domingo, 27 de setembro de 2009

Kingston®: o pendrive lavável (2)

Se você ainda não leu a experiência científica anterior, passe AQUI antes de ler este post. O pendrive utilizado foi o mesmo exemplar dos testes anteriores.

Desta vez o experimento foi diferente, para uma análise de espectro mais amplo. O sabão aplicado foi da marca Brilhante. Como aquela máquina BS-Continental pediu aposentadoria a de agora é uma Bosch®. O meio de suporte utilizado para o objeto dentro da máquina foi o bolso de uma camisa. Nesta versão a água da máquina foi mantida fria.

O pendrive saiu da máquina encharcado e pingando. Como era um dia ensolarado, não utilizamos a secadora. Assim, o equipamento foi pendurado no varal, com o conector virado para baixo, sob sol escaldante para fins de secagem ao natural.

RESULTADO: após algumas horas pendurado junto com as roupas, o pen-drive Kingston® de 512MB foi conectado a uma porta usb de um notebook Acer ligado. Demorou cerca de trinta segundos e o micro chegou a exibir a tela de "instalação de dispositivo". Mas depois do processo, os arquivos anteriores estavam intactos, novas gravações foram feitas nele e o dito está mais alvo, com cheiro de amaciante, em ótimas condições de uso.

Assim, declaro que o pendrive Kingston® de 512MB faz jus ao selo do Xavier Institute of Quality Assurance™ e terá seu certificado revalidado por mais cinco anos.

Ps.: Essa experiência foi executada por profissionais treinados. Não tente fazer isso na sua casa. O pendrive utilizado no experimento foi o de 512KB, a máquina de lavar é Bosch®. O sabão em pó Brilhante® é fabricado Unilever. Não temos registro de resultados com dispositivos de outras capacidades. Nenhum dos mãos-de-vaca, fabricantes das marcas acima, topou pagar algo por este testemunho e não se responsabilizam por tentativas similares.

Agradeço a Santo Expedito (2)

Ainda não ganhei um centavo com isto. Mas acabei de ver no contador, lá no rodapé, que as pageviews desta pocilga ultrapassaram a marca de 20.000. Foram mais de vinte mil cliques desde quando instalei essa porcaria de numerador.

Grande merda, não é mesmo? Meu corsinha velho ultrapassou 200.000Km e o que ganhei foram mais despesas com manutenção. Agora aqui nem manutenção tenho dado.

Agradeço a todos os SEIS leitores. Sim, são seis. Convenci um professor meu a olhar de vez em quando. Para garantir, toda segunda-feira eu pergunto a ele "e aí, teacherzão que achou do meu último post?". Eu o enquadro para ter certeza de que pelo menos ele abriu e leu o título.

Agradeço também à darling, por ter colocado o Sem Sentido como página inicial dela no micro da firma. Agradeço também à minha mãe que outro dia ficou pressionando [F5] o dia todo, embora não tenha entendido o porquê de eu pedir isso.

Um abração a todos e boa semana.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Curso rápido de plágio

Algumas pessoas têm muita dificuldade em ler e compreender um texto, o que os especialistas denominam como "analfabetismo funcional". Outras têm distúrbios de aprendizagem, o que as impossibilita de relacionar fonemas com grafemas e significantes com significados, como é o caso dos disléxicos.

Seja qual for o seu caso, ou simples inaptidão para usar os neurônios esquerdo e direito, síndrome conhecida como "preguiça mental", segue abaixo um curso expresso de plágio. Você não precisa nem saber ler, tampouco escrever. Basta usar os comandos CTRL+C / CTRL+V, em determinados trechos de um bom texto de modo aleatório. Não é necessário prática tampouco habilidade, pois também são pré-requisitos difíceis para determinadas pessoas.

Você mesmo pode fazer no seu computador. Se não souber ligar o PC peça para alguém fazer isso por você. Veja o resultado abaixo, extraído da plataforma de EAD de uma universidade situada em São Paulo:


Esta primeira fez recortes simples mas mutiladores, comprometendo trechos e destituindo algumas frases do sentido original:


Note que esta segunda tem dificuldades com numerais também, pois confundiu o título do assunto:


Daqui a alguns meses é muito provável que ambas estejam diplomadas. E assim caminha a inducassão.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Vá em paz Gunther

Os desígnios divinos são mesmo imperscrutáveis. Quem saberá o que se passa na cabeça dos deuses, sejam eles politeístas ou monoteístas? Já li - não lembro em qual romance - que "Deus, o Destino e o Kaiser são a mesma pessoa" (acho que foi em um Machado de Assis).

