quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Internet pelo encanamento?

Agora sim a internet vai fazer a diferença na vida da maioria dos brasileiros. A SABESP (Cia de Saneamento Básico de SP) está comprando do Japão a mais nova tecnologia de transmissão de dados já desenvolvida. A WDMP (protocolo de modulação de dados por água) promete o que nenhuma outra tecnologia digital conseguiu até o momento: fornecer banda larga com taxas de transferência praticamente infinitas (acima de 3GBps reais!) para todas as residências bastando que ela possua ÁGUA ENCANADA!

A façanha é do engenheiro nipônico Masatako Kiosawa (tinha que ser coisa de japonês) que descobriu que a condutibilidade da água permite transferir sinais elétricos de baixa intensidade, mas com altas freqüências, modulando praticamente qualquer tipo de informação através dele e aí entram os sinais da internet. Segundo informou o engenheiro japa ao jornal Ryukyu Shimpo: "esse potencial condutivo é ainda maior nas cidades banhadas por oceanos, pois a água salgada é ainda mais condutiva (...) o resultado é que toda a água sobre o globo terrestre tem potencial de se tornar o maior veículo da world wide web jamais visto", assinalou Kiosawa.

Os detalhes da WDMP estão sendo mantidos a sete chaves pelo engenheiro. Mas já se sabe que o benefício não será distribuído tão gratuitamente. O sinal de transmissão será codificado usando uma chave criptográfica de 1024 bits dificílima de ser quebrada, cujos padrões são reconhecidos pela ICP-Brasil como "hardware criptográfico" pois dependem de equipamento específico para decodificação. Aí está o pulo do gato: os usuários terão que usar um modem individual plugado em cada micro e ao invés de tomada o aparelho - semelhante a uma válvula hidráulica - filtrará e decodificará os sinais, transformando-os em TCP/IP. Diferente dos atuais cabos azuis utilizados nas redes, a proposta é usar antigos cabos coaxiais, remetendo aos velhos modens 10/10 que se usava nas redes há uns quinze ou vinte anos, sabe-se lá o porquê.

A imprensa até o momento não conseguiu-se alguma declaração dos dirigentes da SABESP, o que indica que o projeto ainda é ultra-sigiloso e não deverá ser divulgado antes do meio do ano, prazo indicado por Kiosawa para distribuição da tecnologia nas residências, no Brasil, EUA e na CE. Mas tudo indica que devido à grande capilaridade das redes de abastecimento de água, o serviço será distribuído em larga escala e por conseqüência a custos baixíssimos.

Duro vai ser no dia em que faltar água no bairro ou der pau na internet. Aí ligaremos pra quem? Pro encanador?

Desgraça? Catástrofe? Depende do seu humor

Leônidas, o herói de Brasília.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Quanto lhe custa uma má referência?

Um amigo do tio comprou um certo aparelho de DVD de marca coreana um ano e meio atrás. O aparelho era o power-hiper-mega-tudo. Além de fazer o óbvio - que é rodar DVD - permitia gravar programas em um HD interno e depois ainda gerar um DVD com o conteúdo. Sensacional, não fossem os pretéritos imperfeitos. Permitia enquanto funcionava. Depois de poucos dias de expirada da garantia o trem pifou.

Com a maior boa vontade o meu amigo foi a uma assistência autorizada, entregando a traquitana aos cuidados do doutor digital. Dias depois uma jovem da autorizada ligou dizendo para ele retirar o aparelho, pois não tinha conserto. Indignado, o consumidor foi até a oficina esclarecer o assunto. O fato descrito foi a queima de um chip XYZ e que a Samsung "não tinha". Meu amigo achou estranho porque o aparelho constava no site do fabricante e nos diversos magazines como um item de linha. "E como é que eles dão garantia desses troços se não tem o componente?" - perguntou a inocente vítima.

O técnico confessou que a Samsung só fornece o chip XYZ (e gratuitamente) para aparelhos sob garantia; que ele adoraria comprar um, consertar e ganhar o quinhão dele, mas para serviços avulsos neca de pecinha dos coreanos. Putérrimo da vida meu amigo ligou para a Samsung que primeiro recusou-se a atender, dizendo que só ouvem consumidores depois de não-sei-quantos-dias sem resposta da autorizada. Não adiantou argumentar que já tinham dado o veredito. SACs são compostos andróides incapazes de extrapolar as opções da tela do sistema. Mesmo que você diga pausadamente "Le-ve-me-ao-seu-lí-der" eles são programados para ignorar. Só depois dos tantos dias é que o amigo conseguiu ser atendido pelo SAC da Samsung. Mas...

A atendente da Samsung disse que só poderia "estar atendendo o consumidor" caso o aparelho estivesse sob garantia. Do contrário eles só falam com assistências autorizadas e o desenganado consumidor teria que se virar com a oficina. Dos fatos podemos concluir que, uma vez encerrada a garantia, os aparelhos Samsung viram párias. Uma espécie de órfãos de pais vivos, só que sem direito à Febem, nem assistência do Padre Júlio Lancelotti. Conclusão: depois de ter gasto uns dois mil reais comprando o aparelho sul-coreano supostamente power-hiper-mega-tudo, o que ele possui hoje não passa de uma sucata, embora tenha pouco mais de um ano e continue a ser vendido no mercado.

E neste exato momento o tio Xavier está navegando o cyberespaço à procura de um bom aparelho que rode DivX. Em vários sites aparecem os tais Samsung. Agora vamos à enquete do dia:

O tio Xavier deve comprar algo desses coreanos?

( ) Jamais.

( ) Nem a pau, Juvenal.

( ) Nothing fucking.

( ) Coreanos, introduzam seus aparelhos onde estou pensando agora.

Joe Girard, o maior vendedor de carros do mundo, em seu livro "Como vender qualquer coisa a qualquer um" arriscou uma estatística. Disse que se você fizer um bom negócio ou uma boa compra, tende a contar para DEZ pessoas em média. Mas que se sentir-se ludibriado ou vítima de um desonesto alertará a CEM pessoas. Faz sentido...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Agulhas milagrosas

Fazia dois meses que o tio estava de cama, próximo do estado de moribundo. Na verdade eu pensava em chamar um padre para a extrema-unção e já arriscar fazer as pazes com o deus dos cristãos, pois nada tinha a perder. A dor física me fazia desejar não estar mais encarnado e me livrar da carcaça podre.

Eram meados de 2002. O tio era sócio em um escritório de TI. Um mau jeito, ajuntado com estresse além da conta - e contas bancárias bem rasas -, me debilitaram. Resultado: uma baita inflamação no ciático, de proporções insuportáveis. Não havia posição cômoda pra eu ficar e a avó Xavier cuidava de mim de dia, o que incluía levar-me ao sanitário e me segurar no assento enquanto eu gemia de dores lombares. A darling ia trabalhar e me dava banho à noite. Eu mal e porcamente conseguia dar suporte remoto para o sócio, trabalhando deitado com uma adaptação de bandeja de cama, que acomodava o notebook e o headset do telefone. Uma espécie de kit que me permitia trabalhar deitado entre um urro de dor e outro.

Com as dúzias de consultas e dezenas de radiografias os médicos só engordavam a lista de remédios e mais remédios, cujas contra-indicações superavam dezenas de parágrafos as indicações. Era notório, cada vez que eu ia ao banheiro, que meu fígado estava se esfacelando e parte dele ia embora quando eu dava a descarga. Uma adorável e prestimosa amiga (que não está mais entre nós), vinha me buscar e me levava às consultas, tendo passado até pelo constrangimento de me despir para exames, coisa que me era impossível fazer com autonomia. É quase certo que só por conta desse desprendimento, deve ter arranjado um bom apartamento celestial. Merecido.

Com mais de mil reais de antiinflamatórios, corticóides e injeções desfilando numa sacola, eu estava desenganado. Achei mesmo que ficaria um aleijão com dores pro resto da vida, mas antes disso eu usaria minhas últimas forças pra apanhar meu Rossi quando estivesse sozinho em casa e daria cabo nisso. Não deixaria a darling me sustentar pro resto da vida, tampouco a minha mãe passar a terceira idade cuidando de um marmanjo incapaz. Com certeza não. Um escorpião sabe qual é o seu limite.

Até que um conhecido que morava no ES falando comigo ao telefone me sugeriu a Acupuntura. Desconhecedor total do que quer que fosse o fundamento da terapia das agulhas, eu quase ignorei. Mas com a dor que eu estava eu tentaria até a bispa Sônia, se alguém me levasse. O capixaba não conhecia nenhum profissional em Sampa e resolvi ligar para alguns amigos. Até que um santo homem, um amigo monge budista, me deu o telefone de um tal Dr. Darwin Caldeira Ribeiro. Depois de falar com este, fiz a darling me levar lá na mesma noite. O atencioso terapeuta me disse para ir no mesmo dia a qualquer hora que ele me atenderia em caráter de urgência.

