domingo, 3 de maio de 2009

Roteiro gastronômico do submundo 2009-1

Morar na periferia da metrópole e ficar com preguiça de ir pro fogão é um dilema. Como não sou afeito à tradição "fila-bóia-na-mãe" do proletariado, quando tento me dispensar de cozinhar no domingo - já que a darling cuida de outros afazeres - a tortura começa. As opções são duas básicas: rodar no mínimo quinze quilômetros até um lugar civilizado ou encarar arremedos de botequim que se auto-intitulam restaurantes.

Só que outro dia voltando da casa de uma amiga passei pela Av. São Miguel e avistei uma fachada grande ostentando o nome Chico Restaurante. Arisco com os estabelecimentos destas bandas eu apenas parei para observar. Sem referências ou indicações de clientes - essenciais nesse ramo - limitei-me a reparar que os carros estacionados à porta era beeeeem melhores que o meu corsinha velho. Toyotas, Hyundais e até um Chrysler bem novinho reluziam na rampa espaçosa. Considerei a possibilidade de que seja bom e esteja fora do mercado de "prato feito a cinco reais".

Fomos hoje. Acordamos ao meio-dia e decretei que sairíamos logo pra almoçar. Caso fizéssemos o breakfast encararíamos lugares lotados e retornaríamos atrasados para assistir à final do paulistão (Timão... Eô). Votos vencidos, a darling e o enteado embarcaram no meu possante e fomos encarar o Chico. Sem trocadilhos, por favor.

À porta haviam outros dos vistosos carros que custam mais do que o meu barraco. O gentil funcionário ao olhar meu humilde transporte sugeriu que eu parasse no estacionamento deles ao lado. Eu faria o mesmo se fosse o dono, afinal marketing é fundamental. Mas ao entrar já foi estranho não ser recepcionado por ninguém. Fomos andando devagar, tentando localizar uma mesa e só depois de acomodados é que apareceu uma moça trazendo cardápios. Sem maitre, sem recepcionista, tsc...

Trouxeram o que chamaram de couvert: três mini-pães franceses, um potinho com vinagrete e três manteigas em miniatura. Pobrezinho é apelido. Já o cardápio era satisfatório na variedade e economicamente acessível. Pedimos um filé à parmegiana. Só que acredite ou não o dito não acompanha fritas. Tive que pedi-las à parte. Embora o bife tenha me parecido de bom mignon, o molho estava ácido com gosto de enlatado. O arroz era quebradiço e as fritas bem que podiam ser daquelas de pacote congelado. Ao menos seriam seletas e uniformes. A aparência das que vieram era bem feia.

O que é digno de nota sobre muitos lugares que servem parmegiana é que os donos parecem não desconfiar de onde poderia vir o nome da iguaria. Dessa forma no Chico eu também tive que pedir pelo queijo parmesão. Vamos ver se os donos de restaurantes matam a charada: Parma... Parmesão... Parmegiana. Sacaram? Não, né? Não tem importância. Fora as mancadas acima, sobretudo o molho que merecia mais capricho, a bóia era comível.

Aleluia! Lá no Chico não havia guardanapos de papel. Somente grandes guardanapos brancos de pano para colocar no colo e fazer a limpeza trivial. Mas o garçom me trouxe um copo com um OGNI (objeto grudado não identificado). Reclamei educadamente e me trouxeram outro: MOLHADO. Complicado esse serviço de copa. Na parede do salão havia a hedionda televisão de cem polegadas. Porca miséria, o que há com donos de restaurantes que não conseguem manter o ambiente apenas com uma música suave? Ao menos essa não estava com o volume no último, mas televisão em restaurante devia dar de dois a cinco anos de reclusão.

Por fim pedi a conta e trouxeram-me a de outra mesa. Daria quase no mesmo, financeiramente falando. Mas não era a minha e um pouco de atenção pouparia o retrabalho. Junto com a troca pedi a máquina portátil de débito eletrônico da rede X. O garçom sem cerimônia disse pra eu pagar no caixa porque o aparelho estava recarregando a bateria. Podia ao menos ter pedido desculpas.

CONCLUSÃO: Preço acessível não justifica os deleixos que relatei acima. Um pouco mais de zelo não eleva custos. Mas no Chico dá para três adultos almoçarem modestamente por menos de oitenta reais ao todo. Pra não ir pro fogão no domingo, talvez eu retorne. Claro até eu achar um concorrente demonstre ser mais zeloso. Cotação no Guia Xavier: 6,5 pontos.

O Chico Restaurante fica na Av. São Miguel, 4779 - Ponte Rasa - Sampa.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Você se garante?

Você se garante? Essa pergunta pode parecer muito vaga, mas remete aos diversos aspectos da segurança em si que cada um deveria conquistar. Definir a si próprio é uma tarefa um tanto difícil, admitamos. Nos situamos naquele limbo entre a imagem que temos de nós mesmos, a imagem que os outros têm de nós e algo que pode ser nossa essência. Passamos por isso a todo momento ou quem sabe devíamos nos questionar em instantes específicos da vida. Mas preocupar-se excessivamente com apenas nossa imagem externa pode - além de resultar em neuroses - contribuir para a ruína dessa mesma imagem que queremos construir. Garantir-se não é para qualquer um. É enxergar-se com realismo sem abrir mão do sonho. É construir uma auto-imagem compatível com nosso lugar-mundo e as competências que podemos conquistar de maneira sustentável.

Há coisa de um ano e tanto, conheci uma pessoa. Uma jovem muito bonita e digo sem pudor que é muito atraente. Algumas semanas depois, não sem quem foi que encontrou o perfil de quem no Orkut e acabamos nos adicionando. Cumprindo o propósito irresistível dos sites de relacionamento, passei a bisbilhotar sorrateiramente as fotos da bonita moça, querendo saber um pouco mais a respeito da enigmática e silenciosa figura. No seu álbum virtual notei que todas os as manhãs sempre havia novas fotos dela em baladas, sorridente e com copos à mão. Fiquei intrigado, confesso. Para quem estuda à noite, presume-se que trabalha. Divertir-se e beber em danceterias até altas horas todas as noites me pareceu mais compatível com os entrevistados do Amaury Jr., da classe social A++. Fora que em Sampa uma saidinha de nada nunca custa menos de cento e cinqüenta reais, isso em lugares dos mais modestos. Faça as contas e descubra o despêndio mensal. Só se ela for "filha de papai", pensei.

Dia desses a jovenzinha me procurou nos corredores. Me supondo alguém bem relacionado profissionalmente, ela pediu que eu arranjasse um emprego pra ela. Sou reticente com essa coisa de indicação profissional. Mantenho contato direto com dezenas de empresários. Mas só indico pessoas de quem tenho bem claras as competências e requisitos. Perguntei o que ela fazia e recebi como resposta o lamentável "qualquer coisa". Ora leitores, quem faz qualquer coisa, ganha qualquer salário e tem que trabalhar em qualquer lugar. Qualificação e especialização são condição sine qua non para um posto profissional recompensador. Emprego há somente no meio político, em cargos indicados para não fazer nada. Para profissionais de verdade há postos de trabalho. Perguntei o que ela fazia atualmente e descobri tratar-se de uma balconista de loja, com ganhos que mal tangiam seiscentos reais mensais.

Se você teve saco de ler até aqui deve estar se perguntando: uma suburbana, que estuda em faculdade popular, tem um empreguinho de nível "D" vai à baladas todas as noites... como? Há de ter um namorado "bom partido" com as burras bem cheias. Não, meu amigo, minha amiga. A moçoila, apesar de ser muito bonita mesmo, não tem namorado fixo. Ao menos não tinha até há poucos dias, quando bisbilhotei-a um pouco mais. Trata-se de uma "ficante errante". Segundo uma colega comum, que mora na mesma rua do mesmo bairro pobre, a moça sonha com uma vida melhor como é justo a qualquer um. Mas a estratégia de sustentação do seu sonho inclui não se relacionar com ninguém do pedaço humilde onde reside e um esforço desmedido para misturar-se a tribos de poder aquisitivo mais relevante. E sem grana para bancar esse capital social, o preço que ela paga é dar canja para rapazes abastados que não resistem aos seus belos traços e contornos, ficando com um aqui, outro acolá, uma cama aqui e outra ali, a cada balada ou fim-de-semana a passeio. A rotatividade é sem fim, já que relacionamento estável no meio baladeiro não é uma patente. Sua dedicação diária na postagem de fotos em que aparece sempre sorrindo, mais parece uma ação de marketing planejado a vender a idéia de como é feliz.

Com seu desempenho acadêmico próximo de medíocre ela deve continuar sonhando com um príncipe encantado cavalgando em um carro importado, para tira-la do seu lugar social de proletária-suburbana e leva-la em definitivo para um castelo encantado, quiçá um bom apartamento em bairro melhor. Não mais por uma noite. Deve ser muito difícil viver uma dicotomia tão grande entre fantasia e realidade. Acima de tudo ela parece ser uma boa pessoa e por isso desejo que ela se divirta bastante, dada a efemeridade que a vida representa. Mas sinto um bocado de pena a imaginar o vazio que sua pessoa encontra, toda vez que não consegue um patrocinador para ir para a balada. Sem os entorpecentes das luzes piscantes, das músicas dançantes e dos drinks coloridos que pagam para ela, a moça pode ver-se em um vazio desagradável. Tomara mesmo que o príncipe apareça - e logo - porque se demorar muito seu salário de balconista não bancará os antidepressivos.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Samba-enredo da Câmara Federal

LETRA: Tio Xavier.
MÚSICA: Cante com qualquer melodia de samba-enredo, afinal são todos iguais.

Prelúdio...

[Deputados federais pedem passagem!]

Cadê nossos aviões?
Nós só temos o vôo comercial.
Toda semana pra visitar as bases,
passar as férias, o natal e o carnaval.
E tem também para a família
pra sogra, filha, pra amante e pro irmão.
Passagem grátis para todo canto
até pra Disney e pro Azerbaijão.
[No tempo...]

