quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Dia de faxina

A questão de qual é o melhor dia para faxina no barraco do tio já rendeu discussões dignas de um concílio romano. Divergências de percepção. Penso que, já que mal ficamos em casa nos dias úteis, a faxina devesse ser feita na segunda-feira garantindo uma casa arrumada e limpa por toda a semana. A darling acha que quanto mais próximo do fim-de-semana melhor. Controvérsias à parte, minha bronca é que sábados e domingos são os dias de maior uso da casa, recepção de visitas, etc., de forma que o resultado da faxina mal dura o fim-de-semana. E somos obrigado a dar retoques. Mas o celeuma doméstico já me dura dez anos e não me custa tentar mais dez. Hei de vencer.

O que me surpreende mesmo - acho até que já falei disso aqui - é o constante absenteísmo das faxineiras. Lembremos que a maioria delas é diarista e autônoma. Então a relação é muito simples: não trabalhou não recebe. Mesmo assim hoje, por exemplo, o tio recebeu um telefonema e ouviu da dita-cuja algo como: "óia, hoje eu num vô pudê í, purque morreu o Josvaldilço, que é primo-irmão do meu marido e nóis vamu nu velóriu". Duas semanas atrás morreu a Wandysneide, filha do ex-padrasto da cunhada da prima. Da outra vez foi a Diocrezilda, que era comadre da irmã dela. Nesses WO´s que ela dá o nosso inconveniente é que na véspera da esperada limpeza semanal, lhe deixamos comida extra na geladeira, guardamos todas as peças de roupa espalhadas, batemos roupa na máquina pra passar, usamos a secadora pra acelerar o processo. Tudo isso para nada. Nem ela pra limpar, nem a irmã dela que passa nossas roupas comparece.

Andei fazendo estatísticas desses falecimentos em massa e concluí que nada explica o crescimento populacional da categoria diarista e dos seus pares (os pedreiros, alétissistas e encanadores). Só mesmo a altíssima taxa de natalidade. Fiz uma lista dos falecidos dela do ano passado até a metade deste. Concluí que ela, o marido e os filhos, estão praticamente órfãos de qualquer tipo de parente. Todos morrem em série a cada semana. No quintal onde ela mora, que outrora reunia dez moradias com irmãos, irmãs, seus cônjuges e filhos, podem ser vistas bolas de feno rolando e janelas batendo sempre que venta. Uma verdadeira cidade fantasma de faroeste.

Quero ir para um hotel fazenda. Mas que aceite cheque pré.

Momento junk food

Porta de faculdade é um paraíso da informalidade e da livre-iniciativa do setor alimentício. Onde estou estudando, quando se chega a uma quadra e meia de distância, tem-se a sensação de andar por uma feira em Xangai ou na Chinatown do filme Blade Runner. Só que sem o charme hollywoodiano e no lugar dos neons há lampiões de gás e lâmpadas incandescentes. Tá bom e eu não sou nenhum Harrison Ford. São carrinhos, barracas, vans, carros de passeio com porta-malas adaptados, tudo dando mostras de criatividade sem-limite, quando o assunto é obter um sustento honesto, de carona na fome dos estudantes.

As opções gastronômicas são inúmeras. Vão dos tradicionais sanduíches, passando por pastéis, mini-pizzas, tapiocas e chega até a pratos elaborados como yakissoba e macarronada tradicional. Tudo pode ser levado para viagem ou ser consumido no local, seja em pé, seja nos banquinhos plásticos que abarrotam as calçadas. Essa balbúrdia toda não me parece algo ruim por si só, pois na minha passagem anterior pela mesma faculdade há uns oito ou nove anos, não havia quase nada disponível para interromper o ronco do estômago. Só uns poucos pioneiros dos quais enjoávamos na terceira semana de aula.

Hoje como a oferta é abundante em quantidade e diversidade, os empreendedores dos mata-fome curvam-se às leis do mercado e procuram diferenciais para atrair e fidelizar a clientela rotativa. Aí é que a coisa começa ficar apavorante. Ontem parei em um dos pontos de venda e vi que se tratava de um comerciante de cachorro-quente. Li um cartaz que era um cardápio-tabela e não acreditei. Jamais imaginei ser possível fazer vinte e duas variações de um simples pão com salsicha. Você não tem idéia da diversidade: com uma ou duas salsichas e com molho ou sem molho eram os triviais. Mas as combinações possíveis incluíam até quatro-queijos, adição de "calabresa processada" (tenho medo de imaginar o que significa) e saladas das mais diversas, além dos diferentes tipos de pães. Enfastiado pela múltipla escolha decidi pedir um simples, tradicional e objetivo cheeseburguer. Um hambúrguer com queijo, no meio de um pãozinho e nada mais. De preferência pão francês porque esses pães industrializados esfarelentos não me atraem. Simples, certo? Não lá.

- Certo tio, um xisburgui. Ou superdoguiburgui?

- Super o quê?

- É uma novidade da casa (sic). Um rotidógui com tudo que tem direito e no meio ainda vai um hambugui picadinho espalhado. No capricho tio.

Faço um esforço pra disfarçar a náusea e reforço o pedido:

- Por favor. Um cheeseburguer o mais simples possível no pão francês.

Enquanto o cara fritava o meu hambúrguer eu tentava esquecer a gororoba ofertada por ele. Um hambúrguer estraçalhado no meio de um pão com salsicha, coberto por outros cento e trinta ingredientes definitivamente não me parece algo apetecedor.

Algo está me dizendo para eu trazer uma marmitinha extra de casa e jantar no escritório antes de ir pra aula.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

O Ministério da Saúde adverte

Cerca de um ano atrás, na sala da frente de minha choupana comercial, ocorreu um fato pra lá de bizarro. Eu estava de porta fechada e trabalhando quietinho, quando ouvi uma intensa discussão que vinha da sala da frente. Pelas vozes, tratava-se de um certo ser que é senhorio deste inquilino, juntamente com o advogado que ocupa a outra sala. Depois de um certo desenrolar, adicionou-se ao furdunço o pai do tal proprietário. A discussão, que já começara pesada se incendiou graças ao teor etílico em que o ator principal se encontrava.

Tudo me faz crer que no início se tratavam de negócios mal resolvidos. Ambos os debatedores são advogados e têm uma estranha sociedade que nunca entendi muito bem, nem me interesso em tal. O cachaçado-mór goza de meros quarenta e dois anos de vida. Já o segundo se me parece estar na casa dos sessenta ou bem próximo. Só que afetado também pelos vícios é o que chamaríamos de "sessenta com carinha de noventa".

Logo após o princípio da discussão, comecei a ouvir barulho de móveis sendo quebrados, estante de livros indo para o chão, monitor de computador se espatifando e coisinhas básicas assim, enquanto o protagonista do quebra-quebra grunhia têrmos ininteligíveis em tom de ofensa. Em seguida chega o terceiro personagem, este com seus setenta e três anos. Pelo tom de voz e poucas coisas compreensíveis no meio da gritaria, o velho parecia tentar demover o filho de agredir o outro advogado. E em algum momento percebi que o pacificador estava se convertendo na segunda vítima, ou prestes a tornar-se. Aí não deu mais para continuar a fingir-me de surdo. O imperativo ético tomou conta de mim. Levantei-me e corri até o cenário do pampeiro.

Mal abri a porta do recinto e vi que já se parecia com escombros do Iraque, e por pouco não conseguia reter uma cadeira que seria atirada nos dois corôas. O mais velho tentava ser escudo-vivo de modo que viraria alvo do objeto. Mas interrompi a empreitada antes de a cadeira ser levantada o suficiente. Puxada a cadeira, o agressor também foi ao chão, tal era o teôr alcoólico. Tentou uma segunda vez, ao mesmo tempo em que fazia menção de me afastar da cena, dizendo ainda que eu não tinha nada com aquilo e blá, blá, blás com a língua enrolada pela bebida.

Diante do absurdo disparate de um cara de quarenta anos prestes a agredir o próprio pai e outro idoso, falei com voz firme e em tom baixo que na minha presença aquilo não havia de se concretizar. O bebum insistiu para que eu me afastasse e ouviu de mim que não agredisse o próprio pai e que antes de machucar dois idosos teria que me enfrentar.

A presepada não durou pouco. Mas finalmente ainda estonteado o dito-cujo desceu as escadas vomitando impropérios indecifráveis - talvez até contra mim - mas se mandou. Dos sobreviventes, mandei o mais velho pra casa e o menos velho aproveitar o vácuo pra tirar uns dias de folga.

Só dei de cara com o pinguço quebrador de móveis dias depois. Cumprimentei-o e ele retribuiu, agindo como se nada tivesse acontecido. Agora o que não consigo entender é o pai do sujeito. O tiozinho nunca mais falou comigo. Não que eu queira agradecimentos, jamais. Fi-lo apenas pela minha consciência. Mas daí a ele me encontrar na rua e fingir que não me viu, sinceramente é um mistério.

Coisas dos seres humanos. Não sei como fui consentir me reencarnar nessa espécie maluca. Quero voltar pro meu planeta de origem.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Agradeço a Santo Expedito

Resolvi retomar um antigo projeto pessoal. Somei com uma chance de ouro que pintou e voltei à faculdade. Desta vez, dane-se concluir a Administração. Só ia me servir pra botar no currículo e pedir emprego para algum crápula capitalista que me usurparia a mais-valia. Isso faço eu. Vão à merda. Já descobri formas de ganhar dinheiro honesto e legal, sem ter chefe. E não pretendo retroceder.

