quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Como melhorar a umidade do seu ambiente

A umidade relativa do ar está em percentuais alarmantemente baixos. A CETESB anda falando em 11% aqui em Sampa, o que é absurdo e tem conseqüências respiratórias funestas. O tio mesmo andava mal, com uma tosse chatérrima aos finais de tarde. Fora os lindos olhos azuis-esverdeados do tio, que lacrimejavam como cachoeiras ao simples ler de uma página escrita.

Mas meus problemas acabaram-se. Após exaustivos estudos técnicos e uma extensa pesquisa científica, na última segunda-feira cheguei ao protótipo final de um experimento revolucionário e de baixíssimo custo, que modificará para sempre a qualidade do ar no cubículo 2m x 1,5m que abriga a multinacional do tio. Faça você mesmo.

Lista de materiais:

1 botija cerâmica, dessas que o povo do interior ainda usa para armazenar água. Você há de achá-la por vinte reais em qualquer casa de quinquilharias. Se é que não tenha uma no seu sótão ou na casa da sua avó para você afanar.

1 aquecedor elétrico para aquários (recomendável de 10W). Encontrável em qualquer petshop por menos de dez reais.

Modo de fazer:

Siga estreita e minuciosamente esses procedimentos, sob pena de o artefato não funcionar e você continuar com seus problemas respiratórios. WMO*, de Goiânia, não o fez corretamente e foi acometido de gravíssimos problemas pulmonares, tendo ido à óbito na semana retrasada. MMS* de Belo Horizonte, cometeu alguns erros e a sogra dela veio morar definitivamente em sua casa. Por isso avalie cada passo dessas complicadas instruções.

1) Encha a botija com água até o gargalo.

2) Coloque a botija em um canto, o mais próximo possível de uma tomada elétrica.

3) Insira com cuidado o aquecedor dentro do recipiente, deixando chegar até o fundo e obviamente o fio elétrico para fora.

4) Verifique a voltagem do aquecedor e da tomada em questão; só ligue se forem compatíveis.

5) Após ligar, feche as janelas e portas do recinto, para que ocorra uma primeira umidificação no ambiente. Uma boa idéia é fazer isso à noite.

6) Esse processo inicial pode durar umas oito horas e depois disso você já notará a diferença na qualidade do ar. Já poderá abrir a janela normalmente.

7) Procure não deixar a porta e a janela abertas simultaneamente pois a ventilação poderá drenar a umidade criada com tanto trabalho. Ou um ou outro.

8) Verifique com freqüência o nível da botija e mantenha-a cheia até o máximo possível. Evite que a água desça até o nível do aquecedor, pois este poderá se danificar irremediavelmente.

Ps.: Deixe o recipiente sempre destampado. Senão como o vapor há de sair de lá de dentro? Dãããããã.

Registros técnicos:

A evaporação, para a relação 10W de aquecimento x 1,5 litros de água é de aproximadamente 200ml por dia, segundo apontamentos do tio. Ou seja, você terá que repor um copo de água por dia, para manter a botija cheia. Se me lembro um pouco das aulas de Física do ginásio, o volume gerado calcula-se: 0,200 x 10³ = 200 m³ de vapor. Não sei o que significa isso em percentual de umidade aqui no cubículo, mas o ar está deveras agradável graças também à porta ser mantida fechada.

Até então, torço para que o fumante da sala da frente mude-se em breve para o Haiti ou Soweto, ou mesmo faleça de asfixia nas próximas semanas.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Leiden: você ainda não conhece?

Na faixa litorânea da Holanda, com Amsterdã ao norte e Roterdã ao sul, existe um pequeno pedaço de céu na terra, incrivelmente sob tutela do que chamam de civilização humana. Trata-se de Leiden, uma pequena localidade onde mora uma amiga virtual do tio.

Els Vink é uma vovozinha agora com seus sessenta e cinco anos. O tio conheceu há uns três anos, em um dia de ócio, usando o compartilhador de músicas online. Na época era o WinMx, que consta estar extinto. Veja só as inusitadas oportunidades que a internet nos propicia. Ao detectar um usuário "puxando" uma música dentre as compartilhadas do tio, iniciou-se um bate-papo despretensioso, com ambos querendo saber quem está do outro lado do universo cibernético. Demorados alguns minutos, dado domínio escasso do idioma inglês de ambos, conseguimos nos identificar. Do lado de cá, o tio. Lá na Holanda, em uma casa linda, florida e sutil em cada detalhe de arrumação e zelo, estava a senhora Els, que vagava na internet após o almoço. Tocamos os msn´s e passamos a nos comunicar com certa freqüência.

Dessa troca de músicas - sinceramente as músicas holandesas me parecem estranhas - e de conversas à toa pelo Msn, surgiu uma interessante amizade virtual. A tia de lá mora com o marido aposentado e tem uma vidinha hiperpacata. Digna de inveja por nós, que vivemos em meio à violência, à custa do estresse, das horas pouco e mal dormidas e dos inúmeros sacrifícios que fazemos em busca de um lugar ao sol. Sol este que bate durante o dia todo, durante a primavera e o verão na casa de Els. Aí está um dos tantos lados bons da internet: acrescentei uns pontos a mais nos meus miseráveis conhecimentos de Geografia e a tia Els aprendeu que na MPB tem muito mais do que "The girl of Ipanema", até então a única canção brasileira da qual ela me disse ter ouvido falar. Se querem saber, depois da amizade com o tio até Ed Mota e Jorge Benjor a tia Els está curtindo.

Finalmente conheça um pouco desse pedaço do Éden encravado na Holanda. Veja essas fotos que tia Els me enviou no fim-de-semana. E faço um desafio: ache uma garrafa pet boiando no riacho, uma lata de cerveja no chão, uma sacola de supermercado ao vento ou mesmo o carro de um idiota, com porta-malas aberto tocando funk no último volume. Quem achar ganha um vale-brinde.

Leiden - Holland

Ps.: A tia Els podia me adotar. Vou checar essa possibilidade.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Independence day

Um sábio professor do tio disse uma coisa que, se na ocasião deixou-me incomodado, hoje se me ressente como uma facada de verdade no fígado. Ele disse que uma das razões de o Brasil ser esta mesmice burra é o fato de o processo de descolonização de Portugal ter sido feito sem uma gota de sangue. Fato é que, dentro da sua perspectiva extrativista e predadora, Portugal já havia praticamente esgotado seu divertimento aqui em Pindorama, quando ocorreu a tal "independência" (aspas propositais).

O que foi a proclamação da independência senão uma reunião de barões burocratas, com um jovem fidalgo nada chegado às obrigações da realeza? Jovem esse - vale dizer - muito mais chegado aos tragos nas bodegas e aos agrados das senhoritas gentis, do que aos deveres de um dirigente político. Não houve mais nada, senhores. O pomposo afresco de Pedro Américo que ilustra o seu xará no alto de um morro, erguendo a espada e cercado de cavaleiros autonomistas, nada tem a ver com o conchavão de elite que afastou a família real do Brasil. A verdade é que os portugas da corôa lusa jamais gostaram desta terra selvagem, quente e povoada por silvícolas peladões. É de se concluir facilmente que, dentre os nobres que para cá vinham, a maioria tenha sido composta de estafetas reais falidos, endividados e desapropriados de suas moradias, cujos destinos e cargos destinados se originavam de castigo real. É mais ou menos como hoje ser nomeado para um posto de secretário adjunto de assuntos diplomáticos no Acre, para ganhar mil reais e trabalhar na divisa com a Bolívia, sem ar-condicionado, sem parabólica, sem internet e sem repelente de mosquitos.

Por isso entre as histórias bizarras que se contam dos nobres portugas acá aportados, sobram narrativas de mulheres de muitos homens, fidalgos efeminados e gente com pouca sanidade ou nenhuma clareza intelectual. Se houve um retrato realista desse período, terá sido sim o pintado por Walcyr Carrasco na novela Xica da Silva. Condes falidos, condessas endividadas e libidinosas e capatazes do terceiro escalão, que vinham fazer pavão aqui desfilando de liteira. Alguns até arrecadavam fundos para supostas obras de caridade, que na verdade tinham por únicos beneficiários a si próprios. Mais real do que Walcyr Carrasco, só mesmo o rei.

Mas voltando à independência do Brasil, enquanto se ressalta a maravilha de o brasileiro ser um povo pacífico, do bem e que não aprecia contendas, eu lamento exatamente pelas mesmas características. Posso traduzir pacífico como acomodado e do bem como vassalo. Aqui as divindades do Olimpo são bem diferentes das imaginadas pelos gregos. Passividade é filha de Comodismo, Pacifismo casado com a Preguiça e Benevolência irmã de Desestima. Tudo é bem-vindo, tudo está bom, tudo fica bem. As poucas histórias de bravura que aqui ocorreram, se não foram deveras provincianas como Canudos ou específicas demais como as greves no ABC paulista, foram atos impetuosos de indivíduos que raramente conseguiram arrastar massas. Ou de mártires que se negaram ao confronto e foram assassinados covardemente. As massas preferem mesmo os botecos, onde enchem a cara ou as igrejas onde clamam para que Deus dê hoje o pedaço de pão com bromato e o leite tipo C que lhes cabe. Muito pouco para um país tão grande, tão rico em natureza, tão fértil e tão abençoado em sua geografia exuberante. Penso que esta beleza toda da Terra Brasilis seja mais digna de um povo mais ativo, mais convicto e mais impetuoso do que os acomodados brazucas. Quem sabe os muçulmanos do Oriente Médio ou os vietinamitas?

sábado, 1 de setembro de 2007

Profissões em extinção

Há um tempo atrás eu bloguei sobre o Dimas, a quem considero um personagem interessante, do mundo dos técnicos em aparelhos eletrônicos. Você que não leu ou não lembra, clique aqui antes de ler o restante deste tópico. (Pausa...) Já leu? Então vamos em frente.

