sábado, 15 de outubro de 2011

Erradicar o analfabetismo é o melhor acúmulo tecnológico



uitos de nós discutimos nas redes e em outros fóruns sobre melhorias sociais, progresso econômico e inclusão. Enfim e de certo modo, a maioria de nós concordamos que é preciso acabar com a miséria e que não é concebível que, em um mesmo território, alguns tenham direito de possuir carros de cem mil dólares e outros não tenham um dólar por dia para se alimentar. Ainda que estejamos há mais de um século de 1888, chamo a estes últimos de cativos dos novos tempos. E como nos tempos escravagistas, há diversos níveis de cativeiro diferentes. Da senzala à cozinha da casa grande, o que temos hoje não são senão versões melhoradas do regime passado.

Contudo, há estruturas e superestruturas que garantem a permanência das coisas como estão. Quero chamar aqui a atenção para a educação. Dentro e fora da escolarização formal pairam ideologias que atribuem a pobreza à baixa escolaridade. Laudas, páginas e tomos inteiros dedicam-se a correlacionar a baixa renda com a baixa escolaridade. Basta visitar o site da UNESCO e conferir. Mas há algo mais engenhoso por trás dessa constatação questionável: a premissa de que o únicos conhecimentos válidos - nesse caso para ascensão social - são aqueles determinados pela escola formal. E, dentro desta, não será por acaso que algumas ciências são privilegiadas e outras praticamente abandonadas. Currículos oficiais são fruto de ações e decisões humanas, logo artificiais. Em última análise justificam a extratificação social. Assim é que torna-se "óbvio" que médicos, advogados e engenheiros "tenham que ganhar mais" do que lavradores, faxineiras, pedreiros e estivadores. Será tão óbvio assim?

Dirijo-me especialmente aos educadores: sei que é nosso papel transportar os estudantes, quer sejam sejam crianças, jovens ou adultos ao universo das ciências. Mas podemos fazê-lo de modo mais audacioso, colocando-lhes em permanente questionamento de que, por trás do status social que alguns conhecimentos têm por sobre outros, há um mercado de bens e serviços, intencionalmente construído, que valoriza umas coisas e desvaloriza outras. O que quero dizer com isso é que, em essência, não há conhecimentos "melhores" ou conhecimentos "piores". A estrofe de um cordel não é inferior a uma produção de Chico Buarque; os acordes sanfonados de um xote não são menos belos do que o dedilhado de João Gilberto; um grupo de maracatu ou teatro mambembe não é menos cultural do que uma apresentação (caríssima) do Circo de Soleil. As culturas têm valor intrínseco.

Colocadas as premissas acima, apelo a todos quantos possam: ajudem nossos trabalhadores menos favorecidos a conquistarem os códigos das letras e dos números, a se apossarem da parte das ciências que os ajudem a viver melhor, a não precisarem mais apresentar papeizinhos escritos por terceiros e perguntar para estranhos na rua onde fica tal endereço. A pior prisão, sem sombra de dúvida, é a treva da ignorância, pois aprisiona e domestica a consciência. Viver como um iletrado num mundo de regras letradas é ser um pária em seu próprio país. Não vamos conseguir construir sociedades melhores, porquanto persistir a segregação social, mediante artifícios tão sutis e perversos como o analfabetismo e as ideologias que sacramentam a inferiorização dos tais iletrados. Ensinar e conscientizar é preciso! 

Como militante da educação de jovens e adultos (EJA) convoco a todos quantos possam: aventurem-se a dedicar, ainda que umas horinhas de seu tempo, a essa urgente tarefa. Eu lhes asseguro: aprenderão com esses educandos tardios coisas com as quais se espantarão; descobrirão que esses supostos ignorantes graduaram-se desde sempre, na melhor e mais verdadeira escola que existe: a vida. Constatarão que eles já são vencedores, ao sobreviverem sem as letras em um mundo que só privilegia os letrados. Só lhes faltam as letras. E isto, nós, os letrados e privilegiados, podemos solidarizar com eles, ajudando-os a viver melhor e a conquistarem a dignidade em suas consciências.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mediação, professora! Sabe o que é?


Abro o envelope com as avaliações escolares da caçula. Sob meus olhos o sinal nítido de que alguns professores não se renovam, não pesquisam, não se aperfeiçoam. Perguntas com jeitinho de CTRL-C / CTRL-V, frases para completar transcritas literalmente de parágrafos do livro, perguntas descontextualizadas, passíveis de serem respondidas com “sim” ou “não”, mas que ainda incluem a petulante comanda “explique”. Como assim, professora? Explicar o quê? Que tipo de explicação a senhora quer?

