segunda-feira, 23 de julho de 2007

Transformer da periferia

Esta bela imagem foi enviada pelo meu caro amigo Rodrigão. O elemento retratado é criativo e ecológico, pois reciclou materiais descartados para o traje.

A idéia, se aplicada corretamente, pode contribuir também com a distribuição de renda. Basta mudar a arma de brinquedo por um bom trezoitão esmerilhado.

É como eu sempre digo: este país só não progride porque não tem Governo.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

The cu

Já dizia um velho deitado que "se cunhado fosse bom não começava com cu". Hoje o distinto marido da minha única irmã resolveu me telefonar às sete da madrugada. Não que eu já não estivesse em pé a essa hora. Mas isso não são horas de ligar para a casa dos outros e não gosto de ouvir voz humana logo cedo. O que ele queria era aparentemente simples: minha furadeira emprestada. E que eu a levasse para o meu escritório que ele passaria lá para pegá-la.

Vamos aos detalhes significativos:

- Minha furadeira é de marca renomada e modelo plus. Tem acelerador gradual no gatilho, torque regulável e giro reverso. Ganhei-a de presente de um amigo e ela custa em torno de quatrocentos e cinqüenta reais. Uma verdadeira jóia.

- Costumo guardar minhas ferramentas limpas, em caixas apropriadas e, se necessário, com fios e acessórios presos.

- O cunhado em questão é um ser do mais relaxado que se pode imaginar. O porta-malas do carro dele se parece com a caçamba do "Cata Bagulho" da prefeitura. Suas ferramentas ficam espalhadas entre os cômodos da casa onde mora, outro tanto no carro, outro tanto no galpão da empresa dele e outro tanto nem Deus consegue localizar.

- O ser em referência trabalha com peões de montagem, que não sabem a diferença entre um serrote e uma faca de cozinha. São igualmente relaxados e, com o exemplo do patrão, devem superá-lo em alguns quesitos.

- O trabalho do cidadão pode necessitar algumas vezes de perfurar superfícies e paredes de material imprevisível. De uma madeira em decomposição a uma rocha de granito maciço.

Não preciso dizer mais nada para explicar minha relutância em emprestar minha super-hiper-furadeira-plus para uma criatura dessa. Fui para o trabalho decidido a fazer outra coisa. Eu compraria uma furadeira vagabunda de cinqüenta reais e daria a ele. Era uma forma de preservar minha preciosa ferramenta e dizer a ele algo como "porra, sua montadora de merda não tem cinqüenta paus pra comprar uma furadeira?". E assim o fiz. A máquina custou o exato valor almejado e trouxe-a para o escritório, aguardando o mala aparecer. Mas aí o telefone toca.

- Ô meu, lembrou da furadeira?

- Ahã.

- Então... eu acabei resolvendo por aqui. Arranjei uma emprestada.

Começo a pensar rápido.

- Porra, emprestada? - Agora, mais puto, procuro uma forma de recuperar minha grana - Eu achei uma do lado do meu escritório. Boazinha. Sessenta paus.

- Achou? Hum... Então sei lá. Que marca é?

- Marca? Essas furadeiras comuns são todas iguais. Toma vergonha na cara! Vou buscar e você pega aqui à tarde. Mas me traz a grana hein?

- Tá legal então. Eu levo um cheque. Só tem uma coisa.

- O quê?

- Tem que ser 220V.

Liguei para a loja e os cornos não a têm em 220V pra trocar. Agora me digam: devo furar a testa do cunhado com uma broca de 6mm ou de 8mm?

Em tempo: já vou me postar atrás da porta para ele não ter tempo de reagir.

Regra-mór da Informática

"Se está funcionando, não mexa". Incrivelmente boa parte das pessoas ignora esse postulado de ouro.

Depois de amargarmos telefonemas raivosos, reuniões intermináveis e investigações de campo quase sem resultado, um sistema nosso recém-implantado em um cliente finalmente estabilizou. Trata-se de uma parafernalha complexa que envolve transmissão de dados por rádio-freqüência, dispositivos portáteis, conexões com um banco de dados que não é nosso e outra série de coisas que não vem ao caso listar.

Ocorre que o projeto estava devidamente pago, mas atrasado de nossa parte. E ainda diz respeito à atividade principal de nosso cliente. Por isso, cada vez que o treco travava era acionado o único plano de contingência possível: papel, prancheta e caneta Bic. Dessa forma o faturamento do cliente atrasava no pior do efeito cascata. Já deu pra sacar o impacto dessa coisa, sempre na bunda do tio.

Enfim, na última sexta-feira, orientado pelos meus caros técnicos, passei alguns procedimentos informáticos para o cliente. Por esgotamento, o nosso critério já estava na metodologia lotérica. Feito tudo na sexta mesmo, parece que a coisa começou a entrar nos trilhos. Ontem visitei esse cliente pela manhã e fui recebido com sorrisos, chocolate quente e biscoitos, sinal de que as coisas tinham melhorado de fato. Conversei com um dos operários, que já portava um dos trecos portáteis que vendemos, e ele me testemunhou que há dois dias seguidos tinham batido a meta de zerar todos os pedidos até final do expediente, sem extras. Suspirei com alívio. Ao final da rápida reunião me mandei, bem mais tranqüilo.

E ontem mesmo, no fim da tarde, depois daquele ridículo ocorrido no shopping, voltei para o meu escritório e telefonei para o profissional responsável pela parte de rádio-freqüência no projeto.

- Alô, Robert* tudo bem?

- Oi tio, tudo bem. Como foi lá no cliente hoje? Como estão as coisas por lá?


- Não podia ser melhor. O troço está estável. Estão separando os pedidos sem maiores problemas.

- Mas o que foi que resolveu de fato? Foi a troca da antena ou a supressão da criptografia?

- Que importa? Nem dá pra saber. Eles fizeram tudo que mandamos na sexta passada e funcionou.