Como se trata de uma segunda carreira optei por Pedagogia. As questões do Ensino e da Educação me atraem de longa data. Isso foi reforçado por um trabalho de educação de jovens e adultos onde eu estive voluntariando como instrutor de Informática. Não tenho ao certo onde essa formação me conduzirá, mas como não estou na dependência dela, isso não está em minhas preocupações. Só farei de tudo para que não me leve a uma sala-de-aula, mal remunerado diante de filhos alheios mal-educados. Enfim, serei um Pedagogo e, como eu já disse, é algo pessoal. Mas não é esse o ponto da discussão. Tenho planos nisso tudo, mas não são da vossa conta.

Ontem, primeira noite de aula, entrei discreto e silencioso na sala, mais preocupado em demarcar meu assento do que qualquer outra coisa. Sentei-me e abri um livro que estou lendo, sem tomar o menor conhecimento do ruidoso entôrno. Foi quando me apareceu uma jovenzinha muito da graciosa e, digamos assim, de compleição física bastante saudável e agradável aos olhos masculinos, se é que me entendem. Pára diante de mim, junto com uma outra, com traços e porte diferentes, mas igualmente bonita:

- Você é o tio Xavier?

- Sou, mas como você sabe?

- Somos do comitê de boas-vindas.

- Uau, e agora tem isso por aqui? Mas primeiro você me conta como sabe que eu sou o tio?

- Como?

As duas riem que só elas. E a segunda moçoila continua:

- Bem-vindo ao seu harém, tio!

- Harém? Como assim?

- Ué, você é o único homem da sala. Só tem você pra toda essa mulherada - e segue um aplauso da turma que deve ter sido ensaiado - .

Fiquei vermelho, verde, roxo e cor-de-abóbora. Mas não perdi a estribeira:

- Puxa vida, eu não sabia. Então ele existe.

- Ele quem?

- Deus. E eu não sabia que ele gostava tanto de mim.

Seguiram-se mais risadas femininas em profusão.

Enfim, lá estou eu. São setenta e uma mulheres e o tio. Por um momento posso me sentir o mais sexy, o mais atraente, o mais bonito e mais cobiçável tio da sala. Começo a ver os monopólios com outros olhos.

Agradeço a Santo Expedito pela graça alcançada. Hei de passar os meus três melhores anos de estudo na vida. Aliás, com licença que preciso fechar o escritório e ir para a facu.

domingo, 12 de agosto de 2007

Filhão

Dia dos pais e recebo telefonema de um dos meus filhos, que mora em outro município. Garoto, com doze anos, durante um longo papo me conta as novidades e coisinhas do cotidiano. Entre uma e outra eu aproveito pra exortar o menino sobre coisas que eu acho que lhe ajudarão no futuro:

- Então filho, aproveita e estuda bastante, viu?

- Eu tô estudando sim, pai.

- Que bom, filho. Mas sabe o que mais você pode fazer?

- O quê?

- Você pode ajudar os colegas com dificuldades. E cada vez que você ajuda um colega, você na verdade está aprendendo mais ainda.

- Ah, mas isso eu já faço pai.

- Que legal, filhão. E como tá sendo?

- Tô ganhando uma grana.

- Grana? Como assim?

- É pai. Já tenho dois clientes.

- Clientes?

- É pai. Olha só: eu ajudo eles. Mas eu cobro, manja? É tipo um negócio, que eu montei lá na escola.

- Claro que entendi. Que meninão inteligente você é, filhote. Bela idéia.

Esse faz juz ao sobrenome.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Elton John defende o fim da internet

Em entrevista ao tablóide londrino The Sun, o cantor inglês Elton Pretensioso John pediu o fechamento da internet, pois a rede estaria acabando com a indústria musical. Notícia original AQUI.

Não obstante o tiozão ainda conclama: "Saiamos às ruas, marchemos e façamos protestos, em vez de nos sentarmos em casa e entrarmos em blogs".

O último disco do músico, The Captain & The Kid, vendeu apenas 100 mil cópias. O músico culpa os downloads pelo mico comercial. Entenda que - na insuspeita opinião dele - não é porque as músicas dele estão um pé-no-saco, mas sim por culpa da internet. Do alto de sua modéstia, ele deve imaginar que outros quinze milhões de cópias foram baixados pela galera na internet. Só que eu mesmo não conheço ninguém que tenha baixado o álbum do chatonildo. Aliás, nem sabia que tinha álbum recente dele.

Então, caro amigo, você viu o que Sir John disse: feche agora esta janela e vá às ruas pedir o fim da internet. Ouvi dizer inclusive que ele contratou o João Dória prá organizar a passeata.

Tu já foi bem melhor, hein merrmão?

Azelite Inresponçáviu

Vejam que lindo. Essa é a gentalha rica em grana, pobre de espírito e paupérrima de respeito. Talvez seja a mesma que paga o João Dória para organizar passeatas ridículas no estilo "Basta", "Cansay", desfiles de cachorrinhos e coisas assim.

Este primeiro vídeo mostra o senhorito José Bonifácio de Oliveira (Boninho) divertindo-se a jogar ovos nos carros e transeuntes da avenida abaixo de sua suntuosa sacada.



Neste outro tem uma seqüência inqualificável. Primeiro a çossialáiti Narciza Vagabundeguy se orgulha dos feitos. É bem provável que esteja sob efeito das drogas que consome, importadas dos morros cheios da gentalha fedida e bandida, como ela deve pensar. Depois o Bruno Bichateaubriôco, declara ter jogado uma garrafa vazia e uma vassoura. Vai saber o que ele teria feito com ambos antes de jogar. O avô - paraibano e comedor - deve dar saltos mortais no caixão, por razões diversas. No elenco também Luíza Jobim e João Eduardo Brizola. Vejam vocês mesmos.



Sou mais a educação dos cinco filhos do vigilante da minha rua. Exemplares, por sinal.

sábado, 4 de agosto de 2007

Ófissina braziu

Essa eu não perdôo. Primeiro já explico de quem estou falando: as lojas da Oficina Brasil são umas que geralmente ficam em anexos nos estacionamentos do Carrefour e Extra. São reparadores de suspensão, alinhamento e balanceamento de veículos. Costumam se situar nesses supermercados mantendo convênio com os mesmos. Quando o cliente compra alguma peça no supermercado, principalmente pneus, ganha di grátis o alinhamento de direção e balanceamento das rodas. Excelente, a não ser pela postura desonesta de alguns, como da loja que fica no Carrefour da Vila Maria em Sampa. Mais pilantras hão de nascer.

O tio foi no dito supermercado e comprou uns pneus. E lá estava o cartaz enorme: "Compre pneus aqui e ganhe a montagem, o alinhamento e o balanceamento". Opa - pensei eu - boa porque os pneus Zimbutzkatz* estão em oferta. E economizarei uma graninha por conta dos serviços. Certo? Errado. Olhe bem o que ocorre quando se chega a loja e fique esperto.

Depois de o tio cliente decidir qual pneu ia pro estepe, que os novos iam na dianteira e tal, os caras foram lá pra montar os pneus nas rodas. Aí um gaiato chama o tio do lado do carro, ainda suspenso no elevador, e balança a roda da frente com a mão:

- Ó tio, tá vendo aqui?

- Hum.

- Então, quando a gente dá uma forçada, vê aí que o amortecedor e a mola se mexem.

- Tá.

- Cê viu, né?

- Vi.

Aí o caboclo vai lá pra montagem, chama o gerente da loja coçam a cabeça, anotam aqui e acolá. Um vai até o carro e volta pra rodinha de especialistas. Desta vez é o gerente da loja que vem até a mim:

- Então tio, o cara mostrou lá como tá a frente né? - e nem me deixa responder sacando um imenso orçamento - Amortecedor, mola, bucha, mancal, arruela, rebimboca*, parafuseta*, grampola* - a lista parecia sem fim - fica tudo em quatrocentos e tantos reais. Beleza?

- Beleza o quê?

- Pode fazer?

- Não.

- A gente parcela pro sinhô.

- Obrigado. Se precisasse eu teria dinheiro pra pagar à vista.

- À vista a gente dá um descontinho. Claro.

- Olha aqui mizinfio. Todo esse conjunto que você condenou tem pouco mais de três meses de uso. Todos originais e com garantia. Comprei com nota fiscal, em uma loja que tem mais de trinta anos. As peças foram trocadas na oficina do meu tio, que trabalhou em três montadoras. Então vamos ser práticos. Se é que tivesse algo a trocar, tudo estaria na garantia. Mas por ora acho melhor você providenciar a montagem e o alinhamento da direção.

- Mas não compensa fazer o alinhamento assim. Tá tudo desregulado. Se quiser a gente até alinha, mas vai descompensar tudo depois. Seus pneus vão comer torto, as borrachas vão rachar, etc., etc., e tal - ele só faltou falar que um vírus desconhecido até pela McAfee e a Microsoft iria infectar a central de comando do carro, meu rádio ia travar tocando axé no último volume e a buzina ia tocar la cucaracha sempre que eu passasse na frente de um hospital - .

Os pilantras montaram rapidinho e desceram o carro. Disseram que eu tinha trinta dias para voltar e fazer o alinhamento, assim que eu resolvesse os mil e quatrocentos problemas da suspensão dianteira.

Puto da vida com a cara de pau dos picaretas, disse que voltaria depois pra fazer o alinhamento e me mandei. Hoje cedo parei em um prestador do bairro onde o tio mora e o cara fez todo o serviço de regulagem: alinhamento, balanceamento, cambagem e cáster (correção do adiantamento de uma roda em relação à outra). Por quanto? Quanto? Quarenta reais. O carro tá redondinho e já dei um pinote com ele na expressa perto de casa. Resultado: solto as mãos do volante e zero de desvio e zero de trepidação.

