Não quis dar pormenores na ocasião a respeito da morte do Sr. Avô Xavier, que agora data de um ano. Além de o tema ser mórbido demais eu ainda estava sob efeito traumático do tratamento que é destinado aos cidadãos quando do falecimento de seus entes. Bom meu amigo, minha amiga, se você não tem bom estômago, interrompa a leitura por aqui pois isto não é pra você. Mas se quiser arriscar, vamos em frente.
Após a morte tão súbita quanto previsível dele fui eu, como único varão da restrita prole, o natural incumbido dos trâmites fúnebres. A morte ocorreu em casa sob circunstâncias rápidas, pegando de surpresa dona Avó Xavier. Chamados por esta ao final da manhã, os bombeiros do Resgate constataram a inexistência de sinais vitais. Estando o falecido caído de mau jeito no banheiro os policiais tiveram a nobreza de ajudar a vesti-lo e acomodá-lo de maneira digna na cama, já que não poderiam mais levá-lo a título de socorro. Nisso foram gentis de fato. Mas o zelo do Estado e quiçá o profissionalismo encerraram-se com esses nobres soldados Bombeiros a quem não vi mas sou grato. A seguir foi mobilizado o serviço do IML da Polícia Científica para prosseguimento.
Somente ao final da tarde - quase às dezessete horas - é que chegou o funesto veículo de condução. O motorista tinha aquela pinta estereotipada dos servidores policiais paisanas: bigodudo, barrigudo, óculos escuros à testa, camisa estampada pra fora da calça jeans surrada e tênis. Não que tenha sido indelicado, jamais, e até fez por parecer gentil. Mas considerando o conjunto da coisa o Estado realmente não tem nenhuma preocupação na lida com famílias de falecidos. O baú do carro exalava algo parecido com aqueles recolhedores de ossos dos açougues. Aberta a porta, deixou escorrer um fio d'água suja e fétida à porta da casa da viúva. O contêiner para cadáveres continha líquido provavelmente secretado por ocupantes anteriores. Não havia ajudante nem nenhum equipamento adequado para transladar o falecido até o veículo. Não tivessem sido um cobertor velho disponibilizado pela senhora e as forças do genro do falecido e deste que escreve, não sei o que o motorista haveria de fazer sozinho. Fico imaginando como não o será com os habitantes de cortiços quase inacessíveis.
Embarcado o velho Xavier, o motorista nos avisa que o legista iria embora dali a poucos minutos e a liberação legal demoraria até o dia seguinte. A não ser que ele pedisse para o legista esperar. Sem pedir previamente nossa opinião o emissário fez questão de telefonar para o IML local e só então nos inquiriu sobre o interesse de obtermos a liberação na mesma data. A conversa tinha os ares do conhecido "quebra-galho" e tanto pela suspeita enojante quanto pelo desinteresse de conduzir os trâmites às pressas dispensei a "gentileza". Disse que deviam fazer tudo de acordo com os padrões operacionais ao que o condutor se mandou, deixando o telefone e o endereço a ser visitado no dia seguinte.
Por volta de oito horas da manhã posterior, dirigi-me ao IML da região. O prédio e o ambiente não eram convidativos, obviamente. Mas somados às fisionomias dos funcionários que lembravam filmes "B" de terror, parecia que tudo visava o desconforto acima de qualquer coisa. Como se não bastasse, demoraram mais três horas, sem qualquer informação parcial, até que eu fosse chamado para fazer o que chamam de "reconhecimento" e assinasse os papéis. E é neste ponto que a putrefação toma os odores de fato.
Tive que entrar em um salão aos fundos. A cinco metros de distância já era possível saber que lá não havia senão seres em decomposição. Um misto de podre e amônia que faria arder o nariz mais insensível. As instalações do lugar são péssimas: sem refrigeração, sem ventilação, sem filtragem de ar e nada que aparente assepsia básica. Fui dono de uma casa de carnes e posso garantir que com um zelo básico - à base de cloro- o local poderia ser melhor, evitando que os reconhecedores como eu tivessem que pisar em fluídos humanos escorridos pelo chão. Também digo que para alguém reconhecer um familiar morto, não custaria nada aos cofres públicos segregá-lo momentaneamente em uma ante-sala, para que não se tivesse que ziguezaguear em outra dúzia de corpos, até chegar no de seu ente. Até então só tinha visto coisa tão deprimente em filmes. Mostrando o rosto do falecido sem cerimônia o funcionário explicou que devido à contração muscular os mortos ficam com a boca aberta, mas que eles - os funcionários - poderiam camuflar o fato com a inserção de algodão. Ignorando o que eu estava passando com a cena e a tosca abordagem, ele passou a enfiar toneladas de algodão na boca do morto, socando com uma pinça para surtir o efeito explicado. Simples assim, como quem estivesse enchendo uma almofada e ele não podia esperar eu me retirar. Tinha que fazê-lo à minha frente e faltou cantarolar, já que proseava sem a menor preocupação.
Concluído o feito, o funcionário do serviço funerário chama-me noutro canto, em uma sala interna ao putrefatório. Lá ele explica que somente um serviço básico de lavagem e vestir é feito de praxe, mas que ele entende que não fica bem assim e presta um complemento que poderia incluir cabelos, barba e até maquiagem para tirar a palidez cadavérica. Fez questão de dizer que não me cobraria nada pelo serviço mas insistiu que eu adquirisse as flores de um "conhecido", para quem telefonou de um ramal do próprio IML. Deu o preço do arranjo sem constrangimento, como é próprio dos bons homens de negócios. Abatido pela situação, mal impressionado com aquele lugar e ansioso para finalizar os arranjos, eu consenti e entreguei as roupas com as quais o morto deveria ser vestido, saindo o mais rápido que pude.
De lá rumei para outro local, este da prefeitura, para negociar a urna funerária popularmente conhecida como caixão. Dessa parte, quase que menos desagradável, saltou-me o fato de que o moderníssimo Serviço Funerário Municipal não aceita qualquer tipo de pagamento eletrônico, o que me obrigou a sair e fazer alguns saques em caixas eletrônicos próximos, para inteirar o valor do item escolhido. Eles até que aceitam cheques, mas não tenho por hábito emiti-los de minha pessoa física e era esse o único tipo aceitável.
No velório e sepultamento nada a supreender. Depois do contato inicial com a frieza e descaso estatal da casa putrefata, o resto é ficha. Mas curioso é o desespero de causa e oportunismo de funcionários fazendo serviços particulares em pleno próprio municipal e no meio do expediente. Após descerem o Sr. Xavier à sua morada definitiva e sepultarem-no, um preocupado coveiro me identificou e me chamou à parte. Proferiu comoventes palavras de conforto - algo como "infelizmente é o destino de todos nós" e "este é o nosso trabalho" - que finalizaram com a oferta de um atencioso serviço de jardinagem que eles mesmos prestam, para "dar um cuidado merecido para o falecido" - nas palavras dele -. Por módicos cinquenta reais mensais, em dinheiro e entregues somente a ele, o finado Xavier receberia um modesto jardim, que seria zelado com atenção evitando que o endereço ficasse com aspecto de desbarrancado e abandonado como outros, que o funcionário apontou no entôrno. Descrente dos reais benefícios que cuidar de mortos possa proporcionar aos próprios ou a nós, dispensei o préstimo sem explicações. Acredite que ele ainda tentou insistir, apelando para a consideração com a memória do morto e nojeiras similares. Senti vontade de socar-lhe o focinho.
Dias depois contei à viúva - somente este último episódio - dando-lhe a chance de decidir se compactuava ou então contratasse um honesto particular. Todavia ela compartilha da minha opinião, de que não é depois de mortas que as pessoas merecem nosso zelo. Há sempre os vivos para tal. Não temos sequer o hábito de visitar túmulos, mas antes visitar as pessoas em vida, para fofocar e tomar café.
E é isso meu caro. Caso você se veja diante do inevitável infortúnio de perder um familiar e seja o eleito para representar a família perante o Estado, já sabe o que enfrentará. Prepare o nariz e o estômago. Literalmente.
SARCASMO, OPINIÃO E TALVEZ ALGUM HUMOR *** AVISO: Se você ler esse blog e for conhecido do Tio Xavier™, poderá se identificar com algum personagem das situações narradas. Esta não é uma obra de ficção. Portanto não terá sido mera coincidência. Tio Xavier™ está pouco se lixando para o que você vai achar. ***
domingo, 5 de abril de 2009
domingo, 29 de março de 2009
Compartilhando conhecimentos
Tive uma brilhante idéia (como a maioria das minhas o são). Já que estou estudando desde ontem e interrompi somente para dormir, deixando mais uma vez esta espelunca abandonada, decidi compartilhar com os leitores uma das questões que estou respondendo para a aula de Ética Política e Educação do meu curso.
A questão ora publicada versa sobre a relação entre educação, prática política e poder. Veja se lê isso e adquire um pouco de cultura pelo menos.
Rios parte do princípio de que a educação é uma prática política e situa-se na tênue linha entre a manutenção cultural e a crítica transformadora. O papel da educação e sua caracterização estão implícitos na escolha de temas, abordagem e metodologia educacional. Defendendo que o exercício da educação seja político e dentro desta implique em transformar, Rios defende uma educação que questione a si própria quanto aos seus objetivos. A questão pode ser reformulada para "que tipo de ensino se quer praticar?". Um ensino libertador presume o escancaramento das próprias premissas e objetivos, uma vez que não se pode falar em neutralidade.
A educação concebida por Freire tem cunho libertário e crítico. Seus objetivos são a conscientização, construção de visão crítica, abordagem sócio-política e ação transformadora. Os princípios freireanos propoem partir dos conhecimentos prévios do educando - considerando que seu trabalho foi predominantemente com adultos - o lançamento do que chamou-se "temas geradores". É sobre esses temas geradores que trabalha-se a elaboração de textos, a alfabetização e o letramento, sempre dentro do contexto de vida das comunidades e da discussão crítica da situação.
Giroux enxerga o mundo atual a partir da globalização e as gigantescas mudanças que transcorrem. O recuo das fronteiras geopolíticas e do conhecimento a partir do avanço das telecomunicações, novas mídias eletrônicas, os fluxos migratórios e as mudança econômicas influenciam diariamente a vida dos seres humanos e dentre estes, os estudantes. Um dos pontos principais de sua crítica à área educacional é que ela não está atendendo às novas necessidades decorrentes desse mundo em mudança acelerada. Ele afirmou em entrevista à revista Language and Intercultural Communication que "... as tendências políticas conservadoras que têm imposto uma definição de excelência em educação que significa mais uma submissão às pressões de mercado..."(*) dando a entender que essa suposta "excelência" segue a lógica do Capital (satisfação das necessidades de mão-de-obra) e da manutenção do status-quo político e social, ao invés de proporcionar abordagens inovadoras e críticas.
A pauta de Giroux para a educação não é nada superficial nem modesta e propõe colocar em discussão tanto o quê, quanto para quê e como realizar a prática educativa. Entre as questões lançadas pelo próprio estão: “Porque é que nós [educadores] fazemos o que fazemos do modo como o fazemos”? “Que interesses serve a escolaridade”? “Como devemos perceber e relacionarmo-nos com os diversos contextos nos quais a educação acontece”?
(*) http://www.henryagiroux.com/RoleOfCritPedagogy_Port.htm. Entrevista traduzida por Manuela Guilherme (PT).
A questão ora publicada versa sobre a relação entre educação, prática política e poder. Veja se lê isso e adquire um pouco de cultura pelo menos.
Rios parte do princípio de que a educação é uma prática política e situa-se na tênue linha entre a manutenção cultural e a crítica transformadora. O papel da educação e sua caracterização estão implícitos na escolha de temas, abordagem e metodologia educacional. Defendendo que o exercício da educação seja político e dentro desta implique em transformar, Rios defende uma educação que questione a si própria quanto aos seus objetivos. A questão pode ser reformulada para "que tipo de ensino se quer praticar?". Um ensino libertador presume o escancaramento das próprias premissas e objetivos, uma vez que não se pode falar em neutralidade.
A educação concebida por Freire tem cunho libertário e crítico. Seus objetivos são a conscientização, construção de visão crítica, abordagem sócio-política e ação transformadora. Os princípios freireanos propoem partir dos conhecimentos prévios do educando - considerando que seu trabalho foi predominantemente com adultos - o lançamento do que chamou-se "temas geradores". É sobre esses temas geradores que trabalha-se a elaboração de textos, a alfabetização e o letramento, sempre dentro do contexto de vida das comunidades e da discussão crítica da situação.
Giroux enxerga o mundo atual a partir da globalização e as gigantescas mudanças que transcorrem. O recuo das fronteiras geopolíticas e do conhecimento a partir do avanço das telecomunicações, novas mídias eletrônicas, os fluxos migratórios e as mudança econômicas influenciam diariamente a vida dos seres humanos e dentre estes, os estudantes. Um dos pontos principais de sua crítica à área educacional é que ela não está atendendo às novas necessidades decorrentes desse mundo em mudança acelerada. Ele afirmou em entrevista à revista Language and Intercultural Communication que "... as tendências políticas conservadoras que têm imposto uma definição de excelência em educação que significa mais uma submissão às pressões de mercado..."(*) dando a entender que essa suposta "excelência" segue a lógica do Capital (satisfação das necessidades de mão-de-obra) e da manutenção do status-quo político e social, ao invés de proporcionar abordagens inovadoras e críticas.A pauta de Giroux para a educação não é nada superficial nem modesta e propõe colocar em discussão tanto o quê, quanto para quê e como realizar a prática educativa. Entre as questões lançadas pelo próprio estão: “Porque é que nós [educadores] fazemos o que fazemos do modo como o fazemos”? “Que interesses serve a escolaridade”? “Como devemos perceber e relacionarmo-nos com os diversos contextos nos quais a educação acontece”?
(*) http://www.henryagiroux.com/RoleOfCritPedagogy_Port.htm. Entrevista traduzida por Manuela Guilherme (PT).
sábado, 28 de março de 2009
Justa homenagem
Os amantes da boa música dançante e que por ventura tenham ouvidos apurados não podem deixar de dar uma espiada no blog Dance Disco Music.
Lá podem ser encontrados links de músicas da época de ouro da black music, de artistas renomados como Stevie Wonder, Marvin Gaye, Donna Summer, Diana Ross e bandas como Earth Wind & Fire, Kook & The Gang, The Emotions, The Jacksons Five e uma infinidade de artistas que remontam o melhor da Motown. A música dançante mais "branca" também está representada no DDM com Santa Esmeralda, Village People, Abba, Patrick Hernandez e outros que as décadas de 70 e 80 nos legaram de melhor.
Os links são downloadáveis e o acervo é quase todo digitalizado a partir de raridades em vinil e K7. Se você der uma passada é bem provável que colocará o link nos seus favoritos. Parabéns aos mantenedores do DMM. Agora confira você mesmo.