E lá foi a darling atravessar toda Sampa City no horário de rush e escorar o projeto de Quasímodo. Demorei vinte minutos para andar os cinquenta metros que separavam o estacionamento do consultório, que por misericórdia tinha elevador. Depois de me entrevistar e fazer contagens estranhas da minha pulsação segurando os meus punhos, me perguntou o que eu estava tomando. Ao ver o tamanho da sacola, a pilha de receitas e ler alguns nomes o tio Darwin me pediu que abandonasse tudo aquilo, sobretudo umas injeções que, de acordo com alguns profissionais, estavam sendo responsabilizadas até por necrose muscular. Como não resolviam merda nenhuma mesmo e eram caros pra cacete, abandonei a alopatia e entreguei o meu resto quase em putrefação do tio às agulhas do acupunturista.

Depois de duas horas e umas mil e seiscentas agulhadas (não doem nem um pouco) saí de lá andando ereto, o que foi um grande feito. Claro que com resquícios de dor, mas bem menos e com a retidão física digna de alguém pós-Neanderthal. Melhorei sensivelmente na sessão seguinte - três ou quatro dias depois - e na terceira sessão de agulhas EU MESMO FUI SOZINHO E DIRIGINDO! Passei mais alguns meses aos cuidados dele, espaçando as sessões cada vez mais, até ficarem mensais e bimestrais. Então entramos em consenso pela minha alta. Eu gastei uma fração do que teria gasto em remédios, mesmo considerando cruzar a cidade de carro. Mas nascia um novo homem. Tanto que faz uns três ou quatro anos que não passo lá sequer pra dar um abraço no sujeito que me tirou do leito e me restaurou a saúde lombar. Um homem milagroso que enquanto me tratava explicava os fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa.

De lá para cá, às vezes senti falta de umas agulhadas para relaxar a musculatura estressada e até para pequenos desajeitos lombares. Mas nunca foram suficientes para me abalar por trinta quilômetros até o consultório onde o dentista Darwin reveza-se entre uma obturação e uma agulhada, correndo como um doido entre uma sala e outra. Sinto saudades dele. Vou ver se crio vergonha na fuça e passo lá pra tomar um chá com o homem que me salvou.

Só que há algumas semanas a darling fez mais uma de suas maravilhosas descobertas. Uma de nossas vizinhas, além de ser bem graciosa (ops!), agradável e simpática é... acupunturista! Resolvi tentar uma sessão com ela que solicitamente veio me atender em casa. Show de bola. Não obstante a pouca experiência da juventude - incomparável com a do sexagenário Darwin - os efeitos da manutenção dela comigo são plenamente satisfatórios. Agora, a cada duas ou três semanas convido a jovem senhora a tomar um suco enquanto me espeta. Serviço eficiente, preço módico, papo culto e simpatia de sobra. Pra quê eu vou querer mais, não é mesmo?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Na casa do Senhor

Subtítulo: Uma reflexão teológica sobre o incidente na Renascer.

A auto-sagrada "bispa" Sônia Hernandes e seu fiel companheiro por esses dias não resistiram ao cerco de cobranças e pressões. Resolveram terceirizar a culpa. Nada melhor do que empurrar o ônus no ânus de quem não pode se defender (que trocadalho horrível...).

Ao culpar o pobre e sempre perseguido Belzebu, o Tinhoso, Satanás, Lúcifer, o Banido ou como quer que o chamem, a Bispa faz o que a Administração Moderna recomenda há mais de uma década. Terceirizar, além de tirar dos próprios ombros o trabalho, é uma forma de ter um "Zé" pra botar a culpa dos erros. Neste caso o Bel-Zé-Bu (esse foi ainda pior!).

Logo eu, que tinha prometido anteriormente a não fazer reflexões teológicas sobre o acontecimento, agora não tenho como me furtar de fazê-lo. Vamos ao desmascaramento da bispa e de sua instituição.

Atenção que nunca antes nenhum teólogo se atreveu a tão audacioso silogismo:

1) Ela pôs a culpa em Satanás pelo despencamento do teto da igreja. Logo, o suposto "inimigo" tem jurisdição sobre o território dos templos da Renascer.

2) Opa... isso é grave! Não seria um templo supostamente dedicado ao Deus Cristão?
Então...

3) Se na casa do Senhor, não existe Satanás (xô Satanás, xô Satanás) e no templo da Renascer Satanás agiu livremente..

Conclui-se que: Os templos da Renascer não podem ser considerados "Casa do Senhor". Lá, ao invés do Paráclito - o Santo Espírito do Deus - é Satanás que pode mandar em tudo, inclusive sobre as estruturas dos telhados. Complicado isso. A "bispa" nesse caso é representante de quem?

Concluam o que quiser. Vejam que os argumentos acima são irrefutáveis. A polêmica está lançada.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Yes, nóis também can

Este país é inigualável. Temos tudo para alçar o status de primeiro mundo no que quisermos. Tudo o que se consegue lá fora, em países ricos e arrogantes nós também - brazucas com muito orgulho - conseguimos. Não há limite para nossa capacidade.

É com essas contundentes palavras de espírito patriótico que quero lançar a campanha nacional YES, NÓIS TAMBÉM CAN.

Vejam por exemplo esse acidente ocorrido na Alemanha. O motorista foi parar no teto de uma igreja, após se desgovernar da direção do bólido. A imprensa noticiou como algo sensacional e blá, blá, blá...

Mas para provar que nós também somos capazes de produzir essas façanhas, o tio Xavier, intrépido pesquisador de fatos e implacável noticiador de feitos, coloca aqui no Sem Sentido, em primeira mão o nosso feito carro no telhado.

S E N S A C I O N A L

Essa espetacular realização foi nas terras do Senhor do Bonfim.
Em destaque nossa bandeira, para que ninguém pirateie
nosso feito e reivindique para outro país. Note que o vão
que o carro saltou parece intransponível. Não para nós.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A casa está caindo?

Embora eu tenha credenciais acadêmicas para tal, não farei reflexões teológicas sobre o desabamento do teto da igreja Renascer em São Paulo. Abomino explicações que não passem pela Engenharia e pela Física no caso de desabamento de tetos. Mas deve ser difícil para os Hernandes, lá do alto de sua confortável e abastada prisão domiciliar, explicar aos fiéis de modo consistente e confortador. Considerando que a mente religiosa dos fiéis tenta a ler os fenômenos físicos sob as lentes da fenomenologia espiritual, poderá parecer que a tragédia seja um sinal de reprovação divina à azienda religiosa do casal Hernandes. Vamos lembrar que estamos falando de empreendedores religiosos processados no Brasil e nos EUA, por lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica. No tangente à transparência jurídica, financeira e fiscal, o versículo "... dai pois a César o que é de César..." (Mc 12, 17) teria sido subtraído da bíblia dos Hernandes?

Um amigo do tio, proprietário de alguns imóveis, descobriu da pior forma que ostentar camiseta, bíblia e discurso de renascentista cristão não são garantia de honestidade. Ele alugou um salão para procuradores da seita montarem uma filial na Zona Norte de Sampa. Acertou contrato, aluguel, verificou que os signatários tinham procuração da pessoa jurídica da Renascer, tudo nos conformes. Mas nada garantiu que parte do dízimo e das contribuições dos incautos seguidores fosse destinada ao simples, honesto e combinado pagamento do aluguel. E lá se vão dois ou três anos para efetivação do despejo e outro tanto para ação cível de ressarcimento, sentença que até há pouco tempo - transcorrido um quinqüênio da demanda toda - não havia se efetivado. O proprietário do pequeno patrimônio de renda da última vez que falou comigo continuava decepcionado e sem ver seu aluguelzinho. Tudo porque seguidores dos Hernandes - inclusive diretores da seita a quem procurou - teriam se mostrado não tão puros de coração e sinceros de alma quanto aparentavam. Estranho para gente que se intitula de princípios cristãos.

O teto de um dos principais templos da Renascer ter caído pode simbolizar que a cobertura à empreitada toda não é tão sólida deveria. As notas dadas à emprensa pela assessoria de comunicação da entidade e outra emitida pelos Hernandes se limitam a observações que nada acrescentam. Apenas se esforçam para ressaltar que a documentação do imóvel está em dia. Considerando o caso do meu pobre amigo, vai saber o que significa "documentação em dia" no conceito dos Hernandes. Now it's too late. A esta hora pobres fiéis ainda jazem sob os escombros. Quem é que prestará contas disso e para quem prestará eu não tenho a menor idéia. Enquanto isso gente de bem e de bom coração, mas espiritualmente ingênua, continuará freqüentando outros templos da seita e contribuindo com a polpuda conta-corrente dos Hernandes. Uma pena.

