terça-feira, 2 de maio de 2006

Meus colegas de trabalho

É manhã e estou em minha mesa localizando meus afazeres e determinando as prioridades. Leio os e-mails, reporto os spams e imprimo o extrato bancário. Mais um dia que começa na minha rotina profissional.

A Renilde*, assessora de imprensa, me cumprimenta de forma empolgada. Deve ter saído com o namorado na véspera. Karl*, diretor de criação, nem tanto. Parece um pouco abatido. Flanders*, engenheira química, comenta algo sobre o noticiário do dia anterior. Digo a ela que não assisti e nem estava sabendo do tal atentado. Jorge me avisa que um determinado pagamento não foi feito, mas será feito impreterivelmente naquele dia. Luchesi*, o advogado, está um pouco nervoso com uma audiência que terá à tarde. Teresa me pergunta se tenho algum orçamento para passar para ela. Durante todo o dia esses e outros colegas me abordam, entre um trabalho e outro, para comentar um fato, tirar uma dúvida ou perguntar sobre alguém ausente. Um pouco mais tarde, o diretor de arte talvez com pouco trabalho e já com o humor melhor, parece estar com a caixa de piadas renovada. Ao contrário, o advogado está preocupado e mal responde minhas perguntas.

Isso tudo representaria um ambiente absolutamente normal em qualquer empresa. Exceto pelo fato de que Karl e Teresa estão em diferentes cidades de MG, Flanders no RJ, Jorge é meu cliente e está no interior de SP, Luchesi no RS e Renilde - a mais próxima - está em Sampa como eu, mas a 14Km de meu escritório. Estou fisicamente sozinho em minha sala. Todo o pessoal que me cumprimentou, contou piadas, mágoas, me ajudou com orçamentos e enfim me fizeram companhia está próximo de mim virtualmente mediante um comunicador instantâneo na internet. Sinal dos tempos. Antes da internet isso seria impensável. A mesma internet que me permite despachar instantaneamente trabalho para empresas parceiras, trocar orçamentos, fechar negócios rapidamente e redespachar o pedido para representadas, que me permite fazer tantas coisas sozinho, acaba sendo em parte culpada por eu trabalhar praticamente sozinho.

Bom ou mau? Não sei. Mas é a realidade dos tempos modernos. Colegas de trabalho virtuais. Feliz é o Sívio Santos que está sempre perto das colegas de trabalho.

* Os nomes assinalados são pseudônimos a pedidos. Parece que os patrões deles não sabem que ficam papeando no msn o dia todo.

O petróleo é nosso e o gás é deles

Tudo bem. Você não tem dinheiro nem tecnologia para explorar determinado recurso energético. Aí eu vou na sua casa, faço um acordo de cooperação e co-fornecimento e entro com a caríssima tralha toda. E tudo vai bem.

Então você acorda uma manhã e - acostumado com a visão da tralha funcionando - deixa-se por um momento devanear e acha que a tralha é sua, já que está no seu quintal. E sobe com seus cabos eleitorais na minha tralha pra fazer bravata, dizendo que a festa acabou.

Sei que diplomacia internacional não se resolve assim. Mas haveria uma possibilidade de que eu fosse até minha tralha, retirasse meus amigos e pusesse fogo naquela merda (até parece que custou déirreal). Queria ver quanto tempo você agüentaria. Será que eu estou louco ou tem gente mais sem noção do que eu nesse mundo? Que raio de titica há na cabeça de um sujeito que preside um país do tamanho de nossa Minas Gerais, enclaveado pelo Chile e por um pedaço do Perú ficando sem acesso ao Pacífico, para achar de uma hora para outra que o acordo dantes não vale mais?

Posso estar total e obtusamente errado. Mas lembre: é minha grana e sua grana que estão lá. E, para quem não sabe, o fornecimento de gás de um número considerável de empresas brasileiras está comprometido. Os ramais do tal gasoduto são extensos e complexos aqui no Brasil. Tem empresas envolvidas, gente trabalhando na manutenção, outros abrindo novos ramais e por aí vai.

Sei não, mas acho que umas boas porradas nesse bravateiro não seriam de todo mal. Me dá um caça F-alguma-coisa, que eu convenço ele rapidinho na segunda manobra. Ah, com o piloto por favor, porque não sei nem onde liga.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Redecoração de pobre

Todos sabem que pobre não redecora nada. Até porque na verdade ele nunca decorou, então não teria como fazê-lo novamente. Continuando o post ante-anterior (existe isso?), eu resolvi que meu escritório precisava de uma mudança radical. Como eu sabia que não havia mais que cem reais disponíveis na conta do banco, parti para a tradicional redecoração de pobre. Pé-rapado, melhor dizendo. Porque atualmente pobre vai às lojas do Sr. Samuel redecorar em 31646540 prestações de déirreal. Como não há equivalente das Casas Bahia em móveis para escritório, decidi remanejar o que já existia.

A primeira questão que a empreitada me apresentou foi: puta que pariu!!! Por que com tanta tecnologia ainda existe tanto fio e cabo entre computadores e periféricos? Pra não desencorajar o negócio é ir puxando os conectores na louca mesmo, porque se ficar analisando muito ou querer identificar as tralhas, desiste da ginástica antes do alongamento. E foi desse jeito que fiz. Foi um tal de teclado e mouse caindo no chão, devido à minha exímia organização para esses feitos. Mas nenhum dano. Depois, arrastar uma estante de chapa fina com 1.560Kg de livros não me pareceu uma boa idéia. Inclusive pelo fato de eu ameaçar e ela ter ficado parecendo uma letra H em fonte itálico assim que tentei puxá-la. Tive mesmo que esvaziá-la. E tocar a colocar os livros em cima de qualquer outra coisa próxima.

O maior problema da mudança de pobre é exatamente esse tira-põe-tira-repõe. Se eu fosse rico, chamava meu amigo Bizarro para arquitetar o ambiente de meu trabalho como um todo. Mas enquanto isso não ocorre... sabe que o layout ficou até legal? Pelo menos mais funcional e, segundo as regras do feng-shui, me parece que está mais coerente. Não fico de costas para a porta, tenho uma vista perspectiva da sala. Só minha mini-tv-rádio ficou meio longe e, como não tem controle remoto operá-la me exigirá braços elásticos. Depois dou um jeito nisso.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Ai, ai meu Deus! O que foi que aconteceu?

Prezado leitor (se é que há algum além de mim):

Ou virei um velho chato mesmo, ou sou exigente demais, ou a música popular brasileira está na pindaíba. Antes de mais nada, faço questão de ressaltar: a Ana Carolina é uma das cantoras da atualidade que mais gosto. Não só gosto como ensino minha filha mais nova a gostar. A ponto de ela, com quatro anos mal feitos, cantar "Encostar na tua" inteirinha e me pedir para tocar o cd diariamente no trajeto de volta pra casa.

Mas raios! Será que esse pote de açúcar derretido, repetitivo e meloso aí abaixo pode-se chamar de boa música?

"Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar"

segunda-feira, 24 de abril de 2006

A vida precisa de mudanças

Um dia desses, sintonizado em uma rádio FM esotérica daqui de Sampa (na verdade de Jundiaí, mas com transmissor ilegalmente instalado na Paulista), ouvi de um dos mestres esotéricos uma mensagem significativa: "Nossa vida precisa de mudanças constantes para mantermos o quociente criativo em atividade" - dizia ele. Eu sabia que isso haveria de provocar uma reviravolta na minha vida, cedo ou tarde. Afinal, os palestristas de auto-ajuda nunca se enganam. Sobretudo se for um esotérico, místico e sobrenatural.

Eis que hoje eu cheguei ao meu velho escritório. Uma bagunça como sempre. Minha darling estava junto. Tinha vindo para me dar uma ajudinha nos afazeres administrativos. Olhou pela enésima vez para a enorme sala de 2,5m x 2,7m e reclamou agaaain - como diria Forrest Gump - que nunca gostou do layout do meu escritório. Não direi que a frase caiu como uma bomba sobre mim, porque seria exagero. Primeiro pela recorrência. Segundo porque meu escritório foi montado totalmente de improviso, na época em que saí do estado de home-office há alguns anos, em prol de uma sala comercial. E como todo bom improviso, ficou assim mesmo.

O que "fez a diferença" (olha outro chavão da auto-ajuda) foi a lembrança da frase do mestre-esotérico, no instante em que a darling reclamou. Foi uma conjunção de sinais, que convergiu para a minha percepção da real necessidade de mudanças (eita, to ouvindo demais a Mundial). Eu precisava mudar o jeito do meu escritório. Isso era fato.

To be continued... Coming soon...

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Abaixo as segundas-feiras

Puxa, será que existe coisa mais ruim do que
acordar para trabalhar na segunda-feira?
E depois de feriado então? E com o tempinho nublado?

terça-feira, 11 de abril de 2006

domingo, 9 de abril de 2006

Bandas de Formatura (Baile de formatura II - O retorno)

Um chegado muito querido me alfinetou quando eu postei anteriormente sobre baile de formatura. Dizia ele: "Não há ser humano que encare um baile de formatura depois dos trinta anos..." e completou com outra hilária frase, das típicas dele. De fato eu concordei. Inclusive com o comentário subjacente. Mas sou um ser sociável. Eu jamais declinaria do convite pessoal da Deza - uma formandinha do ensino médio de dezessete aninhos - muito querida de minha família. Então fomos. Eu e a minha darling. Foi ontem à noite.

O comentário de hoje é sobre bandas de formatura. Como tenho quase quarenta anos curti dezenas de formaturas na década de 80. Foi uma época de explosão de bandas de formatura, que se celebrizavam no meio dos freqüentadores. Aqui em Sampa City eram bem conhecidas bandas como "Edinho Show & Santa Cruz", "Santa Maria", "Super Som T.A." (esta era das mais célebres e de cachê mais alto), "Pirâmide", "Champagne", "Dimensão 5" e tantas outras. Alguns traços em comum ligavam essas bandas. O principal deles era a altíssima qualidade vocal e instrumental. Mas entre os outros tantos, quero reivindicar aqui um como que perdido no tempo: a finalidade da banda.