No tempo de Dom Pedro,
Até nossos ancestrais
já tinham tanta mordomia
e terra grátis nas capitanias.

E hoje a Câmara em Brasília
vive dias de intensa alegria
salário bom, emprego pra família
como é boa essa tal democracia. [Cadê? Cadê]

Cadê nossos aviões?
Nós só temos o vôo comercial.
Toda semana pra visitar as bases,
passar as férias, o natal e o carnaval.
E tem também para a família
pra sogra, filha, pra amante e pro irmão.
Passagem grátis para todo canto
até pra Disney e pro Azerbaijão.
[Tem gente...]

Tem gente xingando os deputados
essa imprensa tem a força do Mal.
Ai se pudéssemos votar um bom projeto
calando a boca desse monte de jornal.

E assim vamos negociando cargos
pois é dando que se recebe
do Executivo que faturamos alto
e que se dane, que se dane toda a plebe... [Everybody fuck...]

REFRÃO

Cadê nossos aviões?... [Onde é que estão?]

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Castidade assim até eu

O bispo católico e atual presidente paraguaio - Fernando Lugo - não é o Abelardo Barbosa, mas "está com tudo e não faz prosa". Acabei lembrando de outra piadinha antiga de um sujeito que queria ser franciscano e foi advertido sobre os votos religiosos, a saber: pobreza, obediência e castidade. Após conformar-se, na sua primeira entrada na casa da ordem olhou para tudo e ficou espantado. Lustres coloniais de cristal, mesas gigantescas de carvalho talhado, tapetes artesanais enormes, estofados de couro e prataria da melhor qualidade compunham a nada modesta mobília. Começou a gargalhar sem controle, ao que foi advertido pelo frater que o conduzia:

- Irmão, por que ri tanto?


- Meu amigo, é que eu estava preocupado com o cumprimento dos votos. Mas se isso aqui é a pobreza, não vejo a hora de anoitecer pra conhecer a castidade.

Neste mês apareceu outro provável filho de dois anos. Não sei quando o cara afastou-se da vida religiosa. Mas para um ex-bispo católico - logo supostamente casto - o tio Lugão demonstra uma recente vida sexual bastante animada. Bem melhor do que a de muito leigo carola por aí.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Meus heróis não morreram de overdose

Os mitos têm força no imaginário popular, seja como arquétipos propriamente ditos, seja como veículos para suporte aos ideários mais diversos. Pedro Américo que o diga, quando muito depois praticamente clonou um quadro europeu, para emprestar ao evento da Independência a pompa e circunstância que o factóide precisava. De um mero acordo político e econômico para o brado retumbante a distância foi encurtada pelas tintas. E desde então, lá está o mulherengo e fanfarrão Pedro I travestido de herói nacional.

Hoje é feridão da igualmente famosa Inconfidência Mineira. Na qualidade de consangüíneo de mineiros tenho muito pra desconfiar de qualquer empreitada supostamente ocorrida nessa região. Diz um dito popular que "farmacêutico mineiro não dá plantão, fica de tocaia". A política do café-com-leite foi (ou é) prova disso e às vezes dou graças pela existência do estado do Espírito Santo. Não fosse este os mineiros teriam portos para o Atlântico e aí sim que ninguém os segurava. Humor à parte - todos sabem que adoro principalmente As mineirAs - mas MG tem mesmo uma tradição política matuta e sábia. Notem que quando não são os protagonistas da presidência estão na qualidade de iminências pardas, fazendo crer que nunca deixam de fazer e acontecer na política brasileira.

Mas o post de hoje é sobre o meu tatara-tatara-tio-avô, Joaquim José da Silva Xavier. Nada contra ele, muito menos contra os demais dentistas. O duro é passarem anos cravando pseudo-heróis na cabeça da criançada, a título único de legitimar o atual estado político das coisas. Já é bem disseminado e aceito no meio acadêmico que o máximo ocorrido com o dentista maçom foi ter sido preso após uma reunião de liberais inspirados pelas máximas da Revolução Francesa. Até a prisão tudo bem. Mas o que houve depois foi uma seqüência de falácias até chegarem nos livrinhos de história - ou será estória? - com aqueles retratos piegas do barbudo com a corda no pescoço. Quem sabe o Tiradentes não inspire tanta identificação no povo pelos ideais, do que pela corda no pescoço, sina do brasileiro enforcado pelos baixos salários e custo de vida alto? Os mitos têm poder arquetípico muito além das suas imagens formais: falam ao espírito.

A imagem de Tiradentes, como retratada posteriormente, também remete a Jesus de Nazaré, outro forte emblema do herói martirizado. Só que mais sortudo do que este - até onde se sabe - o mártir mineiro foi substituído por um Barrabás, só que nos bastidores judiciários e mediante uma boa cifra em ouro. O ladrão em questão encontrava-se mais do que condenado por crime comum e era de execução certa, para fins de manutenção da moral da justiça. A coroa portuguesa estava enrolada financeiramente, não obstante o dreno mineral do Brasil, que já nem era mais tão significativo. E a Maçonaria estava suficientemente articulada, com o fim de extingüir com o anacrônico regime monárquico. Peças de um complexo xadrez político-econômico: um modelo colonial falido, uma coroa idem e uma colônia de enormes dimensões já fora de controle. Veja bem que o dentista nem era lá tão articulado com os planos do movimento independentista, mas era quadro bom e suficiente para lecionar e disseminar os ideais libertários defendidos pela Maçonaria.

Assim o nosso herói - meu velho tatara-tatara-tio-avô Joaquim José - fora resgatado na prisão, na calada da noite embarcando idem para a França. A família do ladrão que o substituiu também recebeu uma boa cifra como conhecido mecanismo "cala-boca". Um ano depois, segundo defendem alguns historiadores, o quase-enforcado já pôde ser visto e com lista de presença assinada em uma importante assembléia política na França. Logo depois teria ainda lecionado em uma universidade até seus últimos dias de fato. Enforcado não foi, nem ficou em nenhum momento e de nenhum modo, considerando que um acadêmico na Europa ganhava respeitável salário. O retrato ao lado é mais compatível com seus dias posteriores ao "seu" enforcamento.

Enforcados continuamos nós, nesse mar de impostos e tendo que recomprar serviços que deveriam ser públicos como Educação, Saúde e até mesmo segurança. Então vamos curtir o feriadão, fazer churrasco e colocar a filmoteca em dia, que é o que nos resta. Pobre povo que precisa de heróis. Ainda mais falsificados.

"Se dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria." (Tiradentes)

"Não sendo a minha, eu dou até vinte." (Tio Xavier)

domingo, 19 de abril de 2009

Curumin chama Cunhatã, que eu vou contar

Desde a entrada do branco europeu nas terras de Pindorama, a questão da posse da terra e do status do índio é objeto de conflito e "muito pano pra tanga". Não obstante os massacres incontáveis que ocorreram desde a expulsão dos jesuítas, as nações indígenas brasileiras vivem como párias na própria terra de seus ancestrais.

Não que as ações do jesuítas tenham sido tão nobres assim, mas ao menos não tinham o viés de transformar as terras brasileiras em gigantesca reserva extrativista, somente para suprir a penúria econômica pela qual a Europa passava com o declínio do modelo imperial feudalista. Havia muitos jesuítas de alma nobre embora - em última instância - servissem à Europa. Mas infelizmente a colonização cultural é tão mortífera quanto o escravagismo propriamente dito, pois não faz senão escancarar as portas para este. Me lembro de uma piada, cujo quadrinho não consigo achar na web agora.
Após calma e detalhada explicação do jesuíta sobre o pecado, o índio indaga:

- Mas padre e antes, quando eu não sabia nada disso, eu ia pro inferno?

- Não, filho. Antes de saber você era inocente; logo não pecava.

- Então por que me contou, seu desgraçado?
Claro que no cartoon é mais engraçado, mas a piada é elucidativa. O colonizador branco enviou intuitivamente todos os seus aparelhos para dominação, do arcabuz ao evangelho, da pólvora à cruz. A religião institucionalizada, substituindo a natural do silvícola, convertia-se em eficaz meio de aculturação e logo de escravização. Além das inúmeras doenças desconhecidas por aqui e, consequentemente para as quais os pajés e xamãs não tinham tratamento, pior ainda foram os costumes transferidos. Índias acostumadas com o sol e o vento sobre as mamas foram vestidas para cobrir o que passou a ser "vergonhas" e muitas morreram de tuberculose por isso. Tribos acostumadas à antropofagia ritual e gastronômica, viram-se desprovidas do modo de afirmação de sua identidade. Ainda bem que algumas resistiram. Que o diga o bispo Sardinha. Mas também, com esse nome sugestivo o cara pediu pra ser comido, não é?

De certa forma, Pombal quase que fez-lhes um favor ao expulsar os jesuítas, pois propiciou a debandada de tantos quantos puderam, para os rincões de mata onde o branco mal conseguia chegar e, quando o fazia, caía nas arapucas da própria floresta e dos índios. Do contrário, seduzidos pelos cantos sacros, pela bonita organização das missões e pelo conceito de produção agrícola auto-suficiente, se as missões tivessem sido levadas a termo é provável que não teríamos resistência e as nações indígenas seriam apenas uma reles lembrança nos livros.

Mas mesmo quase dizimado o índio resistiu e incrivelmente hoje algo em torno de duas centenas de nações indígenas reivindicam para si o que deveria ser óbvio: a reserva e exclusividade de míseros quilômetros para subsistência, dentro dos oito milhões e meio de terras de Pindorama, que outrora não tinham demarcação, nem escrituras imobiliárias. As tribos não tinham o conceito de posse da terra e a reivindicação contemporânea não é senão uma adaptação aos novos tempos. Afinal foi o branco criou - para si mesmo - a documentação de propriedade, justificando a defesa desta a ferro-e-fogo, ou melhor: ferro, fogo, chumbo e sangue alheio.

