domingo, 29 de abril de 2007

Da série "faça da sua festinha um sucesso" (Vol 1.0)

Organizar uma festa que agrade a gregos e baianos é um desafio para poucos. Por mais que você se esmere, sempre uma meia-dúzia de fila-bóias sairá criticando. Depois de detonar a cerveja da sua geladeira, comer oitocentos pãezinhos com carne-louca, mais algumas centenas de coxinhas, esses desinfelizes famélicos sairão reclamando de qualquer maneira. Torça para que morram de congestão. Então dane-se essa meia-dúzia. Minoria não decide eleição presidencial, nem assembléia de condomínio. Serão sempre um bando de fracassados. Vamos nos concentrar na maioria. Essa parcela significativa, capaz de eleger bizarrices como um torneiro semi-alfabetizado, um estilista afetado, um cantor de arremedos de forró ou mesmo o mais conhecido de todos os ali-babás da comunidade libanesa. Pragmatismo. Você quer ficar bem-visto pela maioria, certo? Então pronto.

Uma das questões mais complicadas nas festinhas domésticas é a animação. Muitas pessoas confundem o ambiente da festinha deixando o televisor com a antena conectada no móvel da sala. E sempre haverá uma meia-dúzia de boçais - não por acaso os detonadores das cervejas e das coxinhas - que ligarão a TV, localizarão algo bizarro como A Praça é Nossa ou Zorra Total, insistirão em aumentar o volume e fazer psiu. É que eles não podem jamais perder um segundo desse capim cultural que os nutre. Para evitar isso o ideal é subtrair o televisor da sala previamente escondendo-o em um dos quartos ou na lavanderia. Diga que o aparelho está no conserto se alguém perguntar. Se devido às dimensões do aparelho ou falta de espaço o translado for impossível, então desconecte os cabos do sintonizador e/ou da antena. Alegue aos pé-no-saco que a antena foi atingida por um raio, a operadora de TV à cabo está fora do ar ou algo semelhante. Está resolvida a questão da TV.

Agora vamos à principal complicação: o som. Já no tempo das fitas K7 os pretensos auxiliares de DJ mantinham a tradição de levar "algo sensacional" oculto no bolso, a fim de enfiar no aparelho de som. Por "algo sensacional", desde a década de 70 podia estar subentendido uma fita do Tarancón em uma festa de Discotheque, do Wando em um tributo ao Led Zeppelin ou do Beto Barbosa em uma festa de sambistas. O que mudou de lá para cá foi apenas a mídia. Como qualquer pobre-diabo já consegue comprar um computador com gravador de CD nas Casas Bahia em 1600 prestações de R$1,50 hoje os seres inconvenientes trazem CD´s sem marca contendo coisas tão inconvenientes quanto antes. Sem falar na péssima qualidade das gravações, sem normalização de volume, sem filtro de chiados e sem equalização. Verdadeiras merdas capazes de explodir seu aparelho de som antes da segunda faixa, sem falar na possibilidade de rebelião dos convidados.

Os 9 hábitos das pessoas que fazem festas eficazes:

1) Defina e avise previamente qual será o gênero musical da festa e selecione os convidados para tal. Esse é um excelente modo de você explicar para aquele merda do seu colega pagodeiro porque não o convidará, caso organizar uma festa regada à rock progressivo.

2) Chame um amigo que ninguém conheça que será o coordenador do som. Diga a todos que ele é um DJ tcheco, que não fala Português. Ele na verdade será mais um segurança armado pronto a assassinar o primeiro otário que chegar perto com um CD na mão ou abrir a boca para fazer pedidos musicais. Você pode ainda colocar uma plaquinha em cima do som: "Pedidos musicais: Rádio América, AM 1.400KHz, fone XXXX-XXXX".

3) Faça a lição de casa e, escolhida a mídia que tocará (CD convencional, MP3 ou direto do computador) monte suas playlists. Seja primoroso e separe os hits que combinam entre si, para não broxar os presentes tocando um techno a 140BPM e em seguida um bléquinho fubanga do 50 Cents com 80BPM. Isso provoca perturbações no sistema nervoso dos dançantes.

4) Se puder, destine um dos ambientes para dançar. Esse ambiente merecerá uma iluminaçãozinha piscante, ainda que improvisada. Se não tiver apetrechos adequados, qualquer casa de material elétrico vende lâmpadas coloridas de 40W com aquelas pastilhas pisca-pisca que são introduzidas nos soquetes. Em número suficiente - 10W por M³ de sala no mínimo - já dão um ar bacaninha.

5) Para garantir a isonomia do zelador do som tente fazer com que a aparelhagem fique em um plano menos acessível para os dançantes. Isso restringirá de fato os pentelhos e palpiteiros.

6) Fique atento: verifique se a música está agradando mesmo. Não há nada pior do que anfitrião que tenta empurrar à força seu gosto musical sobre todos. Se os convivas pararem de dançar de repente desconfie que a última virada de som foi ruim. Lasque um efeito especial ou então anuncie uma pequena pausa para o pessoal relaxar, enquanto corre para a outra playlist.

7) A potência do som tem que ser suficiente. O recomendável tecnicamente é 1W RMS por pessoa. RMS é a potência real contínua do aparelho. Ignore aquelas palhaçadas escritas nas caixas dos aparelhos atuais como "1.000W PMPO". Não sei quem foi o puto que inventou essa unidade, mas um aparelho com essa especificação não chega a 30W RMS que é suficiente apenas para 30 pessoas em ambiente fechado. A céu aberto, então ferrou: dobre a especificação para 2W RMS por pessoa.

8) O karaokê deve ser evitado a qualquer custo. A Interpol ainda está à procura de quem foi o fdp que inventou essa merda. Não há nada pior no mundo do que agüentar bêbado grunhindo ao microfone sobre um fundo musical de pianinho do Paraguai. Não basta os arquivos midi serem a destruição da boa música e o populacho ainda leva à risca o ditado "Quem canta seus males espanta". Vão cantar na pqp. Proíba terminantemente a instalação de aparelhos de qualquer marca, seja da Raf Eletronics®, Gradiente DVD-Okê™, ou do raio que o parta. Se necessário use a coerção física ou ainda o treizoitão que você esconde no seu guarda-roupas.

9) E, por último, não se acanhe: caso alguém tenha bebido demais e dane a assediar a todos na festa e ficar chacoalhando o CD vagabundo insistentemente para o DJ, convide-o a se retirar. Você não vai estragar sua festa por causa de um(a) bêbado(a) pentelho(a) mal-amado(a). Mande-o se tratar no AA ou no psiquiatra e voltar no ano que vem. Ou melhor, exclua-o da próxima lista.

domingo, 22 de abril de 2007

Bento XVI já se encontra no Brasil

Enquanto católicos, autoridades civis e equipes de reportagem se esforçam para fazer o melhor na visita do papa Bento XVI ao Brasil, a colaboradora secreta do Sem Sentido - SVS* - descobriu que o cardeal Ratzinger já se encontra no país, há pelo menos uma semana. Descansando das funções papais ele voltou a ser o bom e velho Joseph. Para não ser reconhecido, disfarçou-se de camponesa e está em um local retirado nas serras gaúchas. Ele não quis gravar entrevista mas permitiu apenas essa foto ao Sem Sentido, desde que não revelássemos o local.