As bandas tinham como objetivo principal animar os bailes para as pessoas dançarem. Simples, não? Mas com o tempo, não sei se foi a concorrência, a megalomania, o estrelismo ou todos estes juntos que fizeram com que as bandas de formatura tomassem a si próprias como finalidade. Se tornaram "bandas-show" e incluíram em suas apresentações novos elementos como malabarismos, danças, coreografias, figurinos, acrobacias, pirotecnia e, mais recentemente, a multimídia. Pouco a pouco um estrelismo de fato foi tomando conta dos artistas, em detrimento daquela simples e agradável finalidade inicial. As pessoas que iam às formaturas foram se metamorfoseando de dançarinos a espectadores. A obtenção de uma mesa em lugar privilegiado para o show substituiu o simples ato de ir para chacoalhar o esqueleto e extravasar ao som dos variados ritmos de rock´n roll, dance music e mesmo canções para dançar coladinho "cheek-to-cheek", que por sinal nem são mais executadas. Isso para não entrar (de novo) no mérito do mau-gosto musical, sincronizado ao das rádios FM e das gravadoras, que vendem lixo aos baldes, como axé, funk-de-morro e outras escrotices pseudo-musicais sem sentido.

Sinal dos tempos ou não, essa mudança contribui para que os bailes de formatura percam mais um bocado do seu glamour e magia. Aquele momento de "tirar a menina bonita para dançar" foi ocupado pelo pula-pula-sai-do-chão-bota-as-mãozinhas-pra-cima. As deliciosas rodadas de Gren Miller e Ray Conniff foram descartadas em prol de pagodinhos e forró "universitário" (se é que precisa de curso superior para tocar aquilo). Uma pena.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Leis sobre sexo ao redor do mundo

Verdades ou mentiras eu recebi isto pelo e-mail hoje.

* No Líbano, os homens podem legalmente ter relações sexuais com animais, mas têm que ser fêmeas. Relações sexuais com machos são puníveis com a morte. (Sem comentários)

* No Bahrain, um médico pode legalmente examinar a genitália feminina, mas ele é proibido de olhar diretamente para ela durante o exame. Ele pode apenas olhar através de um espelho. (A mão pode, olhar não!)

* Os muçulmanos não podem olhar os genitais de um cadáver. Isto também se aplica aos funcionários das funerárias. Os órgãos sexuais do defunto devem estar sempre cobertos por um tijolo ou por um pedaço de madeira. (Putz, um tijolo?)

*A penalidade para a masturbação na Indonésia é a decapitação. (Qual cabeça?)

* Há homens em Guam cujo emprego em tempo integral é viajar pelo país e deflorar virgens, que os pagam pelo privilégio de ter sexo pela primeira vez. Razão: Pelas leis locais, é proibido virgens se casarem. (Poderá existir emprego melhor?)

* Em Hong Kong, uma mulher traída pode legalmente matar seu marido adúltero, mas deve fazê-lo apenas com suas mãos. Em contrapartida, a mulher adúltera pode ser morta de qualquer outra maneira pelo marido. (Talvez com chifradas... Não consegui esquecer de Guam...)

* A lei em Liverpool autoriza vendedoras a ficarem de topless, mas somente em lojas de peixes tropicais. (Será que o exame admissional é o teste do lápis? E em Guam, qual será o exame de seleção?)

* Em Cali, na Colômbia, uma mulher só pode ter relações com seu marido, quando na primeira vez que isso ocorrer sua mãe estiver no quarto para testemunhar o ato. (Haverá coisa mais broxante? Como faço para mandar currículo para Guam?)

* Em Santa Cruz, na Bolívia, é ilegal um homem ter relações com uma mulher e a filha dela ao mesmo tempo. (Revezando pode? O emprego em Guam ainda é remunerado!)

* Em Maryland preservativos podem ser vendidos em máquinas de auto-serviço somente em lugares onde são vendidas bebidas alcoólicas para consumo no local. (O preservativo também tem que usar no balcão?)

Em tempo: ACHO QUE DESCOBRI ONDE FICA O GUAM! OLHE AS FOTOS! To indo para a agência de turismo agora.

domingo, 2 de abril de 2006

Bem que podia ser mentira de 1º de abril

Sexta-feira como nunca, os paulistas e paulistanos se depararam com nefastas lembranças em cores tão vivas. Na prefeitura da capital e no governo estadual assume simultaneamente o mofado PFL. Olha que nunca elegemos nenhum executivo dessa legenda. Mas as alianças porcas e renúncias com fins eleitoreiros reservam surpresas, não tão surpreendentes quanto desagradáveis.

No estado, com a saída presidencialista do Alckmin, o governador passa a ser o vice Cláudio Lembo. Lembo foi secretário de governador "biônico", em gestões dos anos de chumbo. Para quem estudou História não é preciso dizer nada. Na prefeitura paulistana sai o Serra pra se candidatar a governador e fica o malufista de carteirinha Gilberto Kassab. Este coleciona histórico de cargos como o de secretário de finanças de Celso Pitta, famoso pelas denúncias na emissão de precatórios e pelo caso "frangogate". No caso deste basta ter alguns jornais velhos em casa para saber do que se trata.

Enfim o remake de um filme... mas deveras reprisado. Há de ser criada uma lei que obrigue cumprimento de mandato.

Nota zero pro shopping Aricanduva

Dias atrás eu elogiava o Sesc Santana pela brilhante preocupação com pais e mães singles acompanhados de filhos pequenos do sexo oposto.

Pois bem, sexta-feira passada fui ao Aricanduva pagar umas continhas e tomar um lanche com minha filhota. Eu nunca havia ido lá com a pequena sem minha esposa. Eis que a menina me pede o tradicional "xixi, pai". Fui obviamente ao fraldário, onde também obviamente haveria um banheiro infantil, certo? Errado, apesar de óbvio! A funcionária do fraldário bem que tentou me explicar que não havia o sanitário infantil, mas o descaso não tem explicação.

No dito shopping que não é pequeno e passou por uma colossal expansão há uns dois anos NINGUÉM PENSOU EM SANITÁRIO INFANTIL? Ainda bem que em Sampa há outra dezena de shoppings. Algum deles deve ter esse "luxo" disponível. Algum há de ter.

terça-feira, 28 de março de 2006

segunda-feira, 27 de março de 2006

Sobra mês ou falta grana?

A última semana do mês me exige decisões salomônicas. São cortes em despesas de todo tipo e ordem. O pior é que nunca resolvem e há despesas "incortáveis". Ainda bem que aboli alguns remendos esdrúxulos como cartão de crédito e cheque especial que só empurram o problema adiante com taxas pornográficas. Se não tenho grana, não compro.

Mas eu tenho a solução: Vou propor um projeto de lei que reduzirá os meses em uma semana. São Gregório não previu que a verba de sobrevivência - independente de chamar salário, pró-labore, aposentadoria, ou seja o que for - nunca seria suficiente para cumprir o mês. Minha solução é totalmente viável. E não precisará aumentar os salários. Pense nisso!

quinta-feira, 23 de março de 2006

Técnicos e técnico

Poucos dias após o episódio do ténico de alarmes, tive a felicidade de receber um telefonema. Era o bom e velho Dimas, com o preço do conserto do meu CD player. Dimas é da velha guarda da Eletrônica. Do tempo em que comprávamos e sabíamos interpretar diagramas esquemáticos. Na rua Santa Ifigênia - espécie de padroeira paulistana da eletrônica - havia uma loja especializada em diagramas. Nós, os técnicos dessa geração, testávamos minuciosamente os resistores, capacitores, transistores e diodos, antes de decidirmos pela dessoldagem e troca de um desses componentes em placas de circuito onde havia dezenas ou até centenas deles.

Hoje, os ténicos trocadores de módulos são pródigos na condenação de todo um subconjunto. É comum ouvirmos dos ténicos frases como "A práca (sic) do áudio tá ruim viu, dotô? Tem que trocar a praquinha toda". E lá se vai uma boa leva de reais com a injusta condenação de um conjunto enorme, às vezes por causa de um mísero diodo, que custa menos de um real na "Santa". Os ténicos de hoje não sabem sequer testar um componente, ou dizer quantos μF (microfarath) possui um determinado capacitor nem quantos Ω (Ohms) tem um resistor. Códigos de cores? Aqueles risquinhos que têm nos resistores? Os ténicos trocadores de pracas sequer sabem que aquilo é um código. Pensam ser uma decoração coloridinha. Pobres ténicos que só trocam praquinhas e pobres de seus clientes.

Dimas me avisou que trocou um transistor que estava "bichado". Um desses componentes minúsculos vendidos por um real ou menos. Pela ressurreição do meu CD player, que sequer ligava, Dimas me cobrará "exorbitantes" trinta reais. É dessa forma que ele sustenta dignamente sua família há quarenta anos, mantendo uma portinha aberta para sua oficina a oitocentos metros de sua casa. O mundo será mais feliz enquanto existirem técnicos como Dimas.

terça-feira, 21 de março de 2006

Expectativas distintas

Conversa que presenciei esses dias. Meu amigo entra em uma loja de instalação onde estava escrito bem grande "Especializada em Alarmes".

Amigo: Bom dia! O meu carro chegou a zerar a bateria e me parece que desprogramou o alarme. Não funciona mais. Vocês reativam?
Ténico: Que marca é?
Amigo: Schlebtstron®.
Ténico: Você tem o manual dele?
Amigo: Não.
Ténico: Então, você precisa conseguir um manual pra nóis (sic) e traz impresso pra gente ver.
Amigo: Ahn...
Ténico: Você sabe onde está escondido o botão reset?
Amigo: Também não. Existe um?
Ténico: Sempre tem. Descobre onde fica e anota prá gente.
Amigo: Ahn, tá.
Ténico: Acha o manual na internet e imprime. Aí podemos fazer o serviço.
Amigo: Legal. Obrigado.

Fomos embora. Meu amigo não tinha percebido o ridículo da situação. Aparentava já estar navegando mentalmente na internet à cata do tal manual. Foi então que eu o questionei:
- Meu, o cara quer que VOCÊ obtenha o manual de COMO fazer, leve para ele impresso e indique o local exato do tal botão reset, para que ele cutuque com a chave de fenda e lhe cobre o serviço?
- É mesmo. Será que devo procurar outra oficina?

Meu amigo ainda está aprendendo a usar o cérebro, com minha ajuda. Pena que o cérebro não tenha manual disponível nem na internet. Eu até imprimiria um para ele.