Por essas e tantas que o tio é pela tributação das igrejas e instituições religiosas. São pessoas jurídicas, empregam gente, arrecadam fundos, alugam prédios (ok, às vezes não pagam), compram veículos e máquinas, compram espaços publicitários e até emissoras de rádio e TV, consomem eletricidade, água, insumos, usam telecomunicações, publicam jornais... Qual é a diferença para que esse tipo de constituição jurídica não tenha que pagar imposto, como qualquer outro? Ser sem fins lucrativos? Ah, fala sério! A não-tributação, em última instância, só serve para favorecer a captação de recursos escusos, sua má destinação e a não-prestação de contas financeiras à sociedade. E não pense que estou me referindo apenas à seita dos Hernandes ou à do outro auto-sagrado bispo da Record. Pense também em uma certa multinacional sediada em Roma...

Por que não?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Comunicação sanitária

Os departamentos de marketing e comunicação das empresas não param de se superar. Para firmar os seus produtos e reforçar o recall de suas marcas lançam-se nos mais inusitados métodos, ocupando todos os espaços possíveis e até os improváveis. Claro que sempre procuram vincular a divulgação da empresa à prestação de serviços, sobretudo de informação.

É nesse contexto que em Jundiaí pude ver esse lindo e instrutivo cartaz afixado no banheiro de um cliente. Obviamente o dito estava posicionado na parede atrás do vaso sanitário à altura dos olhos de brasileiros medianos como o tio.

Pena que o celular da darling que está emprestado comigo não tira boas fotos. Mas dá pra ver as lindas ilustrações que demonstram bom e esmerado gosto. Claro que se as pessoas tivessem aprendido os rudimentos de higiene e compartilhamento de espaço esse cartaz nem estaria lá. Então é difícil decidir o que é pior, se é o cartaz ou os fatos sociais que o motivam.

A frase mais comovente é a do quadro 5:
"Dê descarga. Urina não é perfume francês."

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Agressão ao intelecto

Isto vale para os que prezam as atividades neurais que vão além do controle da respiração. Pelamordedeus é ver as mulheres do Ciro Gomes e a do Edson Celulari ficarem de bem e ainda pra cantar moda caipira, mal pra cacete!

Nunca imaginei que depois do Sérgio Reis com o Almir Sater como "Pirilampo & Saracura" pudesse surgir algo tão chato do gênero.

É minha impressão ou...

É condição contratual do Tarcísio Meira e da Glória Menezes que só trabalhem em novela se formarem o par romântico de sempre?

Coitados. Nem fazendo novela eles conseguem dar uma variada.

Direitos autorais das caricaturas: http://www.adolar.com.br

Não sei o que é pior

a) Se é o próprio programa em si.

b) Se é o povão suado e fedorento (que não gosta de ar-condicionado) comentando no busão.

c) Se é o tom entusiástico falséééérrimo do Bial nas chamadas.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Tupinamerican way of life

O Capitalismo consegue até o momento uma façanha que nenhum outro sistema conseguiu com tanta perfeição. Ele mantém na sua periferia uma massa populacional elástica. Ora ela cresce (crises) ora ela encolhe (bonança). E esse sistema, ocasional ou não, deixa ansiosa uma imensa parcela da população, ardente por ingressar na massa de consumo. A ansiedade subtrai qualquer possibilidade de senso crítico.

Além de não saber exigir seus direitos, as massas não têm presença de espírito suficiente para ignorar os apelos de marketing do Capital e colocá-lo com seus produtos no devido lugar. Por isso as pessoas compram o que não precisam, endividam-se até onde não deviam buscando satisfação para a vida com quinquilharias sem as quais viveriam perfeitamente, senão melhor.

Desse modo não é raro uma pessoa de hábitos de consumo moderados ver que sua faxineira possui um celular plus-blaster-master muito melhor que o seu ou ainda que o filho do porteiro ganhou o videogame x-mega-over enquanto seu filho ainda se diverte com o bom e velho PS¹. Óbvio que os serviçais compraram tudo em 34098439 prestações. O presidente Lula-Lelé diria: "Nunca antes na história deste país...". Mas não é bem assim.

A população em geral já não recebe nenhum tipo de educação básica, quanto menos de como lidar com o dinheiro e administrar a vida pessoal. Eu mesmo não fui educado a respeito nem pelos meus pais e muito menos pela Escola e aprendo fazendo as piores burradas. Nada a esperar da escola em geral se a entendermos sociologicamente como fruto e serviçal do Capital. Por isso o Godzila do sistema financeiro vive a engordar, alimentando-se do endividamento da população. Do lado da classe média através de produtos com status como cartões de crédito, carros reluzentes e linhas de cheque especial; do lado da categorias mais pobres propiciando que encham suas casas com produtos comprados a juros escorchantes em prestações intermináveis. Frequentes pesquisas mostram que consumidores não sabem calcular a simples diferença entre o preço à vista e o preço final financiado.

Aí está a magia marqueteira do Capital: fazer com que a classe média (profissionais liberais e pequenos proprietários) enebrie-se e sinta-se dominante - quando não passa de vassala - e que as classes proletárias sintam-se incluídas no maravilhoso mundo do consumo, acessando bens com displays eletrônicos piscantes, controles remotos multifuncionais, potência sonora de trocentos watts e assemelhados. Em ambos os casos constroem-se modos de vida insustentáveis a longo prazo. O SPC e a SERASA que o digam. E mais e mais trabalhadores penhoram indiretamente seus suores, fígados e rins nos cofres dos bancos e financeiras.

Por que refleti tudo isso? É que além de em alguns dias eu estar mais introspectivo e pensante do que em outros, ontem eu passei por vários bairros comerciais. Fiquei pasmo com as filas nas portas das lojas do Magazine Luiza. A empresa tinha anunciado uma megaliquidação (já sem trema e sem hífen) e o populacho fez filas quilométricas para aproveitar a oportunidade insubstituível de comprar o desnecessário. Pude ouvir um dos locutores ao microfone gritando na calçada: "Já sai daqui na hora com o seu DVD, com o sua televisão LCD, com seu móvel... se não tiver dinheiro não tem problema; leva um carnezinho e a felicidade pra sua família". Felicidade de quem?

Vila Maria: ao meio-dia a fila virava a esquina com cerca de 200 pessoas.


Pela única porta entreaberta somente meia-dúzia de agraciados de cada vez.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Edite seus documentos na web

Em plena era da mobilidade, da web acessível - ao menos nos centros urbanos - e de seres humanos que exercem suas atividades computacionais em locais diferentes todos os dias, a oferta dos suítes de edição online parece tentadora. Este pobre escrevedor (escritor requer outras competências) por exemplo precisa ter pelo menos parte dos seus textos, planilhas e apresentações de forma móvel para utilizar em casa, no escritório, na faculdade e sabe-se lá onde acabará precisando.

Fã incondicional dos serviços Google, o que inclui esta plataforma bloguística, desde as versões beta passei a utilizar o Google Docs. Sei que há outros, mas a web tem se mostrado uma infinitude tão grande de serviços que acaba não dando para provar tudo. A não ser que alguma revista conceituada ou site resolva me contratar só pra isso. Nada que um polpudo salário, flexibilidade de horário e local de trabalho livre não me façam aceitar. Mas enquanto isso não ocorre, me limito a utilizar o necessário e de vez em quando compartilhar com meus amigos e leitores (boa parte são os mesmos) as experiências que tenho com ferramentas informáticas. Vamos ao benchmarking.

Recentemente a Microsoft fez algum alarde a respeito de sua Microsoft Office Live Workspace. Já vacinado contra os propó$ito$ explícitos da empresa fundada pelo Sr. Gates não me interessei nem um pouco. Vez ou outra vi uma das minhas contas do Hotmail exibir chamada para testar esse troço, mas nem fiz menção de tocar. Pois bem ao resolver blogar sobre serviços de edição de documentos online, dei uma chance ao Office Live. Fucei, fucei, fucei e o que encontrei? Vejam abaixo:



Edição online não existe, ao menos se você não for cliente do Bill Gates. O Office Live presume antes de tudo que o usuário seja um feliz comprador do Microsoft Office (de R$199 uma versão chinfrim para estudantes até R$1.300 na versão profissional). Para o tio, que preza boas ferramentas gratuitas, isso simplesmente não serve. Não possuo a suíte do Bill Gates. Nesse caso eu teria que me resignar a armazenar meus documentos no site e para editar teria que fazê-lo no desktop em um editor minimamente compatível. Algo imprevisível e impraticável para quem mal sabe onde estará no dia seguinte como eu. Sem falar que fazer upload e download "por fora" do editor não é lá algo muito confortável. Explicarei mais abaixo. Muito obrigado.

O Zoho, ferramenta que acesso eventualmente só pra bisbilhotar, é sem dúvida uma das mais completas suítes de edição. Possui um editor de texto rico (RTF/HTML) simpático, intuitivo e bem completo (vide screenshot abaixo). Para os acostumados a usar a web e que saibam rudimentos do idioma de Abraham Lincoln não há grandes problemas e as vantagens compensam. Seria o meu caso se eu não fosse um brazuca chato e exigente com minha língua-pátria. Por enquanto apenas o dicionário para revisão ortográfica comporta o Português Brasileiro. Nem sei ainda como fica isso a partir deste ano com a nova ortografia, mas aí já é querer muito. Prometo ainda pensar no caso porque o editor é bem robusto e bonito.


