quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Espírito natalino, minha gente!

Uma cara amiga me telefonou ontem para dizer que tinha lido alguns posts daqui. Pelos meus cálculos agora devem ser cinco leitores. Mas a ligação não era só para ibope. A desaforada me disse que eu estou muito ranzinza. Como assim, minha cara? Eu só mostro as aberrações da humanidade e faço críticas fundamentadas, com critérios científicos e rigorosos. Só isso. O que é que eu vou fazer se essa espécie está perdida entre a falta de senso de ridículo e os maus costumes?

E para provar que não sou tão assim, nesta madrugada fui com a darling e a cria caçula ver pessoalmente a árvore de natal do Ibirapuera. Era uma hora e pouco. Estacionei, tiramos fotos e admiramos a beleza dos enfeites, etc.. Coisa linda. Estão vendo?

Fui só agora porque eu não teria saco pra enfrentar cinco quilômetros de congestionamento que era o que os babacas faziam antes do natal. Mas depois que vi qual banco patrocinava a obra fiquei puto. Entendi a razão de aqueles #@($%#* me cobrarem tarifas abusivas até pra eu pensar no banco. Desgraçados. Podiam usar a grana pra coisa melhor.

Ranzinza eu? Bah!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Morre Douglas Barcellos

Laudo diz que ator brasileiro morreu vítima de afogamento. Carioca Douglas Barcellos, 33 anos, foi achado morto em praia de Portugal. Ele morava nos EUA e teve pequenas participações em Hollywood.

Vejam que inculto sou: ignoro totalmente de quem se tratava. Assim sendo não me fará falta alguma. Que descanse em paz. Antes ele do que eu.


Segundo o jornal era esse aí com o molusco na cabeça. Ah tá...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Vivendo sem Bill Gates - parte II

Sei que várias pessoas não entenderam o post sobre o Ubuntu, anterior a este. Vão devagar que vocês chegam lá. Mas não posso deixar de manifestar minha exaltação de felicidade hoje. Depois de assistir a "Chega de Saudade" no Totem fui dar mais uma fuçada, pra ver se eu resgatava das trevas do Ruindous meu tocador de músicas e vídeos preferido - o JetAudio. E finalmente consegui.

Através do emulador Wine que veio no CD do Ubuntu, tapeei o JetAudio. Vejam que linda imagem dele tocando um som do Yarbrough & Peoples com som excelente e performance idem. O meu bom e velho tocador pensa que está sendo carregado pelo sistema do Bill Gates e trabalha como um reloginho.

Muito bom mesmo! É pra aficcionado fechar o ano soltando rojão.

Moda fashion - III, a gaviona

Ao observar a singela touca gaviônica que adereçava a moça na fila do supermercado eu não resisti. Enviei um SMS para minha querida amiga do Mesa de Botequim, minha consultora de moda, perguntando o porquê daquilo. Ela me pediu encarecidamente que eu fotografasse e enviasse para análise.

Desta feita achei melhor publicar e submeter à avaliação de todos os três ou quatro leitores desta espelunca. Antes de mais nada eu revelo alguns detalhes, sendo que a mulata em questão:
  • Não é feia
  • Tem algo como 1,75m de altura
  • Tem um físico digno de uma segunda olhada masculina
A pergunta que não quer calar é: Por que alguém usa um troço desses na cabeça?


Comitiva what?

Comitivas. Para quem não é de Sampa ou nunca teve oportunidade de ver um bando de babacas usando roupas de texano, dançando passinhos ridículos e macaqueando os caipiras americanos, já tá explicado.

Para ir aos bailes de jacu pseudo-gringo eles, além de se emperequetarem com roupas bizarras, costumam decorar seus carros com centenas de adesivos para exaltar suas preferências culturais, incluindo os lugares que freqüentam. As comitivas se auto-batizam. E um dos adesivos que os integrantes das comitivas ostentam nos seus carros costuma ser o do nome da comitiva. Pode ser algo tonto como "Comitiva Nóis Bebe Até Caí", "Nóis Capota Mais Num Breca", "Comitiva Pé Na Jaca" e coisas assim.

