quarta-feira, 28 de maio de 2008

À espera de um milagre

Sabe essas coisas que você faz sem saber o porquê? Então, eu continuo acessando a conta bancária todas as manhãs. Não há nenhum crédito previsto para cair nela, mas eu acesso e vejo lá o saldo. Enquanto isso:

- O ponteiro do combustível do meu carro está próximo de uma marca vermelha assinalada com "R".

- O meu Bilhete Único da SPTrans está com menos de dez reais.

- Na minha carteira não há sequer uma nota velha de um real.

- Apenas um pequeno baú de enfeite na minha mesa parece ter umas moedinhas. Não devem passar de três reais e pouco.

Vou me sucidar e já volto.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Abaixo da linha da pobreza

Quando você ler estatísticas do IBGE e da ONU dizendo que X% da população brasileira encontram-se abaixo das condições mínimas de sobrevivência, considere incluído o Tio Xavier.

Dúvidas? Veja meu extrato bancário de hoje (e dos próximos 20 dias).
Seqüestradores: essa é minha única conta bancária e não possuo bens.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Os donos da verdade

A Justiça da Bahia determinou o recolhimento, em Salvador, de todos os exemplares de um livro escrito pelo padre Jonas Abib, fundador da comunidade católica Canção Nova, ligada à Renovação Carismática. A acusação é de “ofensa contra as formas de espiritismo”. Não me cabe comentar sobre os aspectos da lei 7716 de 1989, posto não ser eu sequer um reles rábula. Mas cabe-me sim, como pensador, ir um pouco mais no cerne.

O imperativo ético deveria ser a base do pensamento dos homens auto-proclamados religiosos, que vivem a pregar - e vivem de pregar - as palavras dos seus deuses e santos. Palavras essas que não cansam de afirmar serem de amor, de fraternidade e uma extensa lista de virtudes. Se fossem praticadas minimamente em nosso mundo, não teríamos um décimo das barbáries que vemos por aí.

Ocorre que ao invés das belas virtudes acima, a pregação proselitista é recheada de preconceito e soberba. O septuagenário Pe. Jonas, a quem tive oportunidade de conhecer na década de 80, é uma pessoa visivelmente carismática no que tange a comunicação interpessoal. Pena que não se possa dizer o mesmo de sua reflexão pseudo-teológica. Com seu sorriso fácil e belas palavras engatilhadas, há coisa de três décadas Jonas Abib capitaneou a origem do que seria um dos mais fervorosos movimentos contemporâneos dentro do Catolicismo: a Renovação Carismática Católica.

Inspirada no neo-pentecostalismo protestante estadunidense da década de 60, a RCC enxertou no seio do catolicismo ritos e práticas até então estranhos aos católicos, tais como transes espirituais, oração em línguas estranhas, curas por imposição da mãos e outras coisas baseadas na epístola de Paulo aos fiéis de Corinto, quando o apóstolo explanou sobre os dons espirituais concedidos pelo deus dele. Como tempero, a RCC incentivou a leitura da bíblia cristã, dentro de uma perspectiva muito particular de interpretação self-made, tão assistemática quanto intimista.

Se a RCC teve algum mérito em si, terá sido o de possibilitar que os leigos desenvolvessem um sentimento de acesso ao divino de forma mais democrática e menos mediada. Nas noções pregadas por eles, os fiéis têm acesso a diferentes manifestações divinas, sem a mediação da hierarquia clerical. Embora pareça uma grande ruptura de paradigma, essa democratização teve seu lado estratégico, pois deu sustentabilidade e credibilidade ao movimento entre os leigos. Vale dizer que a RCC foi muito rejeitada e perseguida pela imensa maioria dos clérigos, sobretudo pelos bispos, resultando até em casos de apostasia e constituição de seitas por parte dos mais exacerbados. Mas gradualmente, através de uma estratégia de médio prazo, muitos dos jovenzinhos aderentes à RCC foram sendo ordenados padres e então com esses neo-padres, o movimento passou a contar com apoio clerical significativo. Destaque-se o padre-dançarino e ator Marcelo Rossi. O pioneiro Pe. Abib já não estava mais só.

