Ninguém merece. Quando eu penso que escapei dos crentes, depois de um dia de trabalho sou obrigado a ouvir isso: (ligue o som)
Eu postei o som porque é impossível de narrar e ninguém acreditaria.
SARCASMO, OPINIÃO E TALVEZ ALGUM HUMOR *** AVISO: Se você ler esse blog e for conhecido do Tio Xavier™, poderá se identificar com algum personagem das situações narradas. Esta não é uma obra de ficção. Portanto não terá sido mera coincidência. Tio Xavier™ está pouco se lixando para o que você vai achar. ***
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Railway life - Parte-III: Cajú e Castanha
Em outro dos dias eu tinha uma reunião em um cliente antigo, sito no município de Santo André. Como ele praticamente divide muro com a estação ferroviária e Santo André é um adorável município no qual basta você pensar em ir para receber uma multa em casa, optei novamente pelo transporte suburbano. Tudo bem e em paz na ida, uma vez que a reunião era no final da manhã e fiquei livre da turba proletária amassada.
Mas na volta, uma hora da tarde, embarquei no trem e sentado vejo dois nordestinos de um metro e meio de altura anunciarem-se na ponta do vagão. Claro que meu assento tinha que ser a dois metros das figuras, por razões cármicas. Ambos abrem sacolinhas tiram pandeirinhos de plástico adquiríveis na 25th Street em Sampa por um real e começam o discurso alternando-se em forma de jogral.
[Som de pandeiro em ritmo de repente]
Como é proibido tocar som, vender coisas, esmolar e perturbar os passageiros, o que inclui os pé-no-saco dos pregadores evangélicos, os repentistas evaporaram com suas doações e pandeiros, tão logo o trem chegou à estação. Certamente para disfarçar e mudar de vagão ou então esperar outro trem. Se não tivesse quem achasse graça naquilo e ninguém lhes desse dinheiro eles já tinham mudado de "profissão". Fazer o quê? Não tenho culpa de ter os ouvidos apurados.
Mas na volta, uma hora da tarde, embarquei no trem e sentado vejo dois nordestinos de um metro e meio de altura anunciarem-se na ponta do vagão. Claro que meu assento tinha que ser a dois metros das figuras, por razões cármicas. Ambos abrem sacolinhas tiram pandeirinhos de plástico adquiríveis na 25th Street em Sampa por um real e começam o discurso alternando-se em forma de jogral.
[Som de pandeiro em ritmo de repente]
- Nóis pudia tá róbanu.Eu fui mais rápido. Quando vi os pandeirinhos saírem das sacolas, troquei rapidamente os óculos pelos escuros. Fiz uma expressão steviewonderiana olhando pro infinito e evitei que eles me fizessem a (des)gentileza de compor algum verso em minha frente esperando um trocado. Eu até pagaria algo, se mediante o pagamento eles concordassem em saltar do trem em movimento e nunca mais encher o saco de ninguém.
- Pudia mais num tamu.
- Cum esse tamanho todo
- De menos de metro e meio
- O tiozinho que tá ali
- Istorava nóis co'arreio
- E essa moça bunita
- Parece com a globeleza
- Vai dá uma ajuda pra nóis?
- Vai dá sim tenho certeza
- Nesse trem só tem gente bunita
- Acho que demo sorte
- Cum a ajuda de todos vocêis
- E os trocado que nos dão
- Sustentamu os fio no Norte
Como é proibido tocar som, vender coisas, esmolar e perturbar os passageiros, o que inclui os pé-no-saco dos pregadores evangélicos, os repentistas evaporaram com suas doações e pandeiros, tão logo o trem chegou à estação. Certamente para disfarçar e mudar de vagão ou então esperar outro trem. Se não tivesse quem achasse graça naquilo e ninguém lhes desse dinheiro eles já tinham mudado de "profissão". Fazer o quê? Não tenho culpa de ter os ouvidos apurados.
Railway life - Parte-II
Grotesco é apelido. Além do suplício de Prometeu a que o passageiro ferroviário é submetido, uma horda de seres estranhos faz questão de completar o quadro.
Semana passada, em um dos dias a darling fez questão de levar a cria comigo para a escola e assim me acompanhou no trem, cada um rumo ao seu trampo. Dado o cenário impossível, deixamos passar duas composições enquanto analisávamos uma estratégia que nos garantisse o embarque. Percebemos que o primeiro vagão era menos abarrotado. Com um certo esforço físico era possível empurrar os cumpanhêro da crasse operária e ficarmos entre o contingente e a porta. E assim o fizemos. Fomos coladinhos um no outro e por mais que isso possa sugerir algum erotismo, lamento desapontar o leitor. Numa hora dessas é mais capaz que pensemos em jogar o outro pra fora por sobrevivência, do que tiremos proveito do grude.
Fechada a porta e pensei que estava delirando. Mas começo a ouvir vozes em côro:
Talvez os desinfelizes sintam algum alívio no meio daquele sufoco, louvando e suplicando ao deus deles. Uma espécie de narcótico espiritual de efeito analgésico. Enfrentar a dureza da vida com a cara e a coragem não é para qualquer um. Escorar-se em deuses e entidades espirituais propicia alívio aos ingênuos e piedosos. Como quis dizer o velho Marx, quando afirmou que a religião era o ópio do povo. Para quem não sabe o ópio, droga extraída da papoula, na época de Marx não era uma droga nos moldes do narcotráfico de hoje. Era um anestésico de uso clínico-hospitalar. Como tal, aliviava as dores dos doentes. Sábio Marx. Pobre povo rezando no trenzão em busca dos seus salários de fome.
Só que vão cantar os seus hinos no inferno, no céu ou na PQP como preferirem. Cambada de chatos.
Semana passada, em um dos dias a darling fez questão de levar a cria comigo para a escola e assim me acompanhou no trem, cada um rumo ao seu trampo. Dado o cenário impossível, deixamos passar duas composições enquanto analisávamos uma estratégia que nos garantisse o embarque. Percebemos que o primeiro vagão era menos abarrotado. Com um certo esforço físico era possível empurrar os cumpanhêro da crasse operária e ficarmos entre o contingente e a porta. E assim o fizemos. Fomos coladinhos um no outro e por mais que isso possa sugerir algum erotismo, lamento desapontar o leitor. Numa hora dessas é mais capaz que pensemos em jogar o outro pra fora por sobrevivência, do que tiremos proveito do grude.
Fechada a porta e pensei que estava delirando. Mas começo a ouvir vozes em côro:
"O Senhor é meu Pastor e nada, nada me faltaráEu devo merecer. Não me bastava o calvário do transporte e ainda tinha que ouvir hinário evangélico. Atente que não tenho nada em absoluto contra a fé alheia. Desde que seja praticada em ambiente fechado entre seus adeptos. No mais vão todos à merda. Ninguém pediu para ouvir aquilo nem muito menos a pregação que algum deles fazia nos intervalos entre um cântico e outro. Juro. Além da musicaiada chata, piegas e carola que os pentelhos obrigavam-me a ouvir, um mala-sem-alça ainda intercalava exortações e citações bíblicas. Muito mal referenciadas e mal interpretadas, cabe-me dizer. Como é patente dos evangélicos chatos, as palavras eram proferidas aos brados retumbantes.
O Senhor é meu Pastor e nada, nada me faltará
Já me deu o suficiente nesta vida, não peço mais
Já me deu o suficiente, já me deu o suficiente
Já me deu amor e paz"
Talvez os desinfelizes sintam algum alívio no meio daquele sufoco, louvando e suplicando ao deus deles. Uma espécie de narcótico espiritual de efeito analgésico. Enfrentar a dureza da vida com a cara e a coragem não é para qualquer um. Escorar-se em deuses e entidades espirituais propicia alívio aos ingênuos e piedosos. Como quis dizer o velho Marx, quando afirmou que a religião era o ópio do povo. Para quem não sabe o ópio, droga extraída da papoula, na época de Marx não era uma droga nos moldes do narcotráfico de hoje. Era um anestésico de uso clínico-hospitalar. Como tal, aliviava as dores dos doentes. Sábio Marx. Pobre povo rezando no trenzão em busca dos seus salários de fome.
Só que vão cantar os seus hinos no inferno, no céu ou na PQP como preferirem. Cambada de chatos.
Eu "muito bem" vindo de trem de algum lugar
Diferente da terra dos nossos irmãos estadunidenses, aqui em Pindorama morar no subúrbio é sinônimo de má qualidade de vida. Se os subúrbios de lá, ao menos os dos filmes, são povoados com casas paradisíacas sem cercas e com jardins mimosos, morar na periferia aqui requer grades grossas, correntes, cadeados enormes e - por que não? - um bom três-oitão fácil de recorrer. Terras de Marlboro, com leis próprias, as periferias brasileiras não são o melhor lugar para se viver. Aliás, viver já é grande coisa. Sobreviver, melhor dizendo.
É nesse contexto que tenho provado de parte das dificuldades do proletariado, já que na periferia moro há muitos anos. Embora me encontre em uma escala intermediária, abaixo dos possuidores mas pouco acima dos despossuídos, posso fazer uma série de escolhas no meu cotidiano. Posso escolher entre andar de carro (quitado e abastecido à vista), escolher onde a cria estudará, dentro de um leque limitado, e não dependo de postos de trabalho anunciados em classificados, pois sei criar os meus.
Como o meu novo posto de trabalho fica no lado oposto da minha casa muitas vezes, quando não tenho que visitar clientes, opto por cruzar a cidade de trem. Trenzão de subúrbio mesmo. O antigo Fepasão que agora faz parte da Cia do Metropolitano de São Paulo. Deixo a cria na escola, boto o carro em um estacionamento ao lado de uma estação e embarco para uma sucessão de baldeações, mas que me possibilitam cruzar a cidade em cinqüenta minutos ao invés de duas horas e meia, como seria de carro. E de quebra é melhor para ir à faculdade à noite, pois a instituição fica ao lado de um terminal multimodal.
Confesso que não sei o que é pior: se é cruzar a cidade em duas horas e meia com cãibra de tanto embrear e engrenar o carro ou embarcar no trem às sete da madrugada - é madrugada sim - sendo compactado pela porta automática forçada pelos seguranças da estação. Acredite em mim que é impossível mover os braços depois de ver-se prensado na massa humana dentro do vagão. Ao entrar na lata de sardinhas gigantesca é preciso escolher previamente a posição dos pés e braços, porque nenhum movimento é possível durante o trajeto. No máximo se negociar com um dos prensados fronteiriços. Do lado em que embarco, o consolo é que a porta só se abre praticamente na estação final de modo que não entram mais pessoas. E também o trem é uma espécie de expresso, pois só pára a cada uns cinco quilômetros. O suplício dura menos.
Tente imaginar o cenário: não estou falando que o trem está cheio e não tem lugar pra sentar. Isso já é fato, inclusive porque o número de assentos vem se reduzindo a cada reforma. Afinal de contas, gado não precisa de assento. Estou falando que há vezes em que para se respirar é preciso revezar. O vizinho do corpo-a-corpo respira e você inspira. Sempre de forma alternada porque, se todos inspirarem ao mesmo tempo, as portas explodem para fora, por causa do aumento de volume dos corpos. Os trens em si até são bons. Têm vidros fumê, ar-condicionado funcionando e assentos acolchoados. Só que são em número insuficiente para a demanda. Mesmo somando a linha de metrô com as duas linhas de trem para a zona leste de Sampa, não dá nem pro começo durante o horário de pico. Por outro lado, vai saber se a infraestrutura de segurança, sinalização e comunicação comporta um aumento de tráfego. Suspeito que não.
Nesta semana um colega do trabalho, meio-parceiro meio-chefe me contou ter lido que o governo paulista receberá noventa e nove trens da Espanha, se não me engano. De segunda mão, claro, mas comparados às sucatas que ainda servem algumas linhas, equivalerão a transporte VIP. Achei até interessante o número. Por que não cem? Alguma coisa cabalística, deve ser. A merda é que não há políticas sérias para transporte público. Nenhuma instância de governo demonstra ter projetos concretos e factíveis para transportar a pobraiada em larga escala. No máximo obras viárias desconexas e assíncronas (malhas, viadutos, túneis) mas que privilegiam sempre o transporte individual, o carro que polui desproporcionalmente e entope as vias em prol do indivíduo. Enquanto isso a grande massa proletária pedestre passa sufoco no precário transporte público.
E ainda dizem que o brasileiro é vagabundo. Óbvio que depois de enfrentar um transporte desse naipe o peão chega na fábrica moído e indisposto. Cego é quem não quer ver.
É nesse contexto que tenho provado de parte das dificuldades do proletariado, já que na periferia moro há muitos anos. Embora me encontre em uma escala intermediária, abaixo dos possuidores mas pouco acima dos despossuídos, posso fazer uma série de escolhas no meu cotidiano. Posso escolher entre andar de carro (quitado e abastecido à vista), escolher onde a cria estudará, dentro de um leque limitado, e não dependo de postos de trabalho anunciados em classificados, pois sei criar os meus.