- Mas precisamos saber o que foi que resolveu.

- Pra quê, cara-pálida? Eles trocaram a bosta da antena e zeraram a criptografia. Pronto, funcionou e o cliente está feliz e produzindo. Hello babe, tá fun-ci-o-nan-doooo.

- Mas assim não dá pra saber pra colocar no laudo.

- Coloca as duas coisas na porcaria do laudo e explica no que ajuda cada uma delas.

- Ah, não é legal isso. Melhor testar para ter certeza de o quê foi que resolveu.

- Testar? Como assim, Robert*?

- Testar é testar, ora. Destrocamos a antena e vemos o que acontece. Depois recolocamos a antena nova e estornamos a criptografia. Aí ficamos observando as ocorrências em cada um dos testes e pelos resultados tabulados chegamos a uma conclusão.

- Você não tá falando sério, né?

- Mas tio, precisamos de fechar o laudo com precisão.


Nesse momento meu tom de voz subiu para tons muito acima das recomendações do Conselho Nacional de Otorrinolaringologia:

- CARA, SE VOCÊ PISAR LÁ, PEGAR UMA ESCADA E AMEAÇAR CHEGAR PERTO DA INSTALAÇÃO, EU MESMO TE DESPENCO LÁ DE CIMA. E QUANDO VOCÊ CAIR NO CHÃO TE DOU DOIS TIROS, PRA GARANTIR QUE NÃO VAI TENTAR DE NOVO!

- Caramba, tio! Tá nervoso?

Desliguei o telefone.

Alguém aí pode explicar para esse profissional? Obrigado.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Shopping Internacional, (des)serviço de província

Tarde fria e com pancadas de chuva repentinas. Após um pequeno encontro de negócios que marquei no Internacional Shopping em Guarulhos, caminho até onde estacionei meu carro. De longe já vi que tinha esquecido os faróis acesos. E tendo me ausentado por duas horas, era quase certo que a bateria tinha ido pro saco.

Depois de apagar os faróis, tento fazê-lo pegar em vão. A bateria não tinha mais força para funcionar um radinho de pilha, quanto menos o motor de arranque do carro. Procuro um segurança, explico o ocorrido e pergunto se há socorrista no shopping. Para minha surpresa o rapaz diz que sim e que eu poderia solicitá-lo no guichê de pagamento do estacionamento. Tudo certo até então. Ao menos foi o que eu pensei.

- Moça, esqueci os faróis ligados e a bateria do carro arriou. Você pode me chamar o socorrista?

- Seu carro está onde?

- Bem ali - eu o tinha estacionado a pouco mais de dez metros do guichê - .

- Bem que eu tinha visto mesmo. Até comentei com a minha colega. Não sei como não chamaram o senhor pelo sistema de som - pega o interfone - alô, por favor, você pode vir aqui? O tio Xavier está com o carro sem partida. Como? Ah... entendi. Vou falar com ele. Tio, o senhor tem uma outra bateria para ligar o carro?

- Olha, seu eu tivesse outra bateria não teria pedido socorro. De mais a mais por que alguém carregaria uma bateria extra no carro?

- É que o socorrista tá falando que ele só tem o cabo de ligação. E precisaria de uma bateria pra ligar, mas ele não tem.

- Porra, mas cabo é o de menos. Até aqui no supermercado Extra deve ter, por uns quinze reais. O que eu preciso é de bateria.

- O senhor não tem algum conhecido para chamar?

- Como assim? Eu conheço vocês. Entrei no shopping, gastei dinheiro lá dentro e ainda paguei o estacionamento. Vocês são meus conhecidos e em um lugar deste tamanho e pago, tem que ter um socorro, no mínimo.

- O seu carro pode ser empurrado para dar um tranco?

- Não sei. Mas acho que não tem nenhum problema. Chama o cazzo do motoqueiro então pra vir empurrar.

- Alô, socorrista? Pode vir aqui pra empurrar o carro do tio? Como? Ahn... certo. Vou falar com ele. Viu tio, ele não pode vir agora. Ele sugeriu para o senhor pedir ajuda para alguma pessoa.

- Ah, claro! Há que ser uma pessoa pra me ajudar. As antas e os jumentos estão se mostrando incapazes. Um momento, que deve ter alguém que mande nesta bosta. Vou lá dentro e descubro já. Agüenta aí.

Saí decidido a mediunizar o cabloco Norris na gerência do shopping. Mas já haviam se passado dez minutos de quando decidi procurar ajuda. Dei uma chance pra bateria do carro e fui até ele. Virei a chave e ele, mesmo sem muita força, acabou pegando. Eu tinha uma porção de coisas para fazer e resolvi não dar cursos de atendimento a clientes para um bando de idiotas.

Já sabe agora: se for a esse estabelecimento e precisar de socorro, vá logo recebendo o caboclo Norris. Ou chame o socorro da sua seguradora. Porque no shopping de Guarulhos, sorry babe.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

The real second life

Esta linda tela que você pode ver abaixo é do meu Kurumin Linux, o qual estou a usar no momento desta postagem.


FAQ - Frequently Asked Questions


Tio, foi difícil instalar?
- De jeito nenhum, meu caro. Apenas coloquei o cd na gaveta do micro e iniciei a máquina.

E o que acontece na inicialização?
- O sistema operacional "sobe" e permite de imediato ao tio realizar qualquer tipo de operação antes feitas com o ruindols do Bill Gates.

Mas e os drivers de vídeo, som, mouse, teclado, etc.?
- Olha amigo nem sei o que é isso. Ele conectou tudo de primeira sem fazer uma única pergunta.

E ele conectou a internet?
- Não. Este post está sendo feito com recursos mediúnicos.

Você sempre tem que colocar o CD para ele rodar?
- De maneira alguma. Eu rodei a opção "instalar o Kurumin no HD" e selecionei uma pequena área do HD que eu havia deixado livre para esse fim.