A avaliação em questão era de História e, seguindo os Parâmetros Curriculares Nacionais, o tema era República Brasileira. Perfeito! Dentro do assunto. Até porque é exatamente o que o livro didático adotado traz. Mas o livro é um mero instrumento de apoio. A aprendizagem pressupõe uma dinâmica, na qual o professor desvende o nível de compreensão prévia dos alunos sobre um tema para, a partir dessa compreensão, alicerçarem os conceitos necessários para o avanço sobre um assunto. Não há de ser possível uma criança entender uma unidade temática, sem que as categorias fundamentais do assunto estejam sedimentadas.

Desse modo, não faz sentido tratar - no exemplo em questão - a ditadura Vargas abordando datas de início e fim, nomes de lugares e menção a fatos isolados sem que:
  • Conceitos como formas de governo, ditadura e democracia estejam firmados; 
  • A compreensão do que são agentes sociais, partidos políticos e movimentos, esteja assegurada; 
  • O entendimento de que a história é uma construção coletiva com mudanças, lentas ou abruptas,seja de comum compreensão. 
Ficarei apenas nesses três aspectos acima, pois julgo que para a questão, sejam suficientes. Notei que a criança não respondeu a três ou quatro questões, de comanda e clareza duvidosas e perguntei:


- Filha, você sabe o que é uma ditadura?

- Não.

- Você sabe o que é uma democracia?

- Não.

- A diferença entre eleições diretas e indiretas?

- Não.


Bem, professora, aposto uma feijoada no sábado - com caipirinha e tudo! - que os conceitos elementares não foram amadurecidos, discutidos, trabalhados, simulados, teatralizados e esgotados com os pequenos. Aposto também que se eu lhe perguntar com firmeza sobre eles, a senhora escorregará ao menos em um ou dois. Então, qual será a serventia de ficar pedindo datas, nomes e locais se o assunto em si não é significativo para as crianças, professora? Para decorar?

- Quase tudo que aprendi, amanhã já esqueci.
Meu caro professor, minha cara professora: parem de ficar aplicando decoreba e passem a firmar conceitos, promover a articulação de conhecimentos, contextualização. Agora, se vossas dificuldades, por ventura, incluírem desconhecimento de concepções mais atuais sobre aprendizagem, boas técnicas didáticas ou o que venha ser mediação pedagógica, na boa: voltem para a universidade e debrucem-se sobre os livros.

Por favor, para seu próprio bem, de seus alunos e de nosso país!

domingo, 26 de junho de 2011

Culpa do Kassab²

Todos sabem que quando temos enchentes em Sampa, o único culpado é o Kassab. Ou a Marta, ou o Serra, dependendo da época.

Um bom exemplo é a foto abaixo, tirada pelo tio na Av. Calim Eid, na zona leste de Sampa. A sequência das avenidas Calim Eid, Dom Helder Câmara e Gov. Carvalho Pinto é cortada por um córrego que vez ou outra transborda. Não é difícil saber o porquê dos transbordamentos.

Como sabiamente diria o Quico: GENTALHA!!!

Sugiro aos subprefeitos e ao prefeito guardarem fotos como essa até o próximo verão e apresentarem-nas no SPTV e no Cidade Alerta, quando o zé povão porcão reclamar das enchentes. Que a verdade seja dita!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Níveu curturau dus proficionais

Você contrataria ou manteria no cargo uma pessoa que se comunica nos termos do texto abaixo?
"Peço a   gentileza de  localizar o crédito da cliente SCHELBTS DA SILVA*, pago em 31/03/2011 no valor de R$ 399,00 através do BANCO TABAJARA*  ref. a  c/c ...,  sob o nosso n° 1234567890*Pelo  uns dos créditos ter sido repassado (SIC!) via arquivo de cobrança, o outro crédito pode ter sido rejeitado porque á cliente (SIC!) efetuou o pagamento antes, poderia verificar se a o (SIC!) crédito ou se retornou para o banco recebedor?OBS.: A um (SIC!) pagamento no mesmo valor de R$ 399,00 pago pela cliente em 10/01/2011, foi repassado via arquivo de cobrança."
Pois é, meu amigo, minha amiga. Isso existe e foi extraído de uma correspondência verdadeira! Gente assim recebe salário para enviar textos com esse nível.