In off Ratzinger nos disse que o clima do Brasil é agradabilíssimo e que ele trocaria a vida chata no Vaticano por um sítio no Rio Grande do Sul, onde a família Ratzinger possui parentes vinicultores. Ao ser perguntado sobre o que ele acha dos preparativos brazucas para a sua chegada oficial e compromissos católicos agendados, Joseph confidenciou que acha tudo isso um pé-no-saco e que nada é como tomar um chimarrão e apreciar uma costela de ripa na vala, degustando um bom vinho.

Até onde soubemos daqui a alguns dias as autoridades brasileiras e vaticanenses simularão a chegada do papa, utilizando-se de um dublê, que desfilará no papa-móvel. Por essa razão Bento XVI não concederá entrevistas logo de cara nem mesmo às emissoras católicas. Logo após a hospedagem oficial do papa o ator-dublê será substituído pelo verdadeiro cardeal Ratzinger e passará a cumprir o restante do protocolo. Suspeita-se que Ratzinger tenha planos secretos de estabelecer-se no Brasil, após a ida oficial do papa de volta à Roma. O papa continuaria a fazer suas proclamas e passar suas diretrizes através da internet e só iria ao Vaticano para uns poucos compromissos oficiais.

Este foi mais um serviço de utilidade pública do Sem-Sentido, em primeiríssima mão, com um furo de reportagem exclusivo.

* SVS é filósofa, teóloga e leciona em um colégio católico em Sampa.
Por questões estratégicas sua identidade não pode ser revelada.
O Sem-Sentido agradece mais essa preciosa colaboração.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Boogie oogie oogie

Essa noite que passou, o tio e a tia darling terceirizaram a zeladoria da caçula com o filho mais velho e se mandaram para chacoalhar os esqueletos. O local escolhido foi a Boogie Disco. A casa é muito bem decorada, iluminada e sonorizada. Idem com relação à discotecagem e a freqüência. Para quem sobreviveu ao Cabral na festa do Energia na Véia, dá para tirar de letra. Ocorre que a fauna noturna de Sampa é caracterizada por seres que oscilam entre o desconstrutivismo contexutal e o bizarrismo-neo-90´s, o que expliquei no post abaixo. Na mesma balada é possível ver um cara de terno e gravata e outro do lado com um colete decorado por 648465485465 leds piscantes. Só aqui mesmo. Por isso amo esta cidade.

O DJ foi perfeito. Eu só diria que fez um som um pouco pasteurizado, pois tivemos a sensação de estarmos dançando a mesma música a noite toda. Era daquela técnica de segurar os hits com um beat de fundo que fazia "cama" para praticamente todas as viradas. Se fica confortável para quem está dançando em estilo passinhos, por outro lado tira um pouco da surpresa do fade in/off. Mas longe de mim criticá-lo por isso. É apenas uma técnica, dentre as tantas possíveis.

Os preços, como em quase todo lugar onde pode se ir à noite em Sampa, poderiam ser mais honestos no que diz respeito ao consumo. Senão verifique:

- A entrada na casa, colocando o nome na lista previamente: R$13,00 (tias) e R$20,00 (tios). Até aqui está de bom tamanho.

- Um drink médio: R$13,00. Não parece muito para um drink preparado por um bar-tender. Mas pondere o fato de que mais da metade de um copo de 300ml vem preenchido com... gelo. Água congelada por R$25,00 o litro/Kg é uma afronta e um desrespeito ao consumidor. Faça a conta e conclua você mesmo.

- Uma Smirnoff Ice 350ml, rótulo vermelho: R$10,40. Sacanagem. Essa coisa custa na distribuidora R$1,80. No varejo encontramos no máximo por R$2,50. Aí entra a mais-valia que Marx desvendou.

- Uma cerveja Skol Beats ou similar (long neck): R$6,50. Cara, mas menos mau. Ninguém morre por isso. Exceto os caras que bebem 16046464097 cervejas por noite. Danem-se eles.

Nesse ritmo, o casal de tios aqui que bebe pouco gastou facinho R$85,00 entre ingressos e consumo de bebidas, pois não comemos nada nem ninguém por lá. Aí quando a recepcionista me deu a conta percebi um sutil ítem ao final chamado "serviço de mesa". Os tais 10% adicionados ao total consumido. Considerando que nos servimos no balcão do bar, imediatamente mandei subtrair o valor. Recomendo a todos fazerem o mesmo, ainda que ocupem mesa. Os preços exorbitantes já devem incluir a remuneração dos garçons.

Nota ZERO para o banheiro. No mesanino eu não sei, mas no térreo encontramos apenas dois e não havia indicações de feminino e o masculino. Durante a noitada sequer um mísero faxineiro faz a manutenção. Portanto somada a não-conservação à porquice tradicional dos freqüentadores de banheiros públicos, era dificultoso entrar no recinto em meio à pilha de papéis sujos, o cheiro fétido e o chão ensopado. Um verdadeiro nojo.

Estacionamento a casa não tem. O cliente fica refém de espeluncas ostentando placas de estacionamento ou dos gângsters do sistema Vallet-Park. Para quem não é de Sampa e não conhece esse modal de extorção, os serviços Vallet são aqueles que põem manobristas nas portas das casas noturnas e cobram entre dez e quinze reais pelo estacionamento. Só que seu carro em 99,9% das vezes fica na rua, incluindo locais de estacionamento proibido, canteiros e calçadas de pedestres.

Finalmente é como sugeri no preâmbulo: tirando a parte ruim a Boogie é uma boa casa. Lamentável apenas que tive que ir embora mais cedo do que queria, porque estava sofrendo de asfixia (asmático é a putaquetepariu, antes que alguém o diga). Meus pulmões exigem que a mistura de O2 e CO2 esteja nos índices mínimos recomendados pela OMS. Com Nove partes de fumaça de cigarro para uma de ar, respirar passa a ser impraticável. A Souza Cruz deveria inventar um tipo de nicotina injetável ou ingerível. Serviria para esses fumantes se matarem sem poluir o ar de outras pessoas que não têm anseios de desenvolver câncer. Aliás supositórios contendo fumaça e do tamanho de charutos parecem ser uma boa idéia para administrar fumaça e nicotina por via retal neles.

Preserve a fauna

Eis a fauna que pude ver e catalogar na Boogie:

O pavão-clubber defasado
Meu Deus, o que era aquele cara com óculos Mojave® e suéter mostarda com gola olímpica? Juro que não bebi mais do que dois ou três drinks. Eu o vi mesmo. Já que ele escolheu os simpáticos óculos, podia tê-lo montado com lentes que não fossem amarelo âmbar. Se bem entendi ele quis combinar as lentes com a suéter, no melhor estilo tom sobre tom.