Mas então você destruiu o Windows?
- Não, mas apenas porque eu não quis . O Linux Kurumin instalou facinho uma opção de dual-boot para que eu decida com qual sistema operacional trabalharei doravante, sempre que iniciar o micro.

E as partições NTFS onde estão seus arquivos de trabalho e lazer, que você gerou com o Windows?
- O Kurumin enxergou-as sem que eu nada fizesse. Permite-me ler, editar e gravar os meus antigo arquivos nessa partição, como se fossem dele. Ao contrário do sistema do Bill Gates que só enxerga as suas próprias partições.

Como ele é vendido? Custou caro?
- Ele está disponível GRATUITAMENTE na internet. Mas eu optei por comprar um CD no Baixaki por míseros vinte reais, por comodidade. E posso instalá-lo e executá-lo onde eu quiser.

Quais são os aplicativos que vem com ele?
- Não dá pra contar. Mas praticamente tudo o que eu uso no cotidiano: OpenOfficeBR, o navegador Firefox, Kopete - que é um comunicador instantâneo compatível com o Msn - , editores de imagens, editor de música, jogos e uma porção de coisas.

Experimente, tente. Faça algo diferente.

domingo, 15 de julho de 2007

Utilidade pública: Cuidado com o maracujá

Acabo de chegar em casa, depois de uma farta churrascada. Desde a hora em que cheguei lá - por volta de 13h - entornei incontáveis caipirinhas, todas de ótima qualidade, preparadas com Sagatiba®. Bebi uma, duas, três... Parei de contar por volta da quinta ou sexta. Os limões, pude perceber que também eram de boa qualidade. Não sei de qual variedade, mas eram verdes e viçosos. O açúcar era União®, o que me parece ser um bom produto.

A certa altura, vi uns maracujás sobre a pia e pedi para um chegado preparar uma "maracujinha" ou sei lá como deva ser chamada a batida com essa fruta. Foi a conta. A última coisa que me lembro é de alguém me conduzindo ao apartamento dos anfitriões, onde apaguei por algumas horas. Neste momento minha cabeça ainda dói e tudo que ouço vem acompanhado de um zumbido.

O Ministério da Saúde e o Sem Sentido® advertem: maracujá é altamente prejudicial à saúde.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Bola fora e mesa quadrada

Eles quase sempre são quarentões ou cinqüentões obesos e sedentários. Raros deles são ex-praticantes de alguma modalidade esportiva e, mesmo destes, nem todos são dignos de menção honrosa. Mas diante das câmeras e microfones, sabem tudo de arbitragem, treinamentos, escalações, táticas em campo, cobranças de escanteio, faltas e até mesmo das temidas defesas de penais. No que dependesse das suas línguas afiadas e peçonhentas, mais do que dos seus físicos e exemplos de vida, o futebol seria um interminável espetáculo de disciplina espartana, austeridade, profissionalismo e, claro, gols a perder de conta.

Estou obviamente falando dos comentaristas esportivos, que invadem a TV nas noites de domingo e nos especiais após os jogos de futebol. A TV nesses horários torna-se um pé-no-saco. Custa-me acreditar que a durabilidade desse tipo de programa se deva à audiência de fato. Ou então temos que admitir que o Brasil é um efetivo de cento e noventa milhões de técnicos de futebol. Um bando de cérebros inativos, cujas poucas informações que conseguem processar incluem necessariamente turbas de machos suados com as pernas à mostra correndo atrás de uma única esfera cheia de ar comprimido. Inacreditável.

Tirando alguns que outrora já demonstraram como tomar posse de uma bola e fazer algo entretenível com ela - Pelé, Sócrates e Neto por exemplo - a maioria desses atletas verbais não passa de radialistas e ex-radialistas de formação duvidosa. Hábeis apenas com a língua ferina, porque ela é o único músculo que não fadiga. De um modo geral, acompanhar algum esporte com tanto afinco e vibração, sem ao menos praticá-lo de alguma maneira, casa bem com aquela torpe expressão, que equivale a "ter ejaculação com o pênis alheio". Coisa muito babaca.

Sou totalmente a favor da PRÁTICA do esporte. Mas também sou favorável ao extermínio em massa desses embusteiros do microfone. Contudo os cães ladram - ladramos no caso - e a caravana passa. Tudo indica que essa alienante preferência em debater assuntos inócuos está longe de terminar. Aí estão agora os Jogos Panamericanos na Baía da Guanabara que propiciarão indiretamente um show de abobrinhas, protagonizado pelos atletas de microfone. Sim, porque temporariamente eles - que tudo sabem sobre futebol - proferirão pitacos sobre todas as demais modalidades esportivas. Despejarão suas sábias e incríveis soluções que, se fossem aplicadas, trariam cinco dúzias e meia de medalhas para o Brasil. Na cabeça deles. Sorte deles que há quem os ouça.

Uma noite dessas, só para provocar meu cérebro com temas atípicos ao meu cotidiano, arrisquei-me a ouvir um programa paulistano chamado Estádio 97. Sem ressalvas se alguém gosta de ouvir aquilo porque tem gosto pra tudo. Mas a pérola foi um ouvinte corinthiano ao telefone - amparado por um dos radialistas - gastar preciosos dez minutos de transmissão radiofônica para apresentar suas sugestões para as próximas contratações do Timão. Foi algo bizarro assim:

Ouvinte: Então, o Zé das Couves* do Jaboatão* tem crescido muito na enésima divisão.

Radialista: Você acha que ele seria um bom nome para o Corinthians?

O: Sem dúvida. E tem também o Manoel Joaquim* do Estrela de Prata* do Piauí. Um goleiraço, bem melhor que o Fábio Costa.

R: E que outros nomes você sugere para o Corinthians?