Como o meu novo posto de trabalho fica no lado oposto da minha casa muitas vezes, quando não tenho que visitar clientes, opto por cruzar a cidade de trem. Trenzão de subúrbio mesmo. O antigo Fepasão que agora faz parte da Cia do Metropolitano de São Paulo. Deixo a cria na escola, boto o carro em um estacionamento ao lado de uma estação e embarco para uma sucessão de baldeações, mas que me possibilitam cruzar a cidade em cinqüenta minutos ao invés de duas horas e meia, como seria de carro. E de quebra é melhor para ir à faculdade à noite, pois a instituição fica ao lado de um terminal multimodal.
Confesso que não sei o que é pior: se é cruzar a cidade em duas horas e meia com cãibra de tanto embrear e engrenar o carro ou embarcar no trem às sete da madrugada - é madrugada sim - sendo compactado pela porta automática forçada pelos seguranças da estação. Acredite em mim que é impossível mover os braços depois de ver-se prensado na massa humana dentro do vagão. Ao entrar na lata de sardinhas gigantesca é preciso escolher previamente a posição dos pés e braços, porque nenhum movimento é possível durante o trajeto. No máximo se negociar com um dos prensados fronteiriços. Do lado em que embarco, o consolo é que a porta só se abre praticamente na estação final de modo que não entram mais pessoas. E também o trem é uma espécie de expresso, pois só pára a cada uns cinco quilômetros. O suplício dura menos.
Tente imaginar o cenário: não estou falando que o trem está cheio e não tem lugar pra sentar. Isso já é fato, inclusive porque o número de assentos vem se reduzindo a cada reforma. Afinal de contas, gado não precisa de assento. Estou falando que há vezes em que para se respirar é preciso revezar. O vizinho do corpo-a-corpo respira e você inspira. Sempre de forma alternada porque, se todos inspirarem ao mesmo tempo, as portas explodem para fora, por causa do aumento de volume dos corpos. Os trens em si até são bons. Têm vidros fumê, ar-condicionado funcionando e assentos acolchoados. Só que são em número insuficiente para a demanda. Mesmo somando a linha de metrô com as duas linhas de trem para a zona leste de Sampa, não dá nem pro começo durante o horário de pico. Por outro lado, vai saber se a infraestrutura de segurança, sinalização e comunicação comporta um aumento de tráfego. Suspeito que não.
Nesta semana um colega do trabalho, meio-parceiro meio-chefe me contou ter lido que o governo paulista receberá noventa e nove trens da Espanha, se não me engano. De segunda mão, claro, mas comparados às sucatas que ainda servem algumas linhas, equivalerão a transporte VIP. Achei até interessante o número. Por que não cem? Alguma coisa cabalística, deve ser. A merda é que não há políticas sérias para transporte público. Nenhuma instância de governo demonstra ter projetos concretos e factíveis para transportar a pobraiada em larga escala. No máximo obras viárias desconexas e assíncronas (malhas, viadutos, túneis) mas que privilegiam sempre o transporte individual, o carro que polui desproporcionalmente e entope as vias em prol do indivíduo. Enquanto isso a grande massa proletária pedestre passa sufoco no precário transporte público.
E ainda dizem que o brasileiro é vagabundo. Óbvio que depois de enfrentar um transporte desse naipe o peão chega na fábrica moído e indisposto. Cego é quem não quer ver.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Mea culpa
Peço aos 3 ou 4 leitores disto aqui, envergonhadas desculpas. Não é que me falte assunto para escrever nem que eu tenha perdido a destreza no teclar. Mas o leitor não sabe a quantas anda a vida do tio. Trampo novo, as aulas recomeçaram e, ao que tudo me faz crer, os professores estão a fim de formar PhDs Harvardianos, pela volúpia com que despejam seus programas do semestre, suas bibliografias e suas promessas de que a moleza acabou.
Acontece que depois de uns anos, durante os quais uma complexa tabela de cálculos e arredondamentos para cima conseguia fazer um vegetante ser diplomado, a reitoria da instituição resolveu voltar aos bons tempos. Acabaram-se os generosos arredondamentos automáticos "do sistema", as provas de peso diferenciado, as substitutivas para os faltosos e - pasmem - o exame. Este último era a tábua de salvação de uma turba de ancéfalos(as), que insistiam em constar na lista de chamada.
Ou seja: a casa dos vagabundos caiu. E a do tio, se eu quiser continuar sendo "o the best", vai exigir que eu rale um tantão mais do que o habitual. Já estou programando meu evento "back to the old books store". Preciso comprar uma meia-dúzia de livros de referência e espero encontrá-los desolados e abandonados nas banquinhas de cinco reais dos sebões do centro velho de Sampa. Tomara.
E no trampo novo as coisas prosperam. Somados o adiantamento do maldito Carnaval deste ano com a exímia competência comercial do tio e um upgrade nas oportunidades, tudo indica que estou rumando para meu primeiro milhão de dólares a passos largos.
Explicado o acima e considerando que já são trinta minutos de um novo dia, preciso dormir. Amanhã tenho clientes para visitar nos dois períodos. E quem dorme na mesa de negociação costuma levar a pior. Ou melhor dizendo, não levar nada.
Fui.
Acontece que depois de uns anos, durante os quais uma complexa tabela de cálculos e arredondamentos para cima conseguia fazer um vegetante ser diplomado, a reitoria da instituição resolveu voltar aos bons tempos. Acabaram-se os generosos arredondamentos automáticos "do sistema", as provas de peso diferenciado, as substitutivas para os faltosos e - pasmem - o exame. Este último era a tábua de salvação de uma turba de ancéfalos(as), que insistiam em constar na lista de chamada.
Ou seja: a casa dos vagabundos caiu. E a do tio, se eu quiser continuar sendo "o the best", vai exigir que eu rale um tantão mais do que o habitual. Já estou programando meu evento "back to the old books store". Preciso comprar uma meia-dúzia de livros de referência e espero encontrá-los desolados e abandonados nas banquinhas de cinco reais dos sebões do centro velho de Sampa. Tomara.
E no trampo novo as coisas prosperam. Somados o adiantamento do maldito Carnaval deste ano com a exímia competência comercial do tio e um upgrade nas oportunidades, tudo indica que estou rumando para meu primeiro milhão de dólares a passos largos.
Explicado o acima e considerando que já são trinta minutos de um novo dia, preciso dormir. Amanhã tenho clientes para visitar nos dois períodos. E quem dorme na mesa de negociação costuma levar a pior. Ou melhor dizendo, não levar nada.
Fui.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Sebastião Rodrigues Maia

- Mais som, mais grave, mais agudo, mais tudo.
Tim Maia é tão interessante que não achei um título decente para este post. Já devo estar no quarto ou quinto e talvez se você pressionar [F5] o título já tenha mudado. Acabo de ler a obra litero-jornalística de Nelson Motta. Vale tudo é um livro direto em linguagem objetiva, bem escrito e apaixonante. Não pela obra em si, mas pelo objeto da narrativa.
Tim Maia é, por si só, a figuraça mais balançante e mais pitoresca da MPB. Sempre gostei do Tim, principalmente por causa do gênero, dadas as "minhas raízes afro". Vivi e dancei toda a década de 80, que foi o apogeu da carreira musical do Tim com hits que explodiam as caixas nas pistas das casas. Esmerilhávamos o chão com nossos sapatos (minha geração procurava se vestir bem e usava sapatos para ir aos bailes) fazendo passos sincronizados em grupo, ao som de Sossego e Do Leme ao Pontal.
Nas palavras do próprio autor ninguém, nem cheirando tudo o que o Tim cheirou, bebendo tudo o que ele bebeu e fumando tudo o que ele fumou, jamais conseguirá se aproximar do perfil do músico mais doido, mais intempestivo e mais swingado que o Brasil já viu.
Compreender melhor as fases da vida e da obra timaiana me animou a dar um retoque na minha coleção de mp3 do gordo. Até então resumia-se à ripada de umas coletâneas que possuo, mais a digitalização de uma fita K7 e um LP. Como estou sem o menor saco de caçar agulha do toca-discos pra digitalizar os outros LPs e sem grana pra comprar mais CDs, o jeito foi apelar para São Download. E olha que tem coisa do Tim na rede. Do it and enjoy it.
Por fim recomendo a todos que leiam o livro. "Vale Tudo" valeu os cinqüenta merréis pagos. Lamento apenas pelo final, que não me furtarei de contar aqui: o Tim morre. A propósito em março fará dez anos. O Brasil ficou sem síndico.
Tim Maia é, por si só, a figuraça mais balançante e mais pitoresca da MPB. Sempre gostei do Tim, principalmente por causa do gênero, dadas as "minhas raízes afro". Vivi e dancei toda a década de 80, que foi o apogeu da carreira musical do Tim com hits que explodiam as caixas nas pistas das casas. Esmerilhávamos o chão com nossos sapatos (minha geração procurava se vestir bem e usava sapatos para ir aos bailes) fazendo passos sincronizados em grupo, ao som de Sossego e Do Leme ao Pontal.
Nas palavras do próprio autor ninguém, nem cheirando tudo o que o Tim cheirou, bebendo tudo o que ele bebeu e fumando tudo o que ele fumou, jamais conseguirá se aproximar do perfil do músico mais doido, mais intempestivo e mais swingado que o Brasil já viu.
Compreender melhor as fases da vida e da obra timaiana me animou a dar um retoque na minha coleção de mp3 do gordo. Até então resumia-se à ripada de umas coletâneas que possuo, mais a digitalização de uma fita K7 e um LP. Como estou sem o menor saco de caçar agulha do toca-discos pra digitalizar os outros LPs e sem grana pra comprar mais CDs, o jeito foi apelar para São Download. E olha que tem coisa do Tim na rede. Do it and enjoy it.
Por fim recomendo a todos que leiam o livro. "Vale Tudo" valeu os cinqüenta merréis pagos. Lamento apenas pelo final, que não me furtarei de contar aqui: o Tim morre. A propósito em março fará dez anos. O Brasil ficou sem síndico.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Roteiro gastronômico do submundo 2008-01
Subtítulo: NÃO VENDA O QUE NÃO TEM
A pior coisa que pode ocorrer a um cliente é sofrer a tentativa de ser enganado pelo fornecedor. É o mesmo que chamá-lo de trouxa na cara. Tenho uma regra de ouro, de minha autoria, que serve para qualquer ramo de atividade:
"Quando não tiver a lebre que o cliente pediu não empurre o gato.
No máximo tente convencê-lo das vantagens do gato."
Infelizmente em um tempo em que a incompetência crassa, a malandragem cresce e a filhadaputice abunda, essa regrinha tão simples é desconhecida.
Não somos obrigados a ter sempre o que o cliente pede. Mas não é porque o cliente pediu algo que ele quer esse algo. Geralmente ele quer resolver alguma questão e cabe ao vendedor captá-la. Pode ser fome, pode ser uma solução técnica, pode ser um meio de transporte, sensação de segurança, etc.. Em resumo, quando o cliente pede especificamente por alguma coisa, em noventa e nove porcento das vezes essa coisa é passível de substituição. Mas tem que ser feita de forma honesta, transparente e competente.
Eu mesmo me vejo obrigado a reespecificar os pedidos de meus clientes todos os dias. E graças à minha competência, consigo apontar valor para o que tenho a oferecer, em relação ao que o cliente havia pedido. Para isso, depois de entendida a necessidade real, eu só trato de posicionar os holofotes em cima das melhores características do que eu possuo para vender. O freqüente resultado é que consigo vender, deixo o cliente satisfeito e ele torna a me ligar para comprar novamente. Fatos sim, mentiras jamais.
Mas os proto-profissionais que atenderam a mim e à tia darling na Panificadora Marengo (vide ficha técnica no rodapé) jamais ouviram falar de tudo isso. Aliás, estabelecimento alimentício lotado quase sempre é sinônimo de mau atendimento. Não deveria. Se a demanda é maior do que a capacidade, parabéns para o empreendedor. Esse é o sonho dourado de todos. Só que daí para satisfazer bem aos que conseguiram adentrar ao recinto é bem outra coisa. Veja se não estou sendo severo demais.
Depois de amargar uns trinta minutos na fila com a darling e eu faminto, conseguimos uma mesa. Logo notei que o in da noite era o rodízio de pizzas. A fisionomia de estresse da funcionária de cabelos mesclados de cor-de-rosa e dos demais empregados não era lá muito animadora. Mas eu não tinha ido lá para admirar as funcionárias e tampouco os seus pares masculinos. Sentamo-nos. Os pratos já estavam postos e, em poucos segundos, uma funcionária aporta em nossa mesa com uma fumegante pizza:
- Brócolis com muzzarela?