A página inicial do Zoho traz uma lista de serviços generosa. O surpreendente é a integração de alguns serviços com o passaporte Google, permitindo que se faça login com sua conta do Gmail. Mas são só alguns. Os principais até onde vi. Acessei o CRM por exemplo e ele abriu uma tela de autenticação diferente, sem inclusive cadastrar-se ou questionar se o e-mail que eu estava colocando, se era autêntico ou não. Dá pra perceber que Zoho é uma complexa colcha de retalhos de serviços que está longe de ser integrada de fato. O resultado dá em interfaces diferentes entre os aplicativos e certamente em armazenamento disperso. Talvez venha a ser algo verdadeiramente unificado, como foi com o Google Services, quando começou a incorporar o Writer, o Spreadsheet e recentemente o Presentations que eram programas de terceiros, mas que foram integrados de verdade.

Outra das vantagens do Zoho é a existência de plugins de integração dele para com o gratuito Open Office da Sun. A sua versão abrasileirada - BROffice - é minha suíte desktop padrão, tanto nos computadores com Windows como no servidor Linux Ubuntu de casa. Se eu fosse você e não conhecesse o BROffice, trataria logo de baixar e aprender. Além de ser uma ferramenta gratuita em substituição competentíssima do office do Bill Gates, já é utilizado por uma porção de empresas de todos os portes, sobretudo estatais federais, estaduais e autarquias como o Metrô de SP entre outras. Ou seja: já é requisito para quem quer trabalhar em uma delas. Os editores de textos, planilhas e apresentações do Zoho exportam nos formatos mais conhecidos do mercado, incluindo PDF e até mesmo o DOCX do Bill Gates, caso você precise mandar para alguém que insista em pagar por suítes de escritório.

Voltando à questão dos plugins, estes propiciam que um documento seja editado - opcionalmente - no desktop e seja salvo diretamente no repositório online do serviço Zoho. Assim, mesmo que você tenha usado um computador que não esteja em seu alcance em determinado momento o documento o estará na suíte online do Zoho. Se você não tem nenhum serviço de edição online e se vira bem com menus em Inglês, o Zoho tem o selo de recomendação Tio Xavier.


Por fim a ferramenta de apoio que uso - o Google Docs - prima pela interface espartana. Com muito menos recursos do que seu concorrente online mencionado acima, o GDocs é totalmente integrado ao login do GMail e oferece o básico com facilidade simplicidade. Espartanidade e minimalismo são emblemas dos serviços Google. Por isso não é para se esperar muita sofisticação futuramente da suíte Google a ponto de ela vir a se tornar parecida com a da Zoho. Mas para 99% dos usuários que trabalham apenas os recursos mais simples, é uma mão na roda indubitável.


O GDocs também atende à questão de integrar-se com a suíte gratuita da Sun. O OpenOffice - e por extensão o BROffice - possuem plugins que estendem a função "salvar como" ao GDocs, utilizando a conta Google do usuário. Geralmente é o mesmo plugin que se utiliza em prol do Zoho. Óbvio que a compatibilidade estética e a conversão de alguns recursos um pouco mais sofisticados como caixas de texto flutuantes, quebras de texto em colunas e mesmo a flutuação de imagens sobre (ou sob) textos corridos fica devendo. Na hora em que o arquivo sobe para a plataforma GDocs grande parte das formatações vai para o espaço e precisa ser refeita ou adaptada, pois nem tudo é suportado pela linguagem web. Mas volto a dizer que é suficiente para a produção de textos em grupo como trabalhos escolares, pesquisas e dá até para editar dentro das temidas normas ABNT para trabalhos acadêmicos. O GDocs oferece também uma interface compatível com smartphones, mas não se fie nela. Se na tela do PC o GDocs já é simples pacas, imagine no smartphone.

Se você é um usuário primoroso, arrojado e afeiçoado aos recursos de edição, engula o Inglês e abrace o Zoho. Mas se o conteúdo dos seus arquivos é mais importante do que a forma e se o seu uso em textos, planilhas e apresentações de slides não vai muito além do arroz-com-feijão, o GDocs lhe será suficiente. De presente terá uma integração muito bacana entre os diversos serviços Google. Ou, se você estiver com o bolso abarrotado, seja cliente do Sr. William Gates-III. Quem sou eu pra lhe dizer que não o faça?

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Espírito natalino, minha gente!

Uma cara amiga me telefonou ontem para dizer que tinha lido alguns posts daqui. Pelos meus cálculos agora devem ser cinco leitores. Mas a ligação não era só para ibope. A desaforada me disse que eu estou muito ranzinza. Como assim, minha cara? Eu só mostro as aberrações da humanidade e faço críticas fundamentadas, com critérios científicos e rigorosos. Só isso. O que é que eu vou fazer se essa espécie está perdida entre a falta de senso de ridículo e os maus costumes?

E para provar que não sou tão assim, nesta madrugada fui com a darling e a cria caçula ver pessoalmente a árvore de natal do Ibirapuera. Era uma hora e pouco. Estacionei, tiramos fotos e admiramos a beleza dos enfeites, etc.. Coisa linda. Estão vendo?

Fui só agora porque eu não teria saco pra enfrentar cinco quilômetros de congestionamento que era o que os babacas faziam antes do natal. Mas depois que vi qual banco patrocinava a obra fiquei puto. Entendi a razão de aqueles #@($%#* me cobrarem tarifas abusivas até pra eu pensar no banco. Desgraçados. Podiam usar a grana pra coisa melhor.

Ranzinza eu? Bah!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Morre Douglas Barcellos

Laudo diz que ator brasileiro morreu vítima de afogamento. Carioca Douglas Barcellos, 33 anos, foi achado morto em praia de Portugal. Ele morava nos EUA e teve pequenas participações em Hollywood.

Vejam que inculto sou: ignoro totalmente de quem se tratava. Assim sendo não me fará falta alguma. Que descanse em paz. Antes ele do que eu.


Segundo o jornal era esse aí com o molusco na cabeça. Ah tá...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Vivendo sem Bill Gates - parte II

Sei que várias pessoas não entenderam o post sobre o Ubuntu, anterior a este. Vão devagar que vocês chegam lá. Mas não posso deixar de manifestar minha exaltação de felicidade hoje. Depois de assistir a "Chega de Saudade" no Totem fui dar mais uma fuçada, pra ver se eu resgatava das trevas do Ruindous meu tocador de músicas e vídeos preferido - o JetAudio. E finalmente consegui.

Através do emulador Wine que veio no CD do Ubuntu, tapeei o JetAudio. Vejam que linda imagem dele tocando um som do Yarbrough & Peoples com som excelente e performance idem. O meu bom e velho tocador pensa que está sendo carregado pelo sistema do Bill Gates e trabalha como um reloginho.

Muito bom mesmo! É pra aficcionado fechar o ano soltando rojão.

Moda fashion - III, a gaviona

Ao observar a singela touca gaviônica que adereçava a moça na fila do supermercado eu não resisti. Enviei um SMS para minha querida amiga do Mesa de Botequim, minha consultora de moda, perguntando o porquê daquilo. Ela me pediu encarecidamente que eu fotografasse e enviasse para análise.

Desta feita achei melhor publicar e submeter à avaliação de todos os três ou quatro leitores desta espelunca. Antes de mais nada eu revelo alguns detalhes, sendo que a mulata em questão:
  • Não é feia
  • Tem algo como 1,75m de altura
  • Tem um físico digno de uma segunda olhada masculina
A pergunta que não quer calar é: Por que alguém usa um troço desses na cabeça?


Comitiva what?

Comitivas. Para quem não é de Sampa ou nunca teve oportunidade de ver um bando de babacas usando roupas de texano, dançando passinhos ridículos e macaqueando os caipiras americanos, já tá explicado.

Para ir aos bailes de jacu pseudo-gringo eles, além de se emperequetarem com roupas bizarras, costumam decorar seus carros com centenas de adesivos para exaltar suas preferências culturais, incluindo os lugares que freqüentam. As comitivas se auto-batizam. E um dos adesivos que os integrantes das comitivas ostentam nos seus carros costuma ser o do nome da comitiva. Pode ser algo tonto como "Comitiva Nóis Bebe Até Caí", "Nóis Capota Mais Num Breca", "Comitiva Pé Na Jaca" e coisas assim.

Mas o ser proprietário dessa pick-up se superou no quesito mau gosto. Imagine que tipo de moçoila se digna a viajar nesse veículo ou então namorar com o sujeito caso ele tenha capacidade para atrair alguma.

É a humanidade provando que já excedeu o tempo de habitação deste planeta. Hora de dar tchau.