Há três ou quatro semanas entreguei aos cuidados do Dimas um aparelho de som. Trata-se de um quatro-em-um da Philips, modelo AS465, bem antigo mesmo. Deve ter uns quinze anos de concepção. O AS465 já é contemporâneo do CD e possui uma unidade para tal, só que também preserva duas funcionalidades que me inclinaram a comprá-lo há uns onze anos: o sonoro possui um toca-discos e dois tape-decks.

Aos leitores mais jovens explico que toca-discos é um aparato capaz de ler discos de vinil de cinco ou doze polegadas de diâmetro, cuja música vem gravada em sulcos espirais. O disco de vinil é análogo ao CD, só que é antepassado dele e usa uma agulha de leitura, ao invés de feixe de laser. Sem saudosismo, há características de fidelidade e amplitude na reprodução sonora do vinil, que até agora não foram conseguidas pelos seus sucessores digitais. Mas isso é uma longa discussão. A respeito dos tape-decks não me alongarei, até porque nunca achei aquilo fantástico em qualidade. Meu AS465 é cuidadosamente preservado e reparado, quando necessário, sobretudo porque eu o uso como tocador quando vou digitalizar gravações analógicas.

Voltando ao Dimas, eu havia pedido que ele trocasse a cápsula do toca-discos, que era meio chinfrim, por uma magnética, que eu mesmo forneci. Dimas, já cansado e sem a destreza dos tempos passados, atualmente costuma demorar muitos dias para fazer certas coisas, que antes fazia de um dia para outro. Mas esse não é de longe seu maior problema hoje. Eu havia pedido também que comprasse uma agulha diamantada decente para instalar na cápsula. E quem disse que ele conseguiu achar a dita? De jeito algum. Quando eu fui buscar o aparelho, ele todo sem jeito pediu-me desculpas pelo insucesso parcial, avisando que não iria cobrar o serviço. Declinei à oferta dele de não cobrar e no fim ele aceitou receber ao menos a metade do valor. Visivelmente chateado, mostrou-me uma pilha enorme de aparelhos que incluíam televisores, CD players, rádios e outros tantos, todos nem tão antigos. De cada um ele sabe o defeito exato e o componente que é necessário trocar. Mas não consegue concluir seus feitos, porque o mercado não tem mais peças. Trabalho perdido, pois ele não se permite cobrar serviços incompletos. Nem mesmo a tal "taxa de orçamento", que alguns praticam no mercado. Ele acha que é desonestidade.

O fato é que Dimas dá mostras de que as suas dificuldades financeiras se avolumam, proporcionais à pilha de serviços não concluídos por inexistência de peças. Implacável, o aluguel da garagem que ocupa não leva isso em conta e idem com a necessidade de alimentar a si e à mulher. Segundo me disse, ele pressente que está na hora de encerrar a carreira. E sabe-se lá viver do quê. Dimas é dos últimos de uma competente geração de profissionais. Mas a idade avançada, a saúde não tão viçosa e algumas manobras não feitas no passado o impediram de reinventar sua profissão. Isso mesmo: reinventar-se é necessário. A Natureza nos ensina isso com a adaptação as espécies. Pobres de nós quando não o conseguimos. Pobre Dimas, que não adaptou sua profissão aos novos tempos. Torço por ele para que ainda tenha forças para tentar e consiga. E para que não tarde a fazê-lo.

E você, já reinventou sua profissão hoje? Fique esperto.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Dia de faxina

A questão de qual é o melhor dia para faxina no barraco do tio já rendeu discussões dignas de um concílio romano. Divergências de percepção. Penso que, já que mal ficamos em casa nos dias úteis, a faxina devesse ser feita na segunda-feira garantindo uma casa arrumada e limpa por toda a semana. A darling acha que quanto mais próximo do fim-de-semana melhor. Controvérsias à parte, minha bronca é que sábados e domingos são os dias de maior uso da casa, recepção de visitas, etc., de forma que o resultado da faxina mal dura o fim-de-semana. E somos obrigado a dar retoques. Mas o celeuma doméstico já me dura dez anos e não me custa tentar mais dez. Hei de vencer.

O que me surpreende mesmo - acho até que já falei disso aqui - é o constante absenteísmo das faxineiras. Lembremos que a maioria delas é diarista e autônoma. Então a relação é muito simples: não trabalhou não recebe. Mesmo assim hoje, por exemplo, o tio recebeu um telefonema e ouviu da dita-cuja algo como: "óia, hoje eu num vô pudê í, purque morreu o Josvaldilço, que é primo-irmão do meu marido e nóis vamu nu velóriu". Duas semanas atrás morreu a Wandysneide, filha do ex-padrasto da cunhada da prima. Da outra vez foi a Diocrezilda, que era comadre da irmã dela. Nesses WO´s que ela dá o nosso inconveniente é que na véspera da esperada limpeza semanal, lhe deixamos comida extra na geladeira, guardamos todas as peças de roupa espalhadas, batemos roupa na máquina pra passar, usamos a secadora pra acelerar o processo. Tudo isso para nada. Nem ela pra limpar, nem a irmã dela que passa nossas roupas comparece.

Andei fazendo estatísticas desses falecimentos em massa e concluí que nada explica o crescimento populacional da categoria diarista e dos seus pares (os pedreiros, alétissistas e encanadores). Só mesmo a altíssima taxa de natalidade. Fiz uma lista dos falecidos dela do ano passado até a metade deste. Concluí que ela, o marido e os filhos, estão praticamente órfãos de qualquer tipo de parente. Todos morrem em série a cada semana. No quintal onde ela mora, que outrora reunia dez moradias com irmãos, irmãs, seus cônjuges e filhos, podem ser vistas bolas de feno rolando e janelas batendo sempre que venta. Uma verdadeira cidade fantasma de faroeste.

Quero ir para um hotel fazenda. Mas que aceite cheque pré.

Momento junk food

Porta de faculdade é um paraíso da informalidade e da livre-iniciativa do setor alimentício. Onde estou estudando, quando se chega a uma quadra e meia de distância, tem-se a sensação de andar por uma feira em Xangai ou na Chinatown do filme Blade Runner. Só que sem o charme hollywoodiano e no lugar dos neons há lampiões de gás e lâmpadas incandescentes. Tá bom e eu não sou nenhum Harrison Ford. São carrinhos, barracas, vans, carros de passeio com porta-malas adaptados, tudo dando mostras de criatividade sem-limite, quando o assunto é obter um sustento honesto, de carona na fome dos estudantes.

As opções gastronômicas são inúmeras. Vão dos tradicionais sanduíches, passando por pastéis, mini-pizzas, tapiocas e chega até a pratos elaborados como yakissoba e macarronada tradicional. Tudo pode ser levado para viagem ou ser consumido no local, seja em pé, seja nos banquinhos plásticos que abarrotam as calçadas. Essa balbúrdia toda não me parece algo ruim por si só, pois na minha passagem anterior pela mesma faculdade há uns oito ou nove anos, não havia quase nada disponível para interromper o ronco do estômago. Só uns poucos pioneiros dos quais enjoávamos na terceira semana de aula.

Hoje como a oferta é abundante em quantidade e diversidade, os empreendedores dos mata-fome curvam-se às leis do mercado e procuram diferenciais para atrair e fidelizar a clientela rotativa. Aí é que a coisa começa ficar apavorante. Ontem parei em um dos pontos de venda e vi que se tratava de um comerciante de cachorro-quente. Li um cartaz que era um cardápio-tabela e não acreditei. Jamais imaginei ser possível fazer vinte e duas variações de um simples pão com salsicha. Você não tem idéia da diversidade: com uma ou duas salsichas e com molho ou sem molho eram os triviais. Mas as combinações possíveis incluíam até quatro-queijos, adição de "calabresa processada" (tenho medo de imaginar o que significa) e saladas das mais diversas, além dos diferentes tipos de pães. Enfastiado pela múltipla escolha decidi pedir um simples, tradicional e objetivo cheeseburguer. Um hambúrguer com queijo, no meio de um pãozinho e nada mais. De preferência pão francês porque esses pães industrializados esfarelentos não me atraem. Simples, certo? Não lá.

- Certo tio, um xisburgui. Ou superdoguiburgui?

- Super o quê?

- É uma novidade da casa (sic). Um rotidógui com tudo que tem direito e no meio ainda vai um hambugui picadinho espalhado. No capricho tio.

Faço um esforço pra disfarçar a náusea e reforço o pedido:

- Por favor. Um cheeseburguer o mais simples possível no pão francês.

Enquanto o cara fritava o meu hambúrguer eu tentava esquecer a gororoba ofertada por ele. Um hambúrguer estraçalhado no meio de um pão com salsicha, coberto por outros cento e trinta ingredientes definitivamente não me parece algo apetecedor.

Algo está me dizendo para eu trazer uma marmitinha extra de casa e jantar no escritório antes de ir pra aula.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

O Ministério da Saúde adverte

Cerca de um ano atrás, na sala da frente de minha choupana comercial, ocorreu um fato pra lá de bizarro. Eu estava de porta fechada e trabalhando quietinho, quando ouvi uma intensa discussão que vinha da sala da frente. Pelas vozes, tratava-se de um certo ser que é senhorio deste inquilino, juntamente com o advogado que ocupa a outra sala. Depois de um certo desenrolar, adicionou-se ao furdunço o pai do tal proprietário. A discussão, que já começara pesada se incendiou graças ao teor etílico em que o ator principal se encontrava.