Agora você se surpreenderia se soubesse que o empregador em questão é uma instituição de ensino? Melhor parar o assunto por aqui, não é mesmo?

sexta-feira, 11 de março de 2011

Kassab promete recapear vias paulistanas

O prefeito Gilberto Kassab (foto) visitou algumas das principais avenidas paulistanas e tentou relevar os problemas na pavimentação asfáltica, após as sucessivas chuvas na cidade: "Não há motivo para tanta reclamação; o que há são algumas ondulações, normais de surgirem nesse período" - garantiu o prefeito.

Desenvolver novas habilidades

Pode parecer um discurso batido de palestra em empresa ou livro de autoajuda. Mas não é. Veja como desenvolver novas habilidades é fundamental para a sobrevivência no 3º milênio:

Vaca subiu em árvore para escapar da enxurrada.(Foto: Nauro Júnior/Zero Hora/Agência RBS)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Vamos a la playa?

Ir a Long Beach City, quando eu era molecão, já foi sinônimo de lazer. Com uma turma que incluía minha namorada, alugar uma kitchenete, pegar o busão na rodoviária, botar a mochila nas costas e para passar fins de semana no litoral paulista compunham uma boa estratégia para fugir da estressante soma trabalho + faculdade + militância política.

Não sei dizer ao certo qual era o maior atrativo da brincadeira. Mas penso que era uma combinação de ficar longe da casa dos pais, próximo de amigos e amigas queridas e, principalmente, ter a namorada ao lado para tomar banho, trepar e dormir junto sem pudores, não necessariamente nessa ordem. No cotidiano esse aconchego não era tão facilmente realizável. Mas nesses fins de semana construíamos uma área de proteção, sem tutela dos familiares, principalmente os das meninas, claro. Era um quase-amor-livre, embora monogâmico. Tudo bem, um beijo lá outro cá em outra amiga, que não era a namorada era até tolerado. Revezávamos entre o apartamento e a praia, dando prioridade absoluta para esta, onde salgávamos a pele bebíamos cerveja e caminhávamos falando besteira. Em suma, foi bom.

Mas como tudo passa e até a uva passa, hoje em dia não consigo achar graça em praia lotada e sol escaldante. A praia é a mesma, o Atlântico é o mesmo, o público é o mesmo. Tenho clareza de que a única variável que se alterou fui eu. Primeiro que nunca suportei de fato o sol. Sou branco como um esquimó e tenho olhos claros. Por isso a única forma de eu permanecer algum tempo em lugares ensolarados é justamente minimizar os efeitos do astro-rei sobre mim: protetor fator 290, óculos escuros, camiseta e guarda-sol. As águas agitadas e salgadas do mar, não me possibilitam nadar e me exercitar. As muvuca na praia, com profusão de barracas, vendedores que nos abordam sem parar, gente fazendo batucada e aparelhos sonoros tocando música de mau gosto também não me apetece. Em se tratando das praias mais popularescas sobrou alguma coisa? Não, né? Quem está sobrando sou eu e sei o que significa "retirada estratégica".

Na próxima vez em que a darling insistir em ir à praia, valendo-nos de nossa maturidade conjugal, combinaremos que ela e a cria vão e eu fico. Na categoria de lazer aquático, uma piscina, de preferência coberta, faz mais minha cabeça. Se for à noite então, melhor ainda!

sábado, 22 de janeiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Prefeito Kassab libera atividade de gondoleiros

Devido ao estado de emergência da cidade de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab decidiu liberar temporariamente a atividade de gondoleiros venezianos. "Não podemos dispensar nenhum tipo de alternativa de transporte durante essas calamidades" - disse o prefeito em recente entrevista.

Muitos gondoleiros, estão recém-chegados em São Paulo devido à crise econômica que assola a Europa e viram como uma ótima oportunidade de garantir uns trocados, enquanto não conseguem emprego formal. Giuseppe Benatti (foto acima) não perdeu tempo e transportou vários paulistanos que acharam interessante.

A SPTrans já cogita credenciar os gondoleiros para linhas especiais no Jardim Romano (foto ao lado), bairro situado na zona leste da capital paulista, que tem muitas semelhanças com Veneza, na Itália.

Por enquanto, de acordo com informações obtidas na Secretaria Municipal de Transportes, não há definição de tarifa para esse tipo de transporte, que deve ficar entre R$5 e R$7, pois parte do valor corresponde ao couvert artístico do gondoleiro já que eles costumam cantar durante o trajeto.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Isso diz alguma coisa?