Sabe quando que esses merdas dessa ófissina braziu vão botar as patas sujas na suspensão do carro do tio? Llamás. Safados.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Gosta quem quer

Vários amigos vivem a me enviar textos - autênticos e apócrifos - do Arnaldo Jabor. Se isso significar alguma indignação social da parte deles, acho até saudável. Eu também sou indignado, só que sempre procuro fazer algo para mudar o universo à minha volta. E não preciso dos textos negativistas do Jabor para isso. Muito pelo contrário. O Jabor é um chato de galocha. Deve passar o dia tentando explicar para si a razão preferir ficar aqui resmungando a ir morar no Canadá, na Europa ou em alguma ilha paradisíaca, se é que tem cacife para isso.

Gostaria mesmo de ver o Jabor usar a inteligência com propósitos mais positivos. Quem sabe em ação concreta em prol de alguma coisa boa. Esbravejar no ar-condicionado, em uma poltrona confortável e diante de câmeras é deveras cômodo. Oxalá um dia ouçamos dele alguma dica positiva. Coisa difícil para um cara negativo, que nada acrescenta ao xingar a tudo a torto e a direito, por mais razão que alguma vez ele venha a ter. Só que se xingamentos resultassem em algo positivo, estádios de futebol seriam paraísos. Pela postura confortável de indignadinho de estúdio, ele não passa mesmo é de um personagem caricato-carrancudo, que ganha uma boa-grana pra fazer a única coisa que sabe: ralhar. Sorte dele que há quem o compre.

Jabor sofre, e ao mesmo tempo é propagandista, do que Nelson Rodrigues chamou de "complexo de vira-latas". Ele acredita que o Brasil é o cocô do cavalo do bandido. E o povo brasileiro - sem ressalvas - é a larva do mosquito que nela pousa. No furor de sua verborragia negativa, Jabor talvez seja confundido com toda a merda que enxerga diante de si. Quem sabe uma larva de casta melhor, mais bem-remunerada e que conquistou um lugar privilegiado na imensa massa de cocô. Mesmo assim, uma larva no cocô e que se alimenta de parte do cocô. Nossa felicidade é que a lata de lixo da História está repleta de seres que em nada contribuíram para a evolução da Humanidade.

Mortos, reclamões acomodados e larvas não constroem a História.

sábado, 28 de julho de 2007

Anvs horoscopvs penis est

De vez em quando eu leio o horóscopo de alguma publicação que me cai às mãos. Do fundo do meu intelecto e de meu espírito, me recuso a tentar entender qual seria a conexão entre órbitas estelares e a vidinha medíocre que levamos aqui na espaçonave azul. O máximo que posso tentar pensar é que possam, talvez, haver características de personalidade influenciadas por sei-lá-o-quê conforme ciclos lunares e solares. Mesmo assim acho Astrologia e comportamentos dos signos não muito mais que um bom papo pra cantar a mulherada. Passatempo este que abandonei há mais de uma década - faço questão de ressaltar - .

Hoje eu estava a realizar minhas atividades orgânicas matinais, de dispensa de alimentos digeridos e não-aproveitados. Foi quando vi o exemplar de ontem de O Estadão, que o meu culto filho postiço assinou. Peguei logo o Caderno 2. Ao menos tem quadrinhos, diversão e dicas para lazer. O resto é chato demais e suja as mãos. A propósito, quando será vão inventar uma tinta e um papel que se fixem bem? Ô trocinho que suja as mãos é o jornal. Sem falar no formato desajeitado. Não sei também por que razão não adotam o tablóide, que é bem mais ajeitável. Mas voltemos ao tema astrológico.

Já ouviu falar que dá azar ler horóscopo atrasado? Muita gente diz isso. Mas o tio Xavier desmascara mais esse mito urbano. It´s easy: como alguns astrólogos arriscam-se no obscuro e espinhoso caminho das previsões, essa máxima foi elaborada pela própria AIAEG*. Imagine só se você lesse um horóscopo do ano passado e lá dissesse que você estava no período mais cagado na sua vida. Que se você gostar de mulher e chovesse Ana Hickman, cairia um Adilson Maguila em cima de você. Se você sonhasse com o Keanu Reaves, a Marlene Matos iria com um carro de loucuras de amor esgoelar que te ama, na porta da sua casa. Aí você pegaria a agenda do ano passado, só para lembrar das ocorrências. Descobriria que no exato dia em que o tapeador escreveu essa abobrinha, você conheceu a pessoa mais maravilhosa da sua vida, se formou, ou ainda arranjou um trampo decente e bem remunerado. Por análise post-mortem, a picaretagem seria desmascarada. Entendeu? É por isso que dizem por aí que não se deve ler horóscopo atrasado. Bobagem. Você não deve ler nem o atrasado, nem o do dia, nem nenhum. Mas há astrólogos mais incautos que dão previsões. Outros mais experientes e precavidos jogam bombas de fumaça.

Estadão de 27/07/2007, Caderno 2, página D4. Depois de um texto de preâmbulo, o famoso astrólogo Oscar Quiroga lista seus preceitos para cada um dos signos do Zodíaco. No signo atribuído ao tio reza-se o seguinte:
"As alianças não são estáveis, pois as pessoas andam confusas o suficiente para não conseguirem reconhecer o que, de verdade, seria melhor, não apenas para elas em particular, mas para todas em conjunto. Assim andam as coisas!" (O.Q.)
Conseguiu captar a profundidade e aplicabilidade do enunciado acima? Não? Nem eu. Vai escrever lero-lero assim com o ânus em Touro, Lua em Saturno e o Sol em Capricórnio. O cara ainda deve ganhar uma baita grana para isso. Além de prestar consultoria para gente célebre e endinheirada.

Eu é que sou um covarde mesmo. Preciso comprar meu turbante urgente.

* Associação Internacional dos Astrólogos e Embusteiros em Geral

Agradecimentos ao publicitário Carlos Romero, pela montagem fotográfica.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Fila é prá jacú - II: O Retorno

Poucas coisas são mais irritantes do que as filas. Sobretudo filas pra fazer algo pelo qual estamos pagando. Sinceramente penso que, uma vez que estamos pagando por algo, o prestador devia vir buscar o serviço em nossa mesa e trazer prontinho junto um café quente com pães-de-queijo.

Eu uso com muita freqüência os serviços dos Correios. É a empresa de Logística mais eficiente que há. Mas as filas nas agências me causam náusea. Agora inventaram a fila informatizada. Espalharam cadeiras por todo o salão, colocaram uma impressora de senhas na entrada e painéis que exibem os números de chamada. Então os resignados usuários pagantes - nós - nos sentamos nas cadeiras estofadas e até cochilamos nas demoras absurdas, que podem durar até cinqüenta minutos ou mais.

Recentemente, de saco cheio de gastar meus preciosos minutos com esse afazer e imbuído de um espírito totalmente sociológico, fiquei observando as filas, as chamadas e o comportamento das pessoas. Percebi que alguns números chamados não resultavam na ida de nenhum cliente ao guichê indicado. Analisei também que pessoas tiram números na maquininha e, depois de algum tempo, desistem da demora e se mandam. Portanto, quando chega a vez do dito cujo, o sistema de chamada indica a senha mas não tem cliente. Não tinha. Essa foi minha grande descoberta...

Observei que os caixa dos Correios não pegam os papeizinhos das senhas para conferência do número atendido. A oportunidade de ouro estava bem diante dos meus olhos. Bastaria perceber rapidamente quando o número chamado é de um desistente e tomar o lugar dele. Não é sacanagem. É uma espécie de doação póstuma de vaga. O doador não está lá, mas o atendente do balcão também não está preocupado com isso. Ele só tem que registrar que atendeu, para fins estatísticos de produtividade. E meu principal intuito nesse caso é colaborar com a produtividade dele.

Hoje, por exempo, eu estava com a senha D436. Olhei no painel e, para meu desolamento, estava no D399. Fora que tem três outras letras que são chamadas, com outras seqüências. Pois graças à minha perspicácia científica herdei o lugar do D405, que havia desistido de esperar. Levantei-me rapidamente e fui ao guichê indicado. Desse modo, em menos de cinco minutos garanti um lugar vip na fila. Não é sensacional?

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Classe média, papagaio de todo telejornal...

A classe média é capaz de protagonizar situações ridículas como nenhuma outra. No quesito manifestação decente estará sempre a anos-luz do proletariado. Digo isso com conhecimento de causa de quem participou de diversas manifestações legítimas e populares. Foram por causas mais que justas: salários dos professores, habitação popular, transporte público, hospital na periferia, coisas assim. Tudo bem que algumas que foram dispersadas por homens fardados montados em bem-cuidados quadrúpedes. Mas foram uma baita escola de vida e cidadania.

Agora é fim de férias. John Lennon diria: "The dream is over" aos fanfarrões com cartão de crédito no rotativo. Chega de praia nordestina, acabou o Hoppi-Hari, vamos voltar de Cabo Frio. Todos sabemos de longa data que estamos em colapso aéreo. A frota de aeronaves se multiplicou nos últimos quinze anos e nem um milímetro de aeroporto decente foi construído nesse meio-tempo. Todos sabemos. E sob essas circunstâncias a sugestão da ministra-sexóloga faz sentido como nunca. Vai demorar três dias para voltar da Bahia? Relaxa e goza. Vai no meio do saguão, põe o CD vagabundo de axé que comprou em Porto Seguro pra rodar no boombox contrabandeado, balança a bundinha e o tererê.

