolvido, onde se praticam touradas e outras aberrações com animais, determinada farra de rua terminou mal.

Infelizmente foi só para esses dois trouxas. Nem li o resto da notícia, pois é quase certo que os pobres animais tenham sido brutalmente assassinados ao final da bestial "festa". Espero que os fanfarrões ao chão tenham tido seus culhões pisoteados e inutilizados pelos bovinos antes de serem socorrido, pois assim não se reproduzirão.

Créditos da foto: Rafa Rivas/AFP

sábado, 12 de julho de 2008

Pode ser a hora

Estava lendo umas reportagens sobre o Barack Obama e lembrei que o Morgan Freeman já foi presidente americano. Como o governador de Nova Iorque agora é um negro e o Obama tá bem nas pesquisas, quem sabe aqueles texanos da KKK não tenham que engolir um black na presidência? Tomara.

Drops DVD: O todo-poderoso 2

Evan Almighty (título original do filme) é um bom divertimento. Não fosse pelo Morgan Freeman no papel divino, quem assistiu ao anterior com Jim Carrey poderia esquecer que era pra ser uma continuidade daquele. O Morgan-deus desta vez vem ao encontro de Steve Carell, o hilário ator que protagonizou Agente 86. Repórter e recém-eleito senador americano é intimado pelo deus-negrão a construir uma arca por conta de uma presepada que rola no finalzinho.

Inverossímil, com o pezão atolado no politicamente-correto, afogando-se no pieguismo ianque é O todo-poderoso 2. O ator faz o filme valer à pena.

O crítico de cinema de botequim Tio Xavier embora não goste do Jim Carrey achou melhor o primeiro. Mas pode assistir a este último que não morre. E pode dar boas risadas.

O maravilhoso mundo da privatização

Quem mora em SP lembra-se de quando éramos "reféns" da operadora de telefonia estatal. A TELESP era a única empresa a dispôr de linhas telefônicas particulares e orelhões. Até que sábios políticos trouxeram um novo mundo para os usuários. Foi quando os espanhóis da Telefonica aqui aportaram. Eles podiam ter tido concessão para criar NOVOS serviços telefônicos e novas redes idem. Mas herdaram o legado da estatal e o que fizeram?

Tente achar um orelhão. De preferência um que funcione. Disseminaram os telefones privados por todos os lares. Claro que isso é bom. Mas a TELESP já estava devolvendo as ações dos usuários que investiram até dois mil dólares por uma mísera linha telefônica de plano de expansão. Tornar o telefone um mero serviço era questão de tempo.

A qualidade de atendimento. Isso sim. Nos bairros havia agências da TELESP onde podíamos encostar no balcão e falar com seres humanos capacitados. No limite podia-se ir na Rua Sete de Abril onde era a central. Os poucos problemas que tive foram resolvidos lá. Agora somos obrigados a ligar para o maldito 103-15 ouvirmos propaganda da própria Telefonica por cinqüenta minutos e sermos atendidos por bestas humanas robotizadas, isso se conseguirmos uma após repetirmos cem vezes o nosso número de telefone e o problema.

Os técnicos: antes eram da própria operadora. Funcionários na maioria concursados e com formação técnica da empresa. Hoje sou atendido por "manos" que andam como doidos com aqueles carros com escadas em cima. São sub-contratados por prestadoras terceirizadas. Sujeitos que sempre têm um modemzinho, um aparelho ou outra quinquilharia na manga, obtida sabe-se lá como, pra nos oferecer mediante um "por fora".

Agora o mais sinistro de tudo é que a promessa da privatização foi que "a mão invisível do mercado" propalada por Adam Smith trataria de despencar as tarifas porque inúmeros competidores entrariam nos mercados. Ao menos no de telecomunicação, tudo como dantes no país de Abrantes. Tirando um misto de celular-fixo da Embratel, não tenho outra empresa de quem contratar uma linha telefônica fixa. Internet? Opa... alguém aí avisou que em 90% das ruas APENAS UM SERVIÇO de internet vigora? Não parece estranho? Não sei porque a palavra "truste" não me sai da mente.