Antes e depois da criação da Funai em 1967, muitas bobagens foram feitas (inclusive a própria Funai). Sem entender nada de Antropologia, geniais políticos deslocaram tribos inteiras para regiões com características topográficas, climáticas, vegetativas e de fauna totalmente distintas das de origem. Os resultados foram catastróficos: fome, conflitos com outras nações, descaracterização, mendicância e até extinção. Essa foi, por exemplo, a sina dos guaranis. Que diabos houve o deus dos brancos, que não criou os irmãos Villas-Boas e o Darcy Ribeiro antes disso? Estão vendo como ele não escreve tão certo pelas linhas da história, que continuam sempre tortas?

As quatro gestões presidenciais recentes, duas do sociólogo e duas do metalúrgico, até que cederam em questões pontuais como a da reserva Raposa Serra do Sol e sua devolução para algumas nações como macuxi, wapixana, ingarikó, taurepang e patamona. Mas esqueceram de combinar direito com os arrozeiros, pois muitos destes também foram ludibriados outrora com cessão de terras para cultivo em Roraima. Agora há também a indústria da indenização posto que há mais de dez anos os arrozeiros reivindicam "safras que estão por colher" e ressarcimento dos equipamentos, cuja logística de remoção é onerosa não compensando por si. No fundo, há dos dois lados vítimas de um Estado não planejado e sem diretrizes de longo prazo, que se pende ora para um lado, ora para outro, conforme as forças correlatas. Infelizmente pende sempre mais para o capital.

Neste ano, particularmente, as escolas tiveram um feriadão prolongado que deixou o dia do índio perdido entre o fim-de-semana e a inconfidência. Sinal dos tempos ou não, mas um mau sinal sem dúvida. Quem sabe se pior do que esquecer o índio não é passar para os estudantes uma versão caricaturizada por penachos, tanguinhas e homenagens vazias, que em nada acrescentam no respeito à etnia, à cultura e ao direito de viver dos povos indígenas, muitos dos quais já se encontram urbanizados. Quem sabe, alguém vá no centro da cidade e compre daqueles índios da diáspora algum unguento mágico, um souvenir industrializado ou então vá a algum parque e tire fotos com uma sobra do indígena, já despido de sua essência, do seu modo de ser e do pensar silvícola. A coisa tá tão perdida que em um colégio particular anos atrás vi crianças vestidas com trajes de... comanches!!! Só faltou o Clint Eastwood aparecer para praticar tiro ao alvo neles.

Minha sugestão para o dia de hoje é que tentemos repensar nossa civilização a partir de alguns valores dispersos com os três milhões de índios brasileiros que viviam aqui: 1) Que terra é pra usufruto, não para posse; 2) Que os filhos o são de todas as mães e pais para, para que não haja órfãos pedintes na rua, nem institucionalizados; 3) Que da natureza é para tirar-se somente o necessário à vida, não a acumulação; 4) Que o trabalho é um bem coletivo, de todos para todos e não de todos para meia-dúzia de capitalistas e 5) Que a escola deva ensinar aos "curumins brancos" o que lhes é importante para viver bem, para se defender e defender seus direitos. Sobretudo o direito à vida. Que não lhes empurre o dispensável e o supérfluo.

Hoje deveria ser dia do índio. Não só dos índios brasileiros, mas de todas as nações, de todos os cantos do mundo invadidos pelas cidades e indústrias. Lembremos dos aborígenes australianos; dos índios norte-americanos quase aniquilados por aplaudidos cowboys; das tribos africanas, que vivem verdadeiros desastres sociais, após a devastação e conseguinte abandono dos estados brancos; dos esquimós que disputam humilde subsistência com bilionários lobbies petrolíferos; dos povos latinos ameríndios que ainda lutam pela independência. Enfim, os quem amargam a impotência como eu, pelo menos ensinem aos descendentes o básico: respeito e reconhecimento.

Índio Gaudino, rogai por nós.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Ratatouille

Depois dessa história que contei aqui, demorou muito tempo para os primos do Mickey, ou melhor, do Níquel Náusea violarem novamente a minha fortaleza doméstica. Claro que quem tem quintal está sujeito a passeios dessa espécie adorável, mas como tomamos alguns cuidados que incluem deixar veneno raticida em locais estratégicos, eles tendem a cantar em outras habitações.

Só que neste sábado, mal abri a porta da cozinha e vejo um saltitante roedor sair do canto onde fica um armário pra tentar se esconder no quintal. Deu de ficar abaixadinho atrás da minha micro-horta de temperos. Cheguei próximo já munido de uma vassoura dura e fiquei pensando na estratégia do assassinato. Encostei mais o canteiro no muro pro abrigo do pestilento ficar mais aconchegante. Arrastar a floreira de sopetão e tentar correr atrás dele? Bobagem. Correr é sua habilidade maior e eu estaria em desvantagem. Então me ocorreu uma solução muito simples, bastando usar o cérebro.

Havia no quintal um tijolo baiano desses de cerâmica com seis furos que eu tinha usado para tirar medidas. O dito estava em uma sacola de mercado. Eu coloquei-o com o lado aberto virado pra floreira e só faltou eu colocar uma plaquinha: "esconderijo aqui". Do lado oposto, comecei a afastar a peça e passar a vassoura. Blup! O bichinho se empirulitou exatamente dentro de um dos furos do tijolo. Foi simples e rápido desta vez. Coloquei a peça em pé e vi o dito tentando se esgueirar ao máximo no esconderijo. Enrolei uma página de tablóide em formato de rolha e soquei no buraco com o cabo da vassoura. Os guinchos desesperados do disseminador de peste bubônica foram audíveis duas casas adiante. But it´s too late, babe.

Depois de prender a criatura das trevas joguei querosene na rolha de jornal e ateei fogo. Inicialmente asfixiado e depois meio assado o bichinho parou de guinchar. O sepulcro já estava prontinho. Foi só colocar o tijolo dentro de outros sacos e despachá-lo oculto no lixo comum.

Tá com dó? Leva pra sua casa. Bicho nojento, sô.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

The DivX´s wonderful world

Tendo descoberto o maravilhoso mundo do DivX há alguns meses e sendo um tecnomaníaco incurável passei a considerar a possibilidade de adquirir um tocador de vídeo compatível com esse formato.

Se você é mulher ou um macho analfabeto em siglas informáticas, DivX pode ser resumido como "o mp3 do vídeo". Mediante algumas compressões nos frames e macetes algorítmicos, o DivX é um formato de arquivo que possibilita que um longa-metragem caiba com boa qualidade em algo como 700MB. Isso significa que em um DVD-R de 4,3 GB pode-se colocar SEIS filmes no formato DivX, capice?

Agora imagine que um reprodutor de DivX tenha também entrada para pendrive e então você possa rodar seus filmes direto dele, sem ficar queimando DVDs à toda hora. E que seja possível baixar - de vez em quando claro! - um filminho aqui outro ali digrátis, na boa e velha rede mundial, na manha do gato? Não lhe parece sensacional?

Mas espere! Não ligue ainda porque você pode comprar um excelente LG-DV383 por um preço módico, com todas as tecnologias necessárias para rodar DivX direto do pendrive! Como proceder? It's so easy:

1) Vá ao supermercado Extra e localize o aparelho desse exato modelo.

2) Embora eles prefiram que o consumidor não questione nada, pegue sozinho e pague no caixa, há sim um responsável pelo setor. Exija a presença dele.

3) Agora com o dito atendendo, identifique o aparelho supra ou similar, sempre de marca renomada, que tenha os mesmos recursos. Rejeite marcas como "Barbantronics", "Gambivideo", "Soy Yo Electronics", "Nós Galantimo" e adjacentes. Por razões que já bloguei, procure evitar também os DESSA MARCA. Os preços de marcas conhecidas têm variações entre R$160 e R$300. Esse tal do item 1 estava hoje a R$219,00, na rede do Abílio Diniz.

4) Não se disponha a fechar tão depressa. Calma. Olhe com desdém e diga coisas como "tenho visto mais em conta e com mais recursos num concorrente de vocês". O vendedor se sentirá desafiado. Agora sim é o final shot: diga ao cara: "Bom, desse aí até iria, mas achei ele no pela internet por ; se você igualar pode ser que eu leve." Lembre sempre de olhar pro aparelho e pro vendedor com certo desprezo, não deixando transparecer que você está enlouquecido pelo mimo eletrônico. Se você estiver bem vestido pode até dizer que é pra instalar na casinha do Rex, porque ele adora "101 dálmatas" e "Marley e eu".

5) Está no ponto! O vendedor tem metas pra bater e é pressionado pela diretoria. Nesse momento ele revelará que há um recurso que eles chamam de "igualar à concorrência" liberável com senha. Assim ele lhe dará o desconto e você seguirá feliz com a nova tralha pra casa.

Você inaugurará uma nova nova etapa de sua vida cinéfila. Baixará até coisas que ainda estão nas salas de exibição e as assistirá no aconchego do seu lar. Eu juro que não faço essas coisas - óbvio - mas se você decidir fazê-lo não se preocupe: Hollywood não virará uma cidade-fantasma com bolas de feno rolando por causa disso. Eles continuarão bilionários e você continuará um pobretão. Mas poderá aumentar seu nível cultural e a custos bem menores do que os ingressos dos cinemas. De mais a mais você ajudará indiretamente a combater os criminosos que vendem DVDs piratas. Não é fantástico?

Vai lá e divirta-se.

* No próximo post talvez eu explique como é que o primo do cunhado do namorado da minha ex-vizinha faz pra baixar os filmes na internet. Eu não baixo, mas quem baixa diz que é muito bom.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Agradecimentos

Aos deputados que votaram a Lei Anti-fumo.

Aliás, também agradeço aos (poucos) amigos fumantes que, sempre que visitam minha residência, compreendem que a inexistência de cinzeiro é uma mensagem subliminar e dirigem-se à calçada para exercer seu tabagismo.

