É curioso como a falta de alternativas às vezes é de grande ajuda nos momentos de dúvidas. É um paradoxo. Costumo dizer que deve ser fácil ser fiel de seitas fundamentalistas radicais, porque as escolhas terminam no dia em que se entra nelas. Daí por diante escolhem por você e, quando não, fica-se refém de uma única alternativa. Esse rodeio todo é para justificar o final da maratona na escolha de uma escola para a caçula. No meio do sétimo ano de vida dela (incompleto) vi-me na árdua tarefa de pesquisar escolas, posto que encerrou-se o período de Educação Infantil. Ela vai para o segundo ano e a escola onde permaneceu não oferece o Ensino Fundamental.
Por causa das rotinas de trabalho da darling e minha, período integral foi uma premissa inegociável. Depois viria - supunha eu - a enquete sobre a proposta pedagógica, preço, estrutura predial, serviços agregados e coisas assim. Descartei de cara a escola pública, deteriorada que está por aqui e em todo lugar. Puxei uma lista de escolas no site do sindicato patronal, filtrei por faixa de CEP para ver as mais próximas e comecei os telefonemas. A pergunta inicial e primeira eliminatória era: "Vocês têm período integral no Ensino Fundamental-I ?". À resposta negativa eu agradecia e desligava. Assim liquidei 90% da lista em minutos. E a angústia aumentava na mesma proporção.
Sou avesso ao ensino básico ligado a instituições religiosas. Por mais que a obrigatoriedade do conteúdo laico seja uma exigência legal até respeitada não tem jeito. A "pegada" religiosa da mantenedora vaza pelos poros da instituição. E não-praticante religioso que sou, mais precisamente anti-clerical, entendo que a educação básica deva ser laica, plural e científica. Mas da peneira do listão, eliminados os estabelecimentos que não ofereciam período integral, sobraram apenas dois. Visitei-os. Ambos bem pequenos, sendo que um era dirigido por... religiosas católicas. A cria foi junto, afinal de contas a "cliente" de fato era ela.
No final das duas visitas, fui para casa mais preocupado ainda. Não me apaixonei por nenhum e o calendário, a logística e as modestas finanças jogavam-me contra a busca de outras possibilidades. Enfim, perguntei para a criaturinha de qual das duas ela havia gostado mais.
- A das freiras.
- A das freiras? Por que?
- Porque tem uma igreja.
Para quem recentemente tinha proferido umas dez blasfêmias na mesa do café da manhã, aquilo parecia-se com a conversão de Saulo de Tarso. Dias atrás ao ouvir uma das expressões corriqueiras da darling - coisa simplória como "se deus quiser" ou algo assim - a cria desfiou frases que fariam tremer até os exorcistas mais renomados do Vaticano. "Tô com saco cheio desse deus de vocês" foi a mais branda de todas. A darling ficou ainda mais branca do que já é. Eu fiquei esperando a cria dar um giro de trezentos e sessenta graus com o pescoço, a mesa levitar e ela expelir um jato de vômito verde. Mas nada aconteceu e continuei a passar manteiga no pão. Notei que era mais um de seus teatros para apavorar a ingênua e piedosa mãe, que continuou paralisada e de olhos arregalados por uns dez minutos.
Voltando à questão de fundo, como em todo colégio religioso que se preze há uma capela no interior dele. E a minha filha, justamente a filha de um marxista, agnóstico, ex-católico e auto-excomungado, escolhe o dito por causa do mini-templo cristão dentro dele. Comecei a refazer minhas idéias, mais movido pela falta de escolhas e em consciente processo de acomodação à realidade. No fim, conversei com as freiras por quem nutro respeito e foi assim. Lá está a criaturinha de pacote completo. Curso regular, atividades extras e ensino religioso suplementar, o qual autorizei também. Quem tá na chuva é pra se molhar e não haverá de fazer-lhe mal. Quem sabe ela pára de perturbar o café da manhã da mãe com blasfêmias.
Não ter escolhas facilita as coisas.
SARCASMO, OPINIÃO E TALVEZ ALGUM HUMOR *** AVISO: Se você ler esse blog e for conhecido do Tio Xavier™, poderá se identificar com algum personagem das situações narradas. Esta não é uma obra de ficção. Portanto não terá sido mera coincidência. Tio Xavier™ está pouco se lixando para o que você vai achar. ***
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Não estamos sós
Riolândia-SP a 700Km da capital paulista está sendo palco de notícias inusitadas. O testemunho do caseiro-arrendatário de uma pousada situada em um canavial e estranhas marcas deixadas em um ponto da plantação estão dando o que falar. Um objeto voador extraordinário teria sobrevoado a cidade e pairado sobre o canavial, a poucos metros da casa. Ao menos é o que jura Maurício Pereira da Silva, a única suposta testemunha do fenômeno luminoso durante a madrugada. Saiba mais clicando AQUI.
A vasta literatura ufológica, que versa sobre formas de vida e transportes aéreos vindo de outros lugares do cosmo, sempre fascinou a humanidade. É um território desconhecido e por isso assustador, surpreendente e mistura fatos, com factóides excitando o imaginário popular. O caldeirão torna-se mais fervente pela freqüência com que autoridades governamentais - dentro e fora do Brasil - costumam bloquear investigações, sabe-se lá a razão. Aí é prato cheio para teorias da conspiração.
Para o teólogo, filósofo, ufólogo de magazine e futuro pedagogo Tio Xavier essa questão tem uma complexidade semântica que vai muito além. Acreditar ou ter convicções sobre a existência de outras formas de vida não é qualquer coisa como gostar do Roberto Carlos, de feijoada ou de futebol. Coloca o ser humano diante dos dilemas existenciais da própria espécie.
Lembremos que há milênios o homem conseguiu domesticar seus deuses, construindo-os à sua imagem e semelhança. Tirando algumas vertentes indianas, africanas e ameríndias, as religiões de modo geral representam seus deuses, anjos e demônios com imagens de hominídeos, dentro dos padrões de beleza das culturas que os originaram. A moral religiosa, por sua vez, reflete os momentos em que os preceitos foram "revelados" ou, melhor dizendo, codificados, pois são recheados das necessidades políticas, econômicas e antropológicas dos povos de origem. O ápice disso é o monoteísmo judaico, cristão e islâmico. Religiões com a mesma raiz cultural, para as quais podemos dizer que o Deus Supremo é pouco diferente do Homem Supremo, assim entendido por essas religiões.
Domesticados os deuses, resta à Humanidade crer que seja possível exitirem outras formas de vida e organização diferentes das nossas, quiçá como alternativa ao mundo que está aí determinado. Já praticamente sabemos qual é o regime econômico que tende à perpetuação, qual é a nação que domina o mundo, como prossegue a acumulação de riqueza, como aumenta a devastação do planeta e destruição dos recursos vitais e daí por diante. Seria uma certa foram de alívio se soubéssemos da existência de outras possibilidades. Talvez a raiz do ceticismo dos governantes seculares e religiosos sobre a existência de vida inteligente fora da Terra esteja na incontrolabilidade que essa perspectiva abriria. Imaginemos por um segundo que a hipótese de vida inteligente em outros lugares do universo seja factível, nos livrando de preconceitos e paradigmas.
O que esses caras nos trariam de imediato, caso não viessem como predadores? Outras formas de se relacionar com a morte e vida após morte? Outros idiomas? Outra maneira de organizar a produção de víveres e de preservar a espécie? Outros modos de divisão econômica e conceitos de propriedade? Outros deuses, se não fossem eles os próprios? Outros modos de uso dos recursos naturais? Outras tecnologias de comunicação e informação? Outros modos de organização política e social? Tudo isso junto e mais alguma coisa?
A perspectiva de que os ETs subvertessem o que está aí e virassem o mundo que conhecemos de cabeça para baixo (ou para cima, vai saber) não é qualquer coisa. Acho melhor o seo Maurício deixar esse assunto quieto e continuar a sua rotina de cuidar de sua pousadinha. E jamais abrir o vitrô da cozinha se ouvir barulhos de novo. Quem sabe esses ETs pegam logo as amostras que querem e se mandem. Melhor assim. Sei lá.
A vasta literatura ufológica, que versa sobre formas de vida e transportes aéreos vindo de outros lugares do cosmo, sempre fascinou a humanidade. É um território desconhecido e por isso assustador, surpreendente e mistura fatos, com factóides excitando o imaginário popular. O caldeirão torna-se mais fervente pela freqüência com que autoridades governamentais - dentro e fora do Brasil - costumam bloquear investigações, sabe-se lá a razão. Aí é prato cheio para teorias da conspiração.
Para o teólogo, filósofo, ufólogo de magazine e futuro pedagogo Tio Xavier essa questão tem uma complexidade semântica que vai muito além. Acreditar ou ter convicções sobre a existência de outras formas de vida não é qualquer coisa como gostar do Roberto Carlos, de feijoada ou de futebol. Coloca o ser humano diante dos dilemas existenciais da própria espécie.
Lembremos que há milênios o homem conseguiu domesticar seus deuses, construindo-os à sua imagem e semelhança. Tirando algumas vertentes indianas, africanas e ameríndias, as religiões de modo geral representam seus deuses, anjos e demônios com imagens de hominídeos, dentro dos padrões de beleza das culturas que os originaram. A moral religiosa, por sua vez, reflete os momentos em que os preceitos foram "revelados" ou, melhor dizendo, codificados, pois são recheados das necessidades políticas, econômicas e antropológicas dos povos de origem. O ápice disso é o monoteísmo judaico, cristão e islâmico. Religiões com a mesma raiz cultural, para as quais podemos dizer que o Deus Supremo é pouco diferente do Homem Supremo, assim entendido por essas religiões.
Domesticados os deuses, resta à Humanidade crer que seja possível exitirem outras formas de vida e organização diferentes das nossas, quiçá como alternativa ao mundo que está aí determinado. Já praticamente sabemos qual é o regime econômico que tende à perpetuação, qual é a nação que domina o mundo, como prossegue a acumulação de riqueza, como aumenta a devastação do planeta e destruição dos recursos vitais e daí por diante. Seria uma certa foram de alívio se soubéssemos da existência de outras possibilidades. Talvez a raiz do ceticismo dos governantes seculares e religiosos sobre a existência de vida inteligente fora da Terra esteja na incontrolabilidade que essa perspectiva abriria. Imaginemos por um segundo que a hipótese de vida inteligente em outros lugares do universo seja factível, nos livrando de preconceitos e paradigmas.
O que esses caras nos trariam de imediato, caso não viessem como predadores? Outras formas de se relacionar com a morte e vida após morte? Outros idiomas? Outra maneira de organizar a produção de víveres e de preservar a espécie? Outros modos de divisão econômica e conceitos de propriedade? Outros deuses, se não fossem eles os próprios? Outros modos de uso dos recursos naturais? Outras tecnologias de comunicação e informação? Outros modos de organização política e social? Tudo isso junto e mais alguma coisa?
A perspectiva de que os ETs subvertessem o que está aí e virassem o mundo que conhecemos de cabeça para baixo (ou para cima, vai saber) não é qualquer coisa. Acho melhor o seo Maurício deixar esse assunto quieto e continuar a sua rotina de cuidar de sua pousadinha. E jamais abrir o vitrô da cozinha se ouvir barulhos de novo. Quem sabe esses ETs pegam logo as amostras que querem e se mandem. Melhor assim. Sei lá.
domingo, 27 de janeiro de 2008
O mundo de Caras®
Fútil. Não acho palavra para definir melhor os trezentos ou quatrocentos gramas de papel couché em quatro cores, aplicado na confecção de Caras. É impressionante folhear qualquer exemplar e dar-se conta de que não há ali nada capaz de alimentar o intelecto. Nem mesmo uma ou outra receitinha culinária salvam-na da babaquice completa. Cheguei a essa conclusão da forma mais empírica possível. Como sempre rejeitei essa revista no salão onde corto o cabelo, foi apenas quando ela chegou em minha casa que pude fazer o exame detalhado. Durou os exatos cinco minutos em que permaneci sentado no vaso sanitário. Um bom lugar para folhear Caras, já que toda manhã eu... (pouparei o leitor dos detalhes).
Considerando a razoável formação cultural da minha família o leitor há de se perguntar: como chegou isso na casa do tio? É que os editores da Caras, ano passado, fizeram uma promoção tão idiota quanto a própria revista. Era aquela famosa "receba X edições grátis", que termina com um boleto bancário facultativo para renovação. Divulgada a farra no trabalho da darling, a mulherada em peso preencheu um formulário na internet, que não requeria nem mesmo o sobrenome do assinante virtual. Bastava dar o endereço, um primeiro nome e pronto. A darling usou do famoso "de graça até choque" e o fez. No final da palhaçada, todo mundo recebeu a enriquecedora publicação em suas casas. E digo mais, que elas não o fizeram só uma vez. Ao expirarem as edições gratuitas, preenchiam novamente dando outro nome para outras quatro edições também grátis. A brincadeira durou umas quatro rodadas. Dezesseis edições de Caras digrátis pra cada uma. E ninguém do grupo, em absoluto, se interessou pelo singelo boleto para perpetuar a assinatura.