Lá podem ser encontrados links de músicas da época de ouro da black music, de artistas renomados como Stevie Wonder, Marvin Gaye, Donna Summer, Diana Ross e bandas como Earth Wind & Fire, Kook & The Gang, The Emotions, The Jacksons Five e uma infinidade de artistas que remontam o melhor da Motown. A música dançante mais "branca" também está representada no DDM com Santa Esmeralda, Village People, Abba, Patrick Hernandez e outros que as décadas de 70 e 80 nos legaram de melhor.Os links são downloadáveis e o acervo é quase todo digitalizado a partir de raridades em vinil e K7. Se você der uma passada é bem provável que colocará o link nos seus favoritos. Parabéns aos mantenedores do DMM. Agora confira você mesmo.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Coming soon...
A você que já se encheu de passar por aqui e não achar nada novo eu explico: a empresa pra quem estou trabalhando não aderiu à crise. Por isso projetos novos e um grande número de atendimentos a clientes estão me massacrando. Pelo menos estão tendo compensação financeira. Já tenho dinheiro pra comer uma pizza meia calabreza, meia muzzarela neste sábado. No Habib´s que é mais barato, claro.
Além disso não sei o que deu nos professores da faculdade. Trocentas apostilas pra ler, fóruns na plataforma EAD, aulas que estou ministrando aos sábados e uma pilha de trabalhos pra entregar estão fazendo do meu curso a nova versão de Survivor (aqui chamava-se "No Limite" e era apresentado por Zeca Camargo). Só espero que esse sacrifício todo seja suficiente pra eliminar as alunas não-alfabetizadas da minha turma.
Se eu não sofrer um AVC nos próximos dias voltarei a postar aqui. Peço a compreensão dos cinco leitores desta espelunca.
Além disso não sei o que deu nos professores da faculdade. Trocentas apostilas pra ler, fóruns na plataforma EAD, aulas que estou ministrando aos sábados e uma pilha de trabalhos pra entregar estão fazendo do meu curso a nova versão de Survivor (aqui chamava-se "No Limite" e era apresentado por Zeca Camargo). Só espero que esse sacrifício todo seja suficiente pra eliminar as alunas não-alfabetizadas da minha turma.
Se eu não sofrer um AVC nos próximos dias voltarei a postar aqui. Peço a compreensão dos cinco leitores desta espelunca.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Ortografia medonha
Não dá pra conceber um site da monta do Baixaki, ter na página de abertura uma chamada com esses linguicídios. Considerando a escandalosa disortografia da molecada, isso sem dúvida é um pobrema.
Atenção bons alunos de Letras e professores idem: mandem currículos pra redação do Baixaki pois há vagas. Bem, deve haver. Pelo menos como revisor.
Atenção bons alunos de Letras e professores idem: mandem currículos pra redação do Baixaki pois há vagas. Bem, deve haver. Pelo menos como revisor.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Matemática medonha
Semana passada comprei um produtinho que me custou R$ 4,58. Dei à balconista R$ 5,00 e tratei de achar 8 centavos na carteira para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para ele. Seu olhar era perdido e a bichinha mostrava claramente que não sabia o que fazer.
Expliquei que bastava me dar 50 centavos de troco. Ela não se convenceu e o gerente que estava de olho correu para acudir. Dava pra ver a cara de interrogação gigante dela enquanto o infeliz tentava explicar.
Por que estou contando isso? Porque me dei conta da "evolução" do ensino nas últimas décadas. Em Matemática para quarta série (atual 5º ano), foi mais ou menos assim:
1. Ensino de Matemática em 1958:
Um cortador de lenha vendeu um carro de lenha por Cr$ 100,00 e auferiu 20% de lucro. Qual foi o custo de obtenção em cruzeiros? Quantos carros de lenha ele precisaria vender para lucrar Cr$ 200,00?
2. Ensino de Matemática em 1968:
Um cortador de lenha vendeu um carro de lenha por NCr$ 100,00. O custo de obtenção desse carro de lenha foi de 4/5 do preço de venda e os impostos sobre o lucro foram de 10%. Qual foi o lucro líquido, em percentual e em cruzeiros novos?
3. Ensino de Matemática em 1978:
Um cortador de lenha vendeu um carro de lenha por Cr$ 100,00. O custo de obtenção desse carro de lenha foi de 80% do preço de venda. Qual foi o lucro?
4. Ensino de Matemática em 1988:
Um cortador de lenha vendeu um carro de lenha por Cz$ 100,00. O custo de obtenção desse carro de lenha foi Cz$ 80,00. Faça a subtração e responda: Qual foi o lucro?
5. Ensino de Matemática em 1998:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo desse carro de lenha é R$ 80,00. Resolva R$ 100,00 - R$ 80,00 = X e escolha a resposta certa que indica o lucro:
( ) R$ 20,00 ( ) R$200,00 ( ) R$2.000,00 ( ) R$20.000,00 ( ) R$200.000,00
6. Ensino de Matemática em 2000:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. Ele gastou R$ 80,00 para obtê-lo e o lucro foi de R$ 20,00. Está certo?
( ) Sim ( ) Não
7. Ensino de Matemática em 2008:
Um atravessador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. Ele comprou por R$ 80,00 e por isso lucrou R$ 20,00. Leia com atenção abaixo e assinale a alternativa que corresponde ao lucro.
( ) R$ 20,00 ( ) R$200,00 ( ) R$2.000,00 ( ) R$20.000,00 ( ) R$200.000,00
Pior ainda são alguns docentes que não abrem mão do famigerado "Livro do Professor" com tudo resolvidinho, pra ele só comparar a resposta do aluno.
É por isso que a geração "tipo assim" corre pro vestibular para a área "diumanas". Então vem a parte pior: é ISTO AQUI caso você não tenha lido ainda.
Expliquei que bastava me dar 50 centavos de troco. Ela não se convenceu e o gerente que estava de olho correu para acudir. Dava pra ver a cara de interrogação gigante dela enquanto o infeliz tentava explicar.
Por que estou contando isso? Porque me dei conta da "evolução" do ensino nas últimas décadas. Em Matemática para quarta série (atual 5º ano), foi mais ou menos assim:
1. Ensino de Matemática em 1958:
Um cortador de lenha vendeu um carro de lenha por Cr$ 100,00 e auferiu 20% de lucro. Qual foi o custo de obtenção em cruzeiros? Quantos carros de lenha ele precisaria vender para lucrar Cr$ 200,00?
2. Ensino de Matemática em 1968:
Um cortador de lenha vendeu um carro de lenha por NCr$ 100,00. O custo de obtenção desse carro de lenha foi de 4/5 do preço de venda e os impostos sobre o lucro foram de 10%. Qual foi o lucro líquido, em percentual e em cruzeiros novos?
3. Ensino de Matemática em 1978:
Um cortador de lenha vendeu um carro de lenha por Cr$ 100,00. O custo de obtenção desse carro de lenha foi de 80% do preço de venda. Qual foi o lucro?
4. Ensino de Matemática em 1988:
Um cortador de lenha vendeu um carro de lenha por Cz$ 100,00. O custo de obtenção desse carro de lenha foi Cz$ 80,00. Faça a subtração e responda: Qual foi o lucro?
5. Ensino de Matemática em 1998:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo desse carro de lenha é R$ 80,00. Resolva R$ 100,00 - R$ 80,00 = X e escolha a resposta certa que indica o lucro:
( ) R$ 20,00 ( ) R$200,00 ( ) R$2.000,00 ( ) R$20.000,00 ( ) R$200.000,00
6. Ensino de Matemática em 2000:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. Ele gastou R$ 80,00 para obtê-lo e o lucro foi de R$ 20,00. Está certo?
( ) Sim ( ) Não
7. Ensino de Matemática em 2008:
Um atravessador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. Ele comprou por R$ 80,00 e por isso lucrou R$ 20,00. Leia com atenção abaixo e assinale a alternativa que corresponde ao lucro.
( ) R$ 20,00 ( ) R$200,00 ( ) R$2.000,00 ( ) R$20.000,00 ( ) R$200.000,00
Pior ainda são alguns docentes que não abrem mão do famigerado "Livro do Professor" com tudo resolvidinho, pra ele só comparar a resposta do aluno.
É por isso que a geração "tipo assim" corre pro vestibular para a área "diumanas". Então vem a parte pior: é ISTO AQUI caso você não tenha lido ainda.
domingo, 1 de março de 2009
Fucking everyday?
Prefiro que você leia na Istoé AQUI mas o mercado de técnicas mirabolantes e ajuda enlatada para as pessoas chegou à cama dos casais trazendo o óbvio.
Vamos lá: você sabia que casais que transam mais vivem mais felizes? Que o sexo tem a incrível capacidade de eliminar o tédio dos casamentos? Que a vida do casal com sexo regular faz com que os cônjuges se tornem mais parceiros e mais cúmplices? Incrível descoberta. Mas o fato é que a grande maioria das pessoas - com certeza você conhece várias - conseguem conduzir casamentos com um distanciamento físico de fazer inveja a inimigos.
Leia a matéria indicada e surpreenda-se com o casal estadunidense Annie & Douglas. Eles fizeram uma espécie de auto-terapia, composta de uma maratona ininterrupta de X dias com festinha na cama. Há também o casal conterrâneo Charla & Brad (não se empolguem meninas, não é o Pitt) na mesma faixa etária, no qual ela adotou a maratona sem falar com o marido. E deu certo.
Curiosos são os supostos comentários sobre as amigas de Charla. Diz ela: "... Quando contei às minhas amigas do meu plano, elas me perguntaram se eu andava bebendo. Uma delas implorou para eu não deixar o marido dela saber". Ou seja, há um sem-número de pessoas provavelmente entediadas com o parceiro, que fogem do sexo como o vampiro do alho. Daí nascem as tais dores-de-cabeça e demais desculpinhas esfarrapadas. Esse comportamento repulsivo esconde o fato de que as pessoas vão perdendo o interesse pelo parceiro e até pelo sexo em si. Exceto no seriado Desperate Housewives - que o comediante Chris Brown chama carinhosa e sinteticamente de Putas. Nesta, as entediadas esposas procuram freneticamente por aventuras sexuais fora de casa. Prováveis exceções. De modo geral, o que ocorre é apatia mesmo. Pesquise sutilmente entre seus amigos(as) casados(as).
Esse assunto dá muito pano pra manga. Pra começar que a sacralização do sexo pode estar por trás desse tédio. A (suposta) exclusividade do casal no que tange o sexual é uma provável causa de anestesiamento. Há pesquisas que afirmam que o cérebro tende a inibir a percepção de cheiros recorrentes como mecanismo de defesa (é o que impede o lixeiro morrer de náusea). Essa mesma defesa joga contra a ação dos feromônios exalados pelo(a) parceiro(a). Dessa forma, supõe-se que no decorrer de certo tempo, um casal tenda a não sentir atração mútua tendo desenvolvido insensibilidade aos feromônios do outro. Os feromônios contém características distintas em cada indivíduo, trazendo consigo atrativos específicos. Daí que é possível a um indivíduo não ser mais atraído pelos feromônios do(a) parceiro(a) - no caso da monogamia - e sentir-se atraído(a) por outrem. Tá captando? Pois é. Imagina o pano pra manga que essa discussão dá.
A monogamia é um fato cultural e está muito mais ligada a questões econômicas do que antropológicas. A religião, a moral e as leis apenas legitimam os hábitos constituídos. Traduzindo, grande parte dos povos - senão a maioria - adotou modelos de uniões exclusivas, com um só parceiro, motivada por questões relativas aos bens, herança e ao modo de produção. Não há nada de natural nisso. Por medo da divisão de propriedades é que as civilizações e povos adotaram a monogamia. Que o digam os camaradas Marx & Engels (saiba mais). Mas deixa eu encerrar por aqui, porque minhas opiniões a respeito são um tanto polêmicas e não quero me complicar. Se quiser levantar mais poeira e ferver mais a sua cacholinha, dê uma lida em coisas como isto AQUI.
Conselho do Dr. Sigmund Xavier: sexo é bom e merece atenção e dedicação. Dizem que sexo é bom até quando é ruim. Pessoas que não fazem são geralmente frustradas e descarregam essa energia vital em atividades medíocres, como palpitar sobre a vida alheia ou arranjar encrenca com quem está quieto. Tá estressado? Vai trepar. E tenho dito.
Vamos lá: você sabia que casais que transam mais vivem mais felizes? Que o sexo tem a incrível capacidade de eliminar o tédio dos casamentos? Que a vida do casal com sexo regular faz com que os cônjuges se tornem mais parceiros e mais cúmplices? Incrível descoberta. Mas o fato é que a grande maioria das pessoas - com certeza você conhece várias - conseguem conduzir casamentos com um distanciamento físico de fazer inveja a inimigos.
Leia a matéria indicada e surpreenda-se com o casal estadunidense Annie & Douglas. Eles fizeram uma espécie de auto-terapia, composta de uma maratona ininterrupta de X dias com festinha na cama. Há também o casal conterrâneo Charla & Brad (não se empolguem meninas, não é o Pitt) na mesma faixa etária, no qual ela adotou a maratona sem falar com o marido. E deu certo.
Curiosos são os supostos comentários sobre as amigas de Charla. Diz ela: "... Quando contei às minhas amigas do meu plano, elas me perguntaram se eu andava bebendo. Uma delas implorou para eu não deixar o marido dela saber". Ou seja, há um sem-número de pessoas provavelmente entediadas com o parceiro, que fogem do sexo como o vampiro do alho. Daí nascem as tais dores-de-cabeça e demais desculpinhas esfarrapadas. Esse comportamento repulsivo esconde o fato de que as pessoas vão perdendo o interesse pelo parceiro e até pelo sexo em si. Exceto no seriado Desperate Housewives - que o comediante Chris Brown chama carinhosa e sinteticamente de Putas. Nesta, as entediadas esposas procuram freneticamente por aventuras sexuais fora de casa. Prováveis exceções. De modo geral, o que ocorre é apatia mesmo. Pesquise sutilmente entre seus amigos(as) casados(as).
Esse assunto dá muito pano pra manga. Pra começar que a sacralização do sexo pode estar por trás desse tédio. A (suposta) exclusividade do casal no que tange o sexual é uma provável causa de anestesiamento. Há pesquisas que afirmam que o cérebro tende a inibir a percepção de cheiros recorrentes como mecanismo de defesa (é o que impede o lixeiro morrer de náusea). Essa mesma defesa joga contra a ação dos feromônios exalados pelo(a) parceiro(a). Dessa forma, supõe-se que no decorrer de certo tempo, um casal tenda a não sentir atração mútua tendo desenvolvido insensibilidade aos feromônios do outro. Os feromônios contém características distintas em cada indivíduo, trazendo consigo atrativos específicos. Daí que é possível a um indivíduo não ser mais atraído pelos feromônios do(a) parceiro(a) - no caso da monogamia - e sentir-se atraído(a) por outrem. Tá captando? Pois é. Imagina o pano pra manga que essa discussão dá.
