quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Mulheres: não se deixem enganar

Essas colunas femininas são melhores que as tirinhas do Glauco na Folha. Na linha do "saiba como ter 34094390 orgasmos em trinta minutos" e "solte a fera sexual que há em você" a coluna feminina do site Terra agora achou de dar dicas de ouro de como tratar conosco. Nada mais equivocado. Vejam o artigo transcrito abaixo e a cada tópico o comentário abalizado do Dr. Tio, terapeuta profissa de botequim.

1- Escute o que ele tem a dizer
Crie uma "zona segura" deixando claro que você não ficará assustada e nem o julgará pelas revelações que ele fizer. Gerencie suas expectativas com palavras como: "não importa se eu vou querer fazer isso, mas só o fato de ouvir suas fantasias me faz sentir mais próxima de você".
* * Geeeeente, pára de bobagem! Ouvir fantasias não aproxima ninguém de ninguém. Prefira realizá-las para a gente, por favor mulherada. * *

2 - Pergunte quais fantasias ele tem com você
Questionar quais são as fantasias de seu parceiro o coloca em destaque, ou seja, faz com que ele se sinta importante. Mas você pode ouvir coisas como: "me sinto excitado por sua amiga". Para evitar uma surpresa desagradável, modele sua pergunta para: "você tem fantasia sobre nós?". Dessa forma, você terá deliciosas revelações.
* * Tá, mas vamos aos fatos: 101% de nós temos fantasias com suas amigas gostosas. E aí? Quem mandou perguntar? Agora se vira chama ela pra bater um papo e explica pra ela porque você vai trazê-la em nossa casa no próximo sábado. * *

3 - Ofereça opções
Convide ele para um jogo de múltiplas escolhas como: "o que faz você se sentir excitado, eu me vestir de enfermeira, colegial ou como uma mulher gato com aquele roupa de couro bem justinha?". Ele poderá rever suas preferências, mas isso não implica necessariamente que ele está insatisfeito com o seu desempenho corriqueiro na cama.
* * Vestir? Mas sexo a gente não faz pelado? * *

4 - Ofereça alguns exemplos sexy
Talvez vocês se sintam mais à vontade se comentarem sobre os outros. Há inspirações por toda a parte como uma cena de um filme, um livro erótico, uma música, ou aquele "amigo do meu amigo". A partir desse exercício, você pode investir nas perguntas mais pessoais, por exemplo: "então, você alguma vez já fantasiou sobre isso".
* * Com isso voltamos ao tópico 2, da amiga. Falando nisso, você conversou com ela? * *

5 - Agradeça
Independente do que ele diga, reconheça seu esforço, dizendo: "obrigada, adoro saber o que você pensa sobre nós e mais ainda o fato de você dividir suas fantasias comigo". Vocês vão avançar muito no quesito da intimidade à dois.
* * Claro, é assim que se diz. E a sua amiga virá a que horas mesmo? * *

6. Dar a ele um bom início de dia
Este é um dos pré-requisitos que todos os homens, sem distinção, elegem quase como o número um. Acordar de uma maneira agradável e enchê-los de vitalidade e energia para o resto do dia é algo que eles agradecem de verdade. Muitas vezes, ao chegar do trabalho ele está cansado e só quer dormir, por isso aproveitar as energias da manhã é para ele uma boa opção para começar o dia. Programe o despertador para um pouquinho mais cedo e surpreenda-o.
* * Bom, aí senti firmeza. Um sexinho de manhã é tudo de bom. Ainda mais, dependendo e como começar, se é que você me entende. * *

7. Assuma o comando
Não espere que ele tome a iniciativa em tudo o que vocês forem fazer na hora do sexo. É verdade que eles gostam de dominar, mas, muitas vezes, preferem ser submissos diante de uma mulher decidida que os domina e os seduz e, mais ainda, que mesmo que a mulher não seja assim, que na hora do sexo ela saiba ter, sobretudo, uma questão de atitude.
* * Falou tudo, mas não disse nada. Na verdade a gente só se faz de submisso se estivermos no apartamento dela. Porque, claro, acaba rendendo uma série de agradinhos a mais, como café na cama. * *

8. Somente sexo
Querer que tudo seja perfeito, romântico e sensual pode ser algo desgastante para algumas pessoas. Por isso, muitas vezes, os homens desfrutam do sexo só pelo sexo, sem preparações românticas.
* * Correto. Apenas substituir "muitas vezes" para "sempre". * *

9. Carinho após o sexo
Uma das coisas que os homens mais odeiam é que logo depois de uma transa espetacular a mulher saia apressada para tomar banho. Os homens, mesmo que isso pareça coisa só de mulher, também gostam de receber carinho depois do sexo. Muitos deles preferem que você fique ao menos uns instantes ao lado deles, descansando após tanta agitação e compartilhando beijos, carinhos e comentários sobre o prazer que vocês sentiram.
* * Esqueça o banho e essa balela de ficar uns instantes, blá, blá, blá. Por favor, traga um uísque. Ah, com duas pedras de gelo. E onde está o controle-remoto da TV?* *

10. Que você aprecie o sexo
Que os homens desfrutam ou necessitam mais de sexo pode ser uma realidade, mas para eles é incrível que uma mulher não se intimide ao reconhecer que ela gosta de sexo tanto quanto ele. As mulheres tendem a ocultar que também pensam em sexo e que o desejam continuamente. Sendo assim, uma mulher que reconheça isso sem pudores é quase como ganhar na loteria. Por isso, não tenha vergonha de querer fazer sexo sem que ele tenha proposto ou em qualquer lugar. Ele te amará por isso.
* * Até que enfim uma dica boa. Apenas a conclusão final está furada. Mas tudo bem, você não se importa com isso, certo? * *

domingo, 18 de novembro de 2007

Drops DVD: Narradores de Javé

Um elenco com José Dumont, Matheus Nachtergaele e Nelson Xavier - entre outros - por si já é indicativo de um bom entretenimento cinematográfico. Não bastasse, o filme de Eliane Caffé vai muito além. O tio inadvertidamente passou por esse DVD dezenas de vezes na locadora. Como o nome me sugeria ser um filme religioso eu, avesso ao pieguismo típico do gênero, ignorei-o solenemente. Até que, por conta de um curso extra-acadêmico que estou fazendo, acabei me deparando com o filme.

Javé pode ser um povoado qualquer desses perdidos no agreste brasileiro. A história fictícia ocorre nos tempos atuais. Uma grande represa será construída e submergirá para sempre o arremedo de cidadela. Os moradores entram em polvorosa. Das conversas com a companhia de Engenharia, trazidas por dois dos moradores, chega a informação de que a obra só não irá em frente se houver um patrimônio histórico no povoado, podendo ser até mesmo a sua história documentada.

Os moradores do local, depois de discussões, decidem que tentarão escrever a história do povoado, mas a população é de analfabetos e só Antônio Biá (José Dumont), um quase banido, é capacitado na escrita e terá que ser recrutado. As histórias orais são repletas de narrações difusas e épicas em que Indalécio - tão valente quanto inverossímil guerreiro - teria guiado o povo pelo agreste até estabelecê-lo na terra foi batizada como Vale de Javé. Tanto o texto do filme em si como as narrativas dos populares aludem ao êxodo bíblico, mas outras tantas alegorias religiosas permeiam o filme, já que o povo simples tem a fé como último bastião.

Não vou contar o enredo, muito menos fazer crítica, posto que sou iletrado nos aspectos técnicos da sétima arte. Mas posso dizer que o filme é uma bela e poética obra, cheio de conceitos interessantes sobre a tradição da oralidade, além de exibir uma fotografia de técnica notável até por quem não é do ramo. Vale à pena inclusive assistir aos extras.

Alugue ou compre, é só o que eu digo. Acredite no tio.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Vai encarar?

O modesto sanduba da foto é criação do dono de uma lanchonete em Arapiraca-AL. A história oficial é que ele foi concebido para melhorar o movimento de clientes que estava meio fraco. E virou sucesso.

Se você estiver disposto e achar que é bom de boca - haja estômago - são quase vinte ingredientes que misturam carne, salsicha, bacon, queijos, salada, molhos e coisas básicas assim. Quarenta minutos de preparo e o bitelão fica com quatro quilos e meio. De acordo com nutricionistas, o valor calórico é fichinha: onze mil calorias. Só pra ter uma idéia, isso é próximo do necessário para o consumo de uma semana para um adulto.

O sanduichinho é vendido por sessenta reais. Mas a lanchonete está com uma promoção-desafio: quem conseguir comer SOZINHO o tira-gosto gigante em até duas horas não paga por ele e ainda leva de presente quinhentos reais em dinheiro-vivo, mais uma moto zero quilômetro, de papel passado. Se não conseguir comer paga "apenas" quarenta reais e agüenta carão da galera que fica assistindo.

Caso se interesse, para maiores informações CLIQUE AQUI.

­© As fotos aqui expostas e as informações também são do site Tudo na Hora.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Teste Nerd (nerds de todo o mundo, respondam)

* * Este post é um teste de resolução de problemas informáticos. Tem a função de avaliar os conhecimentos dos leitores mais letrados nos bits e bytes. Se você não é do time, não gaste tempo lendo isto. Mas se for iniciado nos meadros labirínticos dos PCs e sistemas operacionais leia (por favor). * *

Imagine uma situação (totalmente hipotética):

1) Você não resiste, e na volta da faculdade, compra um DVD em um camelô. Só que no dia seguinte você vai assiti-lo e a certa altura começam a aparecer aqueles odiosos quadradinhos na tela, enquanto o filme vai travando e você pode ouvir o zigue-zague tresloucado da cabeça de leitura, tentando resolver os erros de gravação.

