segunda-feira, 30 de junho de 2008

A Coca-Cola de ouro do Habib´s

Incrível. Enquanto o mundo se desespera com o preço do barril de petróleo, o Habib´s se esbalda com o novo ouro-negro. Tente ler o terceiro item desse cupom abaixo.

Conseguiu? Só pra confirmar: a descrição é 2 COCA ZERO LATA e o precinho... OITO REAIS E OITENTA CENTAVOS. Uma mísera latinha de 350ml de Coca Zero vendida por R$4,40. Praticamente o preço que se pagaria em uma boa balada. Só que com iluminação fluorescente, garçons péssimos e sem DJ. Quase igual. Logo abaixo está a Coca normal. Beeeeeem mais em conta: R$3,30.

Da próxima vez JURO que vou sacanear. Levarei uma latinha de refrigerante de casa pra tomar lá e pedirei só as esfihas. Se o gerente fizer a menor menção de falar algo eu dou um jornal de supermercado pra ele.

Em tempo: "Habib" em árabe quer dizer "Amigo". Ainda bem. Se fosse inimigo então...

Traga a pessoa amada em 7 dias

"O seu amor te deixou? Você não está mais sendo correspondida(o)? Ele(a) não quer saber de casamento e está te enrolando? Brigas, intrigas, separações, traições entraram em sua vida sentimental? As invejas das pessoas tem atrapalhado e amarrado sua vida amorosa? A pessoa que você deseja não quer mais ver a sua cara e os outros dizem que este relacionamento não tem mais futuro?"
Seus problemas se acabaram! Acabo de encontrar um site que vende um sensacional KIT DE AJUDA SENTIMENTAL que contém TÉCNICAS INFALÍVEIS PARA A VIDA SENTIMENTAL e a DEFINITIVA RESTITUIÇÃO AMOROSA.

Quando eu penso que já conheço todo tipo de picaretagem a humanidade ainda consegue me surpreender. Pela foto que decora a página principal, quando esse casal restituiu sua vida amorosa, os Beatles estavam lançando Sargent Pepper´s e eles dançaram ao som de Lucy in the sky with diamonds.

Quer mais? O site promete TÉCNICAS QUE FARÁ (sic) O SEU AMOR VOLTAR RAPIDINHO. Espero que as técnicas não sejam como a concordância verbal do autor.

Pra você que está lendo com cara de cético, o tio mata a cobra e mostra a cobra morta: ENTRE AQUI.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Premio Nobel da abordagem comercial

Vagão do trem. Um cenário já bem familiar pra mim há alguns meses. Proibidos dentro dos trens os vendedores ambulantes agora andam disfarçados. Entram como qualquer outro passageiro, geralmente com uma mochila ou bolsa de nylon e, mal o trem parte, desandam a vender todo tipo de quinquilharia: canetas, isqueiros, doces e outras coisas. Sempre de baixo valor agregado, talvez porque as apreensões sejam freqüentes.

Eu estava sentado no degrau ao fundo do trem, naquelas portas que ligam um vagão ao outro mas ficam travadas já faz tempo. O trem começou a andar e um vendedor sacou de uma pilha de "chocolates" (entre aspas mesmo) e ligou a matraca:

- Olha aí gente, chocolate da melhor qualidade. Quem assistiu o Domingo Legal viu a propaganda. No Extra tão vendendo por quatro réau, no Carrefour tá três e oitenta e eu tô vendendo por apenas três reais. Mas peraí... Xi gente! - O sujeito faz que está olhando para um ponto infinito na plataforma, vários passageiros tentam ver também - o segurança me viu. Agora ele vai avisar pra próxima estação. Vou perder tudo pro rapa. Mas a vida de ambulante é assim mesmo.

O malandrão olha pra cara dos passageiros consternados. Alguns deviam estar pensando: "coitado, trabalhando; não tá roubando". Foi quando o vendedor de "chocolates" resolveu fazer uma liquidação:

- Aí gente, sujô mesmo. Vou acabar com tudo. Prefiro perder pra vocês do quê pra eles. É um real só. Um real cada, pra acabar com tudo. Podem ficar com todos. Eu me viro depois com esses trocados e começo minha vida de novo.

Senti vontade de rir, mas parei ao perceber um rebuliço total entre os passageiros. Procuravam trocados nas bolsas pra aproveitar a promoção bota-fora do mascate. Foi um arraso. O cara vendeu uns trinta "chocolates" em alguns segundos. De duas moças que estavam do meu lado, ouvi uma dizendo pra amiga que ia pegar logo dois, porque essas coisas não acontecem duas vezes. Inacreditável.