Mas quero manifestar meus pêsames pelo falecimento de Gunther Link. Alguém de quem pouco sabemos, mas que sem dúvida foi um homem sincero na sua devoção. Católico fervoroso com 45 anos Gunther havia ficado preso em um elevador pouco antes. Podemos supor que a maioria dos leitores daqui já tenham ficado presos em elevadores. Pelo menos eu fiquei algumas vezes, já que nem todos são mantidos com as preventivas recomendadas. Felizmente nenhum despencou do cabo de aço, razão pela qual encontro-me aqui escrevendo para deleite dos 5 leitores. Mas voltemos ao assunto.

É a fé que permite ao homem enxergar os acontecimentos com outros olhos. No aparentemente corriqueiro, o homem de fé consegue enxergar a ação divina. Do alto da sua fé, Gunther interpretou seu resgate como um milagre divino, tal como um Lázaro a sair do sepulcro. Logo Gunther não teve a menor dúvida em dirigir-se a um templo católico para agradecer, com um ato de reverência, gratidão e adoração. Porém o destino lhe reservava mais uma surpresa. Pior ou melhor, ninguém senão ele agora poderá saber.

Ocorreu que ao abraçar uma pilastra do altar - provavelmente emocionado e orando aos prantos - o Sr. Link foi abatido pela gigantesca pedra da mesa de culto que caiu sobre ele. Seu corpo padeceu ali mesmo, naquele que seria seu derradeiro ato de fé na vida carnal. Ao morrer na casa do seu senhor, Gunther talvez estivesse sinalizando simbolicamente o destino de sua alma.

Não sei como são as igrejas na Áustria, se há zelador, se trancam as portas ou se são ao menos vigiadas. Mas essa em específico parece que não. Gunther foi encontrado por fieis somente no dia seguinte, por ocasião dos preparativos para a missa. Qual não terá sido o choque das pessoas que, adentrando ao templo, encontraram aquele homem simples e piedoso prensado sob o altar sagrado de oferenda e celebração? Pois assim estava o próprio corpo de Gunther como um auto-sacrifício para a incompreensão de muitos. Descrente e materialista, agora a polícia de Viena está investigando o ininvestigável. Pobres homens esses que tentam compreender o que não é compreendido pelo intelecto, mas tão e somente pela alma daquele que crê.

Vai ter azar assim no inferno, hein Gunther! Ou sorte no paraíso. Quem há de saber?

A propósito, a notícia foi obtida AQUI.

domingo, 30 de agosto de 2009

Da série: placas interessantes

Essa placa espetacular encontra-se na entrada para a balsa Guarujá-Santos.

Só fiquei pensando se não dava para os caras serem mais objetivos.


Depois não querem que a gente fale

Olhe você mesmo a cena de amor apaixonado. Não quero ser o acusador de nada, mas a foto não deixa dúvidas quanto às preferências sexuais dos sãopaulinos. É isso.

sábado, 15 de agosto de 2009

Vendendo o peixe

Sinto uma compulsão absurda por escrever. Sei que escrevo mais bobagem do que coisa útil e por isso há alguns anos eu criei o Sem Sentido.

Só que entre outras coisas sou também um irresponsável profissional de vendas há mais de vinte anos. Acho que a meia-dúzia de acertos e as milhares de erros que já cometi na profissão (o que explica minha pobreza de marré-de-si) podem ser documentados de forma a servir ao menos aos iniciantes na profissão como guia sobre o que não fazer.

Goste ou não, está lançado a partir deste momento o Vendendo o peixe, meu mais novo blog. É destinado aos vendedores e demais interessados no assunto. Em breve estará nas piores livrarias e palestras mais chinfrins de autoajuda (auto-ajuda não tem mais hífen; é isso né?).

ACESSE AQUI E INAUGURE UMA NOVA ETAPA NA SUA VIDA!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Baixo calão no Senado

Noooofa gente! Estou estupefato. A troca de ofensas entre o Tasso e o Canalh(ops) Calheiros foi um horror. Até onde consegui assistir na web, um chamou o outro de dedo-sujo, coronel cangaceiro (e de terceira categoria!) e mais ainda: minoria com complexo de maioria. Esta última expressão chula eu nem sei o que quer dizer. Meu léxico de palavrões é limitado aos tradicionais e mais antigos.