Se ele cruzar meu caminho de novo eu revelo a placa.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pior a emenda que a zampogna

O natal em si já é um inferno. As pessoas ficam tresloucadas com a idiotice que inventaram de "correria de natal". Pra quê correr se o natal vai chegar de qualquer modo?

Andar pelas ruas era sinônimo de obrigar-se a ouvir aquelas canções natalinas ao som das harpinhas irritantes. Já era uma merda. Depois vieram as versões em ritmo de chorinho. Cazzos voadores. Aquilo já é deprimente por si, quanto mais em ritmo de chorinho. Adoniram dá cambalhotas no caixão.

Mas qualquer coisa horrível pode ficar péssima. Claro que pode. Passando pela Praça da República em Sampa hoje descobri que há coisa mais hedionda do que as próprias canções natalinas. São as canções natalinas em ritmo de música peruana, ou boliviana, ou andina... sei lá que merda é aquilo. Era um monte de clones do Evo Morales tocando Gingle-Bells com aquelas flautas de bambu, cavaco de casca de tatu, chocalhos de guizo de serpente chilena e bumbo de couro de lhama.

Não bastasse ainda estavam vendendo CD´s. Se eu tivesse grana eu comprava tudo, inclusive os instrumentos. Ateava fogo em tudo a começar pelos músicos. Coisa mais chata!

Pensando melhor a peruanazinha eu poupava (ops!) foi mal.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Nova escalação culinária

A já renomada e internacionalmente premiada culinária do Tio Xavier acaba de receber um reforço imbatível.

Depois de visitar um bucólico e perdido lugar, escondido bem no meio da muvuca do bairro paulistano de Vila Maria, o tio aderiu aos temperos naturais e frescos para dar mais sabor aos seus refinados pratos. Abaixo a foto do time.


Da esquerda para a direita: Manjericão italiano, Manjericão verde, Manjerona, Alho nira, Salsa lisa, Sálvia e Tomilho-limão. Ao lado no vasinho preto, Hortelã (segundo o fornecedor, ele tem problemas de convivência com o restante).

Segura esse time nas mãos do tio. Hoje começarei com quibe de bandeja assado. Lá vai Hortelã pela direita, passando pela carne moída, bate no trigo hidratado...

Carta ao Papai-Noel 2008/01

Prezado Noel:

Neste ano fui um bom menino, melhor dizendo: tio bonzinho. Trabalhei bastante, não olhei para as bundas das colegas de trabalho, não chutei gatos, não xinguei nenhum palmeirense de porco filho da puta, alimentei os peixes todos os dias e algumas vezes até reguei meus bonsais. Aliás vou até replantá-los hoje com a caçula, usando a terra novinha que comprei ontem.

Além disso na faculdade eu estudei com esmero e dedicação com minhas colegas gost... (ops!) inteligentes e fizemos todos os trabalhos (juro que não olhei para as bundas delas também). Tudo bem que alguns trabalhos foram meio Ctrl+C / Ctrl+V mas eu substituí todas as palavras relevantes por sinônimos, ficando apresentáveis e insuspeitos. Teve também aquela entrevista que foi forjada, tipo psicografia, mas vamos combinar que ficou bacana. Vamos esquecer aquelas transcrições para Braille que fiz usando software. Afinal quem é que escreve à mão hoje em dia né? Tecnologia está aí pra ser usada. O importante foi que as apresentações foram brilhantes, encantaram os professores e recebi boas notas por elas. Exceto daquela professorinha meia-boca de jardim de infância, camuflada de professora universitária. Mas um ser inócuo daquele não faz a menor diferença.

Enfim, para o senhor não ter dúvida, quero que o senhor veja meu exemplar boletim.

Eu sei que tem um bocado de faltas, mas eu administrei dentro dos limites.

Não vou pedir nada em especial neste ano, Noel. Na verdade quase tudo o que preciso está ao meu redor. Peço no máximo que o Sr. traga um 2009 com replay dos feitos que consegui neste ano e já está de bom tamanho. Se quiser ampliar, estou à disposição. E das minhas contas bancárias o senhor sabe os números.

Um abração pro senhor e pra senhora Noel. E bota logo esses anões preguiçosos pra trabalhar porque com a prosperidade econômica deste ano, o que não deve faltar é entrega pra fazer. Nunca antes na história deste país...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Batom where?

Pois é meu caro leitor, minha cara leitora. Há gosto pra tudo. E atualmente impera o mau-gosto. O chulo, o vulgar e o xerxelento tomaram o lugar das coisas boas da vida e há gente que ainda paga por isso. Passando ontem às 16h tanto pelo início da Rodovia Ayrton Senna me deparei com esse belo ônibus de turnê:


Eu insisto: não é uma montagem. Isso existe mesmo. Comprovadamente há um grupo de pagode ou coisa de similar categoria que se chama "Batom na Cueca". Notem os semblantes sorridentes dos integrantes. Um deles deve ser o vocalista principal e sua alcunha artística há de terminar com "inho".

Pela catiguria dos nobres "músicos", a começar pela escolha do pomposo nome do grupo, podemos supor mais algumas coisas:
  • As fãs disso não sabem distingüir uma nota musical de um relincho.

  • O adjetivo VULGAR não quer dizer absolutamente nadas pra elas.

  • A formação cultural do fã-clube deve incluir programas de auditório como os de Gugu Liberato e do Faustão.

  • A formação escolar dos apreciadores disso situa-se no máximo em "lê e escreve".

  • O vocabulário dos que acompanham esse shows têm no máximo 150 verbetes, incluindo nomes próprios como Creudislene, Eudisvlaudo, Jocilenildo e Valdiscreiçu.

  • A seletividade sexual dessas pessoas, permite copular com qualquer espécie mesmo não catalogada pela Zoologia e sem culpa.

  • Essas pessoas compram telefones istériu com mp3 em 252 prestações e ouvem seus ídolos no trem, sem fone de ouvido.

  • O paladar dessas pessoas permite tomar a cerveja que patrocina o ônibus, mesmo sem gelo.

  • Depois da cerveja patrocinadora, esses seres apreciam caipirinha feita com Cavalinho e similares.

  • Portar CDs e DVDs desse tipo de "banda" enquadra-se no artigo 12 da lei 6368.
Fazer o quê né? Dizem que gosto não se discute. Ainda mais o mau.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma perda irreparável

A programação televisiva da Band não será mais a mesma a partir de 2009. O fantástico apresentador Leão Lobo e sua fantástica partner Rosana Hermann não mais protagonizarão o também fantástico programa Atualíssima. Segundo o próprio Lobo em pele de viad... (ops) cordeiro: "É ruim para a Band, que joga fora um trabalho de anos". Opinião totalmente isenta, óbvio.

O que mais me entristeceu agora foi saber que nunca assisti ao Atualíssima. Se passa na TV em dias úteis à tarde, eu costumo estar trabalhando. Como eu jamais casaria com uma inútil, a darling também perdeu. Se Leão Lobo apresentou isso por dez anos, veja que desgraça: eu perdi quase dois mil e quinhentos programas. Desperdicei tudo.

Dez anos de informações importantes e diversificadas - imagino eu - e nunca mais tomarei conhecimento. A oportunidade passou e agora sabe-se lá se conseguirei ver algum dos restantes nos próximos dias. Tenho menos dez programas para ver, considerando o feriado.

Estou decepcionado comigo mesmo e com tendências depressivas. Vou ligar pra minha analista agora mesmo.

Sessão corujismo parte XVII

Há alguns meses a cria mais nova chegou em casa dizendo que não queria mais participar do balé na escola. Como explicação, disse que achava chato e que desde o começo do ano "fazia o mesmo passo". Não duvido da competência da professora e vi nisso apenas uma justificativa meio esfarrapada, mas preferimos respeitar a vontade dela.

Só que então ela explicou que nós tínhamos que inscrevê-la na capoeira, porque ela já estava participando fazia tempo (?). E era verdade. A cara-de-pau se enfiou na turma de capoeira sem se matricular. Restava-nos regularizar a situação e trancar o tal balé. O resultado, agora no final do ano foi esse:


Eu francamente prefiro assim. Nunca fui muito com a cara de "O lago dos cisnes".

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Nada é tão ruim que não possa piorar

"O Corinthians está acreditando em mim e tem um projeto fantástico para 2009. Estou muito confiante."

Com essas palavras o sucatão-obeso-do-joelho-podre-caça-traveco acha que consola a torcida do timão, recém-chegada do estágio na segundona. Acho que o clube gostou tanto da segunda que agora está comprando jogador de segunda.

Lamentável.

Vivendo sem Bill Gates

O tio está comemorando uma semana sem Bill Gates. O micro de casa - por sinal este que estou usando agora - pegou um vírus cavalar. O danado - não obstante os trocentos cuidados que o tio toma mandando para o inferno e-mails com .PPT, correntes, jogando sem dó nem piedade e-mails no spam só porque contém palavras suspeitas e escaneando tudo o que passa a menos de um metro do PC - começou a ferrar com tudo. Nada foi suficiente para combatê-lo. Após anos sem saber o que era vírus, caí na desgraça e a solução era formatar.