A maioria dos exemplares da minha casa já foi repassada, com a embalagem ainda lacrada, pro tiozinho catador do bairro. Um ou outro acabou sendo aberto pela cria, pela própria darling ou por alguma visita muito culta que se espantava com a pilha de Caras sob a mesinha na sala. Depois do bota-fora uma ou duas sobreviveram como literatura sanitária, dividindo espaço com outras publicações ecléticas como revistas de Informática, um livro de auto-ajuda sobre alimentação e até duas edições de uma revista Zen-Budista.
Hoje durante meus afazeres orgânicos matinais, folheei a que estava na pilha ao lado. Na capa da edição de 16/11/2007, Ivete Sangalo sorria apaixonadíssima por um namorado bósnio. Paixão avassaladora esta que acabou há poucos dias, dentro do padrão de descartabilidade dos romances famosos. Talvez pela falta de redatores competentes, ou pela falta de conteúdo mesmo, o que predomina na revista são fotos. Fotos e mais fotos. O que pode ser também uma estratégia editorial, ligada à baixa capacidade de leitura e compreensão dos adeptos da revista. Como infelizmente grande parte dos periódicos impressos, Caras é apenas um suporte flácido e oco para veiculação de 348430834080 propagandas a cada edição. Pela vida de quase uma década e meia dessa pérola, é certo que existam anunciantes de sobra. E tontos que a compram.
Não é difícil entender as prováveis causas de Caras ser um sucesso editorial. Basta somar o baixíssimo nível cultural da população de todas as classes sociais à incapacidade crítica e reflexiva que cresce exponencialmente, mais o ideal consumista alimentado pela indústria e pela mídia e, por fim, o voyeurismo idiota das camadas mais pobres, ao almejar o mundo falsamente feliz das celebridades vazias enquadradas pelos fotógrafos.
As fotos conseguem como nenhuma outra coisa combinar a plástica de sorrisos artificiais com poses bizarras das mais variadas. Estou com preguiça de escanear pra botar aqui, mas tem cada uma de chorar de rir. O namorado da linda Luíza Brunet ajoelhado em pose de súplica, enquanto ela simula subir as escadinhas do casebre de um beco italiano é uma das tantas. Bem de frente a uma das torres do tal Castelo de Caras, um tal de Kiko Sobrino (?) e outro sujeito chamado Alessandro Jordão (?), de costas um pro outro encenando armas com os dedos em riste macaqueando um duelo. Mal-vestidos como só eles. Me desculpem mas independente de quantos cinco ou dez mil reais possam estar cobrindo-os, ambos não têm o menor senso para indumentárias. Bregas. Uma gal de Gigi Monteiro (?) mostra sua barriga da gravidez. Igual às rampeirinhas daqui da periferia. Só que é bem bonita e cosmeticamente tratada. Lamento apenas porque barrigas em formato de melancia não são algo esteticamente bonito e deveriam sempre ser ocultas. Já um casal de nome Carla Regina (?) e Malcolm (?) está sentado sobre a cama sob véus fazendo pose de apaixonados a olhar e sorrir um para o outro. Bela cena seria, não fosse resultado de encenação sob flashes e olhares de meia dúzia de profissionais, aboletados dentro do mesmo quarto. Em outra foto sensacional uma tal de Tatiana Santo Domingo (?) com seu parceiro Andrea Casiraghi (?) ostentam respectivamente um sorvete de casquinha e uma cerveja Kronenbeer (argh!). Karen Couto (?) compra biscoitos em uma loja na Itália, vejam que interessante. Maria Paula e João Suplicy - esses eu sei quem são - estão em uma loja de utilidades domésticas e enxovais fazendo compras. Em uma das fotos eles estão examinando panelas anti-aderentes, algo realmente engrandecedor. Não por acaso, em toda e qualquer foto ao ar livre figura um Fiat Punto, lançamento na época da edição. Belo carrinho, mas merchan paupérrimo em criatividade e sutileza.
E esse é o mundo de Caras. Fotos posadas, sorrisos de visível superficialidade, celebridades insignificantes para a evolução humana, romances rasos e fugazes, vestes onerosas e feias, falsos escritores, falsos pintores, premiações vazias e anúncios - claro - muitos anúncios.
Pobres diabos das classes remediadas e das classes pobres. Folheiam essas coisas e sonham, enquanto amargam pegar trânsito suando e bufando por seus salários miseráveis. À margem da riqueza material por contingência. Alheios à riqueza cultural e espiritual por arbítrio.
Considerando a razoável formação cultural da minha família o leitor há de se perguntar: como chegou isso na casa do tio? É que os editores da Caras, ano passado, fizeram uma promoção tão idiota quanto a própria revista. Era aquela famosa "receba X edições grátis", que termina com um boleto bancário facultativo para renovação. Divulgada a farra no trabalho da darling, a mulherada em peso preencheu um formulário na internet, que não requeria nem mesmo o sobrenome do assinante virtual. Bastava dar o endereço, um primeiro nome e pronto. A darling usou do famoso "de graça até choque" e o fez. No final da palhaçada, todo mundo recebeu a enriquecedora publicação em suas casas. E digo mais, que elas não o fizeram só uma vez. Ao expirarem as edições gratuitas, preenchiam novamente dando outro nome para outras quatro edições também grátis. A brincadeira durou umas quatro rodadas. Dezesseis edições de Caras digrátis pra cada uma. E ninguém do grupo, em absoluto, se interessou pelo singelo boleto para perpetuar a assinatura.
A maioria dos exemplares da minha casa já foi repassada, com a embalagem ainda lacrada, pro tiozinho catador do bairro. Um ou outro acabou sendo aberto pela cria, pela própria darling ou por alguma visita muito culta que se espantava com a pilha de Caras sob a mesinha na sala. Depois do bota-fora uma ou duas sobreviveram como literatura sanitária, dividindo espaço com outras publicações ecléticas como revistas de Informática, um livro de auto-ajuda sobre alimentação e até duas edições de uma revista Zen-Budista.
Hoje durante meus afazeres orgânicos matinais, folheei a que estava na pilha ao lado. Na capa da edição de 16/11/2007, Ivete Sangalo sorria apaixonadíssima por um namorado bósnio. Paixão avassaladora esta que acabou há poucos dias, dentro do padrão de descartabilidade dos romances famosos. Talvez pela falta de redatores competentes, ou pela falta de conteúdo mesmo, o que predomina na revista são fotos. Fotos e mais fotos. O que pode ser também uma estratégia editorial, ligada à baixa capacidade de leitura e compreensão dos adeptos da revista. Como infelizmente grande parte dos periódicos impressos, Caras é apenas um suporte flácido e oco para veiculação de 348430834080 propagandas a cada edição. Pela vida de quase uma década e meia dessa pérola, é certo que existam anunciantes de sobra. E tontos que a compram.
Não é difícil entender as prováveis causas de Caras ser um sucesso editorial. Basta somar o baixíssimo nível cultural da população de todas as classes sociais à incapacidade crítica e reflexiva que cresce exponencialmente, mais o ideal consumista alimentado pela indústria e pela mídia e, por fim, o voyeurismo idiota das camadas mais pobres, ao almejar o mundo falsamente feliz das celebridades vazias enquadradas pelos fotógrafos.
As fotos conseguem como nenhuma outra coisa combinar a plástica de sorrisos artificiais com poses bizarras das mais variadas. Estou com preguiça de escanear pra botar aqui, mas tem cada uma de chorar de rir. O namorado da linda Luíza Brunet ajoelhado em pose de súplica, enquanto ela simula subir as escadinhas do casebre de um beco italiano é uma das tantas. Bem de frente a uma das torres do tal Castelo de Caras, um tal de Kiko Sobrino (?) e outro sujeito chamado Alessandro Jordão (?), de costas um pro outro encenando armas com os dedos em riste macaqueando um duelo. Mal-vestidos como só eles. Me desculpem mas independente de quantos cinco ou dez mil reais possam estar cobrindo-os, ambos não têm o menor senso para indumentárias. Bregas. Uma gal de Gigi Monteiro (?) mostra sua barriga da gravidez. Igual às rampeirinhas daqui da periferia. Só que é bem bonita e cosmeticamente tratada. Lamento apenas porque barrigas em formato de melancia não são algo esteticamente bonito e deveriam sempre ser ocultas. Já um casal de nome Carla Regina (?) e Malcolm (?) está sentado sobre a cama sob véus fazendo pose de apaixonados a olhar e sorrir um para o outro. Bela cena seria, não fosse resultado de encenação sob flashes e olhares de meia dúzia de profissionais, aboletados dentro do mesmo quarto. Em outra foto sensacional uma tal de Tatiana Santo Domingo (?) com seu parceiro Andrea Casiraghi (?) ostentam respectivamente um sorvete de casquinha e uma cerveja Kronenbeer (argh!). Karen Couto (?) compra biscoitos em uma loja na Itália, vejam que interessante. Maria Paula e João Suplicy - esses eu sei quem são - estão em uma loja de utilidades domésticas e enxovais fazendo compras. Em uma das fotos eles estão examinando panelas anti-aderentes, algo realmente engrandecedor. Não por acaso, em toda e qualquer foto ao ar livre figura um Fiat Punto, lançamento na época da edição. Belo carrinho, mas merchan paupérrimo em criatividade e sutileza.
E esse é o mundo de Caras. Fotos posadas, sorrisos de visível superficialidade, celebridades insignificantes para a evolução humana, romances rasos e fugazes, vestes onerosas e feias, falsos escritores, falsos pintores, premiações vazias e anúncios - claro - muitos anúncios.
Pobres diabos das classes remediadas e das classes pobres. Folheiam essas coisas e sonham, enquanto amargam pegar trânsito suando e bufando por seus salários miseráveis. À margem da riqueza material por contingência. Alheios à riqueza cultural e espiritual por arbítrio.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Depuseram o rei
PQP. Abro os jornais eletrônicos hoje e em vários deles vejo a mesma e importantíssima notícia. Era sobre a eleição do rei-momo do carnaval baiano. Os melhores analistas políticos do país são uníssonos na compreensão. Nem a questão da transposição do São Francisco, nem a escassez de água nas barragens, nada disso é tão importante para o Brasil quanto essa questão.
Resuminho básico: No estado de Dona Canô os caras que cuidam do Carnaval elegeram um rei-momo que não se parece com um hipopótamo. O homem pesa menos de sessenta quilos. Ou seja, é um ser normal, saudável e não servirá de incentivo para que a pobraiada carnavalesca aumente os casos de AVC e infartos nos hospitais públicos. Mas não. O rei-momo tem que ser uma espécie de mamute paramentado.
O assunto é tão importante que o Ministério Público entrou na contenda. A promotora Heliete Viana entrou anteontem com uma ação civil pública para anular a escolha. Aidê Ouais, juíza substituta de não sei qual vara pública empenhou-se em anular a eleição. Tudo porque o Seo Clarindo, o tiozinho eleito, é magro. Nobres procuradores federais pagos com dinheiro do contribuinte, ao invés de se preocupar com denúncias de corrupção, desvio de dinheiro público, licitações fraudulentas e coisas assim, se engajaram nessa importante demanda monárquico-carnavalesca. Nada mais prioritário do que discutir a pança do rei-momo baiano.
Sem pança, no king.
Resuminho básico: No estado de Dona Canô os caras que cuidam do Carnaval elegeram um rei-momo que não se parece com um hipopótamo. O homem pesa menos de sessenta quilos. Ou seja, é um ser normal, saudável e não servirá de incentivo para que a pobraiada carnavalesca aumente os casos de AVC e infartos nos hospitais públicos. Mas não. O rei-momo tem que ser uma espécie de mamute paramentado.
O assunto é tão importante que o Ministério Público entrou na contenda. A promotora Heliete Viana entrou anteontem com uma ação civil pública para anular a escolha. Aidê Ouais, juíza substituta de não sei qual vara pública empenhou-se em anular a eleição. Tudo porque o Seo Clarindo, o tiozinho eleito, é magro. Nobres procuradores federais pagos com dinheiro do contribuinte, ao invés de se preocupar com denúncias de corrupção, desvio de dinheiro público, licitações fraudulentas e coisas assim, se engajaram nessa importante demanda monárquico-carnavalesca. Nada mais prioritário do que discutir a pança do rei-momo baiano.