2) Para não fadigar o seu player você desiste. Já acostumado com esse tipo de ocorrência, você decide fazer uma cópia corrigida do DVD usando o DVD Shrink. O computador mais próximo nesse momento é o notebook do seu enteado. Logo, pra quê pegar o seu ou ainda subir no quarto para usar o desktop, certo?

3) O computador do garoto não tem o software necessário. Até aí, sem problemas. Você baixa do site, instala rapidinho para rodar a reedição de cópia. Mas... a vida é uma caixinha de surpresas. Não tem espaço disponível no HD do notebook. Pelas ferramentas administrativas você percebe que dos oitenta gigabytes, só vinte estão ocupados com o Windows™, outros dez estão como "partição desconhecida" e cinqüenta gigas não estão nem particionados.

4) Dado isso, você chega a uma conclusão brilhante: Uma partição desconhecida não serve pra nada, pois só se usa coisas conhecidas. A fina flor da Lógica se arroga no seu intelecto e você decide formatar essa partição. Escolhe o formato NTFS (padrão do Windows™), abrindo espaço para gravar os arquivos recompilados e restaurados do DVD camelódrico para, só então, queimar um DVD novo e restaurado do conteúdo.

Lembre-se que tudo isso são hipóteses. Estou somente filosofando um pouco.

5) Por hábito, uma vez formatada a partição - que agora é conhecida - você dá boot no computador esperando que, assim que o sistema entrar no ar, possa prosseguir sua tarefa do item 2. Mas, o inesperado acontece. O setor de boot do micro procura por arquivos de inicialização e não encontra. Provavelmente porque essa tal partição era "desconhecida" da Microsoft apenas. Ela acondicionava uma versão de Linux e era chamada, discreta e silenciosamente pelo setor de boot do HD.

6) Para salvar ao menos metade da merda - mudar o Lilo.conf para /dev/hda1/tagname="Windows" - e permitir que o sistema do Bill Gates inicie, você pega um CD do Kurumin que tem guardado. Com ele você poderá inicializar a máquina com a versão tupiniquim do Linux e editar o Lilo.conf, apontando-o apenas para o volume desejado. Quando o dono do computador chegasse, bastaria fingir-se de morto.

7) Inexplicavelmente, depois de tentar várias vezes dar boot com o CD você ejeta-o e percebe que o desgraçado está quebrado ao meio, por isso não dá boot nem f...

8) Recursos: você ainda tem dois outros computadores em casa, CDs virgens, um pen-drive de 512MB, acesso à internet. O seu enteado está no ES e só voltará no domingo à noite.

O que você faria nessa situação?

* * Relembrando: são todos dados hipotéticos, apenas para testar os conhecimentos dos leitores mais afinados com a tecnologia. * *

Mas postem rápido as soluções, pelo amor de qualquer coisa, ou enviem para x.uncle@gmail.com. A melhor resposta ganhará uma menção honrosa neste blog, com direito a foto, estilo "destaque do mês".

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Bizarrices humanas

O comportamento humano inclui idiotices e bestialidades que B. F. Skinner, com todos os seus estudos, jamais conseguiu catalogar. A lista é imensa mas, para alguns, deveria existir um prêmio chamado de Hit-Iotice Awards.

O chá de bebê é uma das principais. É aceitável que uma fêmea da espécie humana sinta-se feliz por iniciar o desenvolvimento de um novo ser humano dentro de si, embora haja opiniões controversas a respeito. Mas podemos considerar até louvável que a neo-mãe compartilhe com seus pares a sua alegria pelo feito-fetal. Até aqui, tudo bem.

Só que sejamos racionais: quem terá sido a idiota ancéfala inventora do "chá-de-bebê"? Não falo do simples ato de reunir pessoas do convívio, para tornar público o fato da concepção. Tampouco que fosse cerimônia regada à chá, em um súbito de britanismo. O problema é que a denominação "chá-de-bebê", na verdade, traduz-se por reuniões onde se praticam rituais sem o menor senso de ridículo. E é exatamente por isso que esses eventos são fechados aos homens. Porque qualquer ser portador de cérebro completo - no caso nós do sexo masculino e meio por cento das fêmeas - não seria capaz de classificar as brincadeiras que as mulheres fazem nessas reuniões.

Ainda ontem a darling teria - providencial futuro do pretérito - que comparecer a uma dessas idiotices. Não bastando a insanidade da coisa em si, o troço ainda distava cerca de vinte e cinco quilômetros de nossa choupana. Juntando o pretexto da chuva, com um aniversário que teríamos do lado oposto da cidade e mais alguns argumentos reunidos por mim, de forma aquitetônica, finalmente consegui a adesão da darling para ela não ir. Cheguei a usar o fato de sequer existir dela para com a Laudislene* algo classificável como amizade. Para minha felicidade a minha amada sucumbiu aos meus apelos. Ufa!

Hoje pela manhã, abro os noticiários na internet e me deparo com uma dessas "importantíssimas notícias" a respeito de celebridades. Um chá-de-bebê protagonizado por alguma famosa a quem - felizmente - desconheço totalmente. A foto bem pode seria anexada a uma petição judicial pela curatela e internação das protagonistas. Veja você mesmo a gestante vendada, sendo decorada a batom por uma das amigas (a que está olhando para a câmera sei que é atriz de tv).

Quando será que essas criaturas vão tentar usar os escassos neurônios para coisa melhor?

Ai, meu Deus! O que foi que aconteceu...

... com a música popular brasileira? A profética Rita Lee já havia cantado isso quando a MPB ainda se nutria de bons talentos. Ontem eu estava em uma festa e, durante um "momento brega", o animador do som tocou um hit de Odair José (Eu vou tirar você desse lugar). Pois ouvindo com atenção pude perceber que, com toda a sua breguice, a poesia e musicalidade de Odair José ainda estão anos-luz à frente do lixo pseudo-sertanejo, pseudo-sambístico e pseudo-qualquer-coisa que faz sucesso hoje. Ouça-o, prestando atenção nos acordes e nos versos, sem paixões, e provavelmente concluirá o mesmo.

Um amigo que estava comigo - roqueiro por sinal - acabou me dizendo algo sintomático: que o pior brega dos anos 70 ainda é melhor do que a maioria dos supostos talentos da atualidade. Basta observar que a divulgação por rádio está dominada por patricinhas quase afônicas, duplas de cornos que gritam tremulando a voz, barraqueiros que verbalizam podridão ao som dos batidões ou mesmo esses tais pagodeiros que botam calças justas pra rebolar, enquanto gemem versos previsíveis e rasos como um pires.

Por que lembrei disso agora? Eu procurava pela letra de uma música do Chico Buarque e acessei o Terra Letras. Vi que no tópico dedicado ao Chico, há catalogadas até o momento "apenas" QUATROCENTAS E VINTE E DUAS (422) canções. São letras e poesias da melhor qualidade, de um tempo recente em que a arte divulgada era a de sujeitos realmente bons, conhecedores da Língua Portuguesa, musicalmente criativos e versáteis, poéticos e capazes de transmitir sentimentos e conhecimentos com maestria. Não é possível que isso tenha sido extinto.

A cultura degrada, o tio ladra, a porcaria crassa e passa.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Somos miseráveis famélicos

A foto abaixo é de uma tal ilha chamada Qatar, ou coisa assim. Não sei onde fica, mas sei que é uma ilha artificial, construída por alguns daqueles imperadores árabes do petróleo. Se quiser saber mais procure você mesmo no Google.

A mim resta ficar puto da vida. Enquanto estou com as prestações da casa - na periferia de Sampa - em atraso, um bando de milionários do primeiro mundo estão disputando a tapa e no grito cada palmo de plataforma e cada metro cúbico habitável dessa porra de Qatar. Tudo a preços incalculáveis. Nós, paupérrimos, sequer conseguiríamos conceber mentalmente as cifras.

Desejo que com o derretimento das calotas polares, o nível dos oceanos suba tanto, mais tanto que uma onda gigante destrua essa merda e precipite no fundo do oceano cada magnata que estiver instalado lá. De preferência em um fim de semana bem cheio, durante alguma festa de arromba, regada à caviar e champagne. Tô falando sério, viu?

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Finados

"Que os mortos enterrem os seus mortos", teria dito um conhecido profeta judeu no primeiro século. Independente da veracidade do proferido, a ordem encerra uma grande verdade. Há pessoas que vivem a vida dos mortos. Vivem o dia morto de ontem, o mês morto findo anteontem, o emprego morto perdido no ano passado. Vivem o fato morto ocorrido há tantos anos, ou em supostos "bons tempos", como se nos de hoje não fosse mais possível vivenciar experiências renovadoras e felizes.

A necro-indústria, alimentada pela religião, levará no dia de hoje centenas de milhares de pessoas aos cemitérios, onde hão de ser depositados tantos milhares flores e acendidas tantas velas quanto. Um belo dia para os comerciantes desses produtos. Bastava ver a movimentação das distribuidoras de flores no CEAGESP nesta semana, para avaliar a expectativa para este dia de "lavar a égua", comercialmente falando. Nada contra. A favor tampouco. Essa atração pelo necro-místico acompanha a Humanidade desde os tempos mais remotos e tudo indica que continuará logrando êxito por mais um tanto idêntico de tempo. Se a espécie humana durar mais tudo isso.