Mas o ser proprietário dessa pick-up se superou no quesito mau gosto. Imagine que tipo de moçoila se digna a viajar nesse veículo ou então namorar com o sujeito caso ele tenha capacidade para atrair alguma.

É a humanidade provando que já excedeu o tempo de habitação deste planeta. Hora de dar tchau.

Se ele cruzar meu caminho de novo eu revelo a placa.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pior a emenda que a zampogna

O natal em si já é um inferno. As pessoas ficam tresloucadas com a idiotice que inventaram de "correria de natal". Pra quê correr se o natal vai chegar de qualquer modo?

Andar pelas ruas era sinônimo de obrigar-se a ouvir aquelas canções natalinas ao som das harpinhas irritantes. Já era uma merda. Depois vieram as versões em ritmo de chorinho. Cazzos voadores. Aquilo já é deprimente por si, quanto mais em ritmo de chorinho. Adoniram dá cambalhotas no caixão.

Mas qualquer coisa horrível pode ficar péssima. Claro que pode. Passando pela Praça da República em Sampa hoje descobri que há coisa mais hedionda do que as próprias canções natalinas. São as canções natalinas em ritmo de música peruana, ou boliviana, ou andina... sei lá que merda é aquilo. Era um monte de clones do Evo Morales tocando Gingle-Bells com aquelas flautas de bambu, cavaco de casca de tatu, chocalhos de guizo de serpente chilena e bumbo de couro de lhama.

Não bastasse ainda estavam vendendo CD´s. Se eu tivesse grana eu comprava tudo, inclusive os instrumentos. Ateava fogo em tudo a começar pelos músicos. Coisa mais chata!

Pensando melhor a peruanazinha eu poupava (ops!) foi mal.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Nova escalação culinária

A já renomada e internacionalmente premiada culinária do Tio Xavier acaba de receber um reforço imbatível.

Depois de visitar um bucólico e perdido lugar, escondido bem no meio da muvuca do bairro paulistano de Vila Maria, o tio aderiu aos temperos naturais e frescos para dar mais sabor aos seus refinados pratos. Abaixo a foto do time.


Da esquerda para a direita: Manjericão italiano, Manjericão verde, Manjerona, Alho nira, Salsa lisa, Sálvia e Tomilho-limão. Ao lado no vasinho preto, Hortelã (segundo o fornecedor, ele tem problemas de convivência com o restante).

Segura esse time nas mãos do tio. Hoje começarei com quibe de bandeja assado. Lá vai Hortelã pela direita, passando pela carne moída, bate no trigo hidratado...

Carta ao Papai-Noel 2008/01

Prezado Noel:

Neste ano fui um bom menino, melhor dizendo: tio bonzinho. Trabalhei bastante, não olhei para as bundas das colegas de trabalho, não chutei gatos, não xinguei nenhum palmeirense de porco filho da puta, alimentei os peixes todos os dias e algumas vezes até reguei meus bonsais. Aliás vou até replantá-los hoje com a caçula, usando a terra novinha que comprei ontem.

Além disso na faculdade eu estudei com esmero e dedicação com minhas colegas gost... (ops!) inteligentes e fizemos todos os trabalhos (juro que não olhei para as bundas delas também). Tudo bem que alguns trabalhos foram meio Ctrl+C / Ctrl+V mas eu substituí todas as palavras relevantes por sinônimos, ficando apresentáveis e insuspeitos. Teve também aquela entrevista que foi forjada, tipo psicografia, mas vamos combinar que ficou bacana. Vamos esquecer aquelas transcrições para Braille que fiz usando software. Afinal quem é que escreve à mão hoje em dia né? Tecnologia está aí pra ser usada. O importante foi que as apresentações foram brilhantes, encantaram os professores e recebi boas notas por elas. Exceto daquela professorinha meia-boca de jardim de infância, camuflada de professora universitária. Mas um ser inócuo daquele não faz a menor diferença.

Enfim, para o senhor não ter dúvida, quero que o senhor veja meu exemplar boletim.