- Não. Por favor, pede para alguém... - mal tive tempo e a dita saiu-se voando a servir outra mesa - .
Chega outro servente:
- Atum com cebola ou atum com catupiry, senhor?
- Nenhuma. Eu quero o cardápio.
De novo, esse se manda, nada de cardápio e encosta um terceiro de mãos vazias:
- O que vão beber?
- Eu quero o cardápio primeiro.
- Não tem bebida no cardápio.
- Você pode trazer o cardápio?
- Mas não tem bebida no cardápio.
Eu sei que podia ter dado um berro e um murro na mesa para me fazer entender. Mas sou um ser com alma nobre e apenas estou estagiando na plebe enquanto meus milhões não me chegam. Tento explicar, como cabe a um futuro pedagogo:
- Você já me disse e eu ouvi. Mas eu quero escolher lanche. Posso?
- Não vão comer pizza?
- ...
Com uma delicadeza paquidermiana a baianinha inculta e mal-remunerada puxa os pratos da mesa, sem ao menos pedir licença. Ainda que mal, tive tempo de dizer que queríamos dois refrigerantes pretos com gelo e limão. O simpático casal da mesa ao lado riu da cena insólita. Comentei com eles e a darling que quebrar rotinas robotizadas dava nisso. O povinho que trabalhava lá estava em modo piloto automático, carregado com o software "rodízio.exe". Ser do contra seria meu desafio. Mais ou menos como os Luditas faziam nas fábricas durante a revolução industrial. Pane certa. Mas eu sou brasileiro e não desisto nunca.
Alguns ajustes no modus operandi dos robozinhos e o cardápio chega em nossa mesa. Procuro escolher rápido meu lanche. Na verdade eu já sabia de antemão o tipo de coisa que queria e só usei o cardápio para escolher a versão. A darling gostou da sugestão e clonou. Melhor mesmo, porque em um ambiente lotado como aquele pedir variações seria suicídio. Dois cheese-picanhas. Segundo a descrição do cardápio algo simples como: picanha frita em tiras, com queijo derretido e salada, no meio de um pão de hambúrguer. Eu já havia comido isso lá mesmo, um ano antes. E achei que seria satisfação garantida. Ao menos foi o que pensei.
Minutos depois chegam os enormes e vaporosos lanches no prato com talheres. A servente de madeixas rosadas despenca-os rapidamente na mesa junto com um catchup. Tomo fôlego para pedir a mostarda mas ela já estava a um quilômetro. Tudo bem, esperaria outro atendente passar. Corto o primeiro pedaço, degusto e puto da vida decreto para a darling:
- Isso aqui só é picanha se for na casa da senhora mãe deles.
O casal vizinho só observa, tranqüilos que estavam com o serviço-padrão de pizzas randômicas.
- Não é? - pergunta minha companheira - .
- Nem a pau. Desde quando picanha tem nervinhos? E a aparência dessa gordura? Isto é contra-filé.
Tiro um pedaço com o garfo, destrincho no prato e mostro para a amada ironizando:
- Eu adoro pedir algo e me darem outro sem maiores explicações.
Acontece que, quando essas coisas são feitas nos estabelecimentos, os funcionários - ao menos os nascidos de profissionais do sexo - já sabem bem o que estão fazendo. A técnica é a famosa SPP: Se passar, passou. E para isso, após arremessar a entrega na mesa do cliente eles tratam de se mandar. Se possível encerram o expediente ou voltam somente quando o cliente pedir a conta. Antes de mais nada, peço para uma garçonete chamar a senhorita pink-hair. Ela chega à mesa atabalhoada com aquela cara de "fala logo que tô ocupada" e ouve a queixa do pobre freguês:
- Isto aqui não é picanha em lugar nenhum do mundo. É contra-filé.
Ela persiste e comete o pênalti. Acha de argumentar, sugerindo que me falte sanidade mental ou conhecimento:
- Impossível, porque hoje nós nem temos contra-filé.
- Querida - puxo o pedaço de carne com o garfo e mosto a ela destrinchando com os dedos - isto aqui não tem textura de picanha, não tem gosto de picanha, nem cheiro de picanha e nem gordura de picanha. Na melhor das hipóteses seria contra-filé. Mas se você diz que não têm contra-filé, aí me preocupa. Que diabo será?
Visivelmente emburrada a esguia mulher pega o meu lanche e coloca na janela do chapeiro. Conversam de forma que eu não escute, mas a darling ainda consegue ouvir. O senhor chapeiro queria reafirmar o milagre da transubstanciação bovina dizendo que não tinham contra-filé. Vão às putasqueospariram com essa insistência. Se se tratasse de pessoas leigas eu juro que perdoava. Mas esses merdas trabalham com isso o dia todo. Sabem o que receberam do fornecedor, o que cortaram e o que fritaram, mas insistem em chamar o cliente de idiota. Mais destestável impossível. A moça volta à mesa com mesmo o prato, na vã tentativa de me convencer dos poderes sobrenaturais do estabelecimento.
- Isto é picanha. Se o senhor pedir outro lanche vai vir igual. Porque não temos contra-filé. Impossível.
Que dane-se a modéstia, mas tenho um paladar de gourmê francês, olfato de cão e conheço alimentos um bocado. Mas raciocinei de forma pragmática. Eram nove e meia da noite, tínhamos ficado na fila por trinta minutos, eu não tinha almoçado e tudo nos arredores tinha filas nas portas. Então condicionei, inegociável:
- Olha jovem, não sou inimigo de contra-filé. Mas eu pago pelo gato, não pela lebre. Continem enganando aos que não conhecem carne. Vou ficar com o lanche mas jamais vou pagar isto como cheese-picanha. Tudo bem? Se vire com a especificação da conta e obrigado. Se estamos conversados, com licença que vou comer.
Não sei se resignada, aliviada, ou sei lá o quê, a ditinha ainda avisou que na hora de saírmos era para chamá-la. Entendi que era para fazer a correção da comanda. A darling, por sacanagem ou por estar com menos fome que eu, fez questão de rejeitar alguns dos pequenos pedaços que achou duros, abandonando-os mordidos no prato auxiliar. Chamei a atendente que digitou algo no micro-terminal, levantamo-nos e ao passar pelos chapeiros lancei um olhar fulminante ao time de pilantras. Estivesse eu com adereços e trajes apropriados de vodu, eles sairiam de lá direto pra se benzer. Ao pagar a conta atentei ao que era processado e vi que a magrela tinha bilhetado os lanches como "churrasco com queijo". Aqui em Sampa o têrmo define um sanduíche simplório de carne picada. Menos da metade do preço da iguaria que eu pedira e queria. Mas fome aplacada e instatisfeito com o atendimento, me mandei para casa com a querida.
Atenção senhores da Marengo: não façam mais isso. É muito feio, desonesto, ofensivo e canalha. Não tem, não tem. Um cliente satisfeito recomenda a mais dez. Um insatisfeito alerta a cem. Ou bloga, que é bem mais eficiente.
FICHA TÉCNICA:
Dia: 08/02/2008.
Hora: 21h00.
Local: bairro do Tatuapé, em Sampa.
Estabelecimento: Panificadora Marengo
Conceito: Sacanagem não se perdoa. Não merece bis.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Momento merchan
É com grata satisfação que veiculo gratuitamente neste blog, sem qualquer solicitação ou autorização dos proprietários, a seguinte empresa:
Ps.: O tio Xavier, até onde se sabe, não tem nenhum vínculo societário ou consangüíneo com os acionistas da empresa em questão. Senhores seqüestradores não percam vosso tempo.
Ps.: O tio Xavier, até onde se sabe, não tem nenhum vínculo societário ou consangüíneo com os acionistas da empresa em questão. Senhores seqüestradores não percam vosso tempo.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
A conversão
É curioso como a falta de alternativas às vezes é de grande ajuda nos momentos de dúvidas. É um paradoxo. Costumo dizer que deve ser fácil ser fiel de seitas fundamentalistas radicais, porque as escolhas terminam no dia em que se entra nelas. Daí por diante escolhem por você e, quando não, fica-se refém de uma única alternativa. Esse rodeio todo é para justificar o final da maratona na escolha de uma escola para a caçula. No meio do sétimo ano de vida dela (incompleto) vi-me na árdua tarefa de pesquisar escolas, posto que encerrou-se o período de Educação Infantil. Ela vai para o segundo ano e a escola onde permaneceu não oferece o Ensino Fundamental.
Por causa das rotinas de trabalho da darling e minha, período integral foi uma premissa inegociável. Depois viria - supunha eu - a enquete sobre a proposta pedagógica, preço, estrutura predial, serviços agregados e coisas assim. Descartei de cara a escola pública, deteriorada que está por aqui e em todo lugar. Puxei uma lista de escolas no site do sindicato patronal, filtrei por faixa de CEP para ver as mais próximas e comecei os telefonemas. A pergunta inicial e primeira eliminatória era: "Vocês têm período integral no Ensino Fundamental-I ?". À resposta negativa eu agradecia e desligava. Assim liquidei 90% da lista em minutos. E a angústia aumentava na mesma proporção.
Sou avesso ao ensino básico ligado a instituições religiosas. Por mais que a obrigatoriedade do conteúdo laico seja uma exigência legal até respeitada não tem jeito. A "pegada" religiosa da mantenedora vaza pelos poros da instituição. E não-praticante religioso que sou, mais precisamente anti-clerical, entendo que a educação básica deva ser laica, plural e científica. Mas da peneira do listão, eliminados os estabelecimentos que não ofereciam período integral, sobraram apenas dois. Visitei-os. Ambos bem pequenos, sendo que um era dirigido por... religiosas católicas. A cria foi junto, afinal de contas a "cliente" de fato era ela.
No final das duas visitas, fui para casa mais preocupado ainda. Não me apaixonei por nenhum e o calendário, a logística e as modestas finanças jogavam-me contra a busca de outras possibilidades. Enfim, perguntei para a criaturinha de qual das duas ela havia gostado mais.
- A das freiras.
- A das freiras? Por que?
- Porque tem uma igreja.
Para quem recentemente tinha proferido umas dez blasfêmias na mesa do café da manhã, aquilo parecia-se com a conversão de Saulo de Tarso. Dias atrás ao ouvir uma das expressões corriqueiras da darling - coisa simplória como "se deus quiser" ou algo assim - a cria desfiou frases que fariam tremer até os exorcistas mais renomados do Vaticano. "Tô com saco cheio desse deus de vocês" foi a mais branda de todas. A darling ficou ainda mais branca do que já é. Eu fiquei esperando a cria dar um giro de trezentos e sessenta graus com o pescoço, a mesa levitar e ela expelir um jato de vômito verde. Mas nada aconteceu e continuei a passar manteiga no pão. Notei que era mais um de seus teatros para apavorar a ingênua e piedosa mãe, que continuou paralisada e de olhos arregalados por uns dez minutos.
Voltando à questão de fundo, como em todo colégio religioso que se preze há uma capela no interior dele. E a minha filha, justamente a filha de um marxista, agnóstico, ex-católico e auto-excomungado, escolhe o dito por causa do mini-templo cristão dentro dele. Comecei a refazer minhas idéias, mais movido pela falta de escolhas e em consciente processo de acomodação à realidade. No fim, conversei com as freiras por quem nutro respeito e foi assim. Lá está a criaturinha de pacote completo. Curso regular, atividades extras e ensino religioso suplementar, o qual autorizei também. Quem tá na chuva é pra se molhar e não haverá de fazer-lhe mal. Quem sabe ela pára de perturbar o café da manhã da mãe com blasfêmias.
Não ter escolhas facilita as coisas.
Por causa das rotinas de trabalho da darling e minha, período integral foi uma premissa inegociável. Depois viria - supunha eu - a enquete sobre a proposta pedagógica, preço, estrutura predial, serviços agregados e coisas assim. Descartei de cara a escola pública, deteriorada que está por aqui e em todo lugar. Puxei uma lista de escolas no site do sindicato patronal, filtrei por faixa de CEP para ver as mais próximas e comecei os telefonemas. A pergunta inicial e primeira eliminatória era: "Vocês têm período integral no Ensino Fundamental-I ?". À resposta negativa eu agradecia e desligava. Assim liquidei 90% da lista em minutos. E a angústia aumentava na mesma proporção.
Sou avesso ao ensino básico ligado a instituições religiosas. Por mais que a obrigatoriedade do conteúdo laico seja uma exigência legal até respeitada não tem jeito. A "pegada" religiosa da mantenedora vaza pelos poros da instituição. E não-praticante religioso que sou, mais precisamente anti-clerical, entendo que a educação básica deva ser laica, plural e científica. Mas da peneira do listão, eliminados os estabelecimentos que não ofereciam período integral, sobraram apenas dois. Visitei-os. Ambos bem pequenos, sendo que um era dirigido por... religiosas católicas. A cria foi junto, afinal de contas a "cliente" de fato era ela.