Não sou diferente de ninguém no quesito de possuir familiares mortos. Os que me conhecem há mais tempo sabem que a infalível ação da morte, já atingiu-me até em consangüíneos muito precocemente. Nada de extraordinário. Nem por isso hei de ir algum cemitério hoje. Os entes queridos que se foram estarão sempre vivos no carinho das lembranças dos tempos de convívio. E, da parte do tio, terão seus nomes lembrados somente a partir do melhor que trouxeram para esta espelunca de mundo, durante suas breves ou longas estadias. Cada religião dá um nome diferente a isso. Eu prefiro chamar de respeito.

Em outro post, se eu lembrar, talvez eu reproduza uma parábola budista sobre isso. Muito esclarecedora por sinal. Se eu esquecer, me lembre.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Da ficção para a vida real

Essa belezinha de relógio de pulso é nada menos do que um celular GSM three band. Tem bluetooth, é MP3 player, possui conector USB para transferência de arquivos, a bateria dura 80 horas standby e faz uma dezena de outras coisinhas. Segundo o vendedor no Mercado Livre, custa a bagatela de R$1.500. Sinceramente não me parece muito pela tecnologia incorporada. Só que aí vem uma questão: como obter essa quantia além, claro, dos outros milheiros de reais de que já necessito para pagar as pendengas de casa? Porque se eu aparecer com um troço desses em casa, a minha mulher atirará a pilha de contas atrasadas no meu focinho.

Mas eu preciso dele. Não posso mais esperar. Estou tendo convulsões. Ajude-me.

Apenas ouça



APENAS LEIA

"Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando

Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a raça
E emoção

E se eu chorar
E o sol molhar o meu sorriso
Não se espante, cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar"
-----(Gonzaguinha)------

terça-feira, 30 de outubro de 2007

TX 4.1 Flex

Exatamente neste minuto acabo de completar 41 primaveras. Um número bastante significativo, se considerarmos então que nasci pouco depois da metade do século passado. Aliás, no final do milênio passado. Mas é ínfimo, se estudarmos detalhadamente os inúmeros capítulos da diversificada história do Tio Xavier.

Estou me recolhendo para dormir. Nesse dia 31 vadiarei. Não trabalharei. Talvez eu poste sobre algum episódio da vida do tio. Ou até inicie uma série: peripécias de um tio. Quem sabe.

Coming soon.

domingo, 28 de outubro de 2007

A muié do hôme

As eleições na Argentina terminaram há pouco. Logo sairá o resultado da apuração, sendo que a mulher do seu Nestor é a favorita.

Não sei explicar bem o porquê, mas isso começou a me dar um pouco de medo.

Caos aéreo

Passageiros com viagens marcadas não conseguem embarcar. Nenhuma informação sobre previsão dos vôos. Prejuízos se acumulam na população. E agora o pior: todos os transportes públicos estão parados. Um verdadeiro absurdo.

Mas os fatos ocorrem na França. A adesão na greve dos trabalhadores dos transportes, contra as medidas do presidente Sarkozy, já registra adesão de mais de setenta por cento. Isso a oposição daqui não vê, né?

Agora os franceses tinham que ser melhores que os brasileiros até nessa hora. É que não se vê o monte de boçais fazendo protestinhos ridículos com nariz de palhaço nos saguões. Que saco. Gentinha metida esses franceses. Não podiam ficar pagando mico como os babacas daqui?

Ei garoto, eu conheço essa camisa!

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Perguntas que eu faria ao Pe. Júlio

Longe de mim atirar pedras nesse homem. Se não concordo com algumas ações das ONGs que ele dirige, sobretudo no tangente à forma de lidar com adolescentes de rua, não tenho capital sócio-moral para criticá-lo. O Pe. Júlio Lancelotti é sim agente transformador da sociedade - quiçá dos melhores - e ponto de referência crítico ativo das mazelas sociais com as quais todos nós contribuímos, seja por atos ou omissões. Considerando que atualmente mal ando conseguindo cuidar do próprio umbigo e da família, continuo considerando o Pe. Júlio um exemplo em atitude. Há de precisar de algo muito grave e desabonador para que eu reveja isso. Mas algumas perguntas não me calam.

Por exemplo, que se você não tiver culpa por algo, haveria de ceder a uma chantagem e, em caso positivo, por quais outras razões? Outra questão: se os padres por premissa eclesiástica não possuem bens em nome próprio, de onde terá vindo o dinheiro para a concessão à chantagem? Terceiro, alguém de quem se espera que a chantagem e a extorsão sejam objeto de repúdio, não estaria sendo incoerente ao extremo ao permiti-lo?

A questão do dinheiro movimentado remete sim a uma questão bem maior. Já passa da hora de auditar as ONGs e exigir destas a prestação de contas clara e detalhada, principalmente das que se mantém com a concessão de verbas públicas. É um absurdo que entidades dessa natureza atuem de forma obscura, como temos visto em ONGs apadrinhadas por políticos, por exemplo. Além de cabides de emprego, há as facetas podres de sustentação de campanhas políticas e incremento de patrimônios pessoais. Por isso é que as ONGs têm sido alvo de denúncias, algumas delas bem fundamentadas. Esse é o principal indicador de que devemos ficar de olho aberto, tanto a respeito da destinação dos seus recursos mas também da captação dos mesmos. Aí é que "mora o Neves" no caso do Pe. Júlio, se é que você me entende.

Já faz tempo que as campanhas em prol de entidades assistenciais me despertam muita suspeita. É um tal de fundação fulano de tal, associação daquilo e outras tantas, que dedicar credibilidade a alguma está ficando cada vez mais complicado. De boas intenções o inferno está cheio. E algumas contas-corrente também.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Marido exemplar

Essa eu recebi hoje de minha cara amiga Ana Lúcia. Uma pena é que já criaram a versão Powerpoint. Não entendo por que é que alguém acha de recontar uma piada em slides de Powerpoint. Queria mesmo era saber quem foi o desgracento que inventou essa merda do Powerpoint. Vamos lá, no bom e velho modo texto:

O cara tava no estádio na final da Copa aguardando o início do jogo. Ingresso caríssimo, diga-se de passagem. Ao seu lado, separando ele do próximo torcedor, um assento vazio. Até que esse outro pergunta:

- Um lugar vazio. Quem terá comprado?

- Era pra minha esposa.

- Ué, por que ela não veio?

- Faleceu.

- Você comprou um ingresso para para homenageá-la?

- Não. Ela ainda era viva quando juramos assistir essa final.

- Nossa, então ela morreu recentemente?

- Pois é.

- Sinto muito. Mas você não tinha alguma outra pessoa conhecida para vir no lugar dela?

- Eu até tinha.

- Mas não quis quebrar sua promessa, não é?

- Mais ou menos.

- Então, o que houve?

- É que ninguém quis vir comigo. Todos preferiram ficar lá, no velório dela.

. . .

terça-feira, 23 de outubro de 2007

No dos outros é refrigerante

O presidente Lula-Lelé decretou, sancionou uma lei, encaminhou um projeto ou sei lá qual é o dispositivo, mas que enfim proíbe a venda de bebidas alcoólicas nos estabelecimentos à beira de estradas federais. Ele só fez isso porque não viaja de carro pelas estradas e sim de aerolula, belo e folgado, bebendo à vontade. Puta cara egoísta, viu?

A medida é inócua. Veja bem o que vai acontecer: os motoristas bebuns e irresponsáveis - perdão pelo pleonasmo - vão apenas adentrar alguns metros nas cidadelas durante o percurso. Lá encherão os miolos, já moles, de mais cachaça e voltarão para a rodovia para continuar fazendo merda, pondo em risco a vida alheia. Por tabela, ainda vão rodar mais e poluir mais, aumentando o aquecimento global. Desgraça pouca é bobagem.

O tio Xavier, mais uma vez, tem a solução para o problema: Descarregar cumulativamente nas bebidas alcoólicas toda a alíquota tributária que incide sobre o álcool combustível e isentar este de tributos. Isso fará com que o setor sucro-alcooleiro prefira vender o produto-base às companhias de combustível, ao invés de fazê-lo aos engarrafadores de bebida. E mesmo os produtores de cana que fabricam bebidas, vão preferir vender álcool combustível ao invés de cachaça.

Com o aumento da oferta e a isenção tributária, o preço do etanol despencará e todo mundo vai converter os carros. O ar ficará limpo, o país reduzirá a importação de petróleo para zero e a balança comercial dará saltos positivos nunca antes vistos na história deste país. De quebra, teremos mais créditos de carbono para vender para os ianques e europeus, podendo aplicar a grana em programas de inclusão social.

Esses governantes não sabem de nada.

Tio Xavier para Ministro da Agricultura já! E em 2010 para presidente!

Da série "Emporta u rezutadu" Vol.2

Esse singelo bilhete foi recebido por uma educadora,
enviado pela mãe da criança.

Menção honrosa para o arremedo de y no final
do nome da criança, o qual não existe nos registros.

domingo, 21 de outubro de 2007

Revistas femininas II: a internet

Eu me rendo. Você não vai encontrar neste blog a versão I desse tema. Batizei como II porque dá mais credibilidade. Algo assim como se o artigo chegou à versão II é porque a I foi um sucesso. Nem sei porque eu introduzi com essa idiotice, mas vamos ao que interessa.