Em tempo: "Ténico" é um cara que seria Técnico... se não lhe faltasse o "c" de competência.

domingo, 19 de março de 2006

DJ sofre

Sábado retrasado eu protagonizei de DJ em uma festinha fechada, no salão da casa de minha irmã. Apenas para famílias de amigos, com seus respectivos filhos, crianças, aborrecentes ou jovens. Era sobretudo um baile de flashback dançante, considerando a média de idade do meu círculo de amizades, que é acima de 35 anos. Não escrevi isto antes por falta de razões. Depois, por conta de uns ocorridos bestas nos dias que sucederam, achei que o Sem Sentido seria um bom lugar para o recado.

Tecnófilo e preguiçoso de plantão, rolei o baile usando meu PC. Conectei-o a um mixer e este a dois amplificadores. É bem mais prático montar playlists com antecedência, deixar as mixagens pré-programadas e ficar monitorando, do que espalhar dezenas de vinis como já fiz no passado. Agora são intervenções mínimas, só mesmo quando percebo que ninguém vai agüentar a versão de doze minutos de You make me feel com Silvester ou quando percebo que alguma música não está sendo suficiente para chacoalhar os esqueletos quarentões. E tome MP3! Tecnologia é para isso, ainda que esta opinião provoque náuseas em algum ortodoxo da seita dos Vinilistas do 7º Dia.

Quando sou chamado para fazer algo, assumo a empreitada e não aprecio co-pilotos e palpiteiros. Penso que discotecagem - ou emepetrêsagem no caso presente - seja uma espécie de trabalho artístico e não possa ficar à mercê de pitacos pentelhos. Deve ser por isso que nos bailes e danceterias o DJ costuma ficar em um aquário, inacessível aos freqüentadores. Como minha modesta estrutura ficava acessível aos mortais, tive que aturar candidatos a produtor musical de todas as idades. Coisa mais chata é passar horas antes montando a programação e depois ficar ouvindo: "toca isto, toca aquilo". Nessas horas, aproveito-me dos decibéis do som para simular surdez.

Como amante da Discoteca e da clássica Black Music dos anos 80, o que mais me surpreende hoje é a falta de senso crítico com a podridão musical que a mídia vende atualmente. Ouvir pedidos para tocar lixos de baile funk de morro me provoca diarréia. Grande parte das pessoas repetem estupidamente os cacófatos de baixo nível. Tem um que usa uma marca de fogão e sugere que fornecer a saída do reto é extremamente benéfico. Tudo indica que mundo está no fim. O próximo som a tocar será a sexta trombeta, prenunciando a ceifa da terça parte dos homens (Ap 9, 13-15).

O pior é ver as pessoas fornecerem essas pérolas musicais de baixíssimo calão aos filhos e netos da mais tenra idade. O que terá acontecido? Será que as trilhas sonoras do Castelo-Rá-Tim-Bum e do Sítio do Picapau Amarelo perderam o encanto? Essas novas religiões musicais desprovidas de arranjo instrumental, de poesia e de melodia, provocam uma tal distorção cerebral, que ao verem seus pedidos rejeitados ou ouvirem meus sarcasmos a respeito, seus adeptos se transformam em potenciais membros da Al Qaeda. No semblante deles é visível que só não mandam a mesa de som e o salão pelos ares por falta de cintos-bomba. Há que ser feito um estudo sério se os tais "batidões" não seriam mecanismos de abertura e bloqueio de portais mentais, para neutralizar a inteligência e o senso-crítico dos ouvintes. Muito embora na década de 80 não era assim com Afrika Bambataa & The Soul Sonic Force, um tremendo batidão.

Por favor: se você é daqueles que ficam pentelhando o DJ ou a banda ao vivo com seus pedidos, faça um esforço autocrítico antes de dirigir-se aos mesmos. Salvo se os protagonistas do vexame sonoro pocotista forem os próprios DJs ou a banda. Nesses casos, pedir para mudar o repertório passará a ser dever cívico, pela campanha de Despocotização do Brasil. A propósito desta, clique aqui. Fui.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Coisas boas em uma sexta-feira

1) Minha darling passou por aqui antes de ir para o trabalho e trouxe meu carrinho popular. Não encontrarei a véia.
2) O Schlebts Bank devolveu os débitos indevidos (só quero ver a CPMF no extrato de segunda).
3) Vou fechar o barraco aqui e nadar um pouco.
4) Depois buscarei minha darling no trampo.

A véia e o bilhete único

Não sou o que chamam de buon vivant porque me falta grana. Mas gosto de ir para o trabalho confortavelmente em meu carrinho popular, porém com ar-condicionado e som de boa qualidade, que são coisas básicas. Pois hoje decidi-me por um desafio olímpico: deixei o carro em casa e vim para o escritório de metrô e ônibus. É tão rápido quanto o carro para mim, ainda mais sendo sexta-feira, dia em que todos os nós-cegos tiram das garagens suas jabiracas caindo aos pedaços e entopem as vias com fumaça e sucatas em pane. Eles deixam Sampa City insuportável, digna de Michael Douglas em "Um dia de fúria". Só não rola a mosquinha na nuca porque fico com os vidros fechados e o geladinho ligado.

No metrô encontrei uma vizinha, de modo que fizemos o rápido trajeto de vinte minutos papagueando. E sempre tem uma ou outra senhorita de agradar os olhos nas proximidades. Por essas, a viagem não tem nada de torturante.

A comédia ficou para depois, no mini-ônibus - sucessor da antiga lotação - que resolveu pifar a cinco pontos de onde eu desceria. Impaciente de primeira, fui o pioneiro a liderar o movimento de desembarque, seguido dos vinte passageiros. Logo atrás veio outro da linha e parou para o embarque dos náufragos. Todos já estávamos com o "bilhete único" em mãos. Para quem não é de Sampa, bilhete único é um cartão inteligente, que nos permite tomar até quatro ônibus no intervalo de duas horas, pagando somente a primeira passagem deixando as outras três "de grátis".

Mas tinha que ter uma senhora de idade avançada e desprovida de atributos intelectuais básicos, ou seja: uma velha burra. Ao embarcar no veículo que nos resgatou, ela resolveu arranjar confusão com o motorista:
- Eu não vou pagar de novo!
- Não vai pagar senhora. É só passar o cartão, que já está integrado.
- Não vem não. Meu cartão eu não passo. Passa o seu!
- Não posso senhora. Se eu passar o meu, aí eu pago. O da senhora não vai debitar porque já foi passado no outro carro.
- O outro carro quebrou por culpa de vocês. Eu não tenho nada com isso.
- Mas... -
Não me contive e, aproveitando o anonimato no carro cheio, mandei uma palavra-de-ordem:
- Deixa essa véia fora e vamo embora!

O motorista, sem saber como resolver o imbróglio, condicionou que ela viajaria no carro se fosse sentada no motor, sem passar a catraca. E não é que ela topou de bate-pronto? Lá foi ela com a bunda no motor, pedante e satisfeita, como quem conquistasse uma primeira classe na American Airlines. Ela perceberia o ridículo, se não lhe faltassem conexões neurais.

Ê povinho bunda! Isto é Sampa. Adoro este lugar!

quarta-feira, 15 de março de 2006

Vestiário da família: O mundo está ficando melhor

Mais uma vez volto ao Sem Sentido para elogiar um dos melhores serviços populares de lazer que conheço: o Sesc (se não for O melhor). Particularmente porque o Sesc Santana possui "vestiário familiar". Isso dispensa os pais e mães circunstancialmente sozinhos de terem que trocar os pequenos em vestiários do sexo oposto. Meus pobremas se acabaram-se!

Como nem tudo no mundo são flores, no Sesc Santana o recinto é minúsculo e impossibilita a permanência simultânea de mais de um adulto e seu filho(a). Talvez a idéia seja essa. Os armários são proporcionais, sugerindo que seja bom usar dois. Já me deparei com o familiar sendo usado por uma jovem senhora com seu rebento e tive que aguardá-los terminar, antes de adentrar com minha cria. Isso parece sugerir a sua futura subdivisão em "Familiar Paterno" e "Familiar Materno". Voltando ao tamanho, mesmo que não se tenha que disputá-lo no mesmo instante com outro pai ou mãe, o cubículo é cruelzinho. Penso que não tenha mais de um metro de largura. Mas a cortesia e atendimento exímio dos funcionários quase compensam o problema dimensional. Quase. Meio metrinho mais largo já ajudava.

Felizmente os conceitos de "familiar" e "infantil" está chegando aos banheiros de shoppings e hipermercados aqui em Sampa City. Há pouco mais de dez anos, quando eu saía sozinho com a filha mais velha, tinha que contar unicamente com a solicitude de senhoras e senhoritas para levá-la ao banheiro. Isso me rendeu alguns bons contatos, eu reconheço. Mas quase sempre era constrangedor.

Registro aqui meus parabéns pela preocupação do Sesc. Politicamente corretíssima.

terça-feira, 14 de março de 2006

Supermercado IV: A conspiração

- Alô, é do banco Schlebts?
- Sim, pois não senhor?
- É o seguinte: no domingo ao final da tarde eu tentei fazer o pagamento de uma pequena compra, em um supermercado. Fizeram três tentativas de passar meu cartão, que resultaram na mensagem: Sem comunicação e desisti da compra. Porém constatei no meu extrato que o débito foi efetuado sim e três vezes no mesmo valor da compra da qual desisti.
- Péra (sic) que talvez o senhor tenha que "estar contatando" o estabelecimento.

Nesse momento o bocal do telefone da atendente é mal tampado e ouço ao fundo:
- Fulana! Tem outro cara (sic) aqui falando que tentou fazer um débito no domingo... e blá, blá, blá. - No modo offline, virei simplesmente um "cara". Isso porque tenho conta nessa mesma agência há alguns anos. Não consegui ouvir o que a outra pessoa respondeu, mas eis que o bocal é destampado:
- Senhor - não era mais "cara" - Ocorreram vários outros casos iguais ao do senhor no domingo. O que a gente "tá orientando" é para aguardar três ou quatro dias que os valores vão "estar sendo" estornados - eta gerundês mardito - .
- Não é melhor que eu mande uma carta para o banco?
- Não precisa. Mas é bom o senhor "estar acompanhando" os lançamentos no extrato.