Sem pança, no king.
domingo, 20 de janeiro de 2008
Lost, no more
Os aficcionados por seriados que me desculpem mais uma vez. Mas não consigo ver coisa mais chata do que acompanhar seriado. Seriado de um modo geral, aplicando-se a novelas, trilogias, quadrilogias e infinitologias. Sempre fui um amante da leitura. Li romances aos montes. Não essas porcarias que infestam as prateleiras, cuja única função é vender, nada trazem de conteúdo - vide o acadêmico e embusteiro Paul Rabbit - e que são escritas sob pressão de prazo dos editores. Romances mesmo, desses que você percebe que o autor viajou espiritualmente e viveu no imaginário cada milésimo de segundo do escrito. Li títulos de gente que os jovens de hoje sequer imaginam que tenham existido como por exemplo o carioca José Mauro de Vasconcelos de quem suspeito ter lido tudo, dado meu pai ter trabalhado na Melhoramentos®. Alguém aí por favor me surpreenda dizendo-me que já leu O meu pé de laranja-lima, Rosinha minha canoa ou O palácio japonês. E não sou nacionalista de plantão não. Li coisas ótimas de estrangeiros como Morris West, Isaac Asimov e até doidos conspiradores como Erich von Däniken e Peter Kolosimo. Falo dessa escrita densa e de vasto vocabulário, que pouco ou nada tem a ver com os clichezinhos da atualidade. Mas dane-se. Cultura se compra e se lê. Não vou aqui convencer ninguém a abandonar a pseudo-literatura que abunda no mercado editorial. Voltemos à questão dos seriados.
Lost, foi e é um hit, se é que continua sendo produzido. É a estória de uma galera que toma um capote com um avião e cai em uma misteriosa e mística ilha cheia de desafios e perigos, remetendo o telespectador àquelas provas de sobrevivência que foram licenciadas e clonadas pelo Fantástico na Rede Globo como o nome de... (não me lembro agora). Com enredo difuso e aberto a praticamente tudo, Lost satisfaz o desejo íntimo de voyeurismo do expectador ao escancarar supostos detalhes da intimidade e dos aspectos psicológicos desconhecidos dos personagens revelados somente em situações-limite. Ah... No Limite (lembrei) era apresentado pelo Zeca Camargo, que depois de uma vidinha dura na TV Cultura e na MTV colhe agora os louros da glória, vivendo a vida que até os jornalistas ateus pedem aos deuses.
Agora vejam bem. Que saco é ficar esperando o próximo capítulo de algo infinito com cinco mil episódios, gente. Isso pra quem assistiu desde o começo. O que é então pra gentalha como eu que não tenho TV por assinatura e alguma vez de repente me vi diante de um episódio na casa de alguém. Um amigo fã de carteirinha me copiou seis episódios em DivX mas parece que eram da segunda ou terceira temporada. Eu bem que tentei assistir, mas não tendo a menor idéia de quem é quem, me enfastiei após dez minutos de exibição em casa. Dei a mídia para outro amigo que me disse gostar e entender tudo desse trem.
Mas enfim, meus problemas se acabaram. Alguém resumiu em oito minutos e quinze segundos tudo o que aconteceu naquela birosca. Parece que o oito e o quinze remetem ao tal vôo 815 que despencou na ilha do cacete. As cenas mais parecem flashes de trailler, a narração lembra locutor de futebol no rádio, mas tem legendas em Português. Aviso: mesmo os leitures mais treinados hão de sentir dificuldade para ler as legendas tão rápido. Mas se souber Inglês, delicie-se com a narração.
Agora só falta eu arranjar saco para assitir a esse compacto.
Lost, foi e é um hit, se é que continua sendo produzido. É a estória de uma galera que toma um capote com um avião e cai em uma misteriosa e mística ilha cheia de desafios e perigos, remetendo o telespectador àquelas provas de sobrevivência que foram licenciadas e clonadas pelo Fantástico na Rede Globo como o nome de... (não me lembro agora). Com enredo difuso e aberto a praticamente tudo, Lost satisfaz o desejo íntimo de voyeurismo do expectador ao escancarar supostos detalhes da intimidade e dos aspectos psicológicos desconhecidos dos personagens revelados somente em situações-limite. Ah... No Limite (lembrei) era apresentado pelo Zeca Camargo, que depois de uma vidinha dura na TV Cultura e na MTV colhe agora os louros da glória, vivendo a vida que até os jornalistas ateus pedem aos deuses.
Agora vejam bem. Que saco é ficar esperando o próximo capítulo de algo infinito com cinco mil episódios, gente. Isso pra quem assistiu desde o começo. O que é então pra gentalha como eu que não tenho TV por assinatura e alguma vez de repente me vi diante de um episódio na casa de alguém. Um amigo fã de carteirinha me copiou seis episódios em DivX mas parece que eram da segunda ou terceira temporada. Eu bem que tentei assistir, mas não tendo a menor idéia de quem é quem, me enfastiei após dez minutos de exibição em casa. Dei a mídia para outro amigo que me disse gostar e entender tudo desse trem.
Mas enfim, meus problemas se acabaram. Alguém resumiu em oito minutos e quinze segundos tudo o que aconteceu naquela birosca. Parece que o oito e o quinze remetem ao tal vôo 815 que despencou na ilha do cacete. As cenas mais parecem flashes de trailler, a narração lembra locutor de futebol no rádio, mas tem legendas em Português. Aviso: mesmo os leitures mais treinados hão de sentir dificuldade para ler as legendas tão rápido. Mas se souber Inglês, delicie-se com a narração.
Agora só falta eu arranjar saco para assitir a esse compacto.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Los Cuadros
Nesta semana fiquei impressionado com o movimento do resgate dos quadros roubados. Os quadros foram recuperados em um casebre no orifício anal de um município da Zona Leste da Grande São Paulo. Além de a Polícia fazer o maior pavão alegando que a operação fora resultado de uma minuciosa investigação - acho mais provável que tenha sido denúncia - fizeram um verdadeiro desfile alegórico na recondução dos quadros ao MASP. Segundo alguns repórteres mais sensacionalistas foram cento e cinqüenta policiais em viaturas e helicópteros que garantiram a volta dos afrescos.
Se foram cento e cinqüenta, cento e trinta ou cem, não importa. Mas foi pavão demais pela insignificante possibilidade de os quadros serem roubados de novo no trajeto. Alguém consegue imaginar ladrões assaltando a diligência policial para pegar as telas diante de quatrocentas câmeras fotográficas e de tevê? Só se fosse daquele jeitão de faroeste com cavalos e o rosto coberto por um lenço. Vão fazer desfile lá no sete de setembro, minha gente. Como se gasta dinheiro do contribuinte com promoção barata...
Se foram cento e cinqüenta, cento e trinta ou cem, não importa. Mas foi pavão demais pela insignificante possibilidade de os quadros serem roubados de novo no trajeto. Alguém consegue imaginar ladrões assaltando a diligência policial para pegar as telas diante de quatrocentas câmeras fotográficas e de tevê? Só se fosse daquele jeitão de faroeste com cavalos e o rosto coberto por um lenço. Vão fazer desfile lá no sete de setembro, minha gente. Como se gasta dinheiro do contribuinte com promoção barata...
Mas essa bicha com cara de nojo do Picasso (esquerda), francamente...
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Depois do reveillon
Como o leitor pôde perceber nos posts anteriores o tio não tinha nenhum propósito para 2008. Nada daquelas promessas de fazer dieta e se livrar dos quilos a mais, nada de ir mais ao cinema, voltar a nadar, enfim nada dessas coisas bestas que as pessoas se prometem todos os anos. Como se os algarismos no calendário fizessem alguma diferença além da convenção de contagem de tempo. Não faz. E consciente disso eu só quero que 2008 e o Lula Lelé façam as suas partes e não me atrapalhem nos meus afazeres. Mais nada.
Contudo uma coisa eu já defini. A partir de fevereiro estarei de trabalho novo. Me enchi da minha multinacional. A ferrada de ficar de saco cheio do emprego tendo um escritório próprio é não poder se demitir e não poder mandar o chefe pro inferno. Ao menos em tese, porque foi isso que eu fiz. Propus uma sociedade com o diretor de uma representada minha, com quem venho estreitando relações há tempos e resolvi parte de minhas dores-de-cabeça. Entreguei-lhe a minha boa e velha Carteira de Trabalho e Previdência Social e agora vou cuidar tão e somente do que melhor sei fazer: vender e receber polpudas comissões.
Doravante serei um empregado. Terei chefe, agüentarei dias de cara feia e serei chamado à atenção quando fizer alguma grande merda. Terei que pedir autorização quando tiver que decidir algo, mas por outro lado pedirei verba quando julgar que há algo oportuno a ser feito, pedirei sulfite, pedirei grampo pro meu grampeador, pedirei clipes e também cartucho para a impressora. Reclamarei quando a rede estiver lenta, xingarei quando o sistema estiver falhando, sairei para a rua quando o micro desligar sozinho, quando o sistema operacional travar e só voltarei quando o técnico tiver resolvido.
Quando eu chegar em casa com o saco na Lua por causa de um dia ruim, falarei com a darling e colocarei toda a culpa nos chefes. Quando algo em algum projeto der errado praquejarei contra os caras da área técnica. Quando algum cliente me reclamar que não retornei uma chamada, cairei de pau em cima da recepcionista por não ter me dado o recado.
Não mais passarei as manhãs olhando o extrato bancário da empresa para ver se o cliente X ou Y pagou, não ficarei preocupado se o meu talão de notas fiscais tem papel carbono bom, não postarei mais boletos para os clientes, não ficarei olhando o vencimento de contratos e data-base de reajuste.
Quando eu for visitar uma empresa fora da cidade pedirei dinheiro para o pedágio e quando eu pagar do meu bolso, apresentarei os comprovantes para reembolso. Quando surgir um projeto novo e inusitado não serei eu mais a procurar o profissional que desenvolverá o software ou a parafernalha cibernética que eu vou inventar no papel sulfite.
Enfim, despedi-me do cargo de patrão. Como chefe de mim mesmo eu sou insuportável. E já fui tarde.
Contudo uma coisa eu já defini. A partir de fevereiro estarei de trabalho novo. Me enchi da minha multinacional. A ferrada de ficar de saco cheio do emprego tendo um escritório próprio é não poder se demitir e não poder mandar o chefe pro inferno. Ao menos em tese, porque foi isso que eu fiz. Propus uma sociedade com o diretor de uma representada minha, com quem venho estreitando relações há tempos e resolvi parte de minhas dores-de-cabeça. Entreguei-lhe a minha boa e velha Carteira de Trabalho e Previdência Social e agora vou cuidar tão e somente do que melhor sei fazer: vender e receber polpudas comissões.Doravante serei um empregado. Terei chefe, agüentarei dias de cara feia e serei chamado à atenção quando fizer alguma grande merda. Terei que pedir autorização quando tiver que decidir algo, mas por outro lado pedirei verba quando julgar que há algo oportuno a ser feito, pedirei sulfite, pedirei grampo pro meu grampeador, pedirei clipes e também cartucho para a impressora. Reclamarei quando a rede estiver lenta, xingarei quando o sistema estiver falhando, sairei para a rua quando o micro desligar sozinho, quando o sistema operacional travar e só voltarei quando o técnico tiver resolvido.
Quando eu chegar em casa com o saco na Lua por causa de um dia ruim, falarei com a darling e colocarei toda a culpa nos chefes. Quando algo em algum projeto der errado praquejarei contra os caras da área técnica. Quando algum cliente me reclamar que não retornei uma chamada, cairei de pau em cima da recepcionista por não ter me dado o recado.
Não mais passarei as manhãs olhando o extrato bancário da empresa para ver se o cliente X ou Y pagou, não ficarei preocupado se o meu talão de notas fiscais tem papel carbono bom, não postarei mais boletos para os clientes, não ficarei olhando o vencimento de contratos e data-base de reajuste.
Quando eu for visitar uma empresa fora da cidade pedirei dinheiro para o pedágio e quando eu pagar do meu bolso, apresentarei os comprovantes para reembolso. Quando surgir um projeto novo e inusitado não serei eu mais a procurar o profissional que desenvolverá o software ou a parafernalha cibernética que eu vou inventar no papel sulfite.
Enfim, despedi-me do cargo de patrão. Como chefe de mim mesmo eu sou insuportável. E já fui tarde.
sábado, 29 de dezembro de 2007
Papai-Noel via web?
Os papais-noéis também usam a internet que às vezes demora um ou dois dias a mais que o trenó mágico. Mas chegam. Para o tio foi assim. Só que foi a companheira-noel. Um ser impagável, único e capaz de me alegrar mesmo quando tenho meus dias de cão sarnento. E capaz também de tirar leite de pedra. Como este blog não tem a função fofucha e cuti-cuti de tratar de coisas sentimentais, pois são de foro íntimo, a qualificação da pessoa fica por aqui. Seguem os fatos.
Ontem por volta das onze da manhã toca a campainha do tio, que desce para atender. Mal-humorado como é de meu costume. Odeio atender à campainha do nada. Sem avisar quem geralmente a toca são evangelistas, pedintes de toda espécie, vendedores de porcarias, oficiais de justiça e - sabe-se lá - algum gatuno a fim de assaltar. Meus amigos, familiares e todos os que me interessam jamais chegam sem avisar previamente. Então a regra é clara: tocou a campainha do nada é encheção de saco. Raramente eu atendo. Tá avisado.