A monogamia é um fato cultural e está muito mais ligada a questões econômicas do que antropológicas. A religião, a moral e as leis apenas legitimam os hábitos constituídos. Traduzindo, grande parte dos povos - senão a maioria - adotou modelos de uniões exclusivas, com um só parceiro, motivada por questões relativas aos bens, herança e ao modo de produção. Não há nada de natural nisso. Por medo da divisão de propriedades é que as civilizações e povos adotaram a monogamia. Que o digam os camaradas Marx & Engels (saiba mais). Mas deixa eu encerrar por aqui, porque minhas opiniões a respeito são um tanto polêmicas e não quero me complicar. Se quiser levantar mais poeira e ferver mais a sua cacholinha, dê uma lida em coisas como isto AQUI.
Conselho do Dr. Sigmund Xavier: sexo é bom e merece atenção e dedicação. Dizem que sexo é bom até quando é ruim. Pessoas que não fazem são geralmente frustradas e descarregam essa energia vital em atividades medíocres, como palpitar sobre a vida alheia ou arranjar encrenca com quem está quieto. Tá estressado? Vai trepar. E tenho dito.
Nova Ortografia? A tecnologia resolve
Depois que foi decretado esse maldito acordo ortográfico vi caírem por terra as décadas de leitura com afinco, as centenas de livros que devorei e até a alfabetização precoce, que outrora me garantiu ler todo O Sítio do Picapau Amarelo antes mesmo de ir para a escola. Tudo perdido.Agora o tio corre o risco de passar por tão iletrado quando a gentalha incluída no mundo digital via Orkut e Msn, já que todos escrevemos errado até que se prove o contrário. É bem verdade que já refuguei os três dicionários que mantinha no acervo pessoal e encomendei um dicionário com a Nova Ortografia. Não tenho escolha, a não ser que eu queira não ser mais compreendido daqui uns anos. E para quem redige propostas, projetos e documentos comerciais todos os dias isso é a morte, sobretudo no aspecto financeiro.
Mas como tecnófilo de plantão eu não podia deixar de procurar alguma pérola cibernética para resolver minha disortografia recém-adquirida. E achei! Meus pobremas se acabaram-se.
Conheça o umportugues.com, que promete corrigir criteriosamente todos os textos digitados ou colados em determinada caixa, de acordo com as novas normas. Para quem precisará em breve elaborar o TCC, o site foi um achado dos deuses.
EXEMPLO

EXEMPLO CORRIGIDO
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Moda fashion IV - Gladiator
Modinhas passam. Estilo fica. E estilo é tudo o que falta na maioria das peças grotescas que as indústrias testam nas passarelas e a seguir despejam nas lojas em versões para todos os bolsos, da requintada Oscar Freire à muvuca proletária da March 25th Street em Sampa.
No capítulo de hoje o tio detonará com um calçado que pode ser visto nas ruas, nos pés de moçoilas desavisadas e sem o menor senso de ridículo. Confesso que fiquei em estado de choque quando vi pela primeira vez. Só não bloguei antes por não saber o nome específico dessa aberração. E com vocês...
Por favor, minha senhora, minha senhorita. Se você não vai trabalhar de figurante na seqüência de 300, Gladiador-II - A Vingança ou em um improvável Troy-II,o Retorno nunca, jamais e nem em tempo algum calce isso. É horrível. Destaque para essa última da direita. Não lembra polainas, só que com solado?
Prometam. Coloquem a mão direita sobre a Bíblia, o Alcorão ou qualquer livro que considerem sagrado e jurem. Repitam, vamos lá: "NUNCA CALÇAREI ISSO, TIO".
Agradeço desde já.
No capítulo de hoje o tio detonará com um calçado que pode ser visto nas ruas, nos pés de moçoilas desavisadas e sem o menor senso de ridículo. Confesso que fiquei em estado de choque quando vi pela primeira vez. Só não bloguei antes por não saber o nome específico dessa aberração. E com vocês...
... AS SANDÁLIAS GLADIADOR
Por favor, minha senhora, minha senhorita. Se você não vai trabalhar de figurante na seqüência de 300, Gladiador-II - A Vingança ou em um improvável Troy-II,o Retorno nunca, jamais e nem em tempo algum calce isso. É horrível. Destaque para essa última da direita. Não lembra polainas, só que com solado?Prometam. Coloquem a mão direita sobre a Bíblia, o Alcorão ou qualquer livro que considerem sagrado e jurem. Repitam, vamos lá: "NUNCA CALÇAREI ISSO, TIO".
Agradeço desde já.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
De gaiato num navio
Todos já viram a merda que está dando no cruzeiro do Costa Romântica, da companhia uruguaia Costa Cruzeiros. Pobre não tem vez mesmo. Quando esses cruzeiros começaram a virar carne de vaca, algo me dizia que essas canoas gigantes já não estavam mais caindo nas graças dazelite inresponçáviu. Se fosse bom, a classe média emergente e endividada nos cartões e no especial continuaria a não ter acesso. Mas não. A racinha metida acha que virou elite e não que está usufruindo de descarte dos ricos.Quando comecei a ouvir rádios FM fazendo promoções de baladas em alto-mar e os minicruzeiros começaram a aparecer nos cartazes até da agenciazinha fubanga do bairro, algo me dizia que o glamour já se foi. Até a empresa onde a darling trabalha levou os funcionários pra passear de canoão no final do ano. Eu logo imaginei que se não fosse baratinho, a empresa resumiria a confraternização naquela velha churrascada no sítio, com pagode e cerveja quente. Mas não. Até "as firma" - como dizem os operários - já estão embarcando a galera no melhor estilo "festa na lage em alto-mar".
Agora estão lá: um monte de pessoas, sem rango, sem banheiro, sem banho, sem nada naquela que devia ser a viagem dos sonhos e deve estar custando 340934890 prestações no cartão de crédito. Pobre é uma merda. Crasse média pior ainda. Só se f... E ainda paga imposto paca.
"Trata-se de um navio sofisticado e cheio de charme, onde todos os espaços, do hall às cabinas, são grandiosos, decorados segundo os critérios do melhor design italiano. Caracterizado por um estilo náutico rigoroso e descontraído, de uma elegância única, o Costa Romantica é enriquecido com obras de arte de renome entre as quais duas esculturas japonesas Susumu Shingu. Um verdadeiro ponto de encontro entre cultura e relax para todos aqueles românticos que amam ritmos doces e informais."(Fonte: o site deles mesmos, claro)
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Armadilhas da indústria e da mídia
Vade retro de o tio defender mulheres-fruta. Nem melancia, nem jaca, nem maracujá, nem morango. A propósito das frutas e infelizmente, sou muito pouco adepto delas. Frutinhas muito menos. Exceto o açaí que saboreio sob a forma de vitamina batida em um determinado local que já citei AQUI.Só que essas mulheres-fruta, celebridades instantâneas, são vítima dos valores que elas mesmas cultuam. Merecem pois o escracho. Tal como aconteceu com a "sensacional" Mulher-Morango (será por causa de cravos na pele?). A dita saiu no carnaval saracuteando as formas não tão bem aceitas pelas indústrias fitness e fashion e levou na mídia uma menção inglória, pelas indesejáveis dobrinhas na região da cintura. Não sei como a Vigilância Sanitária não foi lá fiscalizar se ela se enxuga bem após o banho, afinal de contas o Aedes Egypty põe ovos em água parada nos pneus, entre outros locais. Mas dane-se a talzinha, cuja existência só fiquei sabendo ao receber o link da reportagem junto com um comentário sarcástico de uma amiga, de quem preservarei a identidade para fins de direito (só digo que é professora de Filosofia em colégios católicos renomados).
As indústrias da beleza a todo custo, da roupa da moda e das academias que proliferam como dengue vendem um modelo físico quase inacessível para 90% das mulheres. Tanto estas como as que conseguem com sacrifícios físicos e financeiros adotam-no como referência. O resultado é a frustração da imensa maioria e fome crônica da minoria bem-sucedida. Fato é que a cultura barbie invadiu o mercado para desespero da mulherada, cuja auto-estima despenca ano após ano, malograda pelas receitas mágicas ao mesmo tempo que a população é bombardeada pelos lobbies da comida processada e do fast-food.
Claro que TODOS devemos procurar hábitos alimentares e físicos que conduzam à saúde, assim entendida como capacidade plena para fazer nossas tarefas do cotidiano, incluindo o lazer, e ausência de indicadores de risco como triglicérides, colesterol e pressão arterial altos demais. O desconforto é outro ponto. Ninguém com 150Kg há de se sentir à vontade em uma poltrona de coletivo, metrô, ônibus ou - pior ainda - de avião. Por isso a busca de equilíbrio é vital e sinais como fadiga e indisposição indicam que o sujeito precisa fazer algo urgente em prol da saúde e oxalá da auto-estima. Basta lembrar da piadinha velha de que a mulher que transa com o gordo sente dois prazeres (e vice-versa, viu dona baleia?).
A infeliz Mulher-Morango saiu na foto como vítima de si mesma e do estereótipo de mulher-objeto que ajuda a sustentar. Não fosse sua infame "profissão artística" de funkeira, talvez ela cuidasse melhor de outros aspectos da sua imagem capazes de posicionar de forma mais digna a sua imagem pública, que não fosse "agachando até o chão, chão, chão-chão-chão". Quem sabe ela soubesse opinar sobre fatos do cotidiano e transmitir aos espectadores qualquer coisa que não fosse a infame personagem sexista e grotesca para a qual se veste. Aliás, mais se despe do que veste.
Enquanto isso homens com algum nível de atividade neural - além da respiração e do ciclo digestivo - continuam a preferir construir a vida com as mulheres do mundo real, incluindo seus pequenos excessos como os temidos (por elas) pneuzinhos. Mulheres que cultivam, além da saúde os demais aspectos da vida, muito superiores ao simples zelo pelas bundas, peitos e a busca doentia pelo abdômen fictício da boneca esquálida estadunidense. Eu pelo menos prefiro.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Ah, o Carnaval... em casa
Uma pena. O tio estava tentando ir para um bucólico lugar no interior de São Paulo durante o Carnaval. Trata-se do sítio de uns amigos finesse, sito à beira de uma represa onde felizmente até as ondas de celular são raras e dificultosas. O objetivo indubitável era ficar longe do bumbum-paticumbum-prugurundum, de carros com porta-malas escancarados tocando axé, de gente ensandecida achando que o deus dos cristãos vai lançar chamas sobre o planeta na quarta-feira de cinzas e resta-lhe procurar os últimos suspiros de prazer, dentro das bizarrices que lhes aprazem. Resumindo: apenas um pouco de paz.
Antes de mais nada o tio não tem nada contra o Carnaval. Festa é festa. E se em questa cazzo di vita não tivermos momentos para festejar um pouco, melhor morrer. Mas há momentos em que queremos apenas olhar o campo, acordar com o trinar de pássaros, cacarejos e latidos. Só isso. Voltando ao sítio dos amigos, ficamos sabendo os refinados proprietários receberiam outra família de conhecidos - a quem secretamente me refiro como cohabentos - pra passar o feriadão. E isso foi o bastante para nos demover dos planos. Não que sejam má gente, jamais. São pessoas da melhor índole possível, calorosos, prestativos e amistosos.
Mas digamos que o adjetivo cohabentos que lhes atribuo tem a ver com hábitos muito ruidosos, esfuziantes demais, festivos demais e por que não dizer muvuqueiros demais. O pobre tio, que pensava apenas na paz do campo, no alvorecer por trás da serra, no trinar matinal do passaredo e nos coachar noturno dos batráquios, teria que se contentar com porta-malas de carros abertos, boomboxes ligados e até com o aparelho de som da sala tocando axé, bléque míuzique e pagode a quatrocentos e cinqüenta decibéis. Isso sem falar nas coreografias, dancinhas e brincadeiras divertidíssimas, como seqüestrar um desavisado e arremessá-lo na piscina. As sonhadas tranqüilas refeições seriam substituídas por banquetes dignos de castelos nórdicos medievais, tal a variedade de comidas gordurosas e quantidade de pessoas a se servir. Tudo com muito coentro e cominho (argh!). Mas não é só isso.
Como degustador de uma boa cachacinha de roça, tragada vagarosamente em copo minúsculo eu também não apreciaria passar o dia vendo pessoas abrindo latas e mais latas de cerveja e produzindo jarras de caipirinha (de 51 ou Velho Barreiro), mantendo-se em estado de torpidez permanente e puxando conversas nada a ver, em dialetos quase ininteligíveis. Sabe, não é ser chato, porque chato nesse caso é ver um monte de bêbados de sunga e sem camisa andando pra lá e pra cá com passos inseguros indo buscar cada vez mais bebida. Isso quando não mandam os filhos crianças buscar a bebida, o que acho abominável ao quadrado.
Também gosto de acordar bem cedo quando estou nesses lugares, só pra ver o sol nascer e também costumo tirar uma soneca na rede depois do almoço. Aliás dormir é uma das coisas que mais faço em sítios, devido à paz que me transmitem. E quando é possível, à noitinha eu gosto de sentar-me no alpendre com a darling pra namorar um pouco, coisa que não é muito acessível aos casados com filhos pequenos e às pessoas social e profissionalmente atarefadas. Daí que tentar namorar com gente do lado sempre empunhando uma lata de cerveja e puxando papo furado também fugiria um tantão do meu propósito.
Peço que o leitor me entenda, caso ele seja um respeitável trabalhador mutuário do CDHU ou da Cohab. Cohabento nesse caso é um modo de ser, um estado de espírito que a pessoa escolhe pra si. O tio há três décadas morou e estudou na Cohab-II, quando nem iluminação pública lá havia. Mas nem por isso voto no Netinho de Paula, nem sou foi adepto de muvucas como as descritas acima. Não penduro roupas e toalhas nas janelas e tento tratar os espaços coletivos como algo sagrado, imune à ações invasivas de qualquer espécie. Desta feita, terei que me resignar a ficar em Sampa e visitar o sítio dos bondosos amigos em outra ocasião, claro que num dia em que eu tenha assegurado que os cohabentos não estarão. Desejo a estes um ótimo feriado porque - apesar de tudo e como eu já disse - são boa gente. Uma pena mesmo... [suspiro]
Antes de mais nada o tio não tem nada contra o Carnaval. Festa é festa. E se em questa cazzo di vita não tivermos momentos para festejar um pouco, melhor morrer. Mas há momentos em que queremos apenas olhar o campo, acordar com o trinar de pássaros, cacarejos e latidos. Só isso. Voltando ao sítio dos amigos, ficamos sabendo os refinados proprietários receberiam outra família de conhecidos - a quem secretamente me refiro como cohabentos - pra passar o feriadão. E isso foi o bastante para nos demover dos planos. Não que sejam má gente, jamais. São pessoas da melhor índole possível, calorosos, prestativos e amistosos.