Mas agora vem o pior. Eu não vi, mas quem viu disse que é verdade. Um teria mandado o outro a... como é que vou escrever? Estou constrangido. Bem, lá vai: à M-E-R-D-A. Que coisa horrorosa mandar o outro àquele lugar (merda é um lugar?) que é sinônimo de excremento intestinal. Realmente a nossa política está pela hora da morte. Basta lembrarmos que todos nós, este que escreve e os cinco leitores (sim, descobri mais um), jamais seríamos capazes de proferir em sã consciência coisas tão vilipendiosas e ofensivas.

Agora se alguém aí não cair no conto da hipocrisia e não estiver almejando entrar para a Liga das Senhoras Católicas ou para os Vicentinos, saberá que mandar à merda - se bem que eu ainda não tenho provas desse xingo - não será a pior das excrementações que os nobres parlamentares cometem com o meu, com o seu, com o nosso suado dinheirinho. O critério de decoro parlamentar deles é um bocado distinto dos conceitos da média da população, para quem mandar o colega de trabalho à merda ou quem sabe à puta que o pariu seja até saudável de vez em quando, podendo inclusive evitar AVC's e males cardíacos. Por mim eles que se mandem à merda, às putas que os pariram ou quiçá tomarem nos respectivos orifícios anais, também conhecidos como cus. Pouco importa, uma vez que eles fazem exatamente isso com o dinheiro dos pesados impostos recolhidos da população. Pelo menos de vez em quando eles devolvem a grana sob a forma de espetáculo circense. Circenses sem panis. Essas sim são as ofensas de fato.

Peço desculpas a todas as prostitutas que tomarem conhecimento destes apontamentos. Entendo perfeitamente que elas trabalham honestamente, alugam o que é delas e ganham o pão cotidiano às próprias custas. Com suor dos seus corpos são obrigadas a tolerar clientes dos mais grotescos, muitos com vocação para senadores esbravejantes.

A todas as putas venho manifestar meu desagravo e respeito. Faço questão de reiterar que nenhuma de vocês é mãe daqueles caras do Congresso e do Senado. Tomara.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O poder de cura do riso

Patch Adams já está entre nós. Muito interessante a reportagem e os esclarecimentos dos profissionais entrevistados. Destaque para a psicóloga Andréia Christina de quem eu tenho a honra de ser amigo.

domingo, 26 de julho de 2009

Envelhecer com dignidade

A questão da velhice sempre me intrigou. Me lembro de quando criança pegar nas mãos de uma tia-bisavó e ficar brincando com a sua pele flácida. Não achava beleza nem feiúra. Era apenas uma mistura de carinho e brincadeira de criança. Ao mesmo tempo, seus cabelos branquinhos e presos em coque me transmitiam uma imagem de grandiosidade que eu não sabia explicar. Hoje entendo mais racionalmente como sinais externos da experiência histórica de décadas vividas, a prenunciar a escassez do tempo restante.

Semana passada eu estava com a família em um balneário tirando uns dias de férias. No local, considerável parcela dos hóspedes eram pessoas acima dos sessenta anos, algumas das quais organizadas em excursões. O convívio inevitável nas áreas comuns - como no restaurante - permitiam-me observar trejeitos e comportamentos de vários deles, como em uma pesquisa de campo descompromissada. Os perfis eram dos mais variados e cada um denotava nas entrelinhas as diferentes concepções de vida.

Um dos casais parecia em plena lua de mel. O zelo e o trato mútuos levantavam-me a suspeita de que poderia não ser um casamento de bodas de ouro, mas sim um namoro recente. A história verossímil que construí mentalmente para eles dava conta de que ambos haviam enviuvado há alguns anos e tinham se conhecido em um baile. Com efeito eles dançavam com desenvoltura invejável durante os bailes noturnos no balneário. Tinham simplicidade no vestir, mas de modo esmerado, transmitindo a imagem de pessoas de poucas posses, porém caprichosas consigo. Os cabelos rareando e os rostos marcados pelo tempo nem pareciam ser das mesmas pessoas, que demonstravam gana por tirar o melhor proveito do cotidiano. Acima de tudo um bonito par de namoradinhos, isso eram mesmo.