Tudo me faz crer que no início se tratavam de negócios mal resolvidos. Ambos os debatedores são advogados e têm uma estranha sociedade que nunca entendi muito bem, nem me interesso em tal. O cachaçado-mór goza de meros quarenta e dois anos de vida. Já o segundo se me parece estar na casa dos sessenta ou bem próximo. Só que afetado também pelos vícios é o que chamaríamos de "sessenta com carinha de noventa".

Logo após o princípio da discussão, comecei a ouvir barulho de móveis sendo quebrados, estante de livros indo para o chão, monitor de computador se espatifando e coisinhas básicas assim, enquanto o protagonista do quebra-quebra grunhia têrmos ininteligíveis em tom de ofensa. Em seguida chega o terceiro personagem, este com seus setenta e três anos. Pelo tom de voz e poucas coisas compreensíveis no meio da gritaria, o velho parecia tentar demover o filho de agredir o outro advogado. E em algum momento percebi que o pacificador estava se convertendo na segunda vítima, ou prestes a tornar-se. Aí não deu mais para continuar a fingir-me de surdo. O imperativo ético tomou conta de mim. Levantei-me e corri até o cenário do pampeiro.

Mal abri a porta do recinto e vi que já se parecia com escombros do Iraque, e por pouco não conseguia reter uma cadeira que seria atirada nos dois corôas. O mais velho tentava ser escudo-vivo de modo que viraria alvo do objeto. Mas interrompi a empreitada antes de a cadeira ser levantada o suficiente. Puxada a cadeira, o agressor também foi ao chão, tal era o teôr alcoólico. Tentou uma segunda vez, ao mesmo tempo em que fazia menção de me afastar da cena, dizendo ainda que eu não tinha nada com aquilo e blá, blá, blás com a língua enrolada pela bebida.

Diante do absurdo disparate de um cara de quarenta anos prestes a agredir o próprio pai e outro idoso, falei com voz firme e em tom baixo que na minha presença aquilo não havia de se concretizar. O bebum insistiu para que eu me afastasse e ouviu de mim que não agredisse o próprio pai e que antes de machucar dois idosos teria que me enfrentar.

A presepada não durou pouco. Mas finalmente ainda estonteado o dito-cujo desceu as escadas vomitando impropérios indecifráveis - talvez até contra mim - mas se mandou. Dos sobreviventes, mandei o mais velho pra casa e o menos velho aproveitar o vácuo pra tirar uns dias de folga.

Só dei de cara com o pinguço quebrador de móveis dias depois. Cumprimentei-o e ele retribuiu, agindo como se nada tivesse acontecido. Agora o que não consigo entender é o pai do sujeito. O tiozinho nunca mais falou comigo. Não que eu queira agradecimentos, jamais. Fi-lo apenas pela minha consciência. Mas daí a ele me encontrar na rua e fingir que não me viu, sinceramente é um mistério.

Coisas dos seres humanos. Não sei como fui consentir me reencarnar nessa espécie maluca. Quero voltar pro meu planeta de origem.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Agradeço a Santo Expedito

Resolvi retomar um antigo projeto pessoal. Somei com uma chance de ouro que pintou e voltei à faculdade. Desta vez, dane-se concluir a Administração. Só ia me servir pra botar no currículo e pedir emprego para algum crápula capitalista que me usurparia a mais-valia. Isso faço eu. Vão à merda. Já descobri formas de ganhar dinheiro honesto e legal, sem ter chefe. E não pretendo retroceder.

Como se trata de uma segunda carreira optei por Pedagogia. As questões do Ensino e da Educação me atraem de longa data. Isso foi reforçado por um trabalho de educação de jovens e adultos onde eu estive voluntariando como instrutor de Informática. Não tenho ao certo onde essa formação me conduzirá, mas como não estou na dependência dela, isso não está em minhas preocupações. Só farei de tudo para que não me leve a uma sala-de-aula, mal remunerado diante de filhos alheios mal-educados. Enfim, serei um Pedagogo e, como eu já disse, é algo pessoal. Mas não é esse o ponto da discussão. Tenho planos nisso tudo, mas não são da vossa conta.

Ontem, primeira noite de aula, entrei discreto e silencioso na sala, mais preocupado em demarcar meu assento do que qualquer outra coisa. Sentei-me e abri um livro que estou lendo, sem tomar o menor conhecimento do ruidoso entôrno. Foi quando me apareceu uma jovenzinha muito da graciosa e, digamos assim, de compleição física bastante saudável e agradável aos olhos masculinos, se é que me entendem. Pára diante de mim, junto com uma outra, com traços e porte diferentes, mas igualmente bonita:

- Você é o tio Xavier?

- Sou, mas como você sabe?

- Somos do comitê de boas-vindas.

- Uau, e agora tem isso por aqui? Mas primeiro você me conta como sabe que eu sou o tio?

- Como?

As duas riem que só elas. E a segunda moçoila continua:

- Bem-vindo ao seu harém, tio!

- Harém? Como assim?

- Ué, você é o único homem da sala. Só tem você pra toda essa mulherada - e segue um aplauso da turma que deve ter sido ensaiado - .

Fiquei vermelho, verde, roxo e cor-de-abóbora. Mas não perdi a estribeira:

- Puxa vida, eu não sabia. Então ele existe.

- Ele quem?

- Deus. E eu não sabia que ele gostava tanto de mim.

Seguiram-se mais risadas femininas em profusão.

Enfim, lá estou eu. São setenta e uma mulheres e o tio. Por um momento posso me sentir o mais sexy, o mais atraente, o mais bonito e mais cobiçável tio da sala. Começo a ver os monopólios com outros olhos.

Agradeço a Santo Expedito pela graça alcançada. Hei de passar os meus três melhores anos de estudo na vida. Aliás, com licença que preciso fechar o escritório e ir para a facu.

domingo, 12 de agosto de 2007

Filhão

Dia dos pais e recebo telefonema de um dos meus filhos, que mora em outro município. Garoto, com doze anos, durante um longo papo me conta as novidades e coisinhas do cotidiano. Entre uma e outra eu aproveito pra exortar o menino sobre coisas que eu acho que lhe ajudarão no futuro:

- Então filho, aproveita e estuda bastante, viu?

- Eu tô estudando sim, pai.

- Que bom, filho. Mas sabe o que mais você pode fazer?

- O quê?

- Você pode ajudar os colegas com dificuldades. E cada vez que você ajuda um colega, você na verdade está aprendendo mais ainda.

- Ah, mas isso eu já faço pai.

- Que legal, filhão. E como tá sendo?

- Tô ganhando uma grana.

- Grana? Como assim?

- É pai. Já tenho dois clientes.

- Clientes?

- É pai. Olha só: eu ajudo eles. Mas eu cobro, manja? É tipo um negócio, que eu montei lá na escola.

- Claro que entendi. Que meninão inteligente você é, filhote. Bela idéia.

Esse faz juz ao sobrenome.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Elton John defende o fim da internet

Em entrevista ao tablóide londrino The Sun, o cantor inglês Elton Pretensioso John pediu o fechamento da internet, pois a rede estaria acabando com a indústria musical. Notícia original AQUI.

Não obstante o tiozão ainda conclama: "Saiamos às ruas, marchemos e façamos protestos, em vez de nos sentarmos em casa e entrarmos em blogs".

O último disco do músico, The Captain & The Kid, vendeu apenas 100 mil cópias. O músico culpa os downloads pelo mico comercial. Entenda que - na insuspeita opinião dele - não é porque as músicas dele estão um pé-no-saco, mas sim por culpa da internet. Do alto de sua modéstia, ele deve imaginar que outros quinze milhões de cópias foram baixados pela galera na internet. Só que eu mesmo não conheço ninguém que tenha baixado o álbum do chatonildo. Aliás, nem sabia que tinha álbum recente dele.

Então, caro amigo, você viu o que Sir John disse: feche agora esta janela e vá às ruas pedir o fim da internet. Ouvi dizer inclusive que ele contratou o João Dória prá organizar a passeata.

Tu já foi bem melhor, hein merrmão?

Azelite Inresponçáviu

Vejam que lindo. Essa é a gentalha rica em grana, pobre de espírito e paupérrima de respeito. Talvez seja a mesma que paga o João Dória para organizar passeatas ridículas no estilo "Basta", "Cansay", desfiles de cachorrinhos e coisas assim.

Este primeiro vídeo mostra o senhorito José Bonifácio de Oliveira (Boninho) divertindo-se a jogar ovos nos carros e transeuntes da avenida abaixo de sua suntuosa sacada.



Neste outro tem uma seqüência inqualificável. Primeiro a çossialáiti Narciza Vagabundeguy se orgulha dos feitos. É bem provável que esteja sob efeito das drogas que consome, importadas dos morros cheios da gentalha fedida e bandida, como ela deve pensar. Depois o Bruno Bichateaubriôco, declara ter jogado uma garrafa vazia e uma vassoura. Vai saber o que ele teria feito com ambos antes de jogar. O avô - paraibano e comedor - deve dar saltos mortais no caixão, por razões diversas. No elenco também Luíza Jobim e João Eduardo Brizola. Vejam vocês mesmos.