Os macacos-prego
Esses tipos de seres que habitam as estepes e prados das pistas caracterizam-se por uma postura que ultrapassa o narcisismo. Eles agem assim: quando a música está no auge e cada milímetro da pista é disputado por seres chacoalhantes, os macacos-prego pegam uma bebida, caminham para o ponto mais movimentado e lá páram. Ficam estáticos ocupando um precioso meio-metro quadrado de chão e de iluminação para apenas não dançar. Ficam inertes. Imaginei por um momento que fossem performers de estátua-viva pagos pela casa. Mas também achei que poderiam ter ficado em pé no meio da sala da casa deles, porque ao menos não ocupariam nosso espaço escasso.

Os falcões
Eles voam em bandos de quatro ou cinco. Por estarem sempre em grupos de machos é presumível que tenham dificuldades para acasalamento. À cada balada tentam obter uma presa feminina para tal. Só tentam, porque nenhuma mulher que se preze se sente atraída por um macho que só vive cercado de machos. Seus habitats são as beiras das pistas e os mesaninos, de ondem ficam mirando suas presas, mas sem nunca conseguir capturá-las. Estranho é o fato de que apesar de não conseguirem se reproduzir, os falcões não sejam extintos. Devem ser hermafroditas.

O Tony-Manero-que-não-deu-certo
Esse espécime é nascido por volta de 1960. Portanto ele tinha cerca de dezessete anos quando "The Saturday Night Fever" e a discoteca estouraram. Ele queria ser John Travolta, mas seus pais mandaram o vagabundo trabalhar e parar com aquela palhaçada de dançar na sala de casa. No terceiro milênio, já divorciado e beirando os cinqüenta anos, o Tony-Manero-que-não-deu-certo costuma aterrisar nas pistas aproveitando-se da onda revival. Basta o DJ mandar qualquer hit dos Bee-Gees ou do Tavares que ele se transforma, imitando a coreografia Travoltiana no meio da pista. Alguém precisa dizer para ele que não se dança mais com aqueles gestos de um braço para cima e outro para baixo com os indicadores em riste e fazendo biquinho. Tudo culpa dos pais dele. Freud explica.

A tia fatal
Ah, a tia fatal. Na verdade ela é ex-mulher do Toni-Manero-que-não-deu-certo. À quinquagésima primavera, resolve do nada que tem que pôr piercing no umbigo, fazer uma tatuagem na cervical e colocar roupinhas que... digamos assim... ficam bem desde que em jovens de 18 anos que não freqüentam fast-food. A tia fatal lança olhares irresistíveis - na opinião isenta dela - aos twenties. Como eles ficam vigiando ela prontos para zarpar caso ela se aproxime, ela acredita que eles estão dando bola. Na segunda-feira, na repartição pública, a tia fatal conta para as amigas - todas concursadas em 1980 - que arrasou na balada. Apenas não comeu e nem foi comida. Mas isso é só um detalhe.

O ginecologista de pista
O serviço de segurança interna da Boogie me pareceu bom. As hostees, alguns garçons e os seguranças todos portam walkie-talkies tendo-os sempre à mão. O ginecologista de pista é aquele segurança tipo Men-in-black, que fica no meião dos chacoalhantes. Ele permanece quase imóvel, se revesando entre uma fala no talkie e a observação de tudo à volta com olhos de lince. Que profissãozinha do cacete! Trabalhar no meio do bem-bom sem poder fazer uma graça nem ao menos sorrir deve ser uma merda. Típica vida de ginecologista.

A gordinha sex-symbol
A falta de solidariedade entre as pessoas me decepciona. Alguém precisa dizer para aquelas gordinhas que ficam fazendo performance no mesaninos que mulheres com coxas com doze polegadas de diâmetro não ficam bem de microssaia muito menos com blusinhas tomara-que-caia coladas. Tudo bem que é pouco provável que as blusinhas caiam. Os tecidos mais elásticos desenvolvidos pela Rhodia™ são incapazes de esticarem a ponto de ultrapassarem seios tamanho 54. Mas ainda que ignoremos as saias e as blusinhas, pelo menos elas podiam tentar dançar sem dedinho na boca. Imagine a cena que vi e adicione cabelos tingidos de loiro com sombrancelhas pretas e entenderá porque as critico tanto.

O tiozão-do-churrasco
Ê tiozão! O tiozão do churrasco estava lá também. Camisa babylook estampada, com sua singela barriguinha de cerveja que o obriga a comprar calças na Varca®. O tiozão do churrasco deve ter tido uma noite de alforria e saiu a milhão para a primeira boite que encontrou. Sua imensa calva até ajudou na iluminação da pista com efeito reflexivo. Contudo ele ficou se mexendo fora do ritmo da música o que não incomodava a ninguém. Apenas ele podia tentar caçar alguma mulher mais do número dele, ao invés de ficar cobiçando as poucas ninfetonas que estavam na Boogie. Não fica bem. Vai que ele chama alguma passante de "princesinha" e ela se vira e pergunta: "Pai, o que o senhor está fazendo aqui?" Mas ele merece nosso respeito, pois se é navalha na pista e não come ninguém no sábado, no domingo prepara um churrascão imbatível.

A aniversariante
Essa espécime noturna da galera nunca falta em baladas e bares. A que vimos no bar era uma moça magrinha e trajava uma blusa tipo gueixa. Com sorriso de plástico, soltava gritinhos histéricos sempre que chegava algum convidado e fazia uma pose de celebridade digna da banheira de Caras®. Francamente, não há nada tão impessoal, artificial e desintegrador do que aniversário em barzinho ou danceteria. Primeiro isso quer dizer que o(a) aniversariante é pão-duro e monta festinha às expensas da economia alheia e do bolo que a casa oferece. Pô, que custa comprar uns lanches de metro, um bolo gostoso na rotisseria e receber os convivas em casa? De mais a mais, em baladas e barzinhos é quase impossível conversar em grupo. Então esse tipo de aniversário acaba se fracionando em dez ou doze micro-festinhas. Mas não adiantaria eu falar mesmo. A aniversariante ficou lá como se fosse a rainha do Nilo e não pôs um puto do bolso.

Os anciãos da tribo
Na Boogie, ao lado da escadaria que leva ao mesanino há um cubículo que por pouco não parecia destinado a encontros íntimos. Não imagino o que uma pessoa que vai a uma balada poderia fazer de bom naquele espaço minúsculo e longe da pista, além de dar uns bons amassos. Mas lá estavam, junto com outra aniversariante, um casal de vovozinhos com cerca de setenta anos (de matrimônio). Pobrezinhos devem ter sido arrastados de casa pela neta pentelha, que insistiu que o aniversário tinha que ser lá e não abria mão dos avós na festa. Sem comentários. Deveria haver patrulha do Conselho Tutelar para verificar maus-tratos com velhinhos.

A fauna baladística paulistana é adorável. Daqui eu não saio nunca.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Caso você tenha lido o post anterior e não se lembre

Como fazer um tio crianção feliz

Esta manhã, como habitualmente, o tio escutava pelo rádio do carro o programa de flashbacks Energia na Véia, da rádio 97,7FM de Sampa. Estávamos eu e a tia darling durante o trajeto para a labuta. Ela dirigia, porque o tio tomou um tombo ontem e tirou um braço fora do lugar (mas já está tudo bem).