Já outro casal destacava-se pelo contraste de aparências. Ela, curiosamente andava de bobes na cabeça durante parte do dia, sempre vestida de modo exagerado para o local. Era como se a qualquer momento fosse participar de um evento diplomático ou receber um célebre. O seu companheiro parecia mais velho. Era despojado, mas não menos distinto. Andava sempre bem arrumado e com boas costuras, mesmo que trajado de modo informal. A dona tinha características visíveis de quem passou por cirurgia plástica. Se sua face emprestava-lhe uma década a menos à primeira olhada - o que explicava a aparência de mais jovem que o marido - não resistia à segunda fitada, pois ostentava aqueles olhos repuxados pelo esticamento da pele. Chegava mesmo a ser estranha pelas vestes e aparência um bocado artificializadas. Sua postura era altiva e um tanto pedante, enquanto a de seu marido insinuava a vassalagem de quem ficava com parte bem menor das posses sociais e materiais.

No local haviam outros tantos. Uns solitários, de olhar perdido, e outros que mesmo sem par misturavam-se aos dançantes fazendo a própria festa. Vi também turmas de senhoras desacompanhadas, que ficavam em rodinhas tagarelando, cada qual encenando a seu modo o teatro concreto da velhice. No que será que pensavam quando estavam em silêncio? Fofocando com minha querida reparávamos em um e outro, aqui e acolá, enquanto aproveitávamos para elucubrar sobre como deveríamos viver a nossa terceira idade. De consenso até o momento só temos que o zelo com a aparência não resolve as questões da alma e que envelhecer com saúde, autonomia, dignidade e alegria possa ser o suficiente, apesar de ser um desafio grandioso por si só.

Acabamos elegendo como modelo a simplicidade do primeiro casal - os supostos viúvos - que acima de tudo faziam notar um equilíbrio carinhoso e sadio na relação amorosa. Não vejo com bons olhos o esforço desmedido em cirurgias e tratamentos estéticos, pois mais desfiguram do que configuram. Tentar resgatar forçosamente com bisturis e enxertos, o viço de décadas que já passaram, sempre me soou um pouco doentio.

Generalizando um pouco, minha percepção é que as pessoas que mais se sacrificam e gastam dinheiro pela aparência física curiosamente são as que menos zelam pela espiritualidade. Por espiritualidade, entenda aqui a busca de saberes mais profundos, de transcendência, de completude, de autoconhecimento e de um modo de viver presente e reflexivo. Para mim é como se a ganância cega pelo visual buscasse compensação pela esqualidez e fugacidade da alma desnutrida. Hoje em dia essa busca já não é exclusiva dos mais velhos. Podemos encontrar moças de vinte anos ou até menos entregando-se às clínicas de cirurgia estética, como quem rasteja diante dos ditames comerciais da beleza física a qualquer preço. O desespero pela aparência pode ser apenas uma válvula de escape, paradoxalmente por causa de um vazio interior. Em um mundo marcado pelo consumo não é de se estranhar que a embalagem ganhe mais atenção do que o produto. Mas são escolhas. Cada pessoa faz as suas.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Justa causa

Antes de você praquejar contra mim porque esta espelunca não é atualizada, explico: eu estaaaava gozando férias (infelizmente no pretérito).

Segundo, caso queira ler os melhores microposts do momento, aviso que estou tuitando:


Sem mais para o momento.

Tio Xavier

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Tunak

No clima criativo de modinha indiana que a novela da Globo está suscitando, a Som Livre bem que podia ressuscitar o Tunak. Afinal de contas, ninguém mais sensacional, indiano e dançante do que ele. Acrescente-se "Bizarro".

domingo, 12 de julho de 2009

Festival do quê???

Pamplona, Espanha. Festival de São Firmino. Lá foi o povo lançar mão do seu sadismo e manifestar seu desprezo pelos animais na realização de mais uma competição absurda. Competição é modo de dizer, porque na verdade trata-se de um massacre onde os vencedores são sempre os mesmos: uma multidão covarde de seres humanos. O perdedor - ou melhor dizendo, a vítima fatal - é um pobre animal, que não pediu para participar e sequer entende o que está acontecendo. Aliás nem eu entendo. Gostaria de saber se esse tal Firmino que batiza a festa era também sádico e maltratava animais. Não pesquisei sua vida, mas duvido um bocado. Os homens santos de verdade são marcados principalmente pelo respeito à vida e pela compaixão.