Terminada a venda-relâmpago o cidadão desceu normalmente na próxima estação. Acho até que esqueceu que estava fugindo. A pinta era mais de quem tinha cumprido a missão.

Agora vamos ao produto: a moçoila do meu lado quando eu desci já estava comendo um. Pude perceber na parte mordida que o mais próximo de chocolate era uma fina cobertura marrom-escura, sabe-se lá do quê. Dentro predominava uma gororoba abiscoitada e esfarelenta. A sujeita nem percebeu, tal voracidade com que comia. Ou nunca comeu um chocolate de verdade.

Esse povo todo tem título de eleitor, viu?

domingo, 22 de junho de 2008

El matador

Sábado frio + festa junina de escola infantil. Combinação tolerável pra quem curte quentão, vinho quente e iguarias à base de milho como no caso do tio.

Estava eu a conversar com uma bonita mãezinha de aluna, quando a própria cria chega perto da gente:

- Tio, o senhor é bom de pontaria?

- Apenas o melhor. Por quê?

- Então toma esse ticket. Acerta a boca do palhaço e ganha uma bola pra mim, tio? Por favor.

Depois da minha bravata, sob olhar da mulherada, só me restou ir lá encarar o tal palhaço. Lá descobri que eu tinha que acertar três de quatro bolas fornecidas. Gelei, pois até os bravos do oeste suam frio numa hora dessas. Peguei a primeira, me concentrei, fixei o olhar na caçapa do horroroso palhaço e arremessei: tuf! Bem no centro da boca, sem tocar nas bordas. Lá vai a segunda: tuf! Idem. E a terceira: tuf! No fundo da goela. Dispensada a quarta chance, olhei para as funcionárias da barraca boquiabertas e decretei, quase nada arrogante:

- Dá a bola pra menina.

Saí com o peito estufado e voltei à jovem senhora com quem eu proseava. Dela recebi esfuziantes agradecimentos pelo feito heróico.

Domingão

Frio pra caramba, geladeira e armário vazios. Nothing to cook. Vontade de fazer rango então... putz.

Neste momento ocorreu-me uma idéia luminosa. Em homenagem ao centenário da imigração japonesa, sugeri à darling irmos ao Aquário Itaquera cumprimentar a comunidade nipo-brasileira da zona leste paulistana. Claro que a propósito de almoçar yakissoba quentinho. Lá é um misto de loja de aquarismo e pesca, parque de diversões e tem um mini-shopping com alguns pequenos restaurantes de famílias japas, em estilo fast-food. Bem melhor do que ir pro fogão.

Por míseros vinte reais nos entupiremos do delicioso e fumegante macarrão nissim com legumes, verduras, frango, carne e camarão.

Melhor e mais oportuno impossível.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Isso sim é telemarketing

Nada de pentelhos ligando pra sua casa para lhe oferecer quinquilharias. O telemarketing agora é diferente. Basta você usar um orelhão pra encontrar desde folhetos Herbalife até esses singelos adesivos colados por moçoilas que fornecem momentos de prazer mediante remuneração.

Nunca antes na história deste país
elas divulgaram tão bem os serviços.


quinta-feira, 12 de junho de 2008

Orgasmo com o genital alheio

Na noite passada aproveitei que cheguei em casa mais cedo e fui me deitar idem. Não só por cansaço acumulado, mas ocorre que estava sendo televisionada uma partida futebolística muito comentada e eu até que comecei a assistir. Mas as cenas me indicavam algo que eu já esperava. Dos times finalistas, o que estava com vantagem da bela vitória na partida anterior entrou em campo sem nenhum empenho, no melhor estilo "já ganhamos mesmo".

Nada mais traidor e enganador do que cantar a vitória por antecipação. O resto, bem... creio que todos já saibam. Pois este escrevedor, que ainda tem uma estima incurável pelo time paulista finalista, se recusa a assistir a qualquer coisa cujo protagonista apresente má vontade. Seja um show musical, seja uma palestra, missa, aula ou uma partida esportiva. É muito simples: se não está a fim de fazer algo não saia de casa, penso eu. Desse modo, finda primeira e já desonrosa etapa da peleja, desliguei a TV e recolhi-me aos aposentos.