No final das duas visitas, fui para casa mais preocupado ainda. Não me apaixonei por nenhum e o calendário, a logística e as modestas finanças jogavam-me contra a busca de outras possibilidades. Enfim, perguntei para a criaturinha de qual das duas ela havia gostado mais.
- A das freiras.
- A das freiras? Por que?
- Porque tem uma igreja.
Para quem recentemente tinha proferido umas dez blasfêmias na mesa do café da manhã, aquilo parecia-se com a conversão de Saulo de Tarso. Dias atrás ao ouvir uma das expressões corriqueiras da darling - coisa simplória como "se deus quiser" ou algo assim - a cria desfiou frases que fariam tremer até os exorcistas mais renomados do Vaticano. "Tô com saco cheio desse deus de vocês" foi a mais branda de todas. A darling ficou ainda mais branca do que já é. Eu fiquei esperando a cria dar um giro de trezentos e sessenta graus com o pescoço, a mesa levitar e ela expelir um jato de vômito verde. Mas nada aconteceu e continuei a passar manteiga no pão. Notei que era mais um de seus teatros para apavorar a ingênua e piedosa mãe, que continuou paralisada e de olhos arregalados por uns dez minutos.
Voltando à questão de fundo, como em todo colégio religioso que se preze há uma capela no interior dele. E a minha filha, justamente a filha de um marxista, agnóstico, ex-católico e auto-excomungado, escolhe o dito por causa do mini-templo cristão dentro dele. Comecei a refazer minhas idéias, mais movido pela falta de escolhas e em consciente processo de acomodação à realidade. No fim, conversei com as freiras por quem nutro respeito e foi assim. Lá está a criaturinha de pacote completo. Curso regular, atividades extras e ensino religioso suplementar, o qual autorizei também. Quem tá na chuva é pra se molhar e não haverá de fazer-lhe mal. Quem sabe ela pára de perturbar o café da manhã da mãe com blasfêmias.
Não ter escolhas facilita as coisas.
Não estamos sós
Riolândia-SP a 700Km da capital paulista está sendo palco de notícias inusitadas. O testemunho do caseiro-arrendatário de uma pousada situada em um canavial e estranhas marcas deixadas em um ponto da plantação estão dando o que falar. Um objeto voador extraordinário teria sobrevoado a cidade e pairado sobre o canavial, a poucos metros da casa. Ao menos é o que jura Maurício Pereira da Silva, a única suposta testemunha do fenômeno luminoso durante a madrugada. Saiba mais clicando AQUI.
A vasta literatura ufológica, que versa sobre formas de vida e transportes aéreos vindo de outros lugares do cosmo, sempre fascinou a humanidade. É um território desconhecido e por isso assustador, surpreendente e mistura fatos, com factóides excitando o imaginário popular. O caldeirão torna-se mais fervente pela freqüência com que autoridades governamentais - dentro e fora do Brasil - costumam bloquear investigações, sabe-se lá a razão. Aí é prato cheio para teorias da conspiração.
Para o teólogo, filósofo, ufólogo de magazine e futuro pedagogo Tio Xavier essa questão tem uma complexidade semântica que vai muito além. Acreditar ou ter convicções sobre a existência de outras formas de vida não é qualquer coisa como gostar do Roberto Carlos, de feijoada ou de futebol. Coloca o ser humano diante dos dilemas existenciais da própria espécie.
Lembremos que há milênios o homem conseguiu domesticar seus deuses, construindo-os à sua imagem e semelhança. Tirando algumas vertentes indianas, africanas e ameríndias, as religiões de modo geral representam seus deuses, anjos e demônios com imagens de hominídeos, dentro dos padrões de beleza das culturas que os originaram. A moral religiosa, por sua vez, reflete os momentos em que os preceitos foram "revelados" ou, melhor dizendo, codificados, pois são recheados das necessidades políticas, econômicas e antropológicas dos povos de origem. O ápice disso é o monoteísmo judaico, cristão e islâmico. Religiões com a mesma raiz cultural, para as quais podemos dizer que o Deus Supremo é pouco diferente do Homem Supremo, assim entendido por essas religiões.
Domesticados os deuses, resta à Humanidade crer que seja possível exitirem outras formas de vida e organização diferentes das nossas, quiçá como alternativa ao mundo que está aí determinado. Já praticamente sabemos qual é o regime econômico que tende à perpetuação, qual é a nação que domina o mundo, como prossegue a acumulação de riqueza, como aumenta a devastação do planeta e destruição dos recursos vitais e daí por diante. Seria uma certa foram de alívio se soubéssemos da existência de outras possibilidades. Talvez a raiz do ceticismo dos governantes seculares e religiosos sobre a existência de vida inteligente fora da Terra esteja na incontrolabilidade que essa perspectiva abriria. Imaginemos por um segundo que a hipótese de vida inteligente em outros lugares do universo seja factível, nos livrando de preconceitos e paradigmas.
O que esses caras nos trariam de imediato, caso não viessem como predadores? Outras formas de se relacionar com a morte e vida após morte? Outros idiomas? Outra maneira de organizar a produção de víveres e de preservar a espécie? Outros modos de divisão econômica e conceitos de propriedade? Outros deuses, se não fossem eles os próprios? Outros modos de uso dos recursos naturais? Outras tecnologias de comunicação e informação? Outros modos de organização política e social? Tudo isso junto e mais alguma coisa?
A perspectiva de que os ETs subvertessem o que está aí e virassem o mundo que conhecemos de cabeça para baixo (ou para cima, vai saber) não é qualquer coisa. Acho melhor o seo Maurício deixar esse assunto quieto e continuar a sua rotina de cuidar de sua pousadinha. E jamais abrir o vitrô da cozinha se ouvir barulhos de novo. Quem sabe esses ETs pegam logo as amostras que querem e se mandem. Melhor assim. Sei lá.
A vasta literatura ufológica, que versa sobre formas de vida e transportes aéreos vindo de outros lugares do cosmo, sempre fascinou a humanidade. É um território desconhecido e por isso assustador, surpreendente e mistura fatos, com factóides excitando o imaginário popular. O caldeirão torna-se mais fervente pela freqüência com que autoridades governamentais - dentro e fora do Brasil - costumam bloquear investigações, sabe-se lá a razão. Aí é prato cheio para teorias da conspiração.
Para o teólogo, filósofo, ufólogo de magazine e futuro pedagogo Tio Xavier essa questão tem uma complexidade semântica que vai muito além. Acreditar ou ter convicções sobre a existência de outras formas de vida não é qualquer coisa como gostar do Roberto Carlos, de feijoada ou de futebol. Coloca o ser humano diante dos dilemas existenciais da própria espécie.
Lembremos que há milênios o homem conseguiu domesticar seus deuses, construindo-os à sua imagem e semelhança. Tirando algumas vertentes indianas, africanas e ameríndias, as religiões de modo geral representam seus deuses, anjos e demônios com imagens de hominídeos, dentro dos padrões de beleza das culturas que os originaram. A moral religiosa, por sua vez, reflete os momentos em que os preceitos foram "revelados" ou, melhor dizendo, codificados, pois são recheados das necessidades políticas, econômicas e antropológicas dos povos de origem. O ápice disso é o monoteísmo judaico, cristão e islâmico. Religiões com a mesma raiz cultural, para as quais podemos dizer que o Deus Supremo é pouco diferente do Homem Supremo, assim entendido por essas religiões.
Domesticados os deuses, resta à Humanidade crer que seja possível exitirem outras formas de vida e organização diferentes das nossas, quiçá como alternativa ao mundo que está aí determinado. Já praticamente sabemos qual é o regime econômico que tende à perpetuação, qual é a nação que domina o mundo, como prossegue a acumulação de riqueza, como aumenta a devastação do planeta e destruição dos recursos vitais e daí por diante. Seria uma certa foram de alívio se soubéssemos da existência de outras possibilidades. Talvez a raiz do ceticismo dos governantes seculares e religiosos sobre a existência de vida inteligente fora da Terra esteja na incontrolabilidade que essa perspectiva abriria. Imaginemos por um segundo que a hipótese de vida inteligente em outros lugares do universo seja factível, nos livrando de preconceitos e paradigmas.
O que esses caras nos trariam de imediato, caso não viessem como predadores? Outras formas de se relacionar com a morte e vida após morte? Outros idiomas? Outra maneira de organizar a produção de víveres e de preservar a espécie? Outros modos de divisão econômica e conceitos de propriedade? Outros deuses, se não fossem eles os próprios? Outros modos de uso dos recursos naturais? Outras tecnologias de comunicação e informação? Outros modos de organização política e social? Tudo isso junto e mais alguma coisa?
A perspectiva de que os ETs subvertessem o que está aí e virassem o mundo que conhecemos de cabeça para baixo (ou para cima, vai saber) não é qualquer coisa. Acho melhor o seo Maurício deixar esse assunto quieto e continuar a sua rotina de cuidar de sua pousadinha. E jamais abrir o vitrô da cozinha se ouvir barulhos de novo. Quem sabe esses ETs pegam logo as amostras que querem e se mandem. Melhor assim. Sei lá.
domingo, 27 de janeiro de 2008
O mundo de Caras®
Fútil. Não acho palavra para definir melhor os trezentos ou quatrocentos gramas de papel couché em quatro cores, aplicado na confecção de Caras. É impressionante folhear qualquer exemplar e dar-se conta de que não há ali nada capaz de alimentar o intelecto. Nem mesmo uma ou outra receitinha culinária salvam-na da babaquice completa. Cheguei a essa conclusão da forma mais empírica possível. Como sempre rejeitei essa revista no salão onde corto o cabelo, foi apenas quando ela chegou em minha casa que pude fazer o exame detalhado. Durou os exatos cinco minutos em que permaneci sentado no vaso sanitário. Um bom lugar para folhear Caras, já que toda manhã eu... (pouparei o leitor dos detalhes).
Considerando a razoável formação cultural da minha família o leitor há de se perguntar: como chegou isso na casa do tio? É que os editores da Caras, ano passado, fizeram uma promoção tão idiota quanto a própria revista. Era aquela famosa "receba X edições grátis", que termina com um boleto bancário facultativo para renovação. Divulgada a farra no trabalho da darling, a mulherada em peso preencheu um formulário na internet, que não requeria nem mesmo o sobrenome do assinante virtual. Bastava dar o endereço, um primeiro nome e pronto. A darling usou do famoso "de graça até choque" e o fez. No final da palhaçada, todo mundo recebeu a enriquecedora publicação em suas casas. E digo mais, que elas não o fizeram só uma vez. Ao expirarem as edições gratuitas, preenchiam novamente dando outro nome para outras quatro edições também grátis. A brincadeira durou umas quatro rodadas. Dezesseis edições de Caras digrátis pra cada uma. E ninguém do grupo, em absoluto, se interessou pelo singelo boleto para perpetuar a assinatura.
A maioria dos exemplares da minha casa já foi repassada, com a embalagem ainda lacrada, pro tiozinho catador do bairro. Um ou outro acabou sendo aberto pela cria, pela própria darling ou por alguma visita muito culta que se espantava com a pilha de Caras sob a mesinha na sala. Depois do bota-fora uma ou duas sobreviveram como literatura sanitária, dividindo espaço com outras publicações ecléticas como revistas de Informática, um livro de auto-ajuda sobre alimentação e até duas edições de uma revista Zen-Budista.
Hoje durante meus afazeres orgânicos matinais, folheei a que estava na pilha ao lado. Na capa da edição de 16/11/2007, Ivete Sangalo sorria apaixonadíssima por um namorado bósnio. Paixão avassaladora esta que acabou há poucos dias, dentro do padrão de descartabilidade dos romances famosos. Talvez pela falta de redatores competentes, ou pela falta de conteúdo mesmo, o que predomina na revista são fotos. Fotos e mais fotos. O que pode ser também uma estratégia editorial, ligada à baixa capacidade de leitura e compreensão dos adeptos da revista. Como infelizmente grande parte dos periódicos impressos, Caras é apenas um suporte flácido e oco para veiculação de 348430834080 propagandas a cada edição. Pela vida de quase uma década e meia dessa pérola, é certo que existam anunciantes de sobra. E tontos que a compram.
Não é difícil entender as prováveis causas de Caras ser um sucesso editorial. Basta somar o baixíssimo nível cultural da população de todas as classes sociais à incapacidade crítica e reflexiva que cresce exponencialmente, mais o ideal consumista alimentado pela indústria e pela mídia e, por fim, o voyeurismo idiota das camadas mais pobres, ao almejar o mundo falsamente feliz das celebridades vazias enquadradas pelos fotógrafos.