Sou mais a educação dos cinco filhos do vigilante da minha rua. Exemplares, por sinal.

sábado, 4 de agosto de 2007

Ófissina braziu

Essa eu não perdôo. Primeiro já explico de quem estou falando: as lojas da Oficina Brasil são umas que geralmente ficam em anexos nos estacionamentos do Carrefour e Extra. São reparadores de suspensão, alinhamento e balanceamento de veículos. Costumam se situar nesses supermercados mantendo convênio com os mesmos. Quando o cliente compra alguma peça no supermercado, principalmente pneus, ganha di grátis o alinhamento de direção e balanceamento das rodas. Excelente, a não ser pela postura desonesta de alguns, como da loja que fica no Carrefour da Vila Maria em Sampa. Mais pilantras hão de nascer.

O tio foi no dito supermercado e comprou uns pneus. E lá estava o cartaz enorme: "Compre pneus aqui e ganhe a montagem, o alinhamento e o balanceamento". Opa - pensei eu - boa porque os pneus Zimbutzkatz* estão em oferta. E economizarei uma graninha por conta dos serviços. Certo? Errado. Olhe bem o que ocorre quando se chega a loja e fique esperto.

Depois de o tio cliente decidir qual pneu ia pro estepe, que os novos iam na dianteira e tal, os caras foram lá pra montar os pneus nas rodas. Aí um gaiato chama o tio do lado do carro, ainda suspenso no elevador, e balança a roda da frente com a mão:

- Ó tio, tá vendo aqui?

- Hum.

- Então, quando a gente dá uma forçada, vê aí que o amortecedor e a mola se mexem.

- Tá.

- Cê viu, né?

- Vi.

Aí o caboclo vai lá pra montagem, chama o gerente da loja coçam a cabeça, anotam aqui e acolá. Um vai até o carro e volta pra rodinha de especialistas. Desta vez é o gerente da loja que vem até a mim:

- Então tio, o cara mostrou lá como tá a frente né? - e nem me deixa responder sacando um imenso orçamento - Amortecedor, mola, bucha, mancal, arruela, rebimboca*, parafuseta*, grampola* - a lista parecia sem fim - fica tudo em quatrocentos e tantos reais. Beleza?

- Beleza o quê?

- Pode fazer?

- Não.

- A gente parcela pro sinhô.

- Obrigado. Se precisasse eu teria dinheiro pra pagar à vista.

- À vista a gente dá um descontinho. Claro.

- Olha aqui mizinfio. Todo esse conjunto que você condenou tem pouco mais de três meses de uso. Todos originais e com garantia. Comprei com nota fiscal, em uma loja que tem mais de trinta anos. As peças foram trocadas na oficina do meu tio, que trabalhou em três montadoras. Então vamos ser práticos. Se é que tivesse algo a trocar, tudo estaria na garantia. Mas por ora acho melhor você providenciar a montagem e o alinhamento da direção.

- Mas não compensa fazer o alinhamento assim. Tá tudo desregulado. Se quiser a gente até alinha, mas vai descompensar tudo depois. Seus pneus vão comer torto, as borrachas vão rachar, etc., etc., e tal - ele só faltou falar que um vírus desconhecido até pela McAfee e a Microsoft iria infectar a central de comando do carro, meu rádio ia travar tocando axé no último volume e a buzina ia tocar la cucaracha sempre que eu passasse na frente de um hospital - .

Os pilantras montaram rapidinho e desceram o carro. Disseram que eu tinha trinta dias para voltar e fazer o alinhamento, assim que eu resolvesse os mil e quatrocentos problemas da suspensão dianteira.

Puto da vida com a cara de pau dos picaretas, disse que voltaria depois pra fazer o alinhamento e me mandei. Hoje cedo parei em um prestador do bairro onde o tio mora e o cara fez todo o serviço de regulagem: alinhamento, balanceamento, cambagem e cáster (correção do adiantamento de uma roda em relação à outra). Por quanto? Quanto? Quarenta reais. O carro tá redondinho e já dei um pinote com ele na expressa perto de casa. Resultado: solto as mãos do volante e zero de desvio e zero de trepidação.

Sabe quando que esses merdas dessa ófissina braziu vão botar as patas sujas na suspensão do carro do tio? Llamás. Safados.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Gosta quem quer

Vários amigos vivem a me enviar textos - autênticos e apócrifos - do Arnaldo Jabor. Se isso significar alguma indignação social da parte deles, acho até saudável. Eu também sou indignado, só que sempre procuro fazer algo para mudar o universo à minha volta. E não preciso dos textos negativistas do Jabor para isso. Muito pelo contrário. O Jabor é um chato de galocha. Deve passar o dia tentando explicar para si a razão preferir ficar aqui resmungando a ir morar no Canadá, na Europa ou em alguma ilha paradisíaca, se é que tem cacife para isso.

Gostaria mesmo de ver o Jabor usar a inteligência com propósitos mais positivos. Quem sabe em ação concreta em prol de alguma coisa boa. Esbravejar no ar-condicionado, em uma poltrona confortável e diante de câmeras é deveras cômodo. Oxalá um dia ouçamos dele alguma dica positiva. Coisa difícil para um cara negativo, que nada acrescenta ao xingar a tudo a torto e a direito, por mais razão que alguma vez ele venha a ter. Só que se xingamentos resultassem em algo positivo, estádios de futebol seriam paraísos. Pela postura confortável de indignadinho de estúdio, ele não passa mesmo é de um personagem caricato-carrancudo, que ganha uma boa-grana pra fazer a única coisa que sabe: ralhar. Sorte dele que há quem o compre.

Jabor sofre, e ao mesmo tempo é propagandista, do que Nelson Rodrigues chamou de "complexo de vira-latas". Ele acredita que o Brasil é o cocô do cavalo do bandido. E o povo brasileiro - sem ressalvas - é a larva do mosquito que nela pousa. No furor de sua verborragia negativa, Jabor talvez seja confundido com toda a merda que enxerga diante de si. Quem sabe uma larva de casta melhor, mais bem-remunerada e que conquistou um lugar privilegiado na imensa massa de cocô. Mesmo assim, uma larva no cocô e que se alimenta de parte do cocô. Nossa felicidade é que a lata de lixo da História está repleta de seres que em nada contribuíram para a evolução da Humanidade.

Mortos, reclamões acomodados e larvas não constroem a História.

sábado, 28 de julho de 2007

Anvs horoscopvs penis est

De vez em quando eu leio o horóscopo de alguma publicação que me cai às mãos. Do fundo do meu intelecto e de meu espírito, me recuso a tentar entender qual seria a conexão entre órbitas estelares e a vidinha medíocre que levamos aqui na espaçonave azul. O máximo que posso tentar pensar é que possam, talvez, haver características de personalidade influenciadas por sei-lá-o-quê conforme ciclos lunares e solares. Mesmo assim acho Astrologia e comportamentos dos signos não muito mais que um bom papo pra cantar a mulherada. Passatempo este que abandonei há mais de uma década - faço questão de ressaltar - .

Hoje eu estava a realizar minhas atividades orgânicas matinais, de dispensa de alimentos digeridos e não-aproveitados. Foi quando vi o exemplar de ontem de O Estadão, que o meu culto filho postiço assinou. Peguei logo o Caderno 2. Ao menos tem quadrinhos, diversão e dicas para lazer. O resto é chato demais e suja as mãos. A propósito, quando será vão inventar uma tinta e um papel que se fixem bem? Ô trocinho que suja as mãos é o jornal. Sem falar no formato desajeitado. Não sei também por que razão não adotam o tablóide, que é bem mais ajeitável. Mas voltemos ao tema astrológico.

Já ouviu falar que dá azar ler horóscopo atrasado? Muita gente diz isso. Mas o tio Xavier desmascara mais esse mito urbano. It´s easy: como alguns astrólogos arriscam-se no obscuro e espinhoso caminho das previsões, essa máxima foi elaborada pela própria AIAEG*. Imagine só se você lesse um horóscopo do ano passado e lá dissesse que você estava no período mais cagado na sua vida. Que se você gostar de mulher e chovesse Ana Hickman, cairia um Adilson Maguila em cima de você. Se você sonhasse com o Keanu Reaves, a Marlene Matos iria com um carro de loucuras de amor esgoelar que te ama, na porta da sua casa. Aí você pegaria a agenda do ano passado, só para lembrar das ocorrências. Descobriria que no exato dia em que o tapeador escreveu essa abobrinha, você conheceu a pessoa mais maravilhosa da sua vida, se formou, ou ainda arranjou um trampo decente e bem remunerado. Por análise post-mortem, a picaretagem seria desmascarada. Entendeu? É por isso que dizem por aí que não se deve ler horóscopo atrasado. Bobagem. Você não deve ler nem o atrasado, nem o do dia, nem nenhum. Mas há astrólogos mais incautos que dão previsões. Outros mais experientes e precavidos jogam bombas de fumaça.

Estadão de 27/07/2007, Caderno 2, página D4. Depois de um texto de preâmbulo, o famoso astrólogo Oscar Quiroga lista seus preceitos para cada um dos signos do Zodíaco. No signo atribuído ao tio reza-se o seguinte:
"As alianças não são estáveis, pois as pessoas andam confusas o suficiente para não conseguirem reconhecer o que, de verdade, seria melhor, não apenas para elas em particular, mas para todas em conjunto. Assim andam as coisas!" (O.Q.)
Conseguiu captar a profundidade e aplicabilidade do enunciado acima? Não? Nem eu. Vai escrever lero-lero assim com o ânus em Touro, Lua em Saturno e o Sol em Capricórnio. O cara ainda deve ganhar uma baita grana para isso. Além de prestar consultoria para gente célebre e endinheirada.