No creo en la teoría de la conspiración. Más que hay, hay.

domingo, 12 de março de 2006

Supermercado III: O império contra-ataca

Por razões que não vem ao caso, ao fim da tarde eu estava nas proximidades da Praça Panamericana. Encorajei-me novamente para comprar os víveres essenciais, a fim de que minha família não morresse de inanição nos próximos cinco dias. Dirigi-me a um supermercado localizado na dita praça. Apanhei o que precisava e passei as mercadorias no caixa.

A operadora deste era ligeira e sua simpatia limitava-se ao trivial. Merecia o quadrinho de "Destaque do Mês" em comparação com a tiazinha do mercado anterior. Eis que entrego meu cartão de débito e, no momento devido, digito minha senha. Então a saga recomeçou:

- Senhor, não processou, por favor digite a senha novamente? - diz a moça do caixa, que atendo prontamente, pois finalmente eu ia conseguir fazer minhas minúsculas compras. Mas ela alerta de novo:

- Olha senhor, não está conectando ao banco, se importa de tentarmos no balcão central? - claro que eu não me importava, desde que saísse dali com minhas compras em no máximo sessenta segundos. Detalhe técnico raro: eu tinha em saldo na conta cerca de trinta vezes o valor da ridícula compra.

À nova tentativa sem sucesso, a "chefe" do balcão central perguntou qual era o banco em questão e informou que durante o dia todo, justamente o dito, estava sem comunicação. Só se for com aquele mercado porque cinqüenta minutos antes, eu havia pago um restaurante com o mesmo cartão. Então me perguntaram se eu não tinha outra forma de pagamento. Respondi que sim, desde que fosse cheque. Tive a impressão de desapontamento delas e, antes de mais delongas, perguntei com meu sorriso irônico nº16-B:

- Vocês não esperam que eu atravesse a Panamericana e vá ao caixa eletrônico retirar o dinheiro né?

- Senhor, seria a única maneira no momento. É que desde hoje cedo, a comunicação com o seu banco...

Virei as costas e fui embora sem nada dizer. Não era um bom dia para fazer minhas compras, se é que há algum.

Supermercado II: O retorno

Eu ainda insisto em não resignar-me à mercearia da esquina. E olhe bem que ela pratica quase os mesmos preços do supermercado e tem tudo o que preciso para que minha família não morra de fome. Jamais conseguirei consumir os 16.000 itens do supermercado. Normalmente preciso semanalmente de dez ou quinze víveres. Mas sou teimoso e sem memória, porque esta manhã fui com minha esposa e a filha caçula no Carrefour Pêssego. Eu não me lembrava porque fazia tanto tempo que não íamos lá. Costumo dar refresh na memória e esquecer coisas ruins. No caso da loja em questão é o serviço como um todo que é uma merda. Sempre foi, desde a inauguração. Lembrei tardiamente.

Depois de apanhar a dúzia e meia de coisas absolutamente necessárias mais duas ou três bobagens, vi o de sempre: apenas um terço dos caixas em operação e filas absurdas. Decido por uma que me pareceu com menos carrinhos e menos diversidade dentro destes. Logo, andaria mais rápido, certo? Errado! A tiazinha que operava o caixa parecia um cruzamento de comadre tagarela com lesma. Passava vagarosamente cada produto no leitor e olhava o preço no monitor, fazendo algum comentário desnecessário. Não bastando, ainda colocava gentilmente o item dentro da sacola plástica. Saco, se o supermercado quisesse prestar este serviço não contrataria um empacotador? Mas não ficou só nisso: após passar a compra, a cliente que devia estar muitíssimo preocupada com a fila e com o almoço do dia - era uma hora da tarde - resolveu perguntar para a comadre operadora sobre uma merda de promoção de sorteio. Eu também nada sei sobre isso e quero que se danem todas as empresas participantes. Só que a solícita tia do caixa desandou a explicar e exemplificar didaticamente mostrando o cartaz de divulgação. Céus, existe um raio de um posto de troca dentro do estabelecimento exatamente para isso. Mas eu mereço!

Após a minuciosa explicação de quinze minutos surgiu algum problema que demandava o patinador. Patinadores são alieníginas assistidos pelos programas de proteção da MIB e são colocados em supermercados para resolver qualquer problema: desde cartão que não lê até estorno de mercadorias, unha encravada e trazer a pessoa amada de volta. O E.T. pegou o cupom fiscal, mais alguma coisa da mão da tia do caixa e desapareceu em segundos, para nunca mais aparecer durante os eternos cinco minutos que agüentei ver a cena insólita. Tempo suficiente para eu decidir abandonar aquela merda de carrinho de compras e ir embora. Afinal me disponho a pagar em dinheiro por tudo o que compro, mas não com a eternidade do tempo de minha vida.

Vão todos para o inferno: o Carrefour, a tia do caixa, a cliente que ajuda na enrolação e a promoção da bola vermelha.

Em tempo: A foto do link, sequer é da loja em referência. Até para atualizar sites os caras do Carrefour são navalhas.

sexta-feira, 10 de março de 2006

Sampa é uma cidade única

Búfalos caminham calmamente de madrugada, na altura do nº 6500 da Estrada do M´Boi Mirim, periferia sul de Sampa. Só aqui mesmo. Preciso urgente achar um vereador para apresentar um projeto de renomeação para: Estrada do M´Búfalo Mirim.

Afinal de contas os vereadores não fazem lá muito mais do que gastarem nosso dinheiro na renomeação de logradouros públicos, sempre que alguém morre. Isso porque felizmente há uma lei que proíbe atribuir nomes de pessoas vivas. Senão...

Olha que belezinha de churrasco que eles dão.

segunda-feira, 6 de março de 2006

Enfermeiras

Neste domingo trabalhei em um troço que jamais imaginei. Ministrei prova de um concurso público. Obviamente, me fazer sair do conforto do lar em pleno domingo antes de o sol aparecer, foi unicamente motivado pelo ganho de um dinheirinho extra. Mas é muito legal fazer coisas diferentes na vida. Essa maratona de ontem foi cansativa mas divertida. E rendeu um trocado a mais para mim e para minha querida.

O concurso era para Enfermagem. Logo na recepção dos candidatos notei o óbvio: a maioria esmagadora de mulheres para o cargo. A ponto de não justificar gramaticalmente a predominância do gênero masculino nos adjetivos. Então, deste ponto em diante, burlarei a Gramática e me referirei Às candidatAs no feminino mesmo. Afinal de contas, em uma sala com total de sessenta, apenas três eram nascidos do sexo masculino.

Agora, com todo devido respeito à profissão, me espanta o IMED (índice de mulheres esteticamente desfavorecidas) nessa categoria. Não entendo. Será a beleza um quesito desclassificatório nos cursos de Enfermagem? Será possível que, durante os trotes no início do curso, as bonitas sejam pressionadas a trancar matrícula pelas veteranas feias? Lembrei-me imediatamente do baile de formatura que narrei uns posts atrás. Onde estarão as causas dessa concentração tão desagradável aos olhos?

Para você ter uma idéia, pense primeiro que não sou jamais um sujeito impiedoso com a estética feminina. Muito pelo contrário. Eu diria até que minha "faixa de tolerância" é generosa e que tenho olhos para belezas e charmes femininos, imperceptíveis aos desatentos. Mesmo assim, minha avaliação no quesito beleza - que não contava no concurso - foi que caso eu venha encontrar essas candidatas futuramente empregadas em um hospital, das sessenta:
Apenas UMA, eu farei absoluta questão que me atenda se eu encontrá-la em um hospital. Um desbunde! Sabe essas que todo homem fantasia que não esteja usando nada por baixo do jaleco e se atire em cima dele, bem na sala de atendimento? Pois é. Essa. Esperarei na fila com hemorragia, para ser atendido por ela.
Outras DUAS me farão muito agrado, se eu vier a ser cuidado por uma delas futuramente. Bonitas, de mãos delicadas e charmosas.
Mas CINQÜENTA E CINCO me farão correr para o hospital mais próximo mesmo com fratura exposta e rompimento do menisco. Horrorosas! O que é isso, gente?
Os três caras, espero que nem passem no concurso, pois não me parece boa a imagem de um macho engessando minha perna ou me aplicando injeção.

Ainda vou descobrir o que acontece com a população desse curso, quanto aos atributos estéticos. Mulherada feia!

Ratos - II: O terror

Tive a infeliz oportunidade de conversar com um amigo ligado ao setor de zoonozes de uma das subprefeituras de Sampa. Ele riu da minha estatítistica. Disse que se falava em 4 a 5 ratos por habitante há 20 anos. Os números da zoonozes hoje apontam para 8 a 9 ratos por habitante paulistano. Isso quer dizer que, tirando o que matei no sábado, há algo entre 31 a 35 companheiros dele sondando minha casa. Fico imaginando minha casa afundar na imensidão de galerias subterrâneas que eles devem estar cavando neste exato momento.

Existem lança-chamas à venda? Vou dar uma olhada no Mercado Livre...

O qui enporta é u rezutadu

sábado, 4 de março de 2006

Ele mora ao seu lado

Estima-se que a população de roedores de pequeno porte - sim, os RATOS - chegue a cinco para cada habitante humano, aqui em Sampa City. Isso mesmo! Se você mora em uma casa com cônjuge e dois filhos, sua família tem direito inalienável a vinte unidades dessas criaturas.

Isso me remete aos primórdios da vida profissional de Walt Disney. Munido de calhamaços de desenhos em papel, o jovem Disney era recebido com desprezo e ironia pelos editores. Uma das frases mais marcantes do frustrado início de carreira foi: "De onde você tirou a idéia de que alguém comprará uma história de um rato nojento?" O jovem artista não se deixou abater, como o império Disney atesta.

Preciso fazer uma confissão pública: fui eu quem proferiu essa frase! Foi em uma encarnação anterior. Trago duas coisas dessa passagem: a pobreza da família, por não ter comprado aquelas merdas de quadrinhos dele, e a ojeriza que tenho dessas criaturas, tenham o nome que tiverem: Mickey, Jerry, Fievel, Ligeirinho, sejam eles ramsters ou camundongos. São todos escrotos, nojentos, empesteados, atrevidos, ladrões, invasores, feios, bobos e cabeças-de-melão. Odeio-os a tal ponto de estender meu ódio aos coelhos, capivaras, esquilos e a qualquer outro animal classificável como roedor. Vão roer às putas que os pariram!