As fotos conseguem como nenhuma outra coisa combinar a plástica de sorrisos artificiais com poses bizarras das mais variadas. Estou com preguiça de escanear pra botar aqui, mas tem cada uma de chorar de rir. O namorado da linda Luíza Brunet ajoelhado em pose de súplica, enquanto ela simula subir as escadinhas do casebre de um beco italiano é uma das tantas. Bem de frente a uma das torres do tal Castelo de Caras, um tal de Kiko Sobrino (?) e outro sujeito chamado Alessandro Jordão (?), de costas um pro outro encenando armas com os dedos em riste macaqueando um duelo. Mal-vestidos como só eles. Me desculpem mas independente de quantos cinco ou dez mil reais possam estar cobrindo-os, ambos não têm o menor senso para indumentárias. Bregas. Uma gal de Gigi Monteiro (?) mostra sua barriga da gravidez. Igual às rampeirinhas daqui da periferia. Só que é bem bonita e cosmeticamente tratada. Lamento apenas porque barrigas em formato de melancia não são algo esteticamente bonito e deveriam sempre ser ocultas. Já um casal de nome Carla Regina (?) e Malcolm (?) está sentado sobre a cama sob véus fazendo pose de apaixonados a olhar e sorrir um para o outro. Bela cena seria, não fosse resultado de encenação sob flashes e olhares de meia dúzia de profissionais, aboletados dentro do mesmo quarto. Em outra foto sensacional uma tal de Tatiana Santo Domingo (?) com seu parceiro Andrea Casiraghi (?) ostentam respectivamente um sorvete de casquinha e uma cerveja Kronenbeer (argh!). Karen Couto (?) compra biscoitos em uma loja na Itália, vejam que interessante. Maria Paula e João Suplicy - esses eu sei quem são - estão em uma loja de utilidades domésticas e enxovais fazendo compras. Em uma das fotos eles estão examinando panelas anti-aderentes, algo realmente engrandecedor. Não por acaso, em toda e qualquer foto ao ar livre figura um Fiat Punto, lançamento na época da edição. Belo carrinho, mas merchan paupérrimo em criatividade e sutileza.
E esse é o mundo de Caras. Fotos posadas, sorrisos de visível superficialidade, celebridades insignificantes para a evolução humana, romances rasos e fugazes, vestes onerosas e feias, falsos escritores, falsos pintores, premiações vazias e anúncios - claro - muitos anúncios.
Pobres diabos das classes remediadas e das classes pobres. Folheiam essas coisas e sonham, enquanto amargam pegar trânsito suando e bufando por seus salários miseráveis. À margem da riqueza material por contingência. Alheios à riqueza cultural e espiritual por arbítrio.
Considerando a razoável formação cultural da minha família o leitor há de se perguntar: como chegou isso na casa do tio? É que os editores da Caras, ano passado, fizeram uma promoção tão idiota quanto a própria revista. Era aquela famosa "receba X edições grátis", que termina com um boleto bancário facultativo para renovação. Divulgada a farra no trabalho da darling, a mulherada em peso preencheu um formulário na internet, que não requeria nem mesmo o sobrenome do assinante virtual. Bastava dar o endereço, um primeiro nome e pronto. A darling usou do famoso "de graça até choque" e o fez. No final da palhaçada, todo mundo recebeu a enriquecedora publicação em suas casas. E digo mais, que elas não o fizeram só uma vez. Ao expirarem as edições gratuitas, preenchiam novamente dando outro nome para outras quatro edições também grátis. A brincadeira durou umas quatro rodadas. Dezesseis edições de Caras digrátis pra cada uma. E ninguém do grupo, em absoluto, se interessou pelo singelo boleto para perpetuar a assinatura.
A maioria dos exemplares da minha casa já foi repassada, com a embalagem ainda lacrada, pro tiozinho catador do bairro. Um ou outro acabou sendo aberto pela cria, pela própria darling ou por alguma visita muito culta que se espantava com a pilha de Caras sob a mesinha na sala. Depois do bota-fora uma ou duas sobreviveram como literatura sanitária, dividindo espaço com outras publicações ecléticas como revistas de Informática, um livro de auto-ajuda sobre alimentação e até duas edições de uma revista Zen-Budista.
Hoje durante meus afazeres orgânicos matinais, folheei a que estava na pilha ao lado. Na capa da edição de 16/11/2007, Ivete Sangalo sorria apaixonadíssima por um namorado bósnio. Paixão avassaladora esta que acabou há poucos dias, dentro do padrão de descartabilidade dos romances famosos. Talvez pela falta de redatores competentes, ou pela falta de conteúdo mesmo, o que predomina na revista são fotos. Fotos e mais fotos. O que pode ser também uma estratégia editorial, ligada à baixa capacidade de leitura e compreensão dos adeptos da revista. Como infelizmente grande parte dos periódicos impressos, Caras é apenas um suporte flácido e oco para veiculação de 348430834080 propagandas a cada edição. Pela vida de quase uma década e meia dessa pérola, é certo que existam anunciantes de sobra. E tontos que a compram.
Não é difícil entender as prováveis causas de Caras ser um sucesso editorial. Basta somar o baixíssimo nível cultural da população de todas as classes sociais à incapacidade crítica e reflexiva que cresce exponencialmente, mais o ideal consumista alimentado pela indústria e pela mídia e, por fim, o voyeurismo idiota das camadas mais pobres, ao almejar o mundo falsamente feliz das celebridades vazias enquadradas pelos fotógrafos.
As fotos conseguem como nenhuma outra coisa combinar a plástica de sorrisos artificiais com poses bizarras das mais variadas. Estou com preguiça de escanear pra botar aqui, mas tem cada uma de chorar de rir. O namorado da linda Luíza Brunet ajoelhado em pose de súplica, enquanto ela simula subir as escadinhas do casebre de um beco italiano é uma das tantas. Bem de frente a uma das torres do tal Castelo de Caras, um tal de Kiko Sobrino (?) e outro sujeito chamado Alessandro Jordão (?), de costas um pro outro encenando armas com os dedos em riste macaqueando um duelo. Mal-vestidos como só eles. Me desculpem mas independente de quantos cinco ou dez mil reais possam estar cobrindo-os, ambos não têm o menor senso para indumentárias. Bregas. Uma gal de Gigi Monteiro (?) mostra sua barriga da gravidez. Igual às rampeirinhas daqui da periferia. Só que é bem bonita e cosmeticamente tratada. Lamento apenas porque barrigas em formato de melancia não são algo esteticamente bonito e deveriam sempre ser ocultas. Já um casal de nome Carla Regina (?) e Malcolm (?) está sentado sobre a cama sob véus fazendo pose de apaixonados a olhar e sorrir um para o outro. Bela cena seria, não fosse resultado de encenação sob flashes e olhares de meia dúzia de profissionais, aboletados dentro do mesmo quarto. Em outra foto sensacional uma tal de Tatiana Santo Domingo (?) com seu parceiro Andrea Casiraghi (?) ostentam respectivamente um sorvete de casquinha e uma cerveja Kronenbeer (argh!). Karen Couto (?) compra biscoitos em uma loja na Itália, vejam que interessante. Maria Paula e João Suplicy - esses eu sei quem são - estão em uma loja de utilidades domésticas e enxovais fazendo compras. Em uma das fotos eles estão examinando panelas anti-aderentes, algo realmente engrandecedor. Não por acaso, em toda e qualquer foto ao ar livre figura um Fiat Punto, lançamento na época da edição. Belo carrinho, mas merchan paupérrimo em criatividade e sutileza.
E esse é o mundo de Caras. Fotos posadas, sorrisos de visível superficialidade, celebridades insignificantes para a evolução humana, romances rasos e fugazes, vestes onerosas e feias, falsos escritores, falsos pintores, premiações vazias e anúncios - claro - muitos anúncios.
Pobres diabos das classes remediadas e das classes pobres. Folheiam essas coisas e sonham, enquanto amargam pegar trânsito suando e bufando por seus salários miseráveis. À margem da riqueza material por contingência. Alheios à riqueza cultural e espiritual por arbítrio.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Depuseram o rei
PQP. Abro os jornais eletrônicos hoje e em vários deles vejo a mesma e importantíssima notícia. Era sobre a eleição do rei-momo do carnaval baiano. Os melhores analistas políticos do país são uníssonos na compreensão. Nem a questão da transposição do São Francisco, nem a escassez de água nas barragens, nada disso é tão importante para o Brasil quanto essa questão.
Resuminho básico: No estado de Dona Canô os caras que cuidam do Carnaval elegeram um rei-momo que não se parece com um hipopótamo. O homem pesa menos de sessenta quilos. Ou seja, é um ser normal, saudável e não servirá de incentivo para que a pobraiada carnavalesca aumente os casos de AVC e infartos nos hospitais públicos. Mas não. O rei-momo tem que ser uma espécie de mamute paramentado.
O assunto é tão importante que o Ministério Público entrou na contenda. A promotora Heliete Viana entrou anteontem com uma ação civil pública para anular a escolha. Aidê Ouais, juíza substituta de não sei qual vara pública empenhou-se em anular a eleição. Tudo porque o Seo Clarindo, o tiozinho eleito, é magro. Nobres procuradores federais pagos com dinheiro do contribuinte, ao invés de se preocupar com denúncias de corrupção, desvio de dinheiro público, licitações fraudulentas e coisas assim, se engajaram nessa importante demanda monárquico-carnavalesca. Nada mais prioritário do que discutir a pança do rei-momo baiano.
Sem pança, no king.
Resuminho básico: No estado de Dona Canô os caras que cuidam do Carnaval elegeram um rei-momo que não se parece com um hipopótamo. O homem pesa menos de sessenta quilos. Ou seja, é um ser normal, saudável e não servirá de incentivo para que a pobraiada carnavalesca aumente os casos de AVC e infartos nos hospitais públicos. Mas não. O rei-momo tem que ser uma espécie de mamute paramentado.
O assunto é tão importante que o Ministério Público entrou na contenda. A promotora Heliete Viana entrou anteontem com uma ação civil pública para anular a escolha. Aidê Ouais, juíza substituta de não sei qual vara pública empenhou-se em anular a eleição. Tudo porque o Seo Clarindo, o tiozinho eleito, é magro. Nobres procuradores federais pagos com dinheiro do contribuinte, ao invés de se preocupar com denúncias de corrupção, desvio de dinheiro público, licitações fraudulentas e coisas assim, se engajaram nessa importante demanda monárquico-carnavalesca. Nada mais prioritário do que discutir a pança do rei-momo baiano.
Sem pança, no king.
domingo, 20 de janeiro de 2008
Lost, no more
Os aficcionados por seriados que me desculpem mais uma vez. Mas não consigo ver coisa mais chata do que acompanhar seriado. Seriado de um modo geral, aplicando-se a novelas, trilogias, quadrilogias e infinitologias. Sempre fui um amante da leitura. Li romances aos montes. Não essas porcarias que infestam as prateleiras, cuja única função é vender, nada trazem de conteúdo - vide o acadêmico e embusteiro Paul Rabbit - e que são escritas sob pressão de prazo dos editores. Romances mesmo, desses que você percebe que o autor viajou espiritualmente e viveu no imaginário cada milésimo de segundo do escrito. Li títulos de gente que os jovens de hoje sequer imaginam que tenham existido como por exemplo o carioca José Mauro de Vasconcelos de quem suspeito ter lido tudo, dado meu pai ter trabalhado na Melhoramentos®. Alguém aí por favor me surpreenda dizendo-me que já leu O meu pé de laranja-lima, Rosinha minha canoa ou O palácio japonês. E não sou nacionalista de plantão não. Li coisas ótimas de estrangeiros como Morris West, Isaac Asimov e até doidos conspiradores como Erich von Däniken e Peter Kolosimo. Falo dessa escrita densa e de vasto vocabulário, que pouco ou nada tem a ver com os clichezinhos da atualidade. Mas dane-se. Cultura se compra e se lê. Não vou aqui convencer ninguém a abandonar a pseudo-literatura que abunda no mercado editorial. Voltemos à questão dos seriados.
Lost, foi e é um hit, se é que continua sendo produzido. É a estória de uma galera que toma um capote com um avião e cai em uma misteriosa e mística ilha cheia de desafios e perigos, remetendo o telespectador àquelas provas de sobrevivência que foram licenciadas e clonadas pelo Fantástico na Rede Globo como o nome de... (não me lembro agora). Com enredo difuso e aberto a praticamente tudo, Lost satisfaz o desejo íntimo de voyeurismo do expectador ao escancarar supostos detalhes da intimidade e dos aspectos psicológicos desconhecidos dos personagens revelados somente em situações-limite. Ah... No Limite (lembrei) era apresentado pelo Zeca Camargo, que depois de uma vidinha dura na TV Cultura e na MTV colhe agora os louros da glória, vivendo a vida que até os jornalistas ateus pedem aos deuses.