A praga veio pelo pendrive, após o tio pegar um backup de um cliente e trazê-lo para analisar. O troço foi rápido, se instalou na surdina e ficou quietinho de tal forma que o antivírus e o antispyware só foram se tocar quando ele havia fincado bandeira na área de inicialização do HD principal e, provavelmente agora do HD secundário.

Depois de tentar todo tipo de remédio, despacho em encruzilhada, sessão de descarrego da IURD, promessa para santo e nada resolver, cheguei à conclusão de podia ser um aviso de Alá para eu me livrar da ferramenta de Satã e aderir ao mundo livre. E lá fui eu pela enésima vez, desde 1999 tentar uma versão de Linux. Desta vez o escolhido foi o Ubuntu, que o meu prezado enteado comprou - a preço de pastel de feira, claro - e possui instalado no notebook dele. No HP que ele comprou, o troço instalou-se por completo. Agora era minha vez.

Coloquei o disco na bandeja do DVDRom e dei start. Pasme! O sistema inicializado pelo disco subiu como um foguete sem me fazer uma pergunta. Logo que entrou no ar, vi um desktop bonito e limpo. Internet funcionando perfeitamente. Dispositivos de áudio, vídeo, tudo excelente. Nos aplicativos que vêm junto no CD, alguns velhos conhecidos com quem simpatizo deveras, entre eles o BROffice da Sun que me permitiu abandonar a suíte da Microsoft há uns quatro ou cinco anos. Tudo muito intuitivo, simples, gráfico e simpático.

Então vi um botão onde dizia "instalar o Ubuntu no HD" e cliquei sem dó. Acredite: a única coisa que tive que dizer pra ele era que podia usar e abusar do C: sem dó nem piedade, já que só tinha o Ruindols Chispê (infectado) e programas para os quais eu tinha substitutos. Dei OK e iniciei uma nova vida. Hoje sou um um novo homem, livre dos vícios, das drogas e da pirataria. Estou vivendo bem com meu Pentium-IV montado, com 1,7GHz de clock e 1GB de memória Ram.

Já instalei uma cacetada de programas úteis e até para o meu caro 7-Zip do qual eu não encontrei versão para Linux, tive uma saída chamada Wine. Este carinha lê arquivos padrão InstalShield e ao instalar um programa for Windows, cria um ambiente virtual onde boa parte dos programas preparados para a plataforma do Bill Gates consegue rodar. Tapeadinhos na buena.

Invente, tente, faça algo diferente. Você também pode.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Agradeço a Santo Expedito

Acabei de receber um indicador eletrônico e fui confirmar. Os três leitores do blog do tio conseguiram, faltando pouco para um ano da contagem, acessa-lo nada menos que 11.000 vezes. Isso mesmo. Claro que contando comigo, minha mãe que ficou apertando o F5 por dias seguidos a pedido meu e talvez algum desavisado leitor, foram quase trinta leituras diárias. Uma tiragem de fazer inveja pras famílias Frias e Mesquita.

Agora vou começar a vender espaço publicitário. Logo, logo, você que acessa esta página será bombardeado com ofertas tipo "enlarge your penis", C.i.A.l.i.S e coisas do tipo. Me aguarde. E com a grana da mídia vou comprar uma Mercedes. São os benefícios do sucesso.

domingo, 30 de novembro de 2008

Na reserva

Os camaradas mais próximos, que me conhecem pessoalmente saberão dizer que o tio é um cara enérgico. No sentido mais estrito da palavra, não sou muito afeito ao ócio. Geralmente realizo meia-dúzia de tarefas simultâneas, penso e lido com quatro ou cinco assuntos ao mesmo tempo no trabalho e não sou muito amigo do sono. Sempre achei, embora reconheça o poder revigorante deste, que dormir é uma perda de tempo que nos impede de realizar novas coisas. Na juventude fui dos que se contentavam com quatro ou cinco horas de sono por noite, quando não chegava de alguma farra, tomava um banho e ia direto para o trabalho.

Mas o tempo passa, a carcaça amassa e o espírito cansa. Lamento que minha vida atual não me propicie ao menos seis ou sete horas de bom sono. O meu trabalho agitado em todos os aspectos, emendado com minha vidinha de tio-universitário estão me consumindo aos poucos. Quando estico uma balada com a darling depois da aula na sexta-feira, acordo podre no sábado e passo o fim-de-semana com nhaca.

Este ano em particular foi puxado deveras. O ano próspero no trabalho que tentei aproveitar ao máximo juntou-se com um ano letivo muito extenso e um pouco mais exigente. No fim deste a correria que está somando os trabalhos da facu com o esforço extra para arrematar bons contratos dentre os clientes está me levando à bancarrota de energia. Sinto cada vez mais vontade de ficar deitado no tapete assistindo desenhos na TV, quando não estou cochilando no sofá. Mal mesmo. Nada a ver com o Xavier. Outro dia, em plenas 17h em um dia de semana eu cochilei em um semáforo da Av. Sumaré. Acordei com as buzinas dos motoristas de trás e vi que o carro da frente já estava a quase cem metros.

Daqui a duas semanas pretendo dar um desligão geral no trabalho e na faculdade, até 2009. Preciso muito. Preciso ir ao clube pra ficar boiando na piscina feito um calango estirado na caatinga. Preciso bebericar em mesinhas com meus amigos e amigas emendando um assunto no outro, sem concluir nenhum. Preciso assistir meus DVDs velhos do Chaves, do Ultra-Seven, do Speedy Racer e do Picapau. Preciso caminhar em parques com os pés descalços sobre a grama e a terra úmida. Preciso de cama, mesa e banhos, não exatamente nessa ordem. E dependendo da companhia não necessariamente de todos os itens.

Preciso dormir um pouco. Boa noite. Boa semana a todos.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Que time é teu?

Metrô Barra Funda sentido Itaquera, 23 horas. Um indivíduo ao fundo do vagão começa a cantarolar em tom de bravata:

- Tricolooooooor. Tri-co-lor... é Tricolor minha gente! Chupa! Chupa porco! Chupa peixe podre! Do time da outra divisão nem vô falá. Nem existe.

Olho pra trás para ver quem seria tal criatura e vejo um carinha aparentando uns 25 anos. Vestia uma calça de agasalho e a camiseta de uma certa torcida chamada carinhosamente de bambis, aqui em Sampa. Qual não foi minha surpresa ao constatar que o cidadão estava se pendurando nos balaústres e dando cambalhotas, enquanto ria como uma hiena gritando os títulos do time dele:

- Tricampeão de num-sei-quê*. Pentacampeão de num-sei-quê-lá*... Campeão da Libertadores X* vezes! É tricoloooooooor.

E novamente se pendurava qual um primata. Dava gargalhadas em tom de provocação aos demais passageiros possuidores de faculdades intelectuais normais:

- Chupa peixe. Chupa porco. O da segundona, nem conheço.

Para alívio de todos os tímpanos - imagino que até de seus envergonhados correligionários - o distinto desceu na estação seguinte, Marechal Deodoro. E ainda lá da plataforma deu pulos semelhantes aos de algumas espécies de símios, fez gestos de banana com os braços e provocou pela última vez, chamando o metrô da Zona Leste de podre, gambá e etecéteras.

Era quase uma hiena, sem percepção da vidinha medíocre de todos nós mortais pobres. Fantasiava orgasmos mentais com a genitália de jogadores que nem sabem que ele existe. Vibrava por um esporte que rende vultuosas importâncias apenas para cartolas e intermediadores às custas do próprio tonto, que compra adereços futebolísticos e certamente deve gastar seu dinheiro com ingressos a estádios.

Agora me pergunto: como um ser tão desprovido de senso pode sair circulando pelas ruas sem coleira nem focinheira?

* O tio Xavier desconhece listas de competições desportivas. E não tem o menor interesse em letrar-se no assunto.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Tentando ser justo

Depois daquele episódio com a OI no qual eu estava praticamente jogando o chipzinho no lixo, resolvi dar o telefonema de misericórdia. A telefonista - com um gostoso sotaque da Guanabara que só elas têm - pediu mil desculpas em nome da companhia. Me explicou que justo o prefixo 67xx do meu telefone fazia parte de uma recente conversão de números fixos da Telefônica de São Paulo e, por isso, ainda haviam problemas na comutação de linhas.

A moça me garantiu que durante aquela mesma tarde eu teria de volta a possibilidade de fazer ligações gratuitas, acrescentando que, devido ao desconforto provocado, eles estavam estendendo a promoção "ligue grátis" por mais um mês. Nada mal, considerando que nem cheguei a usar de fato e o atraso foi de dez dias.