Todo esse ódio não é falta de meditação nem incompreensão com os desígnios da Mãe Natureza. É o ódio prático de quem acaba de lutar até a morte contra um desses invasores, dentro dos domínios do próprio lar. Foi esta manhã. Minha querida mulher voltou ao quarto com olhos arregalados, voz trêmula e praticamente sem circulação sangüínea. Disse ter encontrado vestígios de um deles em nossa cozinha. E olha que ela permanece fechada quase 23h30min por dia. Mas sabe-se que esses hediondos seres não precisam mais do que uma fração de segundo, para passarem por baixo de nossas pernas sem serem notados.

Após decidir que nesta casa não há lugar para convívio entre nós e ele, despachei minha mulher para o trabalho e meu enteado a paradeiro ignorado. Fechei a porta entre a cozinha e a sala. Comecei o desmonte meticuloso e investigativo de um Holmes. Após quase esvaziar o pequeno buffet que acumula funções de suporte de aquário e despensa, começo a avistar algo com aparência de cauda. Fecho a porta de acesso ao quintal. O armagedon seria entre ele e eu, sem testemunhas. Cogitei pegar meu revólver para a batalha final, mas não o fiz temendo desperdiçar quinze reais de munição e deixar minha cozinha com aspecto de um camembert, atraindo mais ratos. Pratiquei minha vocação percussionista até que ele resolveu sair do móvel. Tardiamente ele descobriu que além de levar jeito para o Timbalada eu tenho tino de samurai. Com uma vassoura sou capaz de abater um paquiderme com um único golpe no meio dos olhos. Quanto mais a um mísero roedor.

Agora ele é apenas um corpo desfalecido com o destino a meu cargo. Penso em pendurá-lo pelo rabo no muro do quintal, para servir de exemplo aos outros dezenove que imagino circundarem minha casa. Boa idéia! É isso mesmo que vou fazer. Com licença, que vou pegar minha caixa de ferramentas...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Olha a escola de samba aí, geeeente!

Muito que bem. Estamos em pleno Carnaval. Na rua onde trabalho o furdunço de caminhões da Prefeitura montando palco, iluminação, som e da CET invertendo mãos de ruas, tudo já está a todo vapor. Só faltam mesmo os integrantes da escola de samba do bairro - a grande estrela do desfile local - com seu enredo. Na verdade nem sei o tema do enredo dela. Sinceramente mesmo não sei o tema do enredo de nenhuma outra. Mas arrisco: será cheio de "eô-eô" e "laiá-laiá", com paradinhas da bateria e será repetido 5.783 vezes até que o trajeto se cumpra. Mas o povo gosta. Em prol da minha filhotinha caçula que está a conhecer o mundo é possível que eu dê uma passada aqui no bairro amanhã para ver. Desfiles com alegorias são bonitos.

A única coisa que me irrita é a tosca mentalidade do populacho - e nestes incluo alguns dirigentes de empresa - que reza que "o ano só começa depois do Carnaval". São inúmeras as bobagens que ouço no decorrer de meu trabalho. Desculpas para postergar e procrastinar brotam como tiririca após a chuva. Mas como dependo de vendas e por conseguinte de disposição dos clientes para realizar projetos, com freqüência eu tenho vontade de injetar cálcio nas veias de alguns. Uma ocasião liguei para uma cliente que já manifestara-se interessada em uma determinada tecnologia que represento. Era início de um novembro. O diálogo assim foi:

- Olá Drª Schlebts, pensei em ir aí amanhã iniciar os testes de homologação dos equipamentos.
- Ahn... eu acho que vou dar andamento nesse projeto só depois do Carnaval.
- Mas esse projeto é importante para sua empresa?
- Sim, claro que é.
- Drª Schlebts, você acha mesmo que terá ganhos quando o projeto for implementado?
- Claro que sim! Precisamos muito disso. A desorganização aqui está nos matando.
- Hum... Sua empresa tem algum trabalho, produto ou atividade, ligados ao Carnaval?
- Não.
- Então qual a razão exata desse adiamento para "depois do Carnaval"?
- Ahn... É... Ah... (seguem-se intermináveis cinqüenta segundos de silêncio)
(desliguei o telefone)

Outro caso semelhante aconteceu antes das eleições de 2002. Era julho e a sucessão presidencial estava tomando feições. Ligo para o cliente:

- Então, caro Bzqficz gostaria de agendar as apresentações para seus usuários avaliarem meu produto.
- Não sei não, rapaz... Acho que nós vamos dar uma parada com esse projeto por ora.
- Por que? Aconteceu algo?
- Não exatamente. São essas eleições. Nós decidimos ver como vão ficar, antes de darmos andamento nesse projeto. Está tudo muito incerto.
- Entendo. Aproveitando que vocês andaram discutindo o assunto a sério, me diz uma coisa: o que vocês farão se o barbudo se eleger?
- Ainda não sabemos.
- Certo... E se o careca ganhar, qual será a estratégia da sua empresa?
- Não pensamos ainda.
- Vocês estão investindo dinheiro em algum dos candidatos?
- Não.
- Então tá. Quando devo telefonar-lhe novamente?
- Depois das eleições.
- ?
******
Nota: Ambos os clientes não fizeram absolutamente nada de concreto a respeito até agora, de acordo com informações fidedignas que possuo. Procrastinação é uma espécie de religião levada muito a sério.
****

U2 Vs.2.1: O retorno de Bonuvóques® - Director´s Cut

Reclamaram muito dos óculos do post anterior. Recebi alguns xingos no Orkut também. Disseram que bandidos roubaram do túmulo da Aracy de Almeida e eu os comprei na feira do rolo por deixxxx pauxxxx. Por isso providenciei outros, azuis como os usados no show e menores.

sábado, 18 de fevereiro de 2006

Supermercado

Dentre as provações periódicas inerentes ao casamento, ir ao supermercado é a maior. O homem que resiste na manutenção do casamento, não obstante a essa obrigação, é um herói de verdade. Acabo de chegar do meu calvário. E tento entender algumas coisas desse maravilhoso universo supermercadista.

Ainda no estacionamento, notei um hit parade nos carrinhos indo embora. Havia um desinfeliz com centenas de garrafas pets de um mesmo refrigerante, indicando ser a grande oferta do dia. Só não imagino o que esse sujeito fará com o estoque adquirido, suficiente para quinze anos de consumo na família dele.

Nos caixas, alguns estão descarregando o carrinho de forma propositadamente lerda. É para que outra pessoa da família tenha tempo de continuar a trazer os itens faltantes. Ora, se não terminaram as compras e vão demorar mais do que o normal para passá-las, que vantagem levam em já terem ido para o caixa?

Nos vãos das gôndolas lá estão potinhos de iogurte, embalagens de chocolate e saquinhos de salgadinhos. Todos vazios e consumidos. Os mentecaptos que comem e abandonam as embalagens, pensam que quem está pagando pelo produto? Não percebem que essas perdas são adicionadas no custeio dos outros produtos, inclusive os que ele está comprando?

Em frente do açougue há uma fila de quarenta e seis pessoas. Cada um dos clientes se demora diante do açougueiro, analisando a mercadoria com o detalhismo de um legista. Pede para o açougueiro trazer trinta e sete pedaços diferentes, até decidir qual será o almoço de amanhã. No fim, manda pesar um quilinho e meio de um determinado pedaço. Para que isso, se nas gôndolas refrigeradas há abundantes bandejas de carne, já cortadas, pesadas, embaladas e precificadas? Será que o boi do açougue é diferente do boi da gôndola?

Observo um carrinho cheio, estacionado em algum lugar do mercado, esperando o(a) dono(a) voltar. Dentro abundam chocolates, salgadinhos, doces, refrigerantes, cervejas e salsichas. Imagino que o peso da pessoa é cerca de 150Kg. Lá vem ela. Errei! Pesa quase 200. E bem que podia ter vestido outra coisa, que não aquela calça de malha agarrada e camiseta curta. Não tinha o tradicional "capô de fusca". Era capô de Scania. E carregava dezoito estepes na cintura.

Na seção de música lá estava aquela gaiola enorme recheada de cd´s, ostentando uma placa que dizia R$4,99. Tento adivinhar o conteúdo: O melhor de Cauby Peixoto... Músicas clássicas de todos os tempos e O melhor da Jovem Guarda. Vou ser adivinho assim lá na pqp! Na próxima semana tentarei adivinhar as dezenas da Mega .

Passo no meio de um corredor e dou de cara com uma enorme pilha de um produto, fora de contexto e de marca desconhecida. Na placa está escrito Aproveite! Apenas R$ xxxx. Passo direto e vou à seção do produto. Lá encontro uma marca renomada com preço 30% inferior. Então a placa "Aproveite" era para o dono do supermercado aproveitar. Aproveitar-se dos trouxas.

Supermercados. Bah!®

Nem eu

Duzentos reais para se espremer na multidão? Ficar acampado na calçada? Depois que inventaram a TV de tela plana, o DVD e o Surround 5.1? Definitivamente não.

Sorry, people! Hoje tem Phill Colins na minha sala.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Nossos covers de mendigo

Início das aulas nas faculdades e universidades. Passo de carro pelas ruas próximas às instituições e revejo a manjada cena: estudantes de felizes que estão, por ingressarem no ensino superior, esmolando entre os carros. É o trote. O dinheiro da féria, quase que invariavelmente vai para financiar a cerveja dos "veteranos". No ano seguinte o "bixo" deste ano já será veterano. Então reproduzirá a brincadeira idiota com os novatos, com o mesmo afinco.

Mais do que a brincadeira, resolvo observar a reação dos motoristas. Obviamente há os que recebem os estudantes com cara de mau humor, que é o meu caso, pois detesto essas palhaçadas. Mas há uma parcela grande, se é que não posso dizer a maioria, que procura por moedas no cinzeiro e dá uma singela ajuda para a bebedeira, que é descaradamente anunciada no pedido de esmola. Esse é o ponto-chave que tento refletir. Por que os motoristas são tão receptivos com esses covers de mendigo, enquanto fecham o vidro na cara dos mendigos verdadeiros?