Agora vejam bem. Que saco é ficar esperando o próximo capítulo de algo infinito com cinco mil episódios, gente. Isso pra quem assistiu desde o começo. O que é então pra gentalha como eu que não tenho TV por assinatura e alguma vez de repente me vi diante de um episódio na casa de alguém. Um amigo fã de carteirinha me copiou seis episódios em DivX mas parece que eram da segunda ou terceira temporada. Eu bem que tentei assistir, mas não tendo a menor idéia de quem é quem, me enfastiei após dez minutos de exibição em casa. Dei a mídia para outro amigo que me disse gostar e entender tudo desse trem.
Mas enfim, meus problemas se acabaram. Alguém resumiu em oito minutos e quinze segundos tudo o que aconteceu naquela birosca. Parece que o oito e o quinze remetem ao tal vôo 815 que despencou na ilha do cacete. As cenas mais parecem flashes de trailler, a narração lembra locutor de futebol no rádio, mas tem legendas em Português. Aviso: mesmo os leitures mais treinados hão de sentir dificuldade para ler as legendas tão rápido. Mas se souber Inglês, delicie-se com a narração.
Agora só falta eu arranjar saco para assitir a esse compacto.
Lost, foi e é um hit, se é que continua sendo produzido. É a estória de uma galera que toma um capote com um avião e cai em uma misteriosa e mística ilha cheia de desafios e perigos, remetendo o telespectador àquelas provas de sobrevivência que foram licenciadas e clonadas pelo Fantástico na Rede Globo como o nome de... (não me lembro agora). Com enredo difuso e aberto a praticamente tudo, Lost satisfaz o desejo íntimo de voyeurismo do expectador ao escancarar supostos detalhes da intimidade e dos aspectos psicológicos desconhecidos dos personagens revelados somente em situações-limite. Ah... No Limite (lembrei) era apresentado pelo Zeca Camargo, que depois de uma vidinha dura na TV Cultura e na MTV colhe agora os louros da glória, vivendo a vida que até os jornalistas ateus pedem aos deuses.
Agora vejam bem. Que saco é ficar esperando o próximo capítulo de algo infinito com cinco mil episódios, gente. Isso pra quem assistiu desde o começo. O que é então pra gentalha como eu que não tenho TV por assinatura e alguma vez de repente me vi diante de um episódio na casa de alguém. Um amigo fã de carteirinha me copiou seis episódios em DivX mas parece que eram da segunda ou terceira temporada. Eu bem que tentei assistir, mas não tendo a menor idéia de quem é quem, me enfastiei após dez minutos de exibição em casa. Dei a mídia para outro amigo que me disse gostar e entender tudo desse trem.
Mas enfim, meus problemas se acabaram. Alguém resumiu em oito minutos e quinze segundos tudo o que aconteceu naquela birosca. Parece que o oito e o quinze remetem ao tal vôo 815 que despencou na ilha do cacete. As cenas mais parecem flashes de trailler, a narração lembra locutor de futebol no rádio, mas tem legendas em Português. Aviso: mesmo os leitures mais treinados hão de sentir dificuldade para ler as legendas tão rápido. Mas se souber Inglês, delicie-se com a narração.
Agora só falta eu arranjar saco para assitir a esse compacto.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Los Cuadros
Nesta semana fiquei impressionado com o movimento do resgate dos quadros roubados. Os quadros foram recuperados em um casebre no orifício anal de um município da Zona Leste da Grande São Paulo. Além de a Polícia fazer o maior pavão alegando que a operação fora resultado de uma minuciosa investigação - acho mais provável que tenha sido denúncia - fizeram um verdadeiro desfile alegórico na recondução dos quadros ao MASP. Segundo alguns repórteres mais sensacionalistas foram cento e cinqüenta policiais em viaturas e helicópteros que garantiram a volta dos afrescos.
Se foram cento e cinqüenta, cento e trinta ou cem, não importa. Mas foi pavão demais pela insignificante possibilidade de os quadros serem roubados de novo no trajeto. Alguém consegue imaginar ladrões assaltando a diligência policial para pegar as telas diante de quatrocentas câmeras fotográficas e de tevê? Só se fosse daquele jeitão de faroeste com cavalos e o rosto coberto por um lenço. Vão fazer desfile lá no sete de setembro, minha gente. Como se gasta dinheiro do contribuinte com promoção barata...
Se foram cento e cinqüenta, cento e trinta ou cem, não importa. Mas foi pavão demais pela insignificante possibilidade de os quadros serem roubados de novo no trajeto. Alguém consegue imaginar ladrões assaltando a diligência policial para pegar as telas diante de quatrocentas câmeras fotográficas e de tevê? Só se fosse daquele jeitão de faroeste com cavalos e o rosto coberto por um lenço. Vão fazer desfile lá no sete de setembro, minha gente. Como se gasta dinheiro do contribuinte com promoção barata...
Mas essa bicha com cara de nojo do Picasso (esquerda), francamente...
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Depois do reveillon
Como o leitor pôde perceber nos posts anteriores o tio não tinha nenhum propósito para 2008. Nada daquelas promessas de fazer dieta e se livrar dos quilos a mais, nada de ir mais ao cinema, voltar a nadar, enfim nada dessas coisas bestas que as pessoas se prometem todos os anos. Como se os algarismos no calendário fizessem alguma diferença além da convenção de contagem de tempo. Não faz. E consciente disso eu só quero que 2008 e o Lula Lelé façam as suas partes e não me atrapalhem nos meus afazeres. Mais nada.
Contudo uma coisa eu já defini. A partir de fevereiro estarei de trabalho novo. Me enchi da minha multinacional. A ferrada de ficar de saco cheio do emprego tendo um escritório próprio é não poder se demitir e não poder mandar o chefe pro inferno. Ao menos em tese, porque foi isso que eu fiz. Propus uma sociedade com o diretor de uma representada minha, com quem venho estreitando relações há tempos e resolvi parte de minhas dores-de-cabeça. Entreguei-lhe a minha boa e velha Carteira de Trabalho e Previdência Social e agora vou cuidar tão e somente do que melhor sei fazer: vender e receber polpudas comissões.
Doravante serei um empregado. Terei chefe, agüentarei dias de cara feia e serei chamado à atenção quando fizer alguma grande merda. Terei que pedir autorização quando tiver que decidir algo, mas por outro lado pedirei verba quando julgar que há algo oportuno a ser feito, pedirei sulfite, pedirei grampo pro meu grampeador, pedirei clipes e também cartucho para a impressora. Reclamarei quando a rede estiver lenta, xingarei quando o sistema estiver falhando, sairei para a rua quando o micro desligar sozinho, quando o sistema operacional travar e só voltarei quando o técnico tiver resolvido.
Quando eu chegar em casa com o saco na Lua por causa de um dia ruim, falarei com a darling e colocarei toda a culpa nos chefes. Quando algo em algum projeto der errado praquejarei contra os caras da área técnica. Quando algum cliente me reclamar que não retornei uma chamada, cairei de pau em cima da recepcionista por não ter me dado o recado.
Não mais passarei as manhãs olhando o extrato bancário da empresa para ver se o cliente X ou Y pagou, não ficarei preocupado se o meu talão de notas fiscais tem papel carbono bom, não postarei mais boletos para os clientes, não ficarei olhando o vencimento de contratos e data-base de reajuste.
Quando eu for visitar uma empresa fora da cidade pedirei dinheiro para o pedágio e quando eu pagar do meu bolso, apresentarei os comprovantes para reembolso. Quando surgir um projeto novo e inusitado não serei eu mais a procurar o profissional que desenvolverá o software ou a parafernalha cibernética que eu vou inventar no papel sulfite.
Enfim, despedi-me do cargo de patrão. Como chefe de mim mesmo eu sou insuportável. E já fui tarde.
Contudo uma coisa eu já defini. A partir de fevereiro estarei de trabalho novo. Me enchi da minha multinacional. A ferrada de ficar de saco cheio do emprego tendo um escritório próprio é não poder se demitir e não poder mandar o chefe pro inferno. Ao menos em tese, porque foi isso que eu fiz. Propus uma sociedade com o diretor de uma representada minha, com quem venho estreitando relações há tempos e resolvi parte de minhas dores-de-cabeça. Entreguei-lhe a minha boa e velha Carteira de Trabalho e Previdência Social e agora vou cuidar tão e somente do que melhor sei fazer: vender e receber polpudas comissões.Doravante serei um empregado. Terei chefe, agüentarei dias de cara feia e serei chamado à atenção quando fizer alguma grande merda. Terei que pedir autorização quando tiver que decidir algo, mas por outro lado pedirei verba quando julgar que há algo oportuno a ser feito, pedirei sulfite, pedirei grampo pro meu grampeador, pedirei clipes e também cartucho para a impressora. Reclamarei quando a rede estiver lenta, xingarei quando o sistema estiver falhando, sairei para a rua quando o micro desligar sozinho, quando o sistema operacional travar e só voltarei quando o técnico tiver resolvido.
Quando eu chegar em casa com o saco na Lua por causa de um dia ruim, falarei com a darling e colocarei toda a culpa nos chefes. Quando algo em algum projeto der errado praquejarei contra os caras da área técnica. Quando algum cliente me reclamar que não retornei uma chamada, cairei de pau em cima da recepcionista por não ter me dado o recado.
Não mais passarei as manhãs olhando o extrato bancário da empresa para ver se o cliente X ou Y pagou, não ficarei preocupado se o meu talão de notas fiscais tem papel carbono bom, não postarei mais boletos para os clientes, não ficarei olhando o vencimento de contratos e data-base de reajuste.
Quando eu for visitar uma empresa fora da cidade pedirei dinheiro para o pedágio e quando eu pagar do meu bolso, apresentarei os comprovantes para reembolso. Quando surgir um projeto novo e inusitado não serei eu mais a procurar o profissional que desenvolverá o software ou a parafernalha cibernética que eu vou inventar no papel sulfite.
Enfim, despedi-me do cargo de patrão. Como chefe de mim mesmo eu sou insuportável. E já fui tarde.
sábado, 29 de dezembro de 2007
Papai-Noel via web?
Os papais-noéis também usam a internet que às vezes demora um ou dois dias a mais que o trenó mágico. Mas chegam. Para o tio foi assim. Só que foi a companheira-noel. Um ser impagável, único e capaz de me alegrar mesmo quando tenho meus dias de cão sarnento. E capaz também de tirar leite de pedra. Como este blog não tem a função fofucha e cuti-cuti de tratar de coisas sentimentais, pois são de foro íntimo, a qualificação da pessoa fica por aqui. Seguem os fatos.
Ontem por volta das onze da manhã toca a campainha do tio, que desce para atender. Mal-humorado como é de meu costume. Odeio atender à campainha do nada. Sem avisar quem geralmente a toca são evangelistas, pedintes de toda espécie, vendedores de porcarias, oficiais de justiça e - sabe-se lá - algum gatuno a fim de assaltar. Meus amigos, familiares e todos os que me interessam jamais chegam sem avisar previamente. Então a regra é clara: tocou a campainha do nada é encheção de saco. Raramente eu atendo. Tá avisado.
Mas desta vez era um pequeno furgão vermelho, sem identificação. Dele descem um senhor e um rapazote, este com uma caixa na mão perguntando pelo meu nome. Como nenhum parecia-se com oficial de justiça, me identifiquei. Disseram que era uma encomenda. A nota fiscal que acompanhava era de simples remessa e estava com valor zerado, portanto assinei o protocolo. Pela etiqueta vi que era de um magazine virtual e estava no meu nome mesmo. Mas o melhor estava dentro da caixa. Acompanhado por um cartão com dizeres carinhosos, havia nada menos do que ISTO.
Durante os próximos dias estarei muito ocupado. O mimo tem tanto para ser explorado que é de ficar tonto. Até onde já testei, recomendo. O bichinho roda à base do Symbian, uma versão de Linux para a qual existe um caminhão de softwares gratuitos, dos mais úteis como o Skype do qual não abro mão, até joguinhos e tranqueiras digitais de todo tipo.
Você não imagina o que há nesse aparelho: um Office completo compatível com os formatos do Bill Gates, players de áudio e vídeo, gravador de som, leitor de PDF, e-mail, navegador web, agenda de compromissos, um CRM para contatos, SMS, compactador e descompactador de arquivos .ZIP, bloco de notas, calculadora, conversor de moedas e mais uma infinidade de coisas que ainda não descobri. Com tudo isso não precisava nem fazer e nem receber chamadas. Mas ele ainda o faz e bem pra chuchu.
Ontem por volta das onze da manhã toca a campainha do tio, que desce para atender. Mal-humorado como é de meu costume. Odeio atender à campainha do nada. Sem avisar quem geralmente a toca são evangelistas, pedintes de toda espécie, vendedores de porcarias, oficiais de justiça e - sabe-se lá - algum gatuno a fim de assaltar. Meus amigos, familiares e todos os que me interessam jamais chegam sem avisar previamente. Então a regra é clara: tocou a campainha do nada é encheção de saco. Raramente eu atendo. Tá avisado.