Mas digamos que o adjetivo cohabentos que lhes atribuo tem a ver com hábitos muito ruidosos, esfuziantes demais, festivos demais e por que não dizer muvuqueiros demais. O pobre tio, que pensava apenas na paz do campo, no alvorecer por trás da serra, no trinar matinal do passaredo e nos coachar noturno dos batráquios, teria que se contentar com porta-malas de carros abertos, boomboxes ligados e até com o aparelho de som da sala tocando axé, bléque míuzique e pagode a quatrocentos e cinqüenta decibéis. Isso sem falar nas coreografias, dancinhas e brincadeiras divertidíssimas, como seqüestrar um desavisado e arremessá-lo na piscina. As sonhadas tranqüilas refeições seriam substituídas por banquetes dignos de castelos nórdicos medievais, tal a variedade de comidas gordurosas e quantidade de pessoas a se servir. Tudo com muito coentro e cominho (argh!). Mas não é só isso.
Como degustador de uma boa cachacinha de roça, tragada vagarosamente em copo minúsculo eu também não apreciaria passar o dia vendo pessoas abrindo latas e mais latas de cerveja e produzindo jarras de caipirinha (de 51 ou Velho Barreiro), mantendo-se em estado de torpidez permanente e puxando conversas nada a ver, em dialetos quase ininteligíveis. Sabe, não é ser chato, porque chato nesse caso é ver um monte de bêbados de sunga e sem camisa andando pra lá e pra cá com passos inseguros indo buscar cada vez mais bebida. Isso quando não mandam os filhos crianças buscar a bebida, o que acho abominável ao quadrado.
Também gosto de acordar bem cedo quando estou nesses lugares, só pra ver o sol nascer e também costumo tirar uma soneca na rede depois do almoço. Aliás dormir é uma das coisas que mais faço em sítios, devido à paz que me transmitem. E quando é possível, à noitinha eu gosto de sentar-me no alpendre com a darling pra namorar um pouco, coisa que não é muito acessível aos casados com filhos pequenos e às pessoas social e profissionalmente atarefadas. Daí que tentar namorar com gente do lado sempre empunhando uma lata de cerveja e puxando papo furado também fugiria um tantão do meu propósito.
Peço que o leitor me entenda, caso ele seja um respeitável trabalhador mutuário do CDHU ou da Cohab. Cohabento nesse caso é um modo de ser, um estado de espírito que a pessoa escolhe pra si. O tio há três décadas morou e estudou na Cohab-II, quando nem iluminação pública lá havia. Mas nem por isso voto no Netinho de Paula, nem sou foi adepto de muvucas como as descritas acima. Não penduro roupas e toalhas nas janelas e tento tratar os espaços coletivos como algo sagrado, imune à ações invasivas de qualquer espécie. Desta feita, terei que me resignar a ficar em Sampa e visitar o sítio dos bondosos amigos em outra ocasião, claro que num dia em que eu tenha assegurado que os cohabentos não estarão. Desejo a estes um ótimo feriado porque - apesar de tudo e como eu já disse - são boa gente. Uma pena mesmo... [suspiro]
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Tente entender
A linda foto acima, além de atestar a porquice do paulistano, pode ocultar a raiva de algum inventor desapontado. O tio estava voltando do almoço com um amigo quando deparou-se com a engenhoca destroçada na calçada.
Qual seria a correlação entre uma tampa de sanitário, uma fonte de alimentação, placas de circuito e cabos de conexão? O que o sujeito terá tentado inventar? Uma privada 32bits? Um navegador web sanitário para downloads direto pro esgoto?
Coisas que nunca saberemos. E mais uma vez, dado a sucata ter sido depositada no passeio público, está mais que comprovado que o Kassab é o culpado por todas as enchentes de Sampa.
Qual seria a correlação entre uma tampa de sanitário, uma fonte de alimentação, placas de circuito e cabos de conexão? O que o sujeito terá tentado inventar? Uma privada 32bits? Um navegador web sanitário para downloads direto pro esgoto?
Coisas que nunca saberemos. E mais uma vez, dado a sucata ter sido depositada no passeio público, está mais que comprovado que o Kassab é o culpado por todas as enchentes de Sampa.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Me explica de novo
A GM foi lá com o chapéu novamente pedir dinheiro público para o Obama. Alega estar sobrevivendo de um "empréstimo" anterior do próprio governo. Junto com o pedido de nova mesada expôs ao Departamento do Tesouro norte-americano um plano para fechar mais 14 fábricas, eliminar centenas de revendedores e cortar 47 mil empregos neste ano em todo o mundo. Certo... e agora ela está pedindo quase U$ 17 BIlhões.
O elefante está com as quatro patas quebradas. Entope-se de dinheiro de impostos que teoricamente deveriam destinar-se à assistência social, seguro-desemprego, saúde pública e educação, entre outras tantas coisas. Isso tudo sem nenhuma contrapartida social, nem garantia da continuidade dos empregos e ainda com promessa de extingüir completamente marcas "satélites" como a Hummer.
O Capitalismo é um sistema lindo. Adam Smith deve estar tomando um drink com o Satan a estas horas. Quando uma empresa de qualquer natureza arrebenta a boca do balão com lucros astronômicos, fazem festa na laje com champanhe da boa e ovas de esturjão, posa-se para fotógrafos da Forbes e da Fortune e fazem até "hola" na arquibancada. Os lucros - claro - vão todos para o bolso de meia-dúzia de investidores afortunados e outros tantos especuladores bursáteis.
Só que quando aparece a ineficiência, o balão da especulação estoura, o sistema entra em colapso, as apostas em ações naufragam e, enfim, a brincadeirinha de Banco Imobiliário despenca da mesa, entra em ação outro sistema: o Socialismo. Socializa-se a miséria, socializa-se o prejuízo com a sociedade e corre-se ao famigerado Estado. Este, que segundo os neoliberais deveria ser reduzido ao mínimo ou quem sabe extinto. Claro que o mínimo inclui as burras abertas para os especuladores chorões e os megamilionários que caem em penúria (leia-se diminuir em alguns pontos percentuais seus lucrinhos).
Eu tenho uma sugestão para resolver o problema habitacional que está assolando o trabalhador estadunidense. Por que não lotear as mansões gigantescas que os capitalistas mantêm nos subúrbios e nas cidades ultravalorizadas, transformando-as em pensões e hotéis para hospedar as famílias desempregadas? Por que não aliviar o estresse da classe operária, enviando-os para os hotéis estonteantes em Durbai, onde o dinheiro não tem nem religião pois certamente há judeus, muçulmanos, cristãos e xintoístas como cotistas nos mesmos prédios? Por que não pegar as frotas milionárias de Rolls Royces e Mercedes para emprestar para os desempregados procurarem trampo? Depois, claro, quando eles se arranjarem poderão mandar no lava-rápido e devolver, ora bolas.
Hoje me baixou o caboclo Bolchevique. Por estas e tantas que me convenço que só a expropriação das grandes riquezas será capaz de promover justiça social e eqüidade. E tenho dito, camaradas!
O elefante está com as quatro patas quebradas. Entope-se de dinheiro de impostos que teoricamente deveriam destinar-se à assistência social, seguro-desemprego, saúde pública e educação, entre outras tantas coisas. Isso tudo sem nenhuma contrapartida social, nem garantia da continuidade dos empregos e ainda com promessa de extingüir completamente marcas "satélites" como a Hummer.
O Capitalismo é um sistema lindo. Adam Smith deve estar tomando um drink com o Satan a estas horas. Quando uma empresa de qualquer natureza arrebenta a boca do balão com lucros astronômicos, fazem festa na laje com champanhe da boa e ovas de esturjão, posa-se para fotógrafos da Forbes e da Fortune e fazem até "hola" na arquibancada. Os lucros - claro - vão todos para o bolso de meia-dúzia de investidores afortunados e outros tantos especuladores bursáteis.
Só que quando aparece a ineficiência, o balão da especulação estoura, o sistema entra em colapso, as apostas em ações naufragam e, enfim, a brincadeirinha de Banco Imobiliário despenca da mesa, entra em ação outro sistema: o Socialismo. Socializa-se a miséria, socializa-se o prejuízo com a sociedade e corre-se ao famigerado Estado. Este, que segundo os neoliberais deveria ser reduzido ao mínimo ou quem sabe extinto. Claro que o mínimo inclui as burras abertas para os especuladores chorões e os megamilionários que caem em penúria (leia-se diminuir em alguns pontos percentuais seus lucrinhos).
Eu tenho uma sugestão para resolver o problema habitacional que está assolando o trabalhador estadunidense. Por que não lotear as mansões gigantescas que os capitalistas mantêm nos subúrbios e nas cidades ultravalorizadas, transformando-as em pensões e hotéis para hospedar as famílias desempregadas? Por que não aliviar o estresse da classe operária, enviando-os para os hotéis estonteantes em Durbai, onde o dinheiro não tem nem religião pois certamente há judeus, muçulmanos, cristãos e xintoístas como cotistas nos mesmos prédios? Por que não pegar as frotas milionárias de Rolls Royces e Mercedes para emprestar para os desempregados procurarem trampo? Depois, claro, quando eles se arranjarem poderão mandar no lava-rápido e devolver, ora bolas.
Hoje me baixou o caboclo Bolchevique. Por estas e tantas que me convenço que só a expropriação das grandes riquezas será capaz de promover justiça social e eqüidade. E tenho dito, camaradas!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Back to the classroom
Semestre novo, prédio novo, sala novinha em folha. Professora nova que parece ser das boas (e nem precisava de tão bem-apessoada que é). Mas algo de velho e pior está no ar.
Aos quinze minutos de tentativa de aula chega uma jumentilda... e outra... e mais outra... e várias outras sucessivamente. Traço comum é que todas chegam "causando" - como se diz por lá - passando pela pobre mestra como quem passa ao lado de um hidrante. Fazem um tremendo fuzuê com direito a gritinhos histéricos, que são igualmente correspondidos pelas demais jumentildas já acomodadas na sala. A expressão facial da professora é denotativa para bom entendedor.
Mal se ajeitam e começa a sinfonia de celulares, que deviam ao menos estar no modo silencioso. Saem em bandos cacarejando para o corredor, como se estivessem no barzinho da esquina. Minutos depois os bandos reinvadem a sala, com os mesmos belos sinais de educação já demonstrados.
Ou seja: sai semestre, entra semestre e as supostas candidatas a docentes não sabem sequer respeitar o momento de uma aula na qual já chegam atrasadas. E acham que vão educar os filhos dos outros. Assim caminha a inducassão (delas).
Eu particularmente torço pelo desemprego crônico dessas. Pelo bem dos futuros alunos e pelo bem da Educação. Amém.
Aos quinze minutos de tentativa de aula chega uma jumentilda... e outra... e mais outra... e várias outras sucessivamente. Traço comum é que todas chegam "causando" - como se diz por lá - passando pela pobre mestra como quem passa ao lado de um hidrante. Fazem um tremendo fuzuê com direito a gritinhos histéricos, que são igualmente correspondidos pelas demais jumentildas já acomodadas na sala. A expressão facial da professora é denotativa para bom entendedor.
Mal se ajeitam e começa a sinfonia de celulares, que deviam ao menos estar no modo silencioso. Saem em bandos cacarejando para o corredor, como se estivessem no barzinho da esquina. Minutos depois os bandos reinvadem a sala, com os mesmos belos sinais de educação já demonstrados.
Ou seja: sai semestre, entra semestre e as supostas candidatas a docentes não sabem sequer respeitar o momento de uma aula na qual já chegam atrasadas. E acham que vão educar os filhos dos outros. Assim caminha a inducassão (delas).
Eu particularmente torço pelo desemprego crônico dessas. Pelo bem dos futuros alunos e pelo bem da Educação. Amém.
Enquanto isso na Vasconcelândia...
... o revolucionário senhor Jarbas declara:
Uau! Que choque de realidade! Mas por que diabos não consigo ficar surpreso? Essa revolta do senador resulta na prática no quê? Ele vai sair das fileiras e fundar alguma legenda baseada em alguma ética? Ele vai devolver alguma benesse ou salário que tenha recebido como governador ou parlamentar no partido? Vai montar uma guerrilha no agreste? Vamos nessa, camarada Jajá.
Desde o pós-plano cruzado que o PMDB não quer a cadeira-mór brazuca. Esta não representa senão o mero poder formal. Por trás das cortinas é que os grandes business e gente bem-sucedida com eles se movimenta. O PMDB quer ser contra-regra, não importa o texto, nem o autor, nem o diretor, nem os atores no palco. No máximo uma vice-presidência.
Mas não é só o partido do finado Ulysses que está nessa. Ouvi dizer que tem um outro aí cuja frente era liberal que vive da mesma rapinagem de bastidores. Apenas dois outros grandes grupos, também minados por safardanas, querem disputar o cargo de premier tupiniquim. Os demais se contentam com as polpudas rendas que a órbita palaciana lhes propicia.
E la nave va...
"Para que o PMDB quer cargos? Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção"
Uau! Que choque de realidade! Mas por que diabos não consigo ficar surpreso? Essa revolta do senador resulta na prática no quê? Ele vai sair das fileiras e fundar alguma legenda baseada em alguma ética? Ele vai devolver alguma benesse ou salário que tenha recebido como governador ou parlamentar no partido? Vai montar uma guerrilha no agreste? Vamos nessa, camarada Jajá.Desde o pós-plano cruzado que o PMDB não quer a cadeira-mór brazuca. Esta não representa senão o mero poder formal. Por trás das cortinas é que os grandes business e gente bem-sucedida com eles se movimenta. O PMDB quer ser contra-regra, não importa o texto, nem o autor, nem o diretor, nem os atores no palco. No máximo uma vice-presidência.
Mas não é só o partido do finado Ulysses que está nessa. Ouvi dizer que tem um outro aí cuja frente era liberal que vive da mesma rapinagem de bastidores. Apenas dois outros grandes grupos, também minados por safardanas, querem disputar o cargo de premier tupiniquim. Os demais se contentam com as polpudas rendas que a órbita palaciana lhes propicia.
E la nave va...
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
É hoje!
Não passe por baixo de escadas.
Não deixe gatos pretos cruzarem seu caminho.
Não abra guarda-chuvas dentro de casa.
Não toque em macumba com a mão direita.
Não profira nomes diabólicos.
Não entre em locais estranhos.
Não olhe pro espelho no escuro.
Não saia de casa sem uma figa.
E o principal: não solte pum em locais fechados.
Não deixe gatos pretos cruzarem seu caminho.
Não abra guarda-chuvas dentro de casa.
Não toque em macumba com a mão direita.
Não profira nomes diabólicos.
Não entre em locais estranhos.
Não olhe pro espelho no escuro.
Não saia de casa sem uma figa.
E o principal: não solte pum em locais fechados.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
A bestialidade universitária
De novo. Notícia repetida. Estudante de Campinas aprovado na Anhangüera de Leme é agredido com requintes de filme Kulbrickiano, após comparecer na secretaria da faculdade. Os "veteranos" - assim chamados os seres desprovidos de massa encefálica que freqüentam a faculdade há mais de um semestre - chegaram a espancar o jovem, fazê-lo deitar-se sobre esterco animal e mais outra série de barbaridades, resultando em coma alcoólica do agredido.