O: Tenho uma listinha aqui. O Fulano do Pé na Cova* do Maranhão, o Beltrano do Bola Furada* do Acre, o Sicrano do ... blá, blá, blá...

Faça-me um favor. Alguém consegue imaginar o Dualib ouvindo rádio e anotando os nomes? Sem comentários.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Kingston®: o pen-drive lavável

Você fica com nojo do seu pen-drive por ficar enfiando ele aqui e acolá (no bom sentido, é claro), em qualquer CPU sem o mínimo de higiene e sem preservativo?

Acha que, pelo fato de o pen-drive ficar no bolso da calça, jogado na gaveta ou no console empoeirado do seu carro, ele pode estar virando uma coleção de bactérias?

Seus pobremas se acabaram-se!

Os pen-drives Kingston® são laváveis. Isso mesmo. Nada como um pequeno incidente para a humanidade fazer novas descobertas. A tia darling esqueceu-se de bater geral em uma das calças do tio, antes de jogá-la na máquina de lavar. Hoje de manhã, o tio dana a procurar o seu quase inseparável dispositivo de armazenamento de dados. Até que...

O dito estava em um dos cento e vinte bolsos da minha calça cargo. A c
alça já estava lavadinha, seca e dobrada, esperando pela visita da diarista-passadeira. Ferrou, pensei. Peguei-o resignado com a perda das informações e do aparato, que ganhei de presente de um amigo. Esperei pacientemente até chegar ao escritório para confirmar a decepção. Espetei na USB e..? Acreditem: ele está funcionando PERFEITAMENTE! Ainda mais: a parte azul está mais azul e a parte branca está mais branca graças à ação de ACE® da P&G.

Kingston®. "ACE" todo pen-drive fosse assim!

Ps.: Essa experiência foi executada por profissionais treinados. Não tente fazer isso na sua casa. O pen-drive utilizado no experimento foi o de 512KB, a máquina de lavar é BS-Continental
®
e a secadora Bosch®. Não temos registro de resultados com dispositivos de outras capacidades. Nenhum dos mãos-de-vaca, fabricantes das marcas acima, quis pagar nada por este testemunho e não se responsabilizam por tentativas similares.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Free Hotspot

Seu escritório ou residência possui uma rede interna sem fio? O acesso à internet é compartilhado? Quais são as ferramentas ou protocolos de segurança que você utiliza para coibir acessos indevidos?

Quando eu faço essas perguntas para os meus clientes, a maioria fica me olhando com cara de "meu Deus o que é isso?". Quando não fazem pior : posudos dizem que sim, que tomaram todos os cuidados que a rede é segura e tal. Mas na maioria das vezes quem montou a rede sem fio foi aquele filho ou sobrinho que "mexe com informática" ou ainda foram eles mesmos: plugaram, por acaso funcionou de primeira e, como diz a regra, se está funcionando não mexa.

Eis o que aconteceu com o tio esta manhã: abri meu notebook, liguei-o enquanto pegava a fonte de alimentação, dei logon do sistema operacional e logo estava acessando a internet para ver minha correspondência matinal. Navegava pelos webmares na boa quando percebi que o cabo azul de rede em minha mesa jazia inerte, desconectado e ocioso. Olhei a barra de tarefas e então percebi que estava acessando uma rede sem fio de algum vizinho desavisado. Um comandinho aqui, outro acolá e consegui acessar o compartilhador de banda larga que espalha o sinal. Entrei no dispositivo testei uma ou duas senhas daquelas óbvias e lá estava eu dentro do wireless router do tal vizinho. Acredite: o usuário administrador do dispositivo chamava-se singelamente "admin" e a senha então era... "admin". Mais óbvio impossível.

A queda do dólar e a popularização dos acess points fez com que uma boa leva de usuários, já quase inaptos tecnicamente a ter um computador e zelar por ele, passassem a ter acesso à banda larga e agora a roteadores sem fio. Pior impossível. Com a ausência total de segurança da parafernalha do vizinho, bastaria um filtro de pacotes, implantado por este que aqui escreve, para descobrir coisas incríveis: de senha de provedores, e-mails, senha de orkut, papos de msn e até senhas bancárias. Pior impossível.

Não estou nem um pingo interessado nos pormenores sórdidos da vida alheia, tampouco em obter grana roubada, mas quantos outros não estarão? O que os sujeitos das proximidades fazem é algo como deixar o carro aberto com as chaves no contato, a porta de casa escancarada ou ainda, deixar o cartão bancário sobre o caixa eletrônico com um papelzinho com a senha colado. Adotam inadvertidamente tecnologias com as quais não sabem lidar e não buscam informações mínimas sobre precauções e medidas de segurança. E isso está crescendo a olhos nus - ou melhor - longe dos olhos dos usuários já que esse tipo de comunicação é intangível. Sinto muito por eles, mas os ladrões que estão ingressando no mundo da Informática por muito tempo não terão nenhum trabalho para roubá-los. Mais fácil do que tomar doce de criança. Depois as vítimas hão de praquejar contra os fabricantes de tecnologia, contra os bancos e sei lá mais contra quem.

Agora a idéia de deixar de pagar o meu provedor e pegar carona na internet do vizinho até que não me parece tão má. Afinal o sinal está aí no ar, com quem não quer nada, entrou aqui na minha sala sem eu pedir. Não sei não. Vou pensar melhor sobre isso...

Ps.: Este post foi editado e colocado no ar usando a rede do vizinho, mas só para fins de pesquisa científica sobre segurança. Eu juro. Mas preciso fazer outros testes.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Ingenuidade

Essa pérola da sinapse é de autoria do meu graaaaaande amigo Celsão.

- Pô cara, sabe aquele posto no Imirim onde eu abasteço, né?

- Sei, no caminho do trabalho da sua mulher.

- Então, tô desconfiado da gasolina de lá, viu? Tá esquisita.

- Mas por quê?