Quanto aos fumantes que acham impossível ou injusto ficar uma ou duas horas em presença alheia sem fumar, não me levem a mal. Eu não vou poder estar indo às vossas casas, porque estou com uma série de afazeres, preciso ajudar a cria na lição de casa, fora os trabalhos da faculdade, vocês entendem, né?

Poderiam também votar leis anti-flatulência, anti-perfume barato e anti-cascão. Esta última é urgente. Pegar o trem ou metrô logo de manhã com pessoas que estão fedendo a sovaco contaminado, ninguém merece. O Governo Federal precisa isentar o IPI dos chuveiros e do sabonete. Vai ver o problema é esse...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A hard day´s night, yeah

Sensacional. Recebi há pouco da querida amiga Sônia um link do Beatlestube. Nada menos do que todo o acervo do quarteto liverpooliano em formato de vídeo Yotúbico, powered by Google. Dezenas apresentações, áudios e até longa-metragens dos caras estão lá esperando nossos cliques.

Nunca fui um beatlemaníaco. Mas como grande parte das pessoas tenho lá meu pequeno acervo deles, incluindo dois vinis, K7´s, CD´s e MP³. Não dá pra negar que os sujeitos eram porretas. Por ora fiquem com A hard day´s night, mas não deixem de visitar o site. Por ora, com licença que vou assistir a Yellow Submarine, um desenho pra lá de divertido. Enjoy it.

domingo, 5 de abril de 2009

Quebrando o silêncio

Não quis dar pormenores na ocasião a respeito da morte do Sr. Avô Xavier, que agora data de um ano. Além de o tema ser mórbido demais eu ainda estava sob efeito traumático do tratamento que é destinado aos cidadãos quando do falecimento de seus entes. Bom meu amigo, minha amiga, se você não tem bom estômago, interrompa a leitura por aqui pois isto não é pra você. Mas se quiser arriscar, vamos em frente.

Após a morte tão súbita quanto previsível dele fui eu, como único varão da restrita prole, o natural incumbido dos trâmites fúnebres. A morte ocorreu em casa sob circunstâncias rápidas, pegando de surpresa dona Avó Xavier. Chamados por esta ao final da manhã, os bombeiros do Resgate constataram a inexistência de sinais vitais. Estando o falecido caído de mau jeito no banheiro os policiais tiveram a nobreza de ajudar a vesti-lo e acomodá-lo de maneira digna na cama, já que não poderiam mais levá-lo a título de socorro. Nisso foram gentis de fato. Mas o zelo do Estado e quiçá o profissionalismo encerraram-se com esses nobres soldados Bombeiros a quem não vi mas sou grato. A seguir foi mobilizado o serviço do IML da Polícia Científica para prosseguimento.

Somente ao final da tarde - quase às dezessete horas - é que chegou o funesto veículo de condução. O motorista tinha aquela pinta estereotipada dos servidores policiais paisanas: bigodudo, barrigudo, óculos escuros à testa, camisa estampada pra fora da calça jeans surrada e tênis. Não que tenha sido indelicado, jamais, e até fez por parecer gentil. Mas considerando o conjunto da coisa o Estado realmente não tem nenhuma preocupação na lida com famílias de falecidos. O baú do carro exalava algo parecido com aqueles recolhedores de ossos dos açougues. Aberta a porta, deixou escorrer um fio d'água suja e fétida à porta da casa da viúva. O contêiner para cadáveres continha líquido provavelmente secretado por ocupantes anteriores. Não havia ajudante nem nenhum equipamento adequado para transladar o falecido até o veículo. Não tivessem sido um cobertor velho disponibilizado pela senhora e as forças do genro do falecido e deste que escreve, não sei o que o motorista haveria de fazer sozinho. Fico imaginando como não o será com os habitantes de cortiços quase inacessíveis.

Embarcado o velho Xavier, o motorista nos avisa que o legista iria embora dali a poucos minutos e a liberação legal demoraria até o dia seguinte. A não ser que ele pedisse para o legista esperar. Sem pedir previamente nossa opinião o emissário fez questão de telefonar para o IML local e só então nos inquiriu sobre o interesse de obtermos a liberação na mesma data. A conversa tinha os ares do conhecido "quebra-galho" e tanto pela suspeita enojante quanto pelo desinteresse de conduzir os trâmites às pressas dispensei a "gentileza". Disse que deviam fazer tudo de acordo com os padrões operacionais ao que o condutor se mandou, deixando o telefone e o endereço a ser visitado no dia seguinte.

Por volta de oito horas da manhã posterior, dirigi-me ao IML da região. O prédio e o ambiente não eram convidativos, obviamente. Mas somados às fisionomias dos funcionários que lembravam filmes "B" de terror, parecia que tudo visava o desconforto acima de qualquer coisa. Como se não bastasse, demoraram mais três horas, sem qualquer informação parcial, até que eu fosse chamado para fazer o que chamam de "reconhecimento" e assinasse os papéis. E é neste ponto que a putrefação toma os odores de fato.

Tive que entrar em um salão aos fundos. A cinco metros de distância já era possível saber que lá não havia senão seres em decomposição. Um misto de podre e amônia que faria arder o nariz mais insensível. As instalações do lugar são péssimas: sem refrigeração, sem ventilação, sem filtragem de ar e nada que aparente assepsia básica. Fui dono de uma casa de carnes e posso garantir que com um zelo básico - à base de cloro- o local poderia ser melhor, evitando que os reconhecedores como eu tivessem que pisar em fluídos humanos escorridos pelo chão. Também digo que para alguém reconhecer um familiar morto, não custaria nada aos cofres públicos segregá-lo momentaneamente em uma ante-sala, para que não se tivesse que ziguezaguear em outra dúzia de corpos, até chegar no de seu ente. Até então só tinha visto coisa tão deprimente em filmes. Mostrando o rosto do falecido sem cerimônia o funcionário explicou que devido à contração muscular os mortos ficam com a boca aberta, mas que eles - os funcionários - poderiam camuflar o fato com a inserção de algodão. Ignorando o que eu estava passando com a cena e a tosca abordagem, ele passou a enfiar toneladas de algodão na boca do morto, socando com uma pinça para surtir o efeito explicado. Simples assim, como quem estivesse enchendo uma almofada e ele não podia esperar eu me retirar. Tinha que fazê-lo à minha frente e faltou cantarolar, já que proseava sem a menor preocupação.

Concluído o feito, o funcionário do serviço funerário chama-me noutro canto, em uma sala interna ao putrefatório. Lá ele explica que somente um serviço básico de lavagem e vestir é feito de praxe, mas que ele entende que não fica bem assim e presta um complemento que poderia incluir cabelos, barba e até maquiagem para tirar a palidez cadavérica. Fez questão de dizer que não me cobraria nada pelo serviço mas insistiu que eu adquirisse as flores de um "conhecido", para quem telefonou de um ramal do próprio IML. Deu o preço do arranjo sem constrangimento, como é próprio dos bons homens de negócios. Abatido pela situação, mal impressionado com aquele lugar e ansioso para finalizar os arranjos, eu consenti e entreguei as roupas com as quais o morto deveria ser vestido, saindo o mais rápido que pude.

De lá rumei para outro local, este da prefeitura, para negociar a urna funerária popularmente conhecida como caixão. Dessa parte, quase que menos desagradável, saltou-me o fato de que o moderníssimo Serviço Funerário Municipal não aceita qualquer tipo de pagamento eletrônico, o que me obrigou a sair e fazer alguns saques em caixas eletrônicos próximos, para inteirar o valor do item escolhido. Eles até que aceitam cheques, mas não tenho por hábito emiti-los de minha pessoa física e era esse o único tipo aceitável.

No velório e sepultamento nada a supreender. Depois do contato inicial com a frieza e descaso estatal da casa putrefata, o resto é ficha. Mas curioso é o desespero de causa e oportunismo de funcionários fazendo serviços particulares em pleno próprio municipal e no meio do expediente. Após descerem o Sr. Xavier à sua morada definitiva e sepultarem-no, um preocupado coveiro me identificou e me chamou à parte. Proferiu comoventes palavras de conforto - algo como "infelizmente é o destino de todos nós" e "este é o nosso trabalho" - que finalizaram com a oferta de um atencioso serviço de jardinagem que eles mesmos prestam, para "dar um cuidado merecido para o falecido" - nas palavras dele -. Por módicos cinquenta reais mensais, em dinheiro e entregues somente a ele, o finado Xavier receberia um modesto jardim, que seria zelado com atenção evitando que o endereço ficasse com aspecto de desbarrancado e abandonado como outros, que o funcionário apontou no entôrno. Descrente dos reais benefícios que cuidar de mortos possa proporcionar aos próprios ou a nós, dispensei o préstimo sem explicações. Acredite que ele ainda tentou insistir, apelando para a consideração com a memória do morto e nojeiras similares. Senti vontade de socar-lhe o focinho.

Dias depois contei à viúva - somente este último episódio - dando-lhe a chance de decidir se compactuava ou então contratasse um honesto particular. Todavia ela compartilha da minha opinião, de que não é depois de mortas que as pessoas merecem nosso zelo. Há sempre os vivos para tal. Não temos sequer o hábito de visitar túmulos, mas antes visitar as pessoas em vida, para fofocar e tomar café.

E é isso meu caro. Caso você se veja diante do inevitável infortúnio de perder um familiar e seja o eleito para representar a família perante o Estado, já sabe o que enfrentará. Prepare o nariz e o estômago. Literalmente.

domingo, 29 de março de 2009

Compartilhando conhecimentos

Tive uma brilhante idéia (como a maioria das minhas o são). Já que estou estudando desde ontem e interrompi somente para dormir, deixando mais uma vez esta espelunca abandonada, decidi compartilhar com os leitores uma das questões que estou respondendo para a aula de Ética Política e Educação do meu curso.

A questão ora publicada versa sobre a relação entre educação, prática política e poder. Veja se lê isso e adquire um pouco de cultura pelo menos.