Com freqüência o tio é sacaneado por incautos e marujos de água doce pelo fato de ler revistas femininas, sempre que pode. Tenho minhas razões. Impressionantes conteúdos e conhecimentos encontram-se nas páginas impressas e cibernéticas, quando as mesmas são direcionadas à mulher. Material vasto para os cafajeestes de plantão. Não é o meu caso, pois atualmente só leio por vício do passado. Hoje, como já faz alguns dias que nenhuma amiga me fornece uma - pois eu jamais as compraria - resolvi acessar o Terra Mulher. Veja você mesmo, por exemplo, os títulos que encontrei:

"Ensine o seu parceiro a ser mais romântico"

A situação está feia mesmo. Como desistiram de procurar príncipes encantados, já que há pouquíssimas monarquias vigentes no mundo, a mulherada partiu para o "faça você mesma o seu príncipe". Como se fosse possível pegar um ogro ou um Homem de Neanderthal e lhe ensinar modos de gentleman, ainda mais sendo a própria interessada a suposta professora. Nada mais falso. O máximo, o auge disso, é quando o homem está interessado em determinada mulher gostosa que lhe aparente ter hábitos mais refinados. Na primeira vez em que ele a convidar para sair, poderá tolerar uma reprise de Casablanca em um cineclube ou mesmo assistir a um concerto no Municipal. Sem motel na esticada, talvez ele tentará por mais que uma ou duas saídas. Mas se rolar sexo, sinta-se também atendida e o esqueça. A parte pior ocorre quando a incauta carente resolve se apaixonar e o relacionamento for avante. Aí conhecerá a sua verdadeira faceta Korg, sem direito a reprises de filmes chatos.

"Veja dicas para apimentar sua lua-de-mel"

Essa é triste. Eu até entendo se uma pessoa reclama que, depois de alguns anos, o casamento entrou em rotina, que o cotidiano os engoliu e coisas assim. Não acho isso normal, mas é comum. Agora, pqp que alguém precise de dicas para apimentar algo que, por natureza, ainda deveria estar em tempo de pimentas e das picantes. Se achar que vai precisar desses preciosos e sábios conselhos para a lua-de-mel, o tio tem um melhor ainda: suspenda o casamento e parta para outra. Correndo.

"Saiba o que esperar de um 'affair' de uma noite"

Vamos analisar: a senhorita sai à noite no melhor estilo caça-e-caçador. Põe salto alto, saia curta e justa, blusa decotada e aquela calcinha recém-comprada. Aí aparece um cara todo tipão, sozinho, atraente e bom papo. Ela"cai" no papo dele (faz parte do joguinho) e vai para a cama com o sujeito. Eu é que pergunto: o que esperar disso, além de que ao menos a trepada seja satisfatória? Nada. Ou você acha que o cara estava indo pra balada sozinho, noite após noite, esperando encontrar exatamente você, a mulher ideal para ele? Diga-me que não, por favor. E pare de ficar olhando para o celular esperando essa merda tocar, filha de Deus! O guardanapinho onde você escreveu o seu número e ele colocou no bolso já há de ter ido para a máquina de lavar, na melhor das hipóteses. Ou limpado o retrovisor embaçado do carro dele o que é mais provável.

"Veja as mentiras que os homens mais contam"

Cientistas, psicólogos e psicanalistas já declararam consensualmente que as mentiras que os homens contam têm todas uma origem comum: as perguntas que as mulheres fazem. Criaturas, parem de nos perguntar coisas sobre a existência de outras mulheres em nossa vida, ou por que não pudemos vê-las naquela noite, por que não atendemos o telefone quando estamos do lado de vocês, ou por que não ouvimos o celular tocar quando vocês nos ligam. Parem tudo. Se quiserem que mintamos menos é simples: perguntem menos. Resultados garantidos já no primeiro dia.

"Veja como deixar os legumes mais gostosos"

Balela. Contra-senso achar que legumes podem ficar mais gostosos. Eu acabei lendo o tópico e se tratava de uma torta de legumes toda metida à light, incapaz de apetecer a um beduíno recém-chegado da travessia do Saara. O tio tem as verdadeiras receitas para os legumes ficarem mais gostosos. Por exemplo o chuchu, um clássico do insossismo. Pegue um espécime cozido, deixe-o esfriar e corte em pedaços menores. Agora pegue um montão de presunto picado e misture com ele. Depois pegue cubos de queijo gorgonzola e faça o mesmo. Feito isso, encha três colheres generosas de maionese e misture bem tudo. Derrame um fio generoso de bom azeite sobre a mistura. Prontinho, está delicioso. Você pode cortar cubinhos de pão italiano e comer junto com o presunto e o gorgonzola, lambrecando de maionese. Ah sim, o chuchu? Sinceramente, vá deixando de lado e descarte-o na lixeira, depois que os demais ingredientes forem comidos. Legume mais gostoso? Fala sério.

E são essas as publicações que formam opinião no mundo feminino. Continuarei lendo com afinco essas preciosidades culturais. Munição nunca é demais.

FBI na cola do mágico

David Seth Kotkin de 51 anos, nascido em New Jersey nos States - mais conhecido como o mágico David Copperfield - parece que está enrolado com a polícia federal ianque. Primeiro, o sujeito está a responder uma acusação de estupro que teria ocorrido nas Bahamas, durante uma temporada. Não sou advogado dele nem de ninguém, mas fico imaginando como deve ser difícil para ele levar uma vagab... (ops!) moça de família para a sua suíte. É quase certo que não existam mulheres a fim de dar para ele. Por isso, uma das poucas possibilidades de ele obter favores sexuais teria sido o estupro. Como aconteceu: a moça estaria dormindo quietinha na casa dela quando o acusado teria aparecido de forma mágica - não poderia ser de outro modo - debaixo do lençol dela, já em ação de coito. Ou seja, ela acordou sentindo o Copper... enfim, você entendeu.

Outro rolo em que o mágico estaria metido seria o aparecimento de dois milhões de dólares em um cofre de seu armazém, dinheiro este sem origem definida. Para o mago podre de rico, primeiro que isso é um mero trocado. Mas veja como o Federal Bureal of Investigation gasta tempo para explicar o inexplicável. Se o cara é mágico, basta entender que a grana apareceu lá e pronto. Ou eles duvidam dos poderes mágicos do amigo Copper? Ainda por cima os policiais recolheram um disco rígido de computador e um chip do sistema de câmeras para serem escarafunchados. Pura bobagem e gastação de grana novamente. Com um simples comando mágico, o Copper pode formatar aqueles discos com algo como: "Alakhazan, Alakhazin, format C: to me". Quando os caras abrirem os dispositivos o que aparecerá no monitor será: "Invalid disk or system disk error. Format (Y)es or (N)o?". E já era. Enquanto isso, em uma de suas mansões em Las Vegas, o mágico estará rindo e bebendo um daqueles drinques bonitos de três cores com guarda-chuvinha no copo. O homem já fez desaparecer até a Estátua da Liberdade. O que será então com uma meia-dúzia de imagens e planilhas de cálculo? Mamão com açúcar.

Agora, se de tudo isso ainda resolverem prender o sujeito, aí então a justiça norte-americana assinará o atestado de idiotice completa. Se você leitor não assistiu, saiba que o tio David já atravessou a Muralha da China, caminhando calmamente como se faz em um bosque. Passou de um lado para o outro na maior manha, sem quebrar uma pedra. Qual será a penitenciária capaz de deter o homem, minha gente? Nenhuma. O cara é mágico. E dos bons. Tsc... tsc...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

A terceirização chegou ao seu lar?

É como eu sempre digo: este país só não deslancha de vez porque não tem um Governo que preste. Depois de há uma década e meia Michael Hammer maravilhar o mundo do consultismo empresarial com sua - depois desdita por ele mesmo - Reengenharia, depois de a terceirização tomar praticamente todos os ambientes corporativos, os prestadores de serviços brasileiros ainda tiram a maior onda com isso.

Minha senhora, seu marido não resolve mais as coisas em casa?

A senhora vive implorando soluções, lembrando-o que são premissas matrimoniais e ele continua jogado no sofá com sua lata de cerveja?

Não agüenta mais ver a casa caindo e o morfético em estado letárgico?

Seus problemas se acabaram!

WWW.PRAQUEMARIDO.COM.BR

Sim, esse serviço já existe e está lá disponível. Basta clicar ou ligar.

Fico pensando em qual será o alcance real dessa terceirização. Uma amiga do tio chamou-os por conta de um problema na TV. Depois me contou suspirando ao telefone que o técnico era atencioso, bonito, agradável e sobretudo eficiente. Não me atrevi a pedir detalhes.

Pois é senhores leitores masculinos, casados, noivos ou enrolados. Acho melhor revisarem as vossas ferramentas - todas - e garantir a exclusividade do atendimento doméstico, antes que a patroa acesse esse site.

De minha parte, já penso em chamar um certo amigo - o Chicão - para compor uma sociedade e abrir uma franquia desse empreendimento criativo e fantástico.

E aí, Chicão, vamos nessa?

sábado, 13 de outubro de 2007

Eu fui (ou "O tio CDF")

Esta é mais uma da série "a sala das jumentildas". Semana passada tinha provona integrada. Um raio de prova que a instituição inventou e que abarca todas as matérias do bimestre em um único questionário de vinte e quatro perguntas de múltipla escolha. Cheio de pegadinhas, dessas para as quais mais vale ler e interpretar corretamente o enunciado do que saber as matérias na ponta da língua. Mas nem de longe a prova é o centro deste post.