Mas desta vez era um pequeno furgão vermelho, sem identificação. Dele descem um senhor e um rapazote, este com uma caixa na mão perguntando pelo meu nome. Como nenhum parecia-se com oficial de justiça, me identifiquei. Disseram que era uma encomenda. A nota fiscal que acompanhava era de simples remessa e estava com valor zerado, portanto assinei o protocolo. Pela etiqueta vi que era de um magazine virtual e estava no meu nome mesmo. Mas o melhor estava dentro da caixa. Acompanhado por um cartão com dizeres carinhosos, havia nada menos do que ISTO.
Durante os próximos dias estarei muito ocupado. O mimo tem tanto para ser explorado que é de ficar tonto. Até onde já testei, recomendo. O bichinho roda à base do Symbian, uma versão de Linux para a qual existe um caminhão de softwares gratuitos, dos mais úteis como o Skype do qual não abro mão, até joguinhos e tranqueiras digitais de todo tipo.
Você não imagina o que há nesse aparelho: um Office completo compatível com os formatos do Bill Gates, players de áudio e vídeo, gravador de som, leitor de PDF, e-mail, navegador web, agenda de compromissos, um CRM para contatos, SMS, compactador e descompactador de arquivos .ZIP, bloco de notas, calculadora, conversor de moedas e mais uma infinidade de coisas que ainda não descobri. Com tudo isso não precisava nem fazer e nem receber chamadas. Mas ele ainda o faz e bem pra chuchu.
Ontem por volta das onze da manhã toca a campainha do tio, que desce para atender. Mal-humorado como é de meu costume. Odeio atender à campainha do nada. Sem avisar quem geralmente a toca são evangelistas, pedintes de toda espécie, vendedores de porcarias, oficiais de justiça e - sabe-se lá - algum gatuno a fim de assaltar. Meus amigos, familiares e todos os que me interessam jamais chegam sem avisar previamente. Então a regra é clara: tocou a campainha do nada é encheção de saco. Raramente eu atendo. Tá avisado.
Mas desta vez era um pequeno furgão vermelho, sem identificação. Dele descem um senhor e um rapazote, este com uma caixa na mão perguntando pelo meu nome. Como nenhum parecia-se com oficial de justiça, me identifiquei. Disseram que era uma encomenda. A nota fiscal que acompanhava era de simples remessa e estava com valor zerado, portanto assinei o protocolo. Pela etiqueta vi que era de um magazine virtual e estava no meu nome mesmo. Mas o melhor estava dentro da caixa. Acompanhado por um cartão com dizeres carinhosos, havia nada menos do que ISTO.
Durante os próximos dias estarei muito ocupado. O mimo tem tanto para ser explorado que é de ficar tonto. Até onde já testei, recomendo. O bichinho roda à base do Symbian, uma versão de Linux para a qual existe um caminhão de softwares gratuitos, dos mais úteis como o Skype do qual não abro mão, até joguinhos e tranqueiras digitais de todo tipo.
Você não imagina o que há nesse aparelho: um Office completo compatível com os formatos do Bill Gates, players de áudio e vídeo, gravador de som, leitor de PDF, e-mail, navegador web, agenda de compromissos, um CRM para contatos, SMS, compactador e descompactador de arquivos .ZIP, bloco de notas, calculadora, conversor de moedas e mais uma infinidade de coisas que ainda não descobri. Com tudo isso não precisava nem fazer e nem receber chamadas. Mas ele ainda o faz e bem pra chuchu.
Não é possível que haja vida inteligente na Terra sem essas maravilhas tecnológicas. Simplesmente não existe de fato.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Bye bye, old year
Eu detesto reprises e retrospectivas de qualquer tipo. A menos que sejam de "Terminator", "Total Recall" ou outro filme do Xuasnéguer, tirando Conan que foi re-dí-co-lo. Nem a Tina Turner cantando salvou aquilo.
No ano passado lancei a inédita Retrospectiva do Próximo Ano (RPA) que foi um sucesso, copiado à revelia por falsos gurus por aí. Os prognósticos para 2007 apresentados pelo tio Xavier foram todos cumpridos na íntegra, enterrando de vez a fama da Mãe Dinah, notória desmentidora de si mesma. Leia lá e confira que previsão é com o tio Xavier. E trago a pessoa amada em 7 dias, nem que seja seqüestrada.
Como a História é um mero ciclo repetitivo, considere para 2008 os mesmos acontecimentos. Não gastarei tempo fazendo CTRL+C / CTRL+V com isso. Na falta de assunto novo, não consegui resistir à tentação de comentar um pouco de 2007.
Especulação
Bolsas asiáticas recuam após assassinato de Benazir Bhutto. O petróleo teve alta. Pô gente os especuladores nem disfarçam. A muié lá foi assassinada. Mas quem não sabia que isso ia acontecer? Até ela sabia. E mais: qual é a grandiosa participação econômica do Paquistão, para que o mercado acionário trepide? E petróleo? Qual é o percentual de produção petrolífera dessa grande potência econômica que é o Paquistão?
Os cassinos bursáteis (ops!) bolsas de valores são mesmo repletos de macacos-velhos que vivem da especulação, boataria e rapinando dinheiro dos trouxas dos pequenos investidores que nada sabem sobre o sobe-e-desce e ficam à mercê dos fundos mútuos. Eu é que não boto grana na mão desses putos. Até porque não tenho mesmo.
TV
O fim-de-ano é um repeteco malhado e mofado na TV. Ao menos na TV aberta, a única ao alcance do tio. Hoje, após semanas de jejum de raios catódicos - sim, meu aparelho é CRT - resolvi tomar café assitindo aos "Bom Dias da Vida". Zapeando entre a Rede Glóbulo e a Record Universal. A bobageira era a mesma de sempre: "Atenção, zeeeenti que as estradas estão cheeeeeias"; "Os aeroportos têm filas, viu zeeeenti?"; "A venda de passagens recooooorde no terminal Tietê". Será que os pauteiros não têm um pingo de criatividade?
Isso pra não falar das enfadonhas retrospectivas. Como se algum grande fato, capaz de mudar os rumos da História, tivesse ocorrido neste ano. Acidentes aéreos, incêndios, terremotos, chuvas torrenciais aqui e acolá, seca em outros cantos, violência... Tirando os primeiros - já que o avião é algo relativamente recente - o resto sabemos que ocorre muito antes de descermos das árvores e andarmos eretos. Quer mais uma? Quanto quer apostar que nas primeiras do ano-novo vão aparecer repórteres em todas as maternidades para noticiar o grandioso fato da "primeira criança de 2008". Fato inédito e sen-sa-ci-o-nal! Como se os seres humanos não procriassem a cada vinte segundos. Aí vão dar o nome, sobrenome, comprimento, peso do rebento, cor do cabelinho... Não consigo imaginar coisa mais interessante e original.
Política
A CPI do ano foi da do Renan. Nem vou continuar esse assunto. Como se CPI fosse a salvação do sistema parlamentar falido do país. O povão tonto fica grudado no panis-et-circenses da TV vibrando: "O Renan vai cair... o Renan vai renunciar... o Renan renunciou... Uhuuuu, caiu!" Agora pergunte pro trouxa quem é o vice do Renan que assumiu, qual é o histórico pregresso dele e mesmo quem assume a presidência do Senado. Aliás, pergunte para quê serve o Senado. Por que precisamos de duas casas parlamentares federais? Simplesmente não há resposta. Assim como não há para tantas outras. Melhor mesmo foram as fotos da amante do Renan. Uma quarentona bem da gostosa, se me perdoam pela linguagem de borracharia.
E o Clodovil, hein? Não acreditei que logo de início foi barrado por falta de uma bosta de uma gravata. "Será que precisamos de gravata ou de seriedade?"- disse o nobre parlamentar. Mais real nem mesmo o rei. Mas enfim, dos chiliques ao ostracismo o deputado-estilista, junto com deputados-tecladistas e outros parecem a prova de que título de eleitor não deveria ser item obrigatório à cidadania. Deveriam criar a C.H.E. - Carteira de Habilitação Eleitoral - com curso prévio e exame psicotécnico.
Futebol
Eu até ia comentar algo aqui. Mas uma tristeza profunda me impede.
Meio-Ambiente
Isto é sério. Para quem não sabe o governador-ídolo-das-telas, antigo exterminador do futuro, até que tava ajudando para que o futuro não fosse tão exterminado quanto nos filmes que protagonizou. Ele tinha criado uma legislação ferrenha no Estado da Califórnia que obrigava as indústrias - sobretudo a automobilística - a metas de redução de poluentes bem arrojadas. E para a felicidade de nosso pulmões já estava sendo imitado por uma dezena e meia de governadores ianques. Mas pelo jeito, deram com os burros n'água (ou na fumaça).
Acontece que o Governo Federal Estadunidense baixou o cetro democrático dos seus verdadeiros sustentadores. A indústria do petróleo e seus comparsas da indústria automobilística conseguiram que o Buxi fizesse valer um dispositivo federal que anula todas as decisões estaduais sobre poluição, liberando geral o fumacê. Como o próprio Buxi já tinha dito: "O mundo precisa respirar a fumaça norte-americana", segundo opinião dele mesmo. Já que o monóxido de Carbono é tão bom, tenho uma sugestão: podiam enfiar o Buxi e seus capangas em um furgão-baú disfarçado de Cruz Vermelha e conectar o escapamento ao interior do bólido. Os nazistas faziam isso na Segunda Guerra.
Onu prevê falta d'água para mais de um bilhão em "futuro próximo". Cacete, onde é que moram esses caras da ONU? O que será futuro próximo no jargão desses cientistas desocupados? Venham morar em bairros periféricos para saber que, a cada obra mínima do serviço de água, a pobraiada fica dias tomando banho de canequinha. Vão à África para saber que ralo, privada e esgoto são artigos de luxo. Enqüanto isso, saio às ruas e vejo um monte de FDP´s lavando calçada e carros com máquinas de pressão, amparando-se no velho discurso "tô pagando".
Ciência e tecnologia
Cientistas se gabam de ter achado lula gigante na Antártida. Cientistas são seres conhecidos por gabar-se de qualquer coisa que seja de autoria ou descoberta deles mesmos, como se eles fossem a última garrafa de água mineral do deserto. Grande merda esse achado. Aqui no país da piada pronta, nós temos uma Lula que - se não é tão grande - é muito mais inusitada. Fala (embora mal pacas), tem um tentáculo a menos e exerce o maior cargo público do país pela segunda vez. Dez a zero pra nossa lula.
IPhone: O grande lançamento do ano é de fato bacanérrimo. O tio manuseou um por alguns segundos, mostrado por um cliente abastado e exibicionista. Aí me veio a questão: de que me adiantaria um mimo tão legal, se dá medo de apertarmos a tecla send com as absurdas tarifas daqui? Preferia um IPod, porque ao menos baixar músicas e filmes na internet ainda dá pra fazer sem pagar.
Robôs com emoções: Na Zoropa, um projeto chamado Feelix Growing, envolve 25 profissionais, entre especialistas em robótica, psicólogos e neurocientistas, e prevê um investimento de 2,3 milhões de euros (cerca de R$ 6,3 milhões) em três anos. Tudo para criar autômatos capazes de reagir emotivamente. Acho uma baita gastança de grana besta. Mas talvez seja o último recurso, diante de uma Humanidade tão apática. Isaac Assimov estaria certo no seu "Eu, Robô"?
Esse foi 2007. Já tá indo tarde. Caraca, ainda faltam 3 dias? Quero hibernar. Se possível por 10 anos. Depois alguém me conta o que houve.
No ano passado lancei a inédita Retrospectiva do Próximo Ano (RPA) que foi um sucesso, copiado à revelia por falsos gurus por aí. Os prognósticos para 2007 apresentados pelo tio Xavier foram todos cumpridos na íntegra, enterrando de vez a fama da Mãe Dinah, notória desmentidora de si mesma. Leia lá e confira que previsão é com o tio Xavier. E trago a pessoa amada em 7 dias, nem que seja seqüestrada.
Como a História é um mero ciclo repetitivo, considere para 2008 os mesmos acontecimentos. Não gastarei tempo fazendo CTRL+C / CTRL+V com isso. Na falta de assunto novo, não consegui resistir à tentação de comentar um pouco de 2007.
Especulação
Bolsas asiáticas recuam após assassinato de Benazir Bhutto. O petróleo teve alta. Pô gente os especuladores nem disfarçam. A muié lá foi assassinada. Mas quem não sabia que isso ia acontecer? Até ela sabia. E mais: qual é a grandiosa participação econômica do Paquistão, para que o mercado acionário trepide? E petróleo? Qual é o percentual de produção petrolífera dessa grande potência econômica que é o Paquistão?