Rios parte do princípio de que a educação é uma prática política e situa-se na tênue linha entre a manutenção cultural e a crítica transformadora. O papel da educação e sua caracterização estão implícitos na escolha de temas, abordagem e metodologia educacional. Defendendo que o exercício da educação seja político e dentro desta implique em transformar, Rios defende uma educação que questione a si própria quanto aos seus objetivos. A questão pode ser reformulada para "que tipo de ensino se quer praticar?". Um ensino libertador presume o escancaramento das próprias premissas e objetivos, uma vez que não se pode falar em neutralidade.

A educação concebida por Freire tem cunho libertário e crítico. Seus objetivos são a conscientização, construção de visão crítica, abordagem sócio-política e ação transformadora. Os princípios freireanos propoem partir dos conhecimentos prévios do educando - considerando que seu trabalho foi predominantemente com adultos - o lançamento do que chamou-se "temas geradores". É sobre esses temas geradores que trabalha-se a elaboração de textos, a alfabetização e o letramento, sempre dentro do contexto de vida das comunidades e da discussão crítica da situação.

Giroux enxerga o mundo atual a partir da globalização e as gigantescas mudanças que transcorrem. O recuo das fronteiras geopolíticas e do conhecimento a partir do avanço das telecomunicações, novas mídias eletrônicas, os fluxos migratórios e as mudança econômicas influenciam diariamente a vida dos seres humanos e dentre estes, os estudantes. Um dos pontos principais de sua crítica à área educacional é que ela não está atendendo às novas necessidades decorrentes desse mundo em mudança acelerada. Ele afirmou em entrevista à revista Language and Intercultural Communication que "... as tendências políticas conservadoras que têm imposto uma definição de excelência em educação que significa mais uma submissão às pressões de mercado..."(*) dando a entender que essa suposta "excelência" segue a lógica do Capital (satisfação das necessidades de mão-de-obra) e da manutenção do status-quo político e social, ao invés de proporcionar abordagens inovadoras e críticas.

A pauta de Giroux para a educação não é nada superficial nem modesta e propõe colocar em discussão tanto o quê, quanto para quê e como realizar a prática educativa. Entre as questões lançadas pelo próprio estão: “Porque é que nós [educadores] fazemos o que fazemos do modo como o fazemos”? “Que interesses serve a escolaridade”? “Como devemos perceber e relacionarmo-nos com os diversos contextos nos quais a educação acontece”?

(*) http://www.henryagiroux.com/RoleOfCritPedagogy_Port.htm. Entrevista traduzida por Manuela Guilherme (PT).

sábado, 28 de março de 2009

Justa homenagem

Os amantes da boa música dançante e que por ventura tenham ouvidos apurados não podem deixar de dar uma espiada no blog Dance Disco Music.

Lá podem ser encontrados links de músicas da época de ouro da black music, de artistas renomados como Stevie Wonder, Marvin Gaye, Donna Summer, Diana Ross e bandas como Earth Wind & Fire, Kook & The Gang, The Emotions, The Jacksons Five e uma infinidade de artistas que remontam o melhor da Motown. A música dançante mais "branca" também está representada no DDM com Santa Esmeralda, Village People, Abba, Patrick Hernandez e outros que as décadas de 70 e 80 nos legaram de melhor.

Os links são downloadáveis e o acervo é quase todo digitalizado a partir de raridades em vinil e K7. Se você der uma passada é bem provável que colocará o link nos seus favoritos. Parabéns aos mantenedores do DMM. Agora confira você mesmo.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Coming soon...

A você que já se encheu de passar por aqui e não achar nada novo eu explico: a empresa pra quem estou trabalhando não aderiu à crise. Por isso projetos novos e um grande número de atendimentos a clientes estão me massacrando. Pelo menos estão tendo compensação financeira. Já tenho dinheiro pra comer uma pizza meia calabreza, meia muzzarela neste sábado. No Habib´s que é mais barato, claro.

Além disso não sei o que deu nos professores da faculdade. Trocentas apostilas pra ler, fóruns na plataforma EAD, aulas que estou ministrando aos sábados e uma pilha de trabalhos pra entregar estão fazendo do meu curso a nova versão de Survivor (aqui chamava-se "No Limite" e era apresentado por Zeca Camargo). Só espero que esse sacrifício todo seja suficiente pra eliminar as alunas não-alfabetizadas da minha turma.

Se eu não sofrer um AVC nos próximos dias voltarei a postar aqui. Peço a compreensão dos cinco leitores desta espelunca.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Ortografia medonha

Não dá pra conceber um site da monta do Baixaki, ter na página de abertura uma chamada com esses linguicídios. Considerando a escandalosa disortografia da molecada, isso sem dúvida é um pobrema.

Atenção bons alunos de Letras e professores idem: mandem currículos pra redação do Baixaki pois há vagas. Bem, deve haver. Pelo menos como revisor.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Matemática medonha

Semana passada comprei um produtinho que me custou R$ 4,58. Dei à balconista R$ 5,00 e tratei de achar 8 centavos na carteira para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para ele. Seu olhar era perdido e a bichinha mostrava claramente que não sabia o que fazer.

Expliquei que bastava me dar 50 centavos de troco. Ela não se convenceu e o gerente que estava de olho correu para acudir. Dava pra ver a cara de interrogação gigante dela enquanto o infeliz tentava explicar.

Por que estou contando isso? Porque me dei conta da "evolução" do ensino nas últimas décadas. Em Matemática para quarta série (atual 5º ano), foi mais ou menos assim:

1. Ensino de Matemática em 1958:
Um cortador de lenha vendeu um carro de lenha por Cr$ 100,00 e auferiu 20% de lucro. Qual foi o custo de obtenção em cruzeiros? Quantos carros de lenha ele precisaria vender para lucrar Cr$ 200,00?

2. Ensino de Matemática em 1968:
Um cortador de lenha vendeu um carro de lenha por NCr$ 100,00. O custo de obtenção desse carro de lenha foi de 4/5 do preço de venda e os impostos sobre o lucro foram de 10%. Qual foi o lucro líquido, em percentual e em cruzeiros novos?

3. Ensino de Matemática em 1978:
Um cortador de lenha vendeu um carro de lenha por Cr$ 100,00. O custo de obtenção desse carro de lenha foi de 80% do preço de venda. Qual foi o lucro?

4. Ensino de Matemática em 1988:
Um cortador de lenha vendeu um carro de lenha por Cz$ 100,00. O custo de obtenção desse carro de lenha foi Cz$ 80,00. Faça a subtração e responda: Qual foi o lucro?

5. Ensino de Matemática em 1998:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo desse carro de lenha é R$ 80,00. Resolva R$ 100,00 - R$ 80,00 = X e escolha a resposta certa que indica o lucro:
( ) R$ 20,00 ( ) R$200,00 ( ) R$2.000,00 ( ) R$20.000,00 ( ) R$200.000,00

6. Ensino de Matemática em 2000:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00. Ele gastou R$ 80,00 para obtê-lo e o lucro foi de R$ 20,00. Está certo?
( ) Sim ( ) Não

7. Ensino de Matemática em 2008:
Um atravessador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. Ele comprou por R$ 80,00 e por isso lucrou R$ 20,00. Leia com atenção abaixo e assinale a alternativa que corresponde ao lucro.
( ) R$ 20,00 ( ) R$200,00 ( ) R$2.000,00 ( ) R$20.000,00 ( ) R$200.000,00

Pior ainda são alguns docentes que não abrem mão do famigerado "Livro do Professor" com tudo resolvidinho, pra ele só comparar a resposta do aluno.

É por isso que a geração "tipo assim" corre pro vestibular para a área "diumanas". Então vem a parte pior: é ISTO AQUI caso você não tenha lido ainda.

domingo, 1 de março de 2009

Fucking everyday?

Prefiro que você leia na Istoé AQUI mas o mercado de técnicas mirabolantes e ajuda enlatada para as pessoas chegou à cama dos casais trazendo o óbvio.

Vamos lá: você sabia que casais que transam mais vivem mais felizes? Que o sexo tem a incrível capacidade de eliminar o tédio dos casamentos? Que a vida do casal com sexo regular faz com que os cônjuges se tornem mais parceiros e mais cúmplices? Incrível descoberta. Mas o fato é que a grande maioria das pessoas - com certeza você conhece várias - conseguem conduzir casamentos com um distanciamento físico de fazer inveja a inimigos.

Leia a matéria indicada e surpreenda-se com o casal estadunidense Annie & Douglas. Eles fizeram uma espécie de auto-terapia, composta de uma maratona ininterrupta de X dias com festinha na cama. Há também o casal conterrâneo Charla & Brad (não se empolguem meninas, não é o Pitt) na mesma faixa etária, no qual ela adotou a maratona sem falar com o marido. E deu certo.

Curiosos são os supostos comentários sobre as amigas de Charla. Diz ela: "... Quando contei às minhas amigas do meu plano, elas me perguntaram se eu andava bebendo. Uma delas implorou para eu não deixar o marido dela saber". Ou seja, há um sem-número de pessoas provavelmente entediadas com o parceiro, que fogem do sexo como o vampiro do alho. Daí nascem as tais dores-de-cabeça e demais desculpinhas esfarrapadas. Esse comportamento repulsivo esconde o fato de que as pessoas vão perdendo o interesse pelo parceiro e até pelo sexo em si. Exceto no seriado Desperate Housewives - que o comediante Chris Brown chama carinhosa e sinteticamente de Putas. Nesta, as entediadas esposas procuram freneticamente por aventuras sexuais fora de casa. Prováveis exceções. De modo geral, o que ocorre é apatia mesmo. Pesquise sutilmente entre seus amigos(as) casados(as).