Desesperado com a turba ensandecida o touro tenta apenas fugir e se defender como possível. Talvez instintivamente ele perceba que seus minutos estão contados. Como resultado, na última "festa" desta semana o valente bovino conseguiu o que na minha avaliação foi uma façanha. Ao defender-se bravamente da multidão logrou êxito ao atacar um dos endemoninhados que se divertia com os maus-tratos. Matou o idiota a chifradas perfurando seu pulmão e o pescoço. Querem saber minha opinião? Bem feito! Parabéns para o touro! Pena que o pobre animal, atacado por centenas de dementes não tenha dado conta de mais uma dúzia deles. Claro que depois dessa palhaçada o animal é abatido, sempre da forma mais cruel possível.

Mas nem tudo está perdido. Enquanto o massacre era praticado, um enorme grupo de manifestantes vindos de vários países protestava contra essa aberração. Muitos aproveitaram o verão europeu e desfilaram nus o que, segundo organizadores, era para chamar a atenção. Espero que tenham conseguido o objetivo. Embora esses peladões sejam um tanto bizarros e andar com genitálias expostas não seja a única maneira eficaz de protesto, ao menos estão expondo a si mesmos, ao contrário dos sádicos e cruéis que se divertem expondo ao sofrimento animais inocentes.

Que existam seres humanos idiotas e maus o suficiente para realizar festivais como o de São Firmino, vaquejadas, touradas, rodeios e similares isso já não me espanta, embora eu continue indignado. O que ainda me preocupa mais é que governantes sejam igualmente covardes e sádicos a ponto de continuar a permitir esse tipo de coisa, tendo como pretexto promover o turismo e seja lá o que mais for.

Enquanto nada é feito, continuarei a torcer pelos touros e vibrar quando algum desses pobres bichos conseguir dar o troco devido. Espero também que o idiota que morreu a chifradas acorde em outro mundo, correndo desesperado e nu no meio de uma porção de touros enlouquecidos, em algo como um "festival de São Bovinus". Tomara mesmo.

Foto: Reuters

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Bingo versus o abandono de animais

Anos antes de eu me mudar do bairro de Vila Romana, uma colega de sala - a Marta - avisou na escola que sua cachorrinha sem raça definida havia parido meia-dúzia de filhotes e os doaria assim que desmamassem. Demorou alguns dias para eu convencer meus pais a me deixarem ficar com um. Mas com minha persistência acabaram cedendo. Claro que com aquela lista de condições que se referiam ao zêlo com o animal, incluindo a higiene dele e limpeza da sujeira. Tudo seria a meu cargo, mas eu prometeria qualquer coisa naquela hora, ainda que todos soubéssemos que nem sempre cumpriria.

Como fui o último a confirmar, tive que me resignar com o último deles que era o mais feinho de todos. Era cinzento, de pelagem bagunçada e seu porte indicava que nunca teria uma estatura vistosa. Bingo foi o nome que escolhi.

Os meses foram passando e tal e qual na fábula do pato, o cãozinho feio foi se configurando no mais bonito de toda a ninhada. Como rezava um boato, o suposto pai era um cocker-espanhol que morava na vizinhança. Se for verdade, Bingo herdou suas mais bonitas características que incluiam um farto pêlo dourado, sedoso e esvoaçante. Sua estatura ficou média e a postura garbosa. Como eu nunca fora muito de brincar na rua, Bingo era na prática o meu melhor amigo. Chorava comigo quando eu levava chineladas da minha mãe, fazia papel de monstro nas brincadeiras com meus soldadinhos e miniaturas e me acompanhava em passeios, ocasiões em que me protegia sempre que uma turminha de moleques folgados vinha me importunar.

Depois de quatro anos na Vila Romana, o meu amigo canino chegou a morar conosco em mais duas efêmeras residências no bairro de Vila Maria. Mas eis que chega em casa uma carta muito implorada aos anjos e santos pela minha mãe. A Cohab - Cia Habitacional de São Paulo - ofereceu à minha família um apartamento na Cohab-II, um conjunto imenso no fundão do final, da então última beirada da Zona Leste de São Paulo. O sonho da casa própria iria se concretizar. Mas havia um pequeno problema: em um minúsculo apartamento de dois dormitórios, os cães, além de não terem lugar adequado, eram expressamente proibidos pela arrendatária. Em suma, eu teria que me despedir do meu amigo Bingo, com quem eu convivera em significativa parte das infâncias de ambos.