Os cassinos bursáteis (ops!) bolsas de valores são mesmo repletos de macacos-velhos que vivem da especulação, boataria e rapinando dinheiro dos trouxas dos pequenos investidores que nada sabem sobre o sobe-e-desce e ficam à mercê dos fundos mútuos. Eu é que não boto grana na mão desses putos. Até porque não tenho mesmo.
TV
O fim-de-ano é um repeteco malhado e mofado na TV. Ao menos na TV aberta, a única ao alcance do tio. Hoje, após semanas de jejum de raios catódicos - sim, meu aparelho é CRT - resolvi tomar café assitindo aos "Bom Dias da Vida". Zapeando entre a Rede Glóbulo e a Record Universal. A bobageira era a mesma de sempre: "Atenção, zeeeenti que as estradas estão cheeeeeias"; "Os aeroportos têm filas, viu zeeeenti?"; "A venda de passagens recooooorde no terminal Tietê". Será que os pauteiros não têm um pingo de criatividade?
Isso pra não falar das enfadonhas retrospectivas. Como se algum grande fato, capaz de mudar os rumos da História, tivesse ocorrido neste ano. Acidentes aéreos, incêndios, terremotos, chuvas torrenciais aqui e acolá, seca em outros cantos, violência... Tirando os primeiros - já que o avião é algo relativamente recente - o resto sabemos que ocorre muito antes de descermos das árvores e andarmos eretos. Quer mais uma? Quanto quer apostar que nas primeiras do ano-novo vão aparecer repórteres em todas as maternidades para noticiar o grandioso fato da "primeira criança de 2008". Fato inédito e sen-sa-ci-o-nal! Como se os seres humanos não procriassem a cada vinte segundos. Aí vão dar o nome, sobrenome, comprimento, peso do rebento, cor do cabelinho... Não consigo imaginar coisa mais interessante e original.
Política
A CPI do ano foi da do Renan. Nem vou continuar esse assunto. Como se CPI fosse a salvação do sistema parlamentar falido do país. O povão tonto fica grudado no panis-et-circenses da TV vibrando: "O Renan vai cair... o Renan vai renunciar... o Renan renunciou... Uhuuuu, caiu!" Agora pergunte pro trouxa quem é o vice do Renan que assumiu, qual é o histórico pregresso dele e mesmo quem assume a presidência do Senado. Aliás, pergunte para quê serve o Senado. Por que precisamos de duas casas parlamentares federais? Simplesmente não há resposta. Assim como não há para tantas outras. Melhor mesmo foram as fotos da amante do Renan. Uma quarentona bem da gostosa, se me perdoam pela linguagem de borracharia.
E o Clodovil, hein? Não acreditei que logo de início foi barrado por falta de uma bosta de uma gravata. "Será que precisamos de gravata ou de seriedade?"- disse o nobre parlamentar. Mais real nem mesmo o rei. Mas enfim, dos chiliques ao ostracismo o deputado-estilista, junto com deputados-tecladistas e outros parecem a prova de que título de eleitor não deveria ser item obrigatório à cidadania. Deveriam criar a C.H.E. - Carteira de Habilitação Eleitoral - com curso prévio e exame psicotécnico.
Futebol
Eu até ia comentar algo aqui. Mas uma tristeza profunda me impede.
Meio-Ambiente
Isto é sério. Para quem não sabe o governador-ídolo-das-telas, antigo exterminador do futuro, até que tava ajudando para que o futuro não fosse tão exterminado quanto nos filmes que protagonizou. Ele tinha criado uma legislação ferrenha no Estado da Califórnia que obrigava as indústrias - sobretudo a automobilística - a metas de redução de poluentes bem arrojadas. E para a felicidade de nosso pulmões já estava sendo imitado por uma dezena e meia de governadores ianques. Mas pelo jeito, deram com os burros n'água (ou na fumaça).
Acontece que o Governo Federal Estadunidense baixou o cetro democrático dos seus verdadeiros sustentadores. A indústria do petróleo e seus comparsas da indústria automobilística conseguiram que o Buxi fizesse valer um dispositivo federal que anula todas as decisões estaduais sobre poluição, liberando geral o fumacê. Como o próprio Buxi já tinha dito: "O mundo precisa respirar a fumaça norte-americana", segundo opinião dele mesmo. Já que o monóxido de Carbono é tão bom, tenho uma sugestão: podiam enfiar o Buxi e seus capangas em um furgão-baú disfarçado de Cruz Vermelha e conectar o escapamento ao interior do bólido. Os nazistas faziam isso na Segunda Guerra.
Onu prevê falta d'água para mais de um bilhão em "futuro próximo". Cacete, onde é que moram esses caras da ONU? O que será futuro próximo no jargão desses cientistas desocupados? Venham morar em bairros periféricos para saber que, a cada obra mínima do serviço de água, a pobraiada fica dias tomando banho de canequinha. Vão à África para saber que ralo, privada e esgoto são artigos de luxo. Enqüanto isso, saio às ruas e vejo um monte de FDP´s lavando calçada e carros com máquinas de pressão, amparando-se no velho discurso "tô pagando".
Ciência e tecnologia
Cientistas se gabam de ter achado lula gigante na Antártida. Cientistas são seres conhecidos por gabar-se de qualquer coisa que seja de autoria ou descoberta deles mesmos, como se eles fossem a última garrafa de água mineral do deserto. Grande merda esse achado. Aqui no país da piada pronta, nós temos uma Lula que - se não é tão grande - é muito mais inusitada. Fala (embora mal pacas), tem um tentáculo a menos e exerce o maior cargo público do país pela segunda vez. Dez a zero pra nossa lula.
IPhone: O grande lançamento do ano é de fato bacanérrimo. O tio manuseou um por alguns segundos, mostrado por um cliente abastado e exibicionista. Aí me veio a questão: de que me adiantaria um mimo tão legal, se dá medo de apertarmos a tecla send com as absurdas tarifas daqui? Preferia um IPod, porque ao menos baixar músicas e filmes na internet ainda dá pra fazer sem pagar.
Robôs com emoções: Na Zoropa, um projeto chamado Feelix Growing, envolve 25 profissionais, entre especialistas em robótica, psicólogos e neurocientistas, e prevê um investimento de 2,3 milhões de euros (cerca de R$ 6,3 milhões) em três anos. Tudo para criar autômatos capazes de reagir emotivamente. Acho uma baita gastança de grana besta. Mas talvez seja o último recurso, diante de uma Humanidade tão apática. Isaac Assimov estaria certo no seu "Eu, Robô"?
Esse foi 2007. Já tá indo tarde. Caraca, ainda faltam 3 dias? Quero hibernar. Se possível por 10 anos. Depois alguém me conta o que houve.
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Saldo da presepada
Desta vez o têrmo presepada lembra de longe o evento simbolizado pelo presépio, mas com tão pouco a ver com ele, lembrando que o Noel acaba brilhando mais do que o profetinha da manjedoura. E com o Noel, toda sorte de apelos para a gastança.
Churrasco na casa da irmã. Churrasco na noite de Natal? O que houve com a ceia? À ingênua pergunta a cara consangüínea teria me respondido que queriam fazer algo diferente. E ao perguntar sobre qual seria a minha cota-parte recebi a encomenda de carnes e bebidas de acordo com o perfil de consumo do meu núcleo familiar. Comprei um cry-o-vac de pets de refrigerante preto. Mas a parte pior foi que a lista incluía duas picanhas e dois quilos de coração de frango. Pqp, o que eram esses preços do quilo da picanha, minha gente? Saquem só a tomada de preços da iguaria:
- Mercadinho-conveniência perto do tio: R$24,00
- Extra: R$39,00 (este foi o recordista)
- Makro: R$26,00
- Assai: R$22,00 (o melhor dentre os piores)
Como optei por uma caixa com 2Kg de espetos de coração prontinhos e temperados, somando-se às duas nobres partes do boi, o tio gastou R$80 só com três nacos de carne. Total do supermercado, juntando panetones e coisas que faltavam para a festa: R$230.
Aí veio a tia darling explicando que os Hudson* estariam presentes. E fez questão de me lembrar também que não havíamos comprado as lembrancinhas simplórias dos sobrinhos e afilhadas. Saldo das comprinhas de última hora:
- Casas Pernambucanas: R$180
- Renner: R$220
Veja bem: não demos nenhum computador nem brinquedo eletrônico para nenhum sobrinho. Foram todos simbólicos mesmo, resumindo-se a blusinhas, camisetas e bermudas. Tirando a bicicleta da cria, que não está na lista acima, tudo foi discreto sem grifes e nem pompa. Nem podia ser pela importância despendida. Mas cazzo, mais de R$800 por uma mísera e fugaz festinha natalina? Com essa importância e o baixo consumo de minha residência acho que conseguiríamos abastecer a casa de víveres por três ou quatro meses.
E tem gente que ainda tem a petulância de me criticar por eu achar esse troço de Natal um saco.
Churrasco na casa da irmã. Churrasco na noite de Natal? O que houve com a ceia? À ingênua pergunta a cara consangüínea teria me respondido que queriam fazer algo diferente. E ao perguntar sobre qual seria a minha cota-parte recebi a encomenda de carnes e bebidas de acordo com o perfil de consumo do meu núcleo familiar. Comprei um cry-o-vac de pets de refrigerante preto. Mas a parte pior foi que a lista incluía duas picanhas e dois quilos de coração de frango. Pqp, o que eram esses preços do quilo da picanha, minha gente? Saquem só a tomada de preços da iguaria:
- Mercadinho-conveniência perto do tio: R$24,00
- Extra: R$39,00 (este foi o recordista)
- Makro: R$26,00
- Assai: R$22,00 (o melhor dentre os piores)
Como optei por uma caixa com 2Kg de espetos de coração prontinhos e temperados, somando-se às duas nobres partes do boi, o tio gastou R$80 só com três nacos de carne. Total do supermercado, juntando panetones e coisas que faltavam para a festa: R$230.
Aí veio a tia darling explicando que os Hudson* estariam presentes. E fez questão de me lembrar também que não havíamos comprado as lembrancinhas simplórias dos sobrinhos e afilhadas. Saldo das comprinhas de última hora:
- Casas Pernambucanas: R$180
- Renner: R$220
Veja bem: não demos nenhum computador nem brinquedo eletrônico para nenhum sobrinho. Foram todos simbólicos mesmo, resumindo-se a blusinhas, camisetas e bermudas. Tirando a bicicleta da cria, que não está na lista acima, tudo foi discreto sem grifes e nem pompa. Nem podia ser pela importância despendida. Mas cazzo, mais de R$800 por uma mísera e fugaz festinha natalina? Com essa importância e o baixo consumo de minha residência acho que conseguiríamos abastecer a casa de víveres por três ou quatro meses.
E tem gente que ainda tem a petulância de me criticar por eu achar esse troço de Natal um saco.
domingo, 23 de dezembro de 2007
Natal do quê mesmo?
Já se deu conta do quão egoísta se tornou essa lenda do Papai-Noel, sobretudo depois de apropriada pelo comércio? Do tal santo - o Nicolau - que distribuía presentes para as crianças pobres, a coisa foi deteriorando até que virou o evento anual do Mercado. A salvação para o comércio que chega de trenó, puxado por renas. As empresas de cartão de crédito e de empréstimo sugerem a todos deixarem a fantasia fluir, para resolver os pagamentos somente em janeiro na fatura de cartão de crédito e nos cheques pré-datados.
O Papai-Noel do Mercado, nada tem a ver com o espírito solidário inspirado pelas tradições cristãs de dividir os víveres e agasalhos com os necessitados, durante o cruel inverno nórdico. Nada em a ver também com o suposto aniversariante, embora a maioria já saiba que a data escolhida foi uma mera convenção, sendo que o Natal é uma tradição muito anterior à chegada dos cristãos.
Mas ontem ao passar pela Avenida Jabaquara aqui em Sampa eu quase tive uma parada cardíaca. Uma igreja cristã tradicional, anexa a um colégio idem, ostentava na pequena cobertura de telhado da porta frontal um enorme Papai-Noel inflável segurando uma rena por uma cordinha. Será que o responsável de lá estudou Teologia e sabe algo de fato sobre tradições natalinas cristãs? Que diabos faz um Papai-Noel no telhado de uma igreja? Fiquei com medo de entrar lá me deparar com um gigantesco pinheiro decorado e a figura do velho de barba branca e roupa vermelha, no lugar do esperado presépio com manjedoura. E olha que nem cristão eu sou.
Por tudo isso, resolvi postar essa singela homenagem. Ligue o som e aperte a tecla PLAY abaixo para ouvir uma linda canção natalina da extinta banda Garotos Podres. Reúna toda a família durante a ceia e reflita um pouco sobre o espírito natalino.
O Papai-Noel do Mercado, nada tem a ver com o espírito solidário inspirado pelas tradições cristãs de dividir os víveres e agasalhos com os necessitados, durante o cruel inverno nórdico. Nada em a ver também com o suposto aniversariante, embora a maioria já saiba que a data escolhida foi uma mera convenção, sendo que o Natal é uma tradição muito anterior à chegada dos cristãos.