Vamos ao que interessa: Eis que o apresentador Sílvio Ribeiro anunciou que o prêmio do dia era nada mais nada menos que uma miniatura Match-5 com um boneco do Speed Racer dentro. Decidi que ao chegar em minha choupana de negócios eu mandaria meu singelo e-mail para concorrer. Não custa arriscar né? E fi-lo.

Entonces, há poucos minutos o adorável, competente, profissionalíssimo e sobretudo justo e correto apresentador acaba de anuncar o ganhador: ninguém mais, ninguém menos do que o próprio Tio Xavier. Não é sensacional? Agora pergunte se eu vou trabalhar esta manhã ou já estou de saída para retirar meu prêmio.

A propósito: FUUUUUUUUUUUUUUUUI.

domingo, 1 de abril de 2007

Second Life

Não é que eu nunca tenha jogado nada no pc. Joguei e muito. O tio é do tempo em que jogo de ação era Wolfestein Castle e depois veio o sensacional Wolf3D. Só que meu espírito imediatista exige que esse tipo de atividade lúdica surta resultados a cada rodada. E tome jogo de tiroteio. No Playstation® tivemos em casa a trilogia de Die Hard e meu preferido foi o episódio do aeroporto, cujas cenas se movimentavam sozinhas e era só mandar bala nos maus. Tanto que comprei uma pistola para atirar com afinco nos terroristas malfeitores. Mas é como eu falei acima, sempre com um objetivo imediato. No caso, colecionar terroristas mortos era bem legal. Ainda vieram depois os do 007 e tantos outros. Também havia uns de corrida de moto como o Road Rash, com o qual eu me diverti muito chutando policiais e adversários. O último jogo que curti foi a primeira versão de Duke Nukem que só recentemente descobri que já tem um emulador para pc. Talvez eu o baixe. E compre um joystick para meu pc, claro.

Recentemente tenho lido coisas sobre o tal de Second Life. Mas não consigo entender como é que uma pessoa pode passar tanto tempo online jogando uma coisa daquelas. Eu até ameacei entrar para ver do que se tratava. Fui cadastrando, confirmando até que vi que teria que instalar um software internamente para compartilhar da jogatina online. Abortei. Na verdade eu penso que minha First-Unique Life já me toma tempo suficiente. Não é fácil tocar uma micro-empresa, cultivar as poucas e seletas amizades que mantenho, cuidar da família, mais recentemente lecionar, manter este blog atualizado, administrar as contas pessoais e ainda manter um nível de lazer e parceria com a esposa para não deixar a peteca cair. Isso fora os dois perfis verdadeiros e os três fakes que mantenho no Orkut. As sucessivas telas de cadastro do SL me propiciaram tempo para pensar nisso. Sorte minha.

O mesmo digo a respeito de seriados e novelas. Sem entrar no mérito do conteúdo, afinal até há coisas boas, a outra coisa impensável para o tio é condicionar-se a uma rotina pré-estabelecida, em função de um programa de TV. Os marqueteiros que tentarem me fidelizar através de propagandas e merchan em seriados podem ir tirando o cavalinho da chuva. E conheço uma série de pessoas que compartilham dessa idéia comigo. Não me parece haver coisa mais chata do que assistir a algo aos pedaços e ficar naquela ansiedade lascada para ver a seqüência. Isso quando as emissoras não resolvem mudar a grade da noite para o dia, deixando os fãs órfãos. Filme para mim tem que começar e terminar. O máximo que tolero é algo em episódios finitos e desconexos. Narrações que comecem e terminem sem necessariamente lançar premissas para os próximas. Por isso também é raro eu me interessar por trilogias. Quando muito, depois que viraram "carne de vaca" eu alugo os episódios de uma só vez os debulho em um mesmo fim-de-semana. De preferência no mesmo dia, porque se ficarem para o dia seguinte correm o risco de perderem a vaga para um churrasco, uma piscina, um encontro de amigos ou qualquer outro tipo de lazer real.

Pena que haja gente que leve as segundas vidas virtuais e os seriados tão a sério. Na maioria gente jovem, em idades que na minha época me faziam preferir beber, comer e fazer sexo. Ainda prefiro hoje, inclusive. É possível que o lazer pessoal esteja ficando cada vez pior. Second Life, unhappy lives.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Sleeping Away

Imagine que você foi dormir normalmente e em horário adequado ontem à noite. Contudo você acordou não sabe a que horas da madrugada, não tinha nada para pensar, ficou contando carneirinhos, depois pardais, depois ursinhos polares, depois coelhinhos e quando a fauna terrestre já estava no fim você cerrou naturalmente os olhos e começou a mergulhar em um doce sono.

Mas já era tarde. O sol ameaçava surgir e o fdp do despertador tocou. Então você vai para o escritório e fica se sentindo assim na cadeira de trabalho. O próprio Garfield em plena segunda-feira.

Então por favor: não me telefone, não venha no meu escritório, não me chame no msn, não espere respostas de e-mails urgentes de mim, nada. Aliás, não sei nem porque você abriu esse blog hoje. Feche e deixe-me dormir. Grato.

domingo, 25 de março de 2007

Bailando per un sueño

O tio é um saudosista. Embora não tenha vivido os tempos gloriosos dos grandes bailes de salão, passei boa parte da adolescência freqüentando a Toco, a Contramão, a Ponta, a Cris e tantas outras "discotecas" (era assim que se chamavam) da Zona Leste. Bons e doces tempos.

Usava-se a expressão "ir ao baile" entre a molecada. Minha preferências por essas casas que citei vinha obviamente do tipo de som funk que elas detonavam nas pistas. Mas o baile era dividido em três sessões. Na abertura, o DJ detonava uma pilha de efeitos sonoros com fumaça de gelo-seco, vinhetas e rifs de músicas conhecidas que se faziam seguir por uma coletânea bombástica de batidas pra dançar aos sons da melhor qualidade das grandes bandas e os melhores cantores mundiais. Destaque para Michael Jackson, KC & The Sunshine Band e Earth Wind & Fire que jamais poderiam faltar.

Depois de uma hora e tanto de passos sincronizados que ensaiávamos em grupo e performances "no meio da roda" que era quando a turma abria para cada um fazer sua graça por um ou dois minutos ao centro, vinha uma seleção de músicas românticas. Aí era o bicho. Quem era esperto, já ciscava o par para essa dança desde o início do baile e marcava a ponta em um canto determinado para a hora da "seleção de lentas". Aí tome melódicas do The Manhattans, Marvin Gaye, Betty Wright, Air Supply, Kenny Rogers com Diana Ross e outro tanto de musiquetas que, se eram tão breguinhas quanto um Roberto Carlos, tinham uma pegada de som lento-balançante que nos permitia dançar de rosto e corpo coladinho em uma ginga sensual, mas que chegava a ser ingênua para os padrões depravados de hoje. Esse jeitinho de dançar colado foi o que se chamou de cheek-to-cheek. Uma delícia, de tal forma que não queríamos que acabasse mais e de vez em quase sempre me valia um beijo bem molhado da parceira a quem não necessariamente não iríamos ver depois desse baile. Eram praticamente encontros únicos, embora às vezes rendessem namoros. A molecada de hoje que se julga esperta no vazio do "ficar" com qualquer um em qualquer lugar, nada sabe que o ficar daquela época já existia, porém era recheado de muito mais romantismo e sensações do que os atuais.