Eu sei que tem um bocado de faltas, mas eu administrei dentro dos limites.

Não vou pedir nada em especial neste ano, Noel. Na verdade quase tudo o que preciso está ao meu redor. Peço no máximo que o Sr. traga um 2009 com replay dos feitos que consegui neste ano e já está de bom tamanho. Se quiser ampliar, estou à disposição. E das minhas contas bancárias o senhor sabe os números.

Um abração pro senhor e pra senhora Noel. E bota logo esses anões preguiçosos pra trabalhar porque com a prosperidade econômica deste ano, o que não deve faltar é entrega pra fazer. Nunca antes na história deste país...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Batom where?

Pois é meu caro leitor, minha cara leitora. Há gosto pra tudo. E atualmente impera o mau-gosto. O chulo, o vulgar e o xerxelento tomaram o lugar das coisas boas da vida e há gente que ainda paga por isso. Passando ontem às 16h tanto pelo início da Rodovia Ayrton Senna me deparei com esse belo ônibus de turnê:


Eu insisto: não é uma montagem. Isso existe mesmo. Comprovadamente há um grupo de pagode ou coisa de similar categoria que se chama "Batom na Cueca". Notem os semblantes sorridentes dos integrantes. Um deles deve ser o vocalista principal e sua alcunha artística há de terminar com "inho".

Pela catiguria dos nobres "músicos", a começar pela escolha do pomposo nome do grupo, podemos supor mais algumas coisas:
  • As fãs disso não sabem distingüir uma nota musical de um relincho.

  • O adjetivo VULGAR não quer dizer absolutamente nadas pra elas.

  • A formação cultural do fã-clube deve incluir programas de auditório como os de Gugu Liberato e do Faustão.

  • A formação escolar dos apreciadores disso situa-se no máximo em "lê e escreve".

  • O vocabulário dos que acompanham esse shows têm no máximo 150 verbetes, incluindo nomes próprios como Creudislene, Eudisvlaudo, Jocilenildo e Valdiscreiçu.

  • A seletividade sexual dessas pessoas, permite copular com qualquer espécie mesmo não catalogada pela Zoologia e sem culpa.

  • Essas pessoas compram telefones istériu com mp3 em 252 prestações e ouvem seus ídolos no trem, sem fone de ouvido.

  • O paladar dessas pessoas permite tomar a cerveja que patrocina o ônibus, mesmo sem gelo.

  • Depois da cerveja patrocinadora, esses seres apreciam caipirinha feita com Cavalinho e similares.

  • Portar CDs e DVDs desse tipo de "banda" enquadra-se no artigo 12 da lei 6368.
Fazer o quê né? Dizem que gosto não se discute. Ainda mais o mau.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma perda irreparável

A programação televisiva da Band não será mais a mesma a partir de 2009. O fantástico apresentador Leão Lobo e sua fantástica partner Rosana Hermann não mais protagonizarão o também fantástico programa Atualíssima. Segundo o próprio Lobo em pele de viad... (ops) cordeiro: "É ruim para a Band, que joga fora um trabalho de anos". Opinião totalmente isenta, óbvio.

O que mais me entristeceu agora foi saber que nunca assisti ao Atualíssima. Se passa na TV em dias úteis à tarde, eu costumo estar trabalhando. Como eu jamais casaria com uma inútil, a darling também perdeu. Se Leão Lobo apresentou isso por dez anos, veja que desgraça: eu perdi quase dois mil e quinhentos programas. Desperdicei tudo.

Dez anos de informações importantes e diversificadas - imagino eu - e nunca mais tomarei conhecimento. A oportunidade passou e agora sabe-se lá se conseguirei ver algum dos restantes nos próximos dias. Tenho menos dez programas para ver, considerando o feriado.

Estou decepcionado comigo mesmo e com tendências depressivas. Vou ligar pra minha analista agora mesmo.

Sessão corujismo parte XVII

Há alguns meses a cria mais nova chegou em casa dizendo que não queria mais participar do balé na escola. Como explicação, disse que achava chato e que desde o começo do ano "fazia o mesmo passo". Não duvido da competência da professora e vi nisso apenas uma justificativa meio esfarrapada, mas preferimos respeitar a vontade dela.