Bilhetes como esse abaixo são vistos nas portas das casas de trabalhadores residentes no Complexo do Alemão, RJ. Para saber mais, leia em: http://migre.me/3x6aQ 


CORRERIA DE FIM DE ANO


Poucas coisas me parecem tão patéticas quanto o alvoroço e desespero que toma conta da maioria da população durante o mês de dezembro. Os centros comerciais transformam-se em verdadeiros infernos, isto é, para quem não gosta de multidão, nem de ser mal atendido e menos ainda do barulho a níveis condenáveis pela OMS. Está bem, eu admito: sou um tiozão chato mesmo! Ou apenas sinto que o desfrute do que há de melhor na vida não combina necessariamente com balbúrdia, mas está nas coisas mais singelas e, muitas vezes, no silêncio dos ollhares de pessoas que se amam. Voltando ao assunto inicial é conversando com as pessoas verificamos um jargão repetido, tão natural quanto irracionalmente: “Ah, é a correria de fim de ano!”. Correria? De onde diabos surgiu essa correria?



O ano civil está terminando. Por questões fiscais e contábeis, muitas empresas precisam calcular fechamentos e emitir balanços, relatórios e afins. Mas essas atividades normalmente se dão no foro fechado dos escritórios. Nada têm a ver com a multidão se trombando grosseiramente pelas ruas, com vias congestionadas e carros conduzidos por motoristas sem educação, que fazem da buzina sua válvula de escape para neuroses. Então, se não são os encerramentos contábeis, serão o menino Jesus e o Papai-Noel os culpados pela muvuca? Não, minha gente. O que faz as pessoas ficarem correndo feito idiotas pelas ruas não tem nada a ver com Jesus, nem com natal, nem com o velho Noel. É apenas uma conveniência criada pelo sistema de mercado capitalista. Ele apossou-se simbolicamente de diversas festividades e, mediante a propaganda de massa, passou a ditar normas para sua “correta” comemoração.



Portanto, o natal de Jesus e do velho bispo Nicolau, não tem nada a ver com amigo secreto da empresa, presentes caríssimos para as crianças, trocas de mimos ostensivos, compras para si, menos ainda com roupas exuberantes, panetones, perus ou banquetes dionísicos. Isso tudo constituem formas que o sistema de mercado e o capitalismo criaram para as pessoas torrarem o dinheiro que possuem e que não possuem para realizar a alegria. De quem? Dos empresários industriais, comerciais e, sobretudo, multiplicar a acumulação de capital dos banqueiros. Vou concluir meu raciocínio com uma opinião, que espero que minha caçula não venha a saber por enquanto: eu me lixo para os significados artificiais atribuídos ao dia 25 de dezembro! Não vejo sentido comemorar com tanto pieguismo o nascimento de Jesus nesta data, se foi apenas uma adaptação grosseira da efeméride romana do Sol Invictus, somada aos equívocos astronômicos e conveniências do calendário gregoriano. Pronto, falei.



Mesmo assim, sem crise. Digamos que adotemos isso por conveniência. Será então que um casal de humildes migrantes palestinos, mal acomodados em um casebre, estábulo ou semelhante, cuidando de uma criança especial 2000 anos atrás, tem relação com shoppings entupidos, carros buzinando e pessoas arrastando sacolas e dívidas maiores do que elas próprias? Creio que não. Certamente a memória do nascimento de Jesus de Nazaré combinaria mais com uma pequena e também humilde reunião de família, no seu menor núcleo, para reflexão de como tem sido a vida e o que possa ser feito de bom no porvir. Quem sabe aos que tem fé, no sentido religioso, caiba também uma singela prece de agradecimento pela vida. Isso sim me pareceria natal. Sem buzinas, sem endividamento com os bancos, sem lojas lotadas, sem se entupir de gordura e carboidratos, sem encher a cara de álcool e falar merda (perdão pela palavra) para os convivas. Enfim, penso que o amor verdadeiro não faça alarde.