Acontece que a prova foi na quarta-feira dia 10. Como dia 12 era feriado, logo configurou-se um pratão cheio para a maioria dar um perdido na quinta-feira. Quem quisesse, ou precisasse, claro. Tudo muito claro, exceto para um grupelho de jovens pentelhas que gastaram preciosos minutos diariamente, nos dez dias que antecederam o feriado. Elas queriam coagir às demais a dar um perdido coletivo. Porra, uma coisa é querer faltar. Isso é um arbítrio individual. Outra é exigir que os demais não venham. As fantásticas teorias e argumentos para o infantil "vamu tudu faltá, zenti" baseavam-se no mito de que a falta coletiva configura-se em bônus presencial para todos. Teoria esta que, levada ao extremo - caso não fosse uma falácia - significaria que, se ninguém mais viesse até o final do semestre, não tomaríamos bomba por falta. Ilógico ao quadrado. Mas como falar de lógica com seres que não conseguem entender conceitos fundamentais da Filosofia? Forget it.

As ridículas intervenções de uma das senhoritas - justamente a representante de turma - incluíam enquetes individuais em público apontando o dedo, a fim intimidar as pessoas a colaborar com a vadiagem coletiva. Situação esta com a qual o tio nada tinha a ver. Em particular, cheguei a ser ríspido com uma delas a quem eu disse que minhas intenções não lhe diziam respeito, mas somente ao tio e à mulher que dorme e faz sexo com ele, obviamente a tia darling. Vão à merda se quiserem faltar, ora bolas. Que saco.

Eis que chega a fatídica quinta-feira, dia 11. Fui à faculdade, no melhor de meu direito de estudante, a fim de receber aula e presença na lista. Acreditem que vi uma dezena de moçoilas da turma bundando pelos corredores. Se deram o trabalho de ir até lá e não entraram e sala. Outras tantas vi nos bares ao redor da instituição. Chegou o professor e observou que só o tio estava na sala. Explicou com clareza que ou o tio se mandava e ele dava falta para todos ou, se desse presença para mim, deveria registrar o conteúdo e ministrar a aula. Pois eu fiquei e fi-lo cumprir com suas obrigações acadêmicas. Ele recebe salário para isso. O mestre ministrou uma brilhante e substanciosa aula sobre preconceito racial na sociedade e, ao final, prescreveu duas perguntas dissertativas que deviam ser respondidas e entregues no mesmo dia, valendo um tradicional ponto em nota. Pontinho este capaz de salvar uma média capenga ao final do bimestre se for preciso. O tio participou com afinco da aula exclusiva, fez perguntas, ouviu respostas esclarecedoras, entregou as questões respondidas e recebeu presença em lista, a única de toda a turma naquela noite.

Se as demais estavam a fim de vagabundar era simples: faltassem. Se para faltar ainda precisam de apoio conspiratório coletivo, talvez ainda não estejam maduras para a universidade. Por mim, se forem todas para o inferno, não são problema meu. Só pelo menos cresçam. Se aceitarem sugestão do tio, vão à merda.

Drops DVD: Tropa de elite

Ontem resolvi assistir ao tão falado Tropa de Elite, BOpE, ou seja lá qual for o nome correto do filme. Não fui ao cinema, só pra variar. Esta semana uma colega de sala de aula estava de posse de uma das versões camelódricas do DVD e por mero acaso naquela noite o tio estava com o notebook na mochila. Então fiz um backup básico. Ontem à noite gravei em um RW, esperei a pequena ir dormir e mandei bala na sala.

Em resumo o filme é entretenimento garantido. Nenhum grande nome consagrado mas dos atores, cuja maioria eu desconheço, todos foram suficientemente bons. As cenas de ação são bem feitas, se as olharmos dentro do padrão brasileiro. Ressalto isto, porque o povo tem mania de analisar o cinema não-estadunidense com base em critérios hollywoodianos. Hollywood é outro mundo no que diz respeito à linguagem, às técnicas e à fartura tecnológica que acaba por ditar moda no mundo. Mas o cinema fora dos domínios ianques precisa achar cada um a sua linguagem. Não dá para conceber filmes japoneses, chineses, iranianos, brasileiros ou de onde quer que seja, se tentarem apenas macaquear os gringos. A cópia sempre há de sair um cover chinfrim do original. Eu defendo que o cinema brasileiro tem jeito sim, tem que ser financiado por incentivos tributários - lá nos EUA é, viu? - mas tem que achar a própria pegada. Dito isto, jamais tente comparar um tiroteio de Tropa de Elite com os oitocentos efeitos especiais dos filmes de Bruce Willys. Até porque os destes são hiperfantasiosos. Não há coisa mais seca e direta que um tiro. Mas Hollywood tem o poder de dar dimensões nucleares a um simples disparo de pistola 380.

Voltando ao filme brasileiro, ele tem aquele jeitão panfletário, que caracteriza boa parte dos nossos filmes. É um filme-mensagem, no melhor estilo estilo glauberiano, só que melhorado - e muito - pelas atuais tecnologias e primor cênico. E neste último quesito os atores foram bons mesmo, sem ressalvas. Mas a maior sacada de Tropa de Elite é o panfleto mesmo. Jogar na cara da classe média e alta o fato de elas sustentarem o poderio dos mercadores de drogas e hipocritamente saírem em suas ridículas passeatinhas pacifistas não foi qualquer coisa. A equação mostrada no filme é simples e direta: por trás de um ingênuo cigarrinho de maconha fumado por um estudante universitário esconde-se todo o complexo de relações, que vão desde o aviãozinho do morro, passando pelo fogueteiro, até chegar nos chefes da indústria dos entorpecentes. A teia mostrada no filme é extensa e percorre muito mais que os morros, articulando-se com praticamente cada um dos policiais corruptos e comerciantes corruptores do sistema. Sistema, a propósito, é um chavão abundante na narrativa em primeira pessoa, protagonizada pelo ator principal, Wagner Moura, no papel do Capitão Nascimento. Não vejo definição melhor, já que define uma enorme gama de subsistemas e relações menores que formam um conjunto maior e funcional que é o mercado de drogas, armas e a violência social.

Algumas críticas que se fizeram por aí se ancoram em pieguismos de que o filme estaria fazendo apologia à truculência policial, blá, blá e blá. Os mais puristas chegam a mostrar-se escandalizados com os métodos interrogativos mostrados no filme, que usam sacos plásticos para sufocar e porrada, muita porrada. Não sou policial nem jamais pretendi ser um. Também sou contra a truculência, mas é quase inverossímil lidar de outra forma com uma força criminosa bruta como a mostrada do filme. Imagine o que há de ser lidar com a extensa rede de colaboração do tráfico, composta por moradores coagidos e outros tantos recrutados, somados a inúmeros policiais e autoridades corruptas. É um trabalho quixotesco. Mas é bem capaz que esses mesmos críticos da truculência em Tropa de Elite achem bonito quando o protagonista de Duro de Matar enche um terrorista de porrada ou mesmo acaba com ele com um tiro no meio da testa. Filme policial sem violência não tem graça, ora bolas.

Assista sim mesmo. O tio recomenda. A propósito: ao menos tire as crianças da sala.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Já querem estatizar

O ministro Tarso Genro está propondo a criação de juizados especiais em favelas. Vejam como esses políticos são desinformados. Eles já existem há muito tempo. Funcionam, são rápidos, implacáveis e suas sentenças são irrevogáveis e irrecorríveis. Nada dessas frescuras de habeas-corpus, segunda instância, redução de pena por bom comportamento, nada disso. É pão-pão, queijo-queijo. Só que não são do Governo. Vejam só a ironia: por essa razão exatamente não consomem verbas públicas.

A OAB há de estar por trás disso para aumentar o campo de trabalho de seus afiliados. Na favela, as "autoridades" costumam julgar rapidamente baseadas em testemunhas e na fidedignidade da vítima queixosa. Nada de advogado. A maioria dos réus não merece nem julgamento, quanto mais defensor. Ainda mais: as penas costumam incluir efeito reparador do dano, como no caso recente do comerciante da favela carioca, que estava sendo furtado. O réu teve que devolver as frutas surrupiadas e ainda indenizar a vítima em mais duzentos reais pelo incômodo. Vá tentar isso nos tribunais civis. E espere deitado.

O que Governo está querendo agora é estatizar esse serviço. Aí, em vez de julgar e tramitar rápido com aplicação de sentença imediata e no local, o morador da favela vai amargar anos e até décadas com trâmites burocráticos que ele desconhece totalmente, correndo o risco adicional de não dar em nada. Um prato cheio ainda para os advogados nesse caso. E lá vão mais verbas públicas para sedes, juízes, funcionários de gabinete, equipamentos, energia elétrica... etc...

O Megid, um amigo meu que há tempos não vejo, costumava dizer que quando um político propõe a criação de mais um órgão público, provavelmente até a tia do cafezinho já está na listinha aguardando a nomeação.

Aposto um cartucho de AR-15 como essa medida não vai pegar.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O que é que eu tenho com isso?

Depois não querem que digam lá fora que o Brasil é o país da putaria. Eu entendo que possa ser hábito de uma série de cidadãos do sexo masculino freqüentar prostíbulos e pagar por sexo. Questão de opção. Ou falta. Desconheço o assunto, pois de todas as vezes que pratiquei sexo na vida nenhuma foi a título oneroso, mas sempre lúdico ou afetivo. Claro, isso foi há muitos anos, como você há de imaginar. Já faz tempo que o tio está exclusivamente dedicado à vida conjugal e às premissas inerentes a ela.