É simples: identidade. Os covers são cheirosinhos, as meninas são gostosinhas, têm ares de mulher desabrochando, bochechas rosadas e cabelos sedosos. Os rapazes exibem dentes bonitos e feições alegres. Ambos se vestem com roupas e tênis bonitos. Então, eles se parecem com nossos filhos, nossos irmãos... se parecem conosco! Os mendigos reais não. Eles fedem, são maltrapilhos, feios, piolhentos, pulguentos e mijados. Para a menina que bateu na janela do carro ao meu lado, o motorista prontamente abriu o vidro e cedeu umas moedas, roçando a mão na mão dela, de forma pausada e safada, enquanto pareceu pronunciar um gracejo. Para os mendigos fedidos, quando eventualmente damos algum trocado é porque não tivemos tempo hábil de fechar o vidro e precisamos nos livrar deles rápido. Ao dar a esmola a estes, fazemos o dinheiro "pingar" nas mãos deles, para que não haja nenhum contágio, principalmente com sua miséria. Não estou defendendo o ato de dar esmola ou não, para quem quer que seja. Isso é pessoal, tanto no que se refere aos covers de mendigo, quanto aos seus originais.

Mas é fato que a solidariedade é seletiva. O nojo e a repulsa também.

Em tempo: Na falta de outra, a foto postada é de um "trote solidário". Consta no jornal que os alunos dessa coletaram dinheiro e doaram à famílias carentes. Somente nesse dia. Nos demais as famílias continuaram carentes e os estudantes foram para o bar.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

A explicação da imagem

Para quem não reconheceu a imagem do post anterior, trata-se do Capitão América, em fase decadente. A customização da imagem foi feita pelo meu caro amigo Carlos Romero, às pressas e a meu pedido. Explico.

Estava eu um dia desses a caminhar após o almoço, nas proximidades do meu escritório. Em uma das travessas, havia meia-dúzia de moleques brincando de alguma coisa que envolvia raios, disparos e golpes de espada. No arsenal distribuído entre eles pude ver uma pistola espacial, uma espada de plástico e uma tampa plástica grande, que devia ser de um tambor para lixo. O garoto que usava a tampa como escudo a certa altura lançou a tampa girando em direção a um dos "inimigos". Fiquei admirado e não me contive:
- Legal, garoto! Você é o Capitão América?
- Capitão o quê, tio?
- América... aquele do escudo...

Diante do olhar de interrogação do menino que ao invés de um "tiozinho" parecia ver um E.T., saí da cena sem nada mais dizer.

Meus heróis da infância estão esclerosados em um asilo custeado pelo FPELJ - Fundo de Pensão da Extinta Liga da Justiça.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Ausência

Para os milhares fãs deste blog (conheço apenas duas pessoas que o lêem além de mim) peço desculpas pela ausência prolongada. Um pouco é falta de assunto. Outro tanto é porque no único dia em que fui postar, durante a semana passada, meu servidor achou por bem reiniciar sem me avisar. Ele é temperamental.

Depois eu explico a imagem acima.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

O Itaú foi feito pra você

Sabe aquelas maquininhas de auto-serviço, que transformaram todos os cidadãos comuns e correntistas em potenciais caixas do banco, só que sem salário, sem FGTS, sem férias remuneradas, sem 13º e sem etecétera? Acredita que elas são incapazes de auto-detectar falta de papel para comprovantes antes de iniciarmos as operações que os exigem?

Ontem tive o infortúnio de escolher uma máquina sem papel. Ela foi ligeirinha para engolir meu depósito, mas só "lembrou" que não tinha papel depois. Olha que coisa! Agora saiba que sempre que isso acontecer, você terá que procurar um funcionário do Itaú. Depois de quarenta minutos de idas-e-vindas e de perguntas idiotas, ele lhe fornecerá essa beleza de recibo que você vê acima. Em tempo: há pouco olhei meu saldo e meu cheque ainda não fora compensado. Onde estará ele agora?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Aniversário de São Paulo

" ... Fogos, bolo gigante, shows e cursos marcam aniversário de São Paulo..." (Folha de São Paulo). Enquanto isso estou em casa blogando, orkutando, papeando no msn e assistindo ao seriadinho do Will Smith. Fico feliz pelo aniversário da cidade que tanto amo. Mas jamais tirarei o meu traseiro da almofada para ir aos eventos.

Existe coisa mais esdrúxula do que o tal bolo do bairro do Bexiga? Ele cresce um metro a cada ano e está com 452m. A educação dos visitantes decresce em proporções geométricas. Há décadas que assisto nos noticiários a mesma cena grotesca do populacho avançando sobre o bolo como hienas famintas. Poderia até ser uma festa bonita, não fosse o papel ridículo a que se presta a população pocotó.

Faço aqui uma lista de eventos culturais e festivos de hoje em Sampa. Se você também não foi e não faz a menor questão de ir, nem hoje nem em 2.007, bem-vindo ao clube do saco-cheio. Vamos aos eventos:

Caminhada pela Praça da Sé com o prefeito Motosserra e o governador Alckmin:
Pelo passeio o governador poderia mudar o nome para Walk-Min. Programa de índio. Mim não ir. Será que lavaram a praça antes para tirar o cheiro de mijo?

Ato cívico no Pátio do Colégio:
Se você também não foi, ótimo.Vá ao Pátio do Colégio em qualquer tarde, no meio da semana. Lá tem uma cafeteria muito legalzinha, com atendimento idem. Mas o museu bem que poderia ser gratuito.

Missa solene na Catedral da Sé:
Gozado, o governador não é judeu? Juro que já o vi de kippá ou estou enlouquecendo. Eu não vou porque não sou católico mesmo.

Bolo no Bexiga:
Já mencionado no caput deste post. Este ano o bolo foi atacado antes do sinal de "largada". Eca!

Apresentação de grupos folclóricos no Parque Ibirapuera:
Ah sim, gente com roupas coloridas batucando e cantandos coisas ininteligíveis. Prefiro a sorveteria que fica ao fundo da marquise.

Torre do Banespa:
Distribuição de kits para colorir, maquiagem artística para as crianças e cartões-postais. Inclui uma apresentação da Escola de Samba Pérola Negra. Detesto escola de samba. E mais: se a gerente da minha conta me encontrasse viria com a ladainha de sempre por causa do meu saldo negativo.... Nãnãnã...

Parque da Juventude:
Para quem não sabe é o antigo presídio do Carandirú. Haverá show gratuito com Oswaldinho do Acordeon e Maria Alcina. Pelo Oswaldinho eu até iria, se tivesse certeza de que a Alcina desse W.O.. "Alô alô, responde" ninguém merece. Chamem o Dr. Dráuzio Varella que é mais familiarizado com o local.

Sesc: Demônios da Garôa no Itaquera e Ira! no Interlagos. Os tiozinhos até que são bons para se ouvir. Mas aviso: o repertório é o mesmo de sempre. Eles bem que podiam cantar algo novo. O Adoniran devia baixar em algum médium e dar uma forcinha prá eles. Mas, ouvir o Nazi do Ira com seu eterno "Feliz aniversário, envelheço na cidade..." pela enésima vez, ninguém merece. No Ipiranga, Duofel, Luiz Bueno e Fernando Melo sobem ao palco ao lado de Alzira Espídola e Alice Ruiz. Desconheço todos e por isso não vou. Então, tecnicamente estará sobrando um lugar para algum interessado.

Putz, o Will Smith é engraçado paca! Adoro ele.

domingo, 22 de janeiro de 2006

Domingo tranqüilo

Ontem enfrentei outra muvuca daquela de sábado passado. Se você tiver uma filha de 4 anos e recursos limitados para o lazer (traduza-se como falta de grana) entenderá. Felizmente o IMM - índice médio de muvuca - estava dentro do tolerável. Existe a possibilidade de que meu inconsciente esteja adaptando meu consciente, para que eu não atinja a loucura e saia atirando a esmo no meio da multidão. Não importa.

Mas hoje é domingo. Dentro dos meus preceitos de guardar o domingo, não pus os pés nem na garagem da minha casa. Fiquei resguardado e circunscrito à área interna de meu pequeno sobrado. Quero paz. Ainda que a paz inclua assistir ao Raul Gil, já que não tenho TV por assinatura.

Fiquem em paz, meus filhos! Ommmmmmmmm...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Me deixa quieto!

Na hora do almoço, minha filhotinha de 4 anos passou aqui no escritório com minha mulher. A pequena olha para os meus pés e manda essa:

- Ê pai!!! Esse sapato é feio pro trabalho!

Pô, a mosca da formalidade contamina até crianças do jardim da infância? Ah, vai te catar, menina!

Pés sobre a mesa, camiseta e sapatilha

Ontem em meu escritório fui "flagrado" - entre aspas mesmo - em uma das práticas de postura que mais aprecio. Eu estava com a cadeira reclinada para trás e com os pés sobre a mesa. Duas jovens senhoras apareceram à minha porta, procurando pelo advogado que ocupa a sala da frente. Em uma fração de segundo, a velha alma de empregado me assolou e quase que retomei a postura formal. Felizmente, atento ao que estava fazendo e dos porquês, mantive-me quase imóvel, enquanto gesticulei para que as visitantes aguardassem até eu terminar meu telefonema. Depois, avisei o vizinho pelo celular e pedi que elas aguardassem-no na empresa ao lado, que pertence a um sócio dele.

Tenho razões de sobra para pôr os pés sobre a minha mesa. Primeiro porque a mesa e a empresa são minhas. Segundo, porque melhora a circulação sangüínea. Terceiro, porque quando estou tratando de algum assunto complexo pelo telefone, preciso tirar os olhos do monitor e as mãos do teclado, ávido que sou por fazer 3.658 coisas ao mesmo tempo. Ficarei somente nesses três motivos até porque não devo satisfações.