Só que então ela explicou que nós tínhamos que inscrevê-la na capoeira, porque ela já estava participando fazia tempo (?). E era verdade. A cara-de-pau se enfiou na turma de capoeira sem se matricular. Restava-nos regularizar a situação e trancar o tal balé. O resultado, agora no final do ano foi esse:


Eu francamente prefiro assim. Nunca fui muito com a cara de "O lago dos cisnes".

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Nada é tão ruim que não possa piorar

"O Corinthians está acreditando em mim e tem um projeto fantástico para 2009. Estou muito confiante."

Com essas palavras o sucatão-obeso-do-joelho-podre-caça-traveco acha que consola a torcida do timão, recém-chegada do estágio na segundona. Acho que o clube gostou tanto da segunda que agora está comprando jogador de segunda.

Lamentável.

Vivendo sem Bill Gates

O tio está comemorando uma semana sem Bill Gates. O micro de casa - por sinal este que estou usando agora - pegou um vírus cavalar. O danado - não obstante os trocentos cuidados que o tio toma mandando para o inferno e-mails com .PPT, correntes, jogando sem dó nem piedade e-mails no spam só porque contém palavras suspeitas e escaneando tudo o que passa a menos de um metro do PC - começou a ferrar com tudo. Nada foi suficiente para combatê-lo. Após anos sem saber o que era vírus, caí na desgraça e a solução era formatar.

A praga veio pelo pendrive, após o tio pegar um backup de um cliente e trazê-lo para analisar. O troço foi rápido, se instalou na surdina e ficou quietinho de tal forma que o antivírus e o antispyware só foram se tocar quando ele havia fincado bandeira na área de inicialização do HD principal e, provavelmente agora do HD secundário.

Depois de tentar todo tipo de remédio, despacho em encruzilhada, sessão de descarrego da IURD, promessa para santo e nada resolver, cheguei à conclusão de podia ser um aviso de Alá para eu me livrar da ferramenta de Satã e aderir ao mundo livre. E lá fui eu pela enésima vez, desde 1999 tentar uma versão de Linux. Desta vez o escolhido foi o Ubuntu, que o meu prezado enteado comprou - a preço de pastel de feira, claro - e possui instalado no notebook dele. No HP que ele comprou, o troço instalou-se por completo. Agora era minha vez.

Coloquei o disco na bandeja do DVDRom e dei start. Pasme! O sistema inicializado pelo disco subiu como um foguete sem me fazer uma pergunta. Logo que entrou no ar, vi um desktop bonito e limpo. Internet funcionando perfeitamente. Dispositivos de áudio, vídeo, tudo excelente. Nos aplicativos que vêm junto no CD, alguns velhos conhecidos com quem simpatizo deveras, entre eles o BROffice da Sun que me permitiu abandonar a suíte da Microsoft há uns quatro ou cinco anos. Tudo muito intuitivo, simples, gráfico e simpático.

Então vi um botão onde dizia "instalar o Ubuntu no HD" e cliquei sem dó. Acredite: a única coisa que tive que dizer pra ele era que podia usar e abusar do C: sem dó nem piedade, já que só tinha o Ruindols Chispê (infectado) e programas para os quais eu tinha substitutos. Dei OK e iniciei uma nova vida. Hoje sou um um novo homem, livre dos vícios, das drogas e da pirataria. Estou vivendo bem com meu Pentium-IV montado, com 1,7GHz de clock e 1GB de memória Ram.

Já instalei uma cacetada de programas úteis e até para o meu caro 7-Zip do qual eu não encontrei versão para Linux, tive uma saída chamada Wine. Este carinha lê arquivos padrão InstalShield e ao instalar um programa for Windows, cria um ambiente virtual onde boa parte dos programas preparados para a plataforma do Bill Gates consegue rodar. Tapeadinhos na buena.