Mas paciência, nada podemos. Deixemos os ignorantes e alienados seguirem seu curso, como gado, entupindo as ruas comerciais, se endividando, buscando felicidade no artifício dos presentes cheios de pompa, mas vazios de sentido. Aviso aos navegantes: a família Xavier está saindo de fininho dessa, em especial, neste ano. Bom natal a todos! Cada um à sua moda.

sábado, 4 de dezembro de 2010

SESC BELENZINHO: Acessibilidade social e ao deficiente

Para quem é da classe proletária, aprecia opções de lazer, cuidados com a saúde e cultura a preços simbólicos (ou grátis) e ainda mora na Zona Leste de Sampa - eu me enquadro em todas essas categorias -, a inauguração do SESC Belenzinho ocorrida hoje é uma notícia excelente.

Situado próximo da estação Belém do Metrô essa nova unidade do SESC mantém o atendimento ótimo que o caracteriza, mas também surpreende a cada passo pela evolução nas instalações. Se você quiser saber o que há nessa unidade, CLIQUE AQUI.

Entretanto, o que faço questão de ressaltar é a crescente atenção para com os deficientes. Comento aqui a questão dos deficientes visuais. Além da acessibilidade e legendas em código braille em quase todas as dependências, destaco aqui a biblioteca. É nela que as pessoas BV e as sem nenhuma visão encontrarão não só livros transcritos como essas lindas engenhocas abaixo:

Este é um equipamento ampliador. Pessoas com baixa visão conseguem aumentar a imagem e percorrer páginas de jornais, livros e revistas até proporções enormes, mediante um conjunto de controles com legendas tácteis, em alto relevo. Veja na foto que brinquedão espetacular! É fundamental para que pessoas com baixa acuracidade visual e que são alfabetizadas possam ler páginas em tinta, com o mesmo conforto que os videntes em geral.





Esse outro é mais arrojado. Não sei o nome mas até onde fucei constatei que é um scanner que faz dupla transliteração. Ele reconhece a escrita em tinta por tecnologia OCR e comunica o texto, tanto com um sintetizador de voz como em código braille, mediante um "monitor táctil" de uma linha, com pontos móveis. Esse monitor possibilita ao cego alfabetizado ler o texto em pontos braille. Sei que posso estar exigindo muito mas, conversando com uma funcionária, citei o fato de haver uma impressora braille no SESC Santana, sugerindo a ela que requisitasse uma, já que a instituição demonstra atitude inclusiva.


De qualquer maneira, só por esses dois itens que vi eu concedo ao SESC Belenzinho a honraria do "Certificado Xavier de Qualidade em Acessibilidade". Um belo exemplo para muitos outros estabelecimentos, inclusive para universidades, viu senhores reitores?

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Living without you - versão 2010

Oi senhor William! Sou eu de novo, lembra? Estou aqui para dizer que acabei de comprar um netbook da Acer. Pois é, da mesma marca de sempre. É que o custo-benefício faz deste um bom aparelho. Pode ser que, se eu tivesse mais grana, comprasse um Vaio, ou quem sabe um HP. Mas isso não vem ao caso. A Acer resolve bem as minhas necessidades e cobra pouco.

O que eu quero dizer pro senhor é que, como já era de se esperar, neste equipamento o sistema da sua empresa nem passou perto. Como ele veio sem sistema operacional fui direto instalando nele o Ubuntu 10.04. Rapaz, é show! A cada nova versão que instalo, fico mais surpreso com a compatibilidade e, sobretudo, a simplicidade para instalar. Afinal não sou técnico. Talvez eu seja só um pouco mais que um fuçador. Mas estou supersatisfeito. Tudo foi reconhecido de primeira sem que eu fizesse nenhuma intervenção: áudio, vídeo, teclas de funções especiais, touchpad, enfim um arraso!

Sinceramente, seu William, se o pessoal da sua empresa experimentar o Ubuntu 10.x, que além de ser ótimo é gratuito, creio que o senhor precisará muito mais do que bons cargos e salários para manter a fidelidade deles. Muitos, talvez, tornem-se técnicos autônomos e juntem-se ao projeto daquele doido do Linus Torvalds. Ou montem empresas para construir aplicativos para Linux.

Dos seus clientes, seu Gates, melhor nem falar que pode dar azar! Sei não. Se cuida, viu? Melhor o senhor ir lá ajudar as crianças pobres. Um abração pro senhor e pra família!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DE ONDE VOCÊ VÊ O MUNDO?

Se esta última eleição teve um palco novo este terá sido a internet. Na proporção em que ocorreram manifestações, em prol e contra candidatos, foi perceptível que as redes sociais tornaram-se veículos massivos e massificantes. Elas foram largamente utilizadas, tanto pelos quartéis dos candidatos quanto pelos eleitores. As tags #Dilma e #Serra inundaram os posts do microblog Twitter, o que não deixa de ser um bom sinal.