Esse assunto dá muito pano pra manga. Pra começar que a sacralização do sexo pode estar por trás desse tédio. A (suposta) exclusividade do casal no que tange o sexual é uma provável causa de anestesiamento. Há pesquisas que afirmam que o cérebro tende a inibir a percepção de cheiros recorrentes como mecanismo de defesa (é o que impede o lixeiro morrer de náusea). Essa mesma defesa joga contra a ação dos feromônios exalados pelo(a) parceiro(a). Dessa forma, supõe-se que no decorrer de certo tempo, um casal tenda a não sentir atração mútua tendo desenvolvido insensibilidade aos feromônios do outro. Os feromônios contém características distintas em cada indivíduo, trazendo consigo atrativos específicos. Daí que é possível a um indivíduo não ser mais atraído pelos feromônios do(a) parceiro(a) - no caso da monogamia - e sentir-se atraído(a) por outrem. Tá captando? Pois é. Imagina o pano pra manga que essa discussão dá.

A monogamia é um fato cultural e está muito mais ligada a questões econômicas do que antropológicas. A religião, a moral e as leis apenas legitimam os hábitos constituídos. Traduzindo, grande parte dos povos - senão a maioria - adotou modelos de uniões exclusivas, com um só parceiro, motivada por questões relativas aos bens, herança e ao modo de produção. Não há nada de natural nisso. Por medo da divisão de propriedades é que as civilizações e povos adotaram a monogamia. Que o digam os camaradas Marx & Engels (saiba mais). Mas deixa eu encerrar por aqui, porque minhas opiniões a respeito são um tanto polêmicas e não quero me complicar. Se quiser levantar mais poeira e ferver mais a sua cacholinha, dê uma lida em coisas como isto AQUI.

Conselho do Dr. Sigmund Xavier: sexo é bom e merece atenção e dedicação. Dizem que sexo é bom até quando é ruim. Pessoas que não fazem são geralmente frustradas e descarregam essa energia vital em atividades medíocres, como palpitar sobre a vida alheia ou arranjar encrenca com quem está quieto. Tá estressado? Vai trepar. E tenho dito.

Nova Ortografia? A tecnologia resolve

Depois que foi decretado esse maldito acordo ortográfico vi caírem por terra as décadas de leitura com afinco, as centenas de livros que devorei e até a alfabetização precoce, que outrora me garantiu ler todo O Sítio do Picapau Amarelo antes mesmo de ir para a escola. Tudo perdido.

Agora o tio corre o risco de passar por tão iletrado quando a gentalha incluída no mundo digital via Orkut e Msn, já que todos escrevemos errado até que se prove o contrário. É bem verdade que já refuguei os três dicionários que mantinha no acervo pessoal e encomendei um dicionário com a Nova Ortografia. Não tenho escolha, a não ser que eu queira não ser mais compreendido daqui uns anos. E para quem redige propostas, projetos e documentos comerciais todos os dias isso é a morte, sobretudo no aspecto financeiro.

Mas como tecnófilo de plantão eu não podia deixar de procurar alguma pérola cibernética para resolver minha disortografia recém-adquirida. E achei! Meus pobremas se acabaram-se.

Conheça o umportugues.com, que promete corrigir criteriosamente todos os textos digitados ou colados em determinada caixa, de acordo com as novas normas. Para quem precisará em breve elaborar o TCC, o site foi um achado dos deuses.


EXEMPLO



EXEMPLO CORRIGIDO


Estou salvo. O site também, em meus favoritos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Moda fashion IV - Gladiator

Modinhas passam. Estilo fica. E estilo é tudo o que falta na maioria das peças grotescas que as indústrias testam nas passarelas e a seguir despejam nas lojas em versões para todos os bolsos, da requintada Oscar Freire à muvuca proletária da March 25th Street em Sampa.

No capítulo de hoje o tio detonará com um calçado que pode ser visto nas ruas, nos pés de moçoilas desavisadas e sem o menor senso de ridículo. Confesso que fiquei em estado de choque quando vi pela primeira vez. Só não bloguei antes por não saber o nome específico dessa aberração. E com vocês...

... AS SANDÁLIAS GLADIADOR

Por favor, minha senhora, minha senhorita. Se você não vai trabalhar de figurante na seqüência de 300, Gladiador-II - A Vingança ou em um improvável Troy-II,o Retorno nunca, jamais e nem em tempo algum calce isso. É horrível. Destaque para essa última da direita. Não lembra polainas, só que com solado?

Prometam. Coloquem a mão direita sobre a Bíblia, o Alcorão ou qualquer livro que considerem sagrado e jurem. Repitam, vamos lá: "NUNCA CALÇAREI ISSO, TIO".

Agradeço desde já.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

De gaiato num navio

Todos já viram a merda que está dando no cruzeiro do Costa Romântica, da companhia uruguaia Costa Cruzeiros. Pobre não tem vez mesmo. Quando esses cruzeiros começaram a virar carne de vaca, algo me dizia que essas canoas gigantes já não estavam mais caindo nas graças dazelite inresponçáviu. Se fosse bom, a classe média emergente e endividada nos cartões e no especial continuaria a não ter acesso. Mas não. A racinha metida acha que virou elite e não que está usufruindo de descarte dos ricos.

Quando comecei a ouvir rádios FM fazendo promoções de baladas em alto-mar e os minicruzeiros começaram a aparecer nos cartazes até da agenciazinha fubanga do bairro, algo me dizia que o glamour já se foi. Até a empresa onde a darling trabalha levou os funcionários pra passear de canoão no final do ano. Eu logo imaginei que se não fosse baratinho, a empresa resumiria a confraternização naquela velha churrascada no sítio, com pagode e cerveja quente. Mas não. Até "as firma" - como dizem os operários - já estão embarcando a galera no melhor estilo "festa na lage em alto-mar".

Agora estão lá: um monte de pessoas, sem rango, sem banheiro, sem banho, sem nada naquela que devia ser a viagem dos sonhos e deve estar custando 340934890 prestações no cartão de crédito. Pobre é uma merda. Crasse média pior ainda. Só se f... E ainda paga imposto paca.
"Trata-se de um navio sofisticado e cheio de charme, onde todos os espaços, do hall às cabinas, são grandiosos, decorados segundo os critérios do melhor design italiano. Caracterizado por um estilo náutico rigoroso e descontraído, de uma elegância única, o Costa Romantica é enriquecido com obras de arte de renome entre as quais duas esculturas japonesas Susumu Shingu. Um verdadeiro ponto de encontro entre cultura e relax para todos aqueles românticos que amam ritmos doces e informais."
(Fonte: o site deles mesmos, claro)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Armadilhas da indústria e da mídia

Vade retro de o tio defender mulheres-fruta. Nem melancia, nem jaca, nem maracujá, nem morango. A propósito das frutas e infelizmente, sou muito pouco adepto delas. Frutinhas muito menos. Exceto o açaí que saboreio sob a forma de vitamina batida em um determinado local que já citei AQUI.

Só que essas mulheres-fruta, celebridades instantâneas, são vítima dos valores que elas mesmas cultuam. Merecem pois o escracho. Tal como aconteceu com a "sensacional" Mulher-Morango (será por causa de cravos na pele?). A dita saiu no carnaval saracuteando as formas não tão bem aceitas pelas indústrias fitness e fashion e levou na mídia uma menção inglória, pelas indesejáveis dobrinhas na região da cintura. Não sei como a Vigilância Sanitária não foi lá fiscalizar se ela se enxuga bem após o banho, afinal de contas o Aedes Egypty põe ovos em água parada nos pneus, entre outros locais. Mas dane-se a talzinha, cuja existência só fiquei sabendo ao receber o link da reportagem junto com um comentário sarcástico de uma amiga, de quem preservarei a identidade para fins de direito (só digo que é professora de Filosofia em colégios católicos renomados).

As indústrias da beleza a todo custo, da roupa da moda e das academias que proliferam como dengue vendem um modelo físico quase inacessível para 90% das mulheres. Tanto estas como as que conseguem com sacrifícios físicos e financeiros adotam-no como referência. O resultado é a frustração da imensa maioria e fome crônica da minoria bem-sucedida. Fato é que a cultura barbie invadiu o mercado para desespero da mulherada, cuja auto-estima despenca ano após ano, malograda pelas receitas mágicas ao mesmo tempo que a população é bombardeada pelos lobbies da comida processada e do fast-food.

Claro que TODOS devemos procurar hábitos alimentares e físicos que conduzam à saúde, assim entendida como capacidade plena para fazer nossas tarefas do cotidiano, incluindo o lazer, e ausência de indicadores de risco como triglicérides, colesterol e pressão arterial altos demais. O desconforto é outro ponto. Ninguém com 150Kg há de se sentir à vontade em uma poltrona de coletivo, metrô, ônibus ou - pior ainda - de avião. Por isso a busca de equilíbrio é vital e sinais como fadiga e indisposição indicam que o sujeito precisa fazer algo urgente em prol da saúde e oxalá da auto-estima. Basta lembrar da piadinha velha de que a mulher que transa com o gordo sente dois prazeres (e vice-versa, viu dona baleia?).

A infeliz Mulher-Morango saiu na foto como vítima de si mesma e do estereótipo de mulher-objeto que ajuda a sustentar. Não fosse sua infame "profissão artística" de funkeira, talvez ela cuidasse melhor de outros aspectos da sua imagem capazes de posicionar de forma mais digna a sua imagem pública, que não fosse "agachando até o chão, chão, chão-chão-chão". Quem sabe ela soubesse opinar sobre fatos do cotidiano e transmitir aos espectadores qualquer coisa que não fosse a infame personagem sexista e grotesca para a qual se veste. Aliás, mais se despe do que veste.

Enquanto isso homens com algum nível de atividade neural - além da respiração e do ciclo digestivo - continuam a preferir construir a vida com as mulheres do mundo real, incluindo seus pequenos excessos como os temidos (por elas) pneuzinhos. Mulheres que cultivam, além da saúde os demais aspectos da vida, muito superiores ao simples zelo pelas bundas, peitos e a busca doentia pelo abdômen fictício da boneca esquálida estadunidense. Eu pelo menos prefiro.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Ah, o Carnaval... em casa

Uma pena. O tio estava tentando ir para um bucólico lugar no interior de São Paulo durante o Carnaval. Trata-se do sítio de uns amigos finesse, sito à beira de uma represa onde felizmente até as ondas de celular são raras e dificultosas. O objetivo indubitável era ficar longe do bumbum-paticumbum-prugurundum, de carros com porta-malas escancarados tocando axé, de gente ensandecida achando que o deus dos cristãos vai lançar chamas sobre o planeta na quarta-feira de cinzas e resta-lhe procurar os últimos suspiros de prazer, dentro das bizarrices que lhes aprazem. Resumindo: apenas um pouco de paz.