Voltando de um cliente nesses dias, não pude deixar de reparar a turba estudantil de calouros que se amontoava sobre o viaduto Tutóia e arredores. Todos com as caras pintadas, roupas rasgadas e esmolando a título descarado de viabilizar a cervejada dos veteranos. Estes conduziam os quase indefesos novatos pelas ruas até amarrados em grupos como nem presidiários o são.
Já comentei antes aqui sobre esse tipo de idiotice AQUI sob um ponto de vista até que ameno. Mas a verdade é que olho para o trote como um tipo de atividade que expõe do ser humano sua faceta mais bestial e cruel, que se oculta sob rostinhos rosados e indumentária de marca. Não é possível que pais de veteranos, diretorias de universidades e mesmo o braço armado do Estado continue a ver nisso uma brincadeira ingênua e da "molecada", que é como adultos se referem a esses marmanjos com mais de vinte anos.
A complacência com esse tipo de comportamento dos algozes explica muito melhor os atos de vandalismo, os furtos, roubos, o envolvimento com narcotráfico e demais delitos dos cavalos (com o perdão dos eqüinos), que já têm idade para procriar, trabalhar e em suma o dever de ser úteis para a sociedade para ao menos justificar o consumo dos recursos do planeta. São jovens que não conhecem os sinônimos das palavras limite e respeito, certamente porque nunca ouviram de seus impensantes reprodutores (pais são outra coisa) uma palavra tão simplória e de significado tão conciso como NÃO.
Tenho uma triste, mas realista opinião sobre o que fazer com esses ditos "veteranos", já que eles preferem dar vazão a toda sua agressividade sobre colegas universitários recém-chegados: Uma vez que são dotados de razão e supostamente capazes de pensar - até porque foram capazes de preencher um questionário seletivo - mas OPTAM por ações vândalas, degeneradas e agressivas com os colegas recentes, têm que ser tratados como o que escolheram ser: MARGINAIS. E para marginais, delinqüentes e similares sugiro começar com cacetete de borracha nas costas até deixar vergão. Daí para o camburão, o xadrez ou - por que não? - colônias de trabalho pesado. O trabalho forja o homem.
Por muito menos que isso e injustamente costumo ver a polícia descer o sarrafo, como na recente e legítima passeata estudantil no RS. Para isso o Estado é bom e eficiente né? Já no caso dos filhinhos de papai "troteiros"...
Voltando de um cliente nesses dias, não pude deixar de reparar a turba estudantil de calouros que se amontoava sobre o viaduto Tutóia e arredores. Todos com as caras pintadas, roupas rasgadas e esmolando a título descarado de viabilizar a cervejada dos veteranos. Estes conduziam os quase indefesos novatos pelas ruas até amarrados em grupos como nem presidiários o são.
Já comentei antes aqui sobre esse tipo de idiotice AQUI sob um ponto de vista até que ameno. Mas a verdade é que olho para o trote como um tipo de atividade que expõe do ser humano sua faceta mais bestial e cruel, que se oculta sob rostinhos rosados e indumentária de marca. Não é possível que pais de veteranos, diretorias de universidades e mesmo o braço armado do Estado continue a ver nisso uma brincadeira ingênua e da "molecada", que é como adultos se referem a esses marmanjos com mais de vinte anos.
A complacência com esse tipo de comportamento dos algozes explica muito melhor os atos de vandalismo, os furtos, roubos, o envolvimento com narcotráfico e demais delitos dos cavalos (com o perdão dos eqüinos), que já têm idade para procriar, trabalhar e em suma o dever de ser úteis para a sociedade para ao menos justificar o consumo dos recursos do planeta. São jovens que não conhecem os sinônimos das palavras limite e respeito, certamente porque nunca ouviram de seus impensantes reprodutores (pais são outra coisa) uma palavra tão simplória e de significado tão conciso como NÃO.
Tenho uma triste, mas realista opinião sobre o que fazer com esses ditos "veteranos", já que eles preferem dar vazão a toda sua agressividade sobre colegas universitários recém-chegados: Uma vez que são dotados de razão e supostamente capazes de pensar - até porque foram capazes de preencher um questionário seletivo - mas OPTAM por ações vândalas, degeneradas e agressivas com os colegas recentes, têm que ser tratados como o que escolheram ser: MARGINAIS. E para marginais, delinqüentes e similares sugiro começar com cacetete de borracha nas costas até deixar vergão. Daí para o camburão, o xadrez ou - por que não? - colônias de trabalho pesado. O trabalho forja o homem.
Por muito menos que isso e injustamente costumo ver a polícia descer o sarrafo, como na recente e legítima passeata estudantil no RS. Para isso o Estado é bom e eficiente né? Já no caso dos filhinhos de papai "troteiros"...
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Curtas comentadas
Polícia prende flanelinha suspeita de extorquir motorista em São Paulo.
Então essa flanelinha extorquia? E os outros dez mil fazem o quê?
Mulher morre em apartamento com mais de 4t de lixo e 40 animais em Santos (SP).
Pobres animais não mereciam viver com criatura tão involuída.
Moradores dizem que lixo é causa de enchente.
Não é não. É tudo culpa do Kassab. Eu mesmo já o vi jogando sofás velhos, geladeiras e pneus nos córregos.
BBB 9: Enquete aponta que Newton será eliminado no paredão.
Newton who? O Isaac? Do contrário pode mandar pro paredão dos Castro que não fará falta.
País perde 200 mil postos de estágio em quatro meses.
Puta merda e agora, quem buscará lanche pra galera?
Sem dinheiro para aluguel, prefeito despacha sob cajueiro no interior do CE.
Se não tem dinheiro nem pro aluguel ele tá despachando o quê?
Presidente afirma que mídia abusa da sua inteligência.
Desculpa a curiosidade, mas inteligência de quem?
EUA criam banco para salvar bancos.
Thanks Obama! E pra salvar o povão, vai criar o quê? Yes, we can.
Então essa flanelinha extorquia? E os outros dez mil fazem o quê?
Mulher morre em apartamento com mais de 4t de lixo e 40 animais em Santos (SP).
Pobres animais não mereciam viver com criatura tão involuída.
Moradores dizem que lixo é causa de enchente.
Não é não. É tudo culpa do Kassab. Eu mesmo já o vi jogando sofás velhos, geladeiras e pneus nos córregos.
BBB 9: Enquete aponta que Newton será eliminado no paredão.
Newton who? O Isaac? Do contrário pode mandar pro paredão dos Castro que não fará falta.
País perde 200 mil postos de estágio em quatro meses.
Puta merda e agora, quem buscará lanche pra galera?
Sem dinheiro para aluguel, prefeito despacha sob cajueiro no interior do CE.
Se não tem dinheiro nem pro aluguel ele tá despachando o quê?
Presidente afirma que mídia abusa da sua inteligência.
Desculpa a curiosidade, mas inteligência de quem?
EUA criam banco para salvar bancos.
Thanks Obama! E pra salvar o povão, vai criar o quê? Yes, we can.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Papai-Noel estava bom demais
O tio Xavier é um desorganizado de primeira, financeiramente falando. Aliás desorganizado em tudo. Com os numerários não haveria de ser diferente.Notei que no último Natal o dinheiro abundava em minha conta-corrente. Comprei tudo o que precisava (e o que não precisava) à vista, fazendo aleluia com notas de cem reais. Comi, bebi, vesti, zoneei, comprei inutilidades e distribuí agrados pra um monte de gente.
Só que fui fazer a contabilidade trimestral de uns negócios à parte - nos quais tenho sócios - e percebi um pequenino detalhe: esqueci de fazer a provisão e o dividendo (para pagar amanhã) é de nada menos do que cinco mil reais. Cinco mil nem é tanto dinheiro, não é mesmo? Só se for pra quem tem isso na conta, porque a do tio está com menos de cem reais.
Alguém aí conhece um prostíbulo masculino que aceite quarentões grisalhos e com um pouco de barriga?
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Os super-mega pontos da Claro
Vou ser bem breve. Liguei pra essa operadora de $#%**# porque vi na minha fatura que eu tinha TRINTA MIL PONTOS de uma porcaria de clube. Vira e mexe eu recebo SMS deles informando que meu total de pontos subiu para mais tantos. Enfim eu queria saber no quê de fato poderia tirar proveito disso.
Meu número é originário da BCP, do ano de 2000, logo que esses caras desembarcaram aqui. Consumo telefone um bocado desde então e estou com minhas contas em dia. O que a atendente me ofereceu? Cinqüenta reais em desconto pra eu comprar um celular. Cinqüenta. De uma vez só!
Óbvio que como sou praticamente um lorde inglês eu não os mandei introduzir os pontos no lugar onde eu pensei. Até porque eram sete da manhã e a pobre atendente não merecia começar o dia com expressões de baixo calão.
Mas que eles deveriam, isso sim deveriam.
E a portabilidade que não chega em Sampa?
Meu número é originário da BCP, do ano de 2000, logo que esses caras desembarcaram aqui. Consumo telefone um bocado desde então e estou com minhas contas em dia. O que a atendente me ofereceu? Cinqüenta reais em desconto pra eu comprar um celular. Cinqüenta. De uma vez só!
Óbvio que como sou praticamente um lorde inglês eu não os mandei introduzir os pontos no lugar onde eu pensei. Até porque eram sete da manhã e a pobre atendente não merecia começar o dia com expressões de baixo calão.
Mas que eles deveriam, isso sim deveriam.
E a portabilidade que não chega em Sampa?
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Cravinhos da Índia
Pelo amor da deusa Lakshimi e dos versos do Bagavhadgita, como é de lascar ouvir o povo da Grobu tentando falsetar sotaque. Se no passado já era dureza ouvir o Stênio Garcia com aquele dialeto árabe-nordestinês que não convencia nem Maomé, agora são as cariocas falando indianês cheios de shhhh e rrrrr.A cada zapeada no controle remoto sinto meu pobre cérebro mais ofendido. As aulas da facu precisam recomeçar logo.
Internet pelo encanamento?
Agora sim a internet vai fazer a diferença na vida da maioria dos brasileiros. A SABESP (Cia de Saneamento Básico de SP) está comprando do Japão a mais nova tecnologia de transmissão de dados já desenvolvida. A WDMP (protocolo de modulação de dados por água) promete o que nenhuma outra tecnologia digital conseguiu até o momento: fornecer banda larga com taxas de transferência praticamente infinitas (acima de 3GBps reais!) para todas as residências bastando que ela possua ÁGUA ENCANADA!
A façanha é do engenheiro nipônico Masatako Kiosawa (tinha que ser coisa de japonês) que descobriu que a condutibilidade da água permite transferir sinais elétricos de baixa intensidade, mas com altas freqüências, modulando praticamente qualquer tipo de informação através dele e aí entram os sinais da internet. Segundo informou o engenheiro japa ao jornal Ryukyu Shimpo: "esse potencial condutivo é ainda maior nas cidades banhadas por oceanos, pois a água salgada é ainda mais condutiva (...) o resultado é que toda a água sobre o globo terrestre tem potencial de se tornar o maior veículo da world wide web jamais visto", assinalou Kiosawa.
Os detalhes da WDMP estão sendo mantidos a sete chaves pelo engenheiro. Mas já se sabe que o benefício não será distribuído tão gratuitamente. O sinal de transmissão será codificado usando uma chave criptográfica de 1024 bits dificílima de ser quebrada, cujos padrões são reconhecidos pela ICP-Brasil como "hardware criptográfico" pois dependem de equipamento específico para decodificação. Aí está o pulo do gato: os usuários terão que usar um modem individual plugado em cada micro e ao invés de tomada o aparelho - semelhante a uma válvula hidráulica - filtrará e decodificará os sinais, transformando-os em TCP/IP. Diferente dos atuais cabos azuis utilizados nas redes, a proposta é usar antigos cabos coaxiais, remetendo aos velhos modens 10/10 que se usava nas redes há uns quinze ou vinte anos, sabe-se lá o porquê.
A imprensa até o momento não conseguiu-se alguma declaração dos dirigentes da SABESP, o que indica que o projeto ainda é ultra-sigiloso e não deverá ser divulgado antes do meio do ano, prazo indicado por Kiosawa para distribuição da tecnologia nas residências, no Brasil, EUA e na CE. Mas tudo indica que devido à grande capilaridade das redes de abastecimento de água, o serviço será distribuído em larga escala e por conseqüência a custos baixíssimos.
Duro vai ser no dia em que faltar água no bairro ou der pau na internet. Aí ligaremos pra quem? Pro encanador?
Os detalhes da WDMP estão sendo mantidos a sete chaves pelo engenheiro. Mas já se sabe que o benefício não será distribuído tão gratuitamente. O sinal de transmissão será codificado usando uma chave criptográfica de 1024 bits dificílima de ser quebrada, cujos padrões são reconhecidos pela ICP-Brasil como "hardware criptográfico" pois dependem de equipamento específico para decodificação. Aí está o pulo do gato: os usuários terão que usar um modem individual plugado em cada micro e ao invés de tomada o aparelho - semelhante a uma válvula hidráulica - filtrará e decodificará os sinais, transformando-os em TCP/IP. Diferente dos atuais cabos azuis utilizados nas redes, a proposta é usar antigos cabos coaxiais, remetendo aos velhos modens 10/10 que se usava nas redes há uns quinze ou vinte anos, sabe-se lá o porquê.A imprensa até o momento não conseguiu-se alguma declaração dos dirigentes da SABESP, o que indica que o projeto ainda é ultra-sigiloso e não deverá ser divulgado antes do meio do ano, prazo indicado por Kiosawa para distribuição da tecnologia nas residências, no Brasil, EUA e na CE. Mas tudo indica que devido à grande capilaridade das redes de abastecimento de água, o serviço será distribuído em larga escala e por conseqüência a custos baixíssimos.
Duro vai ser no dia em que faltar água no bairro ou der pau na internet. Aí ligaremos pra quem? Pro encanador?
sábado, 31 de janeiro de 2009
Quanto lhe custa uma má referência?
Um amigo do tio comprou um certo aparelho de DVD de marca coreana um ano e meio atrás. O aparelho era o power-hiper-mega-tudo. Além de fazer o óbvio - que é rodar DVD - permitia gravar programas em um HD interno e depois ainda gerar um DVD com o conteúdo. Sensacional, não fossem os pretéritos imperfeitos. Permitia enquanto funcionava. Depois de poucos dias de expirada da garantia o trem pifou.Com a maior boa vontade o meu amigo foi a uma assistência autorizada, entregando a traquitana aos cuidados do doutor digital. Dias depois uma jovem da autorizada ligou dizendo para ele retirar o aparelho, pois não tinha conserto. Indignado, o consumidor foi até a oficina esclarecer o assunto. O fato descrito foi a queima de um chip XYZ e que a Samsung "não tinha". Meu amigo achou estranho porque o aparelho constava no site do fabricante e nos diversos magazines como um item de linha. "E como é que eles dão garantia desses troços se não tem o componente?" - perguntou a inocente vítima.