Na terceira rodada, acabadas as lentas, começava outra leva de balançantes para pôr a casa abaixo. Sem repeteco da primeira jamais os DJ´s lascavam mais funk, disco e do eletric house que começava a nascer a partir de bandas que descobriram os samplers com uma batida mais aceleradinha. Muito bom mesmo. O tio tem uma coleção invejável de vinis, K7´s e agora a maioria em .mp3 dessas levas de sons.

Well, vou procurar na internet onde é que se pode dançar boas músicas com uma canja para um rostinho colado e uns beijos bem gostosos aqui em Sampa. Desta vez, obviamente irei com a Tia Darling, o que tornará o evento mais gostoso, intimista e cúmplice. Se você tiver alguma sugestão legal, escreva para o tio.

Um curso de "dança de salão" não será uma má idéia também. Vou dar uma olhada nisso...

sexta-feira, 23 de março de 2007

Dobradura conspiratória

Essa é uma brincadeirinha idiota que o tio recebeu em um dos malditos e-mails powerpoint. Eu ia deletar, mas o cara que me passou estava aqui no escritório usando outra mesa e, após passar, ele mesmo veio exibir. Tudo bem que até achei legal.

Material necessário: uma cédula de vinte dólares.

Dobre a grana como abaixo:

Certo, agora dobre assim:
Muito bem. Agora dobre como se fosse fazer um aviãozinho.

Certo, abstraia (bem pouco) e me diga: Não parece o Pentágono em chamas?


Tá bom, foi meio forçado. Mas então vire a nota do outro lado. O que parece?


Torres?

Agora vamos fazer uma sanfoninha inclinada com a nota. Já viu esse nome?


Ei. virando a nota aparecem outras letras. Leia de trás para a frente.


E agora o pior: você sabe das origens da cédula de vinte dólares? Quem a desenhou? Então procure... Só posso dizer isso até aqui, porque tem uns caras estranhos entrando no meu escritório agora... ugh... meu pescoço... socor...

sábado, 17 de março de 2007

Carta ao amigo Joseph Ratzinger

À
SUA SANTIDADE PAPA BENTO XVI

PIAZZA DI SAN PIETRO - VATICANO
ROMA-ITÁLIA

"Se a Eucaristia exprime a irreversibilidade do amor de Deus em Cristo pela sua Igreja, compreende-se por que motivo a mesma implique, relativamente ao sacramento do Matrimônio, aquela indissolubilidade a que todo o amor verdadeiro não pode deixar de aspirar. Por isso, é mais que justificada a atenção pastoral que o Sínodo reservou às dolorosas situações em que se encontram não poucos fiéis que, depois de terem celebrado o sacramento do Matrimônio, se divorciaram e contraíram novas núpcias. Trata-se de um problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira praga do ambiente social contemporâneo que vai progressivamente corroendo os próprios ambientes católicos."

(Trecho do documento "Sacramentum Caritatis" recém-publicado pelo Vaticano)
Santidade:

Vossa encíclica sobre o sacramento do amor é deveras bonita. São comoventes as vossas iniciativas, no intuito de melhorar a humanidade e tornar a convivência humana mais justa. Também são notórias e nobres as vossas admoestações, sempre preocupadas com o bem-estar de vosso rebanho, dos demais rebanhos que não são vossos e, penso eu, daqueles que não pertencem a nenhum dos rebanhos identificáveis. Decerto que vós pensais e orais por todos. A propósito, antes de mais nada, permita-me identificar-me como sendo da categoria dos sem-rebanho. Ser pensante que me julgo - contando com vosso perdão - nada mais tenho em semelhança às reses de nenhuma espécie. Embora, como muitos saibam, no passado eu tenha pertencido à vossa instituição de modo engajado e sincero. Mas os estudos da Filosofia, da Teologia, das Ciências Sociais e outras tantas, me tentaram ao pecado capital da soberba. Temo ter me tornado um ser crítico, ácido, arrogante e presunçoso.

Dito isto, neste momento tento esmiuçar os pensamentos e conceitos que permeiam o vosso recente pronunciado doutrinário. Claro que respeitando e partindo de vossas próprias premissas, baseadas na compreensão do Cristo e das palavras a ele atribuídas. Não é fácil para mim, já que vós e vossos auxiliares praticamente deteis o monopólio da inspiração divina e do discernimento da palavra. Por isso, sei que sou imperfeitamente movido pelos meus escassos estudos e pelo meu limitado senso.

Falastes do amor de Cristo em comparação à "... sacramento do Matrimônio, aquela indissolibilidade a que todo amor verdadeiro não pode deixar de aspirar...". Impossível não sentir a precisão dessas palavras. Mas veja, Cardeal, falais de aspiração. Haverá coisa mais imperfeita do que um sentimento humano? Convenhamos, Santidade. Lembrais de que não falais de vós e de vossos pares, privilegiadamente inspirados pelo Criador, mas sim de criaturas dos últimos escalões. Como há de ser possível conseguirmos construir entre cônjuges amor tão perfeito quando aquele supra? Sois servidores hierarquizados do Criador e não tendes a menor idéia de o que é dividir contas a pagar, administrar dinheiro escasso, educar crias, defender a moradia, pagar impostos e outras tantas agrúrias humanas. Se eu puder sugerir uma modificação no vosso documento, acrescentai na frase acima: "..., compreendendo que aspirações não são plenamente estáveis, dentro das limitações humanas". Tudo bem? Ponhais na vossa próxima edição revisada.

Vós também mencionastes que "... atenção pastoral que o Sínodo reservou às dolorosas situações (...) se divorciaram e contraíram novas núpcias" Olha, aí não sei não. Primeiro ajudai-me na memória, porque passei pela faculdade de Teologia há quase duas décadas, mas Sínodo não se refere a bispos? Então explicai uma coisa: há entre vós, bispos ungidos, algum que já tenha sido casado e contraído novas núpcias? Ou pelo menos vos reunistes para ajuizar essas coisas, consultando leigos de vosso rebanho em tal situação? Porque está estranho o uso do adjetivo dolorosas. Não caiu bem no documento não, Santidade. Pelo menos até onde conheci, casais separados e com novos cônjuges estiveram um dia em situação dolorosa. Foi por isso que decidiram ser melhor ficarem longe um do outro.

Permitai-me revelar-vos uma coisa: é horrível fazer votos de amor eterno a alguém e depois descobrirmos o erro. Até nesse ponto o adjetivo relativo à dor se aplica. Mas é comum nas novas núpcias pessoas viverem felizes, amadurecidas pela experiências anteriores, talvez por terem sido mais criteriosas na escolha do segundo nubente. É sério Santidade. Procurai nos salões paroquiais e vereis alguns casos. Ah é. Esse é um segredinho de sacristia: muitos deles continuam gostando de vossa igreja freqüentando-a e servindo-a. Até comungam nas vossas missas. Se não acreditais é porque tendes estado por demais ocupados com os vossos ofícios sagrados. Pode estar faltando a vós um resgate do convívio paroquial. Quereis uma prova?