Assim tio Xavier carregou a bateria de outro aparelho, reinstalou o chip e está fazendo ligações digrátis todos os dias, à cota de vinte reais. SMS então estou mandando de monte e ainda não descobri qual é o limite deles. Sem paixões e pragmático, economizo uns bons trocados do que eventualmente gastaria usando meu Claro. Tirando a chatiCe de andar com dois aparelhos, sem problemas.

A propósito, chegando o Natal acho que vou começar a prospectar um aparelho que suporte dois chips como é do da darling. Duro vai ser um que tenha todas as traquitanas que tem o meu Nokia, incluindo o precioso teclado QWERTY que me ajuda a economizar toneladas de papel, já que não uso mais caderno na faculdade nem bloco de notas nas reuniões com os clientes.

Alguma dica aí?

A sucursal do inferno

Estava começando a escrever esta coisa e acabei lembrando que minha cara amiga Red já tinha escrito sobre essa escrotidão a céu aberto que é o Largo 13 de Maio (está aqui). Pelo amor dos meus filhinhos, o que é aquilo? Deve ser o rascunho do mapa do inferno que foi jogado na privada.

Hoje tive que visitar um prospect na região. Até aí nada demais, só que eu apenas tinha passado vagamente pelo local durante um domingo qualquer, de carro. Estava tudo vazio. Quando comentei com um amigo que iria para a região ele logo foi me aconselhando a não ir de carro, porque estacionar na região era algo impossível e se movimentar com o veículo muito menos. Segui o conselho do camarada e fiz um desafio ferroviário urbano.

Saí da Zona Leste de Sampa pela manhã e fui até a Barra Funda, onde embarquei num trem caindo aos pedaços que vai para Itapevi. Desci na estação Presidente Altino, que fica no município de Osasco, após um rápido percurso de uns quinze minutos no máximo. Aí fiz a baldeação para pegar o outro trem que segue para a Zona Sul, cujo final é longe pra cacete. Opa... este trem sim. Pensei que estava em outro país. Após descer da sucata móvel mal acreditei quando subi no trem novinho em folha, com vidros fumê, ar condicionado geladinho, TV Trem no display LCD e por aí vai. Até as pessoas que nele viajavam eram diferentes, predominando gravatas nos machos e saias e salto nas mocinhas bem arrumadas.

Só seria melhor mesmo se ele não andasse a 25Km por ora, coisa que não entendi. Imaginei que trens mais novos andassem mais rápido. Vai ver ele não corre muito pra não gastar e ficar velho como o sucatão. Desci na estação Santo Amaro e peguei o metrô que vem do Grajaú, pra andar apenas uma estação, até a famigerada Largo 13. Este último metrô também é muito bacaninha, moderno e confortável. E corre. Mas ao sair do buraco do metrô e me deparar na superfície com isso... Putz, sem comentários. Depois de andar nos arredores desse lugar horrendo, você vai achar que a Praça da Sé é uma verdadeira Champs Elysées. Juro.

Só Osama conseguirá dar um jeito nisso.

sábado, 15 de novembro de 2008

Sacrilégio

Início da noite de sábado. O tio Xavier estava com a cria mais nova e a darling a beber um delicioso açaí geladaço batido com banana, granola e outras coisinhas nutritivas. A Frutaria Santo Eduardo, situada no bairro de Vila Maria é destaque pela iguaria que sai às toneladas todos os dias nas mesas lotadas. Mas é característica também pelos funcionários péssimos e um bizarro cachorro SRD (eufemismo da Cinofilia para vira-latas), o qual entra e sai da cozinha na hora em que quer.

Como nem tudo é saborear açaí gelado, tem o brinde da casa: ter que ouvir as sensacionais atrações musicais que passam no telão de plasma com som no talo. Já tive que tomar meu açaí ouvindo a Banda Calcinha Preta (sim, existe isso), pagodeiros de Os Travessos, Jeito Muleke e tantas outras merdas, que só não me regurgitam o açaí porque tenho bom estômago. Já cheguei a reclamar com o dono para abaixarem o volume pois o som torna impossível conversar ali.

Ontem o DVD era de um show do Alexandre Pires. Nada contra ele desde que ele não alcance meus tímpanos. Pelo pouco que olhei para o telão às minhas costas ele recebeu duzentos convidados no palco para duetar. Entre eles a Ivete Poeira Sangalo, para uma versão demolidora de Hunting High and Low. Pois é. Alguém teve a manha, a petulância, a audácia de fazer esse sacrilégio musical pra cantarem batendo em couro de gato. A versão livre não passa de um apanhado de versos desconexos, bregas e com vocabulário limitado. E antes que você diga que a letra do A-Ha não vai muito além disso, vamos combinar que o ex-SPC que geme ao microfone não dá nem pra comparar com a voz do Morten Harket, ainda que na época ele fosse um moleque.

Pagode-rebolador, forró falsificado e sertanejo-corno disputam entre si o Nobel da Química, transformando excelentes canções em lixo. O sucesso do A-Ha também não foi poupado e a versão podre chama-se Estrela Cadente. Ainda bem que eu já tinha terminado meu açaí e minha coxinha. Devia haver uma lei que proibisse esses breguetes de fazer bizarrices com músicas boas. Você ainda está duvidando do que eu disse, não é? Então comprove você mesmo(a), clicando AQUI.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Botorixta abigo

Estudo mostra que 80% dos estudantes pegam carona com quem bebeu. "Apesar do número de estudantes que admitem misturar álcool e volante freqüentemente ter caído... 80% deles confessam que ainda pegam carona com motoristas embriagados depois da balada" (Fonte: Uol Notícias).

As estatísticas falam mais pelo que ocultam. O que não foi divulgado é que 20% dos entrevistados restantes eram os próprios motoristas, assim divididos:

- Metade confirmou que dirigiram bêbados;

- Outra metade não conseguiu responder e abraçavam o entrevistador falando "fozêêêêê é beeeeu abiiiigu".

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Oi... e tchau

Há alguns dias desembarcou na Paulicéia a operadora OI. Gastou alguns milhões com mídia e, se não me engano, até promoveu uns shows digrátis em Sampa. A ruidosa chegada incluiu moças bonitas e gostosinhas na porta da faculdade, todas com roupas alaranjadas gritando "olha o chip OI, só vinte reais". Na propaganda da TV veicularam a promessa de que, comprando o chip, poderia-se fazer ligações de Oi para Oi e para fixos, à cota de vinte reais por dia durante três meses. Bastava comprar o chip, instalá-lo em um telefone desbloqueado e a farra estava inaugurada.

Descrente que sou acerca de soluções mágicas e de operadoras de telefonia boazinhas, dei os vintinhos na mão de uma das gostosas, mais com o intuito de usufruir da franquia promocional dos três meses, como telefone auxiliar. Me recuso a abrir mão do meu número da Claro, pois o utilizo comercialmente há dez anos. Aguardo ansioso pela prometida portabilidade para ao menos se eu mantiver a operadora atual, que ela me dê algo melhor em retribuição, de preferência redução de tarifas. Mas cá estava eu com dois celulares, o que acho um absurdo, mas animado para fazer as chamadas gratuitas ofertadas pela novata.

Ao usar por uns três ou quatro dias, notei o que já presumia: os vinte reais depositados graciosamente no meu chip mal davam para falar "alô" para um telefone local. Segundo meus cálculos, o minuto girava em torno de R$1,20. Até aí tudo bem. Em cavalo "dado" não se olham os dentes. Nem tão dado, mas pelo valor pago o retorno ainda seria satisfatório.

Só que terça-feira passada eu tentei fazer umas chamadas locais e os números TODOS davam em uma mensagem "o número discado no momento não está recebendo ligações". Acreditei ingenuamente até que resolvi ligar para minha própria casa. Adivinha? Também estava programado para não receber ligações. E o da empresa também. Assim como o da casa da minha mãe, o da minha irmã, o do bispo local e até o do Hospital das Clínicas. Todos programados para não receber ligações, ao menos as ligações OI que não completam, pois de outro telefone o sucesso era garantido.

Liguei calmamente para a operadora. Depois do habitual labirinto de menus numéricos durante quinze consegui falar com uma humana. Ela conferiu detalhadamente o que eu falava e encerrou com o tradicional gerundês. Iria "estar encaminhando para o departamento técnico estar verificando pra poderem estar me retornando" (sic). Ao fim dos quase trinta minutos de atendimento, agradeci e pedi que me comunicassem logo o resultado para decidir se eu jogava já o chip no lixo ou se aguardava mais um tempo. Ainda aguardo o contato da operadora em cinco dias com uma solução, embora já tenham se passado sete.

Pedi à darling há cinco minutos que me ligasse no meu número OI e ela disse que estava "ocupado". Ocupado estou eu para gastar tempo com isso. Agora mesmo acessei o site da operadora à procura de algo como atendimento online ou um fale conosco. Veja que coisa fofa eu encontrei. Para uma empresa de tecnologia ter como atendimento mais palpável a carta, não me pareceu assim muuuuuito legal.