Eu é que sou um covarde mesmo. Preciso comprar meu turbante urgente.

* Associação Internacional dos Astrólogos e Embusteiros em Geral

Agradecimentos ao publicitário Carlos Romero, pela montagem fotográfica.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Fila é prá jacú - II: O Retorno

Poucas coisas são mais irritantes do que as filas. Sobretudo filas pra fazer algo pelo qual estamos pagando. Sinceramente penso que, uma vez que estamos pagando por algo, o prestador devia vir buscar o serviço em nossa mesa e trazer prontinho junto um café quente com pães-de-queijo.

Eu uso com muita freqüência os serviços dos Correios. É a empresa de Logística mais eficiente que há. Mas as filas nas agências me causam náusea. Agora inventaram a fila informatizada. Espalharam cadeiras por todo o salão, colocaram uma impressora de senhas na entrada e painéis que exibem os números de chamada. Então os resignados usuários pagantes - nós - nos sentamos nas cadeiras estofadas e até cochilamos nas demoras absurdas, que podem durar até cinqüenta minutos ou mais.

Recentemente, de saco cheio de gastar meus preciosos minutos com esse afazer e imbuído de um espírito totalmente sociológico, fiquei observando as filas, as chamadas e o comportamento das pessoas. Percebi que alguns números chamados não resultavam na ida de nenhum cliente ao guichê indicado. Analisei também que pessoas tiram números na maquininha e, depois de algum tempo, desistem da demora e se mandam. Portanto, quando chega a vez do dito cujo, o sistema de chamada indica a senha mas não tem cliente. Não tinha. Essa foi minha grande descoberta...

Observei que os caixa dos Correios não pegam os papeizinhos das senhas para conferência do número atendido. A oportunidade de ouro estava bem diante dos meus olhos. Bastaria perceber rapidamente quando o número chamado é de um desistente e tomar o lugar dele. Não é sacanagem. É uma espécie de doação póstuma de vaga. O doador não está lá, mas o atendente do balcão também não está preocupado com isso. Ele só tem que registrar que atendeu, para fins estatísticos de produtividade. E meu principal intuito nesse caso é colaborar com a produtividade dele.

Hoje, por exempo, eu estava com a senha D436. Olhei no painel e, para meu desolamento, estava no D399. Fora que tem três outras letras que são chamadas, com outras seqüências. Pois graças à minha perspicácia científica herdei o lugar do D405, que havia desistido de esperar. Levantei-me rapidamente e fui ao guichê indicado. Desse modo, em menos de cinco minutos garanti um lugar vip na fila. Não é sensacional?

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Classe média, papagaio de todo telejornal...

A classe média é capaz de protagonizar situações ridículas como nenhuma outra. No quesito manifestação decente estará sempre a anos-luz do proletariado. Digo isso com conhecimento de causa de quem participou de diversas manifestações legítimas e populares. Foram por causas mais que justas: salários dos professores, habitação popular, transporte público, hospital na periferia, coisas assim. Tudo bem que algumas que foram dispersadas por homens fardados montados em bem-cuidados quadrúpedes. Mas foram uma baita escola de vida e cidadania.

Agora é fim de férias. John Lennon diria: "The dream is over" aos fanfarrões com cartão de crédito no rotativo. Chega de praia nordestina, acabou o Hoppi-Hari, vamos voltar de Cabo Frio. Todos sabemos de longa data que estamos em colapso aéreo. A frota de aeronaves se multiplicou nos últimos quinze anos e nem um milímetro de aeroporto decente foi construído nesse meio-tempo. Todos sabemos. E sob essas circunstâncias a sugestão da ministra-sexóloga faz sentido como nunca. Vai demorar três dias para voltar da Bahia? Relaxa e goza. Vai no meio do saguão, põe o CD vagabundo de axé que comprou em Porto Seguro pra rodar no boombox contrabandeado, balança a bundinha e o tererê.

E, por ser fim de férias, nossa faceta medíocre da infraestrutura de cabotagem aparece com cores puras. Aí estão as filas de check-in de vôos não confirmados. Ao ligar no noticiário noturno da TV somos obrigados a ver o repeteco das matérias do início de julho, quando os jovens coradinhos e seus pais de cabelos tingidos faziam os ridículos protestos nos balcões das companhias aéreas, mostrando toda torpidez de sua má-educação em cima dos inocentes funcionários. É meu amigo, não foi a pobre moça do balcão que fez a presepada chegar onde chegou, viu?

É interessante notar que essa classe média, aspirante a emergente não tem vocação nenhuma para ser elite. São apenas barraqueiros de mau-gosto e arrogância desmedida, mas que ganham acima de dez salários-mínimos, pagam leasing de seus carros flex e rodam a fatura do cartão de crédito pagando o mínimo. Nas suas festinhas em buffets bonitos dançam ao som de funk-podre e abaixam vulgarmente os traseiros até o chão. Com o dedinho na boca, claro. Só que consomem desenfreadamente. E justamente por isso são endeusados pela mídia, que é sustentada pelos anunciantes dos produtos que os trouxas grosseiros - mas ressalte-se com cartão de crédito - consomem com furor.

Agora estamos sob a comoção do grandioso e trágico acidente aéreo em Sampa. Acidentes aéreos matam muito menos do que os seus primos pobres, os acidentes rodoviários. Inclusive menos do que as centenas de acidentes de trânsito urbano. Mas são espetaculares e proporcionam um bom material para a mídia noticiosa a custo relativamente baixo. Entenda: cobrir cem acidentes em um feriadão nas estradas requer uma logística numerosa de equipes e equipamentos, transmissão e edição. Mas colocar o melhor jornalista com uma unidade 24 x 7 em frente Congonhas é infinitamente mais barato e atrai uma audiência enorme. Uma simples questão de "ganho de escala", se diria no idioma administrês.
Sérgio Lima / Folha Imagem. Folha Online
That´s all, classe média. Continuem protagonizando seus patéticos chiliques nos saguões dos aeroportos. Toquem pagode, esbravejem. Usem faixas e megafones. A mídia precisa de vocês. Panis et circenses. Vocês fazem este último como ninguém. E ainda pagam por isso.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Transformer da periferia

Esta bela imagem foi enviada pelo meu caro amigo Rodrigão. O elemento retratado é criativo e ecológico, pois reciclou materiais descartados para o traje.

A idéia, se aplicada corretamente, pode contribuir também com a distribuição de renda. Basta mudar a arma de brinquedo por um bom trezoitão esmerilhado.

É como eu sempre digo: este país só não progride porque não tem Governo.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

The cu

Já dizia um velho deitado que "se cunhado fosse bom não começava com cu". Hoje o distinto marido da minha única irmã resolveu me telefonar às sete da madrugada. Não que eu já não estivesse em pé a essa hora. Mas isso não são horas de ligar para a casa dos outros e não gosto de ouvir voz humana logo cedo. O que ele queria era aparentemente simples: minha furadeira emprestada. E que eu a levasse para o meu escritório que ele passaria lá para pegá-la.

Vamos aos detalhes significativos:

- Minha furadeira é de marca renomada e modelo plus. Tem acelerador gradual no gatilho, torque regulável e giro reverso. Ganhei-a de presente de um amigo e ela custa em torno de quatrocentos e cinqüenta reais. Uma verdadeira jóia.

- Costumo guardar minhas ferramentas limpas, em caixas apropriadas e, se necessário, com fios e acessórios presos.

- O cunhado em questão é um ser do mais relaxado que se pode imaginar. O porta-malas do carro dele se parece com a caçamba do "Cata Bagulho" da prefeitura. Suas ferramentas ficam espalhadas entre os cômodos da casa onde mora, outro tanto no carro, outro tanto no galpão da empresa dele e outro tanto nem Deus consegue localizar.

- O ser em referência trabalha com peões de montagem, que não sabem a diferença entre um serrote e uma faca de cozinha. São igualmente relaxados e, com o exemplo do patrão, devem superá-lo em alguns quesitos.

- O trabalho do cidadão pode necessitar algumas vezes de perfurar superfícies e paredes de material imprevisível. De uma madeira em decomposição a uma rocha de granito maciço.

Não preciso dizer mais nada para explicar minha relutância em emprestar minha super-hiper-furadeira-plus para uma criatura dessa. Fui para o trabalho decidido a fazer outra coisa. Eu compraria uma furadeira vagabunda de cinqüenta reais e daria a ele. Era uma forma de preservar minha preciosa ferramenta e dizer a ele algo como "porra, sua montadora de merda não tem cinqüenta paus pra comprar uma furadeira?". E assim o fiz. A máquina custou o exato valor almejado e trouxe-a para o escritório, aguardando o mala aparecer. Mas aí o telefone toca.

- Ô meu, lembrou da furadeira?

- Ahã.

- Então... eu acabei resolvendo por aqui. Arranjei uma emprestada.

Começo a pensar rápido.

- Porra, emprestada? - Agora, mais puto, procuro uma forma de recuperar minha grana - Eu achei uma do lado do meu escritório. Boazinha. Sessenta paus.

- Achou? Hum... Então sei lá. Que marca é?

- Marca? Essas furadeiras comuns são todas iguais. Toma vergonha na cara! Vou buscar e você pega aqui à tarde. Mas me traz a grana hein?

- Tá legal então. Eu levo um cheque. Só tem uma coisa.

- O quê?

- Tem que ser 220V.