Só que algo me surpreendeu e penso que seja uma estatística de migração nunca antes verificada. É que na capital paulista, ao menos na Zona Leste, a esmagadora maioria da população talvez seja de migrantes especificamente pernambucanos (e ingratos por sinal). Isso explicaria o porquê do foguetório digno de reveillon. Cheguei a cogitar que estivéssemos sendo invadidos pelas FARC. Eliminada a cogitação, voltei à primeira hipótese e desenvolvi uma segunda: podia também ser gentalha, cujos times não apareceram nem no rodapé da classificação. Confirmado isto, eles estariam, digamos assim, ejaculando com os pênises de seus amigos pernambucanos. Duas hipóteses para o estranho foguetório.

Se esta última se confirmar já posso imaginar a cena: na casa de cada pernambucano estariam reunidos torcedores de times não-finalistas. Eles estariam se revezando a massagear os órgãos sexuais dos seus anfitriões. Após o clímax orgásmico destes, os visitantes talvez fizessem outra coisa que não descreverei aqui e saltitariam para o quintal a soltar rojões. Isso, obviamente, enquanto suas esposas terminavam o serviço de agradar aos amigos anfitriões. Tem lógica.

Enfim são hipóteses e, como tais, podem plausivelmente transitar da especulação migratória massiva até versar sobre as preferências sexuais dos soltadores dos rojões. Ou tudo isso junto. Quem há de saber?

domingo, 8 de junho de 2008

O cãozinho dos teclados

Um brilhante deputado e sensacional cantor neste momento está na TV Record apresentando mais um hit que promete. Sinta a poesia:
Casado também namora,
casado também namora.
Casado é namorador,
longe da sua senhora.
Eu gostaria de acrescentar algo, mas a canção supera tudo. Viva a TV aberta.

sábado, 7 de junho de 2008

High tech, high score

Prova de História. Ou "Bases Históricas e Filosóficas da Educação" como estabeleceram no currículo. Tio Xavier, que está numa correria lascada no trabalho, não tinha estudado nada. Os textos mofavam na pasta surrada e o livro comprado continuava novinho em folha. Conhecimentos próximos de zero.

Quinta-feira, chego à facu quase na hora da prova. Nem aquela releitura de última hora rolou. Olho em volta e vejo as coleguinhas se matando com papeizinhos, fotocópias reduzidas e coisas assim, vulgarmente conhecidos como "cola". Algo que abomino.

Sem querer entrar no ritmo dos mini-lembretes, o tio pensa, repensa e lembra! Os textos da matéria estavam na conta do GMail. Será que não dava pra acessar as mensagens com o celular - mais exatamente essa maravilha - baixar os textos e deixar no jeito para consultas furtivas na hora das questões? Claro que sim. Apenas um dos textos me faltou e caíram duas perguntas do capítulo. Mas no restante, beleza.

Agora acabo de receber a nota por e-mail. Considerando que eu não sabia a diferença entre Michel de Montaigne e as fábulas de La Fontaine, mais o texto faltante, tirar 8 foi de ótimo tamanho. Ainda mais se me garantiu fechar a média por antecipação.

A tecnologia não é maravilhosa?

quarta-feira, 28 de maio de 2008

À espera de um milagre

Sabe essas coisas que você faz sem saber o porquê? Então, eu continuo acessando a conta bancária todas as manhãs. Não há nenhum crédito previsto para cair nela, mas eu acesso e vejo lá o saldo. Enquanto isso:

- O ponteiro do combustível do meu carro está próximo de uma marca vermelha assinalada com "R".

- O meu Bilhete Único da SPTrans está com menos de dez reais.

- Na minha carteira não há sequer uma nota velha de um real.

- Apenas um pequeno baú de enfeite na minha mesa parece ter umas moedinhas. Não devem passar de três reais e pouco.

Vou me sucidar e já volto.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Abaixo da linha da pobreza

Quando você ler estatísticas do IBGE e da ONU dizendo que X% da população brasileira encontram-se abaixo das condições mínimas de sobrevivência, considere incluído o Tio Xavier.

Dúvidas? Veja meu extrato bancário de hoje (e dos próximos 20 dias).
Seqüestradores: essa é minha única conta bancária e não possuo bens.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Os donos da verdade

A Justiça da Bahia determinou o recolhimento, em Salvador, de todos os exemplares de um livro escrito pelo padre Jonas Abib, fundador da comunidade católica Canção Nova, ligada à Renovação Carismática. A acusação é de “ofensa contra as formas de espiritismo”. Não me cabe comentar sobre os aspectos da lei 7716 de 1989, posto não ser eu sequer um reles rábula. Mas cabe-me sim, como pensador, ir um pouco mais no cerne.