Invente, tente, faça algo diferente. Você também pode.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Agradeço a Santo Expedito

Acabei de receber um indicador eletrônico e fui confirmar. Os três leitores do blog do tio conseguiram, faltando pouco para um ano da contagem, acessa-lo nada menos que 11.000 vezes. Isso mesmo. Claro que contando comigo, minha mãe que ficou apertando o F5 por dias seguidos a pedido meu e talvez algum desavisado leitor, foram quase trinta leituras diárias. Uma tiragem de fazer inveja pras famílias Frias e Mesquita.

Agora vou começar a vender espaço publicitário. Logo, logo, você que acessa esta página será bombardeado com ofertas tipo "enlarge your penis", C.i.A.l.i.S e coisas do tipo. Me aguarde. E com a grana da mídia vou comprar uma Mercedes. São os benefícios do sucesso.

domingo, 30 de novembro de 2008

Na reserva

Os camaradas mais próximos, que me conhecem pessoalmente saberão dizer que o tio é um cara enérgico. No sentido mais estrito da palavra, não sou muito afeito ao ócio. Geralmente realizo meia-dúzia de tarefas simultâneas, penso e lido com quatro ou cinco assuntos ao mesmo tempo no trabalho e não sou muito amigo do sono. Sempre achei, embora reconheça o poder revigorante deste, que dormir é uma perda de tempo que nos impede de realizar novas coisas. Na juventude fui dos que se contentavam com quatro ou cinco horas de sono por noite, quando não chegava de alguma farra, tomava um banho e ia direto para o trabalho.

Mas o tempo passa, a carcaça amassa e o espírito cansa. Lamento que minha vida atual não me propicie ao menos seis ou sete horas de bom sono. O meu trabalho agitado em todos os aspectos, emendado com minha vidinha de tio-universitário estão me consumindo aos poucos. Quando estico uma balada com a darling depois da aula na sexta-feira, acordo podre no sábado e passo o fim-de-semana com nhaca.

Este ano em particular foi puxado deveras. O ano próspero no trabalho que tentei aproveitar ao máximo juntou-se com um ano letivo muito extenso e um pouco mais exigente. No fim deste a correria que está somando os trabalhos da facu com o esforço extra para arrematar bons contratos dentre os clientes está me levando à bancarrota de energia. Sinto cada vez mais vontade de ficar deitado no tapete assistindo desenhos na TV, quando não estou cochilando no sofá. Mal mesmo. Nada a ver com o Xavier. Outro dia, em plenas 17h em um dia de semana eu cochilei em um semáforo da Av. Sumaré. Acordei com as buzinas dos motoristas de trás e vi que o carro da frente já estava a quase cem metros.

Daqui a duas semanas pretendo dar um desligão geral no trabalho e na faculdade, até 2009. Preciso muito. Preciso ir ao clube pra ficar boiando na piscina feito um calango estirado na caatinga. Preciso bebericar em mesinhas com meus amigos e amigas emendando um assunto no outro, sem concluir nenhum. Preciso assistir meus DVDs velhos do Chaves, do Ultra-Seven, do Speedy Racer e do Picapau. Preciso caminhar em parques com os pés descalços sobre a grama e a terra úmida. Preciso de cama, mesa e banhos, não exatamente nessa ordem. E dependendo da companhia não necessariamente de todos os itens.

Preciso dormir um pouco. Boa noite. Boa semana a todos.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Que time é teu?

Metrô Barra Funda sentido Itaquera, 23 horas. Um indivíduo ao fundo do vagão começa a cantarolar em tom de bravata:

- Tricolooooooor. Tri-co-lor... é Tricolor minha gente! Chupa! Chupa porco! Chupa peixe podre! Do time da outra divisão nem vô falá. Nem existe.

Olho pra trás para ver quem seria tal criatura e vejo um carinha aparentando uns 25 anos. Vestia uma calça de agasalho e a camiseta de uma certa torcida chamada carinhosamente de bambis, aqui em Sampa. Qual não foi minha surpresa ao constatar que o cidadão estava se pendurando nos balaústres e dando cambalhotas, enquanto ria como uma hiena gritando os títulos do time dele:

- Tricampeão de num-sei-quê*. Pentacampeão de num-sei-quê-lá*... Campeão da Libertadores X* vezes! É tricoloooooooor.