- Pô, outro dia o frentista encheu o tanque até a tampa e derramou um pouco, saca?

- Isso às vezes acontece. Mas e aí?

- Então, acredita que onde a gasolina escorreu, arrancou a tinta do carro? Estranho isso.

Esse é meu amigo Celsão. Ele ainda desconfia...

Ps.: Prometo confirmar o endereço desse excelente fornecedor de combustível e publicá-lo aqui.

Viajar com prazer é com a MarTur

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Praia Grande fashion beach

Me digam que é mentira. Que eu não vi essa família e esse sujeito bizarro com essas botinas, embaixo de um sol de 30ºC.

Depois a darling reclama que eu não gosto da Praia Grande. Veja bem, não é que eu não goste da cidade em si. Eu não gosto é de ter que presenciar essas cenas grotescas. Como é impossível não ver essas aberrações por lá, o melhor jeito é não ir.

A cada dia que passa sinto mais saudades de SC. Eu quero voltar pra lá. Agora.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Chumbo trocado dói?

Os gênios do Vaticano, pródigos que são nas posições conservadoras, continuam a defender seus princípios de fé a respeito do aborto com as mesmas premissas de sempre. Até aí é um direito deles e merece todo respeito.

Mas daí para recomendar que os católicos deixem de contribuir com a Anistia Internacional, por causa das divergências entre esta e aquela sobre o aborto é algo demais, não? Se tiver dúvidas leia aqui.

Vamos acatar essa insensata diretriz vaticanenense e levá-la às últimas conseqüências. O tio Xavier sugere algumas contrapartidas possíveis:

1) Que a Anistia Internacional recomende aos seus militantes que deixem de denunciar a violência contra sacerdotes e religiosas, por parte de governos autoritários e latifundiários.

2) Que todas as mulheres vítimas de estupros, incestos ou com gestações de risco mútuo se mandem para o Vaticano a fim de receberem a assistência financeira, médica e psicológica para superarem suas desgraças.

3) Que os rebentos frutos dessas gestações sejam todos criados pelo Vaticano, recebendo o melhor em educação, formação e conforto nas barras de saia cardinalícias, muito mais abastadas do que as de suas genitoras.

4) Que todo e qualquer bebê ancéfalo, depois de nascido seja mantido nos mais caros hospitais de cada localidade e a conta seja enviada ao Vaticano.

5) Ou então, que seja lançado o VatiMed: Um plano de saúde pública de alcance mundial, utilizável em qualquer hospital particular. Os cartões seriam enviados a todas as mulheres vítimas de violência sexual ou com disfunções uterinas, sem a necessidade de inscrição prévia. Todos os custos seriam bancados pela Igreja Católica Romana de cada país, que receberia as contra-faturas dos hospitais e pagaria as despesas imediatamente e em espécie.

6) Que os padres que não respeitem seus votos de castidade e protagonizem peripécias sexuais, vão trabalhar no mercado privado para dar o amparo financeiro cabível a cada caso, seja aos seus parceiros(as) sexuais ou ainda os filhos frutos desses relacionamentos.

7) E, finalmente que os eventuais casos de pedofilia protagonizados por clérigos sejam excepcionalmente tratados com penas de outro código religioso - o Islamismo - e, neste caso mediante amputações.

E então, aí pode?

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Vou-me embora pra Pasárgada

Pois é. Estava tãããão bom semana passada em SC. Aliás, sabem como se denomina "mulher feia" em SC? Turista. Ô lugarzinho bão para se apreciar as obras carnais da natureza. O Barba-Supremo deve ter alguma predileção por aquele lugar, porque ele não colocou nenhuma mulher feia lá. Só quem coloca algumas são os fluxos migratórios e a CVC.

Mas o tio não é amigo do rei. Nem sequer possui um LP do rei autografado. E tem que se contentar com a labuta até que o pacote CVC tri-anual esteja pago, para poder encarar outra curtíssima incursão às belezas do Sul. Na próxima sem dúvida o tio vai de carro. Porque ficar refém dos programas de índio pega-turista-trouxa da operadora de turismo é tocaia da boa. São os passeios-galo. Cada rolê deixa cinqüentinha. Um galo pra almoçar, um galo pro ingresso e assim vai.

- Gente, amanhã nós vamos estar indo para o Beto Carrero World.
- Obaaaaaaa.
- Mas no pacote só tá o passeio, não o ingresso.
- Ahhhhhhhhhhh.

E lá vai cinqüentão mais cinqüentão.
- Gente, a gente vamu almoçar no Ataliba, que é uma das melhores churrascarias do Sul.
- Obaaaaaaa.
- É cinqüentão pra cada casal, mais dez por cento, a sobremesa e as bebidas são à parte.
- Ahhhhhhhhhhh.

No outro dia entra um cara diferente no busão:
- Olá gente, eu vou acompanhá-los no passeio de hoje.
- Obaaaaaaa.
- Com esta câmera eu vou filmar tudo. Depois cada um me paga cinqüentinha pelo DVD que vou deixar no hotel.
- Ahhhhhhhhhhh.

E a sucessão de obas e ahs não cessa.

Pior foi a tour de compras. Pegaram a galera para ir aos "Lojões de Fábrica". Para quem mora em Sampa, loja de fábrica é sinônimo de peças baratas, liqüidações, sonegação fiscal e uma festa de preços baixos. Fomos à Hering®. Quer coisa mais em conta do que malhas Hering®? Eu quero, porque não achei um ítem barato lá. Uma arapuca. Tinha uma suposta promoção com bolinhas coloridas coladas nas etiquetas. Os descontos variavam de vinte à sessenta por cento do preço etiquetado. Se não tivesse bolinha o desconto era de dez porcento. Adivinhe se alguma peça tinha bolinha de cor? Acertou quem disse nenhuma. Aí uma calça jeans básica - no Brás ou no Bom-Retiro em Sampa custa no máximo cinqüenta reais - estava lá por noventa. Com os generosos dez porcento, caía para oitenta e um reais. Vão se catar.