E, por ser fim de férias, nossa faceta medíocre da infraestrutura de cabotagem aparece com cores puras. Aí estão as filas de check-in de vôos não confirmados. Ao ligar no noticiário noturno da TV somos obrigados a ver o repeteco das matérias do início de julho, quando os jovens coradinhos e seus pais de cabelos tingidos faziam os ridículos protestos nos balcões das companhias aéreas, mostrando toda torpidez de sua má-educação em cima dos inocentes funcionários. É meu amigo, não foi a pobre moça do balcão que fez a presepada chegar onde chegou, viu?

É interessante notar que essa classe média, aspirante a emergente não tem vocação nenhuma para ser elite. São apenas barraqueiros de mau-gosto e arrogância desmedida, mas que ganham acima de dez salários-mínimos, pagam leasing de seus carros flex e rodam a fatura do cartão de crédito pagando o mínimo. Nas suas festinhas em buffets bonitos dançam ao som de funk-podre e abaixam vulgarmente os traseiros até o chão. Com o dedinho na boca, claro. Só que consomem desenfreadamente. E justamente por isso são endeusados pela mídia, que é sustentada pelos anunciantes dos produtos que os trouxas grosseiros - mas ressalte-se com cartão de crédito - consomem com furor.

Agora estamos sob a comoção do grandioso e trágico acidente aéreo em Sampa. Acidentes aéreos matam muito menos do que os seus primos pobres, os acidentes rodoviários. Inclusive menos do que as centenas de acidentes de trânsito urbano. Mas são espetaculares e proporcionam um bom material para a mídia noticiosa a custo relativamente baixo. Entenda: cobrir cem acidentes em um feriadão nas estradas requer uma logística numerosa de equipes e equipamentos, transmissão e edição. Mas colocar o melhor jornalista com uma unidade 24 x 7 em frente Congonhas é infinitamente mais barato e atrai uma audiência enorme. Uma simples questão de "ganho de escala", se diria no idioma administrês.
Sérgio Lima / Folha Imagem. Folha Online
That´s all, classe média. Continuem protagonizando seus patéticos chiliques nos saguões dos aeroportos. Toquem pagode, esbravejem. Usem faixas e megafones. A mídia precisa de vocês. Panis et circenses. Vocês fazem este último como ninguém. E ainda pagam por isso.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Transformer da periferia

Esta bela imagem foi enviada pelo meu caro amigo Rodrigão. O elemento retratado é criativo e ecológico, pois reciclou materiais descartados para o traje.

A idéia, se aplicada corretamente, pode contribuir também com a distribuição de renda. Basta mudar a arma de brinquedo por um bom trezoitão esmerilhado.

É como eu sempre digo: este país só não progride porque não tem Governo.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

The cu

Já dizia um velho deitado que "se cunhado fosse bom não começava com cu". Hoje o distinto marido da minha única irmã resolveu me telefonar às sete da madrugada. Não que eu já não estivesse em pé a essa hora. Mas isso não são horas de ligar para a casa dos outros e não gosto de ouvir voz humana logo cedo. O que ele queria era aparentemente simples: minha furadeira emprestada. E que eu a levasse para o meu escritório que ele passaria lá para pegá-la.

Vamos aos detalhes significativos:

- Minha furadeira é de marca renomada e modelo plus. Tem acelerador gradual no gatilho, torque regulável e giro reverso. Ganhei-a de presente de um amigo e ela custa em torno de quatrocentos e cinqüenta reais. Uma verdadeira jóia.

- Costumo guardar minhas ferramentas limpas, em caixas apropriadas e, se necessário, com fios e acessórios presos.

- O cunhado em questão é um ser do mais relaxado que se pode imaginar. O porta-malas do carro dele se parece com a caçamba do "Cata Bagulho" da prefeitura. Suas ferramentas ficam espalhadas entre os cômodos da casa onde mora, outro tanto no carro, outro tanto no galpão da empresa dele e outro tanto nem Deus consegue localizar.

- O ser em referência trabalha com peões de montagem, que não sabem a diferença entre um serrote e uma faca de cozinha. São igualmente relaxados e, com o exemplo do patrão, devem superá-lo em alguns quesitos.

- O trabalho do cidadão pode necessitar algumas vezes de perfurar superfícies e paredes de material imprevisível. De uma madeira em decomposição a uma rocha de granito maciço.

Não preciso dizer mais nada para explicar minha relutância em emprestar minha super-hiper-furadeira-plus para uma criatura dessa. Fui para o trabalho decidido a fazer outra coisa. Eu compraria uma furadeira vagabunda de cinqüenta reais e daria a ele. Era uma forma de preservar minha preciosa ferramenta e dizer a ele algo como "porra, sua montadora de merda não tem cinqüenta paus pra comprar uma furadeira?". E assim o fiz. A máquina custou o exato valor almejado e trouxe-a para o escritório, aguardando o mala aparecer. Mas aí o telefone toca.

- Ô meu, lembrou da furadeira?

- Ahã.

- Então... eu acabei resolvendo por aqui. Arranjei uma emprestada.

Começo a pensar rápido.

- Porra, emprestada? - Agora, mais puto, procuro uma forma de recuperar minha grana - Eu achei uma do lado do meu escritório. Boazinha. Sessenta paus.

- Achou? Hum... Então sei lá. Que marca é?

- Marca? Essas furadeiras comuns são todas iguais. Toma vergonha na cara! Vou buscar e você pega aqui à tarde. Mas me traz a grana hein?

- Tá legal então. Eu levo um cheque. Só tem uma coisa.

- O quê?

- Tem que ser 220V.

Liguei para a loja e os cornos não a têm em 220V pra trocar. Agora me digam: devo furar a testa do cunhado com uma broca de 6mm ou de 8mm?

Em tempo: já vou me postar atrás da porta para ele não ter tempo de reagir.

Regra-mór da Informática

"Se está funcionando, não mexa". Incrivelmente boa parte das pessoas ignora esse postulado de ouro.

Depois de amargarmos telefonemas raivosos, reuniões intermináveis e investigações de campo quase sem resultado, um sistema nosso recém-implantado em um cliente finalmente estabilizou. Trata-se de uma parafernalha complexa que envolve transmissão de dados por rádio-freqüência, dispositivos portáteis, conexões com um banco de dados que não é nosso e outra série de coisas que não vem ao caso listar.

Ocorre que o projeto estava devidamente pago, mas atrasado de nossa parte. E ainda diz respeito à atividade principal de nosso cliente. Por isso, cada vez que o treco travava era acionado o único plano de contingência possível: papel, prancheta e caneta Bic. Dessa forma o faturamento do cliente atrasava no pior do efeito cascata. Já deu pra sacar o impacto dessa coisa, sempre na bunda do tio.

Enfim, na última sexta-feira, orientado pelos meus caros técnicos, passei alguns procedimentos informáticos para o cliente. Por esgotamento, o nosso critério já estava na metodologia lotérica. Feito tudo na sexta mesmo, parece que a coisa começou a entrar nos trilhos. Ontem visitei esse cliente pela manhã e fui recebido com sorrisos, chocolate quente e biscoitos, sinal de que as coisas tinham melhorado de fato. Conversei com um dos operários, que já portava um dos trecos portáteis que vendemos, e ele me testemunhou que há dois dias seguidos tinham batido a meta de zerar todos os pedidos até final do expediente, sem extras. Suspirei com alívio. Ao final da rápida reunião me mandei, bem mais tranqüilo.

E ontem mesmo, no fim da tarde, depois daquele ridículo ocorrido no shopping, voltei para o meu escritório e telefonei para o profissional responsável pela parte de rádio-freqüência no projeto.

- Alô, Robert* tudo bem?

- Oi tio, tudo bem. Como foi lá no cliente hoje? Como estão as coisas por lá?


- Não podia ser melhor. O troço está estável. Estão separando os pedidos sem maiores problemas.

- Mas o que foi que resolveu de fato? Foi a troca da antena ou a supressão da criptografia?

- Que importa? Nem dá pra saber. Eles fizeram tudo que mandamos na sexta passada e funcionou.

- Mas precisamos saber o que foi que resolveu.

- Pra quê, cara-pálida? Eles trocaram a bosta da antena e zeraram a criptografia. Pronto, funcionou e o cliente está feliz e produzindo. Hello babe, tá fun-ci-o-nan-doooo.

- Mas assim não dá pra saber pra colocar no laudo.

- Coloca as duas coisas na porcaria do laudo e explica no que ajuda cada uma delas.

- Ah, não é legal isso. Melhor testar para ter certeza de o quê foi que resolveu.

- Testar? Como assim, Robert*?

- Testar é testar, ora. Destrocamos a antena e vemos o que acontece. Depois recolocamos a antena nova e estornamos a criptografia. Aí ficamos observando as ocorrências em cada um dos testes e pelos resultados tabulados chegamos a uma conclusão.

- Você não tá falando sério, né?

- Mas tio, precisamos de fechar o laudo com precisão.


Nesse momento meu tom de voz subiu para tons muito acima das recomendações do Conselho Nacional de Otorrinolaringologia:

- CARA, SE VOCÊ PISAR LÁ, PEGAR UMA ESCADA E AMEAÇAR CHEGAR PERTO DA INSTALAÇÃO, EU MESMO TE DESPENCO LÁ DE CIMA. E QUANDO VOCÊ CAIR NO CHÃO TE DOU DOIS TIROS, PRA GARANTIR QUE NÃO VAI TENTAR DE NOVO!

- Caramba, tio! Tá nervoso?

Desliguei o telefone.

Alguém aí pode explicar para esse profissional? Obrigado.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Shopping Internacional, (des)serviço de província

Tarde fria e com pancadas de chuva repentinas. Após um pequeno encontro de negócios que marquei no Internacional Shopping em Guarulhos, caminho até onde estacionei meu carro. De longe já vi que tinha esquecido os faróis acesos. E tendo me ausentado por duas horas, era quase certo que a bateria tinha ido pro saco.