Liguei para a loja e os cornos não a têm em 220V pra trocar. Agora me digam: devo furar a testa do cunhado com uma broca de 6mm ou de 8mm?

Em tempo: já vou me postar atrás da porta para ele não ter tempo de reagir.

Regra-mór da Informática

"Se está funcionando, não mexa". Incrivelmente boa parte das pessoas ignora esse postulado de ouro.

Depois de amargarmos telefonemas raivosos, reuniões intermináveis e investigações de campo quase sem resultado, um sistema nosso recém-implantado em um cliente finalmente estabilizou. Trata-se de uma parafernalha complexa que envolve transmissão de dados por rádio-freqüência, dispositivos portáteis, conexões com um banco de dados que não é nosso e outra série de coisas que não vem ao caso listar.

Ocorre que o projeto estava devidamente pago, mas atrasado de nossa parte. E ainda diz respeito à atividade principal de nosso cliente. Por isso, cada vez que o treco travava era acionado o único plano de contingência possível: papel, prancheta e caneta Bic. Dessa forma o faturamento do cliente atrasava no pior do efeito cascata. Já deu pra sacar o impacto dessa coisa, sempre na bunda do tio.

Enfim, na última sexta-feira, orientado pelos meus caros técnicos, passei alguns procedimentos informáticos para o cliente. Por esgotamento, o nosso critério já estava na metodologia lotérica. Feito tudo na sexta mesmo, parece que a coisa começou a entrar nos trilhos. Ontem visitei esse cliente pela manhã e fui recebido com sorrisos, chocolate quente e biscoitos, sinal de que as coisas tinham melhorado de fato. Conversei com um dos operários, que já portava um dos trecos portáteis que vendemos, e ele me testemunhou que há dois dias seguidos tinham batido a meta de zerar todos os pedidos até final do expediente, sem extras. Suspirei com alívio. Ao final da rápida reunião me mandei, bem mais tranqüilo.

E ontem mesmo, no fim da tarde, depois daquele ridículo ocorrido no shopping, voltei para o meu escritório e telefonei para o profissional responsável pela parte de rádio-freqüência no projeto.

- Alô, Robert* tudo bem?

- Oi tio, tudo bem. Como foi lá no cliente hoje? Como estão as coisas por lá?


- Não podia ser melhor. O troço está estável. Estão separando os pedidos sem maiores problemas.

- Mas o que foi que resolveu de fato? Foi a troca da antena ou a supressão da criptografia?

- Que importa? Nem dá pra saber. Eles fizeram tudo que mandamos na sexta passada e funcionou.

- Mas precisamos saber o que foi que resolveu.

- Pra quê, cara-pálida? Eles trocaram a bosta da antena e zeraram a criptografia. Pronto, funcionou e o cliente está feliz e produzindo. Hello babe, tá fun-ci-o-nan-doooo.

- Mas assim não dá pra saber pra colocar no laudo.

- Coloca as duas coisas na porcaria do laudo e explica no que ajuda cada uma delas.

- Ah, não é legal isso. Melhor testar para ter certeza de o quê foi que resolveu.

- Testar? Como assim, Robert*?

- Testar é testar, ora. Destrocamos a antena e vemos o que acontece. Depois recolocamos a antena nova e estornamos a criptografia. Aí ficamos observando as ocorrências em cada um dos testes e pelos resultados tabulados chegamos a uma conclusão.

- Você não tá falando sério, né?

- Mas tio, precisamos de fechar o laudo com precisão.


Nesse momento meu tom de voz subiu para tons muito acima das recomendações do Conselho Nacional de Otorrinolaringologia:

- CARA, SE VOCÊ PISAR LÁ, PEGAR UMA ESCADA E AMEAÇAR CHEGAR PERTO DA INSTALAÇÃO, EU MESMO TE DESPENCO LÁ DE CIMA. E QUANDO VOCÊ CAIR NO CHÃO TE DOU DOIS TIROS, PRA GARANTIR QUE NÃO VAI TENTAR DE NOVO!

- Caramba, tio! Tá nervoso?

Desliguei o telefone.

Alguém aí pode explicar para esse profissional? Obrigado.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Shopping Internacional, (des)serviço de província

Tarde fria e com pancadas de chuva repentinas. Após um pequeno encontro de negócios que marquei no Internacional Shopping em Guarulhos, caminho até onde estacionei meu carro. De longe já vi que tinha esquecido os faróis acesos. E tendo me ausentado por duas horas, era quase certo que a bateria tinha ido pro saco.

Depois de apagar os faróis, tento fazê-lo pegar em vão. A bateria não tinha mais força para funcionar um radinho de pilha, quanto menos o motor de arranque do carro. Procuro um segurança, explico o ocorrido e pergunto se há socorrista no shopping. Para minha surpresa o rapaz diz que sim e que eu poderia solicitá-lo no guichê de pagamento do estacionamento. Tudo certo até então. Ao menos foi o que eu pensei.

- Moça, esqueci os faróis ligados e a bateria do carro arriou. Você pode me chamar o socorrista?

- Seu carro está onde?

- Bem ali - eu o tinha estacionado a pouco mais de dez metros do guichê - .

- Bem que eu tinha visto mesmo. Até comentei com a minha colega. Não sei como não chamaram o senhor pelo sistema de som - pega o interfone - alô, por favor, você pode vir aqui? O tio Xavier está com o carro sem partida. Como? Ah... entendi. Vou falar com ele. Tio, o senhor tem uma outra bateria para ligar o carro?

- Olha, seu eu tivesse outra bateria não teria pedido socorro. De mais a mais por que alguém carregaria uma bateria extra no carro?

- É que o socorrista tá falando que ele só tem o cabo de ligação. E precisaria de uma bateria pra ligar, mas ele não tem.

- Porra, mas cabo é o de menos. Até aqui no supermercado Extra deve ter, por uns quinze reais. O que eu preciso é de bateria.

- O senhor não tem algum conhecido para chamar?

- Como assim? Eu conheço vocês. Entrei no shopping, gastei dinheiro lá dentro e ainda paguei o estacionamento. Vocês são meus conhecidos e em um lugar deste tamanho e pago, tem que ter um socorro, no mínimo.

- O seu carro pode ser empurrado para dar um tranco?

- Não sei. Mas acho que não tem nenhum problema. Chama o cazzo do motoqueiro então pra vir empurrar.

- Alô, socorrista? Pode vir aqui pra empurrar o carro do tio? Como? Ahn... certo. Vou falar com ele. Viu tio, ele não pode vir agora. Ele sugeriu para o senhor pedir ajuda para alguma pessoa.

- Ah, claro! Há que ser uma pessoa pra me ajudar. As antas e os jumentos estão se mostrando incapazes. Um momento, que deve ter alguém que mande nesta bosta. Vou lá dentro e descubro já. Agüenta aí.

Saí decidido a mediunizar o cabloco Norris na gerência do shopping. Mas já haviam se passado dez minutos de quando decidi procurar ajuda. Dei uma chance pra bateria do carro e fui até ele. Virei a chave e ele, mesmo sem muita força, acabou pegando. Eu tinha uma porção de coisas para fazer e resolvi não dar cursos de atendimento a clientes para um bando de idiotas.

Já sabe agora: se for a esse estabelecimento e precisar de socorro, vá logo recebendo o caboclo Norris. Ou chame o socorro da sua seguradora. Porque no shopping de Guarulhos, sorry babe.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

The real second life

Esta linda tela que você pode ver abaixo é do meu Kurumin Linux, o qual estou a usar no momento desta postagem.


FAQ - Frequently Asked Questions


Tio, foi difícil instalar?
- De jeito nenhum, meu caro. Apenas coloquei o cd na gaveta do micro e iniciei a máquina.

E o que acontece na inicialização?
- O sistema operacional "sobe" e permite de imediato ao tio realizar qualquer tipo de operação antes feitas com o ruindols do Bill Gates.

Mas e os drivers de vídeo, som, mouse, teclado, etc.?
- Olha amigo nem sei o que é isso. Ele conectou tudo de primeira sem fazer uma única pergunta.

E ele conectou a internet?
- Não. Este post está sendo feito com recursos mediúnicos.

Você sempre tem que colocar o CD para ele rodar?
- De maneira alguma. Eu rodei a opção "instalar o Kurumin no HD" e selecionei uma pequena área do HD que eu havia deixado livre para esse fim.

Mas então você destruiu o Windows?
- Não, mas apenas porque eu não quis . O Linux Kurumin instalou facinho uma opção de dual-boot para que eu decida com qual sistema operacional trabalharei doravante, sempre que iniciar o micro.

E as partições NTFS onde estão seus arquivos de trabalho e lazer, que você gerou com o Windows?
- O Kurumin enxergou-as sem que eu nada fizesse. Permite-me ler, editar e gravar os meus antigo arquivos nessa partição, como se fossem dele. Ao contrário do sistema do Bill Gates que só enxerga as suas próprias partições.

Como ele é vendido? Custou caro?
- Ele está disponível GRATUITAMENTE na internet. Mas eu optei por comprar um CD no Baixaki por míseros vinte reais, por comodidade. E posso instalá-lo e executá-lo onde eu quiser.

Quais são os aplicativos que vem com ele?
- Não dá pra contar. Mas praticamente tudo o que eu uso no cotidiano: OpenOfficeBR, o navegador Firefox, Kopete - que é um comunicador instantâneo compatível com o Msn - , editores de imagens, editor de música, jogos e uma porção de coisas.