E novamente se pendurava qual um primata. Dava gargalhadas em tom de provocação aos demais passageiros possuidores de faculdades intelectuais normais:

- Chupa peixe. Chupa porco. O da segundona, nem conheço.

Para alívio de todos os tímpanos - imagino que até de seus envergonhados correligionários - o distinto desceu na estação seguinte, Marechal Deodoro. E ainda lá da plataforma deu pulos semelhantes aos de algumas espécies de símios, fez gestos de banana com os braços e provocou pela última vez, chamando o metrô da Zona Leste de podre, gambá e etecéteras.

Era quase uma hiena, sem percepção da vidinha medíocre de todos nós mortais pobres. Fantasiava orgasmos mentais com a genitália de jogadores que nem sabem que ele existe. Vibrava por um esporte que rende vultuosas importâncias apenas para cartolas e intermediadores às custas do próprio tonto, que compra adereços futebolísticos e certamente deve gastar seu dinheiro com ingressos a estádios.

Agora me pergunto: como um ser tão desprovido de senso pode sair circulando pelas ruas sem coleira nem focinheira?

* O tio Xavier desconhece listas de competições desportivas. E não tem o menor interesse em letrar-se no assunto.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Tentando ser justo

Depois daquele episódio com a OI no qual eu estava praticamente jogando o chipzinho no lixo, resolvi dar o telefonema de misericórdia. A telefonista - com um gostoso sotaque da Guanabara que só elas têm - pediu mil desculpas em nome da companhia. Me explicou que justo o prefixo 67xx do meu telefone fazia parte de uma recente conversão de números fixos da Telefônica de São Paulo e, por isso, ainda haviam problemas na comutação de linhas.

A moça me garantiu que durante aquela mesma tarde eu teria de volta a possibilidade de fazer ligações gratuitas, acrescentando que, devido ao desconforto provocado, eles estavam estendendo a promoção "ligue grátis" por mais um mês. Nada mal, considerando que nem cheguei a usar de fato e o atraso foi de dez dias.

Assim tio Xavier carregou a bateria de outro aparelho, reinstalou o chip e está fazendo ligações digrátis todos os dias, à cota de vinte reais. SMS então estou mandando de monte e ainda não descobri qual é o limite deles. Sem paixões e pragmático, economizo uns bons trocados do que eventualmente gastaria usando meu Claro. Tirando a chatiCe de andar com dois aparelhos, sem problemas.

A propósito, chegando o Natal acho que vou começar a prospectar um aparelho que suporte dois chips como é do da darling. Duro vai ser um que tenha todas as traquitanas que tem o meu Nokia, incluindo o precioso teclado QWERTY que me ajuda a economizar toneladas de papel, já que não uso mais caderno na faculdade nem bloco de notas nas reuniões com os clientes.

Alguma dica aí?

A sucursal do inferno

Estava começando a escrever esta coisa e acabei lembrando que minha cara amiga Red já tinha escrito sobre essa escrotidão a céu aberto que é o Largo 13 de Maio (está aqui). Pelo amor dos meus filhinhos, o que é aquilo? Deve ser o rascunho do mapa do inferno que foi jogado na privada.

Hoje tive que visitar um prospect na região. Até aí nada demais, só que eu apenas tinha passado vagamente pelo local durante um domingo qualquer, de carro. Estava tudo vazio. Quando comentei com um amigo que iria para a região ele logo foi me aconselhando a não ir de carro, porque estacionar na região era algo impossível e se movimentar com o veículo muito menos. Segui o conselho do camarada e fiz um desafio ferroviário urbano.