Depois de apagar os faróis, tento fazê-lo pegar em vão. A bateria não tinha mais força para funcionar um radinho de pilha, quanto menos o motor de arranque do carro. Procuro um segurança, explico o ocorrido e pergunto se há socorrista no shopping. Para minha surpresa o rapaz diz que sim e que eu poderia solicitá-lo no guichê de pagamento do estacionamento. Tudo certo até então. Ao menos foi o que eu pensei.

- Moça, esqueci os faróis ligados e a bateria do carro arriou. Você pode me chamar o socorrista?

- Seu carro está onde?

- Bem ali - eu o tinha estacionado a pouco mais de dez metros do guichê - .

- Bem que eu tinha visto mesmo. Até comentei com a minha colega. Não sei como não chamaram o senhor pelo sistema de som - pega o interfone - alô, por favor, você pode vir aqui? O tio Xavier está com o carro sem partida. Como? Ah... entendi. Vou falar com ele. Tio, o senhor tem uma outra bateria para ligar o carro?

- Olha, seu eu tivesse outra bateria não teria pedido socorro. De mais a mais por que alguém carregaria uma bateria extra no carro?

- É que o socorrista tá falando que ele só tem o cabo de ligação. E precisaria de uma bateria pra ligar, mas ele não tem.

- Porra, mas cabo é o de menos. Até aqui no supermercado Extra deve ter, por uns quinze reais. O que eu preciso é de bateria.

- O senhor não tem algum conhecido para chamar?

- Como assim? Eu conheço vocês. Entrei no shopping, gastei dinheiro lá dentro e ainda paguei o estacionamento. Vocês são meus conhecidos e em um lugar deste tamanho e pago, tem que ter um socorro, no mínimo.

- O seu carro pode ser empurrado para dar um tranco?

- Não sei. Mas acho que não tem nenhum problema. Chama o cazzo do motoqueiro então pra vir empurrar.

- Alô, socorrista? Pode vir aqui pra empurrar o carro do tio? Como? Ahn... certo. Vou falar com ele. Viu tio, ele não pode vir agora. Ele sugeriu para o senhor pedir ajuda para alguma pessoa.

- Ah, claro! Há que ser uma pessoa pra me ajudar. As antas e os jumentos estão se mostrando incapazes. Um momento, que deve ter alguém que mande nesta bosta. Vou lá dentro e descubro já. Agüenta aí.

Saí decidido a mediunizar o cabloco Norris na gerência do shopping. Mas já haviam se passado dez minutos de quando decidi procurar ajuda. Dei uma chance pra bateria do carro e fui até ele. Virei a chave e ele, mesmo sem muita força, acabou pegando. Eu tinha uma porção de coisas para fazer e resolvi não dar cursos de atendimento a clientes para um bando de idiotas.

Já sabe agora: se for a esse estabelecimento e precisar de socorro, vá logo recebendo o caboclo Norris. Ou chame o socorro da sua seguradora. Porque no shopping de Guarulhos, sorry babe.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

The real second life

Esta linda tela que você pode ver abaixo é do meu Kurumin Linux, o qual estou a usar no momento desta postagem.


FAQ - Frequently Asked Questions


Tio, foi difícil instalar?
- De jeito nenhum, meu caro. Apenas coloquei o cd na gaveta do micro e iniciei a máquina.

E o que acontece na inicialização?
- O sistema operacional "sobe" e permite de imediato ao tio realizar qualquer tipo de operação antes feitas com o ruindols do Bill Gates.

Mas e os drivers de vídeo, som, mouse, teclado, etc.?
- Olha amigo nem sei o que é isso. Ele conectou tudo de primeira sem fazer uma única pergunta.

E ele conectou a internet?
- Não. Este post está sendo feito com recursos mediúnicos.

Você sempre tem que colocar o CD para ele rodar?
- De maneira alguma. Eu rodei a opção "instalar o Kurumin no HD" e selecionei uma pequena área do HD que eu havia deixado livre para esse fim.

Mas então você destruiu o Windows?
- Não, mas apenas porque eu não quis . O Linux Kurumin instalou facinho uma opção de dual-boot para que eu decida com qual sistema operacional trabalharei doravante, sempre que iniciar o micro.

E as partições NTFS onde estão seus arquivos de trabalho e lazer, que você gerou com o Windows?
- O Kurumin enxergou-as sem que eu nada fizesse. Permite-me ler, editar e gravar os meus antigo arquivos nessa partição, como se fossem dele. Ao contrário do sistema do Bill Gates que só enxerga as suas próprias partições.

Como ele é vendido? Custou caro?
- Ele está disponível GRATUITAMENTE na internet. Mas eu optei por comprar um CD no Baixaki por míseros vinte reais, por comodidade. E posso instalá-lo e executá-lo onde eu quiser.

Quais são os aplicativos que vem com ele?
- Não dá pra contar. Mas praticamente tudo o que eu uso no cotidiano: OpenOfficeBR, o navegador Firefox, Kopete - que é um comunicador instantâneo compatível com o Msn - , editores de imagens, editor de música, jogos e uma porção de coisas.

Experimente, tente. Faça algo diferente.

domingo, 15 de julho de 2007

Utilidade pública: Cuidado com o maracujá

Acabo de chegar em casa, depois de uma farta churrascada. Desde a hora em que cheguei lá - por volta de 13h - entornei incontáveis caipirinhas, todas de ótima qualidade, preparadas com Sagatiba®. Bebi uma, duas, três... Parei de contar por volta da quinta ou sexta. Os limões, pude perceber que também eram de boa qualidade. Não sei de qual variedade, mas eram verdes e viçosos. O açúcar era União®, o que me parece ser um bom produto.

A certa altura, vi uns maracujás sobre a pia e pedi para um chegado preparar uma "maracujinha" ou sei lá como deva ser chamada a batida com essa fruta. Foi a conta. A última coisa que me lembro é de alguém me conduzindo ao apartamento dos anfitriões, onde apaguei por algumas horas. Neste momento minha cabeça ainda dói e tudo que ouço vem acompanhado de um zumbido.

O Ministério da Saúde e o Sem Sentido® advertem: maracujá é altamente prejudicial à saúde.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Bola fora e mesa quadrada

Eles quase sempre são quarentões ou cinqüentões obesos e sedentários. Raros deles são ex-praticantes de alguma modalidade esportiva e, mesmo destes, nem todos são dignos de menção honrosa. Mas diante das câmeras e microfones, sabem tudo de arbitragem, treinamentos, escalações, táticas em campo, cobranças de escanteio, faltas e até mesmo das temidas defesas de penais. No que dependesse das suas línguas afiadas e peçonhentas, mais do que dos seus físicos e exemplos de vida, o futebol seria um interminável espetáculo de disciplina espartana, austeridade, profissionalismo e, claro, gols a perder de conta.

Estou obviamente falando dos comentaristas esportivos, que invadem a TV nas noites de domingo e nos especiais após os jogos de futebol. A TV nesses horários torna-se um pé-no-saco. Custa-me acreditar que a durabilidade desse tipo de programa se deva à audiência de fato. Ou então temos que admitir que o Brasil é um efetivo de cento e noventa milhões de técnicos de futebol. Um bando de cérebros inativos, cujas poucas informações que conseguem processar incluem necessariamente turbas de machos suados com as pernas à mostra correndo atrás de uma única esfera cheia de ar comprimido. Inacreditável.

Tirando alguns que outrora já demonstraram como tomar posse de uma bola e fazer algo entretenível com ela - Pelé, Sócrates e Neto por exemplo - a maioria desses atletas verbais não passa de radialistas e ex-radialistas de formação duvidosa. Hábeis apenas com a língua ferina, porque ela é o único músculo que não fadiga. De um modo geral, acompanhar algum esporte com tanto afinco e vibração, sem ao menos praticá-lo de alguma maneira, casa bem com aquela torpe expressão, que equivale a "ter ejaculação com o pênis alheio". Coisa muito babaca.

Sou totalmente a favor da PRÁTICA do esporte. Mas também sou favorável ao extermínio em massa desses embusteiros do microfone. Contudo os cães ladram - ladramos no caso - e a caravana passa. Tudo indica que essa alienante preferência em debater assuntos inócuos está longe de terminar. Aí estão agora os Jogos Panamericanos na Baía da Guanabara que propiciarão indiretamente um show de abobrinhas, protagonizado pelos atletas de microfone. Sim, porque temporariamente eles - que tudo sabem sobre futebol - proferirão pitacos sobre todas as demais modalidades esportivas. Despejarão suas sábias e incríveis soluções que, se fossem aplicadas, trariam cinco dúzias e meia de medalhas para o Brasil. Na cabeça deles. Sorte deles que há quem os ouça.

Uma noite dessas, só para provocar meu cérebro com temas atípicos ao meu cotidiano, arrisquei-me a ouvir um programa paulistano chamado Estádio 97. Sem ressalvas se alguém gosta de ouvir aquilo porque tem gosto pra tudo. Mas a pérola foi um ouvinte corinthiano ao telefone - amparado por um dos radialistas - gastar preciosos dez minutos de transmissão radiofônica para apresentar suas sugestões para as próximas contratações do Timão. Foi algo bizarro assim:

Ouvinte: Então, o Zé das Couves* do Jaboatão* tem crescido muito na enésima divisão.

Radialista: Você acha que ele seria um bom nome para o Corinthians?

O: Sem dúvida. E tem também o Manoel Joaquim* do Estrela de Prata* do Piauí. Um goleiraço, bem melhor que o Fábio Costa.

R: E que outros nomes você sugere para o Corinthians?