Mas o assunto supra deve-se aos holofotes que a imprensa tem lançado sobre o empresário Oscar Marone nos recentes dias. Conhecido na noitada paulistana por ser dono de uma das mais luxuosas boites masculinas, se não for a própria, não consigo ver qual é a relevância social desse ser para que ele ocupe tantas páginas com fotos, entrevistas e reportagens nos principais jornais teletransmitidos e escritos. Para mim é simplesmente o dono de um puteiro. Deveria ter importância apenas para os interessados no ramo dele. Até mesmo as circunstâncias da prisão dele o absolvem. Foi o único detido a pretexto e no calor do acidente da TAM em Congonhas. Realmente o careca serviu de bode.

Tirando uns desaforos que ele teria dito para autoridades da cidade, não há de haver muita coisa para condená-lo ou quem tenha culhões para fazê-lo. Até porque grande parte dos seus capturadores e condenadores provavelmente freqüentam o estabelecimento comercial dele. O tal do Bahamas nada tem a ver com as boites fubangas da região do Parque do Carmo, na Zona Leste, nem com os treme-tremes do centrão velho, muito menos os moquifos ao redor do Largo 13. Sabe-se que é um lugar onde uma simples dose de uísque pode custar o salário da maioria dos trabalhadores mais humildes. Se a boite dele é um sucesso, deve-se à visita de muitos homens que podem gastar dois, três ou cinco mil reais em uma sucessão de drinques e alguns serviços sexuais. Logo, políticos, funcionários públicos acima de certo escalão e empresários abastados compõem a única clientela factível. Visto assim, alguém aí acha que existem muitos figurões com lisura moral para apontar o dedo no nariz dele? Não me façam rir.

Que apareça em visível jabá no programa da Lucianta Gimenez, carente de conteúdo como a maioria das atrações da TV aberta, já é uma pena. A maioria das pessoas até imagina como funciona a escalação desse tipo de atração televisiva. Mas ocupar laudas na Folha de São Paulo, Estadão e Jornal da Tarde?

Com licença que vou comprar uns gibis do Maurício de Souza na banca que eu ganho mais.

O futuro da Educação - Parte III

Sei que estou ficando chato a falar dessa turma. Mas entenda o leitor que meu tempo está deveras ocupado semanalmente com a faculdade e, por essa razão, não há de ser diferente. Eu juro que nesta semana não postarei mais sobre isso. Mas eu preciso desabafar. Como não tenho saído com meus amigos nem com minhas queridas amigas, preciso desabafar aqui. Estou prestes a assumir meu lado "maníaco do shopping" e entrar com uma Uzi na sala de aula. Veja mais essa:

Professor:
- Pessoal, eu e os demais professores de ERB avaliamos que há muito descompasso em nossa matéria entre as turmas de Pedagogia. Por acaso esta é a que está mais dentro do cronograma previsto. Mas como a prova integrada é igual para todos, foi decidido em reunião que as questões de ERB serão substituídas por questões somente de interpretação do texto do livro, sem necessariamente uma relação com a matéria dada em sala. Alguma dúvida?

Jumentas:
- Como pro?
- Não entendi, pro.
- Nem eu, pro.
- Explica de novo, pro?

Professor II, o retorno:
- É simples, gente. As outras turmas não comportariam as mesmas questões de ERB por estarem atrasadas. As questões de ERB na prova serão, na verdade, somente de entendimento do texto do livro.

Jumentas:
- Como pro?
- Não entendi, pro.
- Nem eu, pro.
- Explica de novo, pro?

Professor III, a vingança:
- Pô gente, não é difícil assim. Não vão haver questões de ERB sobre o conteúdo em sala. Só do livro do Paulo Freire. Sabe esses que todos vocês têm que ler? Vocês já leram? É esse aí.

Jumentas:
- Como pro?
- Não entendi, pro.
- Nem eu, pro.
- Explica de novo, pro?

Professor IV, o confronto final:
- Putz... tá difícil. Olha só: estudem o livro e o entendam apenas. Esqueçam o meu conteúdo em sala para essa prova.

Jumentas com a boca aberta e testas franzidas:
- ?
- (...)
- Hum?
- ...

Jumenta Específica 1:
- Til Chavier, eu i a Jumenta Inspessífica 2 tamu aqui discutinu. Eu tô falanu qui as pergunta dele vai cê çó das matéria di çala e não du livru. Num é içu memo?

Tio Xavier:
- Tome arsênico dois dias antes da prova - me virei de costas para me afastar - .

- Jumenta Específica 1:
- Ars u quê? - empunhando a caneta - otru livru? Ô ele deu içu na çala? Cê intendeu u qui u til falô, Jumenta Inspessífica 2?

sábado, 29 de setembro de 2007

O futuro da Educação - Parte II

Hoje tive uma conversa virtual via chat com um professor que sequer conheço e nem sei se o conhecerei. Nada espantoso, a não ser pelo fato de ele ser um dos atuais professores do tio. Ocorre que a universidade onde o tio estuda, para algumas matérias, aderiu ao novo modal de ensino: o Ensino à Distância - EAD - como é chamado lá. A regra é clara - já diria Arnaldo César Coelho - e reza que o aluno deve acessar periodicamente uma tal plataforma de estudos pela internet. E rachar de estudar, no melhor da auto-didática. Uma lenda conta que os acessos ao tal ambiente virtual são computados, para validar freqüência do aluno. Cabe também ao aluno copiar ou ler as matérias e posteriormente entregar, via plataforma, os trabalhos solicitados pelo professor através de uma lista de tarefas e prazos. Coisas da mudérrnidade. Até o momento, nessas matérias em formato EAD, só as provas são presenciais. Minha vidência tecnológica prevê que é só uma questão de tempo para que os exames passem a ser à distância, monitorados por webcam e os chats digitados sejam substituídos por visualizações ao vivo entre professores e alunos, com direito à voz e até acesso remoto mútuo entre os computadores. Não há de demorar.

O encontro virtual de hoje era obrigatório para toda a turma. O objetivo era bem simples: o professor iria tirar as dúvidas do aluno (tio) e das alunas, acerca de quatro dos textos que estavam à disposição há semanas. Consideremos que, por tirar dúvidas entendo algo assim: 1) o conteúdo é de conhecimento prévio das partes; 2) ao docente virtual cabe responder às perguntas formuladas pelos alunos, que já teriam lido o texto. Correto? Há controvérsias. Para contextualizar o assunto de hoje, a matéria é Antropologia Cultural. Abaixo tentarei reproduzir algumas questões, posto que não consegui em tempo copiar e salvar todo o encontro. Junto de cada uma pus o comentário que mereceria em tempo real.

* * * /openchat

[Professor Fulano]:
- Boa tarde pessoal. Bem vindos ao nosso encontro. Podem começar a expôr as dúvidas.

[Aluna 349830843098]:
- Pro, o que é Antropologia?

É um troço que você deveria ter lido há quatro semanas e consultado no dicionário, isto é, se não fosse analfabeta.

[Aluna 879793497974]:
- Aproveitando o gancho da colega, o que é Cultural, pro?

É um aspecto que não existe em sua formação de fã de axé e telespectadora do Gugu Liberato.

[Professor Fulano]:
- Ok gente (...) - quase pude ouvir um suspiro dele - Antropologia é o estudo de... blá blá blá blá blá...

[Aluna 632632992377]:
- Pro, uma colega tá ligando pra mim falando que não consegue entrar na plataforma. O que eu digo pra ela fazer?

Pega o mouse e enf... (deixa pra lá).

[Professor Fulano]:
- Rezar.

[Aluna 632632992377]:
- Rezar? - pausa para cair a ficha - Ahahahahahaha agora entendi ahahahahahahah. Ê pro...

Surpreende neste caso a capacidade de sinapse, ainda que com efeito retardado.

[Aluna 349830843098]:
- Então Antropologia é 'tipo assim' uma ideologia?

Deve ser. Desde que você me explique o que é uma ideologia, sua jumenta.

[Professor Fulano]:
- Absolutamente não.

[Aluna 349830843098]:
- Não? Então é o que?

Leia o texto vinte vezes e não me encha o saco com perguntas tão básicas.

[Aluna 728347329404]:
- Pro, pra quê que a gente tem que estudar Antropologia, se a gente não vai lecionar pra índios?

Pra entender como é que uma família iletrada como a sua envia uma anta como você à universidade.

* * * /closechat

Esta última o professor certamente fingiu não ler, talvez enquanto rezava - ele sim - para que o encontro terminasse logo. Houve gente que chegou a comentar que as aulas EAD deveriam ser em sala de aula. Putz, então não seria EAD. Uma outra falou que é muito difícil estudar sozinha, que ela não tem paciência de ler. Que cazzo de professora vai se formar, já assumindo que não gosta de ler? Outra colega disse no chat que é difícil ficar clicando e lendo as matérias online. Detalhe à parte é que a ditinha tem perfil no Orkut e, pelo que pude investigar, é ativa e assídua freqüentadora do site de relacionamento, onde posta e lê com afinco.