O técnico confessou que a Samsung só fornece o chip XYZ (e gratuitamente) para aparelhos sob garantia; que ele adoraria comprar um, consertar e ganhar o quinhão dele, mas para serviços avulsos neca de pecinha dos coreanos. Putérrimo da vida meu amigo ligou para a Samsung que primeiro recusou-se a atender, dizendo que só ouvem consumidores depois de não-sei-quantos-dias sem resposta da autorizada. Não adiantou argumentar que já tinham dado o veredito. SACs são compostos andróides incapazes de extrapolar as opções da tela do sistema. Mesmo que você diga pausadamente "Le-ve-me-ao-seu-lí-der" eles são programados para ignorar. Só depois dos tantos dias é que o amigo conseguiu ser atendido pelo SAC da Samsung. Mas...
A atendente da Samsung disse que só poderia "estar atendendo o consumidor" caso o aparelho estivesse sob garantia. Do contrário eles só falam com assistências autorizadas e o desenganado consumidor teria que se virar com a oficina. Dos fatos podemos concluir que, uma vez encerrada a garantia, os aparelhos Samsung viram párias. Uma espécie de órfãos de pais vivos, só que sem direito à Febem, nem assistência do Padre Júlio Lancelotti. Conclusão: depois de ter gasto uns dois mil reais comprando o aparelho sul-coreano supostamente power-hiper-mega-tudo, o que ele possui hoje não passa de uma sucata, embora tenha pouco mais de um ano e continue a ser vendido no mercado.
E neste exato momento o tio Xavier está navegando o cyberespaço à procura de um bom aparelho que rode DivX. Em vários sites aparecem os tais Samsung. Agora vamos à enquete do dia:
O tio Xavier deve comprar algo desses coreanos?
( ) Jamais.
( ) Nem a pau, Juvenal.
( ) Nothing fucking.
( ) Coreanos, introduzam seus aparelhos onde estou pensando agora.
Joe Girard, o maior vendedor de carros do mundo, em seu livro "Como vender qualquer coisa a qualquer um" arriscou uma estatística. Disse que se você fizer um bom negócio ou uma boa compra, tende a contar para DEZ pessoas em média. Mas que se sentir-se ludibriado ou vítima de um desonesto alertará a CEM pessoas. Faz sentido...
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Agulhas milagrosas
Fazia dois meses que o tio estava de cama, próximo do estado de moribundo. Na verdade eu pensava em chamar um padre para a extrema-unção e já arriscar fazer as pazes com o deus dos cristãos, pois nada tinha a perder. A dor física me fazia desejar não estar mais encarnado e me livrar da carcaça podre.
Eram meados de 2002. O tio era sócio em um escritório de TI. Um mau jeito, ajuntado com estresse além da conta - e contas bancárias bem rasas -, me debilitaram. Resultado: uma baita inflamação no ciático, de proporções insuportáveis. Não havia posição cômoda pra eu ficar e a avó Xavier cuidava de mim de dia, o que incluía levar-me ao sanitário e me segurar no assento enquanto eu gemia de dores lombares. A darling ia trabalhar e me dava banho à noite. Eu mal e porcamente conseguia dar suporte remoto para o sócio, trabalhando deitado com uma adaptação de bandeja de cama, que acomodava o notebook e o headset do telefone. Uma espécie de kit que me permitia trabalhar deitado entre um urro de dor e outro.
Com as dúzias de consultas e dezenas de radiografias os médicos só engordavam a lista de remédios e mais remédios, cujas contra-indicações superavam dezenas de parágrafos as indicações. Era notório, cada vez que eu ia ao banheiro, que meu fígado estava se esfacelando e parte dele ia embora quando eu dava a descarga. Uma adorável e prestimosa amiga (que não está mais entre nós), vinha me buscar e me levava às consultas, tendo passado até pelo constrangimento de me despir para exames, coisa que me era impossível fazer com autonomia. É quase certo que só por conta desse desprendimento, deve ter arranjado um bom apartamento celestial. Merecido.
Com mais de mil reais de antiinflamatórios, corticóides e injeções desfilando numa sacola, eu estava desenganado. Achei mesmo que ficaria um aleijão com dores pro resto da vida, mas antes disso eu usaria minhas últimas forças pra apanhar meu Rossi quando estivesse sozinho em casa e daria cabo nisso. Não deixaria a darling me sustentar pro resto da vida, tampouco a minha mãe passar a terceira idade cuidando de um marmanjo incapaz. Com certeza não. Um escorpião sabe qual é o seu limite.
Até que um conhecido que morava no ES falando comigo ao telefone me sugeriu a Acupuntura. Desconhecedor total do que quer que fosse o fundamento da terapia das agulhas, eu quase ignorei. Mas com a dor que eu estava eu tentaria até a bispa Sônia, se alguém me levasse. O capixaba não conhecia nenhum profissional em Sampa e resolvi ligar para alguns amigos. Até que um santo homem, um amigo monge budista, me deu o telefone de um tal Dr. Darwin Caldeira Ribeiro. Depois de falar com este, fiz a darling me levar lá na mesma noite. O atencioso terapeuta me disse para ir no mesmo dia a qualquer hora que ele me atenderia em caráter de urgência.
E lá foi a darling atravessar toda Sampa City no horário de rush e escorar o projeto de Quasímodo. Demorei vinte minutos para andar os cinquenta metros que separavam o estacionamento do consultório, que por misericórdia tinha elevador. Depois de me entrevistar e fazer contagens estranhas da minha pulsação segurando os meus punhos, me perguntou o que eu estava tomando. Ao ver o tamanho da sacola, a pilha de receitas e ler alguns nomes o tio Darwin me pediu que abandonasse tudo aquilo, sobretudo umas injeções que, de acordo com alguns profissionais, estavam sendo responsabilizadas até por necrose muscular. Como não resolviam merda nenhuma mesmo e eram caros pra cacete, abandonei a alopatia e entreguei o meu resto quase em putrefação do tio às agulhas do acupunturista.
Depois de duas horas e umas mil e seiscentas agulhadas (não doem nem um pouco) saí de lá andando ereto, o que foi um grande feito. Claro que com resquícios de dor, mas bem menos e com a retidão física digna de alguém pós-Neanderthal. Melhorei sensivelmente na sessão seguinte - três ou quatro dias depois - e na terceira sessão de agulhas EU MESMO FUI SOZINHO E DIRIGINDO! Passei mais alguns meses aos cuidados dele, espaçando as sessões cada vez mais, até ficarem mensais e bimestrais. Então entramos em consenso pela minha alta. Eu gastei uma fração do que teria gasto em remédios, mesmo considerando cruzar a cidade de carro. Mas nascia um novo homem. Tanto que faz uns três ou quatro anos que não passo lá sequer pra dar um abraço no sujeito que me tirou do leito e me restaurou a saúde lombar. Um homem milagroso que enquanto me tratava explicava os fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa.
De lá para cá, às vezes senti falta de umas agulhadas para relaxar a musculatura estressada e até para pequenos desajeitos lombares. Mas nunca foram suficientes para me abalar por trinta quilômetros até o consultório onde o dentista Darwin reveza-se entre uma obturação e uma agulhada, correndo como um doido entre uma sala e outra. Sinto saudades dele. Vou ver se crio vergonha na fuça e passo lá pra tomar um chá com o homem que me salvou.
Só que há algumas semanas a darling fez mais uma de suas maravilhosas descobertas. Uma de nossas vizinhas, além de ser bem graciosa (ops!), agradável e simpática é... acupunturista! Resolvi tentar uma sessão com ela que solicitamente veio me atender em casa. Show de bola. Não obstante a pouca experiência da juventude - incomparável com a do sexagenário Darwin - os efeitos da manutenção dela comigo são plenamente satisfatórios. Agora, a cada duas ou três semanas convido a jovem senhora a tomar um suco enquanto me espeta. Serviço eficiente, preço módico, papo culto e simpatia de sobra. Pra quê eu vou querer mais, não é mesmo?
Eram meados de 2002. O tio era sócio em um escritório de TI. Um mau jeito, ajuntado com estresse além da conta - e contas bancárias bem rasas -, me debilitaram. Resultado: uma baita inflamação no ciático, de proporções insuportáveis. Não havia posição cômoda pra eu ficar e a avó Xavier cuidava de mim de dia, o que incluía levar-me ao sanitário e me segurar no assento enquanto eu gemia de dores lombares. A darling ia trabalhar e me dava banho à noite. Eu mal e porcamente conseguia dar suporte remoto para o sócio, trabalhando deitado com uma adaptação de bandeja de cama, que acomodava o notebook e o headset do telefone. Uma espécie de kit que me permitia trabalhar deitado entre um urro de dor e outro.
Com as dúzias de consultas e dezenas de radiografias os médicos só engordavam a lista de remédios e mais remédios, cujas contra-indicações superavam dezenas de parágrafos as indicações. Era notório, cada vez que eu ia ao banheiro, que meu fígado estava se esfacelando e parte dele ia embora quando eu dava a descarga. Uma adorável e prestimosa amiga (que não está mais entre nós), vinha me buscar e me levava às consultas, tendo passado até pelo constrangimento de me despir para exames, coisa que me era impossível fazer com autonomia. É quase certo que só por conta desse desprendimento, deve ter arranjado um bom apartamento celestial. Merecido.
Com mais de mil reais de antiinflamatórios, corticóides e injeções desfilando numa sacola, eu estava desenganado. Achei mesmo que ficaria um aleijão com dores pro resto da vida, mas antes disso eu usaria minhas últimas forças pra apanhar meu Rossi quando estivesse sozinho em casa e daria cabo nisso. Não deixaria a darling me sustentar pro resto da vida, tampouco a minha mãe passar a terceira idade cuidando de um marmanjo incapaz. Com certeza não. Um escorpião sabe qual é o seu limite.
Até que um conhecido que morava no ES falando comigo ao telefone me sugeriu a Acupuntura. Desconhecedor total do que quer que fosse o fundamento da terapia das agulhas, eu quase ignorei. Mas com a dor que eu estava eu tentaria até a bispa Sônia, se alguém me levasse. O capixaba não conhecia nenhum profissional em Sampa e resolvi ligar para alguns amigos. Até que um santo homem, um amigo monge budista, me deu o telefone de um tal Dr. Darwin Caldeira Ribeiro. Depois de falar com este, fiz a darling me levar lá na mesma noite. O atencioso terapeuta me disse para ir no mesmo dia a qualquer hora que ele me atenderia em caráter de urgência.
E lá foi a darling atravessar toda Sampa City no horário de rush e escorar o projeto de Quasímodo. Demorei vinte minutos para andar os cinquenta metros que separavam o estacionamento do consultório, que por misericórdia tinha elevador. Depois de me entrevistar e fazer contagens estranhas da minha pulsação segurando os meus punhos, me perguntou o que eu estava tomando. Ao ver o tamanho da sacola, a pilha de receitas e ler alguns nomes o tio Darwin me pediu que abandonasse tudo aquilo, sobretudo umas injeções que, de acordo com alguns profissionais, estavam sendo responsabilizadas até por necrose muscular. Como não resolviam merda nenhuma mesmo e eram caros pra cacete, abandonei a alopatia e entreguei o meu resto quase em putrefação do tio às agulhas do acupunturista.
Depois de duas horas e umas mil e seiscentas agulhadas (não doem nem um pouco) saí de lá andando ereto, o que foi um grande feito. Claro que com resquícios de dor, mas bem menos e com a retidão física digna de alguém pós-Neanderthal. Melhorei sensivelmente na sessão seguinte - três ou quatro dias depois - e na terceira sessão de agulhas EU MESMO FUI SOZINHO E DIRIGINDO! Passei mais alguns meses aos cuidados dele, espaçando as sessões cada vez mais, até ficarem mensais e bimestrais. Então entramos em consenso pela minha alta. Eu gastei uma fração do que teria gasto em remédios, mesmo considerando cruzar a cidade de carro. Mas nascia um novo homem. Tanto que faz uns três ou quatro anos que não passo lá sequer pra dar um abraço no sujeito que me tirou do leito e me restaurou a saúde lombar. Um homem milagroso que enquanto me tratava explicava os fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa.
De lá para cá, às vezes senti falta de umas agulhadas para relaxar a musculatura estressada e até para pequenos desajeitos lombares. Mas nunca foram suficientes para me abalar por trinta quilômetros até o consultório onde o dentista Darwin reveza-se entre uma obturação e uma agulhada, correndo como um doido entre uma sala e outra. Sinto saudades dele. Vou ver se crio vergonha na fuça e passo lá pra tomar um chá com o homem que me salvou.
Só que há algumas semanas a darling fez mais uma de suas maravilhosas descobertas. Uma de nossas vizinhas, além de ser bem graciosa (ops!), agradável e simpática é... acupunturista! Resolvi tentar uma sessão com ela que solicitamente veio me atender em casa. Show de bola. Não obstante a pouca experiência da juventude - incomparável com a do sexagenário Darwin - os efeitos da manutenção dela comigo são plenamente satisfatórios. Agora, a cada duas ou três semanas convido a jovem senhora a tomar um suco enquanto me espeta. Serviço eficiente, preço módico, papo culto e simpatia de sobra. Pra quê eu vou querer mais, não é mesmo?
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Na casa do Senhor
Subtítulo: Uma reflexão teológica sobre o incidente na Renascer.
A auto-sagrada "bispa" Sônia Hernandes e seu fiel companheiro por esses dias não resistiram ao cerco de cobranças e pressões. Resolveram terceirizar a culpa. Nada melhor do que empurrar o ônus no ânus de quem não pode se defender (que trocadalho horrível...).
Ao culpar o pobre e sempre perseguido Belzebu, o Tinhoso, Satanás, Lúcifer, o Banido ou como quer que o chamem, a Bispa faz o que a Administração Moderna recomenda há mais de uma década. Terceirizar, além de tirar dos próprios ombros o trabalho, é uma forma de ter um "Zé" pra botar a culpa dos erros. Neste caso o Bel-Zé-Bu (esse foi ainda pior!).
Logo eu, que tinha prometido anteriormente a não fazer reflexões teológicas sobre o acontecimento, agora não tenho como me furtar de fazê-lo. Vamos ao desmascaramento da bispa e de sua instituição.
Atenção que nunca antes nenhum teólogo se atreveu a tão audacioso silogismo:
1) Ela pôs a culpa em Satanás pelo despencamento do teto da igreja. Logo, o suposto "inimigo" tem jurisdição sobre o território dos templos da Renascer.
2) Opa... isso é grave! Não seria um templo supostamente dedicado ao Deus Cristão?
Então...
3) Se na casa do Senhor, não existe Satanás (xô Satanás, xô Satanás) e no templo da Renascer Satanás agiu livremente..
Conclui-se que: Os templos da Renascer não podem ser considerados "Casa do Senhor". Lá, ao invés do Paráclito - o Santo Espírito do Deus - é Satanás que pode mandar em tudo, inclusive sobre as estruturas dos telhados. Complicado isso. A "bispa" nesse caso é representante de quem?