O: Tenho uma listinha aqui. O Fulano do Pé na Cova* do Maranhão, o Beltrano do Bola Furada* do Acre, o Sicrano do ... blá, blá, blá...

Faça-me um favor. Alguém consegue imaginar o Dualib ouvindo rádio e anotando os nomes? Sem comentários.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Kingston®: o pen-drive lavável

Você fica com nojo do seu pen-drive por ficar enfiando ele aqui e acolá (no bom sentido, é claro), em qualquer CPU sem o mínimo de higiene e sem preservativo?

Acha que, pelo fato de o pen-drive ficar no bolso da calça, jogado na gaveta ou no console empoeirado do seu carro, ele pode estar virando uma coleção de bactérias?

Seus pobremas se acabaram-se!

Os pen-drives Kingston® são laváveis. Isso mesmo. Nada como um pequeno incidente para a humanidade fazer novas descobertas. A tia darling esqueceu-se de bater geral em uma das calças do tio, antes de jogá-la na máquina de lavar. Hoje de manhã, o tio dana a procurar o seu quase inseparável dispositivo de armazenamento de dados. Até que...

O dito estava em um dos cento e vinte bolsos da minha calça cargo. A c
alça já estava lavadinha, seca e dobrada, esperando pela visita da diarista-passadeira. Ferrou, pensei. Peguei-o resignado com a perda das informações e do aparato, que ganhei de presente de um amigo. Esperei pacientemente até chegar ao escritório para confirmar a decepção. Espetei na USB e..? Acreditem: ele está funcionando PERFEITAMENTE! Ainda mais: a parte azul está mais azul e a parte branca está mais branca graças à ação de ACE® da P&G.

Kingston®. "ACE" todo pen-drive fosse assim!

Ps.: Essa experiência foi executada por profissionais treinados. Não tente fazer isso na sua casa. O pen-drive utilizado no experimento foi o de 512KB, a máquina de lavar é BS-Continental
®
e a secadora Bosch®. Não temos registro de resultados com dispositivos de outras capacidades. Nenhum dos mãos-de-vaca, fabricantes das marcas acima, quis pagar nada por este testemunho e não se responsabilizam por tentativas similares.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Free Hotspot

Seu escritório ou residência possui uma rede interna sem fio? O acesso à internet é compartilhado? Quais são as ferramentas ou protocolos de segurança que você utiliza para coibir acessos indevidos?

Quando eu faço essas perguntas para os meus clientes, a maioria fica me olhando com cara de "meu Deus o que é isso?". Quando não fazem pior : posudos dizem que sim, que tomaram todos os cuidados que a rede é segura e tal. Mas na maioria das vezes quem montou a rede sem fio foi aquele filho ou sobrinho que "mexe com informática" ou ainda foram eles mesmos: plugaram, por acaso funcionou de primeira e, como diz a regra, se está funcionando não mexa.

Eis o que aconteceu com o tio esta manhã: abri meu notebook, liguei-o enquanto pegava a fonte de alimentação, dei logon do sistema operacional e logo estava acessando a internet para ver minha correspondência matinal. Navegava pelos webmares na boa quando percebi que o cabo azul de rede em minha mesa jazia inerte, desconectado e ocioso. Olhei a barra de tarefas e então percebi que estava acessando uma rede sem fio de algum vizinho desavisado. Um comandinho aqui, outro acolá e consegui acessar o compartilhador de banda larga que espalha o sinal. Entrei no dispositivo testei uma ou duas senhas daquelas óbvias e lá estava eu dentro do wireless router do tal vizinho. Acredite: o usuário administrador do dispositivo chamava-se singelamente "admin" e a senha então era... "admin". Mais óbvio impossível.

A queda do dólar e a popularização dos acess points fez com que uma boa leva de usuários, já quase inaptos tecnicamente a ter um computador e zelar por ele, passassem a ter acesso à banda larga e agora a roteadores sem fio. Pior impossível. Com a ausência total de segurança da parafernalha do vizinho, bastaria um filtro de pacotes, implantado por este que aqui escreve, para descobrir coisas incríveis: de senha de provedores, e-mails, senha de orkut, papos de msn e até senhas bancárias. Pior impossível.

Não estou nem um pingo interessado nos pormenores sórdidos da vida alheia, tampouco em obter grana roubada, mas quantos outros não estarão? O que os sujeitos das proximidades fazem é algo como deixar o carro aberto com as chaves no contato, a porta de casa escancarada ou ainda, deixar o cartão bancário sobre o caixa eletrônico com um papelzinho com a senha colado. Adotam inadvertidamente tecnologias com as quais não sabem lidar e não buscam informações mínimas sobre precauções e medidas de segurança. E isso está crescendo a olhos nus - ou melhor - longe dos olhos dos usuários já que esse tipo de comunicação é intangível. Sinto muito por eles, mas os ladrões que estão ingressando no mundo da Informática por muito tempo não terão nenhum trabalho para roubá-los. Mais fácil do que tomar doce de criança. Depois as vítimas hão de praquejar contra os fabricantes de tecnologia, contra os bancos e sei lá mais contra quem.

Agora a idéia de deixar de pagar o meu provedor e pegar carona na internet do vizinho até que não me parece tão má. Afinal o sinal está aí no ar, com quem não quer nada, entrou aqui na minha sala sem eu pedir. Não sei não. Vou pensar melhor sobre isso...

Ps.: Este post foi editado e colocado no ar usando a rede do vizinho, mas só para fins de pesquisa científica sobre segurança. Eu juro. Mas preciso fazer outros testes.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Ingenuidade

Essa pérola da sinapse é de autoria do meu graaaaaande amigo Celsão.

- Pô cara, sabe aquele posto no Imirim onde eu abasteço, né?

- Sei, no caminho do trabalho da sua mulher.

- Então, tô desconfiado da gasolina de lá, viu? Tá esquisita.

- Mas por quê?

- Pô, outro dia o frentista encheu o tanque até a tampa e derramou um pouco, saca?

- Isso às vezes acontece. Mas e aí?

- Então, acredita que onde a gasolina escorreu, arrancou a tinta do carro? Estranho isso.

Esse é meu amigo Celsão. Ele ainda desconfia...

Ps.: Prometo confirmar o endereço desse excelente fornecedor de combustível e publicá-lo aqui.

Viajar com prazer é com a MarTur

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Praia Grande fashion beach

Me digam que é mentira. Que eu não vi essa família e esse sujeito bizarro com essas botinas, embaixo de um sol de 30ºC.

Depois a darling reclama que eu não gosto da Praia Grande. Veja bem, não é que eu não goste da cidade em si. Eu não gosto é de ter que presenciar essas cenas grotescas. Como é impossível não ver essas aberrações por lá, o melhor jeito é não ir.

A cada dia que passa sinto mais saudades de SC. Eu quero voltar pra lá. Agora.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Chumbo trocado dói?

Os gênios do Vaticano, pródigos que são nas posições conservadoras, continuam a defender seus princípios de fé a respeito do aborto com as mesmas premissas de sempre. Até aí é um direito deles e merece todo respeito.

Mas daí para recomendar que os católicos deixem de contribuir com a Anistia Internacional, por causa das divergências entre esta e aquela sobre o aborto é algo demais, não? Se tiver dúvidas leia aqui.

Vamos acatar essa insensata diretriz vaticanenense e levá-la às últimas conseqüências. O tio Xavier sugere algumas contrapartidas possíveis:

1) Que a Anistia Internacional recomende aos seus militantes que deixem de denunciar a violência contra sacerdotes e religiosas, por parte de governos autoritários e latifundiários.

2) Que todas as mulheres vítimas de estupros, incestos ou com gestações de risco mútuo se mandem para o Vaticano a fim de receberem a assistência financeira, médica e psicológica para superarem suas desgraças.

3) Que os rebentos frutos dessas gestações sejam todos criados pelo Vaticano, recebendo o melhor em educação, formação e conforto nas barras de saia cardinalícias, muito mais abastadas do que as de suas genitoras.

4) Que todo e qualquer bebê ancéfalo, depois de nascido seja mantido nos mais caros hospitais de cada localidade e a conta seja enviada ao Vaticano.

5) Ou então, que seja lançado o VatiMed: Um plano de saúde pública de alcance mundial, utilizável em qualquer hospital particular. Os cartões seriam enviados a todas as mulheres vítimas de violência sexual ou com disfunções uterinas, sem a necessidade de inscrição prévia. Todos os custos seriam bancados pela Igreja Católica Romana de cada país, que receberia as contra-faturas dos hospitais e pagaria as despesas imediatamente e em espécie.

6) Que os padres que não respeitem seus votos de castidade e protagonizem peripécias sexuais, vão trabalhar no mercado privado para dar o amparo financeiro cabível a cada caso, seja aos seus parceiros(as) sexuais ou ainda os filhos frutos desses relacionamentos.

7) E, finalmente que os eventuais casos de pedofilia protagonizados por clérigos sejam excepcionalmente tratados com penas de outro código religioso - o Islamismo - e, neste caso mediante amputações.

E então, aí pode?

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Vou-me embora pra Pasárgada

Pois é. Estava tãããão bom semana passada em SC. Aliás, sabem como se denomina "mulher feia" em SC? Turista. Ô lugarzinho bão para se apreciar as obras carnais da natureza. O Barba-Supremo deve ter alguma predileção por aquele lugar, porque ele não colocou nenhuma mulher feia lá. Só quem coloca algumas são os fluxos migratórios e a CVC.