Tio Xavier está postando de sua residência após dez dias sem internet e para isso ainda teve que amargar horas ao telefone até que mandamos cancelar todos os serviços. Só então resolveram mandar um sujeito aqui para constatar o que eu falava há dias para os desinfelizes do 103-15. Que a merda do serviço Speedy em minha casa não conectava por problemas lá na central DELES. No meu barraco somos em dois profissionais de informática suficientes para distingüir problemas nos nossos equipamentos dos deles. Mas tente explicar isso pra eles.

Privatização = concorrência... Ahãm... Tá.

terça-feira, 8 de julho de 2008

O verdadeiro culpado

A Ciência. Essa grande redentora do planeta. Nunca antes na história da humanidade (como diria o nosso presidente) foi tão simples para os cientistas - sacerdotes daquela - descobrir de quem é a culpa pelo aquecimento global. Esqueçam as opiniões tendenciosas e politizadas que insistem em atribuir ao Bush e à indústria petrolífera. Não dêem bola aos que xingam a China que em nome do crescimento econômico põe a perder nossa preciosa atmosfera. Nem eu e nem aquele seu vizinho que vai até a padaria de carro, embora moremos a dois quarteirões dela. Acharam o culpado pelo aquecimento global, o derretimento das calotas polares e, por conseqüência a elevação dos níveis oceânicos.

Renomados institutos internacionais decretaram o culpado. O condenado se chama Dentroctonus ponderosae, popularmente conhecido como besouro-do-pinheiro e ainda predomina nas florestas canadenses mas está prestes a dominar o mundo. Ele deposita seus ovos nas cascas dos pinheiros provocando o apodrecimento da árvore, o que libera gás carbônico. Já adaptado às temperaturas altas o assustador inseto prolifera-se tornando a mais poderosa e devastadora praga, muito pior do que a nuvem de gafanhotos que Javé mandou ao faraó. O ciclo vicioso se forma, pois o próprio besouro devastando a floresta retroalimenta o aquecimento. Dessa forma ele tende a dominar o planeta, não resta a menor dúvida A hegemonia do homo-sapiens-sapiens está por um fio.

Não sei por que lembrei-me dos idos de 1970 quando a saúva foi eleita pelo governo militar como a responsável pelas mazelas da então arcaica e falida agricultura brasileira. Não era o latifúndio e os sistemas de produção suméricos, mas sim a saúva que com seu alto poder destruidor elevava os preços dos alimentos e fomentava a invasão das indústrias de pesticidas químicos. "Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil" rezava o slogan da época.

Voltando ao nosso vilão contemporâneo, saibam todos os que lêem este post (cerca de quatro ou cinco desocupados) que o minúsculo e devastador ser é responsável sozinho pela emissão de CO2 em quantidade equivalente ao Brasil, cerca de 270 milhões de toneladas/ano.

Pau no besouro. Mas mirem bem porque essa verdadeira máquina de destruição tem cinco milímetros de comprimento. Algo equivalente a um grão de arroz.

Agora tá fácil salvar o mundo. Suspendam aquelas enfadonhas e onerosas reuniões dos países líderes, cancelem os protestos do Bono Vox. O negócio é tacar inseticida nos pinheiros. De preferência com dispersores motorizados à querosene e veículos à diesel.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Drops DVD: Agente 86

Se você assistiu à antiga série de TV do Mel Brooks vá ao cinema ver o remake. Se você não assistiu, não tem problema, pois o filme é auto-explicativo embora algumas referências possam fazer falta.

Eu ainda fico com a velha série, mas a versão cinematográfica é boa. O tio recomenda.


Ps¹.: O cara telefonando no sapato é do seriado.
Ps².: Deus do céu! A agente 99 do cinema é pra casar!