Mas essa espontaneidade e participação, independente dos candidatos em questão, careceu de uma certa concretude. Observando os posts viam-se pessoas aguerridas no teclado mas que, sabidamente, só terão conhecido na vida esse tipo de participação. Atribuo a culpa ao atual processo eleitoral, marcado pela alienação. As eleições eletrônicas, do modo como são feitas hoje, tiraram do cidadão o direito mais amplo e legítimo de manifestar sua indignação. Limitou o descontentamento aos estéreis votos branco, nulo e à abstenção. Quem quer tenha participado da apuração das saudosas cédulas de papel, constatou que o eleitor podia substituir seu voto por impropérios de toda sorte: contra o Governo, contra candidatos e contra o que bem entendesse. Era coisa corriqueira, em uma época em que o anonimato da cédula garantia que o manifestante não sofreria retaliação.

Por trás do avanço tecnológico, a higienização eleitoral também teve outras medidas que tiraram o debate das ruas. Um exemplo foi a proibição da boca-de-urna. A pretexto inclusive da sujeira de papel que fazia - e isso lá é verdade! - uma aguerrida militância foi subtraída das ruas nos dias de eleição. A boca-de-urna tradicionalmente era dividida em dois grupos: de um lado militantes voluntários, que geralmente participavam de organizações de oposição ao regime; de outro os cabos eleitorais pagos, movidos pela necessidade de levar um dinheiro extra para casa. Era uma tremenda oportunidade de dialogar com o eleitor e até mesmo de cooptar pessoas politicamente. Saudável mesmo que às vezes algum tipo de confusão mais acalorada ocorresse. Em dia de eleição não era raro ver, após o horário de almoço, boqueiros pagos abandonarem seus postos em prol de candidatos em que acreditavam, trocando de panfleto a distribuir, a despeito e para desespero dos seus coordenadores, também pagos.

É diferente olhar o mundo do terreno onde as coisas acontecem, construindo uma leitura de mundo própria. Participar de comissões de fábrica, grupos de moradores, movimentos de reivindicação, sindicatos, comunidades de base e diretórios de partidos políticos propicia uma percepção diferente da sociedade e da política, distinta daquela de quem fica plantado diante da TV e do computador. Através das mídias de massas bebe-se de opinião alheia, tomando ideias de outrem para si. Nesta última perspectiva, o que vi na internet foram pessoas defendendo um e outro candidato tendo obtido suas opções do mesmo modo como se vai ao supermercado e escolhe entre o sabão A ou B. Isso não constroi consciências. Antes habitua a mente ao preguiçoso processo da repetição daquilo que é pasteurizado por máquinas de terceiros, como o copiar e colar, largamente utilizado na internet. 

A alienação política de hoje se dá em uma dinâmica na qual o eleitor é chamado apenas a referendar o que um reduzido número de protagonistas determina. Lamento dizer, mas não tem sentido nem valor em si se alguémpensa estar participando de algo, quando está apenas passando procuração. Se você quiser tomar parte, vá a um movimento social ver o que ocorre; auxilie um serviço assistencial e aprenda quais são as suas dificuldades estruturais; experimente visitar um acampamento de pessoas sem moradia ou então acompanhar um movimento de greve por melhores condições de trabalho e salário. Você vai perceber rapidamente que na política não há anjos puros nem demônios absolutos, de nenhum dos lados. Mas também perceberá por quais opções políticas a população organizada pode avançar, em prol de melhores condições de vida, sobretudo para aqueles que mais necessitam, e também quais caminhos propiciam mais justiça social e distribuição de renda. 

Fora do terreno concreto o que há são “telespectadores sociais”, outros tantos acovardados a proteger o que pensam ser privilégios e muitos compradores de sabão eleitoral. A vida é feita de escolhas, que por sua vez, mudam a forma como se vê a vida: uma eterna dialética.

domingo, 31 de outubro de 2010

O tempo que se chama hoje

Imagens falam mais que as palavras. Cai a ditadura assassina e vendilhona, apodrecida e decrépita: nasce um novo tempo.




É com muito orgulho que digo que estive lá.