Concluam o que quiser. Vejam que os argumentos acima são irrefutáveis. A polêmica está lançada.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Yes, nóis também can
Este país é inigualável. Temos tudo para alçar o status de primeiro mundo no que quisermos. Tudo o que se consegue lá fora, em países ricos e arrogantes nós também - brazucas com muito orgulho - conseguimos. Não há limite para nossa capacidade.É com essas contundentes palavras de espírito patriótico que quero lançar a campanha nacional YES, NÓIS TAMBÉM CAN.
Vejam por exemplo esse acidente ocorrido na Alemanha. O motorista foi parar no teto de uma igreja, após se desgovernar da direção do bólido. A imprensa noticiou como algo sensacional e blá, blá, blá...
Mas para provar que nós também somos capazes de produzir essas façanhas, o tio Xavier, intrépido pesquisador de fatos e implacável noticiador de feitos, coloca aqui no Sem Sentido, em primeira mão o nosso feito carro no telhado.
S E N S A C I O N A L
Essa espetacular realização foi nas terras do Senhor do Bonfim.
Em destaque nossa bandeira, para que ninguém pirateie
nosso feito e reivindique para outro país. Note que o vão
que o carro saltou parece intransponível. Não para nós.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
A casa está caindo?
Embora eu tenha credenciais acadêmicas para tal, não farei reflexões teológicas sobre o desabamento do teto da igreja Renascer em São Paulo. Abomino explicações que não passem pela Engenharia e pela Física no caso de desabamento de tetos. Mas deve ser difícil para os Hernandes, lá do alto de sua confortável e abastada prisão domiciliar, explicar aos fiéis de modo consistente e confortador. Considerando que a mente religiosa dos fiéis tenta a ler os fenômenos físicos sob as lentes da fenomenologia espiritual, poderá parecer que a tragédia seja um sinal de reprovação divina à azienda religiosa do casal Hernandes. Vamos lembrar que estamos falando de empreendedores religiosos processados no Brasil e nos EUA, por lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica. No tangente à transparência jurídica, financeira e fiscal, o versículo "... dai pois a César o que é de César..." (Mc 12, 17) teria sido subtraído da bíblia dos Hernandes?
Um amigo do tio, proprietário de alguns imóveis, descobriu da pior forma que ostentar camiseta, bíblia e discurso de renascentista cristão não são garantia de honestidade. Ele alugou um salão para procuradores da seita montarem uma filial na Zona Norte de Sampa. Acertou contrato, aluguel, verificou que os signatários tinham procuração da pessoa jurídica da Renascer, tudo nos conformes. Mas nada garantiu que parte do dízimo e das contribuições dos incautos seguidores fosse destinada ao simples, honesto e combinado pagamento do aluguel. E lá se vão dois ou três anos para efetivação do despejo e outro tanto para ação cível de ressarcimento, sentença que até há pouco tempo - transcorrido um quinqüênio da demanda toda - não havia se efetivado. O proprietário do pequeno patrimônio de renda da última vez que falou comigo continuava decepcionado e sem ver seu aluguelzinho. Tudo porque seguidores dos Hernandes - inclusive diretores da seita a quem procurou - teriam se mostrado não tão puros de coração e sinceros de alma quanto aparentavam. Estranho para gente que se intitula de princípios cristãos.
O teto de um dos principais templos da Renascer ter caído pode simbolizar que a cobertura à empreitada toda não é tão sólida deveria. As notas dadas à emprensa pela assessoria de comunicação da entidade e outra emitida pelos Hernandes se limitam a observações que nada acrescentam. Apenas se esforçam para ressaltar que a documentação do imóvel está em dia. Considerando o caso do meu pobre amigo, vai saber o que significa "documentação em dia" no conceito dos Hernandes. Now it's too late. A esta hora pobres fiéis ainda jazem sob os escombros. Quem é que prestará contas disso e para quem prestará eu não tenho a menor idéia. Enquanto isso gente de bem e de bom coração, mas espiritualmente ingênua, continuará freqüentando outros templos da seita e contribuindo com a polpuda conta-corrente dos Hernandes. Uma pena.
Por essas e tantas que o tio é pela tributação das igrejas e instituições religiosas. São pessoas jurídicas, empregam gente, arrecadam fundos, alugam prédios (ok, às vezes não pagam), compram veículos e máquinas, compram espaços publicitários e até emissoras de rádio e TV, consomem eletricidade, água, insumos, usam telecomunicações, publicam jornais... Qual é a diferença para que esse tipo de constituição jurídica não tenha que pagar imposto, como qualquer outro? Ser sem fins lucrativos? Ah, fala sério! A não-tributação, em última instância, só serve para favorecer a captação de recursos escusos, sua má destinação e a não-prestação de contas financeiras à sociedade. E não pense que estou me referindo apenas à seita dos Hernandes ou à do outro auto-sagrado bispo da Record. Pense também em uma certa multinacional sediada em Roma...
Por que não?
Um amigo do tio, proprietário de alguns imóveis, descobriu da pior forma que ostentar camiseta, bíblia e discurso de renascentista cristão não são garantia de honestidade. Ele alugou um salão para procuradores da seita montarem uma filial na Zona Norte de Sampa. Acertou contrato, aluguel, verificou que os signatários tinham procuração da pessoa jurídica da Renascer, tudo nos conformes. Mas nada garantiu que parte do dízimo e das contribuições dos incautos seguidores fosse destinada ao simples, honesto e combinado pagamento do aluguel. E lá se vão dois ou três anos para efetivação do despejo e outro tanto para ação cível de ressarcimento, sentença que até há pouco tempo - transcorrido um quinqüênio da demanda toda - não havia se efetivado. O proprietário do pequeno patrimônio de renda da última vez que falou comigo continuava decepcionado e sem ver seu aluguelzinho. Tudo porque seguidores dos Hernandes - inclusive diretores da seita a quem procurou - teriam se mostrado não tão puros de coração e sinceros de alma quanto aparentavam. Estranho para gente que se intitula de princípios cristãos.
O teto de um dos principais templos da Renascer ter caído pode simbolizar que a cobertura à empreitada toda não é tão sólida deveria. As notas dadas à emprensa pela assessoria de comunicação da entidade e outra emitida pelos Hernandes se limitam a observações que nada acrescentam. Apenas se esforçam para ressaltar que a documentação do imóvel está em dia. Considerando o caso do meu pobre amigo, vai saber o que significa "documentação em dia" no conceito dos Hernandes. Now it's too late. A esta hora pobres fiéis ainda jazem sob os escombros. Quem é que prestará contas disso e para quem prestará eu não tenho a menor idéia. Enquanto isso gente de bem e de bom coração, mas espiritualmente ingênua, continuará freqüentando outros templos da seita e contribuindo com a polpuda conta-corrente dos Hernandes. Uma pena.
Por essas e tantas que o tio é pela tributação das igrejas e instituições religiosas. São pessoas jurídicas, empregam gente, arrecadam fundos, alugam prédios (ok, às vezes não pagam), compram veículos e máquinas, compram espaços publicitários e até emissoras de rádio e TV, consomem eletricidade, água, insumos, usam telecomunicações, publicam jornais... Qual é a diferença para que esse tipo de constituição jurídica não tenha que pagar imposto, como qualquer outro? Ser sem fins lucrativos? Ah, fala sério! A não-tributação, em última instância, só serve para favorecer a captação de recursos escusos, sua má destinação e a não-prestação de contas financeiras à sociedade. E não pense que estou me referindo apenas à seita dos Hernandes ou à do outro auto-sagrado bispo da Record. Pense também em uma certa multinacional sediada em Roma...
Por que não?
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Comunicação sanitária
Os departamentos de marketing e comunicação das empresas não param de se superar. Para firmar os seus produtos e reforçar o recall de suas marcas lançam-se nos mais inusitados métodos, ocupando todos os espaços possíveis e até os improváveis. Claro que sempre procuram vincular a divulgação da empresa à prestação de serviços, sobretudo de informação.
É nesse contexto que em Jundiaí pude ver esse lindo e instrutivo cartaz afixado no banheiro de um cliente. Obviamente o dito estava posicionado na parede atrás do vaso sanitário à altura dos olhos de brasileiros medianos como o tio.
Pena que o celular da darling que está emprestado comigo não tira boas fotos. Mas dá pra ver as lindas ilustrações que demonstram bom e esmerado gosto. Claro que se as pessoas tivessem aprendido os rudimentos de higiene e compartilhamento de espaço esse cartaz nem estaria lá. Então é difícil decidir o que é pior, se é o cartaz ou os fatos sociais que o motivam.
É nesse contexto que em Jundiaí pude ver esse lindo e instrutivo cartaz afixado no banheiro de um cliente. Obviamente o dito estava posicionado na parede atrás do vaso sanitário à altura dos olhos de brasileiros medianos como o tio.
Pena que o celular da darling que está emprestado comigo não tira boas fotos. Mas dá pra ver as lindas ilustrações que demonstram bom e esmerado gosto. Claro que se as pessoas tivessem aprendido os rudimentos de higiene e compartilhamento de espaço esse cartaz nem estaria lá. Então é difícil decidir o que é pior, se é o cartaz ou os fatos sociais que o motivam.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Agressão ao intelecto
Nunca imaginei que depois do Sérgio Reis com o Almir Sater como "Pirilampo & Saracura" pudesse surgir algo tão chato do gênero.
É minha impressão ou...
É condição contratual do Tarcísio Meira e da Glória Menezes que só trabalhem em novela se formarem o par romântico de sempre?
Coitados. Nem fazendo novela eles conseguem dar uma variada.
Coitados. Nem fazendo novela eles conseguem dar uma variada.
Não sei o que é pior
a) Se é o próprio programa em si.
b) Se é o povão suado e fedorento (que não gosta de ar-condicionado) comentando no busão.
c) Se é o tom entusiástico falséééérrimo do Bial nas chamadas.
b) Se é o povão suado e fedorento (que não gosta de ar-condicionado) comentando no busão.
c) Se é o tom entusiástico falséééérrimo do Bial nas chamadas.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Tupinamerican way of life
O Capitalismo consegue até o momento uma façanha que nenhum outro sistema conseguiu com tanta perfeição. Ele mantém na sua periferia uma massa populacional elástica. Ora ela cresce (crises) ora ela encolhe (bonança). E esse sistema, ocasional ou não, deixa ansiosa uma imensa parcela da população, ardente por ingressar na massa de consumo. A ansiedade subtrai qualquer possibilidade de senso crítico.
Além de não saber exigir seus direitos, as massas não têm presença de espírito suficiente para ignorar os apelos de marketing do Capital e colocá-lo com seus produtos no devido lugar. Por isso as pessoas compram o que não precisam, endividam-se até onde não deviam buscando satisfação para a vida com quinquilharias sem as quais viveriam perfeitamente, senão melhor.
Desse modo não é raro uma pessoa de hábitos de consumo moderados ver que sua faxineira possui um celular plus-blaster-master muito melhor que o seu ou ainda que o filho do porteiro ganhou o videogame x-mega-over enquanto seu filho ainda se diverte com o bom e velho PS¹. Óbvio que os serviçais compraram tudo em 34098439 prestações. O presidente Lula-Lelé diria: "Nunca antes na história deste país...". Mas não é bem assim.
A população em geral já não recebe nenhum tipo de educação básica, quanto menos de como lidar com o dinheiro e administrar a vida pessoal. Eu mesmo não fui educado a respeito nem pelos meus pais e muito menos pela Escola e aprendo fazendo as piores burradas. Nada a esperar da escola em geral se a entendermos sociologicamente como fruto e serviçal do Capital. Por isso o Godzila do sistema financeiro vive a engordar, alimentando-se do endividamento da população. Do lado da classe média através de produtos com status como cartões de crédito, carros reluzentes e linhas de cheque especial; do lado da categorias mais pobres propiciando que encham suas casas com produtos comprados a juros escorchantes em prestações intermináveis. Frequentes pesquisas mostram que consumidores não sabem calcular a simples diferença entre o preço à vista e o preço final financiado.
Aí está a magia marqueteira do Capital: fazer com que a classe média (profissionais liberais e pequenos proprietários) enebrie-se e sinta-se dominante - quando não passa de vassala - e que as classes proletárias sintam-se incluídas no maravilhoso mundo do consumo, acessando bens com displays eletrônicos piscantes, controles remotos multifuncionais, potência sonora de trocentos watts e assemelhados. Em ambos os casos constroem-se modos de vida insustentáveis a longo prazo. O SPC e a SERASA que o digam. E mais e mais trabalhadores penhoram indiretamente seus suores, fígados e rins nos cofres dos bancos e financeiras.
Por que refleti tudo isso? É que além de em alguns dias eu estar mais introspectivo e pensante do que em outros, ontem eu passei por vários bairros comerciais. Fiquei pasmo com as filas nas portas das lojas do Magazine Luiza. A empresa tinha anunciado uma megaliquidação (já sem trema e sem hífen) e o populacho fez filas quilométricas para aproveitar a oportunidade insubstituível de comprar o desnecessário. Pude ouvir um dos locutores ao microfone gritando na calçada: "Já sai daqui na hora com o seu DVD, com o sua televisão LCD, com seu móvel... se não tiver dinheiro não tem problema; leva um carnezinho e a felicidade pra sua família". Felicidade de quem?
Além de não saber exigir seus direitos, as massas não têm presença de espírito suficiente para ignorar os apelos de marketing do Capital e colocá-lo com seus produtos no devido lugar. Por isso as pessoas compram o que não precisam, endividam-se até onde não deviam buscando satisfação para a vida com quinquilharias sem as quais viveriam perfeitamente, senão melhor.
Desse modo não é raro uma pessoa de hábitos de consumo moderados ver que sua faxineira possui um celular plus-blaster-master muito melhor que o seu ou ainda que o filho do porteiro ganhou o videogame x-mega-over enquanto seu filho ainda se diverte com o bom e velho PS¹. Óbvio que os serviçais compraram tudo em 34098439 prestações. O presidente Lula-Lelé diria: "Nunca antes na história deste país...". Mas não é bem assim.
A população em geral já não recebe nenhum tipo de educação básica, quanto menos de como lidar com o dinheiro e administrar a vida pessoal. Eu mesmo não fui educado a respeito nem pelos meus pais e muito menos pela Escola e aprendo fazendo as piores burradas. Nada a esperar da escola em geral se a entendermos sociologicamente como fruto e serviçal do Capital. Por isso o Godzila do sistema financeiro vive a engordar, alimentando-se do endividamento da população. Do lado da classe média através de produtos com status como cartões de crédito, carros reluzentes e linhas de cheque especial; do lado da categorias mais pobres propiciando que encham suas casas com produtos comprados a juros escorchantes em prestações intermináveis. Frequentes pesquisas mostram que consumidores não sabem calcular a simples diferença entre o preço à vista e o preço final financiado.
Aí está a magia marqueteira do Capital: fazer com que a classe média (profissionais liberais e pequenos proprietários) enebrie-se e sinta-se dominante - quando não passa de vassala - e que as classes proletárias sintam-se incluídas no maravilhoso mundo do consumo, acessando bens com displays eletrônicos piscantes, controles remotos multifuncionais, potência sonora de trocentos watts e assemelhados. Em ambos os casos constroem-se modos de vida insustentáveis a longo prazo. O SPC e a SERASA que o digam. E mais e mais trabalhadores penhoram indiretamente seus suores, fígados e rins nos cofres dos bancos e financeiras.