Mas ontem ao passar pela Avenida Jabaquara aqui em Sampa eu quase tive uma parada cardíaca. Uma igreja cristã tradicional, anexa a um colégio idem, ostentava na pequena cobertura de telhado da porta frontal um enorme Papai-Noel inflável segurando uma rena por uma cordinha. Será que o responsável de lá estudou Teologia e sabe algo de fato sobre tradições natalinas cristãs? Que diabos faz um Papai-Noel no telhado de uma igreja? Fiquei com medo de entrar lá me deparar com um gigantesco pinheiro decorado e a figura do velho de barba branca e roupa vermelha, no lugar do esperado presépio com manjedoura. E olha que nem cristão eu sou.
Por tudo isso, resolvi postar essa singela homenagem. Ligue o som e aperte a tecla PLAY abaixo para ouvir uma linda canção natalina da extinta banda Garotos Podres. Reúna toda a família durante a ceia e reflita um pouco sobre o espírito natalino.
sábado, 22 de dezembro de 2007
Obrigado governador
Dia 21 de dezembro. Depois de um compromisso externo importante, que me ocupou o dia todo, chego à Maison Xavieur por volta das dezessete horas. Avisto um papel branco quase enrolado e encravado no vão do portão, pois estou sem caixa de correspondência. Pego o papel, nem bem abro e me deparo com brasão do Estado de São Paulo e um escrito em fontes bem grandes: IPVA 2008.Santa senhora que o dera à luz, senhor governador! Custava esperar o reveillon para nos enviar esta merda? Tinha que tacar isso em nossa cara antes do Natal?
Cacete, viu? Obrigado pelo presente natalino, se essa foi sua intenção. Vai ser ruim de marketing assim lá na Prússia, meu filho.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
O fim do provedor de acesso
Se você mora no estado de SP e usa banda larga, sabe aquele usuário e senha que você usa no seu programa de acesso Speedy? Alguns pagam essa mensalidade para UOL, outros para Terra, outros para Superig ou seja lá qual for o neguinho que lhes vende esse tal acesso. Os caras cobram de R$9,90 até R$30 ou mais para esse suposto acesso.
Só que esse acesso sempre foi uma balela. Seu sinal de banda larga jamais passou por esses provedores para entrar no Speedy. Tudo fazia parte de uma farsa conjunta entre o provedor de sinal de banda larga e os brokers de internet. A autenticação se dava mediante uma lista na própria empresa de telecomunicação, que era atualizada pelos provedores fictícios. A grana era rachada entre ambos.
A questão acima vale para todos os acessos via banda larga por linha telefônica, independente da localidade. Além do modem, que trata o sinal de banda larga e o converte para TCP/IP, nada mais é necessário nem nunca o foi. Esse acordo imperou por anos e encheu as burras do suposto provedor de acesso e da já milionária companhia de telefone. Até que recentemente a Justiça decidiu que a redundância de cobranças não procedia.
Estamos livres dos tais provedores de acessos. E a Telefônica aqui em Sampa, se de um lado assumiu publicamente a decisão judicial conforme publicação no seu site, de outro já anuncia outra tungadinha, como você poderá ler no comunicado. Fora diversos provedorezinhos que ficam na moita e não comunicando seus usuários para cancelarem os tais "acessos". Eles já o sabem desde setembro deste ano e não contaram você por razões óbvias.
Enfim, se você é usuário Speedy da Telefônica acesse seu modem ou programinha de acesso e altere seu usuário para internet@speedy.com.br e a senha para internet. O mesmo vale para todos os estados, mas você que não é de Sampa terá que procurar a informação equivalente na sua operadora de telefonia.
Agora resta você entrar em contato com seu antigo provedor e cancelar o tal serviço de acesso e a respectiva mensalidade. Se na primeira ligação você notar que o cara manda esperar e começa a enrolar assim que você pronuncia a palavra "cancelar", não tenha dúvida: mande uma carta registrada para o remetente da fatura ou para o endereço que consta no site, ou ainda para o endereço físico do provedor, que você pode consultar no site REGISTRO.BR exigindo o cancelamento do serviço. O safardana já devia ter orientado aos seus clientes. Registro aqui com satisfação que a DUALTEC o fez no dia seguinte do comunicado.
Só que esse acesso sempre foi uma balela. Seu sinal de banda larga jamais passou por esses provedores para entrar no Speedy. Tudo fazia parte de uma farsa conjunta entre o provedor de sinal de banda larga e os brokers de internet. A autenticação se dava mediante uma lista na própria empresa de telecomunicação, que era atualizada pelos provedores fictícios. A grana era rachada entre ambos.
A questão acima vale para todos os acessos via banda larga por linha telefônica, independente da localidade. Além do modem, que trata o sinal de banda larga e o converte para TCP/IP, nada mais é necessário nem nunca o foi. Esse acordo imperou por anos e encheu as burras do suposto provedor de acesso e da já milionária companhia de telefone. Até que recentemente a Justiça decidiu que a redundância de cobranças não procedia.
Estamos livres dos tais provedores de acessos. E a Telefônica aqui em Sampa, se de um lado assumiu publicamente a decisão judicial conforme publicação no seu site, de outro já anuncia outra tungadinha, como você poderá ler no comunicado. Fora diversos provedorezinhos que ficam na moita e não comunicando seus usuários para cancelarem os tais "acessos". Eles já o sabem desde setembro deste ano e não contaram você por razões óbvias.
Enfim, se você é usuário Speedy da Telefônica acesse seu modem ou programinha de acesso e altere seu usuário para internet@speedy.com.br e a senha para internet. O mesmo vale para todos os estados, mas você que não é de Sampa terá que procurar a informação equivalente na sua operadora de telefonia.
Agora resta você entrar em contato com seu antigo provedor e cancelar o tal serviço de acesso e a respectiva mensalidade. Se na primeira ligação você notar que o cara manda esperar e começa a enrolar assim que você pronuncia a palavra "cancelar", não tenha dúvida: mande uma carta registrada para o remetente da fatura ou para o endereço que consta no site, ou ainda para o endereço físico do provedor, que você pode consultar no site REGISTRO.BR exigindo o cancelamento do serviço. O safardana já devia ter orientado aos seus clientes. Registro aqui com satisfação que a DUALTEC o fez no dia seguinte do comunicado.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
De ilusões também se vive (fucked love illusions)
Assim que abro o Msn ontem à noite:
Janaína* diz:
Tio?
Tio Xavier diz:
Oi Jana!
Janaína diz:
Preciso te contar uma novidade. Um lance.
Tio Xavier diz:
Xi. Lá vem bomba.
Janaína diz:
Não é não. É que tô namorando.
Tio Xavier diz:
Woho! Parabéns. Conte-me tudo.
Janaína diz:
Ah, tio... ele é um gato. Gostooooso.
Tio Xavier diz:
Poupe-me dos detalhes estéticos, anatômicos e sórdidos, por gentileza.
Janaína diz:
Então tio ele trabalha comigo lá no hospital onde estou agora.
Tio Xavier diz:
Que bom! Bons ventos.
Janaína diz:
Ah, tio mas ele tem um defeito.
Tio Xavier diz:
Ai... [medo] Ele usa drogas?
Janaína diz:
Não.
Tio Xavier diz:
Ele é envolvido com contravenção, crime?
Janaína diz:
Não tio. Ele é trabalhador.
Tio Xavier diz:
Well, o que ele tem de defeito?
Janaína diz:
Um defeito na mão esquerda.
Tio Xavier diz:
E que tipo de defeito?
Janaína diz:
No dedo.
Tio Xavier diz:
Ué, minha filha, o Lula tem um dedo a menos e é Presidente duas vezes. Qual é o problema?
Janaína diz:
Ai tio cê tá lerdão hoje, hein?
Tio Xavier diz:
Desculpa Jana, mas tive um dia desgastante. To meio devagar mesmo. Me explica melhor.
Janaína diz:
Um bambolê de otário.
Tio Xavier diz:
??? Olha Janaína, desisto. Desembucha logo aí qual é a parada.
Janaína diz:
Caraca hein, tio? Tá mal. O defeito do dedo dele é uma argola. O cara é casado. Entendeu?
Tio Xavier diz:
Casado?
Janaína diz:
É.
Tio Xavier diz:
Ahn... Bom... Nesse caso, além do óbvio, quê mais há?
Janaína diz:
Putz tio, tá começando a embaçar pro meu lado.
Tio Xavier diz:
Nada de se estranhar. Cara casado, na mesma empresa... Já imagino a treta.
Janaína diz:
Não tio, até aí beleza.
Tio Xavier diz:
Beleza? Mas então o que é?
Janaína diz:
Ele tá começando a se apegar demais e eu não queria isso.
Tio Xavier diz:
É mesmo?
Janaína diz:
É tio. Ele é complicado. Agora vive cheio de ciúmes de mim, não quer que eu faça isso ou aquilo, fica sapeando se me vê falando no celular. Sabe tio, acho que ele tá gostando demais de mim. E eu não queria me apegar, saca?
Tio Xavier diz:
Saco, claro.
Janaína diz:
Então tio, ele me falou que não está se dando bem com a mulher, que o casamento dele tá indo pra cucuia.
Tio Xavier diz:
Por que eu não estou surpreso?
Janaína diz:
Aí pô, ele acabou se apegando demais comigo e nosso relacionamento tá ficando sério. Não sei o que fazer.
Tio Xavier diz:
É complicado mesmo. O cara casado, o relacionamento de vocês ficando sério. O casamento dele está mal. Um problemão pra você administrar.
Janaína diz:
Ah é tio. Só falta daqui a pouco ele me aparecer querendo casar comigo. Aí ferrou, rs...
Tio Xavier diz:
Claro. Olha Jana, já tá tardão e o tio vai nanar. Podemos continuar o papo amanhã?
Janaína diz:
Podemos sim, tio. Boa-noite.
Tio Xavier diz:
Boa noite.
"Bambolê de otário". Essa é nova pra mim. Gozado que nessa história toda só consigo ver uma otária. Mas deixa pra lá.
Janaína* diz:
Tio?
Tio Xavier diz:
Oi Jana!
Janaína diz:
Preciso te contar uma novidade. Um lance.
Tio Xavier diz:
Xi. Lá vem bomba.
Janaína diz:
Não é não. É que tô namorando.
Tio Xavier diz:
Woho! Parabéns. Conte-me tudo.
Janaína diz:
Ah, tio... ele é um gato. Gostooooso.
Tio Xavier diz:
Poupe-me dos detalhes estéticos, anatômicos e sórdidos, por gentileza.
Janaína diz:
Então tio ele trabalha comigo lá no hospital onde estou agora.
Tio Xavier diz:
Que bom! Bons ventos.
Janaína diz:
Ah, tio mas ele tem um defeito.
Tio Xavier diz:
Ai... [medo] Ele usa drogas?
Janaína diz:
Não.
Tio Xavier diz:
Ele é envolvido com contravenção, crime?
Janaína diz:
Não tio. Ele é trabalhador.
Tio Xavier diz:
Well, o que ele tem de defeito?
Janaína diz:
Um defeito na mão esquerda.
Tio Xavier diz:
E que tipo de defeito?
Janaína diz:
No dedo.
Tio Xavier diz:
Ué, minha filha, o Lula tem um dedo a menos e é Presidente duas vezes. Qual é o problema?
Janaína diz:
Ai tio cê tá lerdão hoje, hein?
Tio Xavier diz:
Desculpa Jana, mas tive um dia desgastante. To meio devagar mesmo. Me explica melhor.
Janaína diz:
Um bambolê de otário.
Tio Xavier diz:
??? Olha Janaína, desisto. Desembucha logo aí qual é a parada.
Janaína diz:
Caraca hein, tio? Tá mal. O defeito do dedo dele é uma argola. O cara é casado. Entendeu?
Tio Xavier diz:
Casado?
Janaína diz:
É.
Tio Xavier diz:
Ahn... Bom... Nesse caso, além do óbvio, quê mais há?
Janaína diz:
Putz tio, tá começando a embaçar pro meu lado.
Tio Xavier diz:
Nada de se estranhar. Cara casado, na mesma empresa... Já imagino a treta.
Janaína diz:
Não tio, até aí beleza.
Tio Xavier diz:
Beleza? Mas então o que é?
Janaína diz:
Ele tá começando a se apegar demais e eu não queria isso.
Tio Xavier diz:
É mesmo?
Janaína diz:
É tio. Ele é complicado. Agora vive cheio de ciúmes de mim, não quer que eu faça isso ou aquilo, fica sapeando se me vê falando no celular. Sabe tio, acho que ele tá gostando demais de mim. E eu não queria me apegar, saca?
Tio Xavier diz:
Saco, claro.
Janaína diz:
Então tio, ele me falou que não está se dando bem com a mulher, que o casamento dele tá indo pra cucuia.
Tio Xavier diz:
Por que eu não estou surpreso?