O imperativo ético deveria ser a base do pensamento dos homens auto-proclamados religiosos, que vivem a pregar - e vivem de pregar - as palavras dos seus deuses e santos. Palavras essas que não cansam de afirmar serem de amor, de fraternidade e uma extensa lista de virtudes. Se fossem praticadas minimamente em nosso mundo, não teríamos um décimo das barbáries que vemos por aí.

Ocorre que ao invés das belas virtudes acima, a pregação proselitista é recheada de preconceito e soberba. O septuagenário Pe. Jonas, a quem tive oportunidade de conhecer na década de 80, é uma pessoa visivelmente carismática no que tange a comunicação interpessoal. Pena que não se possa dizer o mesmo de sua reflexão pseudo-teológica. Com seu sorriso fácil e belas palavras engatilhadas, há coisa de três décadas Jonas Abib capitaneou a origem do que seria um dos mais fervorosos movimentos contemporâneos dentro do Catolicismo: a Renovação Carismática Católica.

Inspirada no neo-pentecostalismo protestante estadunidense da década de 60, a RCC enxertou no seio do catolicismo ritos e práticas até então estranhos aos católicos, tais como transes espirituais, oração em línguas estranhas, curas por imposição da mãos e outras coisas baseadas na epístola de Paulo aos fiéis de Corinto, quando o apóstolo explanou sobre os dons espirituais concedidos pelo deus dele. Como tempero, a RCC incentivou a leitura da bíblia cristã, dentro de uma perspectiva muito particular de interpretação self-made, tão assistemática quanto intimista.

Se a RCC teve algum mérito em si, terá sido o de possibilitar que os leigos desenvolvessem um sentimento de acesso ao divino de forma mais democrática e menos mediada. Nas noções pregadas por eles, os fiéis têm acesso a diferentes manifestações divinas, sem a mediação da hierarquia clerical. Embora pareça uma grande ruptura de paradigma, essa democratização teve seu lado estratégico, pois deu sustentabilidade e credibilidade ao movimento entre os leigos. Vale dizer que a RCC foi muito rejeitada e perseguida pela imensa maioria dos clérigos, sobretudo pelos bispos, resultando até em casos de apostasia e constituição de seitas por parte dos mais exacerbados. Mas gradualmente, através de uma estratégia de médio prazo, muitos dos jovenzinhos aderentes à RCC foram sendo ordenados padres e então com esses neo-padres, o movimento passou a contar com apoio clerical significativo. Destaque-se o padre-dançarino e ator Marcelo Rossi. O pioneiro Pe. Abib já não estava mais só.

Nos dias de hoje a RCC conseguiu firmar-se como um pequeno império à parte da hierarquia católica. Com ou sem permissão episcopal, a entidade passou a ser holding de algumas dezenas de empresas rentáveis que incluem editoras, gravadoras, estações de rádio e até uma emissora de TV, cuja sede situa-se na cidade de Cachoeira Paulista. É impressionante o adesismo massivo de fiéis, inclusive de classes média e alta. Sabe-se que muitos deles entregam o controle dos seus negócios para procuradores da entidade, engrossando os canais de receita financeira do movimento. Uma visita a uma espécie de "vila-comunidade" que a RCC mantém em Cachoeira, pode revelar coisas intrigantes como o fato de profissionais liberais, industriais e comerciantes abandonarem tudo (nas mãos de procuradores da RCC, claro) em troca de viverem na tal comunidade, andando de chinelos de dedo (nada contra estes) e esboçando um ar entorpecido de felicidade pela atitude escolhida. É tentador traçar um paralelo com o concorrente Edir Macedo, nas suas "correntes dos empresários", pois as práticas de despojo e expropriação voluntária são muito semelhantes.