Antes de mais nada o tio não tem nada contra o Carnaval. Festa é festa. E se em questa cazzo di vita não tivermos momentos para festejar um pouco, melhor morrer. Mas há momentos em que queremos apenas olhar o campo, acordar com o trinar de pássaros, cacarejos e latidos. Só isso. Voltando ao sítio dos amigos, ficamos sabendo os refinados proprietários receberiam outra família de conhecidos - a quem secretamente me refiro como cohabentos - pra passar o feriadão. E isso foi o bastante para nos demover dos planos. Não que sejam má gente, jamais. São pessoas da melhor índole possível, calorosos, prestativos e amistosos.

Mas digamos que o adjetivo cohabentos que lhes atribuo tem a ver com hábitos muito ruidosos, esfuziantes demais, festivos demais e por que não dizer muvuqueiros demais. O pobre tio, que pensava apenas na paz do campo, no alvorecer por trás da serra, no trinar matinal do passaredo e nos coachar noturno dos batráquios, teria que se contentar com porta-malas de carros abertos, boomboxes ligados e até com o aparelho de som da sala tocando axé, bléque míuzique e pagode a quatrocentos e cinqüenta decibéis. Isso sem falar nas coreografias, dancinhas e brincadeiras divertidíssimas, como seqüestrar um desavisado e arremessá-lo na piscina. As sonhadas tranqüilas refeições seriam substituídas por banquetes dignos de castelos nórdicos medievais, tal a variedade de comidas gordurosas e quantidade de pessoas a se servir. Tudo com muito coentro e cominho (argh!). Mas não é só isso.

Como degustador de uma boa cachacinha de roça, tragada vagarosamente em copo minúsculo eu também não apreciaria passar o dia vendo pessoas abrindo latas e mais latas de cerveja e produzindo jarras de caipirinha (de 51 ou Velho Barreiro), mantendo-se em estado de torpidez permanente e puxando conversas nada a ver, em dialetos quase ininteligíveis. Sabe, não é ser chato, porque chato nesse caso é ver um monte de bêbados de sunga e sem camisa andando pra lá e pra cá com passos inseguros indo buscar cada vez mais bebida. Isso quando não mandam os filhos crianças buscar a bebida, o que acho abominável ao quadrado.

Também gosto de acordar bem cedo quando estou nesses lugares, só pra ver o sol nascer e também costumo tirar uma soneca na rede depois do almoço. Aliás dormir é uma das coisas que mais faço em sítios, devido à paz que me transmitem. E quando é possível, à noitinha eu gosto de sentar-me no alpendre com a darling pra namorar um pouco, coisa que não é muito acessível aos casados com filhos pequenos e às pessoas social e profissionalmente atarefadas. Daí que tentar namorar com gente do lado sempre empunhando uma lata de cerveja e puxando papo furado também fugiria um tantão do meu propósito.

Peço que o leitor me entenda, caso ele seja um respeitável trabalhador mutuário do CDHU ou da Cohab. Cohabento nesse caso é um modo de ser, um estado de espírito que a pessoa escolhe pra si. O tio há três décadas morou e estudou na Cohab-II, quando nem iluminação pública lá havia. Mas nem por isso voto no Netinho de Paula, nem sou foi adepto de muvucas como as descritas acima. Não penduro roupas e toalhas nas janelas e tento tratar os espaços coletivos como algo sagrado, imune à ações invasivas de qualquer espécie. Desta feita, terei que me resignar a ficar em Sampa e visitar o sítio dos bondosos amigos em outra ocasião, claro que num dia em que eu tenha assegurado que os cohabentos não estarão. Desejo a estes um ótimo feriado porque - apesar de tudo e como eu já disse - são boa gente. Uma pena mesmo... [suspiro]

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Tente entender

Créditos da foto: amigo do tio.

A linda foto acima, além de atestar a porquice do paulistano, pode ocultar a raiva de algum inventor desapontado. O tio estava voltando do almoço com um amigo quando deparou-se com a engenhoca destroçada na calçada.

Qual seria a correlação entre uma tampa de sanitário, uma fonte de alimentação, placas de circuito e cabos de conexão? O que o sujeito terá tentado inventar? Uma privada 32bits? Um navegador web sanitário para downloads direto pro esgoto?

Coisas que nunca saberemos. E mais uma vez, dado a sucata ter sido depositada no passeio público, está mais que comprovado que o Kassab é o culpado por todas as enchentes de Sampa.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Me explica de novo

A GM foi lá com o chapéu novamente pedir dinheiro público para o Obama. Alega estar sobrevivendo de um "empréstimo" anterior do próprio governo. Junto com o pedido de nova mesada expôs ao Departamento do Tesouro norte-americano um plano para fechar mais 14 fábricas, eliminar centenas de revendedores e cortar 47 mil empregos neste ano em todo o mundo. Certo... e agora ela está pedindo quase U$ 17 BIlhões.

O elefante está com as quatro patas quebradas. Entope-se de dinheiro de impostos que teoricamente deveriam destinar-se à assistência social, seguro-desemprego, saúde pública e educação, entre outras tantas coisas. Isso tudo sem nenhuma contrapartida social, nem garantia da continuidade dos empregos e ainda com promessa de extingüir completamente marcas "satélites" como a Hummer.

O Capitalismo é um sistema lindo. Adam Smith deve estar tomando um drink com o Satan a estas horas. Quando uma empresa de qualquer natureza arrebenta a boca do balão com lucros astronômicos, fazem festa na laje com champanhe da boa e ovas de esturjão, posa-se para fotógrafos da Forbes e da Fortune e fazem até "hola" na arquibancada. Os lucros - claro - vão todos para o bolso de meia-dúzia de investidores afortunados e outros tantos especuladores bursáteis.

Só que quando aparece a ineficiência, o balão da especulação estoura, o sistema entra em colapso, as apostas em ações naufragam e, enfim, a brincadeirinha de Banco Imobiliário despenca da mesa, entra em ação outro sistema: o Socialismo. Socializa-se a miséria, socializa-se o prejuízo com a sociedade e corre-se ao famigerado Estado. Este, que segundo os neoliberais deveria ser reduzido ao mínimo ou quem sabe extinto. Claro que o mínimo inclui as burras abertas para os especuladores chorões e os megamilionários que caem em penúria (leia-se diminuir em alguns pontos percentuais seus lucrinhos).

Eu tenho uma sugestão para resolver o problema habitacional que está assolando o trabalhador estadunidense. Por que não lotear as mansões gigantescas que os capitalistas mantêm nos subúrbios e nas cidades ultravalorizadas, transformando-as em pensões e hotéis para hospedar as famílias desempregadas? Por que não aliviar o estresse da classe operária, enviando-os para os hotéis estonteantes em Durbai, onde o dinheiro não tem nem religião pois certamente há judeus, muçulmanos, cristãos e xintoístas como cotistas nos mesmos prédios? Por que não pegar as frotas milionárias de Rolls Royces e Mercedes para emprestar para os desempregados procurarem trampo? Depois, claro, quando eles se arranjarem poderão mandar no lava-rápido e devolver, ora bolas.

Hoje me baixou o caboclo Bolchevique. Por estas e tantas que me convenço que só a expropriação das grandes riquezas será capaz de promover justiça social e eqüidade. E tenho dito, camaradas!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Back to the classroom

Semestre novo, prédio novo, sala novinha em folha. Professora nova que parece ser das boas (e nem precisava de tão bem-apessoada que é). Mas algo de velho e pior está no ar.

Aos quinze minutos de tentativa de aula chega uma jumentilda... e outra... e mais outra... e várias outras sucessivamente. Traço comum é que todas chegam "causando" - como se diz por lá - passando pela pobre mestra como quem passa ao lado de um hidrante. Fazem um tremendo fuzuê com direito a gritinhos histéricos, que são igualmente correspondidos pelas demais jumentildas já acomodadas na sala. A expressão facial da professora é denotativa para bom entendedor.

Mal se ajeitam e começa a sinfonia de celulares, que deviam ao menos estar no modo silencioso. Saem em bandos cacarejando para o corredor, como se estivessem no barzinho da esquina. Minutos depois os bandos reinvadem a sala, com os mesmos belos sinais de educação já demonstrados.

Ou seja: sai semestre, entra semestre e as supostas candidatas a docentes não sabem sequer respeitar o momento de uma aula na qual já chegam atrasadas. E acham que vão educar os filhos dos outros. Assim caminha a inducassão (delas).

Eu particularmente torço pelo desemprego crônico dessas. Pelo bem dos futuros alunos e pelo bem da Educação. Amém.

Enquanto isso na Vasconcelândia...

... o revolucionário senhor Jarbas declara:
"Para que o PMDB quer cargos? Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção"
Uau! Que choque de realidade! Mas por que diabos não consigo ficar surpreso? Essa revolta do senador resulta na prática no quê? Ele vai sair das fileiras e fundar alguma legenda baseada em alguma ética? Ele vai devolver alguma benesse ou salário que tenha recebido como governador ou parlamentar no partido? Vai montar uma guerrilha no agreste? Vamos nessa, camarada Jajá.

Desde o pós-plano cruzado que o PMDB não quer a cadeira-mór brazuca. Esta não representa senão o mero poder formal. Por trás das cortinas é que os grandes business e gente bem-sucedida com eles se movimenta. O PMDB quer ser contra-regra, não importa o texto, nem o autor, nem o diretor, nem os atores no palco. No máximo uma vice-presidência.