Nos dias de hoje a RCC conseguiu firmar-se como um pequeno império à parte da hierarquia católica. Com ou sem permissão episcopal, a entidade passou a ser holding de algumas dezenas de empresas rentáveis que incluem editoras, gravadoras, estações de rádio e até uma emissora de TV, cuja sede situa-se na cidade de Cachoeira Paulista. É impressionante o adesismo massivo de fiéis, inclusive de classes média e alta. Sabe-se que muitos deles entregam o controle dos seus negócios para procuradores da entidade, engrossando os canais de receita financeira do movimento. Uma visita a uma espécie de "vila-comunidade" que a RCC mantém em Cachoeira, pode revelar coisas intrigantes como o fato de profissionais liberais, industriais e comerciantes abandonarem tudo (nas mãos de procuradores da RCC, claro) em troca de viverem na tal comunidade, andando de chinelos de dedo (nada contra estes) e esboçando um ar entorpecido de felicidade pela atitude escolhida. É tentador traçar um paralelo com o concorrente Edir Macedo, nas suas "correntes dos empresários", pois as práticas de despojo e expropriação voluntária são muito semelhantes.

Seria muito ingênuo ignorar que por trás dos umbrais de fé da RCC há uma elite controladora, intelectualmente dotada e bem articulada, como por exemplo o administrador, marqueteiro, compositor e cantor Antônio Kater, autor de análises teo-mercadológicas como: "Jesus pegou o mesmo produto (...) e reposicionou o mercado". Nenhum movimento nasce, cresce e enriquece devido ao reconhecimento divino, como podem alardear seus mentores. A gênese e dinâmica das instituições já foi dissecada por Berger em "A Construção Social da Realidade". Qualquer concessão ao discurso divinista configura-se em uma falácia de premissas e ocultação dos mecanismos materiais da expansão da RCC. Tire-se da RCC os seus mentores, seus escritórios, suas contas bancárias e seus negócios e ver-se-á que o espírito divino não lhes será suficiente para manter o que fora construído.

Contudo estamos no mundo dos negócios. Sem questionarmos as premissas do capital, não há como analisarmos os empreendimentos religiosos. Como quaisquer outras aziendas, os negócios da fé vendem produtos e serviços. Compra quem quer. Apenas que para as coisas do âmbito sobrenatural não há nada que possa ser reclamado com base no Código de Defesa do Consumidor. Se os legisladores se despissem da hipocrisia que permeia a elaboração de algumas leis, os negócios religiosos poderiam ser melhor regulamentados, em vez de correrem soltos e sem tributação, como praticamente ocorre.

A parte mais descarada desses movimentos religiosos quando se institucionalizam é a forma com que vão abandonando o caráter virtuoso e caridoso pregado originalmente, para assumir sua posição sobre a fé alheia: a intolerância. É nesse veio que o livro do senhor Abib cava seu quinhão ao afirmar coisa como: "O demônio (...) hoje se esconde nos rituais e nas práticas do espiritismo, da umbanda, do candomblé". Nada no campo da literatura religiosa pode ser mais podre e preconceituoso do que afirmar coisas desse gênero.

O mais intrigante é que grande parte da literatura proselitista gasta páginas e laudas não para enaltecer as virtudes da própria religião ou seita, senão para acusar, incriminar e satanizar a alheia. É como se tivessem chegado ao limiar da capacidade de cooptação dos não-religiosos e o seu crescimento dependesse tão somente da destruição das manifestações concorrentes. Nesse estágio, parte-se fácil para o tudo ou nada valendo o tudo, incluindo a demonização do outro. Lembra aqueles torneios ilegais de luta, nos quais a única norma é submeter o adversário até o abate.

Tão medíocre quanto vergonhoso é lançar mão de expedientes desrespeitosos, quando o objeto imediato é o ataque à religião alheia, mediando interesses inconfessáveis de grupos particulares. Se eu fosse kardecista, umbandista ou candomblecista iria sim às vias judiciais contra o arremedo de livro do padre.