Mas o tio não é amigo do rei. Nem sequer possui um LP do rei autografado. E tem que se contentar com a labuta até que o pacote CVC tri-anual esteja pago, para poder encarar outra curtíssima incursão às belezas do Sul. Na próxima sem dúvida o tio vai de carro. Porque ficar refém dos programas de índio pega-turista-trouxa da operadora de turismo é tocaia da boa. São os passeios-galo. Cada rolê deixa cinqüentinha. Um galo pra almoçar, um galo pro ingresso e assim vai.

- Gente, amanhã nós vamos estar indo para o Beto Carrero World.
- Obaaaaaaa.
- Mas no pacote só tá o passeio, não o ingresso.
- Ahhhhhhhhhhh.

E lá vai cinqüentão mais cinqüentão.
- Gente, a gente vamu almoçar no Ataliba, que é uma das melhores churrascarias do Sul.
- Obaaaaaaa.
- É cinqüentão pra cada casal, mais dez por cento, a sobremesa e as bebidas são à parte.
- Ahhhhhhhhhhh.

No outro dia entra um cara diferente no busão:
- Olá gente, eu vou acompanhá-los no passeio de hoje.
- Obaaaaaaa.
- Com esta câmera eu vou filmar tudo. Depois cada um me paga cinqüentinha pelo DVD que vou deixar no hotel.
- Ahhhhhhhhhhh.

E a sucessão de obas e ahs não cessa.

Pior foi a tour de compras. Pegaram a galera para ir aos "Lojões de Fábrica". Para quem mora em Sampa, loja de fábrica é sinônimo de peças baratas, liqüidações, sonegação fiscal e uma festa de preços baixos. Fomos à Hering®. Quer coisa mais em conta do que malhas Hering®? Eu quero, porque não achei um ítem barato lá. Uma arapuca. Tinha uma suposta promoção com bolinhas coloridas coladas nas etiquetas. Os descontos variavam de vinte à sessenta por cento do preço etiquetado. Se não tivesse bolinha o desconto era de dez porcento. Adivinhe se alguma peça tinha bolinha de cor? Acertou quem disse nenhuma. Aí uma calça jeans básica - no Brás ou no Bom-Retiro em Sampa custa no máximo cinqüenta reais - estava lá por noventa. Com os generosos dez porcento, caía para oitenta e um reais. Vão se catar.

E no almoço me aparece uma sujeita com uma câmera digital fotografando as famílias. Eu jurava que ela era do grupo dos turistas, querendo recordar os companheiros de viagem. Jurava no pretérito imperfeito mesmo. Porque meia-hora depois ela me aparece com um liiiiiiindo chaveirinho de plástico transparente com a nossa foto. Cincão. Peguei logo, primeiro porque foi a coisa mais barata que me empurraram na viagem. Segundo, porque diz uma lenda que esses fotógrafos de passeio fazem macumba com as fotos dos que não compram. Por cinco reais, melhor não arriscar.

E o vôo da TAM? Serviço de bordo é o famoso "Viaje conosco mas na volta não estamos nem aí". Na ida foi sanduíche de peito de perú defumado com requeijão, sucos de cinco variedades, refrigerantes e até cerveja e vodka. Na volta? Um saquinho de quinze gramas de amendoim torrado e suco de laranja sem gelo. Quinze gramas de amendoim não dava dez grãos. Não comi nem bebi com medo de fazer falta pra eles. E o Comandante Rolim dando voltas no caixão.

O vôo de volta era pra Congonhas. Mas como todos sabem, não há ralos na pista de Congonhas. Então chuvão caindo, vamos que vamos pra Guarulhos. E cadê a mala do tio Xavier na esteira? Tomou Doril. Por sorte a mala-clone esquecida na esteira estava com o nome de um passageiro que identifiquei a tempo de parar o busão da TAM que ia levar ele e o resto do povão pra Congonhas. E toca a mulher da TAM parar o busão com o Nextel, pro tio Xavier destrocar as malas. Aliás, mala é quem não olha a etiqueta quando retira a sua. Cacete, é para isso que os caras do check-in etiquetam tudo. Mobral nele! Mas essas coisas têm que acontecer sempre com o tio.

Segundona, cheguei no escritório e minha mesa de trabalho parecia protocolo de serviço público. Fora os e-mails malcriados de clientes. Aí eu queria sumir, mas não podia. Pensei em pedir as contas no RH. Cheguei a escrever a carta de demissão, mas lembrei em tempo hábil que sou dono da empresa. Que merda, alguém que me tire daqui por favor. Pára que eu quero descer.

Agora é quarta-feira, a pilha não diminuiu, os clientes malcriados não cessam de exigir meu sangue pelos míseros reais dos contratos de serviço e projetos, a grana tá curta, a conta de telefone atrasada, o aluguel do prédio vence amanhã.

Vão tudo à merda. Na falta de Passárgada e do LP do Roberto eu vou é pra Praia Grande, encher o saco do cunhado. Cunhado é melhor você encher o saco dele antes que ele venha encher o seu. Ainda mais se ele tiver apartamento no litoral. Fui.

Long Beach, pronta ou não aí vou eu. Com meu Motorádio® e minha bóia de câmara de ar.

sábado, 26 de maio de 2007

Uma verdade inconveniente

Ao contrário do que apregoam os defensores do sono profundo e da hibernação o Tio Xavier dorme um bocado mal nas noites frias. No quarto do tio não há aquecedor, nem ar-condicionado, nem nada capaz de manipular internamente o clima da choupana onde resido. Essa é pelo menos a auto-explicação que tento para compreender porque em uma manhã de sábado, quando não tenho nenhum compromisso social nem profissional, eu acordo às cinco da madruga e não consigo mais dormir. Foi o que ocorreu hoje.

Depois de infinitos trinta ou quarenta minutos a contar todo tipo de ovino que conheço desisti e desci à sala. Lembrei que eu tinha pego emprestada - daquela minha informante secreta que descobriu o papa no RS - uma cópia genérica de "Uma verdade inconveniente" . O documentário mostra Al Gore na sua melhor performance de ecologista. Para quem já se esqueceu Gore foi o candidato derrotado por Bush Jr. na penúltima eleição presidencial norte-americana. Aquela tal que deu o maior sururú, rendeu recontagem de votos, revisão judicial e uma polêmica mundial. Tudo porque o democrata Gore teve mais votos absolutos dos eleitores. Mas as regras de pleito dos gringos - que nunca entendi nem tenho vontade - fizeram o republicano Bush Jr. ocupar o posto. Bush Jr. como todos sabem é o presidente com QI mais baixo registrado dentre os presidentes estadunidenses desde que o teste existe.

Voltando a Al Gore e ao filme, o conteúdo é estarrecedor. Mas nada do qual não saibamos. Só que desta vez com fotos, animações, estatísticas, gráficos e um texto direto e reto. Tudo indica que estamos ferrados mesmo. O efeito estufa vai economizar anjos e pragas divinas, pois trará o Armagedon sem a menor chance de defesa, para quem quer que seja. Irão para o saco da História gregos, troianos, europeus e baianos. A casa caiu mesmo. Sabe aquelas fotinhos bonitas do planeta Terra, todo azul, límpido e fofo? Esqueça. O que está por vir de certo modo já está aqui por meio de catástrofes locais e progressivas. É uma seqüência de desgraças ambientais jamais vistas desde a estorinha do dilúvio de Noé.

Tudo agravado pelo modo como essa cambada de idiotas chamados seres humanos conduzem seu modo de vida na base do "fuck the rest". Resumindo, a poluição causada pela queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e a manipulação indiscriminada de rios. A camada atmosférica está grossa e densa de forma que já não é mais capaz de filtrar de volta para o cosmo o calor solar. Estamos dentro de uma gigantesca panela de pressão. Os números, gráficos e animações que o Gore mostra - ao menos para o tio que é leigo de tudo - são alarmantes. O que espanta não são os números em si, como o aumento da temperatura e diminuição das calotas polares, mas sim a progressão e aceleração com que isso ocorre. Manja quando colocamos uma pedra de gelo no sol? Ela leva determinado tempo para derreter até a metade, mas a segunda metade se vai muito mais rápido que a primeira.

Para encurtar este post, recomendo aos leitores deste pasquim que aluguem, peguem emprestado, comprem, furtem, peçam ao camelô, mas assistam ao documentário. O mínimo que garanto de (in)satisfação ao espectador é arrepender-se de ter procriado, caso já o tenha feito. E desistência caso o planeje. Dá vergonha de ver a merda de mundo que esta (in)civilização está deixando para trás. Daqui a 40 anos nossos filhos hão de nos rogar pragas até o inferno por não termos feito nada em tempo.

Tristeza garantida ou seu dinheiro de volta.

An Inconvenient Truth
100 minutos
EUA,
2006
Site Oficial: www.climatecrisis.net
Distribuição: Paramount Classics / UIP
Direção: Davis Guggenheim
Produção: Lawrence Bender, Scott Burns, Laurie Lennard e Scott Z. Burns
Música: Michael Brook e Melissa Etheridge
Edição: Jay Lash Cassidy e Dan Swietlik
Tristeza: todos os que assistirem

By Tio Xavier Productions

Quem nunca ouviu Don´t Stop Till Get Enough com Michael Jackson nem Boogie to The Bop com Mantus não há de entender essa mix maluca do tio. Mas nem é pra entender. É pra ouvir.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Esta espelunca ainda tem jeito

Cena adorável do cotidiano:

Uma amiga do tio, psicóloga e ex-gerente de Recursos Humanos de uma empresa vai ao Ibirapuera fazer o temido exame prático para habilitação do Detran. Trêmula e nervosa como todos ali ela encontra um jovem ex-funcionário da ACME* onde trabalhava:

- Ô dona Cinthia* a senhora por aqui? Vai prestar o exame também?
- Pois é Robertinho*. Está nervoso também?
- Pô se tô. Mas meu tio, irmão do meu pai, vai chegar daqui a pouco.
- Vai tirar CHN também?
- Nããããão - riu o jovem - ele é delegado. Ele vai acompanhar o exame - disse em tom de ironia - .
- Ah, entendi.