Me recuso a transcrever mais do besteirol que rolou no chat. Foram eternos sessenta minutos com aberrações ortográficas e desconstruções gramaticais que a meninada escrevia. Confundiam a plataforma da universidade com o bate-papo da candinha.com, tais eram a informalidade e os vícios do new-idioma internetês. Se após os primeiros cinco minutos eu já anseava pelo término, fico imaginando o pobre e decepcionado professor. É assustador saber que algumas universitárias sequer sabem redigir uma pergunta objetiva. Quanto menos respostas tais.

E assim caminha a Humanidade. Rezem para suas divindades para que elas iluminem as mentes dessas pessoas, antes de elas se habilitarem ao Ensino.

Enquanto isso, Paulo Freire dá cambalhotas no túmulo.

O futuro da Educação - Parte I

É a primeira vez, acho, que escrevo um texto e já o intitulo como "Parte I" antes de conceber a segunda parte. O que me motivou a esta audaciosa iniciativa literária nunca antes vista, foi a sucessão de fatos que observei esta semana na turma acadêmica do tio. Daria até para escrever uma nova versão do Febeapá.

Primeiro, recordemos que o tio é um recente universitário de Pedagogia. Tardio talvez, mas aí é outro assunto. Relembro a todos também que a minha turma é composta de setenta e duas mulheres e o tio. Dito isso, vamos aos fatos.

Na sala de aula existe um aparelho de TV que fica fixo acima da lousa. Serve obviamente para apresentações de multimídia e audiovisuais. Mas em nenhum lugar está escrito que deva servir só para isso. Por essa razão, o tio tratou de descobrir os meandros necessários para ligar o aparelho. E em alguns minutos, poucos antes da aula, lá estava o SPTV sendo exibido diante da turma. Ingenuamente julguei que a turma apreciaria assistir a um noticiário antes dos estudos.

Mas surge o problema principal: seria possível ouvir algo se as setenta e duas matracas ao menos abaixassem o tom de voz. Deus do céu, onde é que as mulheres arranjam tanto assunto? E por que falam tão alto? Se não consegue abstrair a ordem de grandeza do absurdo volume da fala feminina em minha sala, isso pode ser expresso pela equação abaixo.

Onde:
CTF = Capacidade Total de Fala
FI = Fala Individual (em dB)
ETS = Espaço Total da Sala (em m³)

Considere uma variável generosa de 3dB para FI. Mas lembre que uma mulher, na verdade, produz cerca de 10dB (se estiver calma). Para calcular a área da sala, multiplique A x L x C em metros lineares. A do tio deve ter aproximadamente 3,5m x 10m x 15m, o que dá 510m³. A CTF da turma nesse caso é de 3 multiplicado por 10 elevado à 72ª potência, divididos por 510. Eu bem que tentei fazer isso na planilha de cálculo mas estourou. E se os números estouram as células, imaginem o que aquelas vozes esganiçadas fazem com os refinados tímpanos do tio. Para os ruins de cálculo dou outro exemplo mais direto: um pregão de bolsa de valores dominado por fêmeas. Em suma, um horror.

O Carlos Tramontina da Globo anunciava as matérias do noticiário. Com um esforço inédito de leitura labial e interpretação de imagens, identifiquei que as três principais reportagens estavam relacionadas de algum modo com o Ensino. A primeira sobre um vazamento de gás em uma escola. A segunda de uma garota que teria esfaqueado a colega dentro da sala de aula. A terceira acerca da greve dos professores municipais de Sampa. Eureka, pensei. Já sei como hei de obter silêncio.

- Aí meninas: vejam o que as espera. Viram a violência na sala de aula? Olha lá greve dos professores municipais - meu tom e minha expressão eram as de um pregoeiro público - .

Diante dos olhares de interrogação, apontei a TV. E deu certo. Silêncio. Só que eu gostaria que o silêncio durasse mais do que os dez segundos que durou. No décimo-primeiro segundo lá estavam de novo as sete dezenas de tagarelas falando sobre o último lançamento da Natura®, a nova fio-dental da De Millus® e que fulana da turma de Letras, tinha ido pro motel com beltrano de Comércio Exterior. Toca o pobre tio tentar ler os lábios das pessoas do telejornal, praticamente em vão. Até que chegou a professora e desliguei o aparelho. Agora vem a cena dois.

Nove horas da noite - habitual horário do intervalo - e uma colega inspirada pela iniciativa do tio corre ligar a TV. Hora da novela. Essa da Globo, que acabou ontem ou hoje. Adivinhem se havia algum som de voz além obviamente das vozes dos atores da novela. Não fosse o som do televisor poderíamos identificar o sexo de uma mosca pela freqüência do bater das asas.

Vejam que tipo de professoras estão se formando lá. E o que o pobre tio tem que agüentar. Daqui a alguns anos elas estarão se candidatando a postos de professoras nas escolas públicas e particulares da cidade. Espero que eu não me depare com nenhuma, onde algum de meus filhos vá estudar.

Mas não pára por aí. Tem mais.

Ps.: Santo Expedito aceita devolução?

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Clique aqui, anda logo

É espantoso descobrirmos por quanto tempo os usuários da Informática estiveram na caverna, acorrentados e assistindo às sombras em lugar da vida.

Não perderei tempo explicando o mais novo recurso do Google Docs. Agora prepare sua mente e seus olhos.

Preparado? Então clique AQUI.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Sacaneando com a Telefônica

O Fernando, um cliente muito gente boa, me mandou uma seleção de tiradinhas - e colocadinhas - que todos podem fazer quando estiverem com saco cheio dessa empresa escrota que é a Telefônica. Não requer prática nem tampouco habilidade. Qualquer um pode fazer de sua própria casa ou até do trabalho. Dentre as tantas, esta foi eleita pelo tio a the best.

Ps.: Este blog requer um mínimo de cultura para ser lido.
Se você não assistiu a "Cidade de Deus" não faça perguntas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Como melhorar a umidade do seu ambiente

A umidade relativa do ar está em percentuais alarmantemente baixos. A CETESB anda falando em 11% aqui em Sampa, o que é absurdo e tem conseqüências respiratórias funestas. O tio mesmo andava mal, com uma tosse chatérrima aos finais de tarde. Fora os lindos olhos azuis-esverdeados do tio, que lacrimejavam como cachoeiras ao simples ler de uma página escrita.

Mas meus problemas acabaram-se. Após exaustivos estudos técnicos e uma extensa pesquisa científica, na última segunda-feira cheguei ao protótipo final de um experimento revolucionário e de baixíssimo custo, que modificará para sempre a qualidade do ar no cubículo 2m x 1,5m que abriga a multinacional do tio. Faça você mesmo.

Lista de materiais:

1 botija cerâmica, dessas que o povo do interior ainda usa para armazenar água. Você há de achá-la por vinte reais em qualquer casa de quinquilharias. Se é que não tenha uma no seu sótão ou na casa da sua avó para você afanar.

1 aquecedor elétrico para aquários (recomendável de 10W). Encontrável em qualquer petshop por menos de dez reais.

Modo de fazer:

Siga estreita e minuciosamente esses procedimentos, sob pena de o artefato não funcionar e você continuar com seus problemas respiratórios. WMO*, de Goiânia, não o fez corretamente e foi acometido de gravíssimos problemas pulmonares, tendo ido à óbito na semana retrasada. MMS* de Belo Horizonte, cometeu alguns erros e a sogra dela veio morar definitivamente em sua casa. Por isso avalie cada passo dessas complicadas instruções.

1) Encha a botija com água até o gargalo.

2) Coloque a botija em um canto, o mais próximo possível de uma tomada elétrica.

3) Insira com cuidado o aquecedor dentro do recipiente, deixando chegar até o fundo e obviamente o fio elétrico para fora.

4) Verifique a voltagem do aquecedor e da tomada em questão; só ligue se forem compatíveis.

5) Após ligar, feche as janelas e portas do recinto, para que ocorra uma primeira umidificação no ambiente. Uma boa idéia é fazer isso à noite.

6) Esse processo inicial pode durar umas oito horas e depois disso você já notará a diferença na qualidade do ar. Já poderá abrir a janela normalmente.

7) Procure não deixar a porta e a janela abertas simultaneamente pois a ventilação poderá drenar a umidade criada com tanto trabalho. Ou um ou outro.

8) Verifique com freqüência o nível da botija e mantenha-a cheia até o máximo possível. Evite que a água desça até o nível do aquecedor, pois este poderá se danificar irremediavelmente.

Ps.: Deixe o recipiente sempre destampado. Senão como o vapor há de sair de lá de dentro? Dãããããã.

Registros técnicos:

A evaporação, para a relação 10W de aquecimento x 1,5 litros de água é de aproximadamente 200ml por dia, segundo apontamentos do tio. Ou seja, você terá que repor um copo de água por dia, para manter a botija cheia. Se me lembro um pouco das aulas de Física do ginásio, o volume gerado calcula-se: 0,200 x 10³ = 200 m³ de vapor. Não sei o que significa isso em percentual de umidade aqui no cubículo, mas o ar está deveras agradável graças também à porta ser mantida fechada.

Até então, torço para que o fumante da sala da frente mude-se em breve para o Haiti ou Soweto, ou mesmo faleça de asfixia nas próximas semanas.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Leiden: você ainda não conhece?

Na faixa litorânea da Holanda, com Amsterdã ao norte e Roterdã ao sul, existe um pequeno pedaço de céu na terra, incrivelmente sob tutela do que chamam de civilização humana. Trata-se de Leiden, uma pequena localidade onde mora uma amiga virtual do tio.