Por semanas procuramos entre a vasta parentela quem tivesse uma casa com espaço e se dispusesse a adotar um cachorro com seis anos. Bingo era inofensivo, mas a maior das pessoas hesita em arcar com um cão adulto. De conversa em conversa meu pai conseguiu que uma prima, que morava no diametralmente oposto bairro do Jaraguá, ficasse com Bingo. Já o conheciam e aceitaram na família. Avesso às minhas preces para o tempo parar, o destino chegou e trouxe consigo o dia de o levarmos. Um tio que tinha carro nos transportou até a casa da prima. Fomos eu e meu pai, levando Bingo e seus pertences. Eu estava no banco de trás e fiz o trajeto todo abraçado a ele, ensopando-o com o sofrido choro da separação. Não era um cão. Era antes parte de minha vivência, da qual eu me despedia naquele momento. Depois de ambientado na casa da prima, almoçamos e chegou a hora de partirmos. Dói lembrar essa cena e não sei por mais quantos dias ou semanas eu chorei escondido pela saudade do cãozinho a quem eu tinha dado leite, comida, carinho e amizade. Do Bingo eu tinha recebido fidelidade, afeto e companhia infalíveis. Por causa da distância, agravada pela falta de um automóvel e pela condução precária, revi meu amigo por mais poucas vezes depois disso. Até que anos mais tarde soube que ele morrera.

Hoje recordando-me do meu amigo Bingo não me conformo que a Prefeitura de São Paulo tenha que fazer uma campanha de conscientização para que não se abandone animais. Que raio de animal é o bicho-homem para ser capaz de expulsar do convívio familiar um animal domesticado e abandoná-lo indefeso em beiras de estrada, bairros desconhecidos e terrenos baldios? A racionalidade atribuída como exclusiva do homem, antes de ser sua melhor qualidade, talvez seja seu pior defeito. A razão, nesse caso, talvez seja o atributo que permite a um humano contabilizar egoisticamente o que julga oportuno para si, ignorando, entre outras coisas o olhar terno e fiel de um animal de estimação.

Me preocupa conviver com uma comunidade humana tão consumista e pragmática a ponto de um animalzinho de convívio não lhe despertar amor de verdade, com zelo e responsabilidade. Mas esses são os tais humanos e quanto mais os conheço mais me decepciono com eles. Sempre suspeitei que um ser humano que não sinta compaixão por um animal seja igualmente incapaz de senti-la pelo seu semelhante.

Fica aqui meu recado: não abandone nunca seu animal de estimação. Ao menos consiga outro lar para ele. Faça isso por você mesmo. Caso seja incapaz de compreender, lamento muito por você.

Cartaz da campanha contra o abandono de animais.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Depois da santa do vidro...

No RS uma família encontrou o que acha ser o rosto do Michael Jackson na gordura de uma carne assada (foto).

Emílio Rotta/Ag. Free Lancer /Futura Press/Site Terra

Essa imagem, no meu ver, revela ao menos dez coisas:

1) Eles lavam os utensílios de maneira duvidosa. Tem crostas que estão lá desde quando Michael começou a carreira.

2) Essa família não é longeva. Devem morrer de infarte ou AVC em pouco tempo.

3) Pelo mesmo motivo, os manequins da família são todos acima de 46, incluindo a filha de 6 anos.

4) O Gugu no próximo domingo fará uma extensa cobertura do assunto, já que a santa do vidro foi esquecida.

5) Em breve legiões de fãs piedosos farão romaria ao RS para ver o rosto gordurento na fôrma.

6) O milagre só durará o inverno. Na primavera essa nojeira derreterá.

7) Há gente desocupada na família. Quem é que fica olhando gordura em assadeira à caça de imagens?

8) Esse fotógrafo (devidamente creditado) tem um futuro brilhante. Cobertura de assadeira com gordura é sem dúvida um furo de reportagem.

9) Lajeado-RS é um mercado potencial para venda de papel-alumínio. Ninguém por lá sabe forrar uma assadeira.

10) E, por fim, a família em questão tem um baita mau-gosto para decoração: a cortina de bambuzinho, a geladeira bege e o gabinete cor de mogno são lamentáveis. Extreme Makeover neles!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ben

Era 1974. O tio estava no primeiro ano do primário. Magrelo, espevitado e comunicativo, ainda que precocemente, eu estava apaixonado pela Magali. Era uma loirinha de bonitos olhos vivazes, um tanto mais alta que o tio e que aos tenros oito anos, seu corpinho já dava pequenos sinais de seus os hormônios reproduziam-se em velocidade maior do que a média das meninas. Do amor anotado em bilhetes ela tinha prometido um beijo - na boca, claro - o que representava uma transgressão e tanto para a idade e ainda mais para a época.