Janaína diz:
Aí pô, ele acabou se apegando demais comigo e nosso relacionamento tá ficando sério. Não sei o que fazer.
Tio Xavier diz:
É complicado mesmo. O cara casado, o relacionamento de vocês ficando sério. O casamento dele está mal. Um problemão pra você administrar.
Janaína diz:
Ah é tio. Só falta daqui a pouco ele me aparecer querendo casar comigo. Aí ferrou, rs...
Tio Xavier diz:
Claro. Olha Jana, já tá tardão e o tio vai nanar. Podemos continuar o papo amanhã?
Janaína diz:
Podemos sim, tio. Boa-noite.
Tio Xavier diz:
Boa noite.
"Bambolê de otário". Essa é nova pra mim. Gozado que nessa história toda só consigo ver uma otária. Mas deixa pra lá.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Caixinha de Natal?
Fala sério. Existe coisa mais imbecil, pobre, medíocre e sem razão do que essa maldita mania de os serviçais pedirem caixinha de Natal? Analise: o manobrista do estacionamento recebe salário para manobrar os carros. O balconista da padaria recebe salário para atender ao balcão. O porteiro recebe salário para dorm... quero dizer, para... Aliás, para que serve um porteiro nos dias atuais? O mais engraçado ainda é que alguns deles falam - sempre pelo nariz - algo como: "Cuméquié? O sinhô rai falá cum quem?" e qualquer que seja a resposta liberam a passagem.
Pior ainda quando o cara pergunta o nome do visitante. Outro dia respondi "Abraham Lincoln" e o porteiro exclamou um "Ah", como se tivesse alguma idéia de quem se tratasse e mandou entrar. É por isso que entra tanto larápio e punguista em prédio. Mas no fim do ano, sobre a mesa da portaria está lá: a infalível caixa de sapatos embrulhada em papel de presente surrado, com um corte em cima para algum trouxa colocar dinheiro.
E o lixeiro? Você já se perguntou o que ele esperava do trabalho dele quando foi à porta da "Engenharia Ambiental"? Esse é o novo nome tucanês para a antiga "Firma do Lixo". Que me diz do carteiro? Dos entregadores das contas de luz e água? Todos não são registrados, assalariados e não têm 13º? Agora me explica por que essa trempa toda acha que os cidadãos, que pagam o estacionamento, o condomínio, o IPTU com taxa do lixo, a tarifa de Correio e as tarifas de consumo já sustentando inclusive o trabalho deles, ainda tem que dar caixinha no Natal? Por quê?
Se for assim, então o tio aqui que não tem salário fixo, não tem 13º, não tem nem férias, mereceria muito mais um agrado. Tive uma idéia: vou cobrar caixinhas desses pentelhos assalariados. Quando eu avistar a primeira caixa embrulhada vou meter a mão dentro, apanhar algumas moedas e agradecer ao idiota que a pôs no balcão. Direi "Você adivinhou que eu tava precisando". Deixa comigo.
Pior ainda quando o cara pergunta o nome do visitante. Outro dia respondi "Abraham Lincoln" e o porteiro exclamou um "Ah", como se tivesse alguma idéia de quem se tratasse e mandou entrar. É por isso que entra tanto larápio e punguista em prédio. Mas no fim do ano, sobre a mesa da portaria está lá: a infalível caixa de sapatos embrulhada em papel de presente surrado, com um corte em cima para algum trouxa colocar dinheiro.
E o lixeiro? Você já se perguntou o que ele esperava do trabalho dele quando foi à porta da "Engenharia Ambiental"? Esse é o novo nome tucanês para a antiga "Firma do Lixo". Que me diz do carteiro? Dos entregadores das contas de luz e água? Todos não são registrados, assalariados e não têm 13º? Agora me explica por que essa trempa toda acha que os cidadãos, que pagam o estacionamento, o condomínio, o IPTU com taxa do lixo, a tarifa de Correio e as tarifas de consumo já sustentando inclusive o trabalho deles, ainda tem que dar caixinha no Natal? Por quê?
Se for assim, então o tio aqui que não tem salário fixo, não tem 13º, não tem nem férias, mereceria muito mais um agrado. Tive uma idéia: vou cobrar caixinhas desses pentelhos assalariados. Quando eu avistar a primeira caixa embrulhada vou meter a mão dentro, apanhar algumas moedas e agradecer ao idiota que a pôs no balcão. Direi "Você adivinhou que eu tava precisando". Deixa comigo.
Perguntas
Por esses dias, com o fim das aulas, estou tendo que me desdobrar entre trabalho e cuidar da cria mais nova de seis anos, sem utilizar favores de terceiros. Como sou o profissional liberal da casa, todos acham que posso - e devo - despender tempo para resolver coisas particulares durante o dia. Eu me viro como posso. Atualmente quando tenho que ir a clientes e parceiros, às vezes levo a cria junto, dependendo de onde é e com quem vou tratar. Até aí não há grandes problemas, pois a pequena se resigna disciplinadamente a ficar sentadinha nas recepções das empresas, pintando seus livrinhos e escrevendo, enquanto resolvo as coisas.
Dia desses fui a um cliente retirar um equipamento para consertar. A cria estava junto e a visita foi rápida. Acertei alguns detalhes com o contato e embarquei a máquina no carro. O que quase nenhum cliente sabe é que a grande maioria dos equipamentos que eu pego para consertar são encaminhadas para terceiros meus. Até aí é uma simples questão estratégica. Caso contrário eu teria que manter uma onerosa estrutura com trocentos especialistas, um para cada tipo de equipamento e marca. Para o cliente tudo ocorre de maneira transparente, que fica feliz com o serviço prestado enquanto faturo meus suados trocados.
Mas eis que nesse dia, durante o trajeto de volta:
- Pai, por que você pegou essa máquina no seu cliente?
- Pra consertar.
- Mas você não conserta essa máquina.
- Tá, mas eu levo pros Smiths* consertarem.
- Mas eu vi você falando pro cliente "até segunda feira eu conserto"
- Não tem problema. O Sr. Smith conserta.
- Então por que o seu cliente não leva direto no Sr. Smith?
- Ahn isso? É porque... porque... porque eu preciso ganhar dinheiro com isso, né filha?
- Mas você falou pro cliente que vai consertar e não vai. Tá levando pro Sr. Smith consertar.
- E daí?
- Você mentiu pro seu cliente, pai.
- Não filha. Não é uma mentira.
- Então o que é? Claro que é uma mentira. E você fala pra mim que não pode mentir.
- Er... hum... ahn... cof! cof! Veja bem... o cliente não sabe onde ficam os Smiths. É mais fácil assim.
- E por que não dá o endereço dos Smiths pro seu cliente?
- ... Filha olha lá na porta daquela loja! O Papai-Noel! Vamos lá falar com ele?
Acho que ela esqueceu o assunto. Ufa!
Dia desses fui a um cliente retirar um equipamento para consertar. A cria estava junto e a visita foi rápida. Acertei alguns detalhes com o contato e embarquei a máquina no carro. O que quase nenhum cliente sabe é que a grande maioria dos equipamentos que eu pego para consertar são encaminhadas para terceiros meus. Até aí é uma simples questão estratégica. Caso contrário eu teria que manter uma onerosa estrutura com trocentos especialistas, um para cada tipo de equipamento e marca. Para o cliente tudo ocorre de maneira transparente, que fica feliz com o serviço prestado enquanto faturo meus suados trocados.
Mas eis que nesse dia, durante o trajeto de volta:
- Pai, por que você pegou essa máquina no seu cliente?
- Pra consertar.
- Mas você não conserta essa máquina.
- Tá, mas eu levo pros Smiths* consertarem.
- Mas eu vi você falando pro cliente "até segunda feira eu conserto"
- Não tem problema. O Sr. Smith conserta.
- Então por que o seu cliente não leva direto no Sr. Smith?
- Ahn isso? É porque... porque... porque eu preciso ganhar dinheiro com isso, né filha?
- Mas você falou pro cliente que vai consertar e não vai. Tá levando pro Sr. Smith consertar.
- E daí?
- Você mentiu pro seu cliente, pai.
- Não filha. Não é uma mentira.
- Então o que é? Claro que é uma mentira. E você fala pra mim que não pode mentir.
- Er... hum... ahn... cof! cof! Veja bem... o cliente não sabe onde ficam os Smiths. É mais fácil assim.
- E por que não dá o endereço dos Smiths pro seu cliente?
- ... Filha olha lá na porta daquela loja! O Papai-Noel! Vamos lá falar com ele?
Acho que ela esqueceu o assunto. Ufa!
domingo, 16 de dezembro de 2007
Balelas de amor (Shits of relationship)
Fernanda* é uma menina adorável. Sorridente, meiga e até bonitinha. Enfim, atributos de uma pessoa de quem é quase impossível não gostar. Dona Lola*, sua mãe, a trata com um misto de gata borralheira de dia mas princesa à noite. Conheço a Fernandinha desde os tenros seis anos. A criatura era daquele tipo de criança "vira-lata", no bom-sentido da expressão. Adorava dormir na casa dos outros e o fez por dezenas de vezes na casa do tio Xavier. Ela vinha toda manhosa durante as reuniões de famílias de amigos e me perguntava se podia ir dormir na nossa casa. Ao consentimento óbvio, ela corria vender outro peixe para os pais dizendo que nós a tínhamos convidado. Golpe tão manjado quanto aceito por todos. E lá ia a espevitada dormir e passar o dia seguinte na casa da gente.
Espevitada é um bom adjetivo para uma garota que já dava mostras de libido realçada, desde a mais tenra idade. Não é preciso ser psicólogo ou terapeuta para perceber certas coisas em uma criança. Mas isso é da natureza de cada um. Cabe aos pais e demais adultos do convívio saber lidar, para que isso não se sobreponha aos demais aspectos importantes da maturação.
Ocorre que Fernanda - segundo contou ao tio - teria perdido a virgindade aos malfeitos quatorze anos. Nada para se espantar. De mim ela ouviu sempre os alertas para tomar cuidados com a saúde do corpo, com o coraçãozinho e, sobretudo, com a segurança pessoal. Aqui começa um capítulo à parte de Fernandinha. Fogosa como sempre demonstrou-se, a danada é daquelas que não perde por nada uma oportunidade sexual. Dentre as peripécias colecionadas, algumas são de fazer corar até ao adulto mais supostamente liberal. Assumo parte de minha caretice, pois ainda penso que transar em escadaria de emergência de shopping center não seja algo muito convencional. Ainda mais de caso pensado, quando se vai de mini-saia com planos e metas arquitetados. Algumas das broncas que Fernanda levou do tio dizem respeito a artes mais inseguras, como trepar em um parque verde em plenas duas e meia da madrugada. Cheguei a ser ríspido com ela, pois nesse caso falta-lhe a noção das infortúnias possibilidades que enredam uma situação dessas.
Fernandinha tem um currículo sexual invejável até para os mais letrados. Está bem, saudável e assegura ter curtido até agora cada um dos momentos de maluquice. Hoje com dezenove anos, Fê já é uma mulherzinha feita, trabalha, entrou na faculdade (agora então ninguém segura!) e já alça seu ingresso gradual no mundo adulto. Coleciona alguns relacionamentos de namoro mais estáveis. Traduza-se: com duração de meses e não-exclusivos. O mais recente resultou em um pretenso noivado. Não consigo entender rituais humanos como os noivados, dada a fugacidade dos relacionamentos. Estamos em tempo de "namoridos", "ficantes" e um leque de modelos afetivo-relacionais que os estudiosos jamais imaginaram. No meu ver, o evento nubente-circense só existiu por obra, pretensão e assanhamento da D. Lola, esta que mais parece realizar suas fantasias na filha do que qualquer outra coisa. Acredita o leitor que, logo depois do início desse namoro, a D. Lola esteve na casa da minha irmã e contou vertendo baldes de lágrimas que a casta cria tinha perdido a virgindade com o garoto em questão? Juro! O que não é possível é como a dita senhora pode lacrimejar por um hímen rompido há mais de quatro verões. Ou a mãe devia estar na fila do transplante de córnea ou é uma hipócrita assumida e pensa que os convivas são idiotas como ela.
Meio idiota, uma jovem de dezoito anos e um meninão de pouco mais, ambos sem nenhuma perspectiva profissional sólida, adotarem laços que insinuam falsamente um pré-matrimônio. Festa com dezenas de convidados, som, luzes, bolo com noivinhos e troca de alianças. Tirando a festa em si, até que bem servida de comes e bebes e tirando a boa discotecagem - esta a cargo do tio - o resto foi pastelão elevado à décima potência. Eu ri à beça com os arremedos de formalidade, discursos, dedicatórias, até com a inócua troca de alianças. A noivinha, danada que só, ria todo o tempo causando a impressão de que o fazia por causa da presepada em si. Qualquer dia desses perguntarei na lata.