Mas não é só o partido do finado Ulysses que está nessa. Ouvi dizer que tem um outro aí cuja frente era liberal que vive da mesma rapinagem de bastidores. Apenas dois outros grandes grupos, também minados por safardanas, querem disputar o cargo de premier tupiniquim. Os demais se contentam com as polpudas rendas que a órbita palaciana lhes propicia.

E la nave va...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

É hoje!

Não passe por baixo de escadas.

Não deixe gatos pretos cruzarem seu caminho.

Não abra guarda-chuvas dentro de casa.

Não toque em macumba com a mão direita.

Não profira nomes diabólicos.

Não entre em locais estranhos.

Não olhe pro espelho no escuro.

Não saia de casa sem uma figa.

E o principal: não solte pum em locais fechados.

(*O pum não atrai mau agouro, mas convenhamos: é muito desagradável).

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A bestialidade universitária

De novo. Notícia repetida. Estudante de Campinas aprovado na Anhangüera de Leme é agredido com requintes de filme Kulbrickiano, após comparecer na secretaria da faculdade. Os "veteranos" - assim chamados os seres desprovidos de massa encefálica que freqüentam a faculdade há mais de um semestre - chegaram a espancar o jovem, fazê-lo deitar-se sobre esterco animal e mais outra série de barbaridades, resultando em coma alcoólica do agredido.

Voltando de um cliente nesses dias, não pude deixar de reparar a turba estudantil de calouros que se amontoava sobre o viaduto Tutóia e arredores. Todos com as caras pintadas, roupas rasgadas e esmolando a título descarado de viabilizar a cervejada dos veteranos. Estes conduziam os quase indefesos novatos pelas ruas até amarrados em grupos como nem presidiários o são.

Já comentei antes aqui sobre esse tipo de idiotice AQUI sob um ponto de vista até que ameno. Mas a verdade é que olho para o trote como um tipo de atividade que expõe do ser humano sua faceta mais bestial e cruel, que se oculta sob rostinhos rosados e indumentária de marca. Não é possível que pais de veteranos, diretorias de universidades e mesmo o braço armado do Estado continue a ver nisso uma brincadeira ingênua e da "molecada", que é como adultos se referem a esses marmanjos com mais de vinte anos.

A complacência com esse tipo de comportamento dos algozes explica muito melhor os atos de vandalismo, os furtos, roubos, o envolvimento com narcotráfico e demais delitos dos cavalos (com o perdão dos eqüinos), que já têm idade para procriar, trabalhar e em suma o dever de ser úteis para a sociedade para ao menos justificar o consumo dos recursos do planeta. São jovens que não conhecem os sinônimos das palavras limite e respeito, certamente porque nunca ouviram de seus impensantes reprodutores (pais são outra coisa) uma palavra tão simplória e de significado tão conciso como NÃO.

Tenho uma triste, mas realista opinião sobre o que fazer com esses ditos "veteranos", já que eles preferem dar vazão a toda sua agressividade sobre colegas universitários recém-chegados: Uma vez que são dotados de razão e supostamente capazes de pensar - até porque foram capazes de preencher um questionário seletivo - mas OPTAM por ações vândalas, degeneradas e agressivas com os colegas recentes, têm que ser tratados como o que escolheram ser: MARGINAIS. E para marginais, delinqüentes e similares sugiro começar com cacetete de borracha nas costas até deixar vergão. Daí para o camburão, o xadrez ou - por que não? - colônias de trabalho pesado. O trabalho forja o homem.

Por muito menos que isso e injustamente costumo ver a polícia descer o sarrafo, como na recente e legítima passeata estudantil no RS. Para isso o Estado é bom e eficiente né? Já no caso dos filhinhos de papai "troteiros"...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Curtas comentadas

Polícia prende flanelinha suspeita de extorquir motorista em São Paulo.
Então essa flanelinha extorquia? E os outros dez mil fazem o quê?

Mulher morre em apartamento com mais de 4t de lixo e 40 animais em Santos (SP).
Pobres animais não mereciam viver com criatura tão involuída.

Moradores dizem que lixo é causa de enchente.
Não é não. É tudo culpa do Kassab. Eu mesmo já o vi jogando sofás velhos, geladeiras e pneus nos córregos.

BBB 9: Enquete aponta que Newton será eliminado no paredão.
Newton who? O Isaac? Do contrário pode mandar pro paredão dos Castro que não fará falta.

País perde 200 mil postos de estágio em quatro meses.
Puta merda e agora, quem buscará lanche pra galera?

Sem dinheiro para aluguel, prefeito despacha sob cajueiro no interior do CE.
Se não tem dinheiro nem pro aluguel ele tá despachando o quê?

Presidente afirma que mídia abusa da sua inteligência.
Desculpa a curiosidade, mas inteligência de quem?

EUA criam banco para salvar bancos.
Thanks Obama! E pra salvar o povão, vai criar o quê? Yes, we can.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Papai-Noel estava bom demais

O tio Xavier é um desorganizado de primeira, financeiramente falando. Aliás desorganizado em tudo. Com os numerários não haveria de ser diferente.

Notei que no último Natal o dinheiro abundava em minha conta-corrente. Comprei tudo o que precisava (e o que não precisava) à vista, fazendo aleluia com notas de cem reais. Comi, bebi, vesti, zoneei, comprei inutilidades e distribuí agrados pra um monte de gente.

Só que fui fazer a contabilidade trimestral de uns negócios à parte - nos quais tenho sócios - e percebi um pequenino detalhe: esqueci de fazer a provisão e o dividendo (para pagar amanhã) é de nada menos do que cinco mil reais. Cinco mil nem é tanto dinheiro, não é mesmo? Só se for pra quem tem isso na conta, porque a do tio está com menos de cem reais.

Alguém aí conhece um prostíbulo masculino que aceite quarentões grisalhos e com um pouco de barriga?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Os super-mega pontos da Claro

Vou ser bem breve. Liguei pra essa operadora de $#%**# porque vi na minha fatura que eu tinha TRINTA MIL PONTOS de uma porcaria de clube. Vira e mexe eu recebo SMS deles informando que meu total de pontos subiu para mais tantos. Enfim eu queria saber no quê de fato poderia tirar proveito disso.

Meu número é originário da BCP, do ano de 2000, logo que esses caras desembarcaram aqui. Consumo telefone um bocado desde então e estou com minhas contas em dia. O que a atendente me ofereceu? Cinqüenta reais em desconto pra eu comprar um celular. Cinqüenta. De uma vez só!

Óbvio que como sou praticamente um lorde inglês eu não os mandei introduzir os pontos no lugar onde eu pensei. Até porque eram sete da manhã e a pobre atendente não merecia começar o dia com expressões de baixo calão.

Mas que eles deveriam, isso sim deveriam.

E a portabilidade que não chega em Sampa?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Cravinhos da Índia

Pelo amor da deusa Lakshimi e dos versos do Bagavhadgita, como é de lascar ouvir o povo da Grobu tentando falsetar sotaque. Se no passado já era dureza ouvir o Stênio Garcia com aquele dialeto árabe-nordestinês que não convencia nem Maomé, agora são as cariocas falando indianês cheios de shhhh e rrrrr.

A cada zapeada no controle remoto sinto meu pobre cérebro mais ofendido. As aulas da facu precisam recomeçar logo.

Internet pelo encanamento?

Agora sim a internet vai fazer a diferença na vida da maioria dos brasileiros. A SABESP (Cia de Saneamento Básico de SP) está comprando do Japão a mais nova tecnologia de transmissão de dados já desenvolvida. A WDMP (protocolo de modulação de dados por água) promete o que nenhuma outra tecnologia digital conseguiu até o momento: fornecer banda larga com taxas de transferência praticamente infinitas (acima de 3GBps reais!) para todas as residências bastando que ela possua ÁGUA ENCANADA!

A façanha é do engenheiro nipônico Masatako Kiosawa (tinha que ser coisa de japonês) que descobriu que a condutibilidade da água permite transferir sinais elétricos de baixa intensidade, mas com altas freqüências, modulando praticamente qualquer tipo de informação através dele e aí entram os sinais da internet. Segundo informou o engenheiro japa ao jornal Ryukyu Shimpo: "esse potencial condutivo é ainda maior nas cidades banhadas por oceanos, pois a água salgada é ainda mais condutiva (...) o resultado é que toda a água sobre o globo terrestre tem potencial de se tornar o maior veículo da world wide web jamais visto", assinalou Kiosawa.

Os detalhes da WDMP estão sendo mantidos a sete chaves pelo engenheiro. Mas já se sabe que o benefício não será distribuído tão gratuitamente. O sinal de transmissão será codificado usando uma chave criptográfica de 1024 bits dificílima de ser quebrada, cujos padrões são reconhecidos pela ICP-Brasil como "hardware criptográfico" pois dependem de equipamento específico para decodificação. Aí está o pulo do gato: os usuários terão que usar um modem individual plugado em cada micro e ao invés de tomada o aparelho - semelhante a uma válvula hidráulica - filtrará e decodificará os sinais, transformando-os em TCP/IP. Diferente dos atuais cabos azuis utilizados nas redes, a proposta é usar antigos cabos coaxiais, remetendo aos velhos modens 10/10 que se usava nas redes há uns quinze ou vinte anos, sabe-se lá o porquê.

A imprensa até o momento não conseguiu-se alguma declaração dos dirigentes da SABESP, o que indica que o projeto ainda é ultra-sigiloso e não deverá ser divulgado antes do meio do ano, prazo indicado por Kiosawa para distribuição da tecnologia nas residências, no Brasil, EUA e na CE. Mas tudo indica que devido à grande capilaridade das redes de abastecimento de água, o serviço será distribuído em larga escala e por conseqüência a custos baixíssimos.

Duro vai ser no dia em que faltar água no bairro ou der pau na internet. Aí ligaremos pra quem? Pro encanador?

Desgraça? Catástrofe? Depende do seu humor

Leônidas, o herói de Brasília.