Aperte o play sem medo: som na caixa, DJ!

domingo, 24 de outubro de 2010

Missionários da Torre de Vigia

Sábado, dez e meia da madrugada. O tio ia saindo com a cria para ir ao colégio onde somos voluntários na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Eu já estava destrancando a porta quando a campainha tocou. A propósito eu odeio campainha, sabem? Em mais de uma residência eu cheguei a adaptar um botão para desabilitar a campainha. Que saco! Se você for à minha casa, suponho que telefonará previamente e combinará, certo? Assim estarei esperando. Então para que serve campainha? Para chatos, pedintes e toda sorte de pessoas que não deviam estar consumindo recursos naturais tocarem e torrar minha paciência. Mas voltemos aos visitantes matinais do sábado.

Eram testemunhas de Jeová. Mais chato do que receber a estes na porta, só mesmo vendedores de carnê do Sílvio Santos. Uma jovem, de aparentes vinte e poucos anos (e 140Kg) acompanhada de seu pai. Este um tiozinho com cara de boa gente, mais um pobre bebê no carrinho, com menos de 1 ano a acompanhar a árdua missão de pentelh..., digo, transformar o mundo em testemunhas do tal Jeová. Abri a porta rápido, já fazendo questão de demonstrar a pressa de sair. Essa é uma técnica razoável de dizer "cacete, que saco, vocês aqui?". E já começou a funcionar, pois o simpático pai da hipop... - melhor dizendo, jovem - disse algo que demonstrou sua aguçada percepção. Eis a moça:

- Bom dia senhor, vou ser rápida. Não é sobre religião. É só um folheto sobre a Bíblia, o senhor aceita?

- Aceitar aceito, mas a Bíblia não trata de assunto religioso?

- Bem... ahn... bom... Não é de uma religião específica: é de todas.

- Todas? Espera aí. A Bíblia é dos judeus e dos cristãos, que são religiões específicas, certo? 

- Não moço! Todas as religiões seguem a Bíblia.

- Nananana... alto lá! Eu estive com um cliente nessa semana e ele me deu um livro chamado Bhagavad Gita. E ele me disse que são as escrituras dos hindus me garantindo que não segue a Bíblia de vocês.

- Ah é? - olhando para o pai a pedir socorro - Eu não sabia. 

- Então é bom saber. E tenho um amigo que é muçulmano. Ele me mostrou "um tal" de Alcorão. Achei bacana também. Ele disse que segue o Alcorão.

- Ah, moço, não sei não. Mas a Bíblia é um livro sagrado, né?

- Eles me disseram o mesmo. O que me deu o Bhagavad Gita pediu que eu tratasse o livro com carinho e respeito, porque eles consideram escritos sagrados. Aliás, o amigo do Alcorão nem deixou eu tocar o livro. Do que presumo que há vários livros considerados sagrados pela humanidade.


A moça, mais perdida do que cachorro em dia de mudança, olhou para o pai, olhou pra mim e esticou o folheto:

- O senhor aceita este folheto?

- Claro. Obrigado.

Eu já ia abrindo o portão para tirar o carro e os dois se despediram desejando-me um bom passeio. Era o que restava, depois de perceberem que precisavam voltar às lições da escolinha das testemunhas. 

Eu sidivirtu. Nada como a boa e velha maiêutica para dar conta desses chatos.

sábado, 18 de setembro de 2010

Notícias de última hora

A redação do Sem Sentido presta um serviço a você, que não tem tempo de ler longas reportagens. Aí vai um clipping das principais chamadas e comentários exclusivos do tio.


DIRETO DO ESTADÃO

Ibope: Mesmo com crise, Dilma mantém 51%; Serra tem 25%
"Mesmo com crise", nesse caso, se refere a quem? Com 25% das preferências...

Comissão de Ética só agora pune Erenice por esconder parentes
Como punição, ela terá agora que conviver com eles.

Mineiros presos em jazida registram entrada de perfuradora
Buttman e Brasileirinhas disputam os direitos da filmagem.

Goleiro Bruno teria tentado se matar 'várias vezes' na prisão, diz Macarrão
Ele jamais conseguirá se matar "várias vezes". Se conseguir, será uma só.

OAB-SP pede retirada de obra polêmica da Bienal
Nos desenhos, o autor aparece assassinando FHC e Lula. Advogados acham que os presidentes são feios demais e assustam visitantes.


DIRETO DA FOLHA

Marta e Netinho continuam na liderança pelo Senado em SP
O destino prega peças: a Oscar Freire e a Cohab de Carapicuíba juntinhos.