Seria muito ingênuo ignorar que por trás dos umbrais de fé da RCC há uma elite controladora, intelectualmente dotada e bem articulada, como por exemplo o administrador, marqueteiro, compositor e cantor Antônio Kater, autor de análises teo-mercadológicas como: "Jesus pegou o mesmo produto (...) e reposicionou o mercado". Nenhum movimento nasce, cresce e enriquece devido ao reconhecimento divino, como podem alardear seus mentores. A gênese e dinâmica das instituições já foi dissecada por Berger em "A Construção Social da Realidade". Qualquer concessão ao discurso divinista configura-se em uma falácia de premissas e ocultação dos mecanismos materiais da expansão da RCC. Tire-se da RCC os seus mentores, seus escritórios, suas contas bancárias e seus negócios e ver-se-á que o espírito divino não lhes será suficiente para manter o que fora construído.

Contudo estamos no mundo dos negócios. Sem questionarmos as premissas do capital, não há como analisarmos os empreendimentos religiosos. Como quaisquer outras aziendas, os negócios da fé vendem produtos e serviços. Compra quem quer. Apenas que para as coisas do âmbito sobrenatural não há nada que possa ser reclamado com base no Código de Defesa do Consumidor. Se os legisladores se despissem da hipocrisia que permeia a elaboração de algumas leis, os negócios religiosos poderiam ser melhor regulamentados, em vez de correrem soltos e sem tributação, como praticamente ocorre.

A parte mais descarada desses movimentos religiosos quando se institucionalizam é a forma com que vão abandonando o caráter virtuoso e caridoso pregado originalmente, para assumir sua posição sobre a fé alheia: a intolerância. É nesse veio que o livro do senhor Abib cava seu quinhão ao afirmar coisa como: "O demônio (...) hoje se esconde nos rituais e nas práticas do espiritismo, da umbanda, do candomblé". Nada no campo da literatura religiosa pode ser mais podre e preconceituoso do que afirmar coisas desse gênero.

O mais intrigante é que grande parte da literatura proselitista gasta páginas e laudas não para enaltecer as virtudes da própria religião ou seita, senão para acusar, incriminar e satanizar a alheia. É como se tivessem chegado ao limiar da capacidade de cooptação dos não-religiosos e o seu crescimento dependesse tão somente da destruição das manifestações concorrentes. Nesse estágio, parte-se fácil para o tudo ou nada valendo o tudo, incluindo a demonização do outro. Lembra aqueles torneios ilegais de luta, nos quais a única norma é submeter o adversário até o abate.

Tão medíocre quanto vergonhoso é lançar mão de expedientes desrespeitosos, quando o objeto imediato é o ataque à religião alheia, mediando interesses inconfessáveis de grupos particulares. Se eu fosse kardecista, umbandista ou candomblecista iria sim às vias judiciais contra o arremedo de livro do padre.

No mais, sou solidário a todos que se sentiram ofendidos com as prevaricações da pretensa obra teológica. O direito de um termina nas fronteiras do respeito ao direito alheio, que inclui manifestação filosófica, cultural e credo. Tudo o mais é arrogância e prepotência, indignas do que se poderia entender como fé sincera. A intolerância é hipócrita por si só.

Outra injustiça

Dessa vez foi com um ex-BBB. O nome do sujeito eu não lembro, mas sei que o pobre rapaz foi parar na delegacia, por conta de uma confusão com um travesti. Agora atenção para as versões:

Segundo o ex-quase célebre BBB, o travesti teria furtado as chaves do carro dele em uma topada na calçada, no estilo trombadinha. Então ele correu atrás do gatuno de salto alto e o agrediu para reaver suas chaves. Um típico caso de punguismo. Mais tarde na delegacia foi constatado que o travesti havia estado dentro do carro por um bom tempo com o suposta vítima, quiçá praticando atos lascivos. A história do roubo foi considerada mal contada e o BBB (Bichona Beijadora de Boneca) explicou que não sabia se tratar de um travesti, pensando ser uma linda mulher. No caso o BBB protagonizaria o Richard Gere da boca do lixo.

O travequinho de dezessete anos foi mais suscinto: disse que o ex-BBB teria usufruído dos serviços íntimos dele dentro do carro e se recusava a remunerar os cinqüenta reais como contraprestação. O travequinho teria sacado a chave do contato e saído correndo desesperado em busca de ajuda extra-judicial para a cobrança. Foi quando o caloteiro o alcançou e agrediu.

Temos todos os motivos do mundo para acreditar no pobre rapaz do reality show. Basta desconsiderar:

a) As falsas acusações do traveco que dizia conhecer até peculiaridades estéticas e anatômicas do BBB com riqueza de detalhes.

b) Que o BBB era freqüentador da região da rua Rego Freitas e esta é uma área de trottoir de travestis. Isso não tem nada a ver com a questão.

c) Que o travequinho mirim é feio de dar dó e, na remota hipótese de ser confundido com uma moça de família perdida na cidade, seria no máximo uma baranga daquelas bem ruins.