Sábado à noite, comemoração do aniversário da Magali e óbvio que o menino miúdo de olhos azuis estava lá apaixonado. Festinha na casa da família Império na Vila Romana, bairro simpático e tradicional de Sampa. Na vitrola Philips, o alto-falante situado na tampa vermelha destilava sucessos da época com Elton John, The Chi-Lites e Stevie Wonder entre outros, a maioria concatenados no LP trilha da novela global Uma Rosa Com Amor. Mas na hora das músicas lentas, ocasião em que nos bons tempos se dançava abraçado e com o rosto coladinho, Magali e eu não pensávamos em outra coisa que não fosse dançarmos grudados. A paixãozinha precoce tinha um misto de ingênuo e descoberta. E começa a tal música lenta...
"Ben, the two of us need look no more
We both found what we were looking for
With a friend to call my own
I'll never be alone
And you, my friend will see
You've got a friend in me
(You've got a friend in me)"
A voz que cantava era a de uma criança, ao som de um violão de aço e uma bateria suave, com cadência quase melancólica. Todos sabíamos tratar-se de Michael Jackson. Na época já seria um rapazote, mas os sucessos musicais costumavam durar anos. Ben, na vozinha pueril de Michael, não era uma exceção. Teria durado um bom tempo no topo das paradas de sucesso, de modo que lá estava embalando nosso romance.

A simplicidade dava o tom das coisas nos primórdios dos anos 70. Em um bailinho promovido com uma simples vitrola, sem luzes especiais nem mixers, podia-se esperar que o operador trocasse o disco ou que uma mesma música fosse tocada diversas vezes, repetida ou alternadamente. O grande sucesso daquela noite foi Ben, cuja repetição hoje em dia seria estranha à maioria das pessoas. Após cada uma das execuções de Ben, eu e Magali saíamos sorrateiros e ligeiros para algum lugar escuso aos portões da casa para ensaiar o beijo.

Os corações pequeninos batiam a 150bpm. Os olhinhos brilhavam no escuro. Cada par de mãozinhas se amparava nas do outro suando em bicas. Mas a coragem para inclinar a cabeça não vinha. Acho que a Magali estava mais resolvida com aquilo do que eu. Mas jamais uma dama tomaria a iniciativa. Ela esperava quase cobrando pela aproximação dos meus lábios para o sonhado beijo. E à cada ensaio frustrado, sempre que Michael Jackson voltava a cantar nós corríamos de volta à garagem coberta para dançar e flutuar novamente. Nunca esqueci aquela pele macia nem os longos cabelos dourados no meu rosto me fazendo sonhar. Sonhava que eu já era "grande" e que podíamos sair de mãos dadas, ir ao cinema, ir à lanchonete juntos. Era tudo o que um casalzinho de oito anos conseguia devanear, no auge de um amor puro e ingênuo.

O beijo nunca aconteceu. De ensaio em ensaio, lembro somente da penumbra e da voz fina da Magali dizendo que estava esperando, em meio a um sorriso lindo. A coragem me faltou, mas não a emoção do momento único. A pulsação frenética, o calor das mãos se tocando e os corpinhos magricelos dançando, isso tudo eu nunca esqueci. Assim como se eternizaram nos meus ouvidos os versos na voz de Michael Jackson, que eu nem sabia o que diziam, mas que os bons artistas fazem sentir de forma tão universal que sua poesia e voz atravessam continentes e culturas para tocar os corações apaixonados. Daquele aniversário ficou a doce lembrança da Magali, de quem anos mais tarde eu me despediria ao mudar de bairro para sempre. Mas também e igualmente ficou a delicada voz e o violão de Ben.

Essa é uma das tantas histórias que Michael Jackson nunca soube. Certamente eu e milhões de outras pessoas vivenciamos romances, aventuras e mais tarde noites de glamour dançante ao som estrondoso das discotecas e sob luzes estroboscópicas estonteantes. Por mais três décadas a evolução musical de Michael Jackson, que separou-se e juntou-se com os irmãos algumas vezes, embalaram a vida de tantos jovens sonhadores.