Translate: usando o velho e podre chavão "sabe com quem você está falando?" o tal delegado iria dar a famosa "carteirada" no examinador a fim de garantir a aprovação por premissa. Minutos mais tarde aparece o tal tiozão, de terno, gravata e carteira na mão. Depois de conversar rapidinho com o garoto, dirige-se a dois examinadores e tenta dar o recado. Visivelmente os dois ficam putos da vida e dizem meia-dúzia de desaforos ao tiozão enquanto gesticulam. Pelo desagrado com que o tiozão se distanciou deles, a conversa não fora muito amistosa, tampouco a carteirinha com brasão fez efeito. Por suposto, os dois rejeitaram a intimidação. Defecaram caminhando para o tio intrometido. O tio passou pelo sobrinho e disse que ia embora. A cara dele era mesmo de quem tinha dado com os burros n'água.

Não sabemos o desfecho exato do episódio, porque a Cinthia* foi embora antes de o jovem prestar o exame. Foi reprovada, pelo que me contou desapontada. É bem possível que o jovem tenha passado no exame porque, como bom filhinho de papai, já dirigia desde os doze ou quatorze anos. Mas se passou, foi na raça. Sem tio nem carteirinha.

Clap your hands, everybody para os examinadores.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Ainda bem que não foi contratada pelo Governo de SP

A espetacular obra abaixo liga a Suécia à Dinamarca. Diversas demandas foram consideradas para a engenharia dela, como o tráfego das embarcações e o custo da obra. O melhor resultado foi obtido com a configuração de um trecho de ponte sobre o mar e outro trecho em forma de túnel. Simplemente sensacional.

Já imaginou se os consórcios contratados pelo Governo de SP tivessem construído as pirâmides e a Esfinge?

Não dá para chamar esses caras para a obra do Metrô?

sábado, 5 de maio de 2007

Cenas do cotidiano em um orelhão

O dito, duplo por sinal, fica exatamente na frente da casa do tio, do outro lado da rua. Assim torna-se obrigatório ouvir certas cenas como a abaixo - verídica - que presenciei. Legenda óbvia: (...) = a pessoa do outro lado da linha falando. Eu daria um rim por um grampo telefônico numa hora dessas:

- ALÔ! EU QUERO FALAR COM A SUA FILHA! EU SEI QUE ELA TÁ AÍ E EXIJO!
- (...)
- O QUÊ VOCÊ PENSA QUE TÁ FAZENDO AÍ? A SUA CASA NÃO É AÍ, DESDE QUANDO VOCÊ CASOU COMIGO!
- (...)
- VOCÊ VAI VIR POR BEM OU VOU TER QUE IR AÍ?
- (...)
- COMO ASSIM? COM QUEM VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FALANDO? EU SOU SEU MARIDO, SE VOCÊ ESQUECEU!
RESPEITO É BOM, SUA ATREVIDA! EU TE CATO PELOS CABELOS AÍ NA CASA DO SEU PAI, SUA MOLECA! E SE ELE SE METER EU ARREBENTO A CARA DELE!
- (...) Ploft!
- Alô? Alô? Alô? Cláudia?

Cinco minutos depois:
- Alô, Cláudia?
- (...)
- Eu sei que estou nervoso. E não era para estar? Você não tinha que estar aí, meu bem.
- (...)
- Claro que sei o que fiz. Você acha que tenho amnésia? Mas você me ofendeu até eu não agüentar mais.
- (...)
- Olha, vou te dizer uma só coisa: ou você volta por bem, ou...
- (...) Ploft.
- Alô? Alô? Alô? Cláudia?

Mais cinco minutos:
- Cláudia? O que você está fazendo comigo, Cláudia? Eu estou arrasado (snif).
- (...)
- Tá bom, tá bom, eu peço desculpas (snif). Desculpa. Já to arrependido (snif).
- (...)
- Eu sei, mas você é a mulher da minha vida (snif snif).
- (...)
- Me perdoa, meu amor, eu juro (snif) que vou mudar (snif).
- (...)
- Você tá certa (snif), mas eu não consigo viver sem você (snif). Sem você eu vou morrer (snif).
- (...)
- Não faz isso comigo, Cláudia. Você me arrasa desse jeito e não quer que eu chore? Eu não tô nem aí pra o que os outros vão pensar (Buááááá).
- (...)
- Cláudia, você não tem o direito de me diminuir assim, Cláudia. Eu dei toda minha vida pra você (Buááááá). Não faz isso comigo, por favor, eu te peço (Buááááá).
- (...)
- Como assim outro? Outro quem, Cláudia? Há quanto tempo isso? Não, isso eu não vou suportar (Buááááá). Cláudia, eu vou me matar aqui no meio da rua e todos vão saber o porquê (Buááááá).
- (...)
- Você não acredita né Cláudia, mas você está me machucando. Eu não posso aceitar isso nunca (Buááááá). Prefiro mesmo morrer.

- (...) Ploft.
- Alô? Cláudia? Alô? - larga o telefone pendurado e desce a perpendicular em desabalada carreira - Buáááááá buáááááá buáááááá.

Isso para não contar as inúmeras histórias de mulheres ligando pro Norte e cobrando pensão de filho, dona-de-casa ligando sei-lá-pra-quem para esculhambar a vida alheia, moçoilas esteticamente desfavorecidas paquerando seus "rolos virtuais". Enfim um palco pra botar qualquer teatro de comédia no bolso.

Eu devo merecer um orelhão na porta de casa, não é mesmo?

And the Oscar® goes to

"Bruna Surfistinha conta sua história na telona
Depois do sucesso do blog e do livro, agora, a ex-garota de programa Raquel Pacheco, mais conhecida como Bruna Surfistinha, vai contar a história de sua vida nas telas do cinema. Karim Aïnouz, premiado diretor de 'O Céu de Suely' (2007) e 'Madame Satã' (2002), fará o argumento do filme em parceria com a escritora Antonia Pellegrino, que escreve o roteiro. O diretor, no entanto, é Marcelo Duarte, estreante em grandes produções. Ainda não foi decidido quem fará o papel principal.

O filme promete cenas de Surfistinha com homens, mulheres, homens e mulheres, homens e homens, mulheres e mulheres, etc.. Os produtores terão que se virar para adaptar a história, pois o longa não será pornô ou erótico e nem vai incentivar a prostituição. Ele irá focar no drama da garota, a ponto de poder ser visto por pessoas a partir de 16 anos. (...)

Raquel conta quinzenalmente, em entrevista ao diretor, detalhes de sua história como garota de programa de luxo. Duarte filma todas as reuniões, pois o material pode render um futuro documentário. As gravações estão marcadas para o segundo semestre deste ano e lançamento em 2008. A captação por meio de leis de incentivo foi aprovada em março de 2007 pela Agência Nacional de Cinema. (...)

Hoje, não se apresenta mais como Bruna Surfistinha, mas como Raquel Pacheco, ex-prostituta e fenômeno de vendas. Planeja abrir uma butique erótica misturando cafeteria e venda de cosméticos em Moema."

Fonte (uma das): Esta aqui.


Bem, well. A cultura brazuca, se é que um dia houve alguma, chegou ao fundo do poço. Nada contra a jovem garota. Que dê, venda, ceda a título precário - oneroso ou não - o que quiser e a quem achar por bem, desde que seja dela. Eu dispenso de qualquer modo. Mas analise com o tio:

O pseudo-livro O Doce Veneno do Escorpião é uma grande bosta. Linguagem chinfrim e tôsca. Conteúdo zero. Um claro embuste para ganhar dinheiro, às custas de seres incautos, incultos e ávidos pela vida alheia. Sei do que falo porque tive acesso "privilegiado" à uma versão eletrônica - pirata, admito - . Mas é tão ruim que me arrependo dos preciosos minutos que despendi para baixá-lo, descompactá-lo e depois excluir do meu HD. A historieta de uma criatura cujas habilidades se resumiam na capacidade de receber dentro de si genitálias masculinas, os detalhes anatômicos das mesmas e como fazia as proezas, não tem nada engrandecedor. Veja bem que não estamos falando de Madame Bovary de Flaubert, que ao menos tem uma linguagem muito mais elaborada e centra-se no drama de uma mulher insatisfeita com sua enfastiante vida conjugal. Mas fazer o quê? Lembre-se que vivemos em um país onde Paulo Coelho é best seller e nos representa em feiras internacionais.

A garota não tem nenhum atributo estético que a faça mais desejável que a ex-faxineira do meu escritório - esta sim uma moça bonita - . Tive a oportunidade de assistir a alguns vídeos "picantes" da surfista de alcova. Além de os seus traços fisionômicos não representarem nada digno de admiração o seu corpinho roliço passa a anos-luz do que se poderia chamar de mulher gostosa. No boteco do Carlão ela seria classificada no máximo como "baranguinha comível".

Agora o que é mais digno de espanto é uma porcaria dessa gênese obter aval do Governo para captação de recursos mediante leis de incentivo. Para quem não entendeu: a Agência Nacional de Cinema - antiga Embrafilme - e o Ministério da Cultura possibilitarão que empresas deduzam valores do imposto a pagar doando dinheiro para a produção desse lixo. Sensacional. É a literal distribuição de verba pública para a baixaria cultural. Juram que o senhor Gilberto Passos Gil Moreira assinou uma coisa dessas? Por favor, me digam que não.

Jeanny Mary Corner para ministra da cultura já!