Saí da Zona Leste de Sampa pela manhã e fui até a Barra Funda, onde embarquei num trem caindo aos pedaços que vai para Itapevi. Desci na estação Presidente Altino, que fica no município de Osasco, após um rápido percurso de uns quinze minutos no máximo. Aí fiz a baldeação para pegar o outro trem que segue para a Zona Sul, cujo final é longe pra cacete. Opa... este trem sim. Pensei que estava em outro país. Após descer da sucata móvel mal acreditei quando subi no trem novinho em folha, com vidros fumê, ar condicionado geladinho, TV Trem no display LCD e por aí vai. Até as pessoas que nele viajavam eram diferentes, predominando gravatas nos machos e saias e salto nas mocinhas bem arrumadas.

Só seria melhor mesmo se ele não andasse a 25Km por ora, coisa que não entendi. Imaginei que trens mais novos andassem mais rápido. Vai ver ele não corre muito pra não gastar e ficar velho como o sucatão. Desci na estação Santo Amaro e peguei o metrô que vem do Grajaú, pra andar apenas uma estação, até a famigerada Largo 13. Este último metrô também é muito bacaninha, moderno e confortável. E corre. Mas ao sair do buraco do metrô e me deparar na superfície com isso... Putz, sem comentários. Depois de andar nos arredores desse lugar horrendo, você vai achar que a Praça da Sé é uma verdadeira Champs Elysées. Juro.

Só Osama conseguirá dar um jeito nisso.

sábado, 15 de novembro de 2008

Sacrilégio

Início da noite de sábado. O tio Xavier estava com a cria mais nova e a darling a beber um delicioso açaí geladaço batido com banana, granola e outras coisinhas nutritivas. A Frutaria Santo Eduardo, situada no bairro de Vila Maria é destaque pela iguaria que sai às toneladas todos os dias nas mesas lotadas. Mas é característica também pelos funcionários péssimos e um bizarro cachorro SRD (eufemismo da Cinofilia para vira-latas), o qual entra e sai da cozinha na hora em que quer.

Como nem tudo é saborear açaí gelado, tem o brinde da casa: ter que ouvir as sensacionais atrações musicais que passam no telão de plasma com som no talo. Já tive que tomar meu açaí ouvindo a Banda Calcinha Preta (sim, existe isso), pagodeiros de Os Travessos, Jeito Muleke e tantas outras merdas, que só não me regurgitam o açaí porque tenho bom estômago. Já cheguei a reclamar com o dono para abaixarem o volume pois o som torna impossível conversar ali.

Ontem o DVD era de um show do Alexandre Pires. Nada contra ele desde que ele não alcance meus tímpanos. Pelo pouco que olhei para o telão às minhas costas ele recebeu duzentos convidados no palco para duetar. Entre eles a Ivete Poeira Sangalo, para uma versão demolidora de Hunting High and Low. Pois é. Alguém teve a manha, a petulância, a audácia de fazer esse sacrilégio musical pra cantarem batendo em couro de gato. A versão livre não passa de um apanhado de versos desconexos, bregas e com vocabulário limitado. E antes que você diga que a letra do A-Ha não vai muito além disso, vamos combinar que o ex-SPC que geme ao microfone não dá nem pra comparar com a voz do Morten Harket, ainda que na época ele fosse um moleque.

Pagode-rebolador, forró falsificado e sertanejo-corno disputam entre si o Nobel da Química, transformando excelentes canções em lixo. O sucesso do A-Ha também não foi poupado e a versão podre chama-se Estrela Cadente. Ainda bem que eu já tinha terminado meu açaí e minha coxinha. Devia haver uma lei que proibisse esses breguetes de fazer bizarrices com músicas boas. Você ainda está duvidando do que eu disse, não é? Então comprove você mesmo(a), clicando AQUI.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Botorixta abigo

Estudo mostra que 80% dos estudantes pegam carona com quem bebeu. "Apesar do número de estudantes que admitem misturar álcool e volante freqüentemente ter caído... 80% deles confessam que ainda pegam carona com motoristas embriagados depois da balada" (Fonte: Uol Notícias).

As estatísticas falam mais pelo que ocultam. O que não foi divulgado é que 20% dos entrevistados restantes eram os próprios motoristas, assim divididos:

- Metade confirmou que dirigiram bêbados;

- Outra metade não conseguiu responder e abraçavam o entrevistador falando "fozêêêêê é beeeeu abiiiigu".