Oumaigódi. Acho que vai pro lixo já.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Independência ou...?

Uma porção de subdistritos, ao menos por estes lados estão reinvindicando sua emancipação para transformarem-se em novos municípios. Aliás, ser morador de um subdistrito já é por si uma cruz. O próprio nome denuncia que você é da oitava divisão do campeonato social. É como torcer para o Aliados de Pindamonhangaba ou o Colorado de Santo Antônio do Catigiró. Parelheiros é um desses pontos de Sampa onde os bandeirantes sequer se atreveram a chegar. Para quem não é daqui ou sendo nem sabia que havia um local chamado Parelheiros, o tio explica.

Trata-se de uma localidade um bocado distante em relação à Praça da Sé, marco zero da cidade. Coisa de cinqüenta e tantos, quase sessenta quilômetros, se fosse em linha reta. Mas um ônibus do centrão da cidade até lá roda cerca de oitocentos quilômetros para chegar ao destino. É a beiradinha do final do extremo sul da cidade, sendo que da rebarba dela dá pra ver... O MAR. É verdade. Existe um subdistrito do subdistrito, que é uma subdivisão de Parelheiros, pois desgraça pouca é bobagem. Chama-se Engenheiro Marsilac e do alto de uma colina desta dá prá ver o Atlântico, já que de Marsilac é mais perto ir para Mongaguá pela mata do que ir para o centro de Sampa de busão. É provável que alguns moradores de lá trabalhem no litoral, indo à pé todos os dias.

Como se não bastasse morar em um lugar desses, a região de Parelheiros obviamente coleciona os piores índices sociais. A pesquisa do IDH da ONU nem chega lá. Escolaridade? Vamos mudar de assunto. Saúde esse povo deve ter de sobra, porque conseguem sobreviver sem uma mísera instalação hospitalar. Violência nem tanto. Basta não olhar torto pra ninguém, pois não há xerife local. Saneamento, nem o básico e fossa lá já é um item de luxo nos casebres. A economia deve basear-se em agricultura de subsistência, considerando que o capitalismo ainda não chegou. Nem deve ser por maldade dos governantes, pois creio que a maioria sequer soube que essa beirada cartográfica existia.

Enfim, Parelheiros e sua sub-sub-divisão Marsilac (vide o A assinalado no mapa), estão aí querendo ser municípios pois, segundo a população de lá, a autonomia é o caminho para a melhoria. Se eu fosse prefeito Kassab aproveitaria agora e assinava embaixo, enviando o projeto para a Câmara Federal. Uma tremenda oportunidade de livrar-se desse bico do mapa e melhorar diretamente as estatísticas sociais de Sampa. E mais: eu ainda faria um programa de incentivo à colonização de Parelheiros-Marsilac, financiando a mudança de mala e cuia de todos os que se dispusessem enfrentar cobras, jaguatiricas e tribos antropófagas em busca de uma nova Eldorado. Aliás se eu fosse o Lula, venderia Parelheiros e Marsilac pro Evo Morales.

Tá de bobeira, Kassab! A hora é agora.

domingo, 2 de novembro de 2008

Cuidado com onde senta

Não, meu três caros leitores. Isto não é um post sobre sacanagem. Eu até escrevo algumas, mas sob pseudônimo e em um site apropriado para tal.

Há dias que fico um bocado irritado com uma certa faxineira que trabalha (ou melhor, finge) na praça de alimentação da faculdade. O tio chega um pouco mais cedo e antes de subir costuma tomar um açaí batido ou comer algo que preencha o estômago e permita agüentar vivo até as onze e meia da noite que é quando chego no barraco.

Acontece que quando vou jogar o lixo, a dita faxineira em cem por cento das vezes está escorada na lixeira. Algumas vezes já tive que pedir um polido "com licença" para jogar o meu lixo. Em outras ocasiões ela desencosta o traseiro do utensílio com um esforço de Hércules e cara de orifício anal. Por essas tantas eu decidi colaborar com a manutenção do emprego dela de outra maneira, que é deixando todo o lixo e a bandeja sobre a mesa para que ela tenha que recolher. Sei que é injusto com os demais colegas que chegam afoitos por um escasso lugar pra lanchar, mas achei ser a única maneira de eu não me arriscar a dar uma cabeçada nela na próxima vez que ela bufasse diante da minha reivindicação pelo direito de uso da lixeira.

Só que na quinta-feira eu recebi três ou quatro folhetos panfletados na porta do estabelecimento e como sou um ser asseado esperei chegar na lixeira para descartá-los ao invés de jogá-los no chão como faz a população porca que estuda lá. Quando chego na lixeira, quem eu encontro? Vamos, tente adivinhar! A ditinha, que tem menos de um metro e meio de altura dando um pulinho pra encaixar a buzanfa raquítica na boca da basculante da lixeira. Sim meu amigo, minha amiga: ela passou a sentar naquele artefato que ela teria que permanecer enchendo e esvaziando. Com minha indisfarçável cara de "tô com o saco cheio de você" eu pedi espaço para jogar a bola de papel e a sujeita saiu fazendo corpo mole, tal era a acomodação e conforto da poltrona eleita por ela. E dessa vez havia uma segunda funcionária do mesmo nível hierárquico, escorada na lateral a tramar como seria o próximo churrasco de acém na laje ao som do novo CD do Belo.

Mal enfiei meu lixo pela basculante e a mocinha uniformizada já saltou para encaixar seus gluteozinhos no buraco novamente e por pouco não prendia minha mão junto. Aí eu olhei pra cara da beneditinha e disse: "Cuidado hein, criatura! Qualquer hora te levam junto na hora da coleta".

Para minha surpresa, quando virei de costas ainda pude ouvi-la perguntar para a segunda inútil:

- Ele tá querendo dizer que vão me confundir com lixo?

Não sei se isso foi despeito ou uma simples indagação. Mas espero que ela filosofe bastante sobre essa dúvida. Quem sabe ela se toque e descubra que nossas escolhas determinam nossos lugares no mundo.

Enquanto isso as mesas continuam sujas.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Happy birthday to me

Oficialmente é HOJE que o tio Xavier completa quarenta e duas primaveras. Literalmente. Foi na estação das flores que a avó Xavier deu-me à luz. Vou explicar cientificamente: na véspera do dia em que se comemora meu nascimento eu COMPLETO o ano. Amanhã será o primeiro dia do meu quadragésimo-terceiro ano. Se não entendeu, problema seu. Páro por aqui.

Segundo algumas correntes de pensamento que misturam Biologia com esoterismo, no caso presente estou encerrando o meu sexto ciclo de vidas. Acontece que uma célula vive no máximo sete anos. Sendo assim, amanhã iniciarei meu sétimo ciclo celular que se encerrará ao têrmo do meu quadragésimo-nono ano.

Esse tempo significa muita coisa. Significa que hoje sou muito mais. Mais impaciente, mais intolerante, mais desbocado, mais saco cheio, mais fadigado, enfim mais chato do que vocês já conheceram. Chega desse papo babaca estilo: "eu não me troco por esses carinhas de vinte e cinco anos". Claro que se houvesse a possibilidade de eu esvaziar a alma de algum jovem e me apossar da carcaça dele eu o faria sem pestanejar. Aliás se alguma feiticeira de plantão souber a receita, pago bem pelo serviço executado.

Neste sábado receberei um seleto grupo de seletos amigos mais próximos. Algo modesto, caseiro e destinado apenas àqueles que de fato estão "sempre aí" quando o tio precisa e chamam-me quando estão no apuros. Os demais são colegas, parentes e grupos circunstancializados. Têm algum lugar na estima do tio, mas para os momentos como esse eu costumo mesmo restringir.

Inspirado por uma crônica que li dia desses não haverá apagamento velas. Nada de apagar. Se for para ter fogo, será para acender e mantê-lo como espero manter minha chama vital por mais algumas décadas, enquanto eu tiver qualidade de vida. À certa altura dos comes chamarei as pessoas para o bolo de sobremesa. Por favor sem cantoria nenhuma, tampouco "o tio faz anos, o azar é só dele". Azar para PQTP porque vencer quatro décadas e tanto de luta não foi fácil. Não é, aliás.

Se você que lê esta espelunca tiver alguma relação comercial com o tio, seja fornecedor, representado, cliente, credor ou do governo, por favor não me ligue amanhã para pedir isto ou aquilo. Amanhã tirarei o dia para mim. O máximo de esforço que me permitirei será ir até a padaria comprar um pãozinho quente e uma mortadela defumada. Talvez ir à pedicure tirar os lençóis de calosiodade sob a unha do dedão. Talvez eu pare no caminho pra tomar um açaí gelado e ficar olhando as moçoilas a passar pela calçada, com suas saias curtas e coxas grossas. Talvez eu pare em alguma loja e compre um mimo pra mim, porque trabalhar como camelo e não tirar uma lasquinha ninguém merece.

Parabéns pra mim. Meeeeeeesmo.