Apesar do fardo de incertezas - brinde da vida profissional independente - há algumas coisas que fazem tudo isso valer à pena. Claro que entre elas está a sempre iminente probabilidade de "arrebentar a boca do balão" e fazer aquele dinheiro extraordinário. Pena que isso não acontece todos os meses. Mas de outro lado estão a confortável responsabilidade de ser senhor do próprio tempo e de escolher a vestimenta do dia, entre outras coisas. Em matéria de indumentária, sou um camaleão: vou do terno azul-marinho, com gravata idem e camisa branca até o confortável jeans com camiseta numa boa. Para tudo há uma ocasião, mesmo no trabalho. Eis que hoje cedo, enquanto eu tomava banho, decidi que iria com calça de sarja. Na hora de escolher a camisa e o sapato, radicalizei: corri ao "departamento de camisetas" de meu guarda-roupas vesti uma e calcei levíssimas sapatilhas estilo mocassim. Mais informal, impossível. Só se eu estivesse de regata, bermuda e sandálias. Hoje não, talvez outro dia.

Por favor, não me chamem para reuniões de negócio de última hora hoje, ok?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Que calor é esse?

Acabo de chegar do centrão velho de Sampa. Meu escritório onde estou agora fica a uns 6Km de lá. Estou derretendo. Sinto que a cada passo que dei na rua, um pedaço de mim foi caindo pelo chão. Olhar os termômetros nas ruas aumentava a sensação horrível. Um deles, na Marginal Tietê apontava 34°C e eu acredito piamente nele.

Será que o "Grande Barba" não conseguiria antecipar o mês de junho prá gente? Detesto o calor. Desculpem-me os muvuqueiros de praia, mas meu DNA deve ser nórdico: quero frio e uma vodka agora!

sábado, 14 de janeiro de 2006

Meu dia de muvuca

É sábado, nove e meia da matina. Uma buzina toca à minha porta e vejo minha irmã e família. Nem tiveram a sensibilidade de trazer pãozinho fresco. Abro a porta contrariado e me chamam para ir ao SESC de Itaquera (xi...). A vontade era nula. Amo trancar meu portão na sexta à noite e reabrí-lo somente na segunda de manhã. Pena que é raro eu conseguir. Mas minha querida tinha ido trabalhar e o enteado ia sair. Ficaríamos só eu e a caçula. Por que não fazer esse agrado pra minha filhota, que resignava-se a brincar sozinha na piscina inflável? Penso, repenso e depois de uma hora decido ir.

Percalços à parte - tive que buscar as carteirinhas no trabalho de minha mulher - chego ao paraíso do lazer popular. Era quase meio-dia e à essa hora, vaga para o carro transformara-se em artigo de luxo, apesar das quase mil e quinhentas existentes. Começo a pensar que o preço do combustível precisa dobrar e o IPVA triplicar. Mas não é hora de perder a paciência. Pelo celular localizo a mana que está em uma das lanchonetes com os filhos. Lanchinho leve tomado e vamos ao farto parque aquático.

O SESC é um dos exemplos de que serviços desportivos, lazer, cultura, saúde e entretenimento podem ser feitos sem precisar de verbas bilhonárias. Se não me trai a memória a entidade se mantém com uma fração de percentual do recolhimento do INSS do comércio e a aplica muito bem. Tudo, incluindo conservação e limpeza, é primoroso. Um pobre diabo como eu consegue passar um dia em um clube de dimensões colossais e serviços diversificados, pagando míseros seis reais para entrar, já incluso o estacionamento. Devido à acessibilidade social, a segunda façanha do SESC se dá na transgressão da Física pela Engenharia. Torna possível comportar duas dezenas e meia de exemplares da crasse trabaiadora em cada metro quadrado das piscinas, que não são poucas nem pequenas.

É uma pena que a carência de lazer popular nas cidades torne o SESC a única opção para muitos. Nesse ritmo, jamais haverá tamanho e quantidade de clubes que comportem os usuários. Isso condena o ambiente ao limiar do suportável nos fins-de-semana. Um verdadeiro festival de proletários ávidos pela justa diversão. Muvuca mesmo. É a materialização do Panis et Circences: tudo de bom para manter o povão contente. Afinal quase todos terão que dar o melhor de sua mais-valia na semana seguinte.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Marabús II: A vingança

Não consegui despachar a muamba ontem. Minha querida amiga de Valinhos mandará um motoboy, essa adorável espécie do mundo animal motorizado.

Ontem meu amigo japa Takeshita veio aqui no escritório. Olhou a caixa no chão cheia de marabús e óculos coloridos. Ainda não consegui explicar para ele que não participo de raves de dragqueens, porque ele não parava de rir. Acontece que ele também me parece normal e nunca viu um casório com os tais adereços. Acho que minha amiga e a vendedora marabuzeira estão de sacanagem comigo. Ou estou no Show de Truman.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

O dia em que conheci o marabú

- Então, Má... é tipo um rabo-de-gato mas é feito com penas tingidas. Acho que chama malibu, maracatu, alguma coisa assim. Cinqüenta também. Não esquece o resto. De lá você me liga, tá? Beijo, tchau! - E desligou o telefone.

Essa era Ana, uma parceira de negócios e amiga muito querida do interior de São Paulo me pedindo para ir à rua 25 de março procurar um troço que eu desconhecia. Ela disse que ia ser madrinha de casamento em São José do Rio Preto e resolveu patrocinar enfeites para convidados. Eu ainda achava isso prá lá de estranho.

Eis que eu desço a Ladeira da Constituição no centro de Sampa e vejo algo parecido com o estranho objeto narrado. Uma tripa plumosa com cerca de 1 metro, tingido com alguma cor berrante. Entro na loja e a vendedora:
- Ah, isso aqui é marabu. É prá casamento né? Sai muito, o pessoal compra direto. Quantos você precisa?
- Cinqüenta. E cinqüenta óculos coloridos variados.
- Tenho também. E chapéus? Olha tenho um estilo malandro que a turma gosta.
- Não me pediram chapéus. Mas me pediram aquelas pulseiras que acendem, tipo neon.
- Tá aqui. Olha que lindas. Este estojo tem cem peças.

Eu não resisto e pergunto:
- Escuta: é verdade mesmo que o povo distribui isso para os convidados em festas de casamento? Fala sério.
- Claro! Não acredito que você nunca foi em um. E olha, tem isto aqui também que usa assim... isto aqui... isto - a mulher ia me desfilando um arsenal de acessórios e eu continuo a duvidar que sejam usados em algum outro lugar, que não em bailes de Carnaval.
- Olha, tem um brinde pro noivo e um prá noiva. Uma cartola prá ele e uma estola prá ela.
Estola era algo mais ou menos parecido com o tal marabú, só que bem mais cheio e maior. Traduzindo: horroroso em proporções mais escandalosas. Comprei as tralhas e liguei para minha amiga, que me pede pra despachar tudo e urgente. O casamento é sábado.

Já fui em umas três dezenas de casamentos, em São Paulo e no interior. Confesso que nunca me deparei com a distribuição daquele mau-gosto para os convidados. Nem consigo me imaginar usando óculos coloridos, pulseiras luminosas, tampouco com a nova aquisição de meu conhecimento geral: o marabú. Mas estou certo de uma coisa. De hoje em diante, quando eu for a algum um casamento, primeiro passarei em frente do salão bem devagar com os vidros do carro fechados. Se eu notar o menor vestígio dos lindos adereços sendo distribuídos para os convidados, engatarei a segunda e voarei para uma tranqüila pizzaria, onde esperarei encontrar gente normal.

Agora sou um homem com medo de marabús. Coisa mais horrorosa!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

Morte Ao Emprego Público

Não é que nunca passou pela minha cabeça ser um funcionário público de carreira. Ninguém em sã consciência rejeitaria aposentadoria integral, estabilidade, imunidade e um caminhão de benefício$. Mas a "cultura funcional pública" esta sim é de lascar. Vem carregada com as banhas do sedentarismo dos sujeitos que trabalham em repartições, que colocam os óculos na ponta do nariz para examinar seus documentos e fazem pomp and circunstance ritualístico para bater um simples carimbo no formulário do pobre contribuinte.

O caso que passei hoje foi um pouco pior. Tarde quente, centro da cidade lotado e lá estava eu com o boleto da suada prestação de minha casa em mãos junto com uma dúzia de cédulas de cinqüenta reais. Totalmente disposto e feliz por pagar algo que só será meu em definitivo quando eu estiver no asilo dos velhinhos. Eis que entro na agência da CEF da Rua Boa Vista, ao lado do Metrô São Bento às 14h50m e, ao chegar à temida porta giratória sou abordado por uma jovenzinha, com idade para ser minha filha. O diálogo que segue pode parecer surreal mas é verídico.

- Boa tarde, o que o senhor vai fazer na agência? - Fiquei surpreso. Nem minha mãe me perguntava coisas tão íntimas.
- Eu vou fazer um pagamento. Por que?
- Para pagamentos, o horário já encerrou, senhor.
- Ah é? E vocês trabalham até que horas? Meio-dia?
- Não senhor, mas não tem mais agenda para pagamento.
- Agenda? Olha filha, eu agendo com meu dentista, com meu advogado e com meus clientes. Nunca ouvi falar de agenda para pagar algo no banco.
- Mas é senhor. E não tem mais agenda para hoje.
- Noooossa! A que horas fecha essa joça?
- A agência fecha às dezesseis, senhor, mas...
- Pois olhe! Eu vou entrar e vou pagar essa bosta. Estou com moeda-corrente do país, o boleto está em dia e, por acaso, é dessa merda de banco mesmo. Se não aceitarem eu chamo a polícia.
- Mas senh...

Entro na agência e vou aos caixas. Sentados, lá estavam uma dúzia de cidadãos resignados que tinham cumprido o esdrúxulo ritual de agendamento. Pacientemente esperavam pela chamada do próprio nome gritado pelo caixa. Esperei um pouco pensando como abordar. Chego a um dos caixas e ouço de novo que o absurdo agendamento tinha que ser feito na porta pela mocinha. Custei a acreditar e volto para a pobre-coitada "operadora de agenda bancária":
- Escuta aqui, mocinha. Tem caixas e tem um monte de gente pagando contas. Por favor coloque o meu nome ou me dê uma senha ou faça o que quiser, mas vou pagar esse troço.
- Senhor, não tem mais disponibilidade. Pode ver aqui na tela. São esses quadradinhos. Estão todos preenchidos.
- Filha, eu sou programador. Se eu me sentar aí, em meia hora essa tela terá tantos quadradinhos que quando terminarem de preencher será Natal.
- Sinto muito senhor. Se o Sr. José Carlos estivesse aqui ele poderia ver isso.