E no almoço me aparece uma sujeita com uma câmera digital fotografando as famílias. Eu jurava que ela era do grupo dos turistas, querendo recordar os companheiros de viagem. Jurava no pretérito imperfeito mesmo. Porque meia-hora depois ela me aparece com um liiiiiiindo chaveirinho de plástico transparente com a nossa foto. Cincão. Peguei logo, primeiro porque foi a coisa mais barata que me empurraram na viagem. Segundo, porque diz uma lenda que esses fotógrafos de passeio fazem macumba com as fotos dos que não compram. Por cinco reais, melhor não arriscar.

E o vôo da TAM? Serviço de bordo é o famoso "Viaje conosco mas na volta não estamos nem aí". Na ida foi sanduíche de peito de perú defumado com requeijão, sucos de cinco variedades, refrigerantes e até cerveja e vodka. Na volta? Um saquinho de quinze gramas de amendoim torrado e suco de laranja sem gelo. Quinze gramas de amendoim não dava dez grãos. Não comi nem bebi com medo de fazer falta pra eles. E o Comandante Rolim dando voltas no caixão.

O vôo de volta era pra Congonhas. Mas como todos sabem, não há ralos na pista de Congonhas. Então chuvão caindo, vamos que vamos pra Guarulhos. E cadê a mala do tio Xavier na esteira? Tomou Doril. Por sorte a mala-clone esquecida na esteira estava com o nome de um passageiro que identifiquei a tempo de parar o busão da TAM que ia levar ele e o resto do povão pra Congonhas. E toca a mulher da TAM parar o busão com o Nextel, pro tio Xavier destrocar as malas. Aliás, mala é quem não olha a etiqueta quando retira a sua. Cacete, é para isso que os caras do check-in etiquetam tudo. Mobral nele! Mas essas coisas têm que acontecer sempre com o tio.

Segundona, cheguei no escritório e minha mesa de trabalho parecia protocolo de serviço público. Fora os e-mails malcriados de clientes. Aí eu queria sumir, mas não podia. Pensei em pedir as contas no RH. Cheguei a escrever a carta de demissão, mas lembrei em tempo hábil que sou dono da empresa. Que merda, alguém que me tire daqui por favor. Pára que eu quero descer.

Agora é quarta-feira, a pilha não diminuiu, os clientes malcriados não cessam de exigir meu sangue pelos míseros reais dos contratos de serviço e projetos, a grana tá curta, a conta de telefone atrasada, o aluguel do prédio vence amanhã.

Vão tudo à merda. Na falta de Passárgada e do LP do Roberto eu vou é pra Praia Grande, encher o saco do cunhado. Cunhado é melhor você encher o saco dele antes que ele venha encher o seu. Ainda mais se ele tiver apartamento no litoral. Fui.

Long Beach, pronta ou não aí vou eu. Com meu Motorádio® e minha bóia de câmara de ar.

sábado, 26 de maio de 2007

Uma verdade inconveniente

Ao contrário do que apregoam os defensores do sono profundo e da hibernação o Tio Xavier dorme um bocado mal nas noites frias. No quarto do tio não há aquecedor, nem ar-condicionado, nem nada capaz de manipular internamente o clima da choupana onde resido. Essa é pelo menos a auto-explicação que tento para compreender porque em uma manhã de sábado, quando não tenho nenhum compromisso social nem profissional, eu acordo às cinco da madruga e não consigo mais dormir. Foi o que ocorreu hoje.

Depois de infinitos trinta ou quarenta minutos a contar todo tipo de ovino que conheço desisti e desci à sala. Lembrei que eu tinha pego emprestada - daquela minha informante secreta que descobriu o papa no RS - uma cópia genérica de "Uma verdade inconveniente" . O documentário mostra Al Gore na sua melhor performance de ecologista. Para quem já se esqueceu Gore foi o candidato derrotado por Bush Jr. na penúltima eleição presidencial norte-americana. Aquela tal que deu o maior sururú, rendeu recontagem de votos, revisão judicial e uma polêmica mundial. Tudo porque o democrata Gore teve mais votos absolutos dos eleitores. Mas as regras de pleito dos gringos - que nunca entendi nem tenho vontade - fizeram o republicano Bush Jr. ocupar o posto. Bush Jr. como todos sabem é o presidente com QI mais baixo registrado dentre os presidentes estadunidenses desde que o teste existe.

Voltando a Al Gore e ao filme, o conteúdo é estarrecedor. Mas nada do qual não saibamos. Só que desta vez com fotos, animações, estatísticas, gráficos e um texto direto e reto. Tudo indica que estamos ferrados mesmo. O efeito estufa vai economizar anjos e pragas divinas, pois trará o Armagedon sem a menor chance de defesa, para quem quer que seja. Irão para o saco da História gregos, troianos, europeus e baianos. A casa caiu mesmo. Sabe aquelas fotinhos bonitas do planeta Terra, todo azul, límpido e fofo? Esqueça. O que está por vir de certo modo já está aqui por meio de catástrofes locais e progressivas. É uma seqüência de desgraças ambientais jamais vistas desde a estorinha do dilúvio de Noé.

Tudo agravado pelo modo como essa cambada de idiotas chamados seres humanos conduzem seu modo de vida na base do "fuck the rest". Resumindo, a poluição causada pela queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e a manipulação indiscriminada de rios. A camada atmosférica está grossa e densa de forma que já não é mais capaz de filtrar de volta para o cosmo o calor solar. Estamos dentro de uma gigantesca panela de pressão. Os números, gráficos e animações que o Gore mostra - ao menos para o tio que é leigo de tudo - são alarmantes. O que espanta não são os números em si, como o aumento da temperatura e diminuição das calotas polares, mas sim a progressão e aceleração com que isso ocorre. Manja quando colocamos uma pedra de gelo no sol? Ela leva determinado tempo para derreter até a metade, mas a segunda metade se vai muito mais rápido que a primeira.