Por que refleti tudo isso? É que além de em alguns dias eu estar mais introspectivo e pensante do que em outros, ontem eu passei por vários bairros comerciais. Fiquei pasmo com as filas nas portas das lojas do Magazine Luiza. A empresa tinha anunciado uma megaliquidação (já sem trema e sem hífen) e o populacho fez filas quilométricas para aproveitar a oportunidade insubstituível de comprar o desnecessário. Pude ouvir um dos locutores ao microfone gritando na calçada: "Já sai daqui na hora com o seu DVD, com o sua televisão LCD, com seu móvel... se não tiver dinheiro não tem problema; leva um carnezinho e a felicidade pra sua família". Felicidade de quem?
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Edite seus documentos na web
Em plena era da mobilidade, da web acessível - ao menos nos centros urbanos - e de seres humanos que exercem suas atividades computacionais em locais diferentes todos os dias, a oferta dos suítes de edição online parece tentadora. Este pobre escrevedor (escritor requer outras competências) por exemplo precisa ter pelo menos parte dos seus textos, planilhas e apresentações de forma móvel para utilizar em casa, no escritório, na faculdade e sabe-se lá onde acabará precisando.
Fã incondicional dos serviços Google, o que inclui esta plataforma bloguística, desde as versões beta passei a utilizar o Google Docs. Sei que há outros, mas a web tem se mostrado uma infinitude tão grande de serviços que acaba não dando para provar tudo. A não ser que alguma revista conceituada ou site resolva me contratar só pra isso. Nada que um polpudo salário, flexibilidade de horário e local de trabalho livre não me façam aceitar. Mas enquanto isso não ocorre, me limito a utilizar o necessário e de vez em quando compartilhar com meus amigos e leitores (boa parte são os mesmos) as experiências que tenho com ferramentas informáticas. Vamos ao benchmarking.
Recentemente a Microsoft fez algum alarde a respeito de sua Microsoft Office Live Workspace. Já vacinado contra os propó$ito$ explícitos da empresa fundada pelo Sr. Gates não me interessei nem um pouco. Vez ou outra vi uma das minhas contas do Hotmail exibir chamada para testar esse troço, mas nem fiz menção de tocar. Pois bem ao resolver blogar sobre serviços de edição de documentos online, dei uma chance ao Office Live. Fucei, fucei, fucei e o que encontrei? Vejam abaixo:

Edição online não existe, ao menos se você não for cliente do Bill Gates. O Office Live presume antes de tudo que o usuário seja um feliz comprador do Microsoft Office (de R$199 uma versão chinfrim para estudantes até R$1.300 na versão profissional).
Para o tio, que preza boas ferramentas gratuitas, isso simplesmente não serve. Não possuo a suíte do Bill Gates. Nesse caso eu teria que me resignar a armazenar meus documentos no site e para editar teria que fazê-lo no desktop em um editor minimamente compatível. Algo imprevisível e impraticável para quem mal sabe onde estará no dia seguinte como eu. Sem falar que fazer upload e download "por fora" do editor não é lá algo muito confortável. Explicarei mais abaixo. Muito obrigado.
O Zoho, ferramenta que acesso eventualmente só pra bisbilhotar, é sem dúvida uma das mais completas suítes de edição. Possui um editor de texto rico (RTF/HTML) simpático, intuitivo e bem completo (vide screenshot abaixo). Para os acostumados a usar a web e que saibam rudimentos do idioma de Abraham Lincoln não há grandes problemas e as vantagens compensam. Seria o meu caso se eu não fosse um brazuca chato e exigente com minha língua-pátria. Por enquanto apenas o dicionário para revisão ortográfica comporta o Português Brasileiro. Nem sei ainda como fica isso a partir deste ano com a nova ortografia, mas aí já é querer muito. Prometo ainda pensar no caso porque o editor é bem robusto e bonito.

A página inicial do Zoho traz uma lista de serviços generosa. O surpreendente é a integração de alguns serviços com o passaporte Google, permitindo que se faça login com sua conta do Gmail. Mas são só alguns. Os principais até onde vi. Acessei o CRM por exemplo e ele abriu uma tela de autenticação diferente, sem inclusive cadastrar-se ou questionar se o e-mail que eu estava colocando, se era autêntico ou não. Dá pra perceber que Zoho é uma complexa colcha de retalhos de serviços que está longe de ser integrada de fato. O resultado dá em interfaces diferentes entre os aplicativos e certamente em armazenamento disperso. Talvez venha a ser algo verdadeiramente unificado, como foi com o Google Services, quando começou a incorporar o Writer, o Spreadsheet e recentemente o Presentations que eram programas de terceiros, mas que foram integrados de verdade.
Outra das vantagens do Zoho é a existência de plugins de integração dele para com o gratuito Open Office da Sun. A sua versão abrasileirada - BROffice - é minha suíte desktop padrão, tanto nos computadores com Windows como no servidor Linux Ubuntu de casa. Se eu fosse você e não conhecesse o BROffice, trataria logo de baixar e aprender. Além de ser uma ferramenta gratuita em substituição competentíssima do office do Bill Gates, já é utilizado por uma porção de empresas de todos os portes, sobretudo estatais federais, estaduais e autarquias como o Metrô de SP entre outras. Ou seja: já é requisito para quem quer trabalhar em uma delas. Os editores de textos, planilhas e apresentações do Zoho exportam nos formatos mais conhecidos do mercado, incluindo PDF e até mesmo o DOCX do Bill Gates, caso você precise mandar para alguém que insista em pagar por suítes de escritório.
Voltando à questão dos plugins, estes propiciam que um documento seja editado - opcionalmente - no desktop e seja salvo diretamente no repositório online do serviço Zoho. Assim, mesmo que você tenha usado um computador que não esteja em seu alcance em determinado momento o documento o estará na suíte online do Zoho. Se você não tem nenhum serviço de edição online e se vira bem com menus em Inglês, o Zoho tem o selo de recomendação Tio Xavier.

Por fim a ferramenta de apoio que uso - o Google Docs - prima pela interface espartana. Com muito menos recursos do que seu concorrente online mencionado acima, o GDocs é totalmente integrado ao login do GMail e oferece o básico com facilidade simplicidade. Espartanidade e minimalismo são emblemas dos serviços Google. Por isso não é para se esperar muita sofisticação futuramente da suíte Google a ponto de ela vir a se tornar parecida com a da Zoho. Mas para 99% dos usuários que trabalham apenas os recursos mais simples, é uma mão na roda indubitável.

O GDocs também atende à questão de integrar-se com a suíte gratuita da Sun. O OpenOffice - e por extensão o BROffice - possuem plugins que estendem a função "salvar como" ao GDocs, utilizando a conta Google do usuário. Geralmente é o mesmo plugin que se utiliza em prol do Zoho. Óbvio que a compatibilidade estética e a conversão de alguns recursos um pouco mais sofisticados como caixas de texto flutuantes, quebras de texto em colunas e mesmo a flutuação de imagens sobre (ou sob) textos corridos fica devendo. Na hora em que o arquivo sobe para a plataforma GDocs grande parte das formatações vai para o espaço e precisa ser refeita ou adaptada, pois nem tudo é suportado pela linguagem web. Mas volto a dizer que é suficiente para a produção de textos em grupo como trabalhos escolares, pesquisas e dá até para editar dentro das temidas normas ABNT para trabalhos acadêmicos. O GDocs oferece também uma interface compatível com smartphones, mas não se fie nela. Se na tela do PC o GDocs já é simples pacas, imagine no smartphone.
Se você é um usuário primoroso, arrojado e afeiçoado aos recursos de edição, engula o Inglês e abrace o Zoho. Mas se o conteúdo dos seus arquivos é mais importante do que a forma e se o seu uso em textos, planilhas e apresentações de slides não vai muito além do arroz-com-feijão, o GDocs lhe será suficiente. De presente terá uma integração muito bacana entre os diversos serviços Google. Ou, se você estiver com o bolso abarrotado, seja cliente do Sr. William Gates-III. Quem sou eu pra lhe dizer que não o faça?
Fã incondicional dos serviços Google, o que inclui esta plataforma bloguística, desde as versões beta passei a utilizar o Google Docs. Sei que há outros, mas a web tem se mostrado uma infinitude tão grande de serviços que acaba não dando para provar tudo. A não ser que alguma revista conceituada ou site resolva me contratar só pra isso. Nada que um polpudo salário, flexibilidade de horário e local de trabalho livre não me façam aceitar. Mas enquanto isso não ocorre, me limito a utilizar o necessário e de vez em quando compartilhar com meus amigos e leitores (boa parte são os mesmos) as experiências que tenho com ferramentas informáticas. Vamos ao benchmarking.
Recentemente a Microsoft fez algum alarde a respeito de sua Microsoft Office Live Workspace. Já vacinado contra os propó$ito$ explícitos da empresa fundada pelo Sr. Gates não me interessei nem um pouco. Vez ou outra vi uma das minhas contas do Hotmail exibir chamada para testar esse troço, mas nem fiz menção de tocar. Pois bem ao resolver blogar sobre serviços de edição de documentos online, dei uma chance ao Office Live. Fucei, fucei, fucei e o que encontrei? Vejam abaixo:

Edição online não existe, ao menos se você não for cliente do Bill Gates. O Office Live presume antes de tudo que o usuário seja um feliz comprador do Microsoft Office (de R$199 uma versão chinfrim para estudantes até R$1.300 na versão profissional).
Para o tio, que preza boas ferramentas gratuitas, isso simplesmente não serve. Não possuo a suíte do Bill Gates. Nesse caso eu teria que me resignar a armazenar meus documentos no site e para editar teria que fazê-lo no desktop em um editor minimamente compatível. Algo imprevisível e impraticável para quem mal sabe onde estará no dia seguinte como eu. Sem falar que fazer upload e download "por fora" do editor não é lá algo muito confortável. Explicarei mais abaixo. Muito obrigado.O Zoho, ferramenta que acesso eventualmente só pra bisbilhotar, é sem dúvida uma das mais completas suítes de edição. Possui um editor de texto rico (RTF/HTML) simpático, intuitivo e bem completo (vide screenshot abaixo). Para os acostumados a usar a web e que saibam rudimentos do idioma de Abraham Lincoln não há grandes problemas e as vantagens compensam. Seria o meu caso se eu não fosse um brazuca chato e exigente com minha língua-pátria. Por enquanto apenas o dicionário para revisão ortográfica comporta o Português Brasileiro. Nem sei ainda como fica isso a partir deste ano com a nova ortografia, mas aí já é querer muito. Prometo ainda pensar no caso porque o editor é bem robusto e bonito.

A página inicial do Zoho traz uma lista de serviços generosa. O surpreendente é a integração de alguns serviços com o passaporte Google, permitindo que se faça login com sua conta do Gmail. Mas são só alguns. Os principais até onde vi. Acessei o CRM por exemplo e ele abriu uma tela de autenticação diferente, sem inclusive cadastrar-se ou questionar se o e-mail que eu estava colocando, se era autêntico ou não. Dá pra perceber que Zoho é uma complexa colcha de retalhos de serviços que está longe de ser integrada de fato. O resultado dá em interfaces diferentes entre os aplicativos e certamente em armazenamento disperso. Talvez venha a ser algo verdadeiramente unificado, como foi com o Google Services, quando começou a incorporar o Writer, o Spreadsheet e recentemente o Presentations que eram programas de terceiros, mas que foram integrados de verdade.
Outra das vantagens do Zoho é a existência de plugins de integração dele para com o gratuito Open Office da Sun. A sua versão abrasileirada - BROffice - é minha suíte desktop padrão, tanto nos computadores com Windows como no servidor Linux Ubuntu de casa. Se eu fosse você e não conhecesse o BROffice, trataria logo de baixar e aprender. Além de ser uma ferramenta gratuita em substituição competentíssima do office do Bill Gates, já é utilizado por uma porção de empresas de todos os portes, sobretudo estatais federais, estaduais e autarquias como o Metrô de SP entre outras. Ou seja: já é requisito para quem quer trabalhar em uma delas. Os editores de textos, planilhas e apresentações do Zoho exportam nos formatos mais conhecidos do mercado, incluindo PDF e até mesmo o DOCX do Bill Gates, caso você precise mandar para alguém que insista em pagar por suítes de escritório.
Voltando à questão dos plugins, estes propiciam que um documento seja editado - opcionalmente - no desktop e seja salvo diretamente no repositório online do serviço Zoho. Assim, mesmo que você tenha usado um computador que não esteja em seu alcance em determinado momento o documento o estará na suíte online do Zoho. Se você não tem nenhum serviço de edição online e se vira bem com menus em Inglês, o Zoho tem o selo de recomendação Tio Xavier.

Por fim a ferramenta de apoio que uso - o Google Docs - prima pela interface espartana. Com muito menos recursos do que seu concorrente online mencionado acima, o GDocs é totalmente integrado ao login do GMail e oferece o básico com facilidade simplicidade. Espartanidade e minimalismo são emblemas dos serviços Google. Por isso não é para se esperar muita sofisticação futuramente da suíte Google a ponto de ela vir a se tornar parecida com a da Zoho. Mas para 99% dos usuários que trabalham apenas os recursos mais simples, é uma mão na roda indubitável.

O GDocs também atende à questão de integrar-se com a suíte gratuita da Sun. O OpenOffice - e por extensão o BROffice - possuem plugins que estendem a função "salvar como" ao GDocs, utilizando a conta Google do usuário. Geralmente é o mesmo plugin que se utiliza em prol do Zoho. Óbvio que a compatibilidade estética e a conversão de alguns recursos um pouco mais sofisticados como caixas de texto flutuantes, quebras de texto em colunas e mesmo a flutuação de imagens sobre (ou sob) textos corridos fica devendo. Na hora em que o arquivo sobe para a plataforma GDocs grande parte das formatações vai para o espaço e precisa ser refeita ou adaptada, pois nem tudo é suportado pela linguagem web. Mas volto a dizer que é suficiente para a produção de textos em grupo como trabalhos escolares, pesquisas e dá até para editar dentro das temidas normas ABNT para trabalhos acadêmicos. O GDocs oferece também uma interface compatível com smartphones, mas não se fie nela. Se na tela do PC o GDocs já é simples pacas, imagine no smartphone.
Se você é um usuário primoroso, arrojado e afeiçoado aos recursos de edição, engula o Inglês e abrace o Zoho. Mas se o conteúdo dos seus arquivos é mais importante do que a forma e se o seu uso em textos, planilhas e apresentações de slides não vai muito além do arroz-com-feijão, o GDocs lhe será suficiente. De presente terá uma integração muito bacana entre os diversos serviços Google. Ou, se você estiver com o bolso abarrotado, seja cliente do Sr. William Gates-III. Quem sou eu pra lhe dizer que não o faça?
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