Quando seu antecessor veio ao meu país foi homenageado por um cantor, de nome Roberto Carlos juntamente com a esposa. Pesquisai nos vossos arquivos eclesiásticos, acerca do estado matrimonial dele. E digo mais: na esmagadora maioria dos casos os vossos padres sabem e levam na boa, vedes? Não hei de citar nomes porque não sou X9 nem tenho dedo de seta, Santidade. Mas juro sobre a Bíblia. Sei lá como Deus vê isso, pois só Vossa Santidade haveis de ter o e-mail, o msn e o celular do Criador. Nem sei se Ele de fato se importa, pois consta que o Santo Filho d'Ele teria dito "não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfêrmos" (Lc 5,31). Então, dentro do vosso inspirado veredito de que "Trata-se de um problema pastoral... uma verdadeira praga ... que vai progressivamente corroendo os próprios ambientes católicos" vai ver que eles - os acometidos da praga do segundo casamento - hão de estar certos em freqüentar a vossa igreja e tomar a Eucaristia na missa. Acompanhando vosso inspirado raciocíonio é o que parece.

À mim resta viver à margem de vossa conceituada instituição, mas mais por opção. Não que eu não seja um homem de fé, Santidade. Mas minha fé mudou com o passar dos anos. Desde quando eu decidi abandonar vosso rebanho, ainda no reinado do vosso antecessor, muitas coisas me aconteceram. Do resumo de todas elas, decidi pensar que não sou res para nenhum rebanho. Tive um casamento - realizado somente perante o poder secular - e depois descasei-me. Tivemos dois filhos, dos quais vivo um pouco distante, inclusive por razões geográficas. Na sentença do divórcio a explicação foi aquela padronizada: incompatibilidade de gênios. Essa parte foi mesmo dolorosa, Santidade. O adjetivo se aplica.

Tempos depois conheci outra criatura em semelhante situação à minha, por quem me apaixonei. Decidimos viver juntos, embora não tenhamos comunicado à vossa burocracia eclesiástica, e desta vez nem aos potestados seculares. Fizemos os votos às sós, olhando nos olhos um do outro, e nos consentimos mutuamente. Decidimos conceder-nos uma segunda chance de construir uma vida feliz. Na fusão de vidas, herdei um filho do outro casamento dela. Santidade, eu só não ganho na mega-sena. O rapaz é o filho que todos sonham. Só não vou descrevê-lo a vós, porque foge ao objetivo desta missiva. Mais recentemente, há cinco anos e meio, tivemos em comum uma filha. Minha mulher fez questão de apresentá-la a Deus, mediante o sacramento do batismo em vossa igreja. Não me opús, nem teria razão para tal, grato que sou pelos bons princípios que aprendi de vossa sagrada instituição.

Não tivemos entraves decorrentes de nossa situação irregular. Os padres daqui da periferia são gente boa e parecem não esquentar muito a cabeça com vossas inspiradas encíclicas e regras canônicas. Para mim tanto faz. Independente das opções religiosas ou laicas que meus quatro filhos venham a fazer, só pretendo que sejam seres críticos, conscientes, pensantes e sobretudo caridosos. Sacramentvm Caritatis, não é papa? Portanto eu já aviso a vós que é bem provável que a caçula seja a menos propensa a se curvar diante de vossa conceituada hierarquia. De genética ovina eu e ela não parecemos ter nada. E também porque vós insistis em manter-vos na mais anacrônica estrutura monárquica da qual se tem notícia. Mas até lá, pode ser que tenhais mudado, embora eu ache difícil. Poder envolve muita gente, estruturas e essas coisas que vossos leigos e também nós laicos não entendemos nada, não é mesmo Santidade?

Ah, eu já ia me esquecendo de contar-vos o mais importante, pois tenho certo de que ficareis contentes em saber. É que hoje vivo feliz, como jamais pensei em sê-lo. Vós não tendes a menor idéia de o que é dormir e acordar com a pessoa a quem amamos, com quem tramamos, conspiramos, nos completamos e o resto não me atreverei a dizer-vos aqui. Minha atual companheira é minha face feminina e lá se vão dez anos de vida em comum. Todos os dias sou tomado por um sentimento adorável, ao olhar para os olhos e o sorriso dela. Não há nada de doloroso não, Santidade. Arrisco-me à heresia para dizer-vos que sentimos a presença de Deus um no outro. Alguém há de ter mentido para vós. É uma pena que não tenhais acesso à experiência de conjunção de vida como a nossa. Portanto, corrigis também essa parte do texto, que tá pegando muito mal. Fique também para a vossa próxima edição revisada.

Respeitosas saudações.

Tio Xavier

segunda-feira, 5 de março de 2007

Funk também é cultura e o tio gosta

Foi o que você leu: o tio Xavier gosta de funk. Já falei isso milhares de vezes. Só que, mais uma vez again, volto a explicar aqui que gosto da Original Funk Music. Encontrei um texto no Orkut escrito por ESTE CIDADÃO e achei-o genial, digno de ir para a Wikipedia. Resolvi adicioná-lo neste blog como mais um esforço em minha busca insólita, pela purificação semântica da palavra funk. Isso tudo porque a maioria já sabe que eu odeio pancadão, proibidão e todos os derivados putrefatos, incultos, anti-líricos e analfabetos da batida de Miami, que se disseminaram nos morros cariocas. Na verdade meus instintos me fazem cogitar ações de homem-bomba nesse barracões. Farei-o assim que encontrar voluntários para a empreitada. Para se inscrever, deixe um comentário. Segue o texto do senhor Ricardo, com algumas observações e inserções de minha parte.


Os músicos negros norte-americanos primeiramente chamavam de funk à música com um ritmo mais suave. Posteriormente passaram a denominar assim aquelas com um ritmo mais intenso, agitado, por causa da associação da palavra funk com as relações sexuais (a palavra também era relacionada ao odor do corpo durante as relações sexuais). Essa forma inicial de música estabeleceu o padrão para músicos posteriores: uma música com um ritmo mais lento, sexy, solto, orientado para frases musicais repetidas - riffs - e principalmente dançante. Funky era um adjetivo típico da língua inglesa para descrever essas características. Nas jam sessions, os músicos costumavam encorajar outros a "apimentar" mais as músicas, dizendo: “Now, put some stank (ou stink/funk) on it!". Algo como: "Coloque mais funk nisso!". Em um jazz de
Mezz Mezzrow dos anos 30, Funky Butt, a palavra já aparecia.

Devido à conotação sexual original, a palavra funk era normalmente considerada indecente. Até o fim dos anos 50 e início dos 60, quando funk e funky eram cada vez mais usadas no contexto da soul music, as palavras ainda eram consideradas indelicadas e inapropriadas para uso em conversas educadas. Não é difícil associar esse preconceito com a origem étnica do têrmo, pois estamos falando de um país regido por leis brancas.