Para encurtar este post, recomendo aos leitores deste pasquim que aluguem, peguem emprestado, comprem, furtem, peçam ao camelô, mas assistam ao documentário. O mínimo que garanto de (in)satisfação ao espectador é arrepender-se de ter procriado, caso já o tenha feito. E desistência caso o planeje. Dá vergonha de ver a merda de mundo que esta (in)civilização está deixando para trás. Daqui a 40 anos nossos filhos hão de nos rogar pragas até o inferno por não termos feito nada em tempo.

Tristeza garantida ou seu dinheiro de volta.

An Inconvenient Truth
100 minutos
EUA,
2006
Site Oficial: www.climatecrisis.net
Distribuição: Paramount Classics / UIP
Direção: Davis Guggenheim
Produção: Lawrence Bender, Scott Burns, Laurie Lennard e Scott Z. Burns
Música: Michael Brook e Melissa Etheridge
Edição: Jay Lash Cassidy e Dan Swietlik
Tristeza: todos os que assistirem

By Tio Xavier Productions

Quem nunca ouviu Don´t Stop Till Get Enough com Michael Jackson nem Boogie to The Bop com Mantus não há de entender essa mix maluca do tio. Mas nem é pra entender. É pra ouvir.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Esta espelunca ainda tem jeito

Cena adorável do cotidiano:

Uma amiga do tio, psicóloga e ex-gerente de Recursos Humanos de uma empresa vai ao Ibirapuera fazer o temido exame prático para habilitação do Detran. Trêmula e nervosa como todos ali ela encontra um jovem ex-funcionário da ACME* onde trabalhava:

- Ô dona Cinthia* a senhora por aqui? Vai prestar o exame também?
- Pois é Robertinho*. Está nervoso também?
- Pô se tô. Mas meu tio, irmão do meu pai, vai chegar daqui a pouco.
- Vai tirar CHN também?
- Nããããão - riu o jovem - ele é delegado. Ele vai acompanhar o exame - disse em tom de ironia - .
- Ah, entendi.

Translate: usando o velho e podre chavão "sabe com quem você está falando?" o tal delegado iria dar a famosa "carteirada" no examinador a fim de garantir a aprovação por premissa. Minutos mais tarde aparece o tal tiozão, de terno, gravata e carteira na mão. Depois de conversar rapidinho com o garoto, dirige-se a dois examinadores e tenta dar o recado. Visivelmente os dois ficam putos da vida e dizem meia-dúzia de desaforos ao tiozão enquanto gesticulam. Pelo desagrado com que o tiozão se distanciou deles, a conversa não fora muito amistosa, tampouco a carteirinha com brasão fez efeito. Por suposto, os dois rejeitaram a intimidação. Defecaram caminhando para o tio intrometido. O tio passou pelo sobrinho e disse que ia embora. A cara dele era mesmo de quem tinha dado com os burros n'água.

Não sabemos o desfecho exato do episódio, porque a Cinthia* foi embora antes de o jovem prestar o exame. Foi reprovada, pelo que me contou desapontada. É bem possível que o jovem tenha passado no exame porque, como bom filhinho de papai, já dirigia desde os doze ou quatorze anos. Mas se passou, foi na raça. Sem tio nem carteirinha.

Clap your hands, everybody para os examinadores.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Ainda bem que não foi contratada pelo Governo de SP

A espetacular obra abaixo liga a Suécia à Dinamarca. Diversas demandas foram consideradas para a engenharia dela, como o tráfego das embarcações e o custo da obra. O melhor resultado foi obtido com a configuração de um trecho de ponte sobre o mar e outro trecho em forma de túnel. Simplemente sensacional.

Já imaginou se os consórcios contratados pelo Governo de SP tivessem construído as pirâmides e a Esfinge?

Não dá para chamar esses caras para a obra do Metrô?

sábado, 5 de maio de 2007

Cenas do cotidiano em um orelhão

O dito, duplo por sinal, fica exatamente na frente da casa do tio, do outro lado da rua. Assim torna-se obrigatório ouvir certas cenas como a abaixo - verídica - que presenciei. Legenda óbvia: (...) = a pessoa do outro lado da linha falando. Eu daria um rim por um grampo telefônico numa hora dessas:

- ALÔ! EU QUERO FALAR COM A SUA FILHA! EU SEI QUE ELA TÁ AÍ E EXIJO!
- (...)
- O QUÊ VOCÊ PENSA QUE TÁ FAZENDO AÍ? A SUA CASA NÃO É AÍ, DESDE QUANDO VOCÊ CASOU COMIGO!
- (...)
- VOCÊ VAI VIR POR BEM OU VOU TER QUE IR AÍ?
- (...)
- COMO ASSIM? COM QUEM VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FALANDO? EU SOU SEU MARIDO, SE VOCÊ ESQUECEU!
RESPEITO É BOM, SUA ATREVIDA! EU TE CATO PELOS CABELOS AÍ NA CASA DO SEU PAI, SUA MOLECA! E SE ELE SE METER EU ARREBENTO A CARA DELE!
- (...) Ploft!
- Alô? Alô? Alô? Cláudia?

Cinco minutos depois:
- Alô, Cláudia?
- (...)
- Eu sei que estou nervoso. E não era para estar? Você não tinha que estar aí, meu bem.
- (...)
- Claro que sei o que fiz. Você acha que tenho amnésia? Mas você me ofendeu até eu não agüentar mais.
- (...)
- Olha, vou te dizer uma só coisa: ou você volta por bem, ou...
- (...) Ploft.
- Alô? Alô? Alô? Cláudia?