Experimente, tente. Faça algo diferente.

domingo, 15 de julho de 2007

Utilidade pública: Cuidado com o maracujá

Acabo de chegar em casa, depois de uma farta churrascada. Desde a hora em que cheguei lá - por volta de 13h - entornei incontáveis caipirinhas, todas de ótima qualidade, preparadas com Sagatiba®. Bebi uma, duas, três... Parei de contar por volta da quinta ou sexta. Os limões, pude perceber que também eram de boa qualidade. Não sei de qual variedade, mas eram verdes e viçosos. O açúcar era União®, o que me parece ser um bom produto.

A certa altura, vi uns maracujás sobre a pia e pedi para um chegado preparar uma "maracujinha" ou sei lá como deva ser chamada a batida com essa fruta. Foi a conta. A última coisa que me lembro é de alguém me conduzindo ao apartamento dos anfitriões, onde apaguei por algumas horas. Neste momento minha cabeça ainda dói e tudo que ouço vem acompanhado de um zumbido.

O Ministério da Saúde e o Sem Sentido® advertem: maracujá é altamente prejudicial à saúde.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Bola fora e mesa quadrada

Eles quase sempre são quarentões ou cinqüentões obesos e sedentários. Raros deles são ex-praticantes de alguma modalidade esportiva e, mesmo destes, nem todos são dignos de menção honrosa. Mas diante das câmeras e microfones, sabem tudo de arbitragem, treinamentos, escalações, táticas em campo, cobranças de escanteio, faltas e até mesmo das temidas defesas de penais. No que dependesse das suas línguas afiadas e peçonhentas, mais do que dos seus físicos e exemplos de vida, o futebol seria um interminável espetáculo de disciplina espartana, austeridade, profissionalismo e, claro, gols a perder de conta.

Estou obviamente falando dos comentaristas esportivos, que invadem a TV nas noites de domingo e nos especiais após os jogos de futebol. A TV nesses horários torna-se um pé-no-saco. Custa-me acreditar que a durabilidade desse tipo de programa se deva à audiência de fato. Ou então temos que admitir que o Brasil é um efetivo de cento e noventa milhões de técnicos de futebol. Um bando de cérebros inativos, cujas poucas informações que conseguem processar incluem necessariamente turbas de machos suados com as pernas à mostra correndo atrás de uma única esfera cheia de ar comprimido. Inacreditável.

Tirando alguns que outrora já demonstraram como tomar posse de uma bola e fazer algo entretenível com ela - Pelé, Sócrates e Neto por exemplo - a maioria desses atletas verbais não passa de radialistas e ex-radialistas de formação duvidosa. Hábeis apenas com a língua ferina, porque ela é o único músculo que não fadiga. De um modo geral, acompanhar algum esporte com tanto afinco e vibração, sem ao menos praticá-lo de alguma maneira, casa bem com aquela torpe expressão, que equivale a "ter ejaculação com o pênis alheio". Coisa muito babaca.

Sou totalmente a favor da PRÁTICA do esporte. Mas também sou favorável ao extermínio em massa desses embusteiros do microfone. Contudo os cães ladram - ladramos no caso - e a caravana passa. Tudo indica que essa alienante preferência em debater assuntos inócuos está longe de terminar. Aí estão agora os Jogos Panamericanos na Baía da Guanabara que propiciarão indiretamente um show de abobrinhas, protagonizado pelos atletas de microfone. Sim, porque temporariamente eles - que tudo sabem sobre futebol - proferirão pitacos sobre todas as demais modalidades esportivas. Despejarão suas sábias e incríveis soluções que, se fossem aplicadas, trariam cinco dúzias e meia de medalhas para o Brasil. Na cabeça deles. Sorte deles que há quem os ouça.

Uma noite dessas, só para provocar meu cérebro com temas atípicos ao meu cotidiano, arrisquei-me a ouvir um programa paulistano chamado Estádio 97. Sem ressalvas se alguém gosta de ouvir aquilo porque tem gosto pra tudo. Mas a pérola foi um ouvinte corinthiano ao telefone - amparado por um dos radialistas - gastar preciosos dez minutos de transmissão radiofônica para apresentar suas sugestões para as próximas contratações do Timão. Foi algo bizarro assim:

Ouvinte: Então, o Zé das Couves* do Jaboatão* tem crescido muito na enésima divisão.

Radialista: Você acha que ele seria um bom nome para o Corinthians?

O: Sem dúvida. E tem também o Manoel Joaquim* do Estrela de Prata* do Piauí. Um goleiraço, bem melhor que o Fábio Costa.

R: E que outros nomes você sugere para o Corinthians?

O: Tenho uma listinha aqui. O Fulano do Pé na Cova* do Maranhão, o Beltrano do Bola Furada* do Acre, o Sicrano do ... blá, blá, blá...

Faça-me um favor. Alguém consegue imaginar o Dualib ouvindo rádio e anotando os nomes? Sem comentários.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Kingston®: o pen-drive lavável

Você fica com nojo do seu pen-drive por ficar enfiando ele aqui e acolá (no bom sentido, é claro), em qualquer CPU sem o mínimo de higiene e sem preservativo?

Acha que, pelo fato de o pen-drive ficar no bolso da calça, jogado na gaveta ou no console empoeirado do seu carro, ele pode estar virando uma coleção de bactérias?

Seus pobremas se acabaram-se!

Os pen-drives Kingston® são laváveis. Isso mesmo. Nada como um pequeno incidente para a humanidade fazer novas descobertas. A tia darling esqueceu-se de bater geral em uma das calças do tio, antes de jogá-la na máquina de lavar. Hoje de manhã, o tio dana a procurar o seu quase inseparável dispositivo de armazenamento de dados. Até que...

O dito estava em um dos cento e vinte bolsos da minha calça cargo. A c
alça já estava lavadinha, seca e dobrada, esperando pela visita da diarista-passadeira. Ferrou, pensei. Peguei-o resignado com a perda das informações e do aparato, que ganhei de presente de um amigo. Esperei pacientemente até chegar ao escritório para confirmar a decepção. Espetei na USB e..? Acreditem: ele está funcionando PERFEITAMENTE! Ainda mais: a parte azul está mais azul e a parte branca está mais branca graças à ação de ACE® da P&G.

Kingston®. "ACE" todo pen-drive fosse assim!

Ps.: Essa experiência foi executada por profissionais treinados. Não tente fazer isso na sua casa. O pen-drive utilizado no experimento foi o de 512KB, a máquina de lavar é BS-Continental
®
e a secadora Bosch®. Não temos registro de resultados com dispositivos de outras capacidades. Nenhum dos mãos-de-vaca, fabricantes das marcas acima, quis pagar nada por este testemunho e não se responsabilizam por tentativas similares.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Free Hotspot

Seu escritório ou residência possui uma rede interna sem fio? O acesso à internet é compartilhado? Quais são as ferramentas ou protocolos de segurança que você utiliza para coibir acessos indevidos?

Quando eu faço essas perguntas para os meus clientes, a maioria fica me olhando com cara de "meu Deus o que é isso?". Quando não fazem pior : posudos dizem que sim, que tomaram todos os cuidados que a rede é segura e tal. Mas na maioria das vezes quem montou a rede sem fio foi aquele filho ou sobrinho que "mexe com informática" ou ainda foram eles mesmos: plugaram, por acaso funcionou de primeira e, como diz a regra, se está funcionando não mexa.

Eis o que aconteceu com o tio esta manhã: abri meu notebook, liguei-o enquanto pegava a fonte de alimentação, dei logon do sistema operacional e logo estava acessando a internet para ver minha correspondência matinal. Navegava pelos webmares na boa quando percebi que o cabo azul de rede em minha mesa jazia inerte, desconectado e ocioso. Olhei a barra de tarefas e então percebi que estava acessando uma rede sem fio de algum vizinho desavisado. Um comandinho aqui, outro acolá e consegui acessar o compartilhador de banda larga que espalha o sinal. Entrei no dispositivo testei uma ou duas senhas daquelas óbvias e lá estava eu dentro do wireless router do tal vizinho. Acredite: o usuário administrador do dispositivo chamava-se singelamente "admin" e a senha então era... "admin". Mais óbvio impossível.

A queda do dólar e a popularização dos acess points fez com que uma boa leva de usuários, já quase inaptos tecnicamente a ter um computador e zelar por ele, passassem a ter acesso à banda larga e agora a roteadores sem fio. Pior impossível. Com a ausência total de segurança da parafernalha do vizinho, bastaria um filtro de pacotes, implantado por este que aqui escreve, para descobrir coisas incríveis: de senha de provedores, e-mails, senha de orkut, papos de msn e até senhas bancárias. Pior impossível.

Não estou nem um pingo interessado nos pormenores sórdidos da vida alheia, tampouco em obter grana roubada, mas quantos outros não estarão? O que os sujeitos das proximidades fazem é algo como deixar o carro aberto com as chaves no contato, a porta de casa escancarada ou ainda, deixar o cartão bancário sobre o caixa eletrônico com um papelzinho com a senha colado. Adotam inadvertidamente tecnologias com as quais não sabem lidar e não buscam informações mínimas sobre precauções e medidas de segurança. E isso está crescendo a olhos nus - ou melhor - longe dos olhos dos usuários já que esse tipo de comunicação é intangível. Sinto muito por eles, mas os ladrões que estão ingressando no mundo da Informática por muito tempo não terão nenhum trabalho para roubá-los. Mais fácil do que tomar doce de criança. Depois as vítimas hão de praquejar contra os fabricantes de tecnologia, contra os bancos e sei lá mais contra quem.