A essência da expressão musical negra norte-americana tem suas raízes nos spirituals, nas canções de trabalho, nos gritos de louvor, no gospel e no blues. Na música mais contemporânea, o gospel, o blues e suas variantes tendem a fundir-se. O funk se tornou assim um amálgama do soul, do jazz e do funk dos anos 70 até os dias atuais. Nos anos 70, George Clinton, com suas bandas Parliament e posteriormente a Funkadelic, desenvolveu um tipo de funk mais denso, influenciado pela psicodelia. As duas bandas tinham músicos em comum, o que as tornou conhecidas como Parliament-Funkadelic. O surgimento do Parliament-Funkadelic deu origem ao chamado P-Funk, que se referia tanto à banda quanto ao subgênero que desenvolveu.

Outros grupos de funk que surgiram nos anos 70 e incluem: B.T. Express, Commodores, Earth Wind & Fire, War, Lakeside, Brass Construction, Kool & The Gang, Chic, Fatback Band, The Gap Band, Zapp, Instant Funk, The Brothers Johnson, Skyy, e músicos/cantores como Rick James, Chaka Khan, Tom Browne, Kurtis Blow (um dos precursores do rap), e os popstars Michael Jackson e Prince (estes últimos dispensam apresentações e link).

Nos anos 80 o funk tradicional perdeu um pouco da popularidade nos EUA, à medida em que as bandas se tornavam mais comerciais e a música mais eletrônica. Seus derivados, o rap e o hip hop, porém, começaram a se espalhar, com bandas como
Sugarhill Gang e Soul Sonic Force. A partir do final dos anos 80, com a disseminação dos samplers, partes de antigos sucessos de funk (principalmente dos vocais de James Brown) começaram a ser copiados para outras músicas pelo novo fenômeno das pistas de dança, a house music. Foi uma enxurrada de remixes, new versions e raps feitos sobre bases mais antigas e conhecidas. Um clássico que praticamente originou a série foi Rappers Delight da Sugarhill Gang, que usou a base de Good Times, do grupo Chic. Estima-se que Good Times tenha sido de longe a base mais copiada que recebeu edições até do Queen em Another One Bites The Dust e do brazuca Gabriel O Pensador em 2 3 4 5 meia 7 8 entre outras.


Nessa época surgiu também algumas derivações do funk como o Miami Bass (esta famigerada que subiu os morros), Infor, DEF, Funk Melody e o Freestyle que também faziam grande uso de samplers e baterias eletrônicas. Tais ritmos se tornaram combustível para os movimentos Break e Hip Hop. As "crias" da Miami Bass deram origem também a grupos de eletrofunk como Information Society e vários da House Music. Os anos 80 viram também surgir o chamado funk-metal, uma fusão entre guitarras distorcidas de heavy-metal e a batida do funk, em grupos brancos como Red Hot Chili Peppers e Faith No More. O ex-produtor do Sex Pistols, Malcolm McLaren, após sair da banda fez grande sucesso com Buffalo Galls que introduziu o scratch (aquele efeito do disco esfregando) e adotou baixo e guitarra com distorção na música funk, inaugurando o estilo break.

Chega de papo acadêmico. Aí vai um medley-remix exclusivo, produzido pelo tio Xavier. Enjoy it!



domingo, 25 de fevereiro de 2007

Spaghetti au aglio by Xavier™

É domingo, está um calor lascado e mal dá fome. Você não quer passar a manhã toda na cozinha. Ainda mais para preparar aquele frango de novo ou aqueles bifes à milanesa que sujam a cozinha inteira. Na verdade você sonha com um convite para almoçar. Mas ninguém telefonou e você está quase sucumbindo ao restaurante mais próximo. Aí corre o risco de se empanturrar de comida gorda e calórica, inadequada para um dia quente. Muita calma. Leia bem este post, que o Tio Xavier™ vai ajudar você a sair dessa enrascada. A receita de hoje é leve e muito simples de fazer. Até você que é uma nulidade gastronômica conseguirá.

O macarrão é uma das bases culinárias mais versáteis na forma de preparo. Os melhores formatos de macarrão para ela são o tradicional spaghetti nº8 e o penne, nessa ordem. Mas você pode usar esta receita com aquele que mais lhe aprouver. Melhor dizendo, com aquele que tiver disponível.

Por favor: escolha um macarrão de boa marca. Há massas secas deliciosas como a Divella® (importada). Hoje em dia pode-se comprar tranqüilamente boas marcas nacionais, mas sempre com ovos, combinado? Dê preferência às grano duro, que são mais consistentes para obter o ponto al denti. Dito isso, vamos ao que interessa.

Ingredientes

- Um pacote de 500g de macarrão
- Duas cenouras pequenas, limpas e picadas em cubos pequenos
- Meia-dúzia de vagens frescas picadas.
- Uma lata (180g) de atum. O ralado é mais prático.
- Sal refinado.
- Pimenta-do-reino preta.
- Oito dentes de alho frescos e grandes, descascados.
- Uma xícara de salsa fresca picada.
- Azeite de oliva (de preferência o virgem).

Preparo

Cozinhe à parte em uma panela pequena, a cenoura picada com a vagem em rodelas. Coloque meia colher de chá de sal na água para dar gosto. Uma vez cozidos - mas consistentes - escorra a água e reserve.

Fure a lata do atum e escorra o óleo contido. Depois abra a lata coloque o atum em uma tigela, adicione uma pitada de sal, uma pitada de pimenta-do-reino, misture bem e reserve.

Esmague e pique os dentes de alho. Coloque uma pequena frigideira para aquecer com um pouco de óleo vegetal no fundo. Frite o alho em fogo brando, mexendo até dourar tudo de forma homogênea. Retire a frigideira do fogo e esfrie com um generoso despejo de azeite de oliva. Sem dó mesmo. Polvilhe sal a gosto e misture. Reserve. Na hora de despejar sobre o macarrão, você pode aquecer um pouco, na mesma frigideira.

Paralelamente, cozinhe a massa até o ponto al denti (verifique na embalagem o procedimento). Lembre-se de colocar duas colheres de chá de sal na água do macarrão, juntamente com um fio de óleo vegetal. Quando chegar ao ponto, escorra o macarrão e reserve.

Il gran finale

Em uma travessa espaçosa misture bem o macarrão, o alho frito com azeite, a salsa picada, os legumes cozidos e o atum. Espalhe tudo de forma equilibrada com muito cuidado, para não destruir a massa.

Para servir, decore o macarrão na travessa com pequenos ramos de salsa para dar um visual apetitoso.

Está pronta uma refeição simples, saudável e bem adequada para dias de calor. Não precisa de mais nada. Para beber, sugiro um bom vinho branco gelado.

Tempo de preparo: em média 30 minutos.
Rendimento: 4 porções (pessoas normais) ou 1 porção (pedreiros)
Calorias: não calculei, mas você se importa?

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Literatura nunca mais

Você tem problemas quando seus amigos começam a falar sobre literatura clássica? Não sabe o que dizer quando alguém pergunta se você já leu determinado livro? Fica constrangido porque na verdade você gosta de beber, fazer sexo e não tem tempo para essas babaquices?