Nasa apresenta mapa completo de crateras lunares
Isso é fácil. Quero ver eles documentarem as crateras das ruas paulistanas.

Mineiros presos no Chile ajudarão em seu próprio resgate
Uau! Quando tudo indicava que eles nem estivessem interessados no assunto.

Ban Ki-moon aposta em ajuda inteligente para erradicar pobreza
Inteligência pra quê? Pobreza se erradica com trabalho remunerado, comida e moradia.

Yom Kippur deixa ruas de Israel vazias em dia sagrado para o judaísmo
Judeus estão com medo de encontrar seus devedores, justo no dia do perdão.

Sri Lanka reduz a 25 número de mortos em explosão acidental
Expectativa é de que até o fim das apurações não haja mais nenhum morto.

Bento XVI admite "vergonha e a humilhação" em relação às vítimas de padres pedófilos
Padres pedófilos teriam reclamado que as vítimas xingam quando os vêem nas ruas.

Kevin Costner fará show com sua banda no interior de São Paulo em novembro
Espero sinceramente que seja a 500Km da capital.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Apelo ao público

Eu preciso disso. Doravante não me será mais possível viver sem isso. Não sei como o mundo funcionou antes sem isso e não imagino mais como hei de continuar a carregar toneladas de livros e apostilas na mochila, prejudicando minha velha coluna vertebral, já que inventaram isso.

Por favor, a quem possa interessar ganhar pontos no céu com o God: Compre um exemplar e presenteie o Tio Xavier. Está sendo vendido na Amazon.com. Saiba que o Senhor não te abandonará nunca.

Obrigado desde já à alma caridosa que o fizer.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sem memória, sem história



Dia desses uma amiga muito querida me telefonou. Dizia estar na sacada externa da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, situada ao lado da praça da Sé, em São Paulo. Lembrou-me das tantas vezes em que nós, nas sacadas internas, confidenciávamos nossas angústias, descobertas e reflexões. Éramos jovens e sonhadores estudantes da faculdade Nossa Senhora da Assunção - ligada à atual UNIFAI - cujo curso noturno, bacharelado em Filosofia e Teologia, funcionava nas salas anexas cedidas.

Naquele tempo saltava-nos aos olhos o requinte do estilo daquela igreja. Construção estilosa, algo entre o barroco e o arcaico, a obra é do séc. XVIII e guarda verdadeiros tesouros históricos. Entre eles uma cripta subterrânea, onde eram sepultados membros notáveis da ordem. Lamentavelmente, entre outras desgraças, no meio do século passado o espaço foi invadido por ladrões, que saquearam os túmulos. Deixaram as ossadas em tal anarquia, de sorte que aquelas que não foram reclamadas por descendentes e herdeiros, foram amontoadas pela zeladoria em uma urna comum, ao centro da cripta. História violada, espalhada e, pior: abandonada por alguns que não foram lá dar conta dos próprios ascendentes. 

De volta ao templo, um enorme afresco se insinuava no teto côncavo, preciosidade esta que foi revelada durante uma das restaurações. E pensar que aquelas estátuas, a linguagem subliminar dos contornos, o próprio piso e, por fim, o afresco no teto haviam sido para gerações uma fonte de mensagens, quase como o que é hoje o cinema. Nesse tipo de arte, nada era fruto do acaso, mas tinha objetivo de transmitir mensagens, com formas e cores meticulosamente pensadas. 

Contudo, essas lembranças que eu trouxe aqui são recheadas de tristeza. Minha amiga, naquele telefonema, me disse que tudo estava novamente despencando. Madeiras carcomidas por cupins, rachaduras e infiltrações por toda parte, de tal modo que o prédio encontrava-se mais uma vez interditado, como fora por tantas vezes. Na narrativa da amiga professora, a relíquia arquitetônica e cultural tombada pelo Estado parecia pedir socorro, em nome de sua própria história, em nome da história dos escravos que a erigiram, em nome da história de cada um que por lá passou, inclusive a dela e a minha. Meus olhos se encheram de lágrimas, inclusive agora quando escrevo isto. Mas o ser humano, entorpecido pelas maravilhas consumíveis do mundo moderno, pouca importância dá à História. E, ao ignorarmos esta, seguimos cambaleantes para lugares e tempos que ninguém sabe onde e como serão. 

Pobre povo que não preserva sua história. Sem passado, vive sem identidade e sem identidade tem futuro incerto.



A Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo foi tombada pelo IPHAN, em 04/12/92.