Entro bufando na agência. Agora era questão de honra. Ou eu pagava a porcaria do boleto ou ficaria pelado no meio da agência até alguém me atender. Por fim resolvo apelar para uma outra mocinha sentada em um setor, cuja placa não me lembro:
- Moça, são três e meia da tarde. Eu exijo que algum santo ou demônio deste banco receba meu pagamento.
- Olha senhor, não é minha área. Mas talvez aquela senhora ali naquela mesa possa ajudá-lo. É gerente e se chama fulana.
Já na tal mesa e pensando onde penduraria minha camisa e minha calça para o strip-tease resolvo apelar para meus olhos azuis-esverdeados e meu sorriso cafageste:
- Fulana, por gentileza, veja se pode me ajudar: estou com esse pagamento daqui da CEF mesmo e o José Carlos não está lá. É ele quem sempre quebra meus galhos... (uma mentirinha não me condenará ao inferno).
- Pois não senhor, está com o dinheiro em mãos?
- Aqui.
- Um momento. Vou ao caixa e já volto.
....
- Aqui está senhor. Tenha uma boa-tarde.
- A senhorita também. Até mais.

Vão à puta que os pariu! Espero que essa porcaria de banco público também seja logo rifada para capitalistas estrangeiros. CLT neles. Estabilidade, bah!

domingo, 8 de janeiro de 2006

Baile de Formatura

Ontem fomos ao baile de formatura da cunhada de minha esposa. Ou seja: da minha concunhada, se é que isso é parentesco. A mulher se formou em Enfermagem.

O local até que é bom, agradável e de um requinte sem muita frescura. O Club Homs, na Av. Paulista, é bastante tradicional nesse tipo de evento. Mas mal começa o baile e eu começo a perceber que não tenho mais saco para essas coisas. Ou estou ficando chato demais. Ou ambos. Era um desfile de gente feia (Enfermagem nunca foi um hit em mulherada bonita), de modelitos inadequados para a abundância pneumática das formandas, desconforto de convidados e padrinhos não-acostumados ao terno e à gravata e excessiva informalidade indumentária de grande parte dos mancebos. Tudo dizia que os bailes de formatura há muito perderam o glamour.

Ressalvas para o serviço de buffet - abundante e zeloso - e para a banda. Era uma tal de "Saturday-alguma-coisa". O que mais admiro em bandas de formatura é a versatilidade. Intercalar sessões de rock´n roll com discotech, samba, forró (argh!) e axé (argh!) requer jogo de cintura, dos instrumentistas, dos coreógrafos e dos vocalistas. Decerto que é melhor não se ater piamente ao ingrêis do vocal nas músicas americanas, posto que predomina o dialeto embromation. Mas fora isso eu chamaria de audível.

Doppo, as formalidades: 1) Apresentação dOs formandOs (havia alguns poucos do sexo masculino e, segundo a Gramática, isso justifica a predominância do gênero nos pronomes e adjetivos, ok?). 2) Blá blá blá do locutor. 3) A valsa. Poucas coisas se me parecem tão cafonas quanto essa dança, importada em grande parte das terras austríacas. Olho no relógio do celular, já que detesto usar relógio de pulso. São duas e meia da madrugada. Acaba a valsa e lá vem os infalíveis hits baianos contemporâneos de Chiclete com Banana, Ivete Sangalo & Cia. Estico o pescoço para enxergar a pista de dança. Só vejo "mãozinhas prá cima", gente "tirando o pé do chão" e "batendo palmas" como apregoam os profetas da religião baiano-axesista. Olho o relógio de novo e são três horas. Lanço para minha querida esposa um olhar com uma mensagem codificada: nossa cama está nos chamando, embora a festa esteja por demais animada para a maioria dos presentes. Na verdade eu temia também que depois de Sangalo viessem sucessos do Mc Serginho e da Tati Quebra-Barraco que graças à Rede Globo estão virando cults. Come on, darling. Go home.

Definitivamente não tenho mais saco para bailes de formatura. Por gentileza não me convidem. Eu suplico.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

As águas de março que chegaram em janeiro


Vejo espantado como a Mãe Natureza é de lua. De repente, neste janeiro ela resolveu descarregar toda a pluviosidade de uma década. E estamos, male male, no início do mês.

Hoje fechei o meu boteco às 17h. Estava de saco cheio, sobretudo por causa de problemas de instabilidade em um maldito serviço de internet, que eu pago, e sem o qual eu praticamente não consigo trabalhar. Mas eu prometi a mim mesmo não blogar hoje sobre o ispídi e a filha da puta da empresa fornecedora.

No caminho de chuva torrencial, de poças d´água na pista e de rio Tietê voraz, observei a abundância de elementos fora de contexto que boiavam nas suas águas turvas: Sofás, garrafas pet, sacos de lixo, caixas de papelão, sarrafos de madeira, colchonetes e uma infinidade de coisas que não se pareciam com peixes, tampouco com aguapés.

Já em casa, vi nos primeiros noticiários da TV a legião de repórteres-mundo-cão que clamavam pelas autoridades civis para que arranjassem solução. Imagens tomadas pelos helicópteros mostravam o caos aquático, bostático e leptospirótico que reinava pela cidade, sobretudo na periferia. Algumas das pessoas entrevistadas como vítimas das enchentes legitimavam aos brados a queixa dos repórteres. Conclusão: os governantes não fazem nada.

Nesse momento me lembrei das semi-criaturas flutuantes que vi no trajeto. E me pergunto: terão o prefeito Motosserra, a ex-prefeita Martaxa, ou mesmo o ChisPitta alguma vez jogado sofás e garrafas pet nos córregos ou à borda desses? Antes que alguém me crucifique, faço questão de informar: já trabalhei no gabinete de uma das Adminstrações Regionais de São Paulo (atuais subprefeituras). Sei que a cidade carece de obras de escoamento, de contenção, de prevenção e sei que a cidade cresce verticalmente sem que as galerias de esgoto e pluviais sejam ampliadas em um centímetro de diâmetro sequer. Todos sabemos. Sinceramente, quando alguém é atingido pela enchente eu sinto pena de ver o desespero da família perdendo tudo. É algo horrível água furiosa e podre invadindo um lar. Mas não sentirei pena sempre que esse zé-povinho tenha que se deparar com os sofás, colchões e restos de móveis boiando no meio da rua. Afinal quem foi que jogou, né? Eu não fui.

Enqüanto essa gentalha não aprender o básico sobre higiene acho que a Prefeitura e o Estado não deveriam fazer nada. Pronto: podem me apedrejar.

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Antes tarde do que mais tarde

Pois é. Ontem a Americanas.com entregou o modem, em nome e a pedido da Telefônica. De passagem é mais compacto que o anterior e funcionou sem mexer em absolutamente em nenhuma configuração do meu PC.

Custava terem cedido logo de cara? Acho que não né?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Ispídi e a Retenção de Clientes

Sabe aqueles papos que se aprende em Administração, Marketing e literaturas afins sobre retenção de clientes? Que vender para um cliente novo custa 9x10³ vezes mais do que reter um cliente novo? Pois esqueça tudo isso. É bobagem.

Voltemos à Telefônica: Eu possuía um modem próprio, ao contrário da maioria dos assinantes de banda larga que são arrendatários. Eis que - acho que já comentei isso em um post anterior - meu modem pifou em uma tempestade. Enrolando para comprar outro, eu trouxe um emprestado da minha empresa (também meu). Então descobri em uma propaganda de TV que a Telefônica está dando modems grátis para novos assinantes. Ligo para a Telefônica. Vou pular a parte em que se ouve 18 opções de menu e digita-se o telefone de casa 5 vezes.

- Telefônica fulana, boa-tarde! Em que podemos atendê-lo?
- É o seguinte: meu modem queimou e eu preciso de outro. Vocês estão distribuindo para novos assinantes, pois eu quero um.
- Pois não senhor, a promoção é para novos assinantes, o senhor quer assinar o Speedy?
- Não, minha jovem, eu já sou assinante.
- Ok senhor, então não vamos estar podendo (sic, argh!) dar o modem. Só se o senhor fosse assinar o serviço agora.
- Sim, mas eu sou assinante há três anos. Somos nós os assinantes que mantemos esse troço funcionando e eu não tenho direito a um mísero modem?
- Pois não senhor, nos só poderíamos estar trocando (sic, argh!) o modem do senhor se fosse em comodato. Como o modem é de sua propriedade, o senhor é quem terá que estar (sic, argh!) comprando outro.
- Quer dizer que se eu não fosse cliente, vocês me dariam um modem para eu sê-lo?
- Essa é a promoção senhor. Mais alguma informação?
- Sim, eu quero cancelar essa merda.
- Um momento senhor, eu vou estar transferindo (sic, argh!) sua ligação para outro departamento. (tome mais musiquinha por 5 minutos).
- Alô, aqui é sicrano, boa-tarde! Qual o seu nome?
- Cáspita! De novo? Eu já falei tudo para a outra atendente!
- Pois não senhor, é o Sr. Beltrano?

- Sim, sou eu! Então você tem os dados, ora?
- Em que podemos atendê-lo senhor?
- Eu quero cancelar essa porcaria do Speedy.
- E qual o motivo senhor?
- É porque meu modem queimou e não tenho outro para usar o serviço.
- O modem era em comodato senhor?
- Não. Era meu. Já falei para o outro isso também.
- Pois não senhor, um momento por favor... (tome musiquinha mais 3 minutos)... Senhor, no seu caso específico a Telefônica pode estar dando um modem para o senhor, sem nenhum custo, para o senhor não precisar cancelar o serviço.
- Ah, agora podem, é?
- Sim senhor, mais alguma solicitação?
- Quando chega esse troço?
- Entre dois a sete dias, no endereço da assinatura. Mais alguma dúvida senhor?
- Não. Obrigado.
- A Telefônica agradece e tenha uma boa-tarde.

Quer dizer: eu precisei tornar-me um "quase-ex-cliente" para que os putos enfiassem a mão no bolso e cedessem um equipamento que está sendo pago com verba de marketing. E o marketing originalmente não era para me deixar satisfeito. Era para o quê então?

Sem comentários. E até logo, senhor. O cliente da Telefônica agradece.