No mais, sou solidário a todos que se sentiram ofendidos com as prevaricações da pretensa obra teológica. O direito de um termina nas fronteiras do respeito ao direito alheio, que inclui manifestação filosófica, cultural e credo. Tudo o mais é arrogância e prepotência, indignas do que se poderia entender como fé sincera. A intolerância é hipócrita por si só.

Outra injustiça

Dessa vez foi com um ex-BBB. O nome do sujeito eu não lembro, mas sei que o pobre rapaz foi parar na delegacia, por conta de uma confusão com um travesti. Agora atenção para as versões:

Segundo o ex-quase célebre BBB, o travesti teria furtado as chaves do carro dele em uma topada na calçada, no estilo trombadinha. Então ele correu atrás do gatuno de salto alto e o agrediu para reaver suas chaves. Um típico caso de punguismo. Mais tarde na delegacia foi constatado que o travesti havia estado dentro do carro por um bom tempo com o suposta vítima, quiçá praticando atos lascivos. A história do roubo foi considerada mal contada e o BBB (Bichona Beijadora de Boneca) explicou que não sabia se tratar de um travesti, pensando ser uma linda mulher. No caso o BBB protagonizaria o Richard Gere da boca do lixo.

O travequinho de dezessete anos foi mais suscinto: disse que o ex-BBB teria usufruído dos serviços íntimos dele dentro do carro e se recusava a remunerar os cinqüenta reais como contraprestação. O travequinho teria sacado a chave do contato e saído correndo desesperado em busca de ajuda extra-judicial para a cobrança. Foi quando o caloteiro o alcançou e agrediu.

Temos todos os motivos do mundo para acreditar no pobre rapaz do reality show. Basta desconsiderar:

a) As falsas acusações do traveco que dizia conhecer até peculiaridades estéticas e anatômicas do BBB com riqueza de detalhes.

b) Que o BBB era freqüentador da região da rua Rego Freitas e esta é uma área de trottoir de travestis. Isso não tem nada a ver com a questão.

c) Que o travequinho mirim é feio de dar dó e, na remota hipótese de ser confundido com uma moça de família perdida na cidade, seria no máximo uma baranga daquelas bem ruins.

A verdade é que o BBB ao errar o caminho de casa ficou rodando em círculos pela região. E durante esse tempo achou que aquelas criaturas lindas e exuberantes de minissaia nas calçadas eram mulheres, jamais homens grotescamente fantasiados.

Em tempo: Advogados do craque Ronaldo "Felômeno" acabaram de afirmar à imprensa que vão processar o BBB por violação de direitos autorais.

domingo, 18 de maio de 2008

Cada um no seu quadrado

Antes de mais nada, note a complexidade fonética, gramatical e geométrica do refrão:
"A-ado, a-ado, cada um no seu quadrado.
A-ado, a-ado, cada um no seu quadrado."
Quando imagina-se que a cultura tenha chegado ao fundo do poço, com os pais achando lindo suas crianças fazendo as cinco velocidades do créu, desponta no cenário uma nova modinha: ninguém menos do que a fenomenal e poética compositora Sharon Acyoli Arcoverde, direto de Porto Seguro, com a sua "Dança do Quadrado".

Depois disso alguns ainda têm a coragem de amaldiçoar o reitor Antônio Dantas pelas constat... (ops!) - digo - opiniões pessoais que divulgou na imprensa. Na dúvida da polêmica, veja você mesmo.

sábado, 17 de maio de 2008

Nunca antes na história deste país

Jamais, em tempo algum, um governo teve uma idéia tão inédita, tão criativa e tão inusitada para alavancar os serviços de saúde pública.

Saibam todos que o nosso chefe de Estado-Maior está avaliando a possibilidade de criar um imposto que incidirá sobre todas as movimentações financeiras, cuja arrecadação resolverá de uma vez por todas os problemas do SUS.

Cada vez que um correntista tirar dinheiro de uma conta bancária, o Banco Central aplicará um fator percentual, taxando a movimentação e recolhendo como "contribuição". Assim, quem movimenta mais contribui mais. Quem movimenta menos contribui menos. E todos se beneficiam.

Não é impressionante?

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Uma escritora promissora

A cria, com sete anos incompletos, estava lendo um livro com uma estória sobre uns animais e uma festa. Reclamou-me que a estória não estava legal, que podia ser diferente, etc.. Eu disse que então, se ela quisesse, poderia escrever a própria estória dela. Minutos depois veio com o resultado. A tradução segue logo após.


Festa na Floresta:

Um dia na floresta, o macaco, o tucano, a tartaruga, o veado, a onça pintada, a pantera e os pássaros foram visitar a tataravó e voltaram perdidos.

E voltaram para a casa do tataravô*. (
*A autora explicou que eles mudaram a rota na volta)

Estava escurecendo e não tinha nada pra comer. De dia encontrariam a sua casa.

Agora acabou a estória. Agora fim.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Os assassinos

Eu me prometo todos os dias que não postarei sobre o óbvio, no caso o assassinato da Isabella. Mas eu me rendo. Assista a entrevista abaixo e tente entender o porquê de o infanticida ter prestado SETE VEZES o exame da OAB sem conseguir passar. O Rafinha explica.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Novos Nikes

Depois do episódio lamentável do seu garoto-propaganda com travestis, os marketeiros da Nike resolveram capitalizar em cima. Vão fazer dos limões, limonadas. Nada de lamúrias, agora tudo é alegria.

Esse é o novo modelito já pensado para as passeatas GLS:

Um luuuuuxo. Sem dúvida vão a-ba-lar.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Maldosos

As pessoas simplesmente não entendem. Basta olhar para os traços delgados e femininos desse ser para compreender que o Ronaldo foi ludibriado. Ele pensou se tratar de uma tremenda morena gostosa.

Vocês leitores não têm idéia das maldades tive que ouvir hoje pelas ruas. Houve até quem dissesse que o fenômeno teria se interessado em novas experiências sexuais mas se assustara ao verificar as proporções avantajadas do... Olha gente, nem tenho coragem de repetir o que ouvi. Achei quase uma blasfêmia.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Çauven ha inducassaõ

Já expliquei anteriormente do que se tratam essas telas.
Atenção para mais essa pérola:

S. Paulo Freire, S. Piaget e S. Vygotsky: rogai por nós.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Da série: O especialista

Episódio de hoje: The Assets Manager

Segundo lendas indígenas essa história foi publicada em um site sobre finanças e investimentos. Como não estou com tempo pra pesquisar, resolvi publicá-lo assim mesmo, pois se não é verdade está bem contado.

Diz a lenda que uma mulher escreveu para um site financeiro pedindo dicas sobre como arrumar marido rico. Só isso já é insólito, mas o melhor da história é que um cara, possivelmente um economista ou investidor, deu a ela uma resposta bem fundamentada no fórum.

Mensagem dela :

"Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste site? Ou esposas de gente que ganhe isso? Vocês poderiam me mandar algumas dicas?

Namorei um homem de negócios que ganha por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso e 250 mil não vão me fazer morar em Central
Park West.

Conheço uma mulher da minha aula de ioga que casou-se com um banqueiro e vive em Tribeca, e ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que ela fez de certo que eu não fiz? Como eu chego ao nível dela?

Grata,

Fulana de Tal."


Resposta do sujeito que postou:

"Li seu anúncio com grande interesse, pensei cuidadosamente sobre seu dilema e fiz uma análise da situação. Primeiramente, não estou gastando seu tempo, pois me qualifico como um homem que atende seu orçamento; ou seja, eu ganho mais de 500 mil por ano.

Isto posto, considero os fatos da seguinte forma: sua oferta, quando vista da perspectiva de um homem como eu, é simplesmente um péssimo negócio. Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples. Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro. Ótimo, fácil.

Mas tem um problema. Sua aparência vai se acabar e meu dinheiro vai continuar existindo, perpetuamente. De fato, é bem possível que meus rendimentos aumentem, mas é certeza absoluta o fato que você não vai ficar nem um pouco mais bonita!

Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos. Você não somente sofre depreciação como esta depreciação é progressiva, sempre aumenta! Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar gostosa pelos próximos 5/10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. O fim de sua aparência começa cedo e em alguns anos você já estará acabada!

Então, usando o linguajar de Wall Street, nós a chamaríamos de 'trading position' (posição para comercializar), e não de 'buy and hold' (compre e retenha), que é o que você deseja... daí o problema casamento. Não faz sentido, do ponto de vista de negócios, 'comprar' você (que é o que você quer), portanto prefiro alugá-la.

Se você estiver pensando que estou sendo cruel, eu tenho a dizer o seguinte: se meu dinheiro vai se acabar, você também vai. Então, quando sua beleza se esvair eu tenho que ter uma opção de saída. É simples assim. Um negócio razoável, portanto, é um namoro, e não casamento.

Paralelamente a isso, bem no início da minha carreira me ensinaram sobre mercados eficientes. Assim, eu me pergunto como uma garota 'articulada, com classe e maravilhosamente linda' como você se diz, ainda não achou seu tio Sukita. Acho difícil acreditar que você é tão bonita quanto diz e os 500 mil dólares ainda não te encontraram, nem que fosse pra um 'test drive'.

Por sinal, sempre há um jeito de você descobrir como ganhar dinheiro por conta própria, para que não precisemos ter essas conversas difíceis.

Com tudo isso dito, devo dizer que você está tentando da maneira certa. É a clássica 'capitalização via golpe do baú'. Espero que tenha sido útil e, se quiser negociar um contrato de aluguel, fale comigo.

Atenciosamente,

Beltrano.


Mais direto, impossível. Clap your hands, everybody.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Padre sobe aos céus

"O religioso queria voar durante 20 horas, mas o mau tempo levou-o em direção ao mar de Santa Catarina. As buscas aéreas e marítimas concentram-se a cerca de 30 quilómetros da costa, na aérea onde o padre terá feito o último contato..." conforme O Globo.

"Um vôo de balão que serviria para chamar a atenção para a causa dos caminhoneiros e para bater um recorde, acabou em desespero. O padre Adelir Antônio de Carli, membro da Pastoral Rodoviária, levantava vôo com um balão formado por 1 mil balões de gás hélio, quando o vento surpreendeu e levou o sacerdote para o caminho oposto ao desejado..." de acordo com o JB Online.

Um cara desses merece o prêmio Darwin Awards, por contribuir para a seleção da espécie. Ao menos depois dele talvez surjam padres mais providos intelectualmente. Oito anos de faculdade (Teologia e Filosofia) para isso. Nem precisa pegar a caixa-preta dos balões pra analisar a defecada. Ocorre que ele era da Pastoral Rodoviária. Logo, não entendia nada de Pastoral Aérea. Saiu das suas atribuições pastorais.

Caso a Guarda Costeira ou os Bombeiros não o achem, podemos transformá-lo no primeiro padre assunto aos céus com balões. Sabe-se que o profeta Elias foi em uma carruagem de fogo. A mãe de Jesus, segundo a tradição católica, foi levada por anjos. Mas o padreco Adelir... De qualquer modo ele entrará para a História como sendo o único padre que foi para o céu. Ao menos enquanto durou o gás.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Drops DVD: Diários de Motocicleta

Depois de um século, aluguei "Diários". Já sabia que veria um Ernesto "Che" Güevara pré-Baía dos porcos. Um jovem nada tão politizado que vai apenas para uma aventura que muitos de nós fantasia e fica só nesta. A odisséia dos malucos consegue misturar o mítico com o lúdico, embora trate-se de uma viagem real.

O filme é essencialmente fotográfico. Mostra lindas paisagens da América do Sul e segue o roteiro de viagem de Ernesto e seu amigo Alberto Granado. Só por isso vale à pena. Filme de Walter Salles (de Central do Brasil e Abril Despedaçado) se não surpreende pelo enredo, posto não ser dele exatamente, faz a diferença por fugir um pouco do Che mitológico. Muito embora pareça justificá-lo, na medida em que enfatiza as experiências do jovem Ernesto com uma América de contrastes sociais mostrando Ernesto indignado com o que vê.

Diários de Motocicleta na minha abalizada opinião de crítico não merecia esse nome. Não faz sentido porque a tal motocicleta teve falência múltipla dos órgãos durante o primeiro terço da viagem. Devia se chamar "Diários a Pé". Mas justifica a locação. Bacana. Bom entretenimento.

O dia da marmota

Sabe aqueles dias em que você sabe que tem uma porrada de coisas chatas pra fazer em casa, como pequenos consertos, fixação de prateleiras, levar arquivo morto da empresa pro sótão de casa, instalar suporte de televisor na parede e coisas suuuuuuperlegais assim?

Pois é. Não tente fazer isso em sua casa. As pessoas que o fazem são profissionais treinados, supervisionados pelo Corpo de Bombeiros e assistidos por paramédicos de plantão com helicóptero da propaganda do plano de saúde. Se você ignorar este aviso e tentar, a estante será alta demais para a altura disponível no sótão, os furos que você fará para fixar o suporte de televisor ficarão fora de posição e no fim você só terá dado mau-jeito nas costas e sujado a casa inteira com 300Kg de pó do sótão. Paradoxalmente tudo para nada. O resultado será zero. Ou negativo.

Daí você passará o resto do dia de bode. Sua mulher ficará de cara feia reclamando da sujeira. Óbvio que ela não se lembrará que foi ELA quem lhe encheu a paciência para você tirar as merdas de caixas de arquivo-morto do corredor. Se ainda assim você em vez de ir dormir tentar assar uma picanha no forno ela ficará dura como um músculo, mesmo sendo maturada e embalada à vácuo; cozinhará arroz e ficará sem gosto. Sua filha ficará torrando pra você levá-la pra andar de bicicleta e começará a chover.

Por isso mande esta mensagem para o máximo de pessoas possível com o título "ALERTA URGENTE: DIA DE BODE". Não quebre esta corrente.
"Nada está tão ruim que não possa ser piorado um pouco." (Cel. Murphy)

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Sem discução

Observe a segunda linha do quadro abaixo.

O ser vivo que postou isso no fórum de um curso de graduação universitária:

- Respira
- Polui
- Consome água
- Vota
- E PRETENDE LECIONAR!

domingo, 13 de abril de 2008

Uma no cravo, outra no casco

Nunca antes na história deste país um presidente conseguiu a façanha de superar a máxima "uma no cravo, outra na ferradura". A expressão, até onde eu soube, aludia a ferreiros com habilidades limitadas para ferrar um cavalo. Em vez de dar as marteladas todas nos cravos de fixação, erravam e acertavam na ferradura, prejudicando inclusive a estabilidade dos cravos já inseridos.

A analogia da ferradura agora aplica-se com perfeição ao senhor Luís Inácio. Ele aprovou semana passada, em uma só canetada, a manutenção do hediondo imposto sindical obrigatório e a desobrigação de as entidades sindicais prestarem contas aos tribunais públicos. No mês de março um dia cheinho continuará a ser arrancado de seu bolso à força e irá direto para o bolso dos sindicalistas. E estes poderão continuar gastando como bem entenderem, inclusive para promover prejuízos aos que eles supostamente representam. O chefe da nação teria ainda dito que a fiscalização dos sindicatos cabia aos trabalhadores. Concordo em parte. Mas, no quadro atual, tente você ir a uma assembléia do seu sindicato e pedir balancetes ou comprovantes de gasto.

A contradição do ato não tem precedentes. O Estado encarrega-se do serviço sujo de usurpar o dinheiro, mas tira o seu da reta ao desonerar-se da fiscalização. Dessa forma ex-sindicalista Lula matou dois coelhos com uma só cajadada na cabeça do trabalhador: manteve o atrelamento dos sindicatos com o Governo, processo desencadeado na primeira fase do governo de Vargas, e traiu uma das principais bandeiras dos trabalhadores na década de 80 que era o fim do imposto sindical obrigatório.

Para quem não sabe, os sindicatos até meados da década de 80 ou eram dirigidos por interventores nomeados pelo Governo ou tutelados por dinastias legitimadas por processos eleitorais chulos e podres. Embora, segundo Lênin, toda eleição seja fraudulenta, o feito dos operários do ABC paulista ao constituírem a CUT foi pomposo e importante: retomou os processos eleitorais interrompidos pela ditadura e varreu os interventores. Representou a possibilidade de ruptura com o aparelhamento governamental dos sindicatos de até então. Faltava extinguir o imposto sindical.

Berger em "A construção social da realidade" sabiamente dissecou a dinâmica das instituições. Segundo ele, elas nascem a partir de propósitos humanos fundamentais, depois se institucionalizam e em dado momento tomam assumida postura de dirigir a maior parte dos seus esforços para a sua perpetuação, como resultante do seu processo de burocratização. Com a CUT não havia de ser diferente. O que foi no passado um legítimo canal de expressão dos operários, ao longo do tempo foi se especializando e aperfeiçoando na criação de castas de burocratas profissionais que se fossilizaram nas suas estruturas. Ainda mais hoje, com o representante que melhor expressa os anseios de 1.980 ocupando o maior posto executivo do país. Seria de se estranhar que a CUT continuasse a dar vazão às necessidades mais legítimas do operariado. Naturalmente ela foi sendo ocupada por contra-revolucionários e conciliadores das piores espécies.

Se no passado, o PT e a CUT foram os braços político e sindical do movimento popular, hoje já não passam de meros tentáculos do estado burguês. Ou alguém acredita que Lula ocuparia o posto que ocupa, sem ser por consenso entre as elites coronelistas, os representantes do imperialismo e burguesia urbana acovardada? Óbvio que não. O status-quo se alimenta do refreamento dos movimentos sociais acabrestados por dirigentes canalhas. A esses dirigentes o prêmio pelos bons serviços prestados "à nação": muita grana confiscada do trabalhador e nenhuma conta para prestar.

Pra eles, melhor que isso só os dois disso. Lula concedeu-lhes ambos. Às nossas custas.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Fala sério: isso é camisa de time?

Her, her comes


Essa jóia imaginária da indústria automobilística, jamais antes construída é nada menos do que o lendário Match-5 em tamanho real. Concebido no Japão durante a década de 60 para o desenho animado Speed Racer, o M-5 é capaz de peripécias que fariam Henry Ford se sentir um babaca com seu tôsco Ford-T. Neste fim de semana o M-5 estava em exposição em no Shopping SPMarket em Sampa. Que viu, viu. Porque a estas horas já foi embora.

A réplica, para um especialista como o tio que decorou até as falas dos episódios, poderia ser bem melhor. A começar pela ausência dos botões alfabéticos no volante. No desenho eles fazem toda a diferença, já que acionam as traquitanas mecânicas e eletrônicas mais fantásticas. Porém, para quem passou a infância sonhando em possuir o M-5 e ser o próprio Speed Racer, poder ver de perto e fotografar seu sonho é perto de impagável. Foi por isso que atravessei a cidade (cerca de 150Km ida e volta) só para tirar fotos.

Se você tem menos de vinte e cinco anos ou mais de quarenta e cinco, por razões diferentes talvez não conheceu Speed Racer e seu fabuloso Match-5. Veja o vídeo abaixo, da abertura da série original. Uma viagem. Espero que o filme, que chegará à nossas telonas daqui dois meses, não peque por excesso de computação gráfica. O desenho, nem tão animado assim, com um visual tosco encantou toda uma geração de garotos. Como o tio há algumas décadas.