Mais cinco minutos:
- Cláudia? O que você está fazendo comigo, Cláudia? Eu estou arrasado (snif).
- (...)
- Tá bom, tá bom, eu peço desculpas (snif). Desculpa. Já to arrependido (snif).
- (...)
- Eu sei, mas você é a mulher da minha vida (snif snif).
- (...)
- Me perdoa, meu amor, eu juro (snif) que vou mudar (snif).
- (...)
- Você tá certa (snif), mas eu não consigo viver sem você (snif). Sem você eu vou morrer (snif).
- (...)
- Não faz isso comigo, Cláudia. Você me arrasa desse jeito e não quer que eu chore? Eu não tô nem aí pra o que os outros vão pensar (Buááááá).
- (...)
- Cláudia, você não tem o direito de me diminuir assim, Cláudia. Eu dei toda minha vida pra você (Buááááá). Não faz isso comigo, por favor, eu te peço (Buááááá).
- (...)
- Como assim outro? Outro quem, Cláudia? Há quanto tempo isso? Não, isso eu não vou suportar (Buááááá). Cláudia, eu vou me matar aqui no meio da rua e todos vão saber o porquê (Buááááá).
- (...)
- Você não acredita né Cláudia, mas você está me machucando. Eu não posso aceitar isso nunca (Buááááá). Prefiro mesmo morrer.

- (...) Ploft.
- Alô? Cláudia? Alô? - larga o telefone pendurado e desce a perpendicular em desabalada carreira - Buáááááá buáááááá buáááááá.

Isso para não contar as inúmeras histórias de mulheres ligando pro Norte e cobrando pensão de filho, dona-de-casa ligando sei-lá-pra-quem para esculhambar a vida alheia, moçoilas esteticamente desfavorecidas paquerando seus "rolos virtuais". Enfim um palco pra botar qualquer teatro de comédia no bolso.

Eu devo merecer um orelhão na porta de casa, não é mesmo?

And the Oscar® goes to

"Bruna Surfistinha conta sua história na telona
Depois do sucesso do blog e do livro, agora, a ex-garota de programa Raquel Pacheco, mais conhecida como Bruna Surfistinha, vai contar a história de sua vida nas telas do cinema. Karim Aïnouz, premiado diretor de 'O Céu de Suely' (2007) e 'Madame Satã' (2002), fará o argumento do filme em parceria com a escritora Antonia Pellegrino, que escreve o roteiro. O diretor, no entanto, é Marcelo Duarte, estreante em grandes produções. Ainda não foi decidido quem fará o papel principal.

O filme promete cenas de Surfistinha com homens, mulheres, homens e mulheres, homens e homens, mulheres e mulheres, etc.. Os produtores terão que se virar para adaptar a história, pois o longa não será pornô ou erótico e nem vai incentivar a prostituição. Ele irá focar no drama da garota, a ponto de poder ser visto por pessoas a partir de 16 anos. (...)

Raquel conta quinzenalmente, em entrevista ao diretor, detalhes de sua história como garota de programa de luxo. Duarte filma todas as reuniões, pois o material pode render um futuro documentário. As gravações estão marcadas para o segundo semestre deste ano e lançamento em 2008. A captação por meio de leis de incentivo foi aprovada em março de 2007 pela Agência Nacional de Cinema. (...)

Hoje, não se apresenta mais como Bruna Surfistinha, mas como Raquel Pacheco, ex-prostituta e fenômeno de vendas. Planeja abrir uma butique erótica misturando cafeteria e venda de cosméticos em Moema."

Fonte (uma das): Esta aqui.


Bem, well. A cultura brazuca, se é que um dia houve alguma, chegou ao fundo do poço. Nada contra a jovem garota. Que dê, venda, ceda a título precário - oneroso ou não - o que quiser e a quem achar por bem, desde que seja dela. Eu dispenso de qualquer modo. Mas analise com o tio:

O pseudo-livro O Doce Veneno do Escorpião é uma grande bosta. Linguagem chinfrim e tôsca. Conteúdo zero. Um claro embuste para ganhar dinheiro, às custas de seres incautos, incultos e ávidos pela vida alheia. Sei do que falo porque tive acesso "privilegiado" à uma versão eletrônica - pirata, admito - . Mas é tão ruim que me arrependo dos preciosos minutos que despendi para baixá-lo, descompactá-lo e depois excluir do meu HD. A historieta de uma criatura cujas habilidades se resumiam na capacidade de receber dentro de si genitálias masculinas, os detalhes anatômicos das mesmas e como fazia as proezas, não tem nada engrandecedor. Veja bem que não estamos falando de Madame Bovary de Flaubert, que ao menos tem uma linguagem muito mais elaborada e centra-se no drama de uma mulher insatisfeita com sua enfastiante vida conjugal. Mas fazer o quê? Lembre-se que vivemos em um país onde Paulo Coelho é best seller e nos representa em feiras internacionais.

A garota não tem nenhum atributo estético que a faça mais desejável que a ex-faxineira do meu escritório - esta sim uma moça bonita - . Tive a oportunidade de assistir a alguns vídeos "picantes" da surfista de alcova. Além de os seus traços fisionômicos não representarem nada digno de admiração o seu corpinho roliço passa a anos-luz do que se poderia chamar de mulher gostosa. No boteco do Carlão ela seria classificada no máximo como "baranguinha comível".

Agora o que é mais digno de espanto é uma porcaria dessa gênese obter aval do Governo para captação de recursos mediante leis de incentivo. Para quem não entendeu: a Agência Nacional de Cinema - antiga Embrafilme - e o Ministério da Cultura possibilitarão que empresas deduzam valores do imposto a pagar doando dinheiro para a produção desse lixo. Sensacional. É a literal distribuição de verba pública para a baixaria cultural. Juram que o senhor Gilberto Passos Gil Moreira assinou uma coisa dessas? Por favor, me digam que não.

Jeanny Mary Corner para ministra da cultura já!