Agora a idéia de deixar de pagar o meu provedor e pegar carona na internet do vizinho até que não me parece tão má. Afinal o sinal está aí no ar, com quem não quer nada, entrou aqui na minha sala sem eu pedir. Não sei não. Vou pensar melhor sobre isso...

Ps.: Este post foi editado e colocado no ar usando a rede do vizinho, mas só para fins de pesquisa científica sobre segurança. Eu juro. Mas preciso fazer outros testes.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Ingenuidade

Essa pérola da sinapse é de autoria do meu graaaaaande amigo Celsão.

- Pô cara, sabe aquele posto no Imirim onde eu abasteço, né?

- Sei, no caminho do trabalho da sua mulher.

- Então, tô desconfiado da gasolina de lá, viu? Tá esquisita.

- Mas por quê?

- Pô, outro dia o frentista encheu o tanque até a tampa e derramou um pouco, saca?

- Isso às vezes acontece. Mas e aí?

- Então, acredita que onde a gasolina escorreu, arrancou a tinta do carro? Estranho isso.

Esse é meu amigo Celsão. Ele ainda desconfia...

Ps.: Prometo confirmar o endereço desse excelente fornecedor de combustível e publicá-lo aqui.

Viajar com prazer é com a MarTur

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Praia Grande fashion beach

Me digam que é mentira. Que eu não vi essa família e esse sujeito bizarro com essas botinas, embaixo de um sol de 30ºC.

Depois a darling reclama que eu não gosto da Praia Grande. Veja bem, não é que eu não goste da cidade em si. Eu não gosto é de ter que presenciar essas cenas grotescas. Como é impossível não ver essas aberrações por lá, o melhor jeito é não ir.

A cada dia que passa sinto mais saudades de SC. Eu quero voltar pra lá. Agora.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Chumbo trocado dói?

Os gênios do Vaticano, pródigos que são nas posições conservadoras, continuam a defender seus princípios de fé a respeito do aborto com as mesmas premissas de sempre. Até aí é um direito deles e merece todo respeito.

Mas daí para recomendar que os católicos deixem de contribuir com a Anistia Internacional, por causa das divergências entre esta e aquela sobre o aborto é algo demais, não? Se tiver dúvidas leia aqui.

Vamos acatar essa insensata diretriz vaticanenense e levá-la às últimas conseqüências. O tio Xavier sugere algumas contrapartidas possíveis:

1) Que a Anistia Internacional recomende aos seus militantes que deixem de denunciar a violência contra sacerdotes e religiosas, por parte de governos autoritários e latifundiários.

2) Que todas as mulheres vítimas de estupros, incestos ou com gestações de risco mútuo se mandem para o Vaticano a fim de receberem a assistência financeira, médica e psicológica para superarem suas desgraças.

3) Que os rebentos frutos dessas gestações sejam todos criados pelo Vaticano, recebendo o melhor em educação, formação e conforto nas barras de saia cardinalícias, muito mais abastadas do que as de suas genitoras.

4) Que todo e qualquer bebê ancéfalo, depois de nascido seja mantido nos mais caros hospitais de cada localidade e a conta seja enviada ao Vaticano.

5) Ou então, que seja lançado o VatiMed: Um plano de saúde pública de alcance mundial, utilizável em qualquer hospital particular. Os cartões seriam enviados a todas as mulheres vítimas de violência sexual ou com disfunções uterinas, sem a necessidade de inscrição prévia. Todos os custos seriam bancados pela Igreja Católica Romana de cada país, que receberia as contra-faturas dos hospitais e pagaria as despesas imediatamente e em espécie.

6) Que os padres que não respeitem seus votos de castidade e protagonizem peripécias sexuais, vão trabalhar no mercado privado para dar o amparo financeiro cabível a cada caso, seja aos seus parceiros(as) sexuais ou ainda os filhos frutos desses relacionamentos.

7) E, finalmente que os eventuais casos de pedofilia protagonizados por clérigos sejam excepcionalmente tratados com penas de outro código religioso - o Islamismo - e, neste caso mediante amputações.

E então, aí pode?

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Vou-me embora pra Pasárgada

Pois é. Estava tãããão bom semana passada em SC. Aliás, sabem como se denomina "mulher feia" em SC? Turista. Ô lugarzinho bão para se apreciar as obras carnais da natureza. O Barba-Supremo deve ter alguma predileção por aquele lugar, porque ele não colocou nenhuma mulher feia lá. Só quem coloca algumas são os fluxos migratórios e a CVC.

Mas o tio não é amigo do rei. Nem sequer possui um LP do rei autografado. E tem que se contentar com a labuta até que o pacote CVC tri-anual esteja pago, para poder encarar outra curtíssima incursão às belezas do Sul. Na próxima sem dúvida o tio vai de carro. Porque ficar refém dos programas de índio pega-turista-trouxa da operadora de turismo é tocaia da boa. São os passeios-galo. Cada rolê deixa cinqüentinha. Um galo pra almoçar, um galo pro ingresso e assim vai.

- Gente, amanhã nós vamos estar indo para o Beto Carrero World.
- Obaaaaaaa.
- Mas no pacote só tá o passeio, não o ingresso.
- Ahhhhhhhhhhh.

E lá vai cinqüentão mais cinqüentão.
- Gente, a gente vamu almoçar no Ataliba, que é uma das melhores churrascarias do Sul.
- Obaaaaaaa.
- É cinqüentão pra cada casal, mais dez por cento, a sobremesa e as bebidas são à parte.
- Ahhhhhhhhhhh.

No outro dia entra um cara diferente no busão:
- Olá gente, eu vou acompanhá-los no passeio de hoje.
- Obaaaaaaa.
- Com esta câmera eu vou filmar tudo. Depois cada um me paga cinqüentinha pelo DVD que vou deixar no hotel.
- Ahhhhhhhhhhh.

E a sucessão de obas e ahs não cessa.

Pior foi a tour de compras. Pegaram a galera para ir aos "Lojões de Fábrica". Para quem mora em Sampa, loja de fábrica é sinônimo de peças baratas, liqüidações, sonegação fiscal e uma festa de preços baixos. Fomos à Hering®. Quer coisa mais em conta do que malhas Hering®? Eu quero, porque não achei um ítem barato lá. Uma arapuca. Tinha uma suposta promoção com bolinhas coloridas coladas nas etiquetas. Os descontos variavam de vinte à sessenta por cento do preço etiquetado. Se não tivesse bolinha o desconto era de dez porcento. Adivinhe se alguma peça tinha bolinha de cor? Acertou quem disse nenhuma. Aí uma calça jeans básica - no Brás ou no Bom-Retiro em Sampa custa no máximo cinqüenta reais - estava lá por noventa. Com os generosos dez porcento, caía para oitenta e um reais. Vão se catar.

E no almoço me aparece uma sujeita com uma câmera digital fotografando as famílias. Eu jurava que ela era do grupo dos turistas, querendo recordar os companheiros de viagem. Jurava no pretérito imperfeito mesmo. Porque meia-hora depois ela me aparece com um liiiiiiindo chaveirinho de plástico transparente com a nossa foto. Cincão. Peguei logo, primeiro porque foi a coisa mais barata que me empurraram na viagem. Segundo, porque diz uma lenda que esses fotógrafos de passeio fazem macumba com as fotos dos que não compram. Por cinco reais, melhor não arriscar.

E o vôo da TAM? Serviço de bordo é o famoso "Viaje conosco mas na volta não estamos nem aí". Na ida foi sanduíche de peito de perú defumado com requeijão, sucos de cinco variedades, refrigerantes e até cerveja e vodka. Na volta? Um saquinho de quinze gramas de amendoim torrado e suco de laranja sem gelo. Quinze gramas de amendoim não dava dez grãos. Não comi nem bebi com medo de fazer falta pra eles. E o Comandante Rolim dando voltas no caixão.

O vôo de volta era pra Congonhas. Mas como todos sabem, não há ralos na pista de Congonhas. Então chuvão caindo, vamos que vamos pra Guarulhos. E cadê a mala do tio Xavier na esteira? Tomou Doril. Por sorte a mala-clone esquecida na esteira estava com o nome de um passageiro que identifiquei a tempo de parar o busão da TAM que ia levar ele e o resto do povão pra Congonhas. E toca a mulher da TAM parar o busão com o Nextel, pro tio Xavier destrocar as malas. Aliás, mala é quem não olha a etiqueta quando retira a sua. Cacete, é para isso que os caras do check-in etiquetam tudo. Mobral nele! Mas essas coisas têm que acontecer sempre com o tio.

Segundona, cheguei no escritório e minha mesa de trabalho parecia protocolo de serviço público. Fora os e-mails malcriados de clientes. Aí eu queria sumir, mas não podia. Pensei em pedir as contas no RH. Cheguei a escrever a carta de demissão, mas lembrei em tempo hábil que sou dono da empresa. Que merda, alguém que me tire daqui por favor. Pára que eu quero descer.

Agora é quarta-feira, a pilha não diminuiu, os clientes malcriados não cessam de exigir meu sangue pelos míseros reais dos contratos de serviço e projetos, a grana tá curta, a conta de telefone atrasada, o aluguel do prédio vence amanhã.

Vão tudo à merda. Na falta de Passárgada e do LP do Roberto eu vou é pra Praia Grande, encher o saco do cunhado. Cunhado é melhor você encher o saco dele antes que ele venha encher o seu. Ainda mais se ele tiver apartamento no litoral. Fui.

Long Beach, pronta ou não aí vou eu. Com meu Motorádio® e minha bóia de câmara de ar.