Michael Jackson não nos conheceu, mas certamente sabia de tudo isso. E ontem ao partir depois de uma vida atribulada, às vezes doentia - características quase inerentes à carreira escolhida - o astro pop deixou órfãos duas ou três gerações de fãs. Mas como toda boa obra se eterniza, sua influência musical e coreografias perdurarão por muitos e muitos anos nos mais diversificados artistas.

Vai em paz, Michael. Sua missão terminou e no que diz respeito ao seu trabalho foi pra lá de caprichada. Desculpa pela inevitável fuga de lágrimas e muito obrigado pela presença.

E você, que leu isto até aqui, ligue o som, feche os olhos e apenas ouça.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Looping para não ser atendido

1) Abra uma conta no banco abaixo.

2) Tente falar com o banco pela Superlinha (4004-xxxx). Após propagandas você ouvirá uma gravação dizendo que o serviço está temporariamente indisponível. Nunca informam por quanto tempo. Na verdade o serviço está disponível, mas como a fila de espera excederá o tempo exigido por lei, eles batem a porta na sua cara. Desse modo não são penalizados por demora. Ou seja: demora é infração, mas indisponibilidade não é. Captou? Não? Esquece e vá já para o passo 3.

3) Entre no site do banco. Após fazer o login da sua conta, clique no link de um suposto chat, na plataforma web de sua conta-corrente. Você verá essa linda imagem:


4) Agora você pode teclar sua mensagem pois supostamente há um especialista online pronto para ajudá-lo, afinal está escrito na tela, certo? ERRADO. Ao tentar "enviar" a mensagem você receberá esse alerta:


5) Resignado você dá "OK" e pressiona o botão "SAIR", pois é o único que funcionará. Aí o site lhe dará essa outra singela e polida mensagem:


6) Você então decide ligar na Ouvidoria do banco. No site deles tem um telefone 0800 (oba, grátis!). Uma vez que conseguir ser atendido, o ouvidor lhe solicitará o número de protocolo da reclamação. Assim que você informar que não possui, o ouvidor - que agora se tornará falador - dirá que você tem que ligar na Superlinha para reclamar e obter o número de protocolo.

7) Volte ao passo 2.

A quem serve a ignorância

"A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho". (Lei de Diretrizes e Bases, Artigo 2º)

Educação pública sempre dispensou adjetivos. Não se dizia “educação pública de qualidade” nos anos 60, quando qualidade, antes de predicado, era imperiosa obrigação. Quem precisava de adjetivação era a escola particular, onde estudar custava caro, muito caro. Em alguns casos decorrência da excelência do ensino. Em muitos outros causa direta da salvação que se oferecia aos ineptos da escola pública.


Hoje a escola se transformou num instrumento de apartheid social. Nas últimas décadas do século passado o direito à educação e à saúde ficou diretamente proporcional à renda das famílias, num período em que a carga tributária no país só fez aumentar. Enquanto pagávamos, a cada ano, mais e mais impostos, recebíamos de volta cada vez menos e menos direitos, bens e serviços...


O que incomoda, ao lado da derrocada da educação no país, é o discurso falacioso de políticos e gestores públicos. Quer sejam prefeitos ou governadores, todos falam em melhora acentuada dos índices educacionais quando se trata de avaliar suas próprias gestões. Festejar números e estatísticas, para políticos em geral, é o mesmo que comemorar o resgate da excelência do ensino público.


Não há meias palavras nesse universo. O único indicador cabível para medir a qualidade do ensino está em garantir que a escola pública funcione como espaço democrático de conhecimento e de socialização. Escola verdadeiramente pública é aquela que é freqüentada por todos - filhos de autoridades e de empresários, de deputados e profissionais liberais, de cantores e intelectuais -, e não somente por pobres e remediados. A escola que separa crianças pelo critério da renda jamais funcionará como local de expansão do conhecimento e de disseminação da esperança.


Enquanto não conseguirmos diferenciar educação de mercadoria, a escola pública será sempre ruim. Afinal, esta é a maneira mais eficiente de tornar a educação uma mercadoria supervalorizada... Essa lógica perversa interessa à maioria dos políticos, que se perpetuam graças à ignorância da maioria.


(Texto de Alexandre Pelegi, publicado nesta data em www.primeiroprograma.com.br)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

No submarines

Alguns banheiros são verdadeiras galerias de arte. Aparentemente para coibir a permanência de algumas obras, a direção de uma empresa que é cliente do tio afixou esse sublime e carinhoso aviso, conforme foto abaixo.

Singeleza é tudo.