O noivo, um meninão aparentemente bonzinho, estudioso e trabalhador, certamente não tinha a menor noção de com quem estava a namorar e então noivar, relativamente ao voluptoso - e ainda crescente - currículo sexual da nubente. Tadinho. Segundo a noivinha, o rapaz era "mó parado", têrmo depreciativo proferido a mim, o qual desconfio referir-se a coisas como sua inaptidão para peripécias sexuais e seu desprezo por baladas e noitadas dançantes. Curiosamente por tudo que ela mais preza. Já falei dezenas de vezes a ela para achar um par com o mesmo pique, caso queira um relacionamento mais duradouro.
Saldo do teatro: poucos meses depois, quem sabe alertado por alguém ou quiçá por sinapse, o noivinho deu linha na pipa. Primeiro pediu o tradicional tempo para, depois de poucos dias, dar um au revoir por telefone mesmo. Mas e a festa, alianças e presentes? Danem-se. Como reza o protocolo, os presentes enxovalescos do noivado são dote da noiva. Então, ela que não me venha com um repeteco teatral esperando recorrência de mimos. Se convidado, comparecerei à nova festa e até discotecarei de novo com prazer. Mas respaldado pelo jogo lençóis que eu e a tia já demos naquele primeiro de talvez tantos noivados, pouco importando com quem ela vá usá-lo.
Esses humanos são cômicos.
Espevitada é um bom adjetivo para uma garota que já dava mostras de libido realçada, desde a mais tenra idade. Não é preciso ser psicólogo ou terapeuta para perceber certas coisas em uma criança. Mas isso é da natureza de cada um. Cabe aos pais e demais adultos do convívio saber lidar, para que isso não se sobreponha aos demais aspectos importantes da maturação.
Ocorre que Fernanda - segundo contou ao tio - teria perdido a virgindade aos malfeitos quatorze anos. Nada para se espantar. De mim ela ouviu sempre os alertas para tomar cuidados com a saúde do corpo, com o coraçãozinho e, sobretudo, com a segurança pessoal. Aqui começa um capítulo à parte de Fernandinha. Fogosa como sempre demonstrou-se, a danada é daquelas que não perde por nada uma oportunidade sexual. Dentre as peripécias colecionadas, algumas são de fazer corar até ao adulto mais supostamente liberal. Assumo parte de minha caretice, pois ainda penso que transar em escadaria de emergência de shopping center não seja algo muito convencional. Ainda mais de caso pensado, quando se vai de mini-saia com planos e metas arquitetados. Algumas das broncas que Fernanda levou do tio dizem respeito a artes mais inseguras, como trepar em um parque verde em plenas duas e meia da madrugada. Cheguei a ser ríspido com ela, pois nesse caso falta-lhe a noção das infortúnias possibilidades que enredam uma situação dessas.
Fernandinha tem um currículo sexual invejável até para os mais letrados. Está bem, saudável e assegura ter curtido até agora cada um dos momentos de maluquice. Hoje com dezenove anos, Fê já é uma mulherzinha feita, trabalha, entrou na faculdade (agora então ninguém segura!) e já alça seu ingresso gradual no mundo adulto. Coleciona alguns relacionamentos de namoro mais estáveis. Traduza-se: com duração de meses e não-exclusivos. O mais recente resultou em um pretenso noivado. Não consigo entender rituais humanos como os noivados, dada a fugacidade dos relacionamentos. Estamos em tempo de "namoridos", "ficantes" e um leque de modelos afetivo-relacionais que os estudiosos jamais imaginaram. No meu ver, o evento nubente-circense só existiu por obra, pretensão e assanhamento da D. Lola, esta que mais parece realizar suas fantasias na filha do que qualquer outra coisa. Acredita o leitor que, logo depois do início desse namoro, a D. Lola esteve na casa da minha irmã e contou vertendo baldes de lágrimas que a casta cria tinha perdido a virgindade com o garoto em questão? Juro! O que não é possível é como a dita senhora pode lacrimejar por um hímen rompido há mais de quatro verões. Ou a mãe devia estar na fila do transplante de córnea ou é uma hipócrita assumida e pensa que os convivas são idiotas como ela.
Meio idiota, uma jovem de dezoito anos e um meninão de pouco mais, ambos sem nenhuma perspectiva profissional sólida, adotarem laços que insinuam falsamente um pré-matrimônio. Festa com dezenas de convidados, som, luzes, bolo com noivinhos e troca de alianças. Tirando a festa em si, até que bem servida de comes e bebes e tirando a boa discotecagem - esta a cargo do tio - o resto foi pastelão elevado à décima potência. Eu ri à beça com os arremedos de formalidade, discursos, dedicatórias, até com a inócua troca de alianças. A noivinha, danada que só, ria todo o tempo causando a impressão de que o fazia por causa da presepada em si. Qualquer dia desses perguntarei na lata.O noivo, um meninão aparentemente bonzinho, estudioso e trabalhador, certamente não tinha a menor noção de com quem estava a namorar e então noivar, relativamente ao voluptoso - e ainda crescente - currículo sexual da nubente. Tadinho. Segundo a noivinha, o rapaz era "mó parado", têrmo depreciativo proferido a mim, o qual desconfio referir-se a coisas como sua inaptidão para peripécias sexuais e seu desprezo por baladas e noitadas dançantes. Curiosamente por tudo que ela mais preza. Já falei dezenas de vezes a ela para achar um par com o mesmo pique, caso queira um relacionamento mais duradouro.
Saldo do teatro: poucos meses depois, quem sabe alertado por alguém ou quiçá por sinapse, o noivinho deu linha na pipa. Primeiro pediu o tradicional tempo para, depois de poucos dias, dar um au revoir por telefone mesmo. Mas e a festa, alianças e presentes? Danem-se. Como reza o protocolo, os presentes enxovalescos do noivado são dote da noiva. Então, ela que não me venha com um repeteco teatral esperando recorrência de mimos. Se convidado, comparecerei à nova festa e até discotecarei de novo com prazer. Mas respaldado pelo jogo lençóis que eu e a tia já demos naquele primeiro de talvez tantos noivados, pouco importando com quem ela vá usá-lo.
Esses humanos são cômicos.
* * * Em tempo: Fernandinha me disse há cinco minutos pelo Msn que está de "ficante" novo. Mas que também anda saindo com um cara casado. E que ambos são bons de cama, rs... * * *
Só mais esse-II, o retorno
Eu prometi que era só mais aquele. Tudo bem. Não lido bem com promessas. Mas tudo o que lhe peço, Papai-Noel, é com o intuito de lhe dar o máximo de alternativas, para que não me venha depois com a desculpa de que não achou isto, não achou aquilo, a 25 de março tava lotada. Não me venha com milongas! A internet está aí para facilitar a vida.
E falando em facilitar a vida esse telefone da Nokia há de facilitar a vida do tio por demais. Além de meu celular (este pezinho de boi aqui) estar virando o Cabo da Boa Esperança, meu perfil de uso vem mudando com o passar do tempo. Aderi ao Skype e, inclusive, assinei um número SkypeIn que me permite receber chamadas com total mobilidade, bastando estar conectado à internet. Isso me permite virtualizar totalmente minha localização. Não sei se o senhor entende o que eu estou dizendo, mas não se fixe nisso.
O E-61 da Nokia, além de ser um Nokia tem Wi-Fi, tem GSM e me dará condições para acessar o EDGE da Claro para eu ficar conectado à internet em tempo integral e então atender minhas chamadas de clientes pelo SkypeIn, entendeu? Putz, é duro tentar explicar para um ser centenário como o senhor essas coisas da modernidade que se tornam essenciais à nossa vida. Fico pensando como deve ser no Pólo Norte.
Resumo da ópera: me dê esse telefone aí, que custa cerca de R$600 e pouco. Barato demais pelo que faz. Obrigado Papai-Noel.
E falando em facilitar a vida esse telefone da Nokia há de facilitar a vida do tio por demais. Além de meu celular (este pezinho de boi aqui) estar virando o Cabo da Boa Esperança, meu perfil de uso vem mudando com o passar do tempo. Aderi ao Skype e, inclusive, assinei um número SkypeIn que me permite receber chamadas com total mobilidade, bastando estar conectado à internet. Isso me permite virtualizar totalmente minha localização. Não sei se o senhor entende o que eu estou dizendo, mas não se fixe nisso.
O E-61 da Nokia, além de ser um Nokia tem Wi-Fi, tem GSM e me dará condições para acessar o EDGE da Claro para eu ficar conectado à internet em tempo integral e então atender minhas chamadas de clientes pelo SkypeIn, entendeu? Putz, é duro tentar explicar para um ser centenário como o senhor essas coisas da modernidade que se tornam essenciais à nossa vida. Fico pensando como deve ser no Pólo Norte.
Resumo da ópera: me dê esse telefone aí, que custa cerca de R$600 e pouco. Barato demais pelo que faz. Obrigado Papai-Noel.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Só mais esse
Olha só, Papai-Noel, que coisinha incrível! Esse aparelho chama-se ELP e é fabricado por um tio japa da hora. O que ele faz de tão incrível? Ele reproduz os antigos elepês de vinil mediante leitura laser. Nada de agulha, nada de atrito. Como se fosse mágica, ele reproduz o som do disco com qualidade analógica. Nada daquelas emulações de som digital que subtraem as freqüências nas extremidades ditas "não-audíveis", nada de driblar as verdadeiras curvas das senóides sonoras com degrauzinhos microscópicos e os silêncios como silêncios mesmo e não um espaço em branco. Som analógico de verdade, como nos velhos tempos.Papai Noel eu preciso muito desse aparelho, sabe? Acontece que meu último toca-discos Philips está sem agulha e já revirei os palheiros até da Santa Ifigênia em vão. O Dimas, meu amigo-técnico também. Noelzão eu estou sem ouvir algumas pérolas que tenho na coleção que as gravadoras nem sonham em lançar em CD. E a agulha anterior se foi antes que eu pudesse digitalizar todas as gravações importantes, veja que tristeza estou passando.
Bom seo Noel, vamos aos finalmentes: esse brinquedo aí é um pouquinho mais caro do que aquele do post anterior, entende? O que eu quero é o modelo mais simplezinho mesmo, que custa dez mil dólares lá no Japão. Mas imagina o quanto fica depois que os cráp... (ops!) os senhores da Receita Federal adicionarem os quase 80% de impostos de importação. Não dá pro tio aqui comprar mesmo com o dólar baixo. Mas olha Nonô: se o senhor também estiver com pouca grana, me dá aquele outro mesmo, ok? Depois, no ano que vem, quem sabe se o senhor estiver melhor de grana... sacou né?
Por um, pelo outro ou pelos dois muito obrigado desde já. Te amo, viu Papai Noel?
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Querido Papai-Noel
O senhor sabe que eu fui um tio bonzinho o ano todo. Tudo bem, teve aquele episódio do gato. Mas foi sem querer. Eu sei que chamar as moçoilas da minha turma de faculdade de jumentildas pode não parecer certo, mas só estudando lá pra saber. É fogo, viu? E também aquelas contas de telefone atrasadas não foram porque eu quis, mas porque o semestre foi uma merda. O mesmo ocorre com as prestações do barraco na CEF. Mas eu vou pagar tudo sim, pode ficar tranqüilo. No começo do ano as coisas hão de melhorar.
Well, ante o exposto acima, nada mais justo do que um cara como eu ganhar isto:
Como imagino que no Pólo-Norte, Normandia - sei lá o nome desse lugar gélido onde o senhor vive - não deve ter muitas coisas como essa eu explico. Trata-se do B-CONTROL DEEJAY BCD-2000 da Behringer. Ele serve para mixar, aplicar efeitos e fazer scratches com arquivos de áudio (wav, wma, mp3, etc.) a partir de uma conexão USB com o PC. Posso ligá-lo no meu notebook e ele emula os CDJ´s através de um software. Como ele é também um mixer de áudio via entrada RCA, pode ser conectado a fontes analógicas, como os antigos pickups. Imagine, Papai Noel, o tio Xavier fazendo malabarismos nos Jog Wheels - essas rodelas que têm na superfície do aparelho - imitando os efeitos que o saudoso Malcolm McLaren fazia com vinil em Buffalo Gals. É muito mais fácil agora, seu Noel! Se o senhor não entendeu nada, não tem problema. É só me trazer que depois de ganhar eu lhe faço uma demonstração.
O melhor de tudo, Noelzão, é que o brinquedo que eu estou lhe pedindo nem é caro: R$560,00 no Mercado Livre. Vamos lá Santa Clauss, o senhor não vai me deixar triste né? Tô esperando. Dia 24 à noite passa em casa e deixa a caixa debaixo da minha árvore. Por favor.
Well, ante o exposto acima, nada mais justo do que um cara como eu ganhar isto:
O melhor de tudo, Noelzão, é que o brinquedo que eu estou lhe pedindo nem é caro: R$560,00 no Mercado Livre. Vamos lá Santa Clauss, o senhor não vai me deixar triste né? Tô esperando. Dia 24 à noite passa em casa e deixa a caixa debaixo da minha árvore. Por favor.
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