Mas desta vez era um pequeno furgão vermelho, sem identificação. Dele descem um senhor e um rapazote, este com uma caixa na mão perguntando pelo meu nome. Como nenhum parecia-se com oficial de justiça, me identifiquei. Disseram que era uma encomenda. A nota fiscal que acompanhava era de simples remessa e estava com valor zerado, portanto assinei o protocolo. Pela etiqueta vi que era de um magazine virtual e estava no meu nome mesmo. Mas o melhor estava dentro da caixa. Acompanhado por um cartão com dizeres carinhosos, havia nada menos do que ISTO.
Durante os próximos dias estarei muito ocupado. O mimo tem tanto para ser explorado que é de ficar tonto. Até onde já testei, recomendo. O bichinho roda à base do Symbian, uma versão de Linux para a qual existe um caminhão de softwares gratuitos, dos mais úteis como o Skype do qual não abro mão, até joguinhos e tranqueiras digitais de todo tipo.
Você não imagina o que há nesse aparelho: um Office completo compatível com os formatos do Bill Gates, players de áudio e vídeo, gravador de som, leitor de PDF, e-mail, navegador web, agenda de compromissos, um CRM para contatos, SMS, compactador e descompactador de arquivos .ZIP, bloco de notas, calculadora, conversor de moedas e mais uma infinidade de coisas que ainda não descobri. Com tudo isso não precisava nem fazer e nem receber chamadas. Mas ele ainda o faz e bem pra chuchu.
Não é possível que haja vida inteligente na Terra sem essas maravilhas tecnológicas. Simplesmente não existe de fato.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Bye bye, old year
Eu detesto reprises e retrospectivas de qualquer tipo. A menos que sejam de "Terminator", "Total Recall" ou outro filme do Xuasnéguer, tirando Conan que foi re-dí-co-lo. Nem a Tina Turner cantando salvou aquilo.
No ano passado lancei a inédita Retrospectiva do Próximo Ano (RPA) que foi um sucesso, copiado à revelia por falsos gurus por aí. Os prognósticos para 2007 apresentados pelo tio Xavier foram todos cumpridos na íntegra, enterrando de vez a fama da Mãe Dinah, notória desmentidora de si mesma. Leia lá e confira que previsão é com o tio Xavier. E trago a pessoa amada em 7 dias, nem que seja seqüestrada.
Como a História é um mero ciclo repetitivo, considere para 2008 os mesmos acontecimentos. Não gastarei tempo fazendo CTRL+C / CTRL+V com isso. Na falta de assunto novo, não consegui resistir à tentação de comentar um pouco de 2007.
Especulação
Bolsas asiáticas recuam após assassinato de Benazir Bhutto. O petróleo teve alta. Pô gente os especuladores nem disfarçam. A muié lá foi assassinada. Mas quem não sabia que isso ia acontecer? Até ela sabia. E mais: qual é a grandiosa participação econômica do Paquistão, para que o mercado acionário trepide? E petróleo? Qual é o percentual de produção petrolífera dessa grande potência econômica que é o Paquistão?
Os cassinos bursáteis (ops!) bolsas de valores são mesmo repletos de macacos-velhos que vivem da especulação, boataria e rapinando dinheiro dos trouxas dos pequenos investidores que nada sabem sobre o sobe-e-desce e ficam à mercê dos fundos mútuos. Eu é que não boto grana na mão desses putos. Até porque não tenho mesmo.
TV
O fim-de-ano é um repeteco malhado e mofado na TV. Ao menos na TV aberta, a única ao alcance do tio. Hoje, após semanas de jejum de raios catódicos - sim, meu aparelho é CRT - resolvi tomar café assitindo aos "Bom Dias da Vida". Zapeando entre a Rede Glóbulo e a Record Universal. A bobageira era a mesma de sempre: "Atenção, zeeeenti que as estradas estão cheeeeeias"; "Os aeroportos têm filas, viu zeeeenti?"; "A venda de passagens recooooorde no terminal Tietê". Será que os pauteiros não têm um pingo de criatividade?
Isso pra não falar das enfadonhas retrospectivas. Como se algum grande fato, capaz de mudar os rumos da História, tivesse ocorrido neste ano. Acidentes aéreos, incêndios, terremotos, chuvas torrenciais aqui e acolá, seca em outros cantos, violência... Tirando os primeiros - já que o avião é algo relativamente recente - o resto sabemos que ocorre muito antes de descermos das árvores e andarmos eretos. Quer mais uma? Quanto quer apostar que nas primeiras do ano-novo vão aparecer repórteres em todas as maternidades para noticiar o grandioso fato da "primeira criança de 2008". Fato inédito e sen-sa-ci-o-nal! Como se os seres humanos não procriassem a cada vinte segundos. Aí vão dar o nome, sobrenome, comprimento, peso do rebento, cor do cabelinho... Não consigo imaginar coisa mais interessante e original.
Política
A CPI do ano foi da do Renan. Nem vou continuar esse assunto. Como se CPI fosse a salvação do sistema parlamentar falido do país. O povão tonto fica grudado no panis-et-circenses da TV vibrando: "O Renan vai cair... o Renan vai renunciar... o Renan renunciou... Uhuuuu, caiu!" Agora pergunte pro trouxa quem é o vice do Renan que assumiu, qual é o histórico pregresso dele e mesmo quem assume a presidência do Senado. Aliás, pergunte para quê serve o Senado. Por que precisamos de duas casas parlamentares federais? Simplesmente não há resposta. Assim como não há para tantas outras. Melhor mesmo foram as fotos da amante do Renan. Uma quarentona bem da gostosa, se me perdoam pela linguagem de borracharia.
E o Clodovil, hein? Não acreditei que logo de início foi barrado por falta de uma bosta de uma gravata. "Será que precisamos de gravata ou de seriedade?"- disse o nobre parlamentar. Mais real nem mesmo o rei. Mas enfim, dos chiliques ao ostracismo o deputado-estilista, junto com deputados-tecladistas e outros parecem a prova de que título de eleitor não deveria ser item obrigatório à cidadania. Deveriam criar a C.H.E. - Carteira de Habilitação Eleitoral - com curso prévio e exame psicotécnico.
Futebol
Eu até ia comentar algo aqui. Mas uma tristeza profunda me impede.
Meio-Ambiente
Isto é sério. Para quem não sabe o governador-ídolo-das-telas, antigo exterminador do futuro, até que tava ajudando para que o futuro não fosse tão exterminado quanto nos filmes que protagonizou. Ele tinha criado uma legislação ferrenha no Estado da Califórnia que obrigava as indústrias - sobretudo a automobilística - a metas de redução de poluentes bem arrojadas. E para a felicidade de nosso pulmões já estava sendo imitado por uma dezena e meia de governadores ianques. Mas pelo jeito, deram com os burros n'água (ou na fumaça).
Acontece que o Governo Federal Estadunidense baixou o cetro democrático dos seus verdadeiros sustentadores. A indústria do petróleo e seus comparsas da indústria automobilística conseguiram que o Buxi fizesse valer um dispositivo federal que anula todas as decisões estaduais sobre poluição, liberando geral o fumacê. Como o próprio Buxi já tinha dito: "O mundo precisa respirar a fumaça norte-americana", segundo opinião dele mesmo. Já que o monóxido de Carbono é tão bom, tenho uma sugestão: podiam enfiar o Buxi e seus capangas em um furgão-baú disfarçado de Cruz Vermelha e conectar o escapamento ao interior do bólido. Os nazistas faziam isso na Segunda Guerra.
Onu prevê falta d'água para mais de um bilhão em "futuro próximo". Cacete, onde é que moram esses caras da ONU? O que será futuro próximo no jargão desses cientistas desocupados? Venham morar em bairros periféricos para saber que, a cada obra mínima do serviço de água, a pobraiada fica dias tomando banho de canequinha. Vão à África para saber que ralo, privada e esgoto são artigos de luxo. Enqüanto isso, saio às ruas e vejo um monte de FDP´s lavando calçada e carros com máquinas de pressão, amparando-se no velho discurso "tô pagando".
Ciência e tecnologia
Cientistas se gabam de ter achado lula gigante na Antártida. Cientistas são seres conhecidos por gabar-se de qualquer coisa que seja de autoria ou descoberta deles mesmos, como se eles fossem a última garrafa de água mineral do deserto. Grande merda esse achado. Aqui no país da piada pronta, nós temos uma Lula que - se não é tão grande - é muito mais inusitada. Fala (embora mal pacas), tem um tentáculo a menos e exerce o maior cargo público do país pela segunda vez. Dez a zero pra nossa lula.
IPhone: O grande lançamento do ano é de fato bacanérrimo. O tio manuseou um por alguns segundos, mostrado por um cliente abastado e exibicionista. Aí me veio a questão: de que me adiantaria um mimo tão legal, se dá medo de apertarmos a tecla send com as absurdas tarifas daqui? Preferia um IPod, porque ao menos baixar músicas e filmes na internet ainda dá pra fazer sem pagar.
Robôs com emoções: Na Zoropa, um projeto chamado Feelix Growing, envolve 25 profissionais, entre especialistas em robótica, psicólogos e neurocientistas, e prevê um investimento de 2,3 milhões de euros (cerca de R$ 6,3 milhões) em três anos. Tudo para criar autômatos capazes de reagir emotivamente. Acho uma baita gastança de grana besta. Mas talvez seja o último recurso, diante de uma Humanidade tão apática. Isaac Assimov estaria certo no seu "Eu, Robô"?
Esse foi 2007. Já tá indo tarde. Caraca, ainda faltam 3 dias? Quero hibernar. Se possível por 10 anos. Depois alguém me conta o que houve.
No ano passado lancei a inédita Retrospectiva do Próximo Ano (RPA) que foi um sucesso, copiado à revelia por falsos gurus por aí. Os prognósticos para 2007 apresentados pelo tio Xavier foram todos cumpridos na íntegra, enterrando de vez a fama da Mãe Dinah, notória desmentidora de si mesma. Leia lá e confira que previsão é com o tio Xavier. E trago a pessoa amada em 7 dias, nem que seja seqüestrada.
Como a História é um mero ciclo repetitivo, considere para 2008 os mesmos acontecimentos. Não gastarei tempo fazendo CTRL+C / CTRL+V com isso. Na falta de assunto novo, não consegui resistir à tentação de comentar um pouco de 2007.
Especulação
Bolsas asiáticas recuam após assassinato de Benazir Bhutto. O petróleo teve alta. Pô gente os especuladores nem disfarçam. A muié lá foi assassinada. Mas quem não sabia que isso ia acontecer? Até ela sabia. E mais: qual é a grandiosa participação econômica do Paquistão, para que o mercado acionário trepide? E petróleo? Qual é o percentual de produção petrolífera dessa grande potência econômica que é o Paquistão?
Os cassinos bursáteis (ops!) bolsas de valores são mesmo repletos de macacos-velhos que vivem da especulação, boataria e rapinando dinheiro dos trouxas dos pequenos investidores que nada sabem sobre o sobe-e-desce e ficam à mercê dos fundos mútuos. Eu é que não boto grana na mão desses putos. Até porque não tenho mesmo.
TV
O fim-de-ano é um repeteco malhado e mofado na TV. Ao menos na TV aberta, a única ao alcance do tio. Hoje, após semanas de jejum de raios catódicos - sim, meu aparelho é CRT - resolvi tomar café assitindo aos "Bom Dias da Vida". Zapeando entre a Rede Glóbulo e a Record Universal. A bobageira era a mesma de sempre: "Atenção, zeeeenti que as estradas estão cheeeeeias"; "Os aeroportos têm filas, viu zeeeenti?"; "A venda de passagens recooooorde no terminal Tietê". Será que os pauteiros não têm um pingo de criatividade?
Isso pra não falar das enfadonhas retrospectivas. Como se algum grande fato, capaz de mudar os rumos da História, tivesse ocorrido neste ano. Acidentes aéreos, incêndios, terremotos, chuvas torrenciais aqui e acolá, seca em outros cantos, violência... Tirando os primeiros - já que o avião é algo relativamente recente - o resto sabemos que ocorre muito antes de descermos das árvores e andarmos eretos. Quer mais uma? Quanto quer apostar que nas primeiras do ano-novo vão aparecer repórteres em todas as maternidades para noticiar o grandioso fato da "primeira criança de 2008". Fato inédito e sen-sa-ci-o-nal! Como se os seres humanos não procriassem a cada vinte segundos. Aí vão dar o nome, sobrenome, comprimento, peso do rebento, cor do cabelinho... Não consigo imaginar coisa mais interessante e original.