Els Vink é uma vovozinha agora com seus sessenta e cinco anos. O tio conheceu há uns três anos, em um dia de ócio, usando o compartilhador de músicas online. Na época era o WinMx, que consta estar extinto. Veja só as inusitadas oportunidades que a internet nos propicia. Ao detectar um usuário "puxando" uma música dentre as compartilhadas do tio, iniciou-se um bate-papo despretensioso, com ambos querendo saber quem está do outro lado do universo cibernético. Demorados alguns minutos, dado domínio escasso do idioma inglês de ambos, conseguimos nos identificar. Do lado de cá, o tio. Lá na Holanda, em uma casa linda, florida e sutil em cada detalhe de arrumação e zelo, estava a senhora Els, que vagava na internet após o almoço. Tocamos os msn´s e passamos a nos comunicar com certa freqüência.

Dessa troca de músicas - sinceramente as músicas holandesas me parecem estranhas - e de conversas à toa pelo Msn, surgiu uma interessante amizade virtual. A tia de lá mora com o marido aposentado e tem uma vidinha hiperpacata. Digna de inveja por nós, que vivemos em meio à violência, à custa do estresse, das horas pouco e mal dormidas e dos inúmeros sacrifícios que fazemos em busca de um lugar ao sol. Sol este que bate durante o dia todo, durante a primavera e o verão na casa de Els. Aí está um dos tantos lados bons da internet: acrescentei uns pontos a mais nos meus miseráveis conhecimentos de Geografia e a tia Els aprendeu que na MPB tem muito mais do que "The girl of Ipanema", até então a única canção brasileira da qual ela me disse ter ouvido falar. Se querem saber, depois da amizade com o tio até Ed Mota e Jorge Benjor a tia Els está curtindo.

Finalmente conheça um pouco desse pedaço do Éden encravado na Holanda. Veja essas fotos que tia Els me enviou no fim-de-semana. E faço um desafio: ache uma garrafa pet boiando no riacho, uma lata de cerveja no chão, uma sacola de supermercado ao vento ou mesmo o carro de um idiota, com porta-malas aberto tocando funk no último volume. Quem achar ganha um vale-brinde.

Leiden - Holland

Ps.: A tia Els podia me adotar. Vou checar essa possibilidade.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Independence day

Um sábio professor do tio disse uma coisa que, se na ocasião deixou-me incomodado, hoje se me ressente como uma facada de verdade no fígado. Ele disse que uma das razões de o Brasil ser esta mesmice burra é o fato de o processo de descolonização de Portugal ter sido feito sem uma gota de sangue. Fato é que, dentro da sua perspectiva extrativista e predadora, Portugal já havia praticamente esgotado seu divertimento aqui em Pindorama, quando ocorreu a tal "independência" (aspas propositais).

O que foi a proclamação da independência senão uma reunião de barões burocratas, com um jovem fidalgo nada chegado às obrigações da realeza? Jovem esse - vale dizer - muito mais chegado aos tragos nas bodegas e aos agrados das senhoritas gentis, do que aos deveres de um dirigente político. Não houve mais nada, senhores. O pomposo afresco de Pedro Américo que ilustra o seu xará no alto de um morro, erguendo a espada e cercado de cavaleiros autonomistas, nada tem a ver com o conchavão de elite que afastou a família real do Brasil. A verdade é que os portugas da corôa lusa jamais gostaram desta terra selvagem, quente e povoada por silvícolas peladões. É de se concluir facilmente que, dentre os nobres que para cá vinham, a maioria tenha sido composta de estafetas reais falidos, endividados e desapropriados de suas moradias, cujos destinos e cargos destinados se originavam de castigo real. É mais ou menos como hoje ser nomeado para um posto de secretário adjunto de assuntos diplomáticos no Acre, para ganhar mil reais e trabalhar na divisa com a Bolívia, sem ar-condicionado, sem parabólica, sem internet e sem repelente de mosquitos.

Por isso entre as histórias bizarras que se contam dos nobres portugas acá aportados, sobram narrativas de mulheres de muitos homens, fidalgos efeminados e gente com pouca sanidade ou nenhuma clareza intelectual. Se houve um retrato realista desse período, terá sido sim o pintado por Walcyr Carrasco na novela Xica da Silva. Condes falidos, condessas endividadas e libidinosas e capatazes do terceiro escalão, que vinham fazer pavão aqui desfilando de liteira. Alguns até arrecadavam fundos para supostas obras de caridade, que na verdade tinham por únicos beneficiários a si próprios. Mais real do que Walcyr Carrasco, só mesmo o rei.

Mas voltando à independência do Brasil, enquanto se ressalta a maravilha de o brasileiro ser um povo pacífico, do bem e que não aprecia contendas, eu lamento exatamente pelas mesmas características. Posso traduzir pacífico como acomodado e do bem como vassalo. Aqui as divindades do Olimpo são bem diferentes das imaginadas pelos gregos. Passividade é filha de Comodismo, Pacifismo casado com a Preguiça e Benevolência irmã de Desestima. Tudo é bem-vindo, tudo está bom, tudo fica bem. As poucas histórias de bravura que aqui ocorreram, se não foram deveras provincianas como Canudos ou específicas demais como as greves no ABC paulista, foram atos impetuosos de indivíduos que raramente conseguiram arrastar massas. Ou de mártires que se negaram ao confronto e foram assassinados covardemente. As massas preferem mesmo os botecos, onde enchem a cara ou as igrejas onde clamam para que Deus dê hoje o pedaço de pão com bromato e o leite tipo C que lhes cabe. Muito pouco para um país tão grande, tão rico em natureza, tão fértil e tão abençoado em sua geografia exuberante. Penso que esta beleza toda da Terra Brasilis seja mais digna de um povo mais ativo, mais convicto e mais impetuoso do que os acomodados brazucas. Quem sabe os muçulmanos do Oriente Médio ou os vietinamitas?

sábado, 1 de setembro de 2007

Profissões em extinção

Há um tempo atrás eu bloguei sobre o Dimas, a quem considero um personagem interessante, do mundo dos técnicos em aparelhos eletrônicos. Você que não leu ou não lembra, clique aqui antes de ler o restante deste tópico. (Pausa...) Já leu? Então vamos em frente.

Há três ou quatro semanas entreguei aos cuidados do Dimas um aparelho de som. Trata-se de um quatro-em-um da Philips, modelo AS465, bem antigo mesmo. Deve ter uns quinze anos de concepção. O AS465 já é contemporâneo do CD e possui uma unidade para tal, só que também preserva duas funcionalidades que me inclinaram a comprá-lo há uns onze anos: o sonoro possui um toca-discos e dois tape-decks.

Aos leitores mais jovens explico que toca-discos é um aparato capaz de ler discos de vinil de cinco ou doze polegadas de diâmetro, cuja música vem gravada em sulcos espirais. O disco de vinil é análogo ao CD, só que é antepassado dele e usa uma agulha de leitura, ao invés de feixe de laser. Sem saudosismo, há características de fidelidade e amplitude na reprodução sonora do vinil, que até agora não foram conseguidas pelos seus sucessores digitais. Mas isso é uma longa discussão. A respeito dos tape-decks não me alongarei, até porque nunca achei aquilo fantástico em qualidade. Meu AS465 é cuidadosamente preservado e reparado, quando necessário, sobretudo porque eu o uso como tocador quando vou digitalizar gravações analógicas.

Voltando ao Dimas, eu havia pedido que ele trocasse a cápsula do toca-discos, que era meio chinfrim, por uma magnética, que eu mesmo forneci. Dimas, já cansado e sem a destreza dos tempos passados, atualmente costuma demorar muitos dias para fazer certas coisas, que antes fazia de um dia para outro. Mas esse não é de longe seu maior problema hoje. Eu havia pedido também que comprasse uma agulha diamantada decente para instalar na cápsula. E quem disse que ele conseguiu achar a dita? De jeito algum. Quando eu fui buscar o aparelho, ele todo sem jeito pediu-me desculpas pelo insucesso parcial, avisando que não iria cobrar o serviço. Declinei à oferta dele de não cobrar e no fim ele aceitou receber ao menos a metade do valor. Visivelmente chateado, mostrou-me uma pilha enorme de aparelhos que incluíam televisores, CD players, rádios e outros tantos, todos nem tão antigos. De cada um ele sabe o defeito exato e o componente que é necessário trocar. Mas não consegue concluir seus feitos, porque o mercado não tem mais peças. Trabalho perdido, pois ele não se permite cobrar serviços incompletos. Nem mesmo a tal "taxa de orçamento", que alguns praticam no mercado. Ele acha que é desonestidade.

O fato é que Dimas dá mostras de que as suas dificuldades financeiras se avolumam, proporcionais à pilha de serviços não concluídos por inexistência de peças. Implacável, o aluguel da garagem que ocupa não leva isso em conta e idem com a necessidade de alimentar a si e à mulher. Segundo me disse, ele pressente que está na hora de encerrar a carreira. E sabe-se lá viver do quê. Dimas é dos últimos de uma competente geração de profissionais. Mas a idade avançada, a saúde não tão viçosa e algumas manobras não feitas no passado o impediram de reinventar sua profissão. Isso mesmo: reinventar-se é necessário. A Natureza nos ensina isso com a adaptação as espécies. Pobres de nós quando não o conseguimos. Pobre Dimas, que não adaptou sua profissão aos novos tempos. Torço por ele para que ainda tenha forças para tentar e consiga. E para que não tarde a fazê-lo.

E você, já reinventou sua profissão hoje? Fique esperto.