SEUS PROBLEMAS SE ACABARAM!

É por isso que Tio Xavier está publicando mais um serviço de utilidade pública. O melhor e mais crítico resumo, jamais antes publicado, dos chamados "clássicos da literatura mundial", que na verdade são um pé-no-saco. Agora você brilhará nas reuniões arrasando com essa chatisse pseudo-intelectual dos seus amigos frustrados, que ao invés de transarem gastam as noites lendo. Vamos lá.

Madame Bovary, de Gustave Flaubert. 778 páginas.

Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre. Não gaste tempo com isso. "A dama do lotação" do Nelson Rodrigues dá de dez nisso.

Guerra e Paz, de Leon Tolstoy. 1.200 páginas.

Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado enquanto Napoleão invade Moscou (óbvio pois ninguém era besta de querer enfrentar o general Bonaparte). A mocinha casa-se com outro. Sinceramente, mil e duzentas páginas para isso? Paulo Coelho teria feito melhor e mais resumido.

À La recherche du temps perdu, de Marcel Proust. 1600 páginas.

Um rapaz asmático e de modos delicados sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pule para a página 486 vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (se mande para página 1344, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos. Acredita que tem gente que lê tudo isso? Eu não.

Os Lusíadas, de Luís de Camões. 652 páginas.

Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas resolvidos por uma deusa super gente boa, ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres gostosas. Isso prova que sempre existiram desocupados, mesmo nos tempos do império, no melhor estilo "Senta que lá vem história". Prefira assistir ao "Castelo Ra-Tim-Bum".


Romeo and Juliet, de William Shakespeare. 336 páginas.

Dois adolescentes rebeldinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro. As duas turmas saem na porrada, uma briga danada, muita gente se machuca. Então, um padre tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero. Pior impossível. Podiam ao menos se mandar para a Holanda e ficar se drogando em Amsterdan. Ao invés de ler isso, coma queijo com goiabada.

Hamlet, de William Shakespeare. 400 páginas.

Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que trepa com a mãe dele, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que, entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio, que tinha matado o pai do seu namorado e trepava com sua a mãe. O príncipe mata o tio que trepa com sua mãe, depois de falar com uma caveira. Morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado. Puta merda! Essa gentalha não sabe trepar na surdina e ficar tudo de bem? Agora me diga, vale à pena percorrer 400 páginas por isso?

Édipo-Rei, de Sófocles. 72 páginas.

O xarope qualquer, não dá ouvidos ao que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, depois trepa com a própria mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, um tal de Sigmund lê isso e inventa uma nova forma de ganhar grana. Surge a Psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara em cada consulta. Incesto caro esse. Édipo podia ao menos catar a mãe do príncipe Hamlet.

Othelo, de William Shakespeare. 368 páginas.

Vamos combinar que esse tal Shakespeare devia ser um tremendo vagal que além de tudo não trepava com ninguém. Mas eu explico só mais este. Um rei otário, tremendo zé-goela, tem um amigo muito do fdp que só pensa em passar-lhe a perna. O tal "amigo“ não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro. O fato é que zé-mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno, mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho. Prefira assistir a um filme com o finado Grande Otelo, mil vezes mais divertido.

* * * * *
Graças às informações acima, você economizou a leitura de pelo menos 5.400 páginas e mais R$ 500,00 em livros. Agora vá para a balada ou beber que é muito mais divertido. Quando o papo idiota de literatura começar, esculache com esses títulos, dizendo que são um lixo. Quem sabe nesses ambientes pinte alguém simpatizante a fim de sexo.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

A estrela Dalva

Um baile de Carnaval de matinê, onde idosos, jovens, crianças, deficientes, casais com filhos e toda sorte boas pessoas se divertem, cantam e dançam em meio à intensa chuva de confete e serpentina. Sonho? Nostalgia? Nada disso. Foi o que presenciei hoje no SESC da Vila Mariana em Sampa. Presenciei só não. Claro que entrei na dança, irresistível que era.

Eu havia deixado minhas queridas lá no início da tarde para nadarem um pouco, enquanto eu resolveria umas questões logísticas com uma amiga nas proximidades. Quando voltei para buscá-las, por volta de 16h, achei estranha a demora para o segurança liberar minha entrada ao estacionamento. O jovem, empunhando um "moderno" walkie-talkie de uns doze quilos, veio à minha janela cortês e educamente me explicar que estavam monitorando as vagas por causa da lotação. Esperei por uns dez ou quinze minutos até que fui liberado.

Ao circular pelas alas internas do clube, me deparei com um espaço onde uma porção de gente cantava e dançava ao som das mais originais, puras, ingênuas e agradáveis canções carnavalescas. Nada lembrava a beijação desesperada e nojenta dos micareteiros, nem esfregação de bundas suadas do carnaval em Salvador, nem gente tentando tirar lasquinhas de partes de outrem como em bailes-funk. Nadica de nada. Tudo na mais pura diversão e espontâna alegria em que as pessoas dançavam de mãos dadas e carregavam no pescoço suas crias. Um típico baile familiar.

No palco estava Maria Alcina. Com seus quase sessenta anos mostrava que ainda vai animar bailes por algumas décadas. A tiazona esbanjou um fôlego digno de inveja, já que vozeirão todos sabemos que ela tem. No repertório, as tradicionais marchinhas, intercaladas com sambas-enredo famosos e adaptações carnavalescas de sucessos como Fio Maravilha, de Jorge Benjor. Coisa da melhor qualidade, pra bons ouvintes jamais botarem defeito. Até as marchinhas hilárias do Sílvio Santos tiveram lugar no repértório.

Imediatamente liguei para minha amiga, com quem estou bolando um plano para salvar o mundo. Pedi para ela adiar algumas ações, até que consigamos mapear melhor os locais. Temos que preservar esse monte de gente boa que ainda sabe brincar o Carnaval.

"A estrela Dalva
no céu desponta.
E a lua anda tonta
com tamanho esplendor.
E as pastorinhas
pra consolo da lua,
vão cantando na rua
lindos versos de amor..."
(Braguinha e Noel Rosa)

sábado, 17 de fevereiro de 2007

The year of the pig


Não tenho mais dúvidas. Este será o ano de o tio tirar o pé da lama. Vejam se isso não foi um sinal:

No começo desta noite o tio estava dirigindo pela Rod. José Ermírio de Moraes, mais conhecida como "Castelinho" nas proximidades de Sorocaba. Num lance de farol alto vi algo inusitado, mas em tempo de reduzir a velocidade. Era um porco gigantesco atravessando a estrada, que de tão grande cheguei a achar que era um javali. Na boa que o bicho pesava uns duzentos quilos. Praticamente parei para não atropelar o animal e esperei-o terminar a desengonçada travessia. Era gordo mesmo.

Uma hora e tanto depois, cheguei em casa, liguei a tv e um noticiário danou a mostrar os festejos do ano-novo chinês. Ano do porco, que para os chineses significa ano de fartura, de enriquecimento e prosperidade.

Foi ou não foi um sinal?