Política
A CPI do ano foi da do Renan. Nem vou continuar esse assunto. Como se CPI fosse a salvação do sistema parlamentar falido do país. O povão tonto fica grudado no panis-et-circenses da TV vibrando: "O Renan vai cair... o Renan vai renunciar... o Renan renunciou... Uhuuuu, caiu!" Agora pergunte pro trouxa quem é o vice do Renan que assumiu, qual é o histórico pregresso dele e mesmo quem assume a presidência do Senado. Aliás, pergunte para quê serve o Senado. Por que precisamos de duas casas parlamentares federais? Simplesmente não há resposta. Assim como não há para tantas outras. Melhor mesmo foram as fotos da amante do Renan. Uma quarentona bem da gostosa, se me perdoam pela linguagem de borracharia.
E o Clodovil, hein? Não acreditei que logo de início foi barrado por falta de uma bosta de uma gravata. "Será que precisamos de gravata ou de seriedade?"- disse o nobre parlamentar. Mais real nem mesmo o rei. Mas enfim, dos chiliques ao ostracismo o deputado-estilista, junto com deputados-tecladistas e outros parecem a prova de que título de eleitor não deveria ser item obrigatório à cidadania. Deveriam criar a C.H.E. - Carteira de Habilitação Eleitoral - com curso prévio e exame psicotécnico.
Futebol
Eu até ia comentar algo aqui. Mas uma tristeza profunda me impede.
Meio-Ambiente
Isto é sério. Para quem não sabe o governador-ídolo-das-telas, antigo exterminador do futuro, até que tava ajudando para que o futuro não fosse tão exterminado quanto nos filmes que protagonizou. Ele tinha criado uma legislação ferrenha no Estado da Califórnia que obrigava as indústrias - sobretudo a automobilística - a metas de redução de poluentes bem arrojadas. E para a felicidade de nosso pulmões já estava sendo imitado por uma dezena e meia de governadores ianques. Mas pelo jeito, deram com os burros n'água (ou na fumaça).
Acontece que o Governo Federal Estadunidense baixou o cetro democrático dos seus verdadeiros sustentadores. A indústria do petróleo e seus comparsas da indústria automobilística conseguiram que o Buxi fizesse valer um dispositivo federal que anula todas as decisões estaduais sobre poluição, liberando geral o fumacê. Como o próprio Buxi já tinha dito: "O mundo precisa respirar a fumaça norte-americana", segundo opinião dele mesmo. Já que o monóxido de Carbono é tão bom, tenho uma sugestão: podiam enfiar o Buxi e seus capangas em um furgão-baú disfarçado de Cruz Vermelha e conectar o escapamento ao interior do bólido. Os nazistas faziam isso na Segunda Guerra.
Onu prevê falta d'água para mais de um bilhão em "futuro próximo". Cacete, onde é que moram esses caras da ONU? O que será futuro próximo no jargão desses cientistas desocupados? Venham morar em bairros periféricos para saber que, a cada obra mínima do serviço de água, a pobraiada fica dias tomando banho de canequinha. Vão à África para saber que ralo, privada e esgoto são artigos de luxo. Enqüanto isso, saio às ruas e vejo um monte de FDP´s lavando calçada e carros com máquinas de pressão, amparando-se no velho discurso "tô pagando".
Ciência e tecnologia
Cientistas se gabam de ter achado lula gigante na Antártida. Cientistas são seres conhecidos por gabar-se de qualquer coisa que seja de autoria ou descoberta deles mesmos, como se eles fossem a última garrafa de água mineral do deserto. Grande merda esse achado. Aqui no país da piada pronta, nós temos uma Lula que - se não é tão grande - é muito mais inusitada. Fala (embora mal pacas), tem um tentáculo a menos e exerce o maior cargo público do país pela segunda vez. Dez a zero pra nossa lula.
IPhone: O grande lançamento do ano é de fato bacanérrimo. O tio manuseou um por alguns segundos, mostrado por um cliente abastado e exibicionista. Aí me veio a questão: de que me adiantaria um mimo tão legal, se dá medo de apertarmos a tecla send com as absurdas tarifas daqui? Preferia um IPod, porque ao menos baixar músicas e filmes na internet ainda dá pra fazer sem pagar.
Robôs com emoções: Na Zoropa, um projeto chamado Feelix Growing, envolve 25 profissionais, entre especialistas em robótica, psicólogos e neurocientistas, e prevê um investimento de 2,3 milhões de euros (cerca de R$ 6,3 milhões) em três anos. Tudo para criar autômatos capazes de reagir emotivamente. Acho uma baita gastança de grana besta. Mas talvez seja o último recurso, diante de uma Humanidade tão apática. Isaac Assimov estaria certo no seu "Eu, Robô"?
Esse foi 2007. Já tá indo tarde. Caraca, ainda faltam 3 dias? Quero hibernar. Se possível por 10 anos. Depois alguém me conta o que houve.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Saldo da presepada
Desta vez o têrmo presepada lembra de longe o evento simbolizado pelo presépio, mas com tão pouco a ver com ele, lembrando que o Noel acaba brilhando mais do que o profetinha da manjedoura. E com o Noel, toda sorte de apelos para a gastança.
Churrasco na casa da irmã. Churrasco na noite de Natal? O que houve com a ceia? À ingênua pergunta a cara consangüínea teria me respondido que queriam fazer algo diferente. E ao perguntar sobre qual seria a minha cota-parte recebi a encomenda de carnes e bebidas de acordo com o perfil de consumo do meu núcleo familiar. Comprei um cry-o-vac de pets de refrigerante preto. Mas a parte pior foi que a lista incluía duas picanhas e dois quilos de coração de frango. Pqp, o que eram esses preços do quilo da picanha, minha gente? Saquem só a tomada de preços da iguaria:
- Mercadinho-conveniência perto do tio: R$24,00
- Extra: R$39,00 (este foi o recordista)
- Makro: R$26,00
- Assai: R$22,00 (o melhor dentre os piores)
Como optei por uma caixa com 2Kg de espetos de coração prontinhos e temperados, somando-se às duas nobres partes do boi, o tio gastou R$80 só com três nacos de carne. Total do supermercado, juntando panetones e coisas que faltavam para a festa: R$230.
Aí veio a tia darling explicando que os Hudson* estariam presentes. E fez questão de me lembrar também que não havíamos comprado as lembrancinhas simplórias dos sobrinhos e afilhadas. Saldo das comprinhas de última hora:
- Casas Pernambucanas: R$180
- Renner: R$220
Veja bem: não demos nenhum computador nem brinquedo eletrônico para nenhum sobrinho. Foram todos simbólicos mesmo, resumindo-se a blusinhas, camisetas e bermudas. Tirando a bicicleta da cria, que não está na lista acima, tudo foi discreto sem grifes e nem pompa. Nem podia ser pela importância despendida. Mas cazzo, mais de R$800 por uma mísera e fugaz festinha natalina? Com essa importância e o baixo consumo de minha residência acho que conseguiríamos abastecer a casa de víveres por três ou quatro meses.
E tem gente que ainda tem a petulância de me criticar por eu achar esse troço de Natal um saco.
Churrasco na casa da irmã. Churrasco na noite de Natal? O que houve com a ceia? À ingênua pergunta a cara consangüínea teria me respondido que queriam fazer algo diferente. E ao perguntar sobre qual seria a minha cota-parte recebi a encomenda de carnes e bebidas de acordo com o perfil de consumo do meu núcleo familiar. Comprei um cry-o-vac de pets de refrigerante preto. Mas a parte pior foi que a lista incluía duas picanhas e dois quilos de coração de frango. Pqp, o que eram esses preços do quilo da picanha, minha gente? Saquem só a tomada de preços da iguaria:
- Mercadinho-conveniência perto do tio: R$24,00
- Extra: R$39,00 (este foi o recordista)
- Makro: R$26,00
- Assai: R$22,00 (o melhor dentre os piores)
Como optei por uma caixa com 2Kg de espetos de coração prontinhos e temperados, somando-se às duas nobres partes do boi, o tio gastou R$80 só com três nacos de carne. Total do supermercado, juntando panetones e coisas que faltavam para a festa: R$230.
Aí veio a tia darling explicando que os Hudson* estariam presentes. E fez questão de me lembrar também que não havíamos comprado as lembrancinhas simplórias dos sobrinhos e afilhadas. Saldo das comprinhas de última hora:
- Casas Pernambucanas: R$180
- Renner: R$220
Veja bem: não demos nenhum computador nem brinquedo eletrônico para nenhum sobrinho. Foram todos simbólicos mesmo, resumindo-se a blusinhas, camisetas e bermudas. Tirando a bicicleta da cria, que não está na lista acima, tudo foi discreto sem grifes e nem pompa. Nem podia ser pela importância despendida. Mas cazzo, mais de R$800 por uma mísera e fugaz festinha natalina? Com essa importância e o baixo consumo de minha residência acho que conseguiríamos abastecer a casa de víveres por três ou quatro meses.
E tem gente que ainda tem a petulância de me criticar por eu achar esse troço de Natal um saco.
domingo, 23 de dezembro de 2007
Natal do quê mesmo?
Já se deu conta do quão egoísta se tornou essa lenda do Papai-Noel, sobretudo depois de apropriada pelo comércio? Do tal santo - o Nicolau - que distribuía presentes para as crianças pobres, a coisa foi deteriorando até que virou o evento anual do Mercado. A salvação para o comércio que chega de trenó, puxado por renas. As empresas de cartão de crédito e de empréstimo sugerem a todos deixarem a fantasia fluir, para resolver os pagamentos somente em janeiro na fatura de cartão de crédito e nos cheques pré-datados.
O Papai-Noel do Mercado, nada tem a ver com o espírito solidário inspirado pelas tradições cristãs de dividir os víveres e agasalhos com os necessitados, durante o cruel inverno nórdico. Nada em a ver também com o suposto aniversariante, embora a maioria já saiba que a data escolhida foi uma mera convenção, sendo que o Natal é uma tradição muito anterior à chegada dos cristãos.
Mas ontem ao passar pela Avenida Jabaquara aqui em Sampa eu quase tive uma parada cardíaca. Uma igreja cristã tradicional, anexa a um colégio idem, ostentava na pequena cobertura de telhado da porta frontal um enorme Papai-Noel inflável segurando uma rena por uma cordinha. Será que o responsável de lá estudou Teologia e sabe algo de fato sobre tradições natalinas cristãs? Que diabos faz um Papai-Noel no telhado de uma igreja? Fiquei com medo de entrar lá me deparar com um gigantesco pinheiro decorado e a figura do velho de barba branca e roupa vermelha, no lugar do esperado presépio com manjedoura. E olha que nem cristão eu sou.
Por tudo isso, resolvi postar essa singela homenagem. Ligue o som e aperte a tecla PLAY abaixo para ouvir uma linda canção natalina da extinta banda Garotos Podres. Reúna toda a família durante a ceia e reflita um pouco sobre o espírito natalino.
O Papai-Noel do Mercado, nada tem a ver com o espírito solidário inspirado pelas tradições cristãs de dividir os víveres e agasalhos com os necessitados, durante o cruel inverno nórdico. Nada em a ver também com o suposto aniversariante, embora a maioria já saiba que a data escolhida foi uma mera convenção, sendo que o Natal é uma tradição muito anterior à chegada dos cristãos.
Mas ontem ao passar pela Avenida Jabaquara aqui em Sampa eu quase tive uma parada cardíaca. Uma igreja cristã tradicional, anexa a um colégio idem, ostentava na pequena cobertura de telhado da porta frontal um enorme Papai-Noel inflável segurando uma rena por uma cordinha. Será que o responsável de lá estudou Teologia e sabe algo de fato sobre tradições natalinas cristãs? Que diabos faz um Papai-Noel no telhado de uma igreja? Fiquei com medo de entrar lá me deparar com um gigantesco pinheiro decorado e a figura do velho de barba branca e roupa vermelha, no lugar do esperado presépio com manjedoura. E olha que nem cristão eu sou.
Por tudo isso, resolvi postar essa singela homenagem. Ligue o som e aperte a tecla PLAY abaixo para ouvir uma linda canção natalina da extinta banda Garotos Podres. Reúna toda a família durante a ceia e reflita um pouco sobre o espírito natalino.
sábado, 22 de dezembro de 2007
Obrigado governador
Dia 21 de dezembro. Depois de um compromisso externo importante, que me ocupou o dia todo, chego à Maison Xavieur por volta das dezessete horas. Avisto um papel branco quase enrolado e encravado no vão do portão, pois estou sem caixa de correspondência. Pego o papel, nem bem abro e me deparo com brasão do Estado de São Paulo e um escrito em fontes bem grandes: IPVA 2008.Santa senhora que o dera à luz, senhor governador! Custava esperar o reveillon para nos enviar esta merda? Tinha que tacar isso em nossa cara antes do Natal?
Cacete, viu? Obrigado pelo presente natalino, se essa foi sua intenção. Vai ser ruim de marketing assim lá na Prússia, meu filho.
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