A verdade é que o BBB ao errar o caminho de casa ficou rodando em círculos pela região. E durante esse tempo achou que aquelas criaturas lindas e exuberantes de minissaia nas calçadas eram mulheres, jamais homens grotescamente fantasiados.

Em tempo: Advogados do craque Ronaldo "Felômeno" acabaram de afirmar à imprensa que vão processar o BBB por violação de direitos autorais.

domingo, 18 de maio de 2008

Cada um no seu quadrado

Antes de mais nada, note a complexidade fonética, gramatical e geométrica do refrão:
"A-ado, a-ado, cada um no seu quadrado.
A-ado, a-ado, cada um no seu quadrado."
Quando imagina-se que a cultura tenha chegado ao fundo do poço, com os pais achando lindo suas crianças fazendo as cinco velocidades do créu, desponta no cenário uma nova modinha: ninguém menos do que a fenomenal e poética compositora Sharon Acyoli Arcoverde, direto de Porto Seguro, com a sua "Dança do Quadrado".

Depois disso alguns ainda têm a coragem de amaldiçoar o reitor Antônio Dantas pelas constat... (ops!) - digo - opiniões pessoais que divulgou na imprensa. Na dúvida da polêmica, veja você mesmo.

sábado, 17 de maio de 2008

Nunca antes na história deste país

Jamais, em tempo algum, um governo teve uma idéia tão inédita, tão criativa e tão inusitada para alavancar os serviços de saúde pública.

Saibam todos que o nosso chefe de Estado-Maior está avaliando a possibilidade de criar um imposto que incidirá sobre todas as movimentações financeiras, cuja arrecadação resolverá de uma vez por todas os problemas do SUS.

Cada vez que um correntista tirar dinheiro de uma conta bancária, o Banco Central aplicará um fator percentual, taxando a movimentação e recolhendo como "contribuição". Assim, quem movimenta mais contribui mais. Quem movimenta menos contribui menos. E todos se beneficiam.

Não é impressionante?

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Uma escritora promissora

A cria, com sete anos incompletos, estava lendo um livro com uma estória sobre uns animais e uma festa. Reclamou-me que a estória não estava legal, que podia ser diferente, etc.. Eu disse que então, se ela quisesse, poderia escrever a própria estória dela. Minutos depois veio com o resultado. A tradução segue logo após.


Festa na Floresta:

Um dia na floresta, o macaco, o tucano, a tartaruga, o veado, a onça pintada, a pantera e os pássaros foram visitar a tataravó e voltaram perdidos.

E voltaram para a casa do tataravô*. (
*A autora explicou que eles mudaram a rota na volta)

Estava escurecendo e não tinha nada pra comer. De dia encontrariam a sua casa.

Agora acabou a estória. Agora fim.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Os assassinos

Eu me prometo todos os dias que não postarei sobre o óbvio, no caso o assassinato da Isabella. Mas eu me rendo. Assista a entrevista abaixo e tente entender o porquê de o infanticida ter prestado SETE VEZES o exame da OAB sem conseguir passar. O Rafinha explica.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Novos Nikes

Depois do episódio lamentável do seu garoto-propaganda com travestis, os marketeiros da Nike resolveram capitalizar em cima. Vão fazer dos limões, limonadas. Nada de lamúrias, agora tudo é alegria.

Esse é o novo modelito já pensado para as passeatas GLS:

Um luuuuuxo. Sem dúvida vão a-ba-lar.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Maldosos

As pessoas simplesmente não entendem. Basta olhar para os traços delgados e femininos desse ser para compreender que o Ronaldo foi ludibriado. Ele pensou se tratar de uma tremenda morena gostosa.

Vocês leitores não têm idéia das maldades tive que ouvir hoje pelas ruas. Houve até quem dissesse que o fenômeno teria se interessado em novas experiências sexuais mas se assustara ao verificar as proporções avantajadas do... Olha gente, nem tenho coragem de repetir o que ouvi. Achei quase uma blasfêmia.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Çauven ha inducassaõ

Já expliquei anteriormente do que se tratam essas telas.
Atenção para mais essa pérola:

S. Paulo Freire, S. Piaget e